Achei curioso que, logo depois de escrever aqui embaixo que tem gente que não dá entrevista por insegurança ou medo, recebi um convite para o lançamento de um livro que, acho, foi escrito por um leitor do blog.
Pelo menos tem o mesmo nome: João Varella.
Fui ler o convite e vi que tinha um link para um blog. Entrei no blog e sobre o que falava logo o primeiro post?
Sobre como é duro dar entrevistas...
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h38
Fiquei devendo outro dia algumas dicas de como conseguir entrevistar quem não tem muitos motivos para falar --em geral, quem foi envolvido em escândalos ou é suspeito de algo.
Naquele exercício, o caso era de uma repórter de TV que não conseguia ouvir um acusado (e aí havia um problema adicional: que imagem usar quando o que temos é uma não informação).
Mas, além das pessoas em situação delicada, há outras que não querem dar entrevista porque são muito inseguras ou não estão habituadas a falar com a imprensa.
Algumas coisas que se pode fazer para conseguir a entrevista:
- Não desista -- Em 2006, duas trainees queriam fazer uma reportagem sobre ex-kamikazes que vieram morar no Brasil. Conseguiram ligar para cinco deles. Dois se recusaram a falar logo de cara. Três hesitavam, ora diziam que só falariam se todos falassem, ora desistiam. Uma semana depois, resolveram que não dariam entrevista. Apesar da recusa, escrevi uma carta apresentando o programa de treinamento, explicando qual era o objetivo da reportagem, mandei uma cópia de outros cadernos que já tínhamos feito. Com isso, dois deles mudaram de idéia. Tempos depois, um dos kamikazes me disse que, com a carta, conseguiu entender melhor o que estávamos pedindo para ele.
- Rodeie – advogados, conselheiros, amigos, gente da família que o conheça podem respaldar seu trabalho e reassegurar o entrevistado. Mas Steve Buttry lembra que não se pode repassar o trabalho para eles e lavar as mãos. Alguns podem só dizer que vão ajudá-lo, mas não querem se meter em confusão. Tente mais de um intermediário ao mesmo tempo.
- Deixe-o com a iniciativa – se vai tentar chegar ao entrevistado por meio de um amigo, parente, médico etc., dê a eles seus telefones e peça que entreguem à fonte. Isso é mais fácil que convencê-los a dar o telefone da fonte.
- Compreenda – a fonte pode ter motivos para não confiar em você, principalmente se não o conhece. Reconheça isso. Marque um encontro num local neutro, apenas para que ela possa conhecê-lo e, então, decidir.
- Não discuta – o entrevistado tem bons motivos para não querer falar com você. Não discuta, é perda de tempo. Reconheça as razões dele, mas apresente as suas –e tente convencê-lo de que as suas são melhores.
- Não ameace – Andy Alexander, da cadeia Cox, e Reagan Walker, do Atlanta Constitution, lembram que pessoas relutantes respondem mal a pressão. O melhor é explicar o que é a matéria e por que é importante ouvi-lo.
- Ignore as negativas – Diga “Só esta pergunta, então”, e pergunte. Se ele responder, faça outra. Siga assim até que não seja mais possível prosseguir.
- Mostre interesse – mesmo que precise publicar a reportagem sem uma fonte, mande para ela a matéria publicada e volte a pedir uma entrevista.
- Insista – uma semana depois, um mês depois, um ano depois. Marque na agenda. Se a entrevista é importante, não desista. Uma hora você consegue.
Como dobrar um kamikaze
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h53

A dica, bem legal, é da Edwirges, de Fortaleza:
Essa semana, o portal O POVO lançou um novo blog, chamado O POVO do blog. Ele reúne post de repórteres e editores sobre a prática diária de um jornal diário e outros comentários - uns até "gaiatos", como se diz aqui no Ceará, como a história da calcinha amarela emoldurada na parede da sala da chefia de redação. 
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h09
UMA MÃO LAVA A OUTRA?
