| |
Povo, estou em tempo integral trabalhando no projeto de conclusão de um curso, por isso até segunda não poderei fazer muito mais que liberar os comentários.
Mas queria contar para vocês como percebi na própria pele, nesses dias, algo que escrevo com freqüência aqui: a escada da aprendizagem tem quatro passos e, sem os quatro, a gente demora mais para aprender.
Que quatro passos são esses?
- Ouvir (e entender) uma explicação
- praticar
- ser criticado
- tentar refazer
Um motivo principal de grande parte da insatisfação que vocês têm descrito nos comentários dos dois posts mais recentes é justamente o fato de que a maioria das faculdades pára no primeiro degrau ou, quando muito, chega ao segundo.
Mas vamos à minha história: meu TCC é um documentário, do qual fiz parte das filmagens. Como, por vários motivos, ninguém viu o que eu estava filmando até quase o último dia, não descobri algo importante: que o tempo de cada cena tem que ser maior do que o que eu estava usando.
Descobria situações ótimas, mas ficava pouco tempo nelas. Na hora de editar, isso é um problema sério. Há trechos que nem podem ser usados.
Ainda deu tempo de corrigir um pouquinho, mas percebam: durante dois meses de filmagem, pratiquei, pratiquei, e não avancei quase nada. Se, no primeiro dia, alguém que entende da coisa tivesse visto a fita, perceberia na hora o engano, teria me avisado e eu teria evoluído muito mais.
Não deixem de ler os comentários dos posts abaixo, pois há ótimas histórias e sugestões para usar melhor o tempo da faculdade.
Inté.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h50
Dica da Natália, de Ponta Grossa:
"Ana, lendo o post do Marcos, achei que seria interessante comentar uma alternativa que busquei, em minha faculdade, para ter mais contato com a prática da profissão. As faculdades públicas têm a vantagem de, geralmente, dar grande incentivo a projetos de extensão, atividades que não fazem parte da grade curricular. Eu decidi participar de um que tinha por objetivo fazer um jornal voltado para a terceira idade. Passamos por todas as etapas, desde pesquisa sobre os assuntos que o público gostaria de saber mais até a realização das matérias e diagramação do jornal. Posso garantir que foi uma das melhores experiências que tive até agora na faculdade. Por isso reforço a dica para o Marcos: às vezes, vale buscar alternativas fora da sala de aula. Participar de projetos de extensão é uma delas. Caso a faculdade não os tenha, vale combinar com um professor para que seja criado, como foi o nosso caso."
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 23h31
HISTÓRIA NAS FÉRIAS
O professor da Unicamp Leandro Karnal faz na Casa do Saber um curso de quatro aulas sobre a história comparada das colonizações brasileira e americana (bandeirantes X pioneiros). Começa dia 14/1.
Irineu Franco Perpétuo, colaborador da Folha, dá um curso de introdução à música clássica, a partir de 22/1.
Também começando em 22/1, Gabriel Priolli dá quatro aulas de história da televisão no Brasil.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h37
O Marcos, de São Paulo, entrou na USP no ano passado e não está satisfeito.
"O curso dá uma base razoável? Eu sei que ele é "conceituado" e tal, mas, na minha turma --que entrou o ano passado, a maioria é descontente com as grandes falhas que ele tem."
Eu acho que vocês têm toda razão em ficar descontentes. Principalmente porque nenhum curso de jornalismo será satisfatório.
É minha opinião que o curso pode ajudar, mas não é condição necessária nem suficiente para a formação de um bom jornalista.
O que importa mesmo é estudar muito, ler muito, praticar ao máximo, colar nos melhores professores e tirar toda a orientação que puder deles.
E aproveitar a insatisfação de vocês para tentar melhorar o curso e a escola.
Vocês ainda têm três anos pela frente. Nesse período, vocês precisam se informar, ler muito, aprender a escrever e fazer exercícios que sejam corrigidos detalhadamente por alguém. Extraiam isso da faculdade. Vocês estão na maior universidade do país. Não fiquem esperando o tempo passar.
