Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Viajo quando?

Alguns leitores comentaram a história da Ivy, que foi babá nos EUA depois de se formar, indagando quando seria um bom momento para viajar pelo mundo.

Seria melhor logo depois de formado? Antes de se formar? Vale a pena se você já tem 30 anos?

Obviamente cada história é uma história, mas achei que seria interessante subir este comentário do Thiago, hoje morando em Vancouver, no Canadá:

Eu estou nessa situação atualmente; larguei tudo no Brasil pra me mudar pro Canadá.

No meu caso foi um pouco mais fácil pq eu já sabia inglês (morei 6 anos nos EUA, me formei no colegial lá), tava meio estagnado e de saco cheio do meu emprego de tradutor de filmes (sim, era legal, mas depois de 5 anos...) e minha mulher tem dupla cidadania.

Vim pq queria voltar a estudar (e por incrível q pareça, isso foi mais fácil e barato aqui do q no Brasil) e tbm pela qualidade de vida.

O fato do meu aniv. de 30 anos está chegando em breve tbm me motivou a fazer isso "agora ou nunca".Mas acho ainda q minha mulher é q teve q tomar uma decisão mais difícil, pois era repórter do Estadão e gostava do trabalho, mas tbm queria uma melhor qualidade de vida.

Agora estou trabalhando em TV aqui e fazendo pós em cinema, mas acho sim q qto mais velho, mais difícil fica pra tomar essas decisões, portanto se vc se formar e ñ tiver emprego, aproveite pra se aventurar pelo mundo, vc só tem a ganhar!

Viajo ou procuro trabalho? - a dúvida de uma recém-formada
Vida de babá
- repórter conta sua viagem depois de formada

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h32

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Camisa listrada/escolha suas informações

Camisa listrada/escolha suas informações

Prometo dar uma folga até a Quarta-Feira de Cinzas.

Para quem quer muito trabalhar no Carnaval, deixo um exercício.

Foi adaptado de uma das questões da prova desta 45ª turma de treinamento.

Leiam as informações abaixo e decidam: se tivessem que fazer um texto com apenas oito delas, quais seriam? Em que ordem?

  1. As chuvas do final de semana provocaram um desabamento de terra em Ituaí.
  2. Ituaí fica no interior de Minas Gerais.
  3. Chove há duas semanas no interior de Minas Gerais.
  4. A média de chuva na região nesta época do ano é de 300 mm por mês.
  5. Cinco casas foram soterradas em Ituaí.
  6. Nas últimas duas semanas, a precipitação foi de 280 mm.
  7. As chuvas do final de semana foram equivalentes a metade da média de precipitação mensal para esta época do ano na região.
  8. Ituaí não tem Corpo de Bombeiros nem Defesa Civil.
  9. Oito pessoas foram soterradas no desabamento.
  10. O desabamento ocorreu nesta madrugada.
  11. A cidade mais próxima a Ituaí com Corpo de Bombeiros e Defesa Civil é Joanópolis.
  12. As vítimas foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros de Joanópolis.
  13. Duas pessoas das oito soterradas não haviam sido resgatadas
  14. As casas soterradas ficavam em área de risco.
  15. A prefeitura da cidade não havia tentado remover os moradores do local.
  16. Das oito pessoas soterradas, quatro foram levadas para o hospital de Joanópolis.
  17. Duas pessoas morreram soterradas, dentre elas um bebê de um ano.
  18. Joanópolis fica a 20 km de Ituaí.
  19. Segundo o prefeito, a cidade aguardava a liberação de verbas para abrigar as pessoas que moravam na área de risco.

Eu comento depois do Carnaval [Meus comentários]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h00

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Socorro! Vão me furar!

Não é nenhum dos dois lutadores acima que tem medo de ser furado.

São os repórteres, e essa é uma preocupação diária.

Contei aqui que, quando repórter, sonhava toda noite com o trabalho. No fundo, era medo de levar furo. De ver uma matéria melhor na concorrência no dia seguinte. De ter entendido alguma coisa errado, também.

Mas acho que levar furo talvez seja o grande pesadelo dos repórteres.

A foto acima, de MARLENE BERGAMO, foi tirada na quarta-feira, e nasceu assim: meu ex-trainee SILAS MARTÍ, repórter da Ilustrada, ficou sabendo que um cineasta preparava um filme sobre tais lutas. Ligou pro sujeito e pediu para ir lá assistir. Quando chegou, para sua surpresa, encontrou lá um repórter do "Diário de São Paulo"... E o homem ainda comentou que havia também chamado a TV, "que pena que não vieram"...

Qual era o dilema, então, na tarde de quarta?

Marlene, excelente fotógrafa mais do que experiente, sabendo que o "Diário" daria matériaa na quinta, pressionava para que a Folha publicasse também. Silas queria apurar direito a história que, afinal, era "sua". Tinha sido descoberta por ele. Queria fechar bem os buracos de informação, checar direto as dúvidas, fazer um texto mais legal e garantir uma reportagem com mais espaço e destaque que uma cobertura "do dia".

