Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

TV e sensibilidade - o que, como e quando mostrar

Minha leitora Clara, de João Pessoa, trabalha na TV e, com freqüência, traduz no seu blog textos interessantes sobre jornalismo televisivo.

Ela traduziu uma coluna que tinha lido no site do Poynter, sobre uma reportagem muito delicada que foi ao ar nos EUA.

A matéria mostrava que doentes de Alzheimer podem acabar se apaixonando por outras pessoas, embora sua mulher ou marido continuem vivos. E o personagem principal é o marido de uma ex-juíza da Suprema Corte dos EUA.

O Poynter entrevistou a repórter e o produtor sobre como surgiu a história, dificuldades que eles tiveram e como tomaram decisões --dentre elas, a de incluir a cena acima, em que o marido da ex-juíza segura a mão de sua nova paixão.

Clique aqui para ler a tradução feita pela Clara.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h34

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SEMINÁRIO ON-LINE DE JORNALISMO LITERÁRIO

SEMINÁRIO ON-LINE DE JORNALISMO LITERÁRIO

O blog literário El Boomeran(g) e a FNPI começam hoje o 1º seminário virtual de jornalismo e literatura, batizado de A Grande Viagem de Kapuscinski.

Não conhecia esse blog, que achei bem interessante para quem gosta de estudar novas formas de narrar. Como exemplo, uma aula sobre descrição.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h36

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DE GRAÇA, EM PORTUGUÊS

O Centro Knight traduziu para o português um dos mais elogiados livros sobre jornalismo na era digital, "Jornalismo 2.0", e colocou de graça na rede.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h09

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A QUENTE, MAS A FRIO

Se você já leu os relatos de SILVIO NAVARRO e VALDO CRUZ, logo abaixo, contando a correria de uma cobertura a quente, vai descobrir um outro lado na história de GUSTAVO PATU: aquele que tem que ser preparado antes, com pesquisa, preparo, análise e antecipação.
 
Se não leu ainda, aproveite e leia logo depois.
 
Minha tarefa principal na cobertura era mostrar o que aconteceria com o Orçamento do governo em qualquer dos três desfechos possíveis para a CPMF, ou seja, derrubada, adiamento ou aprovação. Comecei trabalhando com as duas primeiras hipóteses, que davam maior trabalho braçal. Passei o dia na Redação, levantando todas as estimativas de receitas e despesas para 2008, do Executivo e do Congresso, para calcular o impacto da perda de arrecadação e mostrar que áreas estariam mais sujeitas a cortes de gastos. No início da noite, estavam prontos uma arte e dois textos parecidos, para as hípóteses de adiamento e derrubada da CPMF.
 
Para a hipótese de aprovação da CPMF, era necessário primeiro descobrir que acordo poderia ser fechado entre o governo e o PSDB. Ao longo do dia, circularam informações de que o Planalto passaria para a área de saúde toda a arrecadação da CPMF, sem prejuízo das demais fontes de receita do setor. Pesquisei o orçamento da saúde e os números indicavam que essa promessa era impossível de cumprir. Tratava-se elevar os recursos de R$ 44 bilhões neste ano para quase R$ 70 bilhões em 2008, um acréscimo de verba que nem o ministro mais competente do mundo conseguiria gastar em um ano.
 
Às 21h, fui para o Congresso tentar obter a proposta do governo, o que, é claro, todo mundo estava tentando também, incluindo os senadores. A cúpula do PSDB estava vazando alguns números, mas não havia nada oficial. Fiquei uma boa parte do tempo no salão reservado para o cafezinho dos senadores, que é contíguo ao plenário, onde se aguardava a chegada de um emissário do Palácio do Planalto com uma carta do presidente Lula formalizando a proposta. Lá pelas 22h, o líder do governo, Romero Jucá, já estava espalhando a proposta do governo, que, previsivelmente, não era dar toda a CPMF para a saúde.
 
Já eram umas 22h45 quando as cartas _eram, na verdade, uma do Lula e outra dos ministros Mantega e Walfrido_ foram tornadas públicas, o que rendeu uma matéria menor para a edição São Paulo. A votação, porém, só aconteceu à 1h10, e apenas a edição fechada após esse horário trouxe o texto que estava pronto desde o início da noite.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h46

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VALDO CRUZ LEVA VOCÊ AO CONGRESSO

VALDO CRUZ LEVA VOCÊ AO CONGRESSO

Acompanhe com o repórter especial da Folha alguns detalhes da cobertura da CPMF:

Bem, foi uma cobertura cansativa e tensa.

Chegamos ao Senado logo pela manhã de quarta-feira e lá ficamos até as 2h de quinta-feira, depois da derrota do governo.

No meu caso, ficava circulando entre o Senado e o Palácio do Planalto. Os dois prédios são próximos aqui em Brasília. Dá para ir de um ao outro em dez minutos, caminhando. Como estava ali atrás dos bastidores das negociações, tinha de ficar procurando os senadores em seus gabinetes e depois ir até o Planalto falar com assessores e ministros.

Deu pra fazer isso até as 17h, porque depois tive de ficar só no Senado, afinal a turma do Planalto já não queria falar mais pessoalmente, só por telefone, o que dificulta um pouco a conversa, mas era a saída.

Acho que minha conta de celular vai explodir, porque falava a todo instante por meio dele.

