Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Caderno da 44ª turma

A Folha publica hoje o caderno final da 44ª turma de treinamento (preciso pôr uma foto deles no blog, mas só vou poder fazer isso na segunda).

A versão editada, que saiu publicada, pode ser vista neste link (começa depois da vinheta "patrimônio histórico). Quem não tem acesso à FSP pode ler direto a versão integral do caderno, com mais textos, fotos e entrevistas, no site do treinamento.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h53

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UM LEÃO POR DIA

Minha leitora Ivy havia me mandado no ano passado um comentário e sugestões de leitura. Na confusão do fim de ano, me esqueci de publicar. Mas agora dou conta da tarefa.

Ela comenta um texto do Ricardo Viel, que se sentia como um domador de leões:

"Gostei muita da metáfora usada pelo seu (agora) ex-trainee. Tudo porque, sim, estamos no picadeiro cara a cara com o leão; sim, temos que matar um leão por dia.

Mas algumas vezes, não muitas é claro, há leões como o do texto e do vídeo, que nos abraçam, nos ajudam. E muitas vezes nos salvam.

Pode ser uma fonte, ou o fato do dia, mas o jornalismo é cíclico. Estou trabalhando num jornal diário há seis meses e entendi que vida de repórter é igual à de jogador de futebol: tem dia que a gente está numa boa fase e é a bola da vez e outros em que somos deixados no banco. Tudo porque, assim como no futebol, o jornalismo exige como condição básica criatividade, técnica, intuição, conhecimento e sorte.

E estas coisas não são mecânicas como aplicar fórmulas e afins. Não afloram todos os dias, todas as horas. Li muita história de bons repórteres que também deixaram passar furos, ou erraram e por aí vai.

Aproveitando a oportunidade, lembrei de mais um livro bom de jornalismo (mas não é clássico): "The Elements of Journalism" [que o Paulo também sugeriu recentemente aqui no blog]. Há passagens bacanas sobre como o público deve ser vigilante e nos tratar. Aliás, falando nisso, vou indicar um post do blog do José de Abreu. Eu leio blogs dos artistas todos os dias (faz parte da profissão) e gostei do que ele escreveu sobre chamar o Procon para a imprensa. Eu também acho que se os leitores fossem um pouquinho mais exigentes, nós faríamos um jornal cada vez melhor." 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h34

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O sentido do corte

O sentido do corte

A notícia é esta:

PMs suspeitos de saquear carga de cerveja são presos no Rio

Cinco policiais militares --três soldados, um cabo e um tenente-- suspeitos de saquear uma carga de cerveja foram presos administrativamente no Rio.

Na última sexta (18), os PMs teriam pego caixas de cerveja de um caminhão que havia sido roubado e colocado em carros da corporação, em Lins de Vasconcelos (zona norte).

E você tem esta foto (furo de "O Globo" na capa da edição de ontem) para publicar:

Mas a diagramação da página não permite que a foto saia inteira. O corte é meio quadrado, meio vertical. Qual destas três opções você escolhe? Por quê?

 

              

 

Podem comentar à vontade. Vou voltar ao caso depois do feriado. [Meus comentários]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h47

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NÃO BASTA SER VERDADE

O título de uma matéria não se resume a dizer algo que esteja ali embaixo no texto. Tem que expor o que é novo, o que importa.

Na semana passada houve este exemplo interessante:

SP terá túnel
que liga avenida
ao aeroporto

DO "AGORA"
DA REPORTAGEM LOCAL
Será inaugurado no pró­-
ximo dia 25, aniversário da
cidade, a passagem subter-­
rânea que ligará a avenida
Washington Luís ao aero­-
porto de Congonhas (zona
sul da capital).

A obra, que eliminará o
farol de cruzamento, deve
melhorar o trânsito na re­-
gião do aeroporto.

A construção é resulta­-
do da parceria entre a Pre­-
feitura de São Paulo e a In­-
fraero (empresa estatal
que administra os aero­-
portos brasileiros).

O termo foi assinado em
novembro de 2005.