Escreve o Gabriel, de São Paulo:
Na série Brothers and Sisters, transmitida para o Brasil pela Universal Channel, a personagem Kitty (Calista Flockhart) é uma jornalista assumidamente republicana. Durante uma entrevista em seu programa de TV ela deixa de fazer algumas perguntas inconvenientes para um senador de seu partido, na expectativa de que ele, em recompensa, libere seu irmão de ir lutar na Guerra do Iraque. Gostaria que você comentasse um pouco sobre a existência ou não dessa "troca de favores" no mundo real.
Alguém já passou por isso? Uma fonte já pediu diretamente ou insinuou que, se você pegasse leve em certa matéria, ela daria algo em troca?
O que vocês fariam? O que acham dessa situação?
Meu comentário
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h07
Para quem cobre política, principalmente eleições, o Poynter tem hoje uma seção com dicas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h26
Meu colega FERNANDO RODRIGUES, que está nos EUA numa bolsa de estudos, me conta que um assunto quente entre jornalistas por lá é o beatblogging.
"Beat", no jargão jornalístico americano, é uma área de cobertura e investigação. Pode ser, por exemplo, o Congresso, a Suprema Corte, educação pública ou finanças.
O que o blog propõe é criar uma rede de repórteres e fontes, que compartilham informações. Participam 13 veículos de porte, como o "San Jose Mercury News" (um dos mais arrojados e criativos dos EUA), a ESPN, a revista "Wired".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h04
Ivy, leitora baiana "importada" por São Paulo, conta como é a relação com as fontes na cobertura de celebridades:
No post sobre ser simpática demais com as fontes, achei que tinha algo a acrescentar.
Acho que a simpatia com a fonte depende muito da área que se cobre. Estou cobrindo celebridades agora e meus colegas há tempos na profissão deram dicas do tipo: "quando for entrevistar a fulana, diga de primeira que ela está magra ou parece bem mais magra que na TV porque assim ela se desarma logo de cara e te fala as coisas".
Achei ridículo no começo (tá bom, confessei), mas, ao ver meus colegas em pauta fazendo a mesma coisa (todos, sem exceção), vi que funcionava porque a celebridade fica mesmo desarmada.
Meu chefe me critica muito, por exemplo, porque sou muito espontânea e estabeleço um diálogo além da entrevista.
"Conversa é com conversa, entrevista é entrevista", ele diz.
Porém eu sempre trago uma informação a mais ou alguma curiosidade diferente da fonte que ninguém nunca pegou. Em outros casos, "caio nas graças" da fonte e ela me indica outras pessoas, me fornece telefone de outras ou às vezes se lembra de mim quando quer passar alguma notícia.
Ser simpática com os assessores, para mim, funciona demais. Muitas vezes ligo para jogar conversa fora com eles. E eles sempre me passam notas exclusivas, furos ou até mesmo convites que não dão para mais ninguém (tipo entrar no camorote tal cheio de estrelas e por ai vai).
Não sei se tudo isso funciona para mim porque eu sou simpática sim, mas natural. Eu não forço a barra e os assuntos "extras", por assim dizer, sempre surgem naturalmente. Tenho uma amiga que cobre esporte que tem uma relação diferenciada com as fontes e também sempre consegue coisas.
Eu acho que essa história de simpatia com a fonte depende muito.
Depende do que você cobre, quem é a fonte, qual o seu contato com ela (se esporádico, constante e assim por diante).
Quanto ao profissionalismo, sem dúvida, é importante. Mas profissionalismo não se demonstra com frieza, palavras secas ou coisa do gênero. Dependendo do caso, você pode ser supersimpática e descontraída, mas vai mostrar que é profissional ao mostrar que estudou a pauta antes de ir para entrevista, demonstrar conhecimento ou raciocínio na hora de fazer perguntas e sua continuação.