Uma cena presenciada por mim no plenário foi bem interessante. Consegui ter acesso a um local proibido para jornalistas, ao fundo do plenário. Dali, testemunhei quando o líder do governo no Senado, Romero Jucá, chegou com a duas cartas do Palácio do Planalto formalizando uma proposta de negociação. Aí, deu para ouvir ele dizendo que ou os tucanos votavam com o governo ou a CPMF seria derrotada.

Em seguida, começou a bater um desespero entre os tucanos, começaram a se reunir no meio do plenário, afinal tinha muito senador do PSDB que não queria derrotar a CPMF. Só que já era um pouco tarde para uma negociação final. Mais tarde, por volta da 1h, veio a votação.

Quem comemorou foram os senadores do Democratas. Eles já estavam até preparados para a vitória. Lá no plenário estava a produtora Paula Lavigne, fazendo filmagens dos democratas comemorando a derrota do governo. Os tucanos ficaram em suas cadeiras. E os governistas atordoados.

Leia também o relato do Silvio Navarro

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h15

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CASCAS DE BANANA, BARRINHAS DE CEREAL

CASCAS DE BANANA, BARRINHAS DE CEREAL

Meu colega SILVIO NAVARRO, repórter da Sucursal de Brasília, conta como foi fazer (e refazer) uma cobertura inteira em alguns minutos:

Antes de falar das 15 horas que trabalhamos na quarta/madrugada de quinta, vale dizer que os dois meses de tramitação da CPMF no Senado foram uma das mais desgastantes coberturas de Congresso no ano. Quando a emenda foi derrubada, por volta da 1h de quinta, é inevitável dizer que ficou um suspiro: Ufa, acabou!

A pressão nos últimos minutos foi enorme para tentar colocar no jornal o maior volume de bastidor e fazer com que ele saísse o mais atualizado possível já que a sessão rolou madrugada a dentro. Dá para dizer que tivemos cerca de 20 minutos para fechar quilos de textos na última edição. E, como as negociações não cessavam, o chassi das matérias anteriores estavam velhos. Ou seja, muita coisa ia para o lixo em questão de minutos.

A divisão de tarefas acabou se embaralhando um pouco. O Patu cuidou da parte técnica das propostas lendo os números surreais que se colocavam na mesa.

A hora avançada no dia da votação também fez com que trabalhássemos em ritmo de jornalismo online. Enquanto um estava debruçado sobre o texto no comitê de imprensa, o outro avisava do plenário, por telefone, o placar da votação e o mapa dos votos. Na sequência, sobravam dez minutos para colocar no jornal uma repercussão fresca e o bastidor exato de quando o governo de fato jogou a toalha.

De repente, Arthur Virgílio e Pedro Simon travam um bate-boca tenso. Já é quase 1h da madrugada. "Caramba, isso tem que entrar na matéria, pára tudo. Vai retranca separado? Mas dá tempo? Quantos laptops a gente têm?"

Dá para afirmar que trabalhamos quase 24 horas em cima da CPMF desde segunda, já que as reuniões entre governo e PSDB passaram a acontecer nas madrugadas. Os bolsos estavam cheios de barrinha de cereal (as lanchonetes no Congresso operam em horário comercial). Acordos eram fechados e rompidos horas depois. Houve muito ruído, cascas de banana, plantações. Na manhã seguinte, os cenários que tínhamos apurado estavam do avesso. Enfim, a CPMF caiu e já era quinta-feira, a gente estava esgotado, mas no day after...

No day after, já vimos, foi uma boa cobertura, com elogios do ombudsman.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h01

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45 MINUTOS E UMA MANCHETE

Estas duas capas são do mesmo dia, a edição de ontem, 13/12:


Não haveria muita novidade nisso, o jornal fecha a edição Nacional às 20h30 e a São Paulo às 23h30 e pode mudar a capa nesse intervalo.

Mas a questão aqui é que, quando fechou a Nacional, estava em curso a votação da CPMF, e ninguém sabia quando ela ia terminar e que resultado teria.

O fim veio à 1h11 e o resultado foi estampado pelo jornal à 1h56. Foram 45 minutos para mudar toda a edição, tempo curto e, na avaliação do ombudsman, bem aproveitado pelo jornal (leia na nota "1h11").

Vocês conseguem imaginar a correria? Será que foi uma correria? Ou estava tudo planejado? Dá para planejar com antecedência algo tão imprevisível?

É o que eu vou tentar descobrir com os envolvidos na cobertura, por ótima sugestão do meu leitor André.

Aliás, gente, aproveito pra lembrar que este blog é aberto a sugestões dos leitores. Você tem alguma dúvida sobre como é feito o jornal? Ou passaram um pepino pra vc resolver na faculdade ou no trabalho e gostaria de sugestões? Tem vontade de saber como algo que leu foi feito? Como trabalhou tal repórter em determinada cobertura?
 
Pois escreva, sugira, pergunte. O blog vive disso também.
 
Bem, quando eu tiver respostas sobre a CPMF, volto a escrever.
 
OUTROS POSTS SOBRE FECHAMENTO E CORRERIAS LEMBRADOS PELO ANDRÉ
Um dia no fechamento da Primeira Página
O que fazer quando o jornal está fechando e não temos certeza do que vai acontecer
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h53

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ERRAR É FÁCIL. DIFÍCIL É ADMITIR.

