Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Ano que vem na News-U

Ano que vem na News-U

Minha "colaboradora especial para assuntos de cursos", Natalie, avisa:

Olha só, o News-U está com um monte de cursos abertos, alguns de graça e permanentes, outros pagos, com início em 2008, mas todos muito interessantes. Selecionei dois de que mais gostei e estou mandando os links:
 
Interpretação de pesquisas: parece ótimo, focado na interpretação de pesquisas de eleição. 2008 é ano eleitoral, pode ser uma boa. É online, permanente e gratuito para registrados no News-U, lembrando que o registro também é de graça.

Fazendo títulos: De 18/2 a 14/3, online, com Kenn Finkel, que é consultor do Poynter e trabalhou para jornais como The New York Times e The Miami Herald. Esse custa US$ 249 (cerca de R$ 450) e será "ao vivo", com grupos de discussão, testes etc. Entre outras coisas, o conteúdo inclui melhorar a escrita de chamadas, construir chamadas mais específicas e escolher o verbo certo. As inscrições estão abertas até 21 de janeiro.

 
Ah, e mando o link da página com todos os cursos, pra quem quiser ver mais.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h14

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TODA MÍDIA

TODA MÍDIA

Meu colega NELSON DE SÁ faz uma das colunas mais legais da mídia, na minha opinião. Ele edita e resume o que se passa nos principais jornais do mundo, de todos os meios (TV, internet, impressos, rádio).

Meu leitor Ricardo quis saber como é que ele faz isso. Nelson, momentos antes de sair em férias, ainda cedeu um pouco do seu tempo pra responder às nossas perguntas:

Novo em Folha - Você trabalha 24 horas por dia para fazer a Toda Mídia [se você não tiver acesso à FSP e não conseguir ver a coluna on-line, pode tentar conseguir um jornal de hoje, ou esperar que Nelson volte de férias]? Como consegue acompanhar veículos que, por definição, funcionam around the clock e mudam o tempo todo, em tempo real?

Nelson de Sá - A rotina começa por volta das 10h, em casa. Entro na edição on-line dos principais jornais, checo as primeiras páginas no Newseum, as home pages dos sites de maior serventia, os sites de busca, os blogs de referência etc. Separo rapidamente as URLs do que importa.

Vou para a Redação depois do almoço e passo as horas seguintes recuperando o que passou, atravessando a lista interminável de Favoritos, voltando aos sites principais de hora em hora, até o fechamento das 20h30. Depois atualizo mais duas vezes, às 21h30 e às 23h15.

Antes tomava menos tempo. O "boom" de informação alongou bastante o meu dia de trabalho.
 
NF - Você faz uma "pauta" diária? Ou seja, quando começa a escrever a coluna daquele dia, já sabe que vai procurar como foram tratados alguns assuntos? Ou a coluna principalmente reage à temperatura do noticiário?

NS - Tento seguir "intuitivamente", conforme a temperatura e buscando identificar temas que podem crescer. Vou ligando histórias, as "tendências" que se apresentam, imagens, até formar um "esqueleto" para a coluna por volta das 19h15/19h30 e iniciar o fechamento. Muitas vezes, acabo refazendo boa parte do "esqueleto" para o fechamento das 23h15.
 
NF - Quantos sites você lê por dia e quantos programas acompanha? Como você faz para não perder telejornais simultâneos? Você grava? Alguém te ajuda? Resume pra você?

NS - Não sei bem, umas três centenas de sites. É o que tenho nos Favoritos ativos, sem contar o que vai aparecendo por links, em outros sites, ferramentas de busca e alerta, blogs, e-mails que chegam. Como muitos sites de jornais e outros são ainda fechados, só de login/senha tenho uns 60.

Para os telejornais, acompanho duas telas com Sky. A Globo já posta no portal quase todo o jornalismo, com bastante rapidez. Para as demais, a Tele-reportagem grava cerca de dez canais, 24 horas por dia. Existem também alguns serviços de relatório, mas ainda pouco confiáveis.

A novidade maior em TV, creio, é que vários canais inacessíveis por cabo ou satélite, como Al Jazeera, CNN americana, Telesur, France24, entram em "stream" pela internet.
 
NF - Quais são seus sites e programas favoritos? Você ainda consegue gostar deles ou, depois de um trabalho tão intensivo, eles já viraram só objeto de trabalho?

NS - Acho que não tenho mais favoritos meus, na verdade. É tudo trabalho. As referências centrais, aqueles sites que admiro pela qualidade inquestionável, são "New York Times", "Wall Street Journal" e "Economist". Em blogs de mídia, o BuzzMachine. Em TV e rádio, nada, nem no exterior nem aqui.

Fora do trabalho, tento limpar a cabeça com séries, filmes e futebol. Na web, também com teatro.
 
NF - Como é que você teve a idéia de fazer a coluna?

NS - A idéia foi do Otavio [Frias Filho], diretor de Redação.

De certa maneira, a coluna "Toda Mídia" é um prolongamento da anterior, "No Ar", voltada só para TV e rádio, que surgiu com outro nome durante a campanha de 89.
 
NF - Além de ler sua coluna todo dia, o que você recomendaria para um garoto que quer ser jornalista e precisa estar bem informado? O que você sugere que ele leia com prioridade?

NS - Além de "NYT", "WSJ", "Economist" e BuzzMachine, eu indicaria o Romenesko, o Ponto Media, o Interney, o Tiago Dória, todos antenados para as inovações na área de mídia. Dos jornais daqui, a "Folha" e o "Valor".

Outros jornalistas falam sobre seu trabalho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h00

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MEU SEMESTRE COM O PRESIDENTE

MEU SEMESTRE COM O PRESIDENTE

Meu leitor Ricardo tinha me pedido que entrevistasse a repórter LETÍCIA SANDER, da Sucursal de Brasília.