Post mais recente sobre o assunto
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h32
Acaba de entrar no ar a nova versão on-line do banco de dados sobre crime organizado, criado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
A base de dados, disponível para os sócios da Abraji, reúne informações sobre operações policiais deflagradas desde 2005, envolvendo denúncias como fraude na Previdência, tráfico de drogas, tráfico de seres humanos, corrupção e formação de quadrilha, entre outras.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h50
Minha leitora Tainã avisa:
"Tá rolando com organização da Faculdade de Comunicação na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) o I Simpósio de Estudos em Jornalismo Cultural. Fui hoje e achei interessante. Ainda rolará amanhã e sexta-feira, a partir das 9h, no auditório 71, 7º andar do campus Maracanã. O site da faculdade tem a programação completa"
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h52
CPIs NA REDE
Meu leitor Thiago escreve de algum lugar em Minas Gerais com uma dica:
"COMO PESQUISAR RELATÓRIOS DE CPIs
Entre no site do Senado. Clique em Atividades Legislativas - Comissões - CPI. Lá você vai encontrar todas as CPIs e CPMIs pelo menos desde o ano 2000. É só clicar em Notas Taquigráficas e escolher a CPI que quer olhar. Poderá ver todas as transcrições dos depoimentos dos envolvidos."
Cuidados com informações da internet
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h25
"Meu nome é Maria Fernanda, sou formada em jornalismo e história. Há mais de cinco anos, tenho experiência em comunicação empresarial, onde minha principal função é o planejamento das mídias e a gestão dos veículos de comunicação (revista interna, intranet e TV Corporativa – responsável pelo conteúdo editorial).
Mas também faço matérias, como free-lancer, para diversas revistas, mas com enfoque em grandes reportagens. Meu objetivo hoje é poder fazer grandes reportagens nos veículos de comunicação.
Por isso, pela sua experiência, gostaria de uma orientação sua de qual caminho seguir para poder trabalhar nessa área: de que maneira a minha experiência atual pode ser um diferencial, do que pode agregar, por qual melhor caminho começar, sem desconsiderar a minha experiência.
Como entrar numa Redação sem desconsiderar minha experiência em comunicação empresarial?
Não tenho uma resposta segura, mas acho que a melhor maneira seria sugerir pautas para os cadernos ou suplementos que publiquem reportagens mais longas e bem cuidadas, como revistas ou cadernos de turismo, literários etc.
A partir daí, conforme a Maria Fernanda fosse entrando no jornal, poderia passar a sugerir pautas para outros cadernos, como cidades, brasil, cultura.
Não conheço as outras Redações, mas, pelo que sei da Folha, seria difícil que uma boa pauta fosse dada a alguém de fora, por mais talentosa que fosse a pessoa, e seria difícil ser contratada numa vaga sênior de repórter sem experiência razoável em reportagem diária, mesmo com todas as qualidades necessárias.
Numa seleção para repórter sênior, por exemplo, o editor receberá algumas centenas de currículos e poderá chamar no máximo 10 para testes. Alguém sem essa experiência teria chance se não houvessem concorrentes experientes, mas, em geral, chegam mais de dez currículos de candidatos que já têm serviço para mostrar em jornais e revistas grandes.
Ou seja, não é um desprezo pelas qualidades dos outros candidatos. De modo algum. É só um impulso natural dos editores de achar que candidatos mais experientes resolverão melhor, ou, pelo menos, mais rapidamente seu problema.
Há uma questão lateral, que é o fato de que, em geral, a experiência em assessoria ou comunicação empresarial acaba atrapalhando o candidato em vez de ajudá-lo, por que pode deixar o editor em dúvida sobre a capacidade de isenção e pluralidade do jornalista. Sobre isso, talvez valha a pena ler um post que publiquei faz tempo.
Post mais recente sobre como começar a trabalhar
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h41
 gralha corre no gramado
Você sempre gostou de impresso e acha que jornalismo do rádio ou da TV não têm nada a ver com a gente?
...pode até ser, mas tudo indica que caminhamos para um tipo de jornalismo em que texto, áudio e imagem vão estar integrados.
A palavra é essa mesmo, integrados. Não será, como hoje, uma overdose de vídeos que só repetem entrevistas que já estão no texto (para entrevistas, em geral, o texto é o melhor suporte. Se valer a pena mostrar o entrevistado, que seja fazendo algo mais relevante que verbalizando seu raciocínio).
Hoje há um excelente exemplo disso, num caso em que, em texto, é só mais uma notícia, mas em áudio é um verdadeiro exemplo de humor no jornalismo (faz até esquecer o trânsito matinal da 23 de maio, quando toca no rádio do seu carro).