Afinal, o que importa se o concorrente der antes uma matéria? (Essa é também uma questão que apareceu nos comentários do último post, sobre a matéria do HC).

O leitor da Folha lê o "Diário"? Dificilmente.

O assunto deixa de ser interessante porque algum concorrente já deu? Não. Mas deixa de ser "notícia". Porque, já vimos aqui, notícia é o que é novo, desconhecido, inédito.

Mas, se os leitores da Folha não leram o "Diário", continua sendo novo para eles. Qual é então o problema? É que nós, jornalistas, lemos os outros jornais. Nós sabemos que o concorrente já deu. E, então, para nós, que decidimos o que vamos publicar no dia seguinte, aquela história perde charme, perde valor.

Outro dia alguém escreveu num comentário que nas Redações algumas decisões são tomadas a partir de uma "cultura inconsciente e coletiva", baseada em valores e tradições dos jornalistas --que não necessariamente encontram correspondência nos valores e interesses dos leitores.

A matéria que já foi furada se encaixa aí.

Vejam bem, não estou querendo dizer que o furo não tem importância para o leitor. No longo prazo, na construção da imagem e do prestígio de um jornal, podem ter certeza de que ele é fundamental. Mas, no varejo, quando se aplica a um caso específico, não importa em nada. O que o leitor quer é receber a informação. Tanto faz, para ele, se algum veículo que ele não lê já publicou.

Então, para encurtar a história --[meu leitor mais crítico odeia posts longos!]--, o que fazer numa situação como esta se você é o repórter? Acho que a melhor solução foi a resposta dada pelo editor de Cotidiano, ROGÉRIO GENTILE:

-- A história é muito legal. Gostaria de publicar de qualquer jeito, mesmo que o "Diário" dê antes. Mas vamos tentar fazer para amanhã?!!!


Por sorte, foi possível apurar tudo para quinta, porque o concorrente publicou no mesmo dia, e com bastante destaque:

Na capa da Folha

na capa do "Diário"

A matéria, no caderno Cotidiano [copiei também no site do treinamento]:


ADENDO, em 6/2/2008 - O curioso é que, fiquei sabendo depois, pelos comentários, foi o mesmo motivo que precipitou o "Diário" a publicar sua matéria: ter encontrado por lá o repórter da Folha.

O que faz de uma notícia notícia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h57

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Genealogia de uma ótima história

Genealogia de uma ótima história

Eu estava de plantão no sábado à noite quando chegou "O Estado" de domingo. Dei uma olhada na manchete, para ver se não tínhamos levado furo, mas uma foto logo me chamou a atenção. Não sei se foi a bandeira do São Paulo, os bichinhos espalhados ou o sorriso do personagem.

Li o título e a legenda e fiquei pasma:

Caramba! Uma pessoa vive há 39 anos dentro do Hospital das Clínicas! E a gente nunca soube disso!

Vocês devem imaginar que dezenas, talvez centenas de repórteres entraram no HC nessas quatro décadas. Que não houvesse história nos primeiros dez anos, tudo bem. Mas pelo menos desde 1977 isso é pauta, em qualquer lugar do mundo!

Vejam como começa o texto, para terem uma idéia de como o caso é legal:

Quase 4 décadas vividas no HC

Vítimas da pólio, Paulo e Eliane moram
 em um quarto de 10 m2 do maior
complexo hospitalar da América Latina

Emilio Sant’Anna

Enquanto o mundo parava para assistir ao americano Neil Armstrong se tornar o primeiro homem a pisar na Lua, em 20 de julho de 1969, um menino de pouco mais de 1 ano começava um longo caminho para manter-se vivo. Naquela noite, um grupo de médicos e enfermeiros do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo reunia-se diante de um aparelho de TV preto-e-branco no quarto para acompanhar a façanha. Esse é o primeiro grande evento ocorrido desde a internação de Paulo Henrique Machado, hoje com 40 anos, o paciente mais antigo do maior complexo hospitalar da América Latina.

Ali, no sexto andar do Instituto de Ortopedia, ele passou praticamente a vida inteira. Como milhares de outras crianças nas décadas de 50, 60 e 70, ele foi acometido pela poliomielite, que provoca paralisia às vezes fatal.

Fiquei muito curiosa para entender como foi, afinal, que o Emílio encontrou essa história. Abaixo, segue uma conversa que tive, por e-mail e telefone, com esse repórter de 28 anos que nasceu em Botucatu (SP) e, como eu, estudou agronomia antes de virar jornalista.

Novo em Folha - Como você descobriu a pauta? Parece incrível pra mim que um homem viva há 39 anos no HC e ninguém nunca tenha sabido disso!

Emilio Sant' Anna - Essa pauta surgiu no ano passado. Fiz uma matéria sobre uma UTI especial para crianças que têm pouquíssimas chances de sair de lá algum dia. Depois disso fiquei curioso para saber qual era a outra ponta dessa história: os adultos que passam a vida em um hospital. Acabei chegando ao Paulo e a Eliana.    

NF - Você percebeu de cara que era uma ótima história?