Que faculdade escolher? Para aproveitar as críticas dos professores Faça direito seu jornal laboratório Um exemplo de laboratório - entrevista com a coordenadora
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h32
Minha colega MARINA GAZZONI, que fez a 44ª turma de treinamento, conta sobre seu primeiro furo:
Nos meses de dezembro e janeiro, o caderno Dinheiro tem muita pauta sobre o balanço anual de determinado setor, como resultado de vendas e exportações de certo produto. Eu escrevi uma matéria, no dia 27 de dezembro, com dados parciais sobre os modelos de veículos mais vendidos em 2007, mas ficou na gaveta. O jornal resolveu publicar a matéria no dia 3/01 e o editor-adjunto me pediu para atualizar o texto com os dados do fechamento do ano.
O ranking dos modelos mais vendidos estava no site da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores), mas o balanço final das vendas não. A assessoria de imprensa só divulgaria os dados em entrevista coletiva no dia 4.
Quando dei o retorno ao editor-adjunto, ele me disse que esses dados certamente vazariam e um jornal da concorrência publicaria a informação antes que a Folha. A partir desse momento, senti que eu não estava mais brigando para dar o furo e sim para não levar.
O editor-adjunto me disse que as montadoras recebem um informativo com os dados do setor e sugeriu que eu pedisse a informação "em off" [Nota da Ana - off the records, ou seja, sem identificar a fonte]. Como eu comecei há pouco tempo na editoria e não sou de São Paulo, não tenho muitos contatos de fontes. Digitei no Google "assessoria de imprensa montadoras" e obtive uma lista de todas as assessorias de imprensa de concessionárias de veículos.
Mesmo sem acreditar que alguém fosse me passar a informação em off, liguei para uma delas e pedi os dados. Tive sorte. Consegui a informação e escrevi o texto. A Folha foi o único jornal a publicar a reportagem naquele dia.
Acho que essa matéria mostra bem como tem sido meus dias aqui em Dinheiro. Menos de uma semana depois que acabou o programa de treinamento, vim trabalhar como "redapórter" na editoria. Isso significa que eu faço algumas reportagens, mas também ajudo no fechamento. Uma das coisas mais importantes em jornalismo econômico são os números e o que eles significam para a economia. Talvez seja por isso que poucos jornalistas gostem de trabalhar nessa área.
Eu sempre me interessei por economia, mas pensava que não poderia sair do treinamento e trabalhar em Dinheiro. Pretendia começar minha carreira em uma editoria menos técnica e depois me especializar em economia. Quando a Ana Estela me ofereceu a vaga, senti um frio na barriga. Pensei que não teria conhecimento suficiente e não daria conta do trabalho.
A equipe tem me ajudado bastante com os termos técnicos e aos poucos estou me familiarizando. Às vezes sinto falta de fazer reportagens na rua, mas, por outro lado, acho que me especializar na área pode ser uma boa estratégia de carreira.
Essa história da Marina mostra duas coisas:
-
Evite a síndrome do "não estou conseguindo" ( leia aqui um post sobre isso). O trabalho do repórter é justamente rodear, achar atalhos ou desvios para chegar à informação. Nem tudo vem de bandeja, nem tudo é oficial ou divulgado pela assessoria
-
É possível trabalhar numa área sem dominar o assunto. Mas é fundamental ter medo disso. E ler, estudar, perguntar, fazer de tudo para sanar as deficiências ( roteiro de estudos para quem quer cobrir economia)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h20
Vale a pena fazer uma pós-graduação logo depois de se formar? Se os anúncios de contratação pedem tanto experiência quanto especialização, o que fazer primeiro, pergunta o Bruno, do Rio: "É claro que ninguém é escolhido só por ter doutorado, mas não seria difícil alguém sem especialização romper a barreira da análise de currículo?".
É sempre impossível responder no geral, mas uma coisa eu posso garantir: com certeza candidatos sem pós "vencem a barreira" da seleção de currículos.