De acordo com o termo
assinado, a Infraero foi in-­
dicada como a responsável
pela construção da passa­-
gem subterrânea. A prefei­-
tura ficou encarregada do
projeto executivo da obra.

Segundo o projeto ini­-
cial, o custo da obra era es-­
timado em aproximada­
mente R$ 15 milhões.

A conclusão da passa­-
gem estava prevista para o
fim de 2007.

É verdade que "São Paulo terá tunel que ligará avenida a aeroporto". Mas isso já se sabe desde novembro de 2005, quando foi assinado o acordo.

A informação nova aqui é a data da inauguração.

O redator pode ter sido enganado pelo excesso de detalhes sobre a obra. Pode ter achado que nunca se havia falado antes no assunto.

Embora a gente já saiba que jornalista tem que ler jornal (e um dos motivos é justamente poder identificar o que é notícia), é claro que vez ou outra alguma coisa escapa.

Para evitar esse tipo de engano, vale sempre tentar tirar o título das informações que estão no lide. Se o texto começa com a data, deve ser porque o mais importante é isso.

Claro, o repórter pode ter cometido um erro de avaliação. Mas aí convém que o redator o consulte ou dê uma olhadinha no arquivo antes de mudar a prioridade.

Dez passos para fazer títulos

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h44

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Mais erros ''oficiais''

Meu amigo MARCELO SOARES escreve no seu blog sobre jornais que põem na internet suas bases de dados (como fez o Estado nesta semana).

E toca num assunto interessante: fala sobre o erro cometido pelo TSE nos dados que divulgava.

Já vimos isso aqui, mas nunca é demais repetir: não basta ser "oficial" para ser verdadeiro. É sempre bom checar (no caso do TSE, com doadores e receptores de doação). E refazer as contas (como mostrou o Lucas outro dia), porque quem põe os números nos sites não é à prova de erros...

"Oficiais", mas bem esquisitos

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h32

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didatismo na TV

Meu leitor Kleyson me mandou como sugestão uma reportagem didática do "Bom Dia Brasil" de hoje:

Eu me questiono sempre em como transmitir o economês e tantos outros temas difíceis para o público leitor (telespectador, no caso) e acho que essas são questões de todos os jornalistas --ou, pelo menos, os quase-jornalistas feito eu. Na matéria de hoje do "Bom Dia Brasil", achei muito bacana como foi explicado o temor dos mercados internacionais e seu efeito na vida prática. Além disso, rolou interatividade com os espectadores -outra coisa superbacana.

Achei a reportagem bem feita, mesmo. Alguns comentários:

  • deve ser uma questão para todo jornalista como traduzir assuntos complexos. Embora pareça banal, é bem difícil de fazer
  • uma das melhores formas de explicar é usar exemplos, casos concretos ("com a nova medida, uma pessoa que tinha R$ 100 no banco, no final do mês, terá R$ 80") ou procurando analogias ("o vírus tal age como uma chave --para entrar na célula, precisa encontrar a fechadura correta")
  • muitas vezes os textos são herméticos porque o repórter não entendeu bem. Para não correr o risco de errar ao tentar traduzir, ele simplesmente reproduz o discurso da fonte
  • a reportagem da Globo é muito bem editada do ponto de vista do texto. Faz uma transição inteligente entre locução e entrevista
  • é questão de gosto, mas não aguento mais ver imagem de gente pegando produto no supermercado nem de mãos contando notas de dólar. Assim com existem clichês em texto, algumas imagens são quase insuportáveis de tão óbvias. Mudar isso é um bom desafio pra quem quer fazer TV
  • o Kleyson fala em interatividade, mas isso por enquanto ainda não é possível na TV. O meio que permite realmente esse intercâmbio é o on-line. Por enquanto. 
  • é também o fato de estar na internet que faz com que o vídeo cumpra totalmente sua função didática. Explico: na TV, se o leitor não entender nada, adeus. Só se for on-line é que ele poderá voltar ao pedaço e ouvir de novo, ou mais de uma vez
  • lembram-se das conversas multimídia que tivemos, sobre que tipo de informação vai melhor em que meio. Pois algumas informações didáticas vão melhor em texto ou gráfico justamente porque o leitor pode levar o tempo que quiser para estudá-las e entendê-las. No vídeo, o meio impõe seu próprio ritmo --mesmo que você avance e volte várias vezes, ainda é assim. No texto, quem decide o ritmo é o público

Como pensar multimidia - aula de um professor de Stanford

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h03

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Alguém morreu. É notícia.