Letícia, 29, cobre o Palácio do Planalto. Ricardo notou que ela assina a maioria dos textos sobre as viagens do presidente, e gostaria de saber como é esse trabalho e qual a relação da repórter com o presidente.

Anteontem, diretamente da sala de imprensa do Planalto, no final da tarde, falando baixinho (você saberá por que mais abaixo), Letícia falou comigo pelo telefone:

Novo em Folha - Você cobre só o Palácio do Planalto?

Letícia Sander - Sim.

NF - Todos os dias?

LS - Todos os dias. Sou o que se chama de setorista.

NF - Faz tempo?

LS - Desde agosto. Antes eu cobria a Câmara. Fiquei lá mais ou menos um ano.

NF - Pela Folha?

LS - Sim. Antes eu estava no Correio Braziliense.

NF - Você começou como no jornalismo?

LS - Comecei em 99. Morava em Porto Alegre, comecei na Zero Hora.

NF - E como foi parar em Brasília?

LS - Vim para a sucursal da Zero Hora, faz quatro anos.

NF - Você achou muito diferente o jornalismo que se faz em Brasília, em relação ao que fazia em Porto Alegre?

LS - Sim, é muito diferente. Aqui em Brasília você tem acesso a muito mais informação. É um lugar onde você se depara com fonte toda hora. O volume diário de informação é grande, porque tudo está aqui, Executivo, Legislativo, Judiciário.

NF - E você acha que ser setorista tem mais benefícios ou mais riscos? Não há o risco de ficar tão acostumada com um lugar e deixar de ver as notícias?

LS - A experiência de setorista é boa pelo fato de que você consegue ter acesso e conhecer mais gente, e assuntos em maior quantidade. Se você está aqui todo dia, consegue saber, quando o Lula fala, se ele está tendo uma reação irritada, se algo não está normal. Claro que, se passar muito tempo, corre o risco de ficar viciado. Mas mesmo sendo setorista do Planalto eu tenho liberdade de sugerir pautas em outras áreas.

NF - E a cobertura no Planalto é muito diferente da que você fazia na Câmara?

LS - É bem diferentes, porque na Câmara todos os deputados são fontes e falam livremente. No Palácio todos têm muito cuidado com o que falam com a imprensa, a hierarquia é muito grande, os assessores são mais temerosos de passar informação.

O acesso é menor, as pessoas não circulam, trabalham em seus andares. No Congresso todo mundo tá sempre circulando.

NF - Como é, fisicamente. Vocês têm uma salinha?

LS - Sim, uma salinha que fica no primeiro andar, logo na frente do saguão.

NF - E o presidente, trabalha onde?

LS - No terceiro andar, e os ministros estão espalhados pelo quarto andar.

NF - E eles passam pela salinha de imprensa?

LS - Não, eles não passam pela salinha nunca. Entram pela garagem. A gente vê a agenda deles e em algum momento do dia eles te recebem.

NF - Então é muito mais difícil para um repórter conseguir algo exclusivo.

LS - Sim, muito mais.

NF - Então, para conseguir algo exclusivo, como você faz?

LS - Então, por isso que é interessante a pergunta dele [do Ricardo, leitor que sugeriu a pauta]. Realmente, as viagens ajudam por conta disso, não só em relação ao presidente, mas ao staff dele. O presidente viaja com ministros, e isso ajuda a conhecê-los, aos poucos constrói uma relação com as pessoas que te propicia isso, fazer uma matéria diferente, uma matéria exclusiva, ou mesmo para conseguir recuperar reuniões e visitas que são reservadas.

NF - E o Lula te conhece pelo nome?

LS - Ele não chama pelo nome, mas há um grupo de repórteres que ele vê todo dia, então ele deve conhecê-los.

NF - Você todos os dias entrevista o presidente?

LS - Sempre que tem evento público. Às vezes ele não dá entrevista, mas a gente sempre cobre.

NF - E quando ele dá entrevista, você tem a liberdade de perguntar o que quiser? Ou a assessoria cerceia?

LS - Não, nunca, tenho a liberdade de fazer a pergunta que quiser.

NF - Quando sai uma matéria na Folha que incomoda o Planalto, há algum tipo de constrangimento?

LS - Não. Eles fazem comentários, podem dizer que não gostaram, que está errado, mas não num tom de intimidação, cobrança. Não é uma relação tensa.

NF - Você faz todas as viagens do Lula?

LS - A maior parte das viagens sou eu que faço, porque estou sozinha no Planalto. Antes eram dois repórteres, agora sou só eu. Então, sempre que posso eu vou.

NF - E você gosta?

LS - Adoro.

NF - Atrapalha sua vida?

LS - Sim (risos). Por exemplo, nesses últimos dez dias eu estive no interior do Espírito Santo, em São Paulo, em Belém, na Argentina e na Bolívia. Praticamente não fiquei na minha casa.

NF - Você tem filhos?

LS - Não. É uma experiência cansativa, mas por outro lado é muito enriquecedora.

NF - A cobertura na viagem, além de propiciar mais contato com ministros, que diferenças tem em relação à do dia-a-dia? Há dificuldades específicas?

LS - A dificuldade maior é que o Lula é um prsidente que tem uma agenda extensa, no Planalto e nas viagens. Quando ele está fora, é um compromisso atrás do outro, geralmente num fuso horário que é ruim pra gente. Não pára de ter eventos nunca. O ruim é justamente saber quando a gente vai ter um tempo pra sentar e escrever a matéria. Sempre, em todas as viagens do Lula, é muito corrido, tem pouco tempo para escrever.
Outra coisa é que há lugares que renderiam uma matéria mais interessante, mas você tem a obrigação de ficar ali e isso dificulta fazer uma apuração que o não envolva diretamente, porque você não pode largá-lo.