ESA -  Percebi de cara que poderia render uma boa pauta por um motivo: a história deles é muito boa, só precisava de alguém para contar. Quando saí do quarto dos dois fiquei louco para escrever logo a história, mas queria um tempo maior para conhecer mais da vida deles. Quis "mergulhar" o máximo possível na rotina deles. Por esse motivo, confesso, esperei para poder fazê-la.

Uma semana antes de sair de férias, fui ao hospital para entrevistá-los.  Voltei no primeiro dia das minhas férias e passei a tarde inteira com eles, ultrapassando o horário de visitas e ainda voltei mais uma vez. Isso me ajudou a entender um pouco do mundo deles, suas necessidades e, principalmente, suas angústias.

Da última vez que fui lá, acabei conversando por um bom tempo sobre coisas diversas, não só sobre a vida deles.

Mas tem uma coisa: não queria me passar por amigo deles. Eles sabiam o que eu estava fazendo ali, apenas procurei deixar eles à vontade e eu também. 

NF - Você não ficou com medo de ser furado? Com uma história tão boa, não teve medo que alguém fosse dar nela também? [Nota da Ana - depois que publiquei o post, minha leitora Juliana me mostrou que alguém acabou dando a matéria antes: o G1]

ESA - Sim, eu fiquei com medo!

NF - E fez o quê? Implorou pra enfermeira não deixar ninguém mais entrar no quarto? (risos)

ESA - (risos) não. Bem, eu fiquei com medo, claro que alguém poderia encontrar a história também. Mas eu achava que isso não aconteceria. Um dos motivos é que, quando entrei no quarto e conheci a Eliana, fiquei com a nítida impressão de já ter visto ela em algum lugar. E já tinha mesmo. Ela já havia dado entrevistas para programas de televisão por ser pintora. Mas não imaginava que ela morava no HC desde a infância. Acho que isso era o fundamental. Se jornalistas já tinham estado lá e não tinham percebido a pauta, fiquei torcendo para que não percebessem justo agora.

NF - Foi fácil convencer seu editor de que essa era uma boa história?

ESA - Convencer minha editora --a Viviane Kulczynski-- foi bem tranqüilo. Na verdade, ela me incentivou a fazer a reportagem. Essa é uma característica da equipe (Viviane, Paula Pereira e Luciana Constantino): acreditar no repórter, de verdade. Em outras oportunidades também recebi esse tipo de apoio.

NF - A matéria foi muito cortada? Pergunto isso porque, como o assunto é muito bom, desperta muito interesse. E senti falta de várias informaçôes (onde estão as famílias deles, quem paga as despesas, como ele faz para trabalhar etc.). Fiquei imaginando se elas teriam sido cortadas na hora da edição.

ESA - Para ser bem sincero, o resultado ficou muito aquém do que a história deles merecia. Claro que o texto foi editado, no entanto, não sacrificou informações relevantes. Toda e qualquer falta de informação é de minha inteira irresponsabilidade (risos).

Mas, falando sério, as poucas referências sobre as famílias foi uma questão que encontrei na hora de escrever.

Eles têm uma relação muito, muito delicada com suas famílias. Não dependem deles, afirmam que os amigos são a verdadeira família, mas deixam transparecer uma certa mágoa.

O Paulo faz questão de ressaltar que respeita seu pai, seus irmãos. O irmão mais novo vai visitá-lo com freqüência. Mas ele não teve o convívio necessário para ter uma relação verdadeira com a família. Não sei se acertei ao deixar isso de fora, mas me ocorreu que depois da matéria isso poderia ser algo ainda mais negativo na relação deles.

NF - Mas você não chegou, então, a discutir isso claramente com os entrevistados. Você não perguntou pra eles "Fiquei com a impressão de que há uma certa mágoa pela falta de contato. É isso? Vocês acham que seria um problema eu abordar no meu texto essa distância que há entre vocês e a família?" Chegou a pensar que poderia levantar essas informações com outras fontes? Ou mesmo assim ficou constrangido de escrever sobre o assunto?

ESA - Não, eu não os consultei. Tomei essa decisão sozinho. Por tudo o que ele disse, notei que ele evitava falar sobre isso, e indiretamente tive uma certeza de ir por esse caminho.

Tive oportunidade de conversar com um amigo dos dois, o Edgard, que conheci em uma das vezes que estive lá. Uma pessoa bastante discreta que não queria aparecer na matéria, mas que me colocou a par de toda a situação.

Essa foi uma fonte importante, pois me deu ainda uma outra visão sobre a vida dos dois. Sobre vários aspectos. Questões como  a sexualidade --que menciono na reportagem-- também foram muito difícil de extrair deles. Conversei com médicos e enfermeiros da UTI também.

Enfim, como disse, acho sinceramente que poderia ter ficado muito melhor. Algumas informações suprimi, outras não fui tão a fundo. Essa, aliás, é uma das coisas mais difíceis da nossa profissão: a escolha em função do espaço. Às vezes, editar é ter uma série de informações que julga fundamentais e se desesperar por não poder usar todas. Claro, quem desperdiça menos, faz um texto melhor. Espero chegar lá... 

