Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Que título não estragaria o lide?

Que título não estragaria o lide?

Lancei uma charada na semana passada só parcialmente respondida pela Natalie.

Deixa eu ver... ficaram com preguiça de ler todo o texto, não é?

Trata-se da história em primeira pessoa publicada no site do Independent.

O caso é que o moço fez um texto baseado em suspense. Ele abre o lide dizendo que, depois de tempos de uma história de amor, descobri que sua namorada tinha um segredo sinistro.

E leva 15 parágrafos para finalmente revelar o mistério. Só que o título já tinha entregado tudo.

O que fazer? Que título poderia chamar o leitor para o caso sem estragar a estratégia do autor?

Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h54

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Até tu, El País?

Meu leitor Thiago, de Vancouver, conta algo incrível:

Por falar em "jornal não é fonte", no recente incidente dos brasileiros barrados na Espanha, depois de ler as matérias da Folha e do Estado sobre o assunto, resolvi ler a do El País para ver como a notícia estava sendo dada por lá.

Qual não foi minha surpresa ver que eles "consultaram" apenas uma fonte para a matéria --uma matéria do site do Estadão.

Eles também citam o jornal como fonte do número de brasieliros barrados na Espanha! Eles estão lá, não poderiam checar eles próprios?!

E apesar da matéria do Estado falar dos dois lados da história, o El País ignora o depoimento dos brasileiros sobre maus-tratos e que possuíam carta-convite do tal congresso em Portugal. Fica a impressão de que o Brasil está choramingando porque eles barraram uns turistas despreparados.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h26

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Blog faz investigação também

E ganha prêmio.

Quem conta é minha colega NATALIE CONSANI:

Um blogueiro americano, Joshua Micah Marshall, ganhou em fevereiro o prêmio George Polk por uma reportagem investigativa.

Uma das dúvidas sobre o jornalismo na era da Web 2.0 é justamente saber se alguém bancará jornalismo investigativo, de verdade, e quem será.

Bom, essa história não responde totalmente essas perguntas (nem as outras sobre o futuro da profissão), mas dá um bom exemplo do que é possível fazer.

Marshall e seu blog [Talking Points Memo] são bancados por publicidade, contam com uma redação --enxuta, mas profissional-- e ainda se enquadram numa típíca empreitada 2.0: contam com a colaboração dos leitores.

Uma matéria do NYT conta essa história.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h58

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Música pop

Música pop

Falei ontem de como se preparar para cobrir música erudita. Ficou faltando música pop. Consultei meu colega IVAN FINOTTI, editor do Folhateen, que indicou um curso de história do rock dado por Cadão Volpato.

A própria repórter achou outros dois cursos em São Paulo:

CURSO DE MÚSICA BRASILEIRA (é voltado para dar aulas; deve ser bem completo por isso)
 
 
PRODUÇÃO MUSICAL

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h20

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Fico na TV ou vou para o jornal?

A dúvida vem de uma leitora do Rio Grande do Norte:

Queria saber o que é mais vantajoso para se adquirir experiência e formar um bom currículo.

Devemos desde cedo já investir no segmento (tipo de mídia) que pretendemos seguir?

O que é mais valorizado no currículo de um jornalista: a experiência naquela área em que está pleiteando a vaga ou experiências em áreas complementares, um currículo mais diversificado?

Ou devemos pensar nos contatos que podemos fazer em cada lugar na hora de escolher o que acrescentar ao currículo?
 
Pergunto isso porque hoje meu objetivo é batalhar para trabalhar em jornais impressos, do porte da Folha e do Estadão.

Já tive, no ano passado, uma experiência (não-remunerada) de dois meses em um jornal aqui na minha cidade.

Atualmente, estou estagiando em uma TV, há dois meses. Mas acontece que recebi uma proposta para voltar para o jornal, e a TV não permite que o estagiário tenha outro trabalho.

Minha grande dúvida é: vale mais a pena eu já começar a investir no impresso, já que talvez seja isso que eu quero seguir, ou será que a experiência na TV seria mais válida, justamente por ser diferente, para diversificar?

Sei que um dos critérios para a decisão poderia ser qual estágio me daria mais perspectivas de contratação, mas não quero pensar nisso, porque como comentei em posts anteriores, no próximo ano pretendo passar uma temporada fora do Brasil...