Mas é admitindo que se aprende, porque te faz pensar no motivo que levou ao erro e em como evitá-lo no futuro [lembram-se daquele erro que fiz quando mal tinha entrado na Folha?].
 
A meu pedido, CLARA FAGUNDES conta aqui como quase deu seu primeiro Erramos:
 
Venho, a pedido, confessar publicamente um erro que não cometi. Explico: errada bem que eu estava, mas a informação saiu certinha na edição de quarta. Foi assim:
 
Nossa prioridade do dia eram os atentados de Argel. Até por cobrirmos pouco o norte da África, a editora decidiu dar uma matéria completa, didática. Três pessoas fariam o material, que deveria sair em Mundo2 (edição "extra", que é impressa mais cedo). Um verdadeiro mutirão, para os padrões da editoria. Um colega escreveria o abre da página; outro --o mais experiente--, uma análise sobre as milícias islâmicas argelinas; eu --a foca-- cuidaria da arte.
 
A "arte" era enorme: uma descrição dos atentados, baseada nos relatos da agências, e uma cronologia da crise política argelina desde a morte de Rafik Hariri, baseada em... em... bem, baseada no que eu conseguisse encontrar. Montei logo um esqueminha das explosões e passei para a editoria de Arte para que os infografistas pudessem trabalhar enquanto eu me debatia na cronologia.
 
O número de mortos oscilava ao balanço do ventro entre governo, agências e veículos locais. Diante de tantas informações desencontradas, a matéria passou para o caderno normal (que fecha no horário padrão), para acompanharmos melhor o caso.
 
Eu teria, portanto, muito tempo para conferir tudo mais uma vez: a tradução do nome do grupo, grafia de nomes e outras miudezas. Datas checadas, rechecadas, parti para a padronização.
 
Expremida por um anúncio, a arte foi reduzida à metade. Mas tudo bem: eu tinha, coisa rara, muito tempo para aparar o texto da cronologia, à pinça. Li os textos dos colegas e acabei optando por tirar da arte o número de mortos, já que o abre trazia vários: o oficial (que não refletia a dimensão da tragédia) e os números das agências (pouco mais que especulações). Impossível errar. Eu só tinha uma única coisa para fazer durante uma hora inteirinha.
 
Tudo ok, as páginas foram impressas e seguiram para a gráfica. Até que um colega me pergunta, numa quase-afirmação, "você não leu o meu texto?".
 
Eu tinha lido.
 
Mas, mesmo assim, não chequei a ordem dos atentados, absorvida que estava na incoerência do números e no dilema linguístico de grafar Hajj ou Hadj [[hadj é mais fiel à fonética]]. A informação principal da arte, destacada com fotografia, estava errada.
 
Eu peguei os dados cedo, numa agência, e não acompanhei as atualizações. Pior: não conferi o que estava no texto principal, a ser publicado ao lado do meu. Pior: o texto onde eu supostamente pegara a informação, notei depois, não tinha a ordem dos atentados. Eu, sozinha, concluíra a ordem das explosões pela lógica do despacho (que, no caso, não é macumba: é texto de agência mesmo).
 
Corri para a editora. "A arte tem um erro de informação!".
 
A página, graças a um atraso providencial da editoria de política, ainda não tinha começado a rodar. Por pouco.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h58

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SAMBA

Minha leitora Priscila, que mora no Rio, tem um blog bem bacaninha sobre música brasileira.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h56

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AÇÃO PARA O FIM DE SEMANA

A lista geral eu continuo devendo, mas mando abaixo as sugestões do Tariq, perfeitas para os jornalistas que sonham com uma vida de ação.


Diamante de Sangue

- Bem-vindo a Sarajevo (1997): baseado em fatos reais de um repórter britânico na Bósnia, em que ele conta a história de um orfanato e tenta salvar as crianças com aajuda de outro repórter (Woody Harrelson) e adota uma menina bósnia.
- Profissão: repórter (1975, acho eu): o clássico com Jack Nicholson, aliás, outro filme que me inspirou muito. Este é obrigatório, vai fundo no conflito interno que um jornalista pode passar.
- Salvador, martírio de um povo (1983): sobre a guerra civil em El Salvador, com o James Woods, que interpreta um fotógrafo que acaba simpatizando com a luta do povo salvadorenho.
- Brigadas Vermelhas (1991, original chama-se Year of the Gun): se passa em 1978 e conta a história de um jornalista (Andrew MacCarthy) e a fotógrafa (Sharon Stone) sobre a turbulência política na Itália e as brigadas vermelhas. O curioso é que a personagem de Sharon Stone termina o filme em Beirute, em plena guerra civil.
- Diamante de Sangue (2006): a guerra civil em Serra Leone que une uma jornalista, um mercenário e um africano local em busca de seus objetivos. Muito bom.
- Cabul Express (2004): esse é um filme indiano, que conta a história de dois jornalistas de TV da India e seu motorista afegão que se metem no meio do Afeganistão após a queda do Talibã. Eles acabam encontrando uma fotógrafa norte-americana e são sequestrados por um talibã que quer crizar a fronteira para o Paquistão. Une humor, drama e ação.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h42

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A técnica do menos pior

Pago aqui uma das três dívidas que tinha com vocês.