NF - E como é que você faz? Carrega o laptop pra cima e pra baixo?

LS - Sim, levo o tempo todo a mochila nas costas, com o laptop dentro. Quando o Lula está numa reunião fechada, num evento fechado, aproveito pra escrever e sair correndo para achar um ponto de internet e transmitir.

NF - Você não transmite pelo celular?

LS - Nessas viagens, o Itamaraty costumam montar uma estrutura, uma sala de imprensa, então sempre tem como mandar o texto. O difícil mesmo é arrumar tempo. Na Bolívia, agora, por exemplo, enquanto ele almoçava com o Evo Morales, eu corria para mandar a matéria. O mais difícil, mesmo, é a questão do horário.

NF - Você sempre quis ser repórter de política?

LS - Também gosto muito de jornalismo internacional. Mas, estando em Brasília, não há como fugir da política. É uma área muito rica para um repórter.

NF - Ser correspondente é algo que está nos seus planos para o futuro, então?

LS - Sim, eu gostaria.

NF - Quantas pessoas cobrem o presidente todos os dias?

LS - É um grupo grande, no mínimo umas 20 pessoas.

NF - E não é difícil trabalhar todos os dias lado a lado com os concorrentes?

LS - Nem tanto, porque cada jornal tem um enfoque, então não atrapalha tanto. É como se eu estivesse numa Redação, mas quem está nas mesas ao lado são os concorrentes.

NF - Então você tem que falar sempre baixinho pra não ouvirem sua conversa...

LS - risos. É. Dependendo da conversa, tem que ser no celular, para poder sair da sala. Não dá para fazer todas as entrevistas no telefone fixo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h19

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O ELFO DO MEU ESCRITÓRIO

A pedido do Diogo, mostro aqui o Elfo que me ajuda todo santo dia.

Na versão que eu fiz no site, ela faz todos esses passinhos acima e mais alguns.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h09

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GARGALHADAS DE FIM DE ANO

A dica é de meu colega Mike Roberts, diretor de treinamento do "Arizona Republic". Quer fazer alguém gargalhar até a morte neste fim de ano? Transforme-o num elfo, neste site criado por uma loja de materiais de escritório em Chicago.

O efeito é irresistível. Eu testei com a Juliana, minha assistente: ela ficou rindo sem parar por uns 20 minutos.

O blog de negócios do Arizona conta que já há 12 milhões de elfos criados (ou havia, quando o post foi escrito). Aliás, no post você encontra outros joguinhos pra matar o tempo no final de ano.

E você achava que jornalistas de economia e diretores de jornais eram todos supersérios, né?

[PS - o brinquedo é um pouco lento para carregar, mas tenha paciência, porque vale a pena]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h21

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Efeito surpresa

Destaco neste post uma pergunta que fiz ao Alencar, motivada por uma das respostas que ele deu (leia a entrevista dele logo abaixo).

Ele comentou que, quando chegavam às escolas, o funcionário avisava a secretaria, que impedia a visita.

Achei que valia destacar este ponto aqui porque essa é uma das maiores dificuldades dos trainees quando vão apurar algo que envolve órgão público: peço autorização antes ou tento ir na cara dura? Ir na cara dura aumenta o risco de não conseguir autorização depois?

Perguntei ao Alencar se ele tinha um procedimento geral para suas apurações ou se dependeria do caso? Se era mais frequente ele ir apurar direto ou tentar agendar antes?

A resposta:

Acho que tudo depende de cada caso, mas em boa parte das situações acho que é válido ir antes sem avisar, especialmente quando esse efeito surpresa é fundamental para a reportagem.

A idéia da nossa matéria era flagrar problemas com a merenda escolar. Se a gente pedisse autorização antes, conforme a prefeitura gostaria, certamente as condições seriam "maquiadas". E é um tipo de matéria que precisa buscar esse efeito surpresa.

Durante as visitas de surpresa, em algumas tivemos sucesso e conseguimos informações. Em outras fomos barrados. Daí a gente ligava para a Secretaria da Educação para pedir a autorização na mesma hora _algo que foi negado.

No dia seguinte, a prefeitura aceitou que a gente visitasse algumas escolas acompanhados de nutricionistas do município. Mas boa parte do efeito surpresa foi perdido. Primeiro porque foram eles que forneceram a lista das escolas a serem escolhidas por nós. Segundo porque a sensação do repórter José Ernesto Credendio quando chegou ao local foi a de que os funcionários já tinham sido previamente alertados.

Em suma, tudo depende de cada caso, mas, muitas vezes, se depender de um pedido de autorização oficial para visitar um lugar, perde-se algo fundamental no jornalismo.

Além dessa situação acima, posso citar diversas outras em que resolvemos ir direto ao lugar sem pedir autorização. Por exemplo: tínhamos relatos de que seguranças da CPTM estavam empurrando os passageiros para entrar nos vagões, tamanha a superlotação. Imagine se a gente pedisse autorização antes para entrar lá na estação!!! Obviamente todos os seguranças seriam alertados e mudariam seus procedimentos habituais.

Agora, há casos em que esse efeito surpresa não é necessário, daí vale a pena pedir autorização antes até para facilitar os trabalhos. Por exemplo, preciso ouvir passageiros sobre alguma mudança num terminal de ônibus. Se eu for lá sem autorização, pode haver um desgaste desnecessário _os seguranças vão barrar a fotografia, por exemplo. E, mesmo com a autorização, os passageiros não deixarão de falar aquilo que querem.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h52

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POR TRÁS DE UMA BOA PAUTA PODE HAVER OUTRA MELHOR

POR TRÁS DE UMA BOA PAUTA PODE HAVER OUTRA MELHOR

REPORTAGEM PREMIADA

Os repórteres ALENCAR IZIDORO (que foi meu trainee há dez anos) e JOSÉ ERNESTO CREDENDIO foram indicados ao prêmio Folha de reportagem, pela matéria Merendeiras relatam receber prêmio para racionar comida, publicada em setembro. [copiei no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]

Na entrevista abaixo, Alencar conta como surgiu a pauta, que dificuldades eles encontraram na apuração e dá dicas para quem está começando.