É uma pergunta difícil de responder, porque o que conta num currículo depende muito da vaga à qual se está concorrendo.

Há vagas em que o fundamental é experiência e, nesse caso, o editor vai valorizar o tempo de trabalho no mesmo tipo de veículo.

Há outras em que se procura alguém iniciante, motivado, eclético, disposto a aprender. Aqui, pode contar a favor ter estagiado em vários meios.

Uma recomendação que sempre dou quando meus ex-trainees me perguntam o que fazer é: escolha o trabalho em que você vai aprender mais.

No começo da profissão, uma das coisas mais importantes é a chance de aprender, de praticar muito, de passar por dificuldades e descobrir como resolvê-las, fazer fontes, firmar um nome, ganhar a confiança de fontes e editores.

Fazer contatos é importante também, mas eles só agem a seu favor se seu trabalho for bom.

Se não, serão simplesmente mais pessoas a falar mal de você.

Uma impressão que tenho --bem subjetiva, sujeita a checagem--, de qualquer forma, é que uma boa experiência em impresso (num jornal ou revista de alguma expressão) sempre conta a favor, seja qual o veículo que interesse ao candidato no futuro.

Já o inverso nem sempre é verdade, porque alguns editores temem que profissionais de outros meios não dominem completamente os textos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h08

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Divulgação científica

Divulgação científica

Meu leitor Roberto avisa sobre curso on-line de divulgação científica

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h01

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Quem?

Fiquei devendo uma resposta de exercício: tratava-se de escolher que informações dentre as básicas (quem, o que, quando, onde, como, por que, para que) eram fundamentais num pequeno perfil dos candidatos a trainee.

Como o texto já dizia que eram pessoas que participavam de uma etapa do programa de seleção, automaticamente ficavam desnecessárias as perguntas o que, quando, onde, como e para que.

Sobram duas: quem e por que. Dessas, na minha opinião, era fundamental responder bem a primeira. E responder bem, neste caso, é dar nome completo e correto, idade e contar algo que faz daquela pessoa, uma dentre 40 candidatos, alguém especial.

É disso que se trata, afinal, nosso trabalho: achar o que há de especial em cada personagem, em cada história. 


Escrever o nome correto da fonte parece fácil, mas não é. Quem como eu, tem nome dúbio --no meu caso, Sousa, com s--, sabe como é corriqueiro que os outros nos identifiquem de forma errada.

Na maior parte das vezes é por puro desleixo. Basta perguntar, soletrar, rechecar e tomar cuidado na hora de transcrever.

Mesmo assim, ainda é possível errar. Aconteceu comigo numa cobertura.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h48

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Centenário de um gigante

O gigante é I.F.Stone, polêmico jornalista americano que teria completado seu centenário em dezembro.

E o título é de um post no blog de meu amigo MARCELO SOARES, que conta um pouco da vida do homem, fala de seu método de trabalho, dá link para uma auto-entrevista do autor, remete para seus livros... enfim, serviço completo, detalhado e inteligente, como costuma fazer o Marcelo. Do post:

Para quem não conhece, ele era um repórter que, em Washington, editou seu próprio semanário e utilizava documentos produzidas pela gigantesca burocracia americana para desmontar versões passadas em aspas [um exemplo, sobre o Vietnã]. Já aposentado, usou o mesmo método para reconstruir o Julgamento de Sócrates, no livro homônimo (publicado há uns três anos em versão mais barata pela Companhia das Letras). Ele aprendeu grego arcaico para ler no original os poucos textos que restam falando do assunto em primeira mão. Neles, achou as mesmas lacunas que achava a respeito de episódios da Guerra da Coréia.


BOAS PÁGINAS

Marcelo também me mostra este blog, feito por um professor da Universidade de Navarra, na Espanha, que se dedica a publicar bons exemplos de design.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h32

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Quero me especializar na cobertura de música

Uma repórter me pediu dicas de cursos para quem quer escrever sobre música, fazer críticas.