Quem me ajuda é meu colega Giovani Grizotti, Prêmio Esso de TV neste ano (que ganhou com outros dois repórteres da Rede Brasil Sul).

Grizotti é daqueles que gostam de descascar abacaxi, desmascarar corrupções e mostrar falcatruas. Ou seja, quase todo entrevistado dele tem motivo pra querer fugir da entrevista.

Como é que ele resolve, então, quando o sujeito não quer falar? 

Giovani Grizotti - Olha, Ana, quando o acusado não quer falar, a gente destaca isso na matéria, e deu. Agora, noves fora o contraponto obrigatório, fundamental em qualquer matéria, às vezes é interessante a posição do acusado, jornalisticamente falando. Principalmente nos casos em que ele é flagrado confessando um crime. Assim, a matéria vai mostrar ele admitindo e, depois, negando. É o extremo da desfaçatez.
 
A posição do acusado também é  extremamente necessária quando se tem alguma dúvida sobre o que vamos publicar. Ou seja, quando o material que coletamos não fundamenta muito bem uma reportagem. Nesse caso, a confissão da irregularidade por parte do acusado, seja qual for a explicação que ele vai dar, nos dá uma certa garantia. Já aconteceu de eu desistir de uma matéria depois de ouvir o "outro lado". 
 
Meu argumento quando um acusado não quer dar entrevista: CARA, TENHO DOIS MINUTOS PARA A MATÉRIA, 30 SEGUNDOS ESTÃO RESERVADOS PARA TUA DEFESA. SE TU NÃO FALAR, VOU PREENCHER MEU TEMPO COM MAIS DETALHES SOBRE A ACUSAÇÃO CONTRA TI. Geralmente dá certo. 

Novo em Folha - (risos. A entrevista era por e-mail, mas eu ri, mesmo assim. Só de pensar no Grizotti dando esse truque no cara, e com esse sotaque de gaúcho, já dá pra imaginar a cena) E se o cara não fala mesmo, como você resolve? Põe você lá falando no ar que ele não quis? Deixa pro apresentador falar? Mostra a fachada da empresa dele?

Grizotti - As três coisas, dependendo do caso. Quando a gente quer ressaltar que o cara não foi encontrado, vamos ao endeço dele com câmera gravando e mostramos que o cara não está ou não quer falar. Semana passada, por exemplo, fomos a uma delegacia atrás de um policial acusado de corrupção, que estava em licença. E gravamos os colegas dizendo que o agente não estava.
 
Também dá para tentar o telefone, e gravar o cara dizendo que não quer falar. É uma garantia para casos de processo em que o acusado alega que não teve chance de se defender...

A questão original

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h23

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O PRIMEIRO DIA NA VIDA DE UM HOMEM

Tá, confesso, o título ficou sensacionalista, mas RICARDO SANGIOVANNI, da turma que acabou de acabar, conta abaixo com foi seu primeiro dia na Redação:

First day in Mundo 
 
Após o treinamento, o primeiro dia de trabalho na Redação só acaba, na verdade, no segundo. E o segundo no terceiro, e o terceiro no quarto... e por aí calendário a dentro, até o penúltimo dia que o sujeito agüentar - porque o último coincidirá, na verdade, com o primeiro depois do fim. Porque "um" dia, quando se faz o jornal nosso de cada dia, na verdade são "dois": o dia em que é feito e o dia que sai o jornal. Somados. (Explico para quem ler até o fim). 
 
Ainda por cima, para quem se aventura nessa história de trainee, embora bastante bem treinado, obrigado, após três meses de programa, não há treinamento que chegue para aplacar por completo a tensão do primeiro dia de trabalho. Porque, esteja o sujeito (e sinta-se) ou não preparado, entre ele numa editoria tranqüila ou n'outra mais efervescente, demonstre ele estar mais ou menos tenso... a tensão, na real, está lá. Começar é sempre a mesma coisa.
 
Não tremi nas bases nem gaguejei, mas confesso: fiquei ansioso. Da reunião de pauta de Mundo, onde fico até o fim deste mês, até segunda ordem, saí com uma arte para fazer, para a matéria que vinha da enviada à Bolívia, e uma nota sobre o encontro entre um presidente e um ditador: Nicolas Sarkozy, da França, e Muammar Gaddafi, da Líbia. Não confundam as bolas. No mais, olho vivo no trabalho e atenção aos toques dos colegas. Com o sistema, como de praxe, alguns problemas: não ficou pronto a tempo meu acesso ao diretório no SDE (o programa de edição de textos do jornal), que só consegui resolver no dia seguinte. E o webmail da Folha deu pau, tive que sucumbir de supetão ao ruim e velho Outlook. No fim do dia, outra notinha, no afogadilho, e fim de papo.
 
Trabalho feito, fim da jornada. Ou não, ainda: e o medo do famigerado "Erramos"?
 
Sim, caros leitores da Ana Estela: saber bem como se faz e fazer tudo bem feitinho, com esmero (escrever, ler, reler, reler, escrever, ler, reler), não nos blinda dessa sensação menor - lembrem-se: trata-se do primeiro dia de trabalho na Folha! Tranqüilidade mesmo, rapazeada, só no dia seguinte, quando você cumprimenta a editora e tem certeza que o primeiro "Erramos" da sua vida não foi no seu primeiro dia de trabalho.
 