NF - Você me contou que foi lá algumas vezes. Como equilibrar esse contato, principalmente numa história rica como essa? De alguma forma, não há como não se envolver com esses personagens. Por outro lado, é preciso deixar clara a fronteira profissional. Como você fez?

ESA - É verdade, esse é um problema. E com eles é ainda mais importante, porque é claro que eles não são bobos. Estão a vida inteira numa cama. Eles têm amigos que vêm, passam um tempo visitando, depois não aparecem mais. É um problema cirar um laço forte e depois ver a pessoa desaparecer.

Nunca me fiz passar por amigo deles. Envolvimento é inevitável, mas não a ponto de dizer que somos amigos. Digo isso porque, no dia-a-dia das coberturas, um repórter até se faz passar por amigo para conseguir uma informação. Mas não era o caso, e eles têm um feeling sobre isso. Eles sabem quem são seus amigos de verdade.
 
NF - Você soube deles depois que a história saiu? Qual foi a repercussão?

ESA - A repercussão parece ter sido bem positiva. Teve um número alto de acessos no portal e algumas pessoas, inclusive você, entraram em contato comigo. No domingo, a Eliana me enviou uma mensagem dizendo que tinha gostado muito da matéria. Os enfermeiros, acho eu, compraram um jornal para cada um. Na segunda, falei com o Paulo que também parecia estar satisfeito com o resultado.

O Paulo me mandou uma mensagem no celular. Parece que um casal foi visitá-lo e talvez o coloque em contato com o Carlos Saldanha. Esse era o grande sonho dele.

Mudando de assunto, gostaria de saber como foi sua passagem da agronomia para o jornalismo pois também fiz esse caminho.

NF - Que legal, onde você estudou? Bem, eu entrei nesse curso porque meu avô tinha um sítio e eu adorava o interior. Ao longo dos anos, fui mudando de interesses. No terceiro ano, já sabia que não gostaria de trabalhar com aquilo, mas meu pai me convenceu a terminar o curso (pelo menos eu poderia fazer um concurso para o Banco do Brasil; aposto que foi isso que ele pensou!).

Terminada a faculdade, fiz todo tipo de bico --balconista de livraria, transcrição de fita, até curso para babysitter eu fiz-- e acabei salva por uma viagem de três meses para a Europa (mais uma vez, obra do meu pai).

Na volta, prestei vestibular para jornalismo, sem muita certeza. Tinha uns amigos jornalistas, achei que poderia ser uma opção, mas também fazia uma matéria como ouvinte na psicologia. Enfim, continuava indecisa. Aí li na Folha que eles fariam um curso para gente de outras áreas. Era o primeiro programa de treinamento. Me inscrevi, passei e aqui estou.
 
Vc fez jornalismo também?
 
ESA - Pois é, quase fui um engenheiro agrônomo. Quase, pois foram apenas três anos. Entrei na Unesp,em Botucatu, e na UEL. Decidi fazer a primeira e não me arrependi. Gostava muito daquela coisa de vida de república. Mas, com toda certeza, eu seria o pior agrônomo do mundo, pois não me via trabalhando com isso. Foi um período muito complicado. Estava bem ambientado ali, tinha meus amigos, as festas e tudo mais. No entanto, não tinha o prazer que deveria ter no curso.

Saí e fui prestar vestibular de novo.

O jornalismo foi uma escolha até que bem natural. Desde que era pequeno sempre tive jornal em casa. Meu pai comprava O Globo e o Jornal da Tarde. Depois passou a comprar O Estado e o JT e um que eu adorava O Jornal dos Sports.

Interessante isso que você mencionou sobre seu pai. No fim das contas, ele que te ajudou né? Você conseguiu dar um tempo e escolher o que queria.

Meu pai também teve um papel fundamental nisso tudo. Primeiro ele era o maior entusiasta de que eu fizesse agronomia. Quando percebeu que não era o que eu queria me ajudou muito.

Fiz jornalismo na Unesp, em Bauru, e no último ano entrei no Curso Estado de Jornalismo. Acabei sendo contratado. É isso. 

NF - E sempre quis cobrir saúde?

ESA - Não. Foi algo que aconteceu. Apareceu, fui fazendo e me interessei.

NF - Que meta você tinha quando entrou no curso do Estado?

ESA - Tinha uma idéia completamente diferente do que é a realidade. Sempre fui apaixonado pela cobetura de política, trabalhar em nacional era o que sempre quis. Mas, na Redação, vi que não é bem assim. Precisa ter fonte, uma bagagem. Economia ainda é algo que me interessa bastante também, economia e política me interessam bastante. São áreas em que pretendo trabalhar um dia.

Na seção "Como foi feito" do blog, outros jornalistas contam como fizeram seu trabalho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h13

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Narcotráfico

Narcotráfico

A Abraji pôs no site um banco de dados sobre narcotráfico.