Tudo depende da vaga, mas, pensando numa vaga padrão, voltada a alguém que já chegue ao jornal produzindo, ou seja, uma vaga de repórter ou redator médio, diria que a primeira coisa que um editor olhará será a experiência profissional do candidato.
Depois, dentre candidatos com experiências semelhantes, ele tenderá a dar preferência aos que têm mais ou melhor formação.
Além disso, podem ser chamados para o teste candidatos sem experiência, mas que tenham algo especial no currículo --uma formação espetacular ou original, uma experiência de vida diferente, o domínio de um idioma particular (como árabe ou chinês).
Não é receita de bolo e cada um achará seu caminho. O importante é determinação e vontade de aprender.
Devo fazer pós? Como driblar a falta de experiência Devo me especializar numa área? Natali fala sobre armadilhas da especialização
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h59
A reportagem que eu citei ontem, sobre o promotor que matou um motoboy, atribuía uma informação ao "Fantástico".
Natalie, de São Paulo, me pergunta: "Quando vale a pena usar outros veículos como fonte? Só quando não dá mesmo pra checar com a fonte original? Como classificar os confiáveis? E como evitar pegar carona numa possível "barriga" dos outros?".
Acho que outros veículos devem ser "fonte" só em último caso.
O ideal é sempre checar diretamente, com as fontes envolvidas.
Mas, claro, cada caso é um caso. Se uma TV põe no ar uma entrevista ao vivo com alguém que é relevante para a matéria e você não consegue ouvi-lo, pode, com razoável grau de segurança, escrever que "à emissora tal, Fulano disse tal coisa".
Se aparecem imagens de um fato, dá para escrever "imagens levadas ao ar pela emissora tal mostraram (descreva)".
Se for áudio, eu já tomaria um cuidado a mais: "Tal veículo pôs no ar a gravação de uma conversa atribuída a Fulano e Sicrano".
Avaliar a credibilidade do veículo é bastante subjetivo. Você terá que se basear no grau de conhecimento que tem sobre a qualidade do jornalismo que ele exerce, mais que simplesmente no nome ou na tradição.
E, mesmo atribuindo --o que é fundamental--, não terá como evitar 100% a possibilidade de reproduzir um erro. Mas isso vale para qualquer fato que tenhamos que atribuir a alguém, não é?
Pelo que se lê hoje, talvez estivesse errado mesmo o título de ontem. A pistola que o promotor usou só dá dez tiros. A não ser que ele tenha recarregado a arma. Investigar o número de tiros que o motoboy levou é, portanto, pauta importante.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h32
Minha leitora Flávia, de Brasília, escreve:
Mas fiquei intrigada com o fato de Neves dizer na matéria que, num determinado momento, foi preciso desligar o gravador, para ouvir críticas de Cortaz em relação a alguns colegas de profissão. Assim, ao mesmo tempo em que o repórter não revela o que foi dito pelo entrevistado (o que deixa o leitor bem curioso!), não deixa de revelar totalmente o assunto discutido em 'off'.
Será que esse recurso cabe em outros contextos, como por exemplo, numa cobertura mais 'cuidadosa', como a do jornalismo político? Quero dizer, será que ao usar esse recurso, o repórter pode causar certo constrangimento ao entrevistado, que pode ser cobrado sobre o que teria dito, ou mesmo ser acusado de não ter mantido o off por completo?
O trecho a que ela se refere é este [copiei a matéria no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]:
Paixão que se traduz, durante duas horas de conversa, em gestos amplos, mudanças de timbre para reproduzir diálogos e personagens e numa agitação que, lá pelas tantas, resulta no desligamento do gravador do repórter. É que ele quer falar de colegas famosos que "não exercitam [seus dotes]" e "não têm estofo nem repertório".