Maravilha, não é? É, bebé, mas ainda falta a primeira semana, o primeiro mês, o primeiro semestre, o primeiro ano... êta vida longa! 
 
Vida longa - na Folha e/ou (sobretudo) na vida - aos trainees!
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h16

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Sobre a Daslu, a favela e outras pautas

RAFAEL TARGINO conta o que aconteceu com ele depois do treinamento:
 
O treinamento acabou em uma sexta, a Ana saiu de férias no sábado e, na segunda, todos se olhavam com aquela cara de "e agora?". Eu tive sorte. Fiquei só três dias na espera. Enquanto fazia um frila pro Folhateen, a Juliana me liga e diz: "Acabaram de ligar de Cotidiano pedindo alguém 'pra ontem'. Você quer?" No dia seguinte, parei aqui em Coti com um contrato de 15 dias, pra cobrir alguma coisa que até hoje eu não sei muito bem o que foi  (férias? sabático?).
 
Estou até hoje aqui, como repórter. Já se passaram seis meses _o tempo suficiente para 'derrubar' quatro aviões, 'instalar' 16 semáforos na av. Paulista, 'desocupar' uma favela, perder horas no trânsito e outros 'mimos' que só São Paulo oferece.
 
De verdade, eu gosto do que eu faço aqui. Para quem é de fora, é uma oportunidade de conhecer e entender um pouco mais São Paulo: se fosse possível, ia todo dia para um lugar que eu nunca fui na cidade fazer pauta. Claro que nem sempre dá _vide as vezes em que eu fui pra Congonhas (umas três semanas, todos os dias)_, mas só a perspectiva de que isso pode acontecer me anima muito. E, sim, antes que me perguntem, já fiz meu début no Erramos.
 
Sou fascinado pela "imprevisibilidade" de Cotidiano. Ontem mesmo, comecei o dia em uma pauta na Daslu e terminei em uma desocupação de favela na marginal Pinheiros. Dois extremos sociais da cidade, gente diferente e com "cabeças" diferentes. A gente sempre aprende alguma coisa, é certo.
 
Para quem está saindo do treinamento agora, a única coisa que dá pra dizer é "calma." Pode até demorar, mas as coisas costumam acontecer.
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h07

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JORNAL SEM PAPEL

Não, não é um jornal on-line.

É sem papel, mesmo.

Quem me mostrou foi meu colega ALEC DUARTE, que achou o caso no El Mundo.

Meu (ex-)trainee PH RODRIGUES avisa que a Folha publicou o caso, e hoje o site do jornal venezuelano informou que o papel reapareceu.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h42

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POLÍTICAS CONTRA A FOME

POLÍTICAS CONTRA A FOME

As inscrições estão abertas para o Primeiro Curso para Comunicadores sobre Políticas contra a Fome na América Latina e Caribe. O curso é à distância e será ministrado por Juan Francisco de la Puente Mejía (jornalista, advogado, analista político e um dos idealizadores do Juntos, programa peruano de transferência de recursos com condicionalidades).

As aulas serão em espanhol e terão a duração de sete semanas, de 4 de fevereiro a 21 de marco de 2008.

O tempo estimado que o participante deve dedicar ao curso é de 8 a 10 horas semanais.

As inscrições podem ser feitas online até 4 de janeiro de 2008 na página http://www.fodepal.org/Cursos/postula_por.htm.

O curso custa US$150 (US$125 caso o pagamento seja feito até 18 de janeiro).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h16

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HISTÓRIAS DO NEW YORK TIMES

HISTÓRIAS DO NEW YORK TIMES

Um livro que acabei de ver sobre a mesa da RENATA LO PRETE e que parece bem legal: "Histórias do New York Times - os casos que comoveram os repórteres do jornal mais importante do mundo". Foi editado pela Ediouro e organizado por Lisa Belkin.

Por falar em Lo Prete, ela também me mandou uma dica muito legal sobre um entrevero jornalístico global, que em breve coloco aqui pra todos (só falta tempo).

E, por falar em promessas e falta de tempo, deixa eu enumerar aqui o que estou devendo, pra vcs não acharem que esqueci: um comentário sobre o exercício de perguntas (o das crianças que não respondiam nada), a visão de alguém da TV sobre como ilustrar o vazio e a lista de filmes.

Devo, não nego. Pago assim que puder. Juro!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h23

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Jornal ideal para o verão

É a dica da Flavia, de Brasília:

Seu post sobre as férias me lembrou uma crônica do Luis Fernando Veríssimo sobre esse preguiçoso período que se aproxima - o verão. Pra quem fica na redação, Veríssimo dá dicas bem humoradas (e exageradas) sobre o que escrever. O texto faz parte de um livro que reúne "as melhores crônicas da vida íntima" do autor gaúcho.
 
Abaixo, o primeiro parágrafo do texto:
 
Frivolidades da estação
 
Uma das tantas regras não-escritas do jornalismo é a de que no verão as pessoas querem uma leitura leve. Assim como os livros para ler nas férias - nada que mobilize mais que um certo número de neurônios, na presunção de que os outros estão desativados até março - os jornais não devem exigir muita atenção de leitores mais interessados em se divertir, descansar ou simplesmente esquecer o mundo e suas más notícias. O jornal ideal para o verão seria aquele em que só a data e a previsão do tempo fossem informações sérias, e assim mesmo até os anúncios de vendavais fossem descontraídos. E, claro, nada de maus presságios nos horóscopos.
 