Novo em Folha - Como surgiu a pauta? Veio de uma fonte que já cultivavam, de pesquisa própria, de um palpite que vocês tiveram ou de um acaso? Vocês podem contar como foi, mesmo que em linhas gerais?

Alencar Izidoro - Tivemos duas linhas paralelas de apuração, uma de minha parte e outra da parte do Zé Ernesto, e que foram iniciadas de forma independentes, sem que um soubesse da pauta do outro.

Só depois que já tínhamos alguma apuração prévia individual é que soubemos que os dois tínhamos informações importantes a respeito do tema e que mereceriam ser inseridas na mesma reportagem. Isso ocorreu quando eu vendi a pauta na reunião de matérias especiais de Cotidiano (que ocorre às segundas-feiras, para definir as matérias do final de semana) e ele comentou uma série de coisas que também sabia, incluindo uma história que virou a suíte do dia seguinte (a decisão da gestão Kassab de atender um pedido da Nestlé e reduzir a qualidade nutricional de uma sopa distribuída nas escolas).

Daí decidimos juntar os esforços. Faço essa breve introdução para explicar que a matéria surgiu a partir de dicas dadas por fontes diferentes e diversas, e não uma única.

Mas a pauta original não era exatamente aquilo que foi especialmente destacado em texto e título _a premiação das merendeiras por economia dos alimentos, algo que só foi descoberto no decorrer da apuração.

A origem da pauta era uma série de problemas que vinha ocorrendo nos serviços de merenda escolar terceirizado tanto em São Paulo como em outros lugares do país. Tínhamos relatos e documentos de vários absurdos (embora não tanto quanto este do prêmio de economia) e da expansão desse tipo de serviços, movimentando muito dinheiro e acusações de favorecimento.

No meu caso, as informações iniciais que obtive vieram de uma fonte que já me ajudou em outras matérias que não tinham ligação com a merenda escolar.

Porém foi só um ponto de partida, a reportagem acabou sendo formada e ganhou força pelo conjunto de informações consolidadas posteriormente.

Depois de receber essas dicas iniciais, eu e Zé Ernesto elencamos uma série de tarefas e outras fontes que deveríamos contatar para buscar informações sobre a merenda escolar. Uma delas obteve e nos forneceu um relatório sigiloso da Fipe que apontava uma série de problemas _e pistas para a nossa apuração. Uma outra citou que algum órgão de fiscalização já tinha inclusive constatado a premiação das merendeiras por economia.

Fomos atrás do órgão e descobrimos que não só era verdade como que os resultados da vistoria tinham sido formalizados em um livro de visitas nas próprias escolas. Fomos, então, visitar diversas escolas para entrevistar pais, alunos, professores, diretores e funcionários ligados à merenda.
 
NF - Vocês tinham documentos que comprovavam o prêmio logo de cara? Como fizeram para documentar a irregularidade?

AI - A história do prêmio começou com a dica de que falei acima. Daí fomos atrás do documento do relatório de fiscalização do CAE (Conselho de Alimentação Escolar) que havia registrado a existência do prêmio. A partir daí, já tínhamos um documento de órgão oficial com essa acusação.

Em seguida, fomos às escolas para entrevistar pais, alunos, professores, diretores e funcionários ligados à merenda, para confirmar os indícios por meio de entrevistas e relatos.

O próprio Outro Lado também confirmou parcialmente a irregularidade, já que, na defesa apresentada, a própria empresa admitiu que vinha dando só metade da maçã aos alunos (embora fosse remunerada pela fruta inteira) e que havia implantado um prêmio às merendeiras (embora, pela versão da empresa, não fosse de economia, mas sim para a qualidade "como um todo").
 
Novo em Folha - Foi difícil falar com as pessoas envolvidas? Vocês usaram alguma técnica especial para conseguir falar com elas?

AI - Foi difícil conversar com professores, diretores e funcionários ligados à merenda porque eles têm medo de dar entrevistas e sofrer retaliação. Por esse motivo, muitas conversas foram off [off the records --fora do gravador--, ou seja, sem que se identifique a fonte].

Além disso, quando chegamos de surpresa às primeiras escolas, alguns funcionários ligavam para a Secretaria da Educação para alertá-la e a nossa entrada acabava proibida. [leia post acima sobre esse ponto]
 
Novo em Folha - Foi difícil ouvir o outro lado?

AI - Como já estávamos bem documentados, prefeitura e empresa forneceram outro lado sem tanto empecilho.

A prefeitura só apresentou mais resistência em admitir a veracidade dos relatórios sigilosos da Fipe obtidos pela reportagem.

Inicialmente negavam, diziam que não sabiam de nada, mas acabei sentindo que era só uma estratégia por parte deles. Eles queriam que a gente levasse as cópias pessoalmente até eles para que eles abrissem uma sindicância a respeito do vazamento da informação.

E foi isso que acabou ocorrendo. O secretário Januário Montone dizia deconhecer qualquer relatório, dizia que não sabia de nada e, quando mostramos as cópias (com autorização da fonte), ele pediu a abertura de sindicância interna na mesma hora.
 
NF - Durante a apuração, alguma coisa deu errado, alguma pista era falsa? Vocês tiveram alguma dificuldade específica? Há algo especial nesse tipo de reportagem do qual se possa tirar alguma lição mais geral?
 