Como eu não sabia exatamente em que condições o gravador foi desligado, perguntei ao Lucas, que me contou o seguinte:
Em determinado momento da entrevista, logo após comentar (em tom elogioso) o desempenho do não-ator André Ramiro (o Matias) em "Tropa de Elite", o Milhem começou a fazer críticas ao trabalho de outros não-atores e de alguns atores famosos.
Ele então desligou o meu gravador, sem perguntar se podia fazê-lo. Fiquei constrangido, mas decidi seguir tomando nota do que ele dizia, para não quebrar o ritmo da conversa.
O Milhem desligou o gravador sem aviso prévio, enquanto falava. Não perguntei a ele porque tinha feito aquilo, mas o que disse em seguida (a lista de colegas célebres) sugeriu que o entrevistado temia que a fala lhe criasse um embaraço no meio artístico. Como o que ouvi em seguida não passou de uma relação de nomes (já havia obtido o que mais me interessava, o teor das críticas, "on the record"), achei desnecessário reproduzi-la.
Dado que, na seqüência, ele se limitou a listar alguns nomes aos quais fazia ressalvas, não vi necessidade de me levantar imediatamente para ligar de novo o gravador. Mais importante do que nomes, na minha avaliação, era o teor das críticas.
Se tivesse havido uma ataque frontal a alguém no intervalo em que o aparelho ficou desligado, teria apertado o "play" e pedido ao entrevistado que repetisse _ou confirmasse, na linha "você disse isso, certo?"_ o que acabara de dizer. Espero que isso responda à dúvida da leitora.
Ainda não tive retorno da parte do Milhem quanto ao texto.
É uma situação curiosa, porque não houve "pedido" de off. A fonte simplesmente desligou o gravador. Sou defensora de deixar sempre tudo em pratos limpos, mas acho que o argumento do Lucas é correto. Se fosse algo que ele tivesse intenção de publicar, valia a pena questionar o gesto e esclarecer a posição. Como não era, bastou seguir em frente.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h25
Basta ler título e linha fina da capa de Cotidiano da Folha de hoje para perceber que virá a seguir uma história complexa, em que se está longe ainda de uma conclusão definitiva.
E para ter certeza também de que os repórteres estavam cientes disso e tomaram todos os cuidados técnicos que o caso merece.
Veja:
Promotor mata motoqueiro com 11 tiros Pedro Baracat Guimarães Pereira disse à polícia que reagiu a uma tentativa de assalto; não foi achada arma com o suposto criminoso
A reportagem tem vários exemplos de como, no texto, os repórteres tiveram a precaução de não assumir o que não viram, de atribuir declarações, de ouvir versões diferentes [copiei a matéria no site do treinamento, negritando os trechos em que isso foi feito].
Mas ela faz mais que isso. Não se contenta com declarações e tenta fechar os buracos de informação ou, pelo menos, mostrá-los.
Veja dois exemplos:
Amigos e parentes negam que Barbosa fosse criminoso. Segundo o "Fantástico", da TV Globo, porém, duas pessoas o reconheceram como autor de outros assaltos ontem à noite.
Peritos do IML (Instituto Médico Legal) dizem que o motociclista levou 11 tiros. A polícia não revela qual a arma utilizada pelo promotor, não confirma o número de tiros disparados nem se o acusado tinha ficha policial.
Com Barbosa, a polícia declara ter encontrado cinco relógios -cujos modelos não foram divulgados.
RESSALVA SOBRE O TÍTULO
Meu leitor Leandro faz uma boa observação sobre o título: "Se o número de tiros não foi confirmado pela polícia, o título da matéria, que afirma os 11 tiros, não se posiciona contra o promotor? Afinal, 11 tiros é um exagero, mesmo em legítima defesa".
Faz sentido. O jornal se baseou numa apuração com o IML e decidiu sustentar a informação, provavelmente porque confia muito na fonte. Mas acho que usar a informação no título, seca, assim, pode pender para um lado.