 
Aliás, esse livro é uma boa sugestão para aqueles que querem aproveitar o tempo livre das férias com uma leitura gostosa! =) O nome da obra é "Histórias brasileiras de verão - as melhores crônicas da vida íntima" (ed. objetiva)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h57

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NÃO É BOLINHO, NÃO

O Tariq conta uma ótima história hoje no seu blog, sobre as agruras da vida de repórter. Pra ele, deve ter sido de chorar, mas a gente acaba dando risada.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h47

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Educação

Ricardo Meirelles, que é um guia ambulante de informações, avisa sobre o Dicionário Interativo da Educação Brasileira: "Não é grande (são 475 verbetes), mas alguns verbetes são interessantes e bem explicados".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h24

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Pergunte ao bonde

Qual é o destino dos trainees quando se formam?
 
VERENA FORNETTI conta a história dela:
A semana depois do fim do treinamento é bem difícil. Mas é porque a ansiedade para definir o futuro é enorme e não há nenhuma pista do que vai acontecer, e não porque ninguém quer que você trabalhe no jornal.
 
Não lembro quantos dias esperei até conseguir uma vaga, mas lembro que fiz matérias para Turismo, Construção e Ilustrada nesse período.
 
Lógico que estou contando isso com calma porque o tempo passou. Na época, fiquei chateada. Depois de um concurso em que não passei, a Heide (assistente da Ana conhecida como madrinha dos trainees) disse: "Mas já pensou se você vai parar em um lugar que não tem nada a ver com você?" No fim das contas, fui para Cotidiano, que era a editoria de que eu mais gostava.
 
Mas o que eu queria dizer era que a pergunta "o que vem depois?" vai se repetir outras vezes: quando você de repente muda de função (em Cotidiano, virei repórter depois de uma semana no jornal por causa do acidente da TAM), quando seu contrato temporário em alguma editoria acaba... e é sempre angustiante.
 
E o que também acho importante dizer é que não é como pareceu em um post abaixo, que na Redação a gente fica abandonado aos leões. Quando os repórteres experientes podem (o dia-a-dia é corrido), eles têm disposição para ajudar. Perdi a conta de quantas vezes perguntei coisas simples e eles me explicaram ou me passaram contatos.
 
ps.: o título é parte de um poema do Paulo Leminski: "vou? onde? pergunte ao bonde?"
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h06

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FÉRIAS

E aí, gente? Vocês já estão de férias? Vão desaparecer até março?

Eu já sei que vou dar plantão no reveillon e não devo tirar férias nesse verão, por isso o blog vai continuar por aqui.

Por falar no assunto, pra quem estiver sem programa, o caderno de Empregos do domingo passado fez uma edição especial sobre cursos de férias.

Mas, como disse o editor, Cassio Aoqui, num podcast outro dia: só vale a pena pra quem não está muito cansado. Senão, é tempo e dinheiro jogado fora.

A Casa do Saber também tem uma lista de cursos em janeiro.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h48

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O QUE VEM DEPOIS?

MARIA CLARA FAGUNDES conta o que aconteceu com ela nesses seis meses que se seguiram ao programa de treinamento:

Eu fui uma das piores trainees da Folha de S.Paulo [Nota da Ana: é exagero dela]. As minhas pautas eram desajeitadas, meio fora de foco. Esquecia de passar corretor de texto. Distraída, não passava a menor confiança e, embora ficasse no jornal umas 14 horas diárias, parecia não estar aqui. Um ou outro acerto pálido à parte, fui um desastre.
 
Fim do treinamento, envergonhadíssima, lá vou eu para conversar com Ana Estela. Um juízo final delivery, a pedido. A esperada degola, surpresa!, não aconteceu.

Ao contrário: Ana disse que estava pensando em patrocinar minha estréia na Agência Folha, com a bolsa-trabalho do treinamento.
 
Ana saiu de férias e, após uma semana, comecei a trabalhar na Agência. Eu tinha participado de seleção para Mundo. Ser correspondente internacional era meu ideal de jornalismo quando entrei na faculdade e eu associava a idéia de "entender o mundo" ao trabalho da editoria. A prova foi de dura, cansativa --mas era uma trilha familiar. A entrevista me desanimou um pouco.
 
Estava feliz nos meus primeiros dias na Agência, e quase tinha esquecido da seleção, quando me chamaram. Comecei em Mundo com reles notinhas, que a editoria e a editora-adjunta refaziam, porque sempre faltava informação. Um dia, uma das minhas notas virou abre de página --e do jornal. Aprendi quais são os misteriosos comandos que aproximam e afastam letras no SDE, editor de texto da Folha. Com a dança das palavras, os títulos melhoraram.

Ainda estou aprendendo. Continuo distraída, mas não tanto: ainda não tive meu début no "Erramos". Hoje, passei perto. Fui salva na revisão, o texto já a caminho da gráfica.
 
Passaram-se quase seis meses. Continuo aqui. Fiz algumas matérias legais; outras, nem tão boas, me ensinaram bastante. A equipe da editoria é pequena, há sempre muito o que escrever. Na maiorias das vezes, usamos material de agências, mas há espaço para matérias mais analíticas, sobretudo aos domingos. 
 