O acesso é restrito a sócios, mas ficar sócio custa só R$ 100 por ano. E, se você tiver planos de ir ao congresso de jornalismo investigativo em maio, associar-se antes garantirá descontos para o evento. [se quiser saber como se filiar, clique aqui]

Leia aqui como foi o congresso de 2007
Texto nota dez - uma palestra no congresso de 2007

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h22

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Matemática para jornalistas

Matemática para jornalistas

Terminam amanhã, 1º/2, inscrições para o novo curso on-line de matemática para jornalistas, do Centro Knight. A professora, Sandra Crucianelli, chefia uma equipe de investigação de uma TV argentina, já deu cursos na Folha e é muito boa.

Para que jornalista precisa de matemática?

Veja alguns exemplos na última prova do programa de treinamento. Ou, para voltar ao Carnaval, leia este post sobre a Kelly Key.

É muito ou pouco?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h10

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História do cinema

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h46

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Vida de babá

Patrícia, de Natal, ficou interessada no projeto da Luciana de viajar depois do curso:

Estou com dúvidas parecidas com a da Luciana, no post "VIAJO OU PROCURO TRABALHO?". Eu me formo no final deste ano e quero passar pelo menos um ano na Europa, justamente para ter experiências diferentes e praticar idiomas.
 
O ideal seria fazer um curso ou estagiar na nossa área --jornalismo--, mas não sei onde encontrar cursos que sejam acessíveis financeiramente ou confiar em estágios oferecidos por agências de intercâmbio (elas parecem oferecer funções como telefonista, coisas que não têm nada a ver)...
 
Outra opção que cogitei foi a de "au pair", porque pelo menos eu teria bastante contato com a cultura do país e uma grana que poderia pagar algum curso... mas será que valeria a pena? Seria valorizado como experiência quando eu voltasse ao Brasil? Será que você ou alguém que fez programas de intercâmbio na Europa ou conhece cursos na nossa área poderia dar sugestões?
 
Quem me ajuda a responder é a Ivy, baiana que vive e trabalha em São Paulo e tem uma história bem interessante para contar:
 
Hoje eu vi o post sobre a menina que estava em dúvida sobre viajar e procurar trabalho. Eu passei por esta mesma situação e eu viajei.
 
Eu deixei os bancos da faculdade sem qualquer possibilidade de emprego. Não só eu, mais da metade da turma estava desempregada também, era uma realidade e não uma exceção estar desempregado em 2003, quando me formei.
 
Sair da faculdade e não ter emprego é uma situação angustiante. Estudei tanto para isso? Até quando durará esta fase? Eu fiquei um ano desempregada e até entrei em depressão por causa disso.
 
Meu pai, que é um homem visionário, sugeriu que eu fosse morar nos Estados Unidos. Naquela época eu tinha 21 anos e nunca tinha deixado o país. Como aquela era a única alternativa eu fui. O que era para ser apenas três meses virou um ano e meio em Nova York, dois meses na Suíça e seis meses na França.
 
Tanto na Europa quanto nos EUA eu fui babá. Trabalhava cuidando de crianças, estudava e fazia mil e um frilas, dos mais diversos possíveis. Tive experiências incríveis como entrevistar o Michael Bloomberg, a Nadia Comanecci, os Foo Fighters, além de conhecer um monte de bastidores e ter noção de como é feito o jornalismo em outros países.
 
Eu cobri os mais variados assuntos, exercitei a minha criatividade (ou eu sugeria pautas ou ficava enferrujada) e, principalmente, a me virar como repórter em outros países. Sem dúvida esta experiência de correspondente internacional foi (e talvez seja por um bom tempo) um diferencial no meu currículo. Ah! E eu também consegui juntar um bom dinheiro!
 
Hoje, quase dois anos depois da empreitada, sinto que foi a melhor coisa que já fiz na vida, inclusive profissionalmente. Mesmo! Eu cresci muito, aprendi muito e a minha família diz que até menos ansiosa eu fiquei!
 
Foi uma experiência tão boa que aconselho todos os estagiários que saíram do jornal a fazer o mesmo. Nunca é tarde para começar nada, mas começar a vida em outro país com pouca idade é um pouco mais fácil.
 
A volta para casa, não vou mentir, não é fácil. Adaptar-se, achar um emprego. Mas sou da teoria que cada um tem a sua história, talvez a Luciana arrume emprego logo de cara. Eu não arrumei, mas fiz muitos frilas e dei aulas de inglês até me reestabelecer.
 
Hoje trabalho num jornal e sinto que sou meio foca no assunto, mas não me penalizo por isso. Muita gente que tem experiência de jornal não tem a experiência que eu tenho. Assim como tem gente que é de revista e vai para a TV e será um pouco foca também. De todo o jeito, seremos um pouco foca sempre que mudarmos de área, de mídia. E muitos colegas que ficaram trabalhando hoje estão.. trabalhando!
 
Achava que encontraria todos os meus amigos numa melhor situação que a minha, mas me enganei: hoje somos todos repórteres do mesmo nível, desempenhamos o mesmo trabalho da mesma forma. Mas eu tenho três línguas e uma vivência de bônus que me permitem ir para várias áreas ou até fazer coisas fora do jornalismo, como tradução, intérprete, secretária trilingue, professora...
 