Consultei meu amigo JOÃO BATISTA NATALI, que recomendou, para quem tem interesse em música erudita:

Há dias o Irineu Franco Perpétuo começou um novo curso na Casa do Saber. Ele é muito bom, em termos dos conhecimentos que acumulou e do material que reuniu.
Sei que em relação à história da ópera há um belo curso na Cultura Inglesa (Pinheiros) dado pelo Lauro Machado Coelho.
Há os cursos da ECA. Que se não me engano são abertos (alguns deles) a ouvintes. Sei que há dias o Sérgio Casoy, autor e pesquisador da área, iniciou um sobre registros de voz.
Bem... e é preciso ouvir a Rádio Cultura FM, de se plugar nas rádios estrangeiras (o canal clássico da BBC, a France Musique, etc.).

Ivan Finotti sugere curso de história do rock

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h36

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Jornal não é fonte

Recolhido pelo ombudsman da Folha, MÁRIO MAGALHÃES:

Abertura da coluna de Kenneth Maxwell: “Uma das coisas mais estranhas sobre o jornalismo brasileiro é o fato de que continue a conferir credibilidade àquilo que os jornais dos Estados Unidos, especialmente o ‘New York Times’, têm a dizer sobre o país”.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h43

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Processos como ameaça

Presidente da Força Sindical diz que vai processar jornais

A frase do sujeito:

Segundo ele, se o número de ações não for suficiente para que os jornais interrompam as reportagens sobre o repasse de dinheiro do Ministério do Trabalho, comandado por Carlos Lupi (PDT), para as entidades ligadas à Força, os sindicalistas irão ingressar de 1.000 a 2.000 ações em todo o país: "A Igreja Universal vai ser fichinha".

Sobre a tentativa de intimidação da repórter Elvira Lobato

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h11

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Apaixonei-me por uma assassina

Meu colega TARIQ SALEH me mostra esse ótimo relato do jornal britânico "The Independent".

Um fotojornalista conta, em primeira pessoa, como descobriu que sua namorada era militante num esquadrão da morte na Colômbia.

JORNALISTA É NOTÍCIA?

Uma das máximas da cultura jornalística é que jornalista não é notícia. Escrever em primeira pessoa, para muita gente que eu respeito muito, é pecado gravíssimo que deve ser evitado ao máximo.

O que faz este texto mais propenso ao perdão dos puristas? O fato de que seu autor é, sim, personagem da notícia: sua história, diz o "Independent", deve virar filme em Hollywood.

OPÇÕES À PRIMEIRA PESSOA

O que faz um jornal se tem uma história sensacional vivida por um repórter seu que se recusa a escrever em primeira pessoa (sim, juro, eles existem)?

Há pelo menos duas opções: entrevistá-lo --o que garante, com as frases literais, um pouco do colorido do testemunho-- ou pedir a outro repórter que faça uma reportagem tendo seu colega como personagem.

A última oção parece fria, mais distante. Mas um bom repórter, com sensibilidade e talento para perfis e um bom texto, pode conseguir um resultado até melhor que o da primeira pessoa de alguém menos desenvolto.

A PRIMEIRA PESSOA COMO OPÇÃO

Por outro lado, às vezes temos personagens tão bons, ou envolvidos em histórias tão sensacionais, que um bom recurso, em fez de fazer a reportagem tradicional, é pedir que ele mesmo relate em primeira pessoa e publicar como um depoimento.

UMA CHARADA PARA VOCÊS 
 
Leiam o texto, pelo menos até o 15º parágrafo, e me digam que recurso de narrativa o autor usou e o que aconteceu com ele na edição.
 
[leiam todo o texto, que vale a pena, mas, para este exercício, vocês precisam ler no mínimo esse começo.]
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h48

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Acompanhando Márcio

Faz duas semanas que um aluno da Uninove foi agredido dentro da faculdade.

Segundo testemunhas, ele se recusou a participar do trote porque não queria sujar as roupas: teria que trabalhar depois.

Márcio foi à polícia. Há um inquérito em curso. Com medo de retaliações, não voltou mais à faculdade --nem pretende voltar.