AI - Não teve nada que tenha dado muito errado. Algumas dicas recebidas não eram bem aquilo que achávamos inicialmente, mas não que fossem falsas. É mais do que natural, já que dicas são só dicas, dependem de muita apuração para confirmá-las. A dificuldade maior foi realmente para ter acesso às escolas com visitas de surpresa, sem prévio conhecimento da prefeitura, e convencer servidores e funcionários a falar, ainda que em off.
 
NF - O que recomendam para jovens repórteres que queiram fazer investigação no jornalismo de cidades?

AI - Olha, haveria várias dicas, mas eu vou falar especificamente algumas que envolveram essa matéria:

  1. Quanto mais fontes para uma matéria melhor;
  2. Não fique preso à pauta inicial, ainda que ela pareça boa. Pode ter coisas além dela ainda melhores;
  3. Não ouça Outro Lado em cima da hora, só aos 45 minutos do segundo tempo, para a publicação da reportagem. Ele é parte fundamental (tanto para reforçar como para impor obstáculos a uma matéria) e, portanto, vale contatá-lo e ouvi-lo com antecedência. Além disso, não dê margem para Outro Lado alegar que não teve tempo suficiente. No caso dessa matéria, as partes foram ouvidas com quase uma semana de antecedência à publicação.

Um caso de polícia
Outra reportagem premiada
Mais entrevistas com jornalistas sobre seu trabalho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h55

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NÃO ERA BEM ISSO

Uma das coisas mais difíceis em jornalismo é manter as informações no contexto.

A gente está sempre cortando, editando, tirando da ordem, invertendo, juntando, reorganizando.

Isso é tudo tarefa jornalística e deve mesmo ser feita, porque a gente serve justamente para estabelecer nexos, hierarquizar informação, economizar tempo.

Mas não é preciso ter estudado teoria da comunicação nem ter cruzado o portão de um jornal para perceber que a chance de errar cresce na razão direta de quanta edição for feita.

Por isso, vai uma recomendação que se soma às que mencionei abaixo, para quem vai começar a trabalhar:

se você foi apurar uma matéria e só vai passar informação para um colega, que ficou encarregado de escrever, leia o texto final.

Se você passou um trecho de uma entrevista, mesmo que por escrito, para fazer parte de outro texto, leia o texto final.

Se você escreveu uma reportagem que foi unida a outra ou cortada no fechamento, leia o texto final.

Pode ser que mesmo lendo acabe passando alguma imprecisão que fará a fonte reclamar no dia seguinte: "Não foi bem isso que eu disse". Mas, sem ler, a chance triplica.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h19

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PRIMEIRO DIA

Como nova turma de trainees vai estrear na Redação, vale relembrar esse post, sobre nossos primeiros dias.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h57

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Como nasceu uma pauta

Como nasceu uma pauta

Há um mês (!!!) meu leitor William me pediu que contasse como tinha surgido uma pauta: a matéria em Cotidiano, do Paulo Sampaio, sobre xícaras da Starbucks que os clientes levam para casa "como se fossem souvenirs".

Eu consultei o Paulo, ele me contou como foi, mas acabei me esquecendo de publicar aqui no blog (ei, William, mil perdões). Vai, então, a resposta):

A pauta da Starbucks veio de uma observação do secretário de Redação (não sei se do próprio, ou se algum amigo dele descobriu e contou pra ele). Aí fui lá sem dizer nada pra assessoria (antes), com uma máquina que me emprestaram na fotografia, e entrevistei funcionários --caixa, garçonete etc.

[Copiei a matéria no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h32

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DEFINIÇÃO CLÁSSICA DE NOTÍCIA

Marcelo Soares me chama a atenção para este título do G1, que faz menção a uma frase clássica do jornalismo:

"Notícia não é o cachorro morder o homem; é o homem morder o cachorro".

Na minha avaliação pessoal, o G1 forçou um pouquinho a mão no título. Mas, se a frase da personagem da notícia for acurada, não é mentira que a moça tenha mordido o cachorro.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h19

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NA NOSSA TELA

Finalmente está no site do treinamento a lista de filmes indicados por todos nós.

E, para completar, alguns que já comentamos aqui no blog:

A Montanha dos Sete Abutres

Ausência de Malícia

Leões e Cordeiros

O Jornal 

O Preço da Coragem

Profissão: Repórter

Ressurrecting the Champ e Meu Adorável Vagabundo

Scoop

Zodíaco

Para quem vai ter férias: a lista de livros indicados pelos leitores

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h29

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JORNALISMO NO MUNDO

O aviso é de meu amigo Marcelo Soares:

A BBC está transmitindo uma série de documentários sobre a produção de jornalismo no mundo, na comemoração de seus 75 anos. Eles podem ser baixados como podcasts:

http://www.bbc.co.uk/worldservice/documentaries/2007/12/071204_press_for_freedom_one.shtml

http://www.bbc.co.uk/worldservice/documentaries/2007/12/071206_making_news_one.shtml

http://www.bbc.co.uk/worldservice/documentaries/2007/12/071214_making_news_two.shtml

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h15

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AS VEZES EM QUE NÃO CHECAMOS


Em 1996/1997, cuidava de um programa da Folha cujo objetivo principal era prevenir erros, principalmente de informação.

Uma idéia que tive --e levei a cabo graças ao trabalho paciente e determinado de meu então assistente, Edney Cielice Dias-- foi fazer uma antologia de Erramos: levantar os casos mais exemplares, separá-los em grupos e tirar deles orientações para impedir erros semelhantes.

Os casos que eu copio aqui teriam todos sido evitados com uma simples consulta a uma boa obra de referência. É como mostra o caso que o Diogo contou logo abaixo: mantenha a pulga atrás da orelha. Ou, como no slogan que criei naquela época e que ainda ilustra alguns cartazes na Redação da Folha: não chute; cheque!