Alguém morreu. É notícia.

O Julio, de Santos, avisa:

A editora Companhia das Letras lança ainda neste mês de janeiro, dentro da coleção Jornalismo Literário, "O Livro das Vidas", coletânea de obituários --assunto outrora muito discutido por aqui--, com a seleção dos melhores já escritos para o The New York Times.

Fica a dica e o link para ler um dos desses obituários.

Willian Vieira, que faz os obituários da Folha, conta como é esse tipo de reportagem

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h03

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FANTASIAS COM UMA ENFERMEIRA

Quando a gente acha que já viu acontecer quase tudo com um repórter, vem a JOHANNA NUBLAT e conta esta história hilária:

Na semana passada, pediram que eu tentasse achar a família dos dois irmãos vítimas da febre amarela. Um morreu e o outro estava internado num hospital público de Brasília, passando bem. Foi impossível achar na lista, porque eles tinham um nome muito comum. E eles eram de uma chácara em Luziânia (GO), não era o caso ir até lá.
 
Liguei, então, para o hospital e perguntei se eu poderia falar com o paciente ou com algum acompanhante. A moça disse que não, só no horário de visitas, que era de tarde.
 
Peguei minhas coisas e fui para a visita. Minha idéia era me identificar como repórter e perguntar se o paciente queria falar comigo.
 
Chegando lá, tinha uma fila de umas 50 pessoas _com sacolas de roupas, comidas_ para entrar. Achei que, já na entrada, me barrariam e eu teria de explicar a visita. Mas não. De repente, abriram a porta e todas as pessoas da fila entraram no hospital, sem nenhuma identificação.
 
Bom, saí atrás do meu paciente. Me perdi umas cinco vezes e falei que queria encontrar o paciente internado por febre amarela. Nada. Até que encontrei uma enfermeira que me apontou um quarto no fundo do corredor. Entrei, me apresentei pro paciente, que topou a entrevista, e comecei a escrever no meu bloquinho.
 
Mas... a janela do quarto estava aberta e a enfermeira me viu anotando a conversa. Veio até mim e tivemos o seguinte diálogo: "Você não é visita." "Não." "Mas você não é repórter, né?" "Sou." "Ah, você não podia ter entrado." "Eu não sabia." "Sabia, sim." "Não, não sabia. Ninguém me perguntou quem eu era."
 
Bom, aí a moça quis me levar pra falar com a direção. Eu disse que iria falar com quem ela quisesse, mas que ela esperasse mais cinco minutos que eu estava terminando a entrevista. Combinamos que eu a procuraria no balcão da enfermagem.
 
Acabei rapidinho, peguei o celular do paciente e fui atrás da enfermeira. Não achei. De repente, passaram por mim três policiais militares e entraram no quarto em que eu estava. Antes de me dar conta do que estava acontecendo, uma outra enfermeira disse que eles estavam atrás de mim e que ela me ajudaria. Me pegou pelo braço, me carregou por corredores confusos e me jogou pra fora do hospital. Foi meu anjo da guarda.
 
Peguei o carro e voltei pra redação. Mais tarde, a assessora da secretaria de saúde me ligou perguntando se eu é quem tinha ido ao hospital. Eu disse que sim, que estava atrás da história interessante dos dois irmãos.
 
O engraçado foi ela me perguntar se eu tinha ido vestida de enfermeira (!). Claro que não. Fui de visita.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h45

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recadinho

Ganhei o "recado abaixo" de minha filha (ganhei não é bem o verbo. Custou R$ 1 ).

Ela quer fazer uma série de "gifs" com os slogans do programa de treinamento.