A Uninove informa que "alguns dos alunos envolvidos no trote estão suspensos" até que termine o processo disciplinar instaurado. Não há prazo de conclusão.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h00

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Coberturas internacionais

Coberturas internacionais

Três aspectos da cobertura internacional serão abordados este semestre na sétima edição da Cátedra de Jornalismo Octavio Frias de Oliveira: o trabalho do correspondente, o enviado especial e a cobertura de guerra.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h19

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Onde dói o calo

Onde dói o calo

A reflexão sobre o Ricardo --chamá-lo ou não de deficiente?-- tem semelhanças, na minha opinião, com aquela reportagem sobre o Paulo, um rapaz de 40 e poucos anos que, desde 1 ano de idade, mora no HC.

E não se trata mais de uma questão de edição, mas de apuração.

Lembram-se de que o Emilio, repórter que contou a história do Paulo, achou por bem não escrever sobre a família do personagem, porque achou que isso poderia causar problemas para o rapaz?

Na época, uma das perguntas que fiz ao Emilio foi: mas você perguntou para ele se haveria problema?

No caso do Ricardo, acho que cabe o mesmo recurso. Se nós, repórteres, temos dúvida sobre como descrever um personagem, por que não perguntar a ele? Se avaliamos que há o risco de ofendê-lo, por que não tirar a dúvida?

Com isso em mente, entrevistei meu colega ITALO NOGUEIRA, autor da reportagem:

Novo em Folha - Em algum momento você cogitou usar a palavra deficiente? Se cogitou, o que o fez evitá-la?

Italo Nogueira - Não foi uma preocupação minha chamá-lo ou não de deficiente. Na matéria original, falava, entre vírgulas, que ele era cadeirante (sim, com essa palavra horrível mesmo). Na edição virou o trecho "que o obriga a usar cadeiras de rodas".
 
Não foi algo pensado, mas acho agora, após escrever e ler (e reler após o seu pedido, já que não tinha me tocado sobre este detalhe), que o uso da palavra neste caso, a meu ver, não faz diferença.

A questão é que ele estava em uma cadeira de rodas, e isso o obrigava ser levado em um carrinho de mão para o colégio. A deficiência causou isso, mas a história dele não chamou a minha atenção porque era deficiente. Mas sim porque ele e a família superaram os limites da cadeira de rodas, da falta de escolaridade, a dificuldade de acesso aos estudos...

É evidente que o fato de ele ser deficiente provocou/complicou tudo isso. A baixa auto-estima acomete alguns deficientes, que passam a se achar incapazes. Mas a amiotrofia espinhal não afeta as capacidades intelectuais dele.

Ou seja, ele não venceu a deficiência, mas aprendeu a viver com ela. Venceu a cadeira de rodas (ao ir de carrinho de mão para o colégio), a alfabetização dada pela mãe (vencendo as olimpíadas de matemática), etc...
 
NF - Em algum momento da entrevista você mencionou o problema de usar ou não a palavra deficiente? Ou seja, perguntou para ele se acha ruim ser identificado de tal ou tal forma?

IN - Não perguntei se poderia chamá-lo assim. Perguntei a ele se podia perguntar qual doença que o fez ficar na cadeira de rodas, se ele tinha problema em falar nisso. Ele disse que não e respondeu.
 
Acho que é isso.

Mas o fato de não tê-lo chamado de deficiente não foi algo premeditado. Faria isso caso achasse que se encaixava melhor no texto. Talvez neste caso não o enxerguei como um deficiente, mas como uma pessoa que estava em uma cadeira de rodas.

Lá estava dito que ele tinha amiotrofia espinhal e que estava em uma cadeira de rodas. A foto deixa claro que é um cadeirante e mostra discretamente os efeitos da doença no corpo do menino.
 
Se estes dados (foto e texto) o tornam "deficiente", o leitor vai saber que ele o é. Talvez a ausência da palavra "deficiente" deixe espaço para o leitor avaliar. Para mim, subjetivamente, ele está longe disso.   


COM LIMITES, CLARO

Acho que tenho que deixar claro que consultar o entrevistado sobre que palavra usar, ou publicar ou não certa informação, vale para casos específicos.

Na maioria das reportagens, não é o caso de fazer isso. Obviamente, a informação vem sempre em primeiro lugar. Não se trata de dar à fonte o poder de editar seu texto --isso é prerrogativa dos jornalistas.