 

 

A ARTE DE NÃO CHECAR

"Diferentemente do que foi publicado à pág. 1-14 (Brasil) da edição de 19/3, a Segunda Guerra Mundial começou em 1939, os EUA entraram na guerra em 1941, a Guerra dos Seis Dias foi em 1967, o presidente Richard Nixon (EUA) renunciou em 1974, Margaret Thatcher assumiu o poder no Reino Unido em 1979, o Muro de Berlim caiu em 1989, e o Iraque invadiu o Kuait em 1990." (27.set.95)

MAPA, O IGNORADO

"Macau não é uma ilha, diferentemente do que afirmam o texto da capa e a reportagem publicada na pág. 5-10 do caderno Turismo da edição de hoje. A colônia portuguesa, a ser devolvida à China em 1999, é formada por uma península e pelas ilhas de Taipa e Coloane." (4.fev.93)

BÓSNIOS NÃO SÃO ÁRABES

"Diferentemente do que informou texto publicado à pág. 2-12 (Mundo) de 22/11, os bósnios não são árabes. No século 7° a região foi colonizada por eslavos e no século14, por turcos." (24.nov.95)

O GUARANI

"O guarani, falado no Paraguai, é uma língua e não um dialeto, como foi publicado ontem no texto 'Paraguaias" (Brasil, pág. 1-9)." (5.ago.95)

O CATALÃO

"O catalão é uma língua e não um dialeto do espanhol, como dizia reportagem sobre o judoca Aurélio Miguel publicada em 5 de janeiro (Revista d', pág.9)." (24.jan.92)

CAPITAIS QUE NÃO SÃO

(1) "Está errada a informação de que Israel defende a transferência da capital de Tel Aviv para Jerusalém, como foi publicado à pág. 2/12 (Mundo) de 15/11. Israel sempre considerou Jerusalém a sua capital." (23.dez.95)

Israel sempre considerou Jerusalém a sua capital, mas como parte da cidade é território ocupado muitos países mantêm suas embaixadas em Tel Aviv.

CAPITAIS QUE NÃO SÃO (2)

"A capital da Bolívia é Sucre, e não La Paz, como foi publicado incorretamente na pág. 4-3 do caderno Esporte da edição de 18 de abril." (3.mai.95) Na realidade, La Paz é a capital administrativa e sede do governo. Sucre é a capital legal e sede do Judiciário.

CAPITAIS QUE NÃO SÃO (3)

"Diferentemente do que foi publicado à pág. 6-7 do caderno Turismo da edição de 27 de maio, a capital da Nova Zelândia é Wellington, e não Auckland." (3.jun.96)

CAPITAIS QUE NÃO SÃO (4)

"Diferentemente do que informou quadro publicado na pág. 1-12 do caderno Brasil da edição de segunda-feira, o conflito racial nos Estados Unidos matou 58 pessoas em Los Angeles no último dia 30 de abril, e não 'na capital da Califórnia', que é a cidade de Sacramento." (7.out.92)

CAPITAIS QUE NÃO SÃO (5)

"A capital da Hungria é Budapeste, e não Bucareste (capital da Romênia), como informou texto publicado à pág. 1-12 (Mundo) de ontem." (2.abr.96)

CAPITAIS QUE NÃO SÃO (6)

"A capital da Austrália è Canberra, e não Sydney, como informou incorretamente a nota 'Rainha do deserto', publicada na coluna 'Joyce Pascowitch', à pág. 4-2 (Ilustrada) da edição de 20/9." (24.set.96)

CALIFÓRNIA NÃO É FLÓRIDA

"A Califórnia fica na costa oeste dos Estados Unidos e não da leste, conforme publicado à página 5-1 de Turismo na edição de ontem." (22.jan.93)

HONG KONG NÃO É PAÍS

"Diferentemente do que afirmam os textos sobre cinema asiático do caderno Ilustrada da edição de ontem, publicados nas págs. 5-1, 5-6 e 5-7, Hong Kong não é uma país, mas sim uma colônia britânica." (10.mar.95)

A colônia britânica seria reincorporada à China em julho de 97.

ONDE FICA O MÉXICO?

"Diferentemente do que foi publicado no quadro 'Quem vai dirigir os jogos da Copa 94', à pág. 4-6 de 7/04, o México fica na América do Norte e não na América Central." (11.abr.94)

LA PAZ NOVAMENTE

"Diferentemente do publicado na reportagem 'Tempero da culinária boliviana pode levar o viajante às lágrimas', à pág. 6-8 (Turismo) de 17/6, La Paz não é a cidade mais alta do mundo." (27.jun.96)

AINDA MONTREUX

"Diferentemente do que saiu em reportagem publicada no caderno Brasil da edição de 4 de julho, Montreux fica na Suíça e não na França." (28.jul.93)

HAVAÍ NÃO É PAÍS

"Reportagem publicada à pág. 5-3 (Agrofolha) de 5/3 refere-se incorretamente ao Havaí, Estado norte-americano, como sendo um país." (18.mar.96)

PRA LÁ DE MARRAKECH

"A Abissínia é a atual Etiópia e não Argélia, como afirma texto publicado na página Especial-2 (Acontece) no último dia 15." (27.dez.95)

WASHINGTON E WASHINGTON DC

"A cidade de George foi erroneamente localizada no mapa dos Estados Unidos publicados à pág. 5-8 (Ilustrada de 31/7). Ela fica no Estado de Washington e não em Washington DC." (11.ago.95)

É bastante comum a confusão entre Washington, DC (capital dos EUA, na Costa Leste) e o Estado de Washington (Costa Oeste).

