Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

MOSTRE A AUSÊNCIA

MOSTRE A AUSÊNCIA

Aliás, falando no exercício que comentei logo abaixo, podemos tirar dele um outro:

se você tivesse que fazer um vídeo, para TV ou internet, que imagens escolheria para mostrar que tal entrevistado não quis falar?

Quais são boas maneiras de mostrar, com imagens, a não-entrevista?

Para ler o problema original, clique aqui

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | exercício | PermalinkPermalink #

PEGA-PEGA

[Colaboraram neste post a Gabriela, de Cascavel, Edwirges, de Fortaleza, Ricardo, Marcelo, Natalie e Roberto, de São Paulo, e o João Paulo, de Campina Grande]

Um dos nossos problemas desses dias era o que fazer quando um personagem acusado de algo se recusa a falar com a gente.

Até me esqueci de mencionar algo importante naquele exercício, que era o de que a matéria estava sendo feita para a TV.

Ou seja, ainda é possível, claro, incluir alguém dizendo que Fulano foi procurado, mas não quis dar entrevista. Mas, como imagem, convenhamos que é bem ruim, né?


PRA QUE OUVI-LO, AFINAL?

A resposta parece óbvia: para dar o outro lado.

Mas insisto: para quê?

Para cumprir tabela? Porque o chefe faz questão? Porque toda reportagem precisa ter o outro lado?

Ou para ouvir, de verdade, o que o outro tem a dizer?


"É PARA SEU PRÓPRIO BEM"

Um dos argumentos que a gente sempre usa quando quer convencer alguém a falar é: "Queremos lhe dar a oportunidade de contar sua versão. Falar é melhor que calar-se".

Por que muitos não se convencem e preferem ficar calados?

A resposta é antipática, mas é preciso encará-la: porque muitas vezes o repórter não quer "dar a chance de o acusado contar sua versão". Não está interessado no outro lado da história. Mesmo que o acusado tenha argumentos convincentes, isso não mudará em nada a reportagem.

Muitas vezes, quando o repórter procura o outro lado, a matéria está pronta, já tem uma tese, e no máximo a versão do acusado vai virar um parágrafo no pé, em geral usando o verbo "alegou" que, é fácil notar, já indica que a gente não acredita nele.


FALA COMIGO!

Há várias dicas para tentar convencer alguém a dar uma entrevista incômoda [vou colocá-las em outro post, porque meu leitor mais crítico odeia posts longos]. Ninguém perde nada tentando, se está com o deadline à vista.

Mas, no longo prazo, o que funciona mesmo é ter um trabalho para mostrar.

Se você construir uma carreira de repórter ouvindo de verdade todos os envolvidos, mostrando que realmente se interessa, ligando para as fontes _acusadores ou acusados_ no dia seguinte para saber se consideraram a reportagem justa, aumentará suas chances de ser atendido.


QUANDO O OUTRO LADO SE CALA

Há duas coisas básicas a fazer para informar ao leitor, afinal, qual é a versão do acusado:

  1. obter declarações do próprio acusado, que tenham sido dado a outros. Se houver processo em curso, é um bom lugar para encontrar depoimentos, versão oficial da defesa etc. Se não houver, procure jornais locais (que podem ser de propriedade do próprio político ou de alguém do seu grupo), sites do partido, blogs do grupo político do acusado. Faça uma busca na internet para ver se dito cujo não publicou algum artigo sobre o assunto, ou deu entrevista a alguém. Sempre cite claramente de onde tirou a informação. Deixe claro que não foi uma declaração dada a você, mas obtida em segunda mão.
  2. defesas indiretas: entram aqui os advogados, braços direitos, assessores, parentes. Até a mãe, como conta a Gabriela ("tive esse problema hoje mesmo. O cara do BBB aqui -q nem é big brother oficialmente - assinou um contrato com a rede globo q não permitia entrevistas com qualquer outro meio de comunicação... entrevistei a mãe dele ;) Não saiu como deveria sair, mas foi melhor do q não ter tentando...")

Em qualquer caso, é bom registrar claramente onde e quando o acusado foi procurado e por que ele não foi ouvido: "A reportagem telefonou oito vezes para Fulano e deixou recado com sua secretária, XX, mas não obteve resposta", ou "Procurado, Fulano disse que não falaria sobre o assunto. Quando foi ouvido durante o processo em que é acusado, disse que tal, tal e tal".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 23h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cor também é informação

Mesmo jornais bem coloridos, como a Folha, têm páginas preto e branco.

Isso acontece por um motivo industrial --há um limite de páginas coloridas que as rotativas conseguem imprimir.

Os editores do jornal não têm muito poder de ação sobre isso. Eles são avisados de quais páginas terão cor, quais não, e precisam adaptar seu material a isso.

Há dias, inclusive, em que essa disposição muda em cima da hora.

Em outros, você até sabe que determinada matéria sairia melhor numa página colorida, mas, para manter uma coerência de assuntos nas páginas, não tem outro jeito que não editá-la na página preto e branco.