Para mim, o mais importante disso tudo que é que não importa em qual área ou mídia eu esteja, vou conseguir levar um material para Redação, mesmo que não seja dos melhores. No exterior a gente cobre de visita do presidente a moda. Aprendi lá fora e na raça o que acho de mais fundamental no jornalismo: se virar. Mesmo!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h16

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DURAS ENTREVISTAS

A Estelita, de Curitiba, ficou curiosa para saber como tinha sido a entrevista que meu colega DIMITRI DO VALLE fez com o governador do Paraná, Roberto Requião, no dia 20/1 [copiada no site do treinamento]:

O governador é figurinha difícil de ser entrevistada --primeiro, pelo assunto polêmico; segundo, pelo fato de o governador também não ser dos melhores entrevistados (ele faz críticas ao repórter no meio da entrevista! Como é lidar com essa resistência?).

Também queria saber como foi o processo de edição da entrevista, já que o Dimitri comenta que foram 50 minutos de conversa, mas a matéria foi bastante reduzida. Que critérios vocês usam para a edição?

Dimitri conta como foi:

Sobre abordar alguém que sabidamente é duro com jornalistas - A entrevista tinha que ser feita. Embora o governador do Paraná seja uma pessoa polêmica, ele é notícia. O jornalista não pode ignorar isso. No caso da TV Educativa, em que ele se dizia censurado pela Justiça, era necessário saber sua opinião. Não é todo dia que um governador coloca um carimbo de "censurado" na tela de uma emissora e passa a acusar um juiz de voltar aos tempos da ditadura militar, que calava quem falava contra.

Sobre as reações enérgicas do entrevisado durante a entrevista - No momento em que o governador reagiu de forma veemente às minhas perguntas, procurei me posicionar de outra forma. Poderia, sim, dizer um muito obrigado pelo tempo que ele dispensou e ir embora, mas era preciso continuar, mesmo sendo criticado pelo entrevistado. O caso exigia isso. Pelo menos na minha opinião. Entrevistar o governador Requião não é tarefa fácil, mas acho que também é um desafio profissional.

Sobre o tempo de entrevista e a necessidade de edição - Quando informamos no texto a duração da entrevista, é uma forma de proporcionar ao leitor uma idéia clara de espaço de tempo e do clima em que a conversa foi feita. É claro que não dá para colocar tudo o que ele falou numa página, que divide espaço com anúncios e outras notícias. Por isso, nada melhor do que usar o recurso da edição.

Sobre os cuidados na edição - A edição tem que ser feita com critérios para captar o que de mais importante o entrevistado falou, sempre levando em conta os acontecimentos recentes nos quais ele está envolvido. Isso garante o respeito ao espaço que o jornal tem para a reportagem e, ao mesmo tempo, não prejudica o aspecto factual e o conteúdo das respostas que ele concedeu ao repórter. No caso da entrevista, a edição foi muito boa por manter os principais pontos da conversa com o governador.

Até onde apertar a fonte
Um pingue-pongue inusitado
Rubens Valente e as fontes agressivas
Quando a fonte ataca - o caso do técnico Leão

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h46

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O preço de um vestido


O repórter Antônio Gaudério e seu
instrumento de trabalho

Citei ontem uma reportagem de ANTÔNIO GAUDÉRIO e hoje ele ganhou o prêmio Folha como melhor trabalho do sexto bimestre de 2007.

Copiei o texto no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP.

26.11.2007 - Antônio Gaudério/Folha Imagem

No bairro Butamontes, região de forte comércio popular de dia --e antro de tráfico e prostituição pela noite-- da cidade de La Paz, na Bolívia, pedestre passa em frente a anúncio de trabalho para costureiro, com ou sem experiência: a propaganda promete bom soldo e salários de US$ 150,00 e US$ 200,00

08.12.2007 - Antônio Gaudério/Folha Imagem

Senhor Gualter costura à 0h03. O expediente das 7h até a meia-noite sempre foi uma constante na vida do boliviano que chegou em 1982 e trabalhou 1 ano e 4 meses sem receber salário, assim como eu (Antonio Gaudério) agora trabalho para ele 

Quer saber como foi a cobertura? A Folha Online fez um bate-papo com o repórter e publicou a íntegra da conversa.

Gaudério e uma foto sensacional de futebol

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h17

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Duas semanas no ''Washington Post''

Programa para jornalistas latino-americanos. Inscrições até 31/3.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h28

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Como fazer uma matéria legal?

A Clara, de João Pessoa, adorou o livro "Histórias do New York Times", que indicamos aqui outro dia:

Histórias inusitadas e emocionantes (para não me perder em adjetivos) se desenrolam pelas páginas contando "casos que comoveram os repórteres do jornal mais importante do mundo".
Uma aula de narrativa, de "frases de efeito no bom sentido", de sacadas legais, de desfechos precisos e inteligentes.

Ela me pergunta se os jornais brasileiros têm espaço para esse tipo de reportagem e o que fazer para, mesmo em matérias factuais, criar um efeito de leitura menos descartável.