MASSACHUSETTS TAMBÉM NÃO É CIDADE

"A Revista da Folha de 2/6 grafou incorretamente o nome da cidade de Massachusetts, à pág. 10." (6.jun.96)

"Massachusetts é um Estado norte-americano, diferentemente do que informou nota nesta seção no dia 6/6." (8.jun.96)

LITORAL BOLIVIANO?

"Texto à pág. 4-4 (Esporte) de ontem informou incorretamente que a cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, fica no litoral." (7.abr.00)

A Bolívia não tem litoral.


CAPITAIS QUE NÃO SÃO (7)

"A capital da Flórida, Estado norte-americano, não é Miami, como informou o texto 'Miami assiste a inflação de brasileiros', publicado à pág. 5-9 (Ilustrada) de 2/6. O correto é Tallahassee." (9.jun.97)

CAPITAIS QUE NÃO SÃO (8)

"Diferentemente do que diz a nota 'Longe do fogo', publicada na coluna 'Painel' de 28/3 (pág. 1-4), a capital da Suíça não é Zurique, mas Berna." (1.abr.00)

IRÃ NÃO É PAÍS ÁRABE

"Diferentemente do que foi publicado à pág. 1-21 (Mundo) de 1/11, o Irã não é um país árabe. Tem população de origem persa." (24/11/98)

Trata-se erro recorrente, publicado três outras vezes
.

CAPITAL DA GUATEMALA

"Tegucigalpa é capital de Honduras e não da Guatemala, como foi publicado na pág. 1-10 (Mundo) de ontem. A capital da Guatemala é a Cidade da Guatemala." (3.nov.98)

ROMENOS SÃO LATINOS

"A população da Romênia não é eslava, diferentemente do que foi publicado em quadro na pág. 1-22 (Mundo) de 28/3. Os romenos são considerados latinos." (29.mai.99)

ARISTARCO E COPÉRNICO

"O texto 'FMI compara linha de ajuda a Copérnico' (Dinheiro, 2-4), publicado em 20 de maio, informou incorretamente que Nicolau Copérnico foi o primeiro a propor que o Sol está no centro do Universo. Aristarco, astrônomo grego que viveu entre 310 a.C. e 250 a.C., foi quem primeiro cogitou tal hipótese."(1.ago.99)"

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h39

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INSTRUMENTO BÁSICO DE CHECAGEM


pulga: mantenha atrás da orelha

Meu colega DIOGO BERCITO conta como quase publicou uma informação errada:

Aproveitando o ensejo, tenho uma sugestão pro blog.

É um assunto meio batido: checagem de informação.

Mas é muito engraçado, porque mesmo isso sendo bastante simples (adoro a frase que tem em cartazes aqui na Redação: "não chute, cheque") eu quase cometi um deslize hoje. Estou agradecendo aos céus por eu ter percebido a tempo.

Eu estou fazendo uma matéria para Negócios sobre literatura. É um assunto que eu gosto muito e, por isso mesmo, deixei de checar algumas coisas. Por exemplo, a nacionalidade do escritor Italo Calvino.

O Calvino é um dos meus escritores favoritos. Li alguns livros dele, tanto em português quanto em italiano - a língua da edição original dos textos.

E, exatamente por conhecer ele bem, não me dei ao trabalho de pesquisar a biografia. Como ele escreve em italiano e morou na Itália eu sempre achei que ele fosse italiano mesmo. Era meio óbvio, né? Ele se chama "Italo", por que não seria italiano? Não me parecia uma informação sujeita a qualquer erro.

Daí hoje, enquanto tomava café da manhã e lia o Folhateen, bati o olho em um texto que falava dele. "O escritor cubano...". Peraí, Cubano? Na hora, dei risada, pensei que a pessoa que tinha escrito estava distraída. Mas daí fiquei com a pulga atrás da orelha. Não estava muito atrasado e resolvi tirar a dúvida. Abri um livro dele, li o perfil na orelha... Ops, nascido em Cuba.

Fiquei com tanto medo de me esquecer de corrigir o texto que escrevi na mão.

Nunca ia me perdoar pela distração. Acabei de chegar na redação e aproveitei pra te contar essa história, de repente ajuda mais alguém. A lição é bem simples: não seja arrogante, cheque.

Clara Fagundes conta seu quase Erramos
Dicas para checar direito informações

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h01

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5 PERGUNTAS SOBRE A PROVA DO TREINAMENTO

Minha leitora Mariana, de São Paulo, faz cinco perguntas sobre a prova da 45ª turma do programa de treinamento: "A prova foi difícil? Ouvi dizer que sim!! quantas pessoas fizeram a prova, afinal? que dia sai o resultado da prova? quando vc vai colocar a prova no ar, no site? e o gabarito? não vai ter mesmo?".

As respostas:

1. a prova é concebida para não ser fácil. Como os candidatos são todos bons, se a prova for fácil, todos tiram a mesma nota e não consigo selecionar 40.

2. chamamos 220 candidatos. Ainda não conferi as listas de presença para saber quantos vieram, mas devem ter sido 200.

3. o resultado sai em janeiro, mas, como sou eu que corrijo todas as provas, não sei dizer ainda em que dia terei terminado. Vai depender das outras tarefas que tiver nesse período.

4. vamos colocar o teste no site nesta semana.

5. nós não colocamos o gabarito porque faz parte da minha "intenção pedagógica" que os candidatos pesquisem e se informem por conta própria. Quando a gente faz isso, aprende mais que simplesmente lendo o gabarito.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h56

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SERIA, TERIA

SERIA, TERIA

Sobre as pseudo-informações dadas no condicional, de que tratamos ontem no post sobre um texto do New York Times, a Tainã, do Rio, sugere o texto "A objectividade como ritual estratégico", da Gaye Tuchman. Segundo ela, "dá pra encontrar nas famosas compilações do Nelson Traquina".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h51

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JORNALISMO MULTIMÍDIA

JORNALISMO MULTIMÍDIA

A Fundação Knight está fazendo até dia 21 um seminário sobre jornalismo multimídia. Parte dos cursos está on-line e de graça no site deles.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h10

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PODER E DEVER

O "melhor jornal do mundo", como se diz por aí, é humano e erra como a gente.