Não se esqueçam do dentista Flávio - quem acredita em confissões? Confissões perigosas - cuidados básicos em coberturas policiais O sumiço de Madeleine - como os jornais erram quando compram sem ver o peixe da polícia
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h44
E, ÀS VEZES, MENOS É MELHOR
Acho que todo mundo sabe que há duas formas básicas de dar destaque a uma notícia:
- o local em que ela aparece (seja numa página, numa tela de computador, na ordem do noticiário de rádio ou de TV)
- o tamanho que ela tem
Há outras formas secundárias, como fotos, artes, títulos especiais, recursos gráficos (aspas, pequenos destaques, intervenções), sub-retrancas --ou, nos outros meios, imagens, áudio, artes.
Em geral, para valorizar uma notícia, o editor dá destaque a ela. Mas nem sempre.
É o caso, na minha opinião, daquela foto das crianças mortas no Quênia, que propus como exercício na semana passada (se você não chegou a ver, clique aqui).
Como a maioria dos leitores que comentou, acho que ela deve ser publicada. Na minha opinião, é uma das fotos mais sensacionais que vi em muitos meses, pelo impacto que causa, pela concentração de informação, pelo estranhamento.
Quando bati os olhos nelas, achei que eram bonecas largadas na fuga provocada pelos conflitos. O contraste da imagem --aqueles serzinhos amontoados, desconjuntados-- com a legenda me fez ficar olhando minutos para a página, em choque. Quando um evento qualquer no mundo é capaz de produzir aquela situação, você sabe que ele é mais que gente jogando pedras e recebendo gás lacrimogênio, como mostram as fotos mais corriqueiras.
Mesmo que, como era o caso dessa edição, não se explique exatamente como foram mortas as crianças, por que estão naquele lugar, se estão só à espera de autópsia e enterro ou vão ficar largadas daquele jeito. Enfim, sabe-se quase nada da foto, mas, qualquer que sejam as respostas, aquela é uma situação extrema, que merece registro.
O que eu acho --e há gente que eu respeito que discorda-- é que esta é uma foto para ser dada pequena.
Por quê?
Para deixar bem claro que não se trata de chocar o leitor, de explorar o drama da imagem, mas de informar. Se ela estivesse em quatro colunas no alto da página, alguém poderia dizer "Ah, olha aí a apelação!".
Pequena, abaixo da dobra, ela é pura informação.
E, como vimos acima, ela é pauta também. Seria bom se alguém explicasse melhor como é que se chegou a isso.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h53
Ricardo, de São Paulo, estava curioso sobre o trabalho dos editorialistas: "Quem/quantos são na Folha? Como foram parar nessa área? Qual a rotina de trabalho? Como são definidos os temas que o jornal vai comentar? São comuns "dilemas", do tipo ter de escrever coisas positivas sobre algo em que não acredita ou o contrário?".
Na Folha, os editoriais são escritos por uma equipe que recebe o nome de Editoria de Opinião e é ligada à Direção Editorial da empresa, ou seja, é paralela ao organograma do jornal.
Pedi ao editor de Opinião, VINICIUS MOTA, que foi meu trainee e já está em sua segunda passagem como chefe dessa área --no meio, foi editor de Mundo, durante a Guerra do Iraque--, que respondesse ao Ricardo:
1. Quem são: Vinicius Mota (editor), Hélio Schwartsman, Marcelo Leite, Marcelo Coelho, Marcos Antonio Cintra (economia) e Fernando Sampaio (economia); 2. Como chegaram: Em geral chegaram aos editoriais por conta de seu bom texto de opinião, de afinidades com os princípios editoriais da Folha e de algum domínio especializado (caso mais freqüente dos economistas); 3. Rotina: há uma reunião no início da tarde, definem-se os temas e a direção das opiniões a ser expressas, redigem-se os textos e no início da noite os editoriais passam pelo crivo da direção do jornal, que determina modificações e a seguir os aprova. A partir desse ponto, os editoriais estão prontos para publicação; 4. Definição dos temas: Os temas são definidos com base na relevância do noticiário e as opiniões na maioria dos casos são moldadas pela tradição dos editoriais do jornal sobre o assunto em tela. 5. Conflitos: Dilemas podem acontecer, mas são muito pouco freqüentes e raramente significam uma colisão frontal entre o que o editorialista pensa e o que o jornal decide escrever.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h55

Meu colega SÉRGIO DÁVILA, sempre gentil além de competente, me conta que o Google criou um novo serviço: fontes que não gostarem de como foram citadas em matérias podem mandar um comentário, que sempre aparecerá junto do texto original quando ele for puxado numa pesquisa.