A primeira resposta é fácil: os jornais têm, sim, espaço para esse tipo de reportagem.

Quer dois exemplos recentes? A matéria da Folha em que o repórter-fotográfico ANTONIO GAUDÉRIO viveu na pele de um imigrante clandestino boliviano e uma reportagem do "Estado" sobre algo insuspeitado no Hospital das Clínicas de São Paulo.

Por que textos assim não são freqüentes?

Na minha opinião, por alguns motivos:

  1. jornal diário tem como primeira missão o hard news
  2. na briga por espaço, para derrubar notícia quente, a "história humana" tem que ser muito, mas muito boa mesmo
  3. achar esses casos em reportá-los bem toma bem mais tempo do jornalista. Tempo, como se sabe, é proporcional ao tamanho das Redações, bem menores aqui no Brasil que nos EUA

Como fazer para tornar notícias quentes menos descartáveis?

Sinceramente, acho que esse efeito não deve estar no texto e sim na apuração.

Há, na notícia quente, algum aspecto que mereça investimento? Que tenha significado, fale de perto às pessoas, seja simbólico?

Se houver, apure o máximo de detalhes, descreva, relate ações, use exemplos concretos e específicos em vez de termos vagos e gerais.

Se não houver, não há malabarismo de texto que dê jeito. Talvez até piore.

Texto é apuração
Receita de texto bom, inspirada por Paulo Totti
Dicas para escrever melhor
Dez passos para um bom texto, editado de Roy Peter Clark
Melhorar o texto a longo prazo
Um exemplo em que a apuração faz o texto ficar bom

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h56

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Cortar é mais que encaixar

Todos os argumentos usados por vocês para justificar suas escolhas no exercício sobre a foto da cerveja roubada foram ótimos, porque refletiram sobre o que realmente interessa: "Que informação tem a foto?". (clique aqui para ver o exercício).

E vocês apontam corretamente as informações que a imagem traz:

1. um caminhão de cerveja
2. um policial carregando um engradado de cerveja em direção a um carro de polícia com o porta-malas aberto
3. vários engradados de cerveja já dentro do carro de polícia (essa eu mesma não tinha visto. Devo a um leitor bastante observador)

Qual é a informação principal?

Para mim, é o policial levando o engradado em direção ao carro. Se tivesse que escolher uma imagem só de todas as que a foto contém, escolheria esta:

A foto sozinha se sustenta?

Não. Há alguns motivos possíveis para um policial levar engradados de cerveja para um carro de polícia. A foto precisa de uma legenda que, por sua vez, depende fundamentalmente da apuração.

Um cuidado importante é não dizer na legenda mais do que a reportagem autoriza. "Policial leva cerveja para carro da PM" é correto. "PM saqueia caminhão" é avançar o sinal.

Qual era a notícia?

A notícia é que policiais militares foram presos sob suspeita de saquearem um caminhão de cerveja roubado. Notem que a foto faz parte da notícia, pois a prisão dos PMs foi motivada por ela.

Para que cortar, então?

Vocês deram bons argumentos para suas escolhas e eu mesma fiz a minha, mas, pensando bem, será jornalisticamente correto cortar esta foto?

Se todos os elementos que ela contém são importantes como informação e, mais, se ela mesma, integral, como está, faz parte da notícia, é o caso de cortar?

Não, né?

É importante lembrar que foto em jornal não é --ou não deveria ser-- ilustração. Se está publicada, é porque tem --ou deveria ter-- informação importante, que é melhor contada na forma de imagem e que acrescenta algo ao leitor.

E quando a foto é a informação principal (como neste caso), o desenho da página e o próprio texto é que precisam se submeter a ela, não o contrário.


POR QUE É PRECISO LER JORNAL

Toda essa discussão apareceu porque, na manhã de quinta, lendo a Folha no meu café-da-manhã, dei com esta matéria:

Achei estranha a legenda: "Foto mostra PM perto de caminhão".

Como eu tinha visto "O Globo" na véspera, sabia que existia uma foto em que o PM carregava as cervejas. Seria erro de legenda?

Olhei a foto com mais atenção e vi que o lado esquerdo dela havia sido cortado. Na foto original, vocês sabem, é lá que está o policial flagrado com o engradado. "Uai", pensei, "será que eles cortaram justo a parte principal?".

Cheguei ao jornal e fui conferir: a foto que a Folha usou era outra, tirada num outro momento:

Achei, então, que era uma boa maneira de mostrar como há casos em que a foto faz diferença. Quem viu a imagem original ficou muito mais bem informado. Não acham?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h23

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Pé na estrada

Meu recém-trainee RICARDO SANGIOVANNI, hoje repórter de Cotidiano, conta como viajou com a cara e a coragem, em resposta a uma dúvida da Luciana (clique aqui para ver o caso):
 
A Luciana, leitora da Ana, com 25 anos, prestes a se formar e sem nunca ter estagiado, vive o dilema entre procurar um estágio/emprego ou sair mochilando pela América Latina por uns bons seis meses e, de quebra, vender uns frilas. É, camaradas leitores, é aquela coisa: qual a maluquice maior: colocar a mochila nas costas e sair pelo mundo (sem saber muito bem no que vai dar), ou procurar um emprego, ser um dito cidadão respeitável que ganha quatro mil cruzeiros por mês, e viver carregando o mundo nas costas (sem saber muito bem no que vai dar)? 
 