Meu favorito era o "não chute, cheque", mas o software que ela usa não entende o til.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h22

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PLANOS PARA A VIDA NA CHINA

Falando sobre o Raul, que logo embarca para a China, onde será o correspondente da Folha, a Julia, de Natal, queria saber:

"Aproveito para sugerir uma entrevista com o Raul Lores, que sai da apresentação do Jornal da Cultura direto para a China como correspondente da Folha! Gostaria de saber dele como anda a expectativa para se mudar para um lugar com uma cultura tão singular e diferente da nossa. Como ele pretente enfrentar o desafio do idioma? Quais pautas eles já tem em mente? Quando ele embarca nessa aventura? Será que existe um certo "peso" por ser um dos poucos correspondentes brasileiros na China? Como ele encara essa reponsabilidade? Além da crescente economia chinesa e as olímpiadas, quais outros aspectos sobre o país ele pretende destacar? "

Raul responde:

O idioma me assusta um pouco, mas já sei que não vou dominá-lo em um ou dois anos. Amigos que estudaram mandarim por quatro anos mal conseguem manter uma conversa, então já sei que vou ser intérprete-dependente. Isso não vai me impedir bater perna por todos os lados e amolar o intérprete o dia inteiro tanto nas entrevistas com figurões, empresários e intelectuais, quanto com o povo na rua, o trabalhador, o pequeno empresário que estão transformando a cara da China.

Quanto aos assuntos, acho que há um mar deles. Economia, política, sociedade, comportamento, essa transição acelerada do comunismo ao capitalismo, arquitetura, cultura, o mundo do trabalho, ecologia, imprensa, tradições versus modernidade, assunto é o que não falta lá. E os vizinhos também rendem muito, de Coréias a Índia, de Tailândia a Vietnã, de Japão a Cingapura. Muitos especialistas dizem que o 21 será o século asiático, e é provável que assim seja, é fundamental o Brasil conhecer mais esse outro lado do mundo.
 
Luciana Coelho dá dicas para fazer um bom trabalho de correspondente

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h49

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Como trabalhar bem lá fora

Minha colega LUCIANA COELHO, editora-adjunta de Mundo e ex-correspondente em Nova York, atendeu a meu pedido e falou um pouco sobre como fazer um bom trabalho num país estrangeiro:

duas qualidades fundamentais para ser um bom correspondente _especialmente para aqueles de primeira viagem.
 
A primeira é ter iniciativa, garra. Ou seja, estar sempre pronto para sugerir pautas, para apurar, para correr atrás _e ter muito fôlego e muito jogo de cintura.
 
A segunda, não menos importante, é aguçar as antenas. Ficar de olho em tudo, absolutamente tudo, ao seu redor. Do último debate político ao que está em cartaz no cinema. Não espere ser pautado pela Redação. É claro que isso eventualmente acontecerá, mas quem está em campo tem muito mais condição de sugerir pautas do que quem está acompanhando de longe.
 
O que isso significa?
 
* Leia muito, de tudo. (Quer um exemplo de Nova York? Eu tinha assinatura da Economist, do New York Times, do Wall Street Journal, da Newsweek, da Time, da Enterteinment Weekly, lia os jornais de outros Estados pela internet, recebia newsletters de centros de estudos e de quebra ainda passava na banca para ver a capa dos tablóides _isso para ficar só na imprensa, sem contar os livros.) 
* Marque entrevistas para usar de material de apoio, com gente que vai te ajudar a entender melhor um determinado tema e pode virar fonte (nem preciso dizer que as melhores entrevistas em 99% das vezes são sempre ao vivo, né?).
* Assista aos noticiários de TV, de preferência de canais que tenham abordagens diferentes _para entender um país você também precisa ver os canais/programas mais populares.
* Saiba quais são os livros mais vendidos.
* Fique ligado nos debates no meio acadêmico (os sites de universidades sempre trazem publicações e debates).
* Vá muito ao cinema. E a shows. E ao teatro. E a exposições.
* Converse, converse, converse muito. Com todo mundo que você puder, do taxista ao economista. 
* Ande muito, observe e pergunte. Absorva tudo que você puder.
 
Outras coisas importantes: preparação e planejamento.
 