Minha amiga RENATA LO PRETE me mandou este comentário de Roy Greenslade, do Guardian, mostrando como texto publicado pelo Times contra Murdoch era cheio de falhas (texto esse que, por coincidência, foi traduzido hoje pela Folha).

Muitos têm bons motivos pra detestar Murdoch, mas faz bem separar opinião de informação. E o blog britânico vai desconstruindo ponto a ponto o artigo do jornalão americano.

Renata, sempre brilhante, pinçou do texto este trecho, que vale a pena ler. Greenslade transcreve um parágrafo do texto do NYT:

A year from now the newspaper could have a large contingent of reporters and editors hired under Mr. Murdoch and not rooted in The Journal's traditions. They would also be people who did not live through the anxious months when many newsroom employees opposed the takeover and questioned Mr. Murdoch's journalistic ethics. "It has the makings of a pretty big cultural shift," a veteran reporter said.

E aí comenta: "The italics are mine, of course. Could and would. Those little conditional words that allow a reporter to say anything he likes. There's more, but note the final sentence which, in a sense, makes a nonsense of all that has gone before".

Traduzindo: pode e deve, essas duas palavrinhas que permitem que um repórter diga qualquer coisa que lhe der na telha.

[Copiei o texto do NYT no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h55

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JORNALISMO NAJA

PH RODRIGUES fala sobre seus planos, agora que o programa de treinamento terminou.

Sim, acontece, e o Universo (leia-se Ana) conspira para que a vaga tenha a sua cara. Eu, que sou uma naja assumida, estarei na Ilustrada a partir de janeiro -depois de passar as boas festas na caatinga, bioma das cascavéis.

Explico o que é naja. É uma gíria gay que reúne três características: esperteza, ironia fina e sarcasmo. É também o nome de uma cobra hipervenenosa. Mas isso é só um detalhe...

Ser naja não é necessariamente ruim. No jornalismo, é até bom. Você, certamente, já ouviu falar em gonzo journalism e em new journalism. Este, dada a idade, podia até trocar de nome. Mas, enfim e então, existe o jornalismo naja, sim.

A coluna da Mônica Bergamo é um exemplo. Trata celebridade de forma crítica, não destrata, mas também não lambe, como fazem muitos adeptos de outro tipo de jornalimo, o RP.

"Outro Canal", do Daniel Castro, também se insere na escola najística. Os globais se incomodam muito com o que ele escreve. Estão acostumadíssimos com elogios.

Mas a Ilustrada é crítica também na dança, no cinema, na música, no teatro e... na gastronomia. Esta é meu motivo-mor para mirar a editoria. Nove entre dez focas sonham em ser correspondentes internacionais. Sobro euzinho, que gostaria de ser crítico de gastronomia.

Citando o Evandro Spinelli, repórter de Cotidiano, ema, ema, ema, cada um com seus "pobrema". O Josimar Melo e a Janaina Fidalgo já fazem isso muito bem. Não pretendo tomar o lugar de ninguém. Na paz. Seria muita najice... Mas estar perto já é um começo. Talvez só o começo.

MUITO improvável que eu consiga resenhar restaurantes. Mas tentarei. E tentarei na Folha, um dos poucos jornais do país em que tenho essa chance. No Brasil, ainda há críticos que pagam a conta com uma resenha elogiosa.

Se meus planos falharem, juro: farei o "Le Cordon Bleu", criarei um bistrô em Canoa Quebrada e chamarei Ana, Josimar, Janaina e os ex-trainees para o convescote da minha estréia.

Você também está convidado.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h47

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CADA ENTREVISTA COM SUA PERGUNTA

Falamos outro dia de como, para obter respostas mais detalhadas, é preciso escolher as perguntas.

Os leitores mataram logo a charada da matéria que precisava ouvir crianças: não dá para fazer questões cuja resposta seja sim ou não.

Se a gente perguntar "Você sentiu medo?", o guri vai dizer "Sim". Para extrair mais dele é preciso perguntar "Quando você percebeu que estava perdido, o que é que você fez?". "Qual foi a primeira pessa em que você pensou?" "O que você achou que iria acontecer?" "E depois, o que você fez?".

Dito assim, parece simples, mas não é.

Já comentei aqui que faculdades americanas estão dando aulas aos alunos de como falar com os outros (o que eles chamam de communications skills).

Outro dia meu amigo Marcelo Soares me mandou este link, da "Press Gazette", em que o tema era justamente como melhorar suas entrevistas. Eles abordam também essa questão da pergunta aberta ou fechada:

Aquelas que começam com "É", "Foi", "Você fez", "Você vai" resultam em sim ou não. Para conseguir algo mais, é preciso perguntar "Como", "Por que", "Quanto", "O que", "Conte-me".

Diz o site: em vez de Foi a primeira vez que isso aconteceu com você?, diga Fale-me sobre outras vezes em que tal coisa aconteceu com você.

Mas estamos falando de um tipo específico de entrevista, aquele em que estamos interessados no perfil do entrevistado, na história que ele tem para contar, no seu pensamento.

Há casos em que o que queremos são respostas objetivas. O senhor vai votar contra ou a favor? O senhor vai assinar contrato com o Palmeiras? O senhor será candidato?

Quando é preciso extrair informação ou cobrar uma posição, perguntas fechadas são as mais eficientes.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h53

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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