Confiram:
em texto - Marcos e Valdivia cantam hino do Palmeiras em promoção de marketing
em vídeo - clique aqui
Mais humor no jornalismo Outra questão: como mostrar a ausência de algo na TV? Como pensar numa cobertura multimidia
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h52
Mais de um leitor "duvidou" das dicas de Chip Scanlan para melhorar o texto.
Argumentam, com razão:
"Ler, reler, fazer grupos, ler novamente, imprimir, reler novamente. Quando se tem apenas uma pauta por dia, a gente faz isso com um prazer dos mais enormes. O problema é quando se tem não duas, mas três, quatro e uma pessoa a lhe olhar com cara de relógio. As dicas sao boas? Claro. O tempo é que é nosso carrasco. Na primeira materia dá para ler e reler. Da segunda em diante, se tem que contar com o apoio e a compreensão do redator."
Sim, sim, concordo, mas digo para o Batista, de Feira de Santana (BA), e para todos nós que vivemos na mesma correria:
Acho que são duas coisas diferentes. Uma é um programa de melhoria progressiva e constante, outra é nosso trabalho do dia-a-dia.
Está a maior pauleira, mal deu pra acabar o texto, quanto menos pra reler? OK, é a vida, o que importa é o jornal na banca no horário em que o leitor passar.
Em todos os outros dias, o ideal é reler, revisar, refazer, refletir.
Outra coisa, só pra não perder a chance de dizer: cuidado para não assumir a inevitabilidade da pressa e, com isso, desistir de melhorar o texto. Sempre dá para melhorar, nem que seja um pouco por vez, mas às vezes isso exige investimento extra-hora de trabalho.
O curso da NewsU, por exemplo, pode ser uma opção.
Para ir dosando melhor o tempo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h23
O que eu disse pra Gabriela, que perguntava como não ser "simpática demais" com as fontes, é que ela saberá encontrar um bom equilíbrio entre ser gentil sem parecer íntima demais. Porque é fundamental deixar claro que se trata de uma relação profissional.
Nosso negócio é a comunicação e quanto mais clara e precisa ela for, melhor. Nossa forma de tratar os outros tem que informar que tipo de relacionamento estamos travando.
Com uma leitora escreveu nos comentários, se você passa um pouco do tom, há o risco de a fonte achar que você está querendo "algo mais"... 
O ideal é tratar a fonte no mesmo tom que se trata um vizinho de prédio, daqueles que você encontra só no elevador (boa imagem sugerida pelo Gaspari).
Não há nada de errado em ser gentil, bem-humorada, sorridente.
Sabia que, até em entrevistas pelo telefone, se você estiver sorrindo a fonte tende a ficar mais à vontade com você?
E, já que falei em Gaspari, veja nos dois links abaixo boas sugestões sobre como tratar as fontes.
Perco a matéria ou perco a fonte? Minhas boas fontes
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h45

Minha leitora Gabriela, de Cascavel, tem uma pergunta muito fofa:
O que fazer para não ser simpática demais com a fonte?
A pergunta surgiu daquele último post sobre tratar as fontes com cuidado e respeito.
Eu não entendi bem o que ela queria dizer com "simpática demais", por isso pedi que ela explicasse e desse exemplos.
Vejam o que ela conta e dêem sua opinião:
É complicado de explicar, pois o que para uns é visto positivamente, para outros é exagero.
Sei que devemos ser profissionais, mas tratar com frieza demais não é da minha natureza. E principalmente aprendi aquilo o que você falou, que fonte não é nossa amiga.
Sou nova demais e muito empolgada com o jornalismo... Amo o que faço, e as vezes extravaso isso.
Ah.. levei um puxão de orelha também quando chamei uma pessoa que trabalhava onde eu estava fazendo assessoria de "flor"... isso foi o fim para muitos, mas saiu sem querer.
Não sei se consegui explicar mais ou menos o meu excesso de simpatia.
Meu comentário
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h49
Errei numa declaração que atribuí ao Josias e vou aproveitar uma pergunta da Natalie para corrigir.