Hoje, um trainee da última turma começou em Mundo. Já terminou?

Os seis meses da Johanna
Expectativas de Ricardo Viel

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h45

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CAÇA ÀS BALEIAS

Vejam que legal esse projeto descoberto pelo Matheus, de Campinas:

Olá, Ana! Hoje descobri um projeto muito interessante, ele se chama The Whale Hunt. O autor desse projeto, Jhonatan Harris, é uma das pessoas mais renomadas no meio experimental da web 2.0. The Whale Hunt é uma proposta de como contar uma história na internet, por nove dias ele viajou ao Alaska para acompanhar o dia dia de pessoas que sobrevivem da caça as baleias, e a cada 5min desses nove dias tirava uma foto mostrando o que ele via. No final foram mais de 3000 fotos que foi montada numa linha do tempo. A interface em si é uma experiência única de interatividade, podendo selecionar acompanhar a história pelo ponto de vista de diversos personagens. Achei muito interessante para jornalistas, pois mostra uma forma inovadora e interessante de mostrar uma cultura e contar uma história.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h32

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PHILIP MEYER DE GRAÇA NA REDE

PHILIP MEYER DE GRAÇA NA REDE

Meu amigo Ricardo Meirelles avisa que o livro "The New Precison Journalism", de Philip Meyer, está disponível, de graça, na internet.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h52

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O QUE VEM DEPOIS

A roda não pára.

Fechamos ontem o caderno especial da 44ª turma e, no domingo, fazemos a prova para a 45ª.

O que acontece agora com os trainees que acabam de terminar o curso?

Não há uma resposta padrão. Alguns, como a KARIN BLIKSTAD e o RICARDO SANGIOVANNI, já começam a colaborar com o jornal. Outros decidiram não ficar na Folha, como DANIELA ALARCON, que vai trabalhar na agência de notícias Ansa.

Há concursos abertos no jornal, e os trainees vão participar deles. Aos poucos, as coisas se ajeitam, eles encontram seu caminho e fazem sua carreira.

Não deve ser nada fácil esse momento, porque há muita indefinição, mas a experiência mostra que sempre haverá lugar para os que quiserem ficar na Folha. Nos dez anos em que sou responsável pelo treinamento, 90% deles passaram a trabalhar para o jornal depois do treinamento. Alguns foram contratados de cara, outros frilaram um bom tempo antes de conseguir uma vaga, outros ainda foram "roubados" de mim pelos concorrentes.

Como este blog começou com a 43ª turma, nada melhor que voltar a acompanhá-los, seis meses depois, para que vocês leitores saibam o que aconteceu com eles.

A primeira a me responder foi JOHANNA NUBLAT:


Um ano de mudanças

 
Eu fui a última trainee a sair do treinamento. Quer dizer que todos os meus colegas foram "escolhidos" antes de mim para alguma função da redação ou decidiram sair da Folha de vez [a Mariana foi selecionada para o Instituto Rio Branco já durante o treinamento, mas ainda chegou a fazer uns frilas antes de embarcar na diplomacia].
Isso me deixou muito angustiada, foram três semanas de preocupação, sem saber para onde (e se) eu seria chamada.
 
Acabei indo para Cotidiano numa vaga do treinamento --o que quer dizer que quem pagava meu salário era a Ana Estela. Não era muito agradável pensar nisso, mas o que eu queria mesmo era Coti.
 
Fiquei lá durante três meses. Em dois deles fiz dois cadernos especiais de educação e no outro fiquei na pauta do dia, que foi a experiência mais interessante. Cheguei em Coti no dia seguinte ao acidente da TAM e minha função era, basicamente, ir para Congonhas todos os dias. No final, ia para Cumbica. Fora isso, consegui fazer umas matérias bacaninhas de outros assuntos.
 
Aí, quando me preparava para sair dos cadernos especiais e voltar para a pauta do dia, fiquei sabendo de uma vaga em Brasília (minha cidade de origem), por uns 8 meses. Aceitei, mais por motivos pessoais que profissionais.
 
Estou na sucursal há quase dois meses. Nesse tempo, consegui fazer várias matérias, mais abres do que eu fiz em Cotidiano --acho que pela maior dimensão dos assuntos aqui.
 
Não tenho uma área específica para cobrir, mas a maior parte das matérias que faço é para Cotidiano, meu setor preferido. Às vezes, acho que sou muito nova e inexperiente para estar aqui, mas, felizmente, me quiseram aqui mesmo assim.
 
Uma grande diferença que vejo na sucursal é a maior possibilidade de fazer matérias especiais. Segundas e sextas são dias bem tranqüilos, o que te dá tempo para correr atrás de matérias sugeridas por você.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h40

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AOS LEÕES

O programa de treinamento termina hoje. Na semana passada um leitor perguntou o que vem depois. Vou pedir aos trainees da última turma que digam como foi para eles, mas, enquanto isso, vejam o que espera um dos garotos da 44ª, RICARDO VIEL:

Dia desses vi uma entrevista com um violonista brasileiro _esqueci o nome dele_ muito reconhecido e respeitado. Perguntado sobre o "segredo do sucesso", ele disse que não acreditava em dom. Talvez uma maior facilidade para se fazer alguma coisa, mas que sem treino e dedicação não leva a lugar nenhum.