Embora ainda tenha 23, já passei por esse momento que passa a Luciana e conto um pouco da minha experiência, a pedido da Ana.
 
Em 2005, estava a um ano de me formar e nunca tinha estagiado -- na Faculdade de Comunicação da Federal da Bahia, onde estudei comunicação, era bolsista do Programa Especial de Treinamento (ê sina de ser trainee!). 
 
Interrompi o curso e fui estudar em Portugal por um ano. 
 
Por lá, junto com cinco amigos jornalistas e não-jornalistas, inventamos o site "Na Estrada da Copa" www.naestradadacopa.com, uma proposta de cobertura alternativa da Copa da Alemanha. Ora, estávamos muito perto da Alemanha e de nossa primeira Copa do Mundo in loco para não tentar. Divulgamos a idéia em Portugal e no Brasil, arranjamos patrocinadores que foram pingando entre R$ 500 e R$ 1.000 para anunciar no site e felizmente conseguimos pagar o aluguel de um motor-home e despesas de viagem. 
 
Ao todo, com 3 jornalistas na ativa, produzimos durante o mês da copa cerca de 100 textos, além de fotos, podcast, vídeos. Isso porque, dos quatro laptops de que a equipe dispunha, três foram furtados por algum mequetrefe na cidade de Colônia, no terceiro dia de copa do mundo. Tristeza...
 
Mas a experiência valeu a pena mesmo assim. Chegamos a mandar matérias e trechos de matérias para jornais e rádios da Bahia (sou de lá, como já deu para notar). Eu nunca tinha estagiado, mas conhecia gente do jornal, e os outros colegas já estavam no mercado, então tínhamos alguns canais.
 
Só não foi muito bem o que se pode chamar de "sobreviver vendendo frila", porque o mercado baiano simplesmente não paga nada para este tipo de trabalho. Tentamos negociar a "venda" do site para alguns portais que conhecíamos, mas as contrapropostas foram indecentes, para dizer o mínimo.
 
De qualquer forma, queríamos que nosso trabalho aparecesse e chegamos a mandar, contrariados, matérias de graça para a mídia baiana. Não muitas, umas 10. O site teve uns 15 mil acessos no mês todo. 
 
Depois da copa e do ano em Portugal, voltei para o Brasil conhecendo um bom pedaço do mundo e uma pá de gente boa. Digo com orgulho que tenho casa para ficar em uns 10 países, ou mais até. Casas de grandes amigos, daí o orgulho. Que estágio me teria dado isso?
 
Com 3 meses de volta a Salvador, arranjei um estágio no jornal A Tarde, onde trabalhei por 7 meses, e fiz a minha monografia, uma pesquisa/roteiro para um documentário sobre a atualidade social e política na Bolívia, junto com um dos parceiros do Na Estrada, o jornalista Vítor Rocha, parceiro de empreitadas com quem ainda voltarei a planejar projetos.
 
Agora, (em julho de 2007) éramos cinco jornalistas procurando recursos para passar um mês filmando na Bolívia. Algo mais profissionalizado que o Na Estrada, mas igualmente 'arriscoso'. Fizemos uma parceria com a TVE da Bahia e com a Ufba e, no fim das contas, conseguimos tudo: equipamentos, passagens... até a estadia e os translados na Bolívia conseguimos -- o projeto teve apoio de uma ONG boliviana, que conhecemos por lá mesmo. Até o presidente Evo Morales a gente entrevistou, na base do "liga para ver se rola".
 
O filme deve ficar pronto em março, esperamos. Não dá para ser mais rápido? Não, porque, além de finalizar o trabalho, a equipe toda está trabalhando em jornais e afins na Bahia. E eu estou aqui em São Paulo, sem ter como participar da edição, lá em Salvador. É o preço de ser 'free-lancer'.
 
Bom, mas antes de ir para a Bolívia, fiz o teste para o trainee e participei da semana de palestras da Folha, aqui em São Paulo. Daqui viajei direto para lá, onde recebi a notícia de que tinha passado para a 44ª turma. De lá, voltei direto para cá, onde estou hoje, direto do plantão de domingo do Cotidiano da Folha, onde estou trabalhando. Até segunda ordem, divina ou terrena.
 
Para quem quiser dar uma olhada nas matérias do Na Estrada, vão os links de algumas das que mais gostei de fazer.   
 
Brasileiro é preso com ingresso roubado
http://www.naestradadacopa.com/noticia.asp?noticia_ID=39
 
Torcida mexicana reclama de fraude
 
Torcedor angolano vira intérprete da seleção de seu país
 
Diferenças políticas não entram em campo
http://www.naestradadacopa.com/noticia.asp?noticia_ID=29
 
Iranianos contra o militarismo
 
Minitrio-elétrico agita Copa com música baiana

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h30

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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