* Informe-se sobre o país, prepare-se para a cobertura que você vai fazer. Ninguém é especialista em tudo. Pesquise bibliografias. Converse com gente que vive/já viveu lá. Deixe todos os estereótipos/preconceitos para trás, faça de conta que é tudo completamente novo. E, se possível, faça cursos no local. Não há imersão melhor (porque conviver com outros jornalistas, o que fatalmente ocorrerá, é bom, mas conviver com 'gente normal' é melhor ainda).
 
* Organize seu dia. Pensar na noite anterior no que você vai fazer no dia seguinte caso não apareça nenhuma notícia urgente ajuda muito a usar bem o seu tempo _que, acredite, vai ser escasso. Mande sugestões diárias para a Redação. 
 
* Não se acomode. Não ache que, porque você entende de alguma coisa, já sabe tudo de um determinado assunto. Seja sempre curioso _porque no dia em que você deixar de ter curiosidade, você não é mais jornalista.
 
Claro que não há receita mágica, afinal cada um tem seu jeito, seu nicho. Mas estas são algumas coisas que eu notei, tendo estado dos dois lados do balcão, serem fundamentais.

E DÁ TEMPO?
 
O Milton comenta: dá tempo para ler tudo isso?
 
A pergunta é boa. Quem aqui já não teve a sensação de que o dia deveria ter 30 horas?
 
Mas minha experiência mostra: escolha qualquer jornalista que você acha muito bom e pergunte o que ele lê todos os dias. Você verá que é muita coisa.
 
Quer um exemplo? Leia este post do RAUL JUSTE LORES, que será o correspondente da Folha na China, e de quem voltarei a falar em breve.
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h53

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blog de leitor

Meu leitor Charles Nisz escreve em um blog de tecnologia (gadgets, dicas, programas), o Gigablog, que é finalista em sua categoria no prêmio iBest. Para quem quiser conferir.

[não estou recomendando votação, como disseram nos comentários. Só estou dizendo que o blog existe.]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h42

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Que fonte é confiável?

Já mostramos aqui por que não se deve confiar só na Wikipedia como fonte e discutimos um pouco sobre quando se pode assumir uma informação, quando se deve atribuí-la e quando é indispensável checar.

Meu colega EVANDRO SPINELLI conta que a France Presse proibiu matérias que tenham só a Wikipedia ou só o Facebook como fonte.

Vou aproveitar o gancho para falar de outra coisa que nunca pode ser fonte: matéria jornalística. Mesmo que seja do seu próprio veículo. E muito menos se for dos concorrentes.

Por quê? Porque nós, jornalistas, erramos. Pode parecer primário, mas achei que valia repetir porque um editor outro dia pegou um erro factual numa arte sobre conflito em determinado país. Perguntou ao redator de onde vinha a informação e ele respondeu:

--Peguei na revista tal.

O editor retrucou --Mas a revista tal não é fonte!

E, para sua surpresa, ouviu do redator:

--Não? Mas o que é fonte, então?


O QUE É FONTE, ENTÃO?

A pergunta básica que o repórter deve fazer para decidir é: como tal fonte sabe de tal assunto.

Vale para tudo, de livros a pessoas.

Se for na Britannica, sabemos que tal fonte sabe daquilo porque contratou profissionais especializados para pesquisar. Se for a Wikipedia, sabemos que tal fonte pode não ter obedecido a nenhum requisito técnico antes de escrever. É preciso, então, checar as credenciais do autor do texto.

Se for um policial, temos que descobrir se ele viu ou está repassando informação de segunda mão. E vai depender da informação que ele estiver dando.

Um policial que diz ter visto que alguém teve um acidente vascular cerebral pode até ter visto mesmo, mas não é fonte confiável para diagnóstico médico.

Em que sites é possível confiar?
Por que não confiar na Wikipedia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h56

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DOIS MOTIVOS, DOIS CUIDADOS

O Lucas vai estrear no "Erramos" porque errou a grafia do nome de um entrevistado.

Como cometemos esse tipo de engano? De duas formas básicas:

  1. anotamos errado, ou de forma confusa, em garranchos
  2. anotamos certo, mas erramos na hora de transcrever

Cada doença tem sua própria vacina.