Mas, na minha opinião, é um bom recurso em casos delicados, quando se tem dúvida sobre informações e termos.

Isso, claro, se for preciso chegar a esse ponto. Porque o texto e a entrevista do Italo deixam evidente que os adjetivos quase sempre podem ser evitados.

Repetindo, para não deixar dúvida: o objetivo final é informar bem o leitor. Se isso puder ser bem feito de um ou outro jeito, prefira o que incomoda menos gente.

A entrevista com Emilio Sant´Anna sobre sua reportagem
No que pensar na hora de escolher palavras
Na seção
"Como foi feito" do blog, outros jornalistas contam como fizeram seu trabalho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h38

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Puxão de orelha

Recebo do meu colega de longa data ROGÉRIO ORTEGA uma crítica muito pertinente: não ouvi ninguém da Primeira Página sobre o uso da palavra deficiente e o destaque dada a ela.

Ele está certo!

Mas ainda não terminei de comentar esse assunto. Há outros aspectos que podemos tirar dele para nosso trabalho no dia-a-dia. Ainda vou publicar um comentário do PAULO RAMOS, professor da Folha, e um depoimento do repórter, ITALO NOGUEIRA.

E, claro, vou ouvir os argumentos da Primeira Página, como bem lembrou o Rogério.


De qualquer forma, talvez seja bom lembrar que não tenho a pretensão, nos meus posts, de dizer que algo estava "certo" ou "errado".

Já escrevi isso várias vezes aqui: em jornalismo, há variados caminhos possíveis. Tanto que, num mesmo dia, partindo da mesma realidades, jornais distintos farão escolhas muito diferentes.

O que importa é ter argumentos jornalísticos por trás das escolhas. E, como lembra muito oportunamente o Rogério, quanto mais, melhor.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h11

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Cursos em São Paulo

Cursos em São Paulo

Aviso da Jenifer, de São Paulo:

Estão abertas as inscrições para os próximos cursos da Oboré. Eu fiz no semestre passado o módulo "Jornalismo em Situações de Conflito Armado". Foi uma experiência muito boa para mim, tivemos muito contato com o trabalho do CICV (Cruz Vermelha) e com noções da regulamentação internacional em se tratando da aplicação dos direitos humanos.

A melhor parte é que o curso pode ser gratuito se o participante conseguir publicar uma matéria em algum veículo com editor responsável.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h51

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Para quem cobre Legislativo e Judiciário

Para quem cobre Legislativo e Judiciário

Meu colega FREDERICO VASCONCELOS escreve em seu blog sobre novo relatório do Transparência Brasil, com dados, muitos dados, que podem ser usados para embasar nossas matérias.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h27

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direitos humanos

De meu colega Tariq Saleh, correspondente em Beirute:

Não tem nada a ver com jornalismo, mas tem a ver com o que podemos abordar.
Por favor, poderia divulgar este vídeo da ONU no combate ao tráfico de seres humanos:
 
A campanha foi lançada em março de 2007 e está no ar na Al Jazeera, CNN e outras grandes emissoras internacionais.
 
Direitos humanos deveria ser pauta sempre, acho legal divulgar este vídeo, até como forma de incentivar nossos colegas correr atrás de pautas relacionadas ao tema.
 
Como o vídeo diz: tráfico humano está ao nosso redor, é só abrirmos os olhos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h45

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VIVA RICARDO!

Meu colega e ex-trainee JAIRO MARQUES, ele mesmo cadeirante, escreve a meu pedido sobre o impacto da palavra "deficiente":

A história de Ricardo, o cearense campeão de matemática que só consegue ir à escola em um carrinho de mão empurrado pelo pai, é daquelas que nos fazem suspirar e pensar que nossas dificuldades diárias são ínfimas. Parece até que aquele "problemão" que temos se torna mais leve... temos vontade de "dar uma mãozinha" e acelerar a carriola do gênio para que ele ganhe ainda mais medalhas e, conseqüentemente, nos faça novamente sorrir diante daquela espinha no rosto, da conta atrasada, da briga com o irmão. 

E qual a razão dessa comoção que toma conta de todos, que nos faz refletir, que faz com que nos esforcemos um pouco mais por nossas próprias conquistas?