Quando falamos sobre off, há alguns dias, escrevi o seguinte:
Não existe off a posteriori. Quem quer manter a informação em sigilo precisa avisar antes. O repórter tem o direito de decidir se quer ouvi-la e garantir o off, ou se prefere não ouvi-la. JOSIAS DE SOUZA, pioneiro do blog jornalístico no Brasil, nunca aceita off [esta é a parte errada]. Ele avisa suas fontes: "Se você me contar, eu publico".
Natalie me perguntou se essa posição do Josias de "não aceitar off" não o prejudicava na obtenção de informação:
"Penso naquelas ocasiões em que uma boa fonte, confiável etc., tem informação, mas não pode assumi-la. O off serve como ponto de partida para o repórter apurar, checar. É claro que tem que haver critério, que off pode ser usado pela fonte pra manipular o repórter, que não pode ser um recurso usual nem do repórter nem da fonte. Mas em alguns bons casos, o off vale a pena, não? O que você acha? E eu gostaria de saber do Josias se há alguma hipótese na qual ele aceitaria o off? Ele tem dificuldades por causa de não aceitar? Por que ele não aceita? Aconteceu alguma pontual que motivou a decisão? Desde quando?".
Como havia citado o Josias de memória, por ter ouvido em algumas palestras dele a frase "não me conte que eu publico", fui consultá-lo. Na resposta, ele esclarece meu engano e mata a dúvida da Natalie:
Cara Ana, Minha posição a respeito do tema é a seguinte: considero o off ferramenta essencial à reportagem. Uma ferramenta que utilizo, com todos os cuidados que o recurso exige (confiabilidade do informante, checagens, etc.) de modo frequente e corriqueiro.
Ocorre que, em determinadas ocasiões, a fonte confunde o repórter com um amigo. E diz coisas do gênero: "Vou te contar uma coisa que não é para publicar." Ou seja, o sujeito deseja passar ao repórter um segredo, que não deseja ver publicado nem em off. É nessas ocasiões que esclareço à fonte que ela não deve me contar nada que eu não possa veicular.
Quando procuro um parlamentar, um empresário, uma autoridade do governo ou seja lá quem for, eu o faço na condição de repórter. Nessa hora, meu compromisso é com o leitor.
Por isso, não me passa pela cabeça receber informações que não possam ser veiculadas. Daí o alerta que faço --e já fiz várias vezes-- a pessoas que confudem o relacionamento profissional com amizade. A meu juízo, o repórter ganha muito quando consegue separar as duas coisas. É o que tento fazer.
Desculpem pelo erro. Obrigada a Natalie e Josias pela oportunidade de corrigir. A orientação original continua válida: pedido de off tem que ser prévio. O repórter tem o direito de decidir antes se vai ou não garantir anonimato.
Off, dúvida e atitude
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h07
Vão até 15/12 as inscrições para a 46ª turma do programa de treinamento da Folha.
Para quem está participando da seleção da 45ª: a lista de convocados para a prova deve sair nesta semana e a prova deve acontecer por volta de 15/12.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h53
Minha leitora Natalie divide com vocês impressões sobre o curso "Get me Rewrite", do Chip Scanlan, pela NewsU:
É de graça e permanente para registrados. Eu gostei muito e já apliquei a receita dele de revisão nos meus textos. Deu certo! Aí vai: O curso é muito bom, tanto na forma como no conteúdo. Chip ensina, mostrando na prática e sem muita teoria, como melhorar o próprio texto. Ele dá muitos exemplos e diversas dicas ao longo do curso e há, ainda, uma ferramenta chamada "The Revisor", pela qual o aluno escreve e edita seus próprios textos, seguindo os passos ensinados por Chip. Além disso, é fácil de navegar.
"Get me rewrite" começa dizendo o óbvio, mas que a gente nunca lembra: o primeiro rascunho nunca é bom. E isso não acontece só com os pobres mortais aqui, mas com qualquer escritor. Ele joga por água abaixo aquela idéia que o bom jornalista escreve textos arrebatadores de primeira. Ele dá, então, dicas práticas pra revisar o texto.