  • adote como regra: sempre termine uma entrevista checando nome, idade e cargo de seu entrevistado. Soletre. E cuidado com letras que se parecem (é S de sapo? ou F de faca?)
  • nunca libere um texto sem checar grafias, datas, contas e cargos. Checar quer dizer checar, mesmo. Não é bater o olho e achar que está certo. É olhar na fonte original (seu bloco pode ser uma, se você tiver seguido a regra aí de cima)


POR FALAR EM ERRAMOS

Dêem uma olhada neste, que a Folha Online publicou em novembro:

Erramos: Homem mantém ex-namorada refém em Praia Grande
Diferentemente do que foi inicialmente informado pela polícia e publicado na reportagem "Homem mantém ex-namorada refém em farmácia da Praia Grande" (Cotidiano - 19/11/2007 - 09h52), a moça não era balconista, mas operadora de caixa; a invasão ocorreu por volta da 0h, e não às 2h; o hospital onde o casal foi socorrido não se chama mais Santa Casa de Misericórdia, mas sim Hospital Municipal de Praia Grande; e ela morreu com um tiro na testa, e não no peito. O texto foi corrigido.

Nessas horas, por mais vontade de chorar que a gente tenha, o jeito é manter a calma e descobrir o que nos levou a tantos erros. Não para atribuir culpas, mas porque isso nos ajuda a evitá-los no futuro.

Saiba, então, como esse Erramos ficou tão grande:

"Este é o típico Erramos de cobertura de casos em andamento -como assaltos, incêndios, grandes acidentes de trânsito, terremotos ou tsunamis. Noticiamos casos em tempo real, o que aumenta a possibilidade de erros.

O fato é que, neste caso, havia um rapaz mantendo reféns em uma farmácia. O local foi cercado e isolado pela polícia, que tentava negociar com ele. Em casos assim, é difícil ter uma informação exata e checar, por exemplo, a data de nascimento dos envolvidos para não errar a idade.

A opção para evitar o erramos seria segurar a divulgação do caso até o registro da ocorrência pela Polícia Civil, mas é inviável.

Os sites, assim como rádios que fizeram a cobertura ao vivo, também erraram. Isso porque a informação vinha da Polícia Militar, e apesar de ser uma fonte oficial, tinha a informação a partir do "boca a boca", seja com os envolvidos ou com pessoas que conheciam o casal. Mesmo assim, eram informações importantes, que consideramos que não poderiam ser omitidas.

Mesmo após os jovens serem levados para o hospital, era difícil ter detalhes. Os policiais tinham a informação de que ela havia sido beleada no peito --mas se enganaram. No hospital, a resposta era de que não poderiam dar detalhes imediatamente porque a equipe médica "estava em emergência".

O texto não foi feito por um único repórter. O texto da madrugada foi feito pela Agência Folha e durante a manhã por ao menos duas pessoas da Folha Online. E um agravante: nenhum estava em Praia Grande. Tudo foi apurado por telefone.

Descrição dos erros:

  • as informações sobre a função da mulher e o horário da invasão haviam sido passadas pela PM durante a madrugada (e mantidas durante a manhã);
  • quanto ao nome do hospital, nós soubemos pela PM que os dois tinham sido levados para a "Santa Casa". Buscamos o telefone na lista e conseguimos a informação de que eles, de fato, tinham sido levados pra lá. Na hora de atender o telefone, uma funcionária, inclusive, confirmou se tratar da "Santa Casa". Quando o engano foi apontado por um leitor, questionamos a funcionária e ela disse que o nome havia mudado.
  • sobre o tiro, a assessoria de imprensa da PM havia confirmado os ferimentos, em caráter preliminar. Mais tarde, após todo procedimento registrado no hospital, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Praia Grande divulgou nota confirmando que a moça havia sido baleada na testa, e não no peito."

Só pra lembrar algo bobo, mas que ajuda a evitar esse tipo de correção: se a gente não viu, é melhor sempre atribuir.