Ricardo é deficiente.

Foi vitimado por uma doença neurológica que limita seus movimentos...

Também sou cadeirante e confesso aos leitores que o termo me traz um gosto amargo ao peito, assim como sentiram alguns frequentadores do blog.

Quando fui passar uma temporada na Espanha foi difícil me acostumar com a expressão "minusvalido", que designa deficiente físico naquela língua. Não é algo que remete à idéia de "menos válido"?. Forte, sim, bem forte e pouco palatável.

A palavra "deficiente" parece retratar alguém incompleto, alguém que tem capacidades diminutas. Porém reconheço que, jornalisticamente, o termo se torna quase indispensável para dar à notícia a dimensão que ela tem.

Por mais estigmas que o termo tenha, ele consegue jogar luz na vitória de Ricardo, que tornou as limitações um detalhe diante do dourado de suas medalhas fruto de inteligência, de dedicação, de esforço... esforço físico, inclusive, dele.. do pai... da mãe... do irmão.

Acredito que a intenção dos editores da Primeira Página da Folha foi a melhor possível. Ricardo é especial, é gênio, e suas conquistas desanuviam preconceitos... e usa uma cadeira de rodas, tem uma deficiência física. Qualquer outra expressão, a meu ver, não daria à chamada o destaque que ela exigia.

É preciso analisar o terno sob a ótica do conjunto dos leitores. Quero é que outros "especiais" como o Ricardo ganhem também o espaço mais nobre do jornal. Sou do time que joga pra frente... A deficiência do cearense bom de números desperta consciência, desperta atitudes de mudança, desperta mudança na visão sobre quem tem alguma limitação física ou mental. E viva o Ricardo!

Sobre o que refletir na hora de escolher uma palavra
Leitora sugere
consulta a ONGs
A questão que levou à resposta do Jairo 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 06h25

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BONS RELATOS

Por falar em boas histórias bem contadas, minha colega MARIANA DESIMONE escreve:

Acabei de ler esta matéria do Der Spiegel, no Uol Mídia Global. Acho que vale a pena dividir com todos. Mostra uma história humana, bem contada,  bem amarrada

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h52

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Ig lança programa de trainees

A partir de amanhã, o Ig aceita inscrições para seu primeiro programa de trainees.

Vai durar até oito meses, incluindo curso, experiência profissional e avaliações. Como inclui trabalho, os candidatos aprovados serão remunerados: R$ 1.250 mensais (contratação por tempo determinado).

O programa começa na primeira semana de maio.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h36

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Para propor um perfil

Para propor um perfil

A propósito do Ricardo, talvez valha a pena publicar aqui umas dicas sobre como propor perfis, que surgiram na última semana de palestras:

UM PERFIL SE JUSTIFICA QUANDO:
  • o personagem é muito especial ou tem uma história muito especial, que ainda não foi contada
  • o personagem já é conhecido, mas aconteceu algo novo com ele que merece ser contado, ou ele está envolvido em alguma notícia que faz com que sua história mereça ser contada de novo
O QUE FAZER ANTES DE PROPOR UM PERFIL:
  • descobrir em qual dos dois casos acima se enquadra sua proposta e deixar isso claro para o editor. Um editor só desloca um repórter para uma história quando está convencido de que ela é boa, pertinente, rica. É sua missão convencê-lo disso
  • antes, portanto, de fazer a proposta, é preciso pesquisar para ver se a história é mesmo inédita
  • se não for, pesquisar para saber o que podemos fazer de novo, de original, de diferente
  • refletir sobre que tipo de veículo seria mais adequado para o perfil (e, dentro de um veículo, que seção ou editoria)
  • lembrar que, por mais legal que pareça um personagem, o jornalista tem que exercitar afastamento e espírito crítico
 
O QUE LEMBRAR NA HORA DE FAZER O PERFIL
  • recolher o máximo possível de detalhes sobre a vida da pessoa. Sempre que um fato parecer relevante e interessante, peça que ele descreva a cena. Pergunte que roupa usava, se chovia, se ele foi a pé ou de ônibus, se havia comido, em quem pensou naquela hora.
  • observar o máximo possível de detalhes sobre a pessoa e o ambiente em que ela vive ou trabalha. O que há nas paredes ou sobre a mesa? Como os outros a tratam? Como ela trata os outros? Para onde olha quando fala com você? Como se move?
  • usar, no texto, as descrições das cenas. Pôr um personagem em ação é sempre mais interessante.
  • usar, no texto, os detalhes informativos em vez de adjetivos. Como disse o Matinas ontem, contar que o aperto de mão de um homem tinha a mesma intesidade e duração para o faxineiro e o diretor da empresa transmite ao leitor uma imagem mais precisa do que dizer que o personagem era simpático, popular ou "simples".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h51

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Por que você está bravo?