O "New York Times" contou o caso.
Para aproveitar a deixa, vou lembrar algumas dicas importantes:
- quando for entrevistar alguém, explique qual é a pauta e por que vc quer ouvir tal pessoa
- se está ouvindo muitas fontes, ou seja, uma conversa de meia hora vai virar uma frase, é prudente avisar: "Estou ouvindo alguns especialistas...". Não precisa entrar em detalhes, só deixar claro que não se trata de uma entrevista, mas de uma reportagem que ouvirá várias pessoas
- de preferência, grave o começo da entrevista, em que você deixa claro qual é a pauta e seu objetivo com essa entrevista. Sim, parece bobagem, excesso de zelo, mas não é. Mais abaixo explico por quê.
- além de gravar, anote os pontos principais. Em geral, em jornal diário não ouvimos a fita na hora de escrever, e sim usamos as anotações. A fita serve para tirar dúvidas. Use-as sempre que não entender suas anotações ou não estiver seguro sobre a frase exata
- se ficar em dúvida e estiver em cima do horário, ligue de novo para a fonte e esclareça. Não tenha vergonha de ligar. Toda fonte prefere ser incomodada hoje e ver a matéria certa amanhã, a ser poupada hoje e dar pulos de ódio amanhã
- se, no dia seguinte, sua fonte reclamar, ouça-a e reflita. Se ela estiver certa, corrija. Se achar que ela está equivocada, tente compreender seu ponto de vista, mas explique porque sua edição foi correta
- o ideal é sempre ligar para suas fontes no dia seguinte. Mostra que você se preocupa com a correção do seu trabalho e tem respeito por ela. Se isso for impossível, ligue pelo menos nos casos mais relevantes, quando a edição tiver sido radical ou quando a fonte for importante para você
QUANDO A FONTE SE ARREPENDE
Antes do Natal recebi um e-mail de uma moça que havia sido ouvida por uma trainee minha há dois anos, numa reportagem sobre relacionamentos complicados.
Ela dizia que, quando foi entrevistada, não havia sido avisada de que a matéria falaria sobre sua vida pessoal. Achava que seria apenas sobre suas opiniões profissionais. E me pedia que o texto, que fica para sempre disponível on-line, fosse tirado do ar.
Por sorte, minha trainee tinha seguido a recomendação que sempre dou, em todos os treinamentos, de gravar o começo da entrevista. E ali estava muito claro que a moça estava sendo ouvida por causa de sua vida pessoal.
Outro procedimento da minha trainee me ajudou a averiguar o caso: ter etiquetado a fita direitinho e ter guardado num lugar onde ela podia ser encontrada.
Pude explicar pra moça que entendia o descontentamento dela, mas que ela não havia sido iludida ou enganada. O procedimento da repórter tinha sido correto.
UMA ENTREVISTA É PARA SEMPRE
Independentemente de a repórter ter acertado ou errado, é preciso ficar atento para o fato de que, com internet, as matérias ficam no ar para sempre. Mas as pessoas mudam. E se arrepende do que fizeram, do que disseram e até do que foram.
Já mostramos outros casos de fontes arrependidas aqui, num outro post (leia aqui).
Por isso, se seu jornal tem versão on-line, todo cuidado é pouco.
Fontes arrependidas, no Brasil e no mundo Fonte reclama que aspas estão fora do contexto Post recente sobre fontes renitentes
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h14
Ver mensagens anteriores
|
|
|
|