Como um editor obsessivo evita que a gente erre
Dicas para a hora de anotar (e como usar outros instrumentos básicos)
Fontecultura - cuidados na relação com a fonte, antes, durante e depois da entrevista

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h31

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VIAJO OU PROCURO TRABALHO?

É a pergunta da Luciana:

"Estou terminando o curso de jornalismo, integral, e ainda não consegui nenhum estágio. Penso em fazer frilas enquanto procuro oportunidade de estágio. Mas tenho planos (sérios) de viajar pela América Latina  durante seis meses assim que me formar e, durante a viagem, enviar sugestões de pautas para jornais, revistas e blogs, com os quais já terei feito contato antes.
 
Você acha que será muito difícil conseguir emprego quando voltar, já que não terei nenhuma experiência de trabalho?
A idade importa muito nas seleções de emprego? (tenho 24 anos, e voltarei com 25)
Do ponto de vista profissional, seria melhor fazer um curso de inglês fora?"

Pessoalmente, acho excelente a idéia de viajar pela América Latina e tentar vender pautas. Isso pode trazer três benefícios: experiência de vida, conhecimento sobre o continente e experiência jornalística.

Fazer um curso de inglês é legal também, mas não tem o terceiro benefício. Embora nada impeça alguém de sugerir frilas e fazer reportagens seja onde estiver para fazer o tal curso.

Não acho que faça diferença, numa seleção, o candidato ter 24 ou 25 anos. A experiência, seja na AL, seja em outro país, vai trazer mais segurança e a possibilidade de realizar um trabalho melhor. Idade não é o fator mais relevante de todos (embora haja, sim, editores que se preocupam quando o candidato já tem mais idade e não tem experiência. Mas 25 anos ainda é pouco para isso).

Mas é preciso sempre levar em conta que uma viagem como essa envolve riscos. O ideal é fazer uma boa pesquisa antes, ter contatos nos países e, de preferência, viajar com alguém, nunca sozinha.

RICARDO SANGIOVANNI, meu recém-trainee, fez duas viagens parecidas com a que a Luciana planeja. Numa, alugou um trailer com um grupo de amigos durante a Copa do Mundo da Alemanha e sobreviveu vendendo matérias para veículos do Brasil. Na outra, também com um grupo, ficou um mês na Bolívia filmando um documentário.

Vou ver se ele escrever alguma coisa para o blog sobre isso. [Leia aqui o post que Ricardo escreveu]

Sou velha demais?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h49

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Política e economia

Política e economia

Duas sugestões de leitura, que tiro do jornal de hoje:

Do ELIO GASPARI:

A notícia é um pouco velha, mas o tesouro é valioso. Desde o final do ano passado está na internet quase toda a produção jornalística do repórter Carlos Castello Branco (1920-1993). (...) Para alegria dos pesquisadores e dos interessados no estilo de um mestre, estão na rede mais de 5.000 artigos.

De VINICIUS TORRES FREIRE:

Celso Pinto nunca foi "pop". Celso Pinto, porém, é o melhor jornalista de economia do país, talvez o melhor que já tivemos.
Uma coletânea de mais de duas décadas de seus textos jornalísticos está sendo lançada agora ("Os Desafios do Crescimento -Dos Militares a Lula").

Desse texto do Vinicius, duas frases sobre as quais talvez valha pensar:

O melhor jornalismo é uma tentativa sempre precária de errar menos na tarefa cotidiana, e hoje em dia quase horária, de separar o que é novo do que meramente causa sensação, com o fim pretenso de publicar novidades importantes que sejam tanto de interesse público como da curiosidade pública.

(...) a vida e o mundo são menos sensacionais e mais lentos que muito jornalismo e a profusão de dados querem fazer crer.

A diversidade de fontes a que Celso tem acesso, a peneira contra bobagens de sua boa formação técnica e o painel de informações que apresenta em seus textos acabam por colocar os dados em seu lugar. O resultado desse trabalho é mais reflexão, menos sensação.  

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h15

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direção da escrita

Já que falamos de trabalhos geniais, mais um exemplo do Laerte, de quem sou fã de carteirinha.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h53

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha de S.Paulo. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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