O sujeito deve ter uns 50 e tantos anos e estuda música todo dia. Uma média de oito horas.

Estava pensando sobre o treinamento, tentando fazer um balanço desses três meses, e lembrei dessa história. Foram semanas de acertos e erros, conversas e puxões de orelhas, e muito treino. Serviu para perceber que ninguém sobrevive de "inspirações", que há um longo caminho a seguir, mas que ele existe.

Você [Ana] fez uma analogia com aprender o andar de bicicletas e depois tirar as rodinhas. Eu pensei num domador de leões. Durante três meses conversamos com vários domadores (dos bons!), fomos apresentados à cadeira e ao chicote, conhecemos a arena e, para treinar, domamos uns filhotinhos _sempre supervisionados por um olhar atento e crítico.

Agora é a hora de encarar a fera. O frio na barriga será inevitável, mas já é muito diferente de ser jogado na arena cheia sem nem saber como segurar o chicote. Com a ajuda dos outros trainees (cada um com seu jeito, suas experiências e peculiaridades) tenho certeza que domar essa fera não será tarefa impossível.

Valeu muito a pena tudo. Que o futuro seja tão divertido, intenso e rico como esses três meses. 

Por falar em leões, numa incrível coincidência, um ex-trainee meu que hoje estuda em Roma, SALVATORE CARROZZO, mandou no mesmo dia este vídeo. É uma excelente imagem de como o leão tratará aqueles que se dedicarem e tiverem amor ao que fazem. Podem assistir sossegados; não rola uma gota de sangue.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h12

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USE O DEL.ICIO.US A SEU FAVOR

Meu colega GUSTAVO VILLAS BOAS, repórter de informática e um dos autores do blog Circuito Integrado, fez um tutorial básico sobre como usar o del.icio.us.
 
OK, mas o que é o del.icio.us, afinal?
 
É um site social de favoritos, que serve para:
 
  • ter acesso aos seus favoritos de qualquer lugar (nem precisa montar tudo de novo. Dá para exportar seus favoritos do navegador, que assim ficam disponíveis na internet)
  • organizar uma lista pública de sites sobre um tema

Diz o Gustavo:

Com um pouco de organização na hora de incluir um site favorito, sua página no Delicious fica com uma praticidade de dar inveja. Então, basicamente:

1. Aquilo que você marcar como favorito vai estar acessível de qualquer computador conectado, em um endereço específico.
2. Qualquer pessoa vai ter acesso a suas marcações, a não ser que você estabeleça que não.
3.A interação entre os membros da comunidade permitem descobrir quais os sites mais favoritados por categoiia ou recentemente.
4. Existe um buscador para você procurar apenas nos seus links --um Google bastante personalizado.


Eu acho muito bom, vou dar algumas dicas conforme minha experiência, não é nada específico para jornalistas.

O primeiro passo é criar uma conta no site. Lembre-se que o nome de usuário vai ser seu endereço, por onde você vai acessar suas
marcações.

nome do usuário: gustavovb
endereço: www.delicious.com/gustavovb

Também recomendo que instale a barra no navegador, facilita bastante o trabalho.

Para incluir um site em seus favoritos, ao lado da barra de endereços do navegador, clique na etiquetinha Tag.
(figura1 - onde fica a etiquetinha)

Então, uma janela abre automaticamente. A descrição (description) é o nome com que vai aparecer o link da página favoritada, em letras maiores, no seu endereço Delicious. As notas (notes) servem para fazer uma pequena descriçaõ do site :).
(figura 2 - a janela que abre)
 

As tags são a coisa mais importante. São as etiquetas que vão marcar a página para que você monte uma espécie de índice.
 
Se eu fosse colocar tags em uma maçã, usaria: fruta vermelho comida.
 
No Novo em Folha: blog folha jornalismo. No blog do Katsuki: blog folha comida gastronomia. Para separar as tags, use apenas espaço.
 
Cada um classifica da forma que achar melhor; no começo, eu usava um monte de tags, agora prefiro usar poucas, duas ou três. É bom prestar atenção na digitação e no plural, para que você não tenha um tag duplicada à toa.

Dessa forma, qualquer pessoa que entrasse no meu delicious, clicando em "comida", iria ver uma lista com uma maçã e o blog do Katsuki. Clicando em "folha", o Novo em Folha e o blog do Katsuki.

Dá para fazer uma categoria de etiquetas. Na sua página no Delicious, no menu à direita, clique em Bundle tags. Crie jornalismo.

Selecione todas suas tags relacionadas a jornalismo --por exemplo, blog e folha. Dessa forma, suas etiquetas ficam listadas à direita, na sua página principal do Delicious, sob categorias maiores.
(figura 3 - como as tags são mostradas, já com Bundle tags)
 

Estas dicas abaixo não precisam de conta:
Para ver o que as outras pessoas marcaram com a tag "blog", coloque no endereço do navegador www.delicious.com/tag/BLOG.
 
Para ver uma mistura dos sites mais populares marcados recentemente com a mesma etiqueta, por exemplo, "tecnologia", coloque www.delicious.com/popular/TECNOLOGIA.

É muito bom termômetro de novidades, mas a classificação social aprimorada é em inglês e com tags relacionadas a  computadores, cibercultura, informática etc.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h00

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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