Meu amigo e fiel colaborador Marcelo Soares me conta deste site, "O Jornalista Bravo", em que as pessoas reclamam do que as está irritando nas coberturas.

Steve Outing, numa coluna também mandada pelo Marcelo, faz um balanço das queixas. A tropa se irrita principalmente com os generais, por exemplo. E o mundo multimidia está enlouquecendo a todos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h11

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A PALAVRA JUSTA

Há muitos argumentos pró e contra o uso de termos politicamente corretos.

Mas o que vamos perceber no dia-a-dia dos jornais é que cada história exige sua própria reflexão.

Não há regra geral. Podemos, porém, partir sempre do princípio básico do jornalismo: qual é a informação? É relevante? Faz falta? Ajuda a entender?

Vejamos o caso do Ricardo, o garoto que venceu a olimpíada de matemática. Um leitor havia questionado a maneira como a Folha o apresentou na capa [veja neste post].

É NOTÍCIA?

O fato de Ricardo ser cadeirante é notícia? À primeira vista, a resposta é sim. Dificilmente veríamos num jornal o título "Não deficiente ganha olimpíada de matemática".

Mas vamos olhar mais de perto: a doença de Ricardo o impede de raciocinar? Não!

A debilidade física seria fundamental se ele tivesse vencido uma maratona ou uma luta de boxe. Mas, no nosso caso, ela é notícia indiretamente --como a expressão indireta de uma enorme dificuldade que o garoto precisou superar.

Se Ricardo fosse um ex-menino de rua que se educou sozinho, também seria notícia. Se fosse um garoto de dez anos competindo com colegas de 16, ou atravessasse todos os dias 100 km remando para poder estudar, o mesmo.

O que importa, portanto, nessa história, são os obstáculos que estavam no caminho do garoto. E não são poucos:

  • Ricardo tem amiotrofia espinhal (doença neurológica que causa a atrofia da medula espinhal e fraqueza muscular e o obriga a usar cadeira de rodas)
  • Vive em Várzea Alegre (CE), a 467 km de Fortaleza, e foi alfabetizado pela mãe, que cursou só até a sexta série.
  • Por causa da doença, não pode ir à escola: mora em um pequeno sítio cujo acesso é apenas por estrada de barro e pedra. A Prefeitura de Várzea Alegre não oferece condução para Ricardo freqüentar o colégio.
  • As professoras levam matérias e exercícios a sua casa
  • Não tem internet. Estuda com livros emprestados da escola.
  • Para fazer as provas na escola municipal Joaquim Alves de Oliveira, seu pai precisa carregá-lo por cerca de 1 km em um carrinho de mão.
  • Concorreu com 17,5 milhões de estudantes em todo o país.

ADJETIVO PARA QUÊ?

Com tanta informação assim, para que reduzir Ricardo a "deficiente"?

Notem que, em sua reportagem, meu colega ITALO NOGUEIRA não usa essa palavra nem uma vez. E faz bem. É uma regra simples, básica, que sempre funciona: troque os adjetivos por informação. Descreva, explique, dê a dimensão. Italo faz isso magistralmente, sem pieguice, sem comiseração, com respeito pelo personagem.

A maioria das informações acima teria resolvido bem nosso problema de apresentar a notícia: "Alfabetizado pela mãe, garoto vence...", como dizia o título interno, ou "Sem ir à escola, garoto vence...", "Autodidata, garoto vence...".

Até "Cadeirante vence..." teria usado, em vez do adjetivo, um substantivo. Muito mais neutro.