* Escreva cedo: quanto antes começar a escrever, melhor. Revisão não significa ter mais tempo, mas ocupar melhor o tempo que se tem.
* Imprima cedo: assim que possível, leia uma versão impressa. Computadores dão uma falsa impressão de perfeição.
* Separe a revisão em tarefas: separe uma versão impressa só para checar os números. Em outra, cheque nomes e endereços. Numa terceira, cheque as construções. Na outra, veja se os parágrafos não estão grandes demais...
* Leia em voz alta: ouça sua história em voz alta. O melhor editor é o ouvido. Essa dica é uma ao qual Chip volta constantemente durante o curso. Ele cita outros escritores que concordam com a tese de que é só ouvindo uma história que a gente consegue arrumá-la. Bom escritor escreve mexendo os lábios, diz ele, citando outro "fera", Donald M. Murray, ganhador do Pulitzer e autor de diversos livros sobre o tema.
Ele dá também uma ótima receita de como revisar (uma das coisas mais interessantes nesse curso é que ele não mostra só o que fazer, mas também o como fazer). Os passos da receita:
1- Imprima seu rascunho; 2- Leia o texto (ou peça a alguém que leia para você); 3- Leia uma terceira vez e, em cada ponto que achar algo a ser melhorado, faça uma marca; 4- Numere suas marcas; 5- Ao lado de cada número, escreva a razão da marca (há erro de ortografia? a passagem não está clara? esse parágrafo ficaria melhor no início do texto? há repetições? etc); 6- Estime o tempo que levará para fazer as mudanças necessárias; 7- comece com a primeira mudança a ser feita; 8- Assim que terminar de fazer todas as mudanças, salve o arquivo como um novo documento, imprima novamente e recomece a revisão.
Ele sugere que o ideal é criar grupos de erros e, na revisão, apontar a qual grupo cada erro pertence.
Por exemplo: criar um grupo para ortografia, outro para gramática, um outro para concordância verbal, um quarto para coerência do texto e assim por diante. Isso facilita na hora de saber quais erros se comete com mais freqüência, quais o repórter tem mais tendência a fazer.
Outro ponto muito interessante que ele aborda é sobre os apoios que a gente costuma usar para escrever. Exemplos: colocar perguntas no texto e respondê-las depois, usar muitas conjunções etc).
Ok, isso é normal e válido. Mas, para um texto ficar bom, a gente tem que dar crédito ao leitor e tirar esses apoios antes da versão final. O texto fica mais enxuto, objetivo e mais forte. Afinal, como diz a editora de Chip, Julie Moos, "não é só porque algo é parte do processo de escrever que deve ser parte do processe de ler". Segue um exemplo de texto com e sem o apoio, que ele usa no curso:
"Here are three grafs in a deadline story I wrote about a rooftop drama when a police officer talked a would-be suicide out of killing himself:
The two men talked for nearly two hours as the sun began to fade.
What did they talk about?
"You know, little things, even the way he shined his shoes," Lawton said. "Anything to keep his mind off jumping or shooting himself."
I must have thought the question was necessary, and the desk let it stand, too. But I don't think the reader needs it. A reader's mind is equally equipped at furnishing scaffolding to make the bridge between thoughts. Give the reader more credit. Cut the middle graf and the story is five words shorter, and, I think, more dramatic.
The two men talked for nearly two hours as the sun began to fade.
"You know, little things, even the way he shined his shoes," Lawton said. "Anything to keep his mind off jumping or shooting himself."
No decorrer do curso, há ainda várias ferramentas que podem ser usadas para melhorar o próprio texto do aluno, caso do "The Revisor" e do "Setence tracker", que "mede", por um gráfico, o tamanho dos parágrafos e frases do texto. É só copiar e colar um texto já pronto ou escrever um na hora.
No final, há, de quebra, uma bibliografia e dicas de sites para saber mais. Alguns livros que ele indica: On Writing Well, 25th Anniversary: The Classic Guide to Writing Nonfiction (On Writing Well) by William Zinsser
The Craft of Revision by Donald M. Murray
Shoptalk: Learning to Write with Writers by Donald M. Murray
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h22
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