DESTAQUE TAMBÉM É INFORMAÇÃO

Apesar de tudo o que escrevi acima, compreendo que em alguns casos jornais precisem usar no título um termo como deficiente.

Por quê?

Porque há situações em que cabem poucas palavras, e essa, com toda a carga complicada de valor que tem, comunica imediatamente que tal sujeito tem que se esforçar muito mais na vida do que a maioria de nós.

Mas, por tudo o que escrevi acima, não teria colocado a palavra em negrito, como fez o jornal.

Já vimos aqui outros casos parecidos: não é só a palavra ou o texto em si que informam, mas o destaque que eles têm, o tamanho, a apresentação gráfica.

Se o que importa no caso do Ricardo é que ele e sua família fizeram um baita sacrifício, no final recompensado, para que dar destaque à palavra deficiente? Na minha opinião, a palavra que deveria estar em negrito é VENCE.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h19

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Espaço é informação

Em geral, a gente se queixa de espaço de menos: "Essa matéria foi mal dada", "Faltou informação", "Mataram a história".

Mas há casos em que a reclamação é oposta, como nesta mensagem de meu leitor Eduardo:

Há alguns dias, você publicou aqui os elogios do ombudsman da Folha à reportagem da Época sobre o suicídio de um rapaz de 16 anos. Lembro que um deles dizia: "o estado do cadáver não é descrito".

Na edição de hoje da Folha, uma matéria tão curta sobre o suicídio de uma jovem me gerou mais mal-estar do que todas as 11 páginas da matéria da revista.

É mesmo tão importante descrever todas as fraturas e o suplício sofridos pela jovem? Não bastaria dizer que "sofreu graves fraturas" e que "morreu de parada cardiorrespiratória"?

De novo, o que me espantou foi a proporção entre o tamanho do texto e o espaço dedicado a esse tipo de descrição - desnecessária, na minha opinião.

A questão que o Eduardo levanta é bem relevante: o espaço que se dá para uma história afeta a maneira como o leitor a absorve.

No caso específico dessa matéria, concordo com ele: são detalhes demais. Fariam sentido se houvesse dúvida sobre a causa da morte, por exemplo. Mas, nesse texto, mais incomodam que esclarecem. 

É importante só lembrar que, na maioria absoluta dos casos, o destaque de uma notícia não é algo absoluto, mas relativo: depende do que mais se tem para publicar.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h12

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Mais ferramentas de investigação

Escreve meu colega TARIQ SALEH, stringer da Folha no Líbano [stringer é o correpondente free-lancer]:

Tava lendo o post sobre jornalismo investigativo e sites úteis. Posso contribuir com algo, eu fiz um curso no ano passAdo pelo Knight Center for Journalism in the Americas sobre ferramentas de investigação jornalística. Vou citar alguns que conheci através do curso e outros que garimpei surfando na internet (desculpe se já foram mencionados antes):
 
- Artigos acadêmicos: http://scholar.google.com/
- Dicas, tecnologia e informações para lugares inóspitos do planeta (para repórteres loucos aventureiros): http://www.explorersweb.com/
- Site que mede velocidade de qualquer conexão na internet, descobre IP de usuários, entre outras ferramentas úteis (é o mais popular entre fotógrafos no exterior): http://www.internetfrog.com/index.asp
- Guia do Islã (para os 'islamofobíacos') e quem tem interesse por coisas do Corão: http://www.islam-guide.com/
- A Biblioteca do Congresso dos EUA, uma das maiores e mais completas do mundo: http://www.loc.gov/index.html
- Cobrindo crimes e Justiça (que é parecido com o Manual de Repórter de Polícia "http://www.comunique-se.com.br/reporterdepolicia/#", só que este é dos EUA): http://www.justicejournalism.org/crimeguide/

E mais uma dica, da Natalie:

O site do Contas Abertas sempre tem informações relevantes sobre o Orçamento da União (três poderes), DF e RJ.

É possível consultar, por exemplo, o Orçamento desde 2005 até 2007.

Tem até um glossário bacana em PDF, com verbetes relativos aos orçamentos públicos. Vale a pena também assinar a newsletter (gratuita).

O endereço do site é: www.contasabertas.uol.com.br

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h53

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha de S.Paulo. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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