Foi o que aconteceu com a matéria sobre a bandeira de Cusco, que mostrei aqui.

Esse era um caso típico em que se exigia cor, não só porque a foto colorida é mais bonita, mas porque, nessa história, a cor é informação.

A cidade quer mudar a bandeira por causa das cores que ela tem. É uma reportagem que quase não faria sentido sem foto e que fica pela metade numa página PB.

Mas os comentários de vocês serviram também para mostrar como a gente pode contar mal histórias, por estar tão familiarizadas com elas.

Os repórteres já haviam contado e recontado tantas vezes esse caso, que achavam que estava tudo muito claro: a bandeira "gay" tem listras coloridas, a bandeira de Cusco também tem, e a prefeitura quer mudá-la porque não quer que ela seja confundida com a outra.

Como se vê pelos comentários, o texto não ficou tão claro assim. Uma solução que ajuda nessas horas é, sempre que der tempo, mostrar o texto pra um amigo que não esteja por dentro do assunto.

Se ele levantar dúvidas, mesmo que pareça que está tudo certinho com seu texto, pare e reflita. O leitor costuma ter razão.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

FONTECULTURA

Meu leitor Rafael comenta muito apropriadamente que o episódio do Che Guevara tem um detalhe bem interessante:

Jon Lee, embora jornalista, era fonte nesse caso.

E ele reclama de ter sido contatado, ter respondido ao contato, mas não ter sido realmente entrevistado.

É um caso bem menos comum, mas há outros dois mais freqüentes nessa relação entre repórter e fonte:

  • ouvimos um monte de gente, mas acabamos não publicando
  • a gente ouve, publica, mas a fonte se sente prejudicada --porque julga que houve erro, distorção, descontextualização, imprecisão

Rafael pergunta:

Quando você entra em contato para uma entrevista e não usa nada do que foi dito, será que não é bom avisar a fonte que as falas dela foram descartadas? Que a matéria foi publicada com outras entrevistas?

Sim, Rafael, você tem razão: é bom avisar.

Mais que isso: fontes são ouro puro para repórteres. A gente costuma se esforçar com elas durante a apuração, mas isso não é suficiente;

É preciso tratá-las com atenção e respeito em todas as etapas: antes, durante e depois.

Para quem está começando: se você criar uma disciplina de cultivo das fontes agora, isso fará uma enorme diferença daqui a dois ou três anos.

Há várias formas de fazer isso, mas listo algumas aqui:

1. antes

  • quando for pedir uma entrevista, explique claramente qual é a pauta e por que você quer ouvir tal pessoa.
  • mostre que você se importa. Leia sobre a pessoa que você vai cobrir, sobre a área que você vai cobrir, mostre que está acompanhando o noticiário.

2. durante

  • respeite o tempo de suas fontes. Ela não está lá só para servi-lo. Pergunte como ela está, se ela tem tempo para falar naquele momento. Descubra os melhores horários para chamá-la. Sempre peça desculpas quando ligar num horário ruim.
  • seja cortês com sua fonte. Não quer dizer que você deva ser amigo dela, mas cultive a simpatia.
  • tente se livrar dos preconceitos ao entrevistar e ao escrever. Procure se colocar no lugar da fonte, procure entender seu ponto de vista. Depois, ainda durante a entrevista, procure se colocar numa posição crítica. Evite que suas próprias convicções interfiram nas suas perguntas, na sua disposição para ouvir e no seu texto.
  • antes de terminar a entrevista, deixe amarrada a possibilidade de voltar a ligar se tiver dúvidas ou mais perguntas. Pegue os telefones em que sua fonte estará, se sua matéria for para hoje
  • cheque com cuidado nome, idade e cargo de seu entrevistado. Pode parecer detalhe, mas é manifestação de cuidado e seriedade

3. depois

  • na hora de escrever, seja preciso nas declarações. Se tiver dúvidas, cheque. Lembre-se: a fonte vai ler sua matéria no dia seguinte. Ela sempre vai preferir ser incomodada no meio da noite a ver um erro atribuído a ela no jornal.
  • sempre ligue para sua fonte para agradecer a ajuda, mesmo (e, talvez, principalmente) quando a matéria não for publicada ou for publicada sem a declaração dela. Peça a opinião do entrevistado.
  • seja o primeiro a admitir quando tiver errado. Corrija sempre que possível.
  • agende-se para ligar pelo menos uma vez a cada três ou quatro semanas para uma fonte sua. Só pra saber se tem novidade. E para que você seja o primeiro de quem ela se lembre quando houver novidade.
     

Post mais recente sobre fontes

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TROCA INJUSTA

Humor no jornalismo ouvido agora há pouco no rádio:

"Os dirigentes do Barcelona estão no Brasil para trocar experiências de gestão esportiva"

Para completar a piada, os espanhóis tinham ido visitar o Corinthians...


Não é no jornalismo, mas é humor: do blog do Duilio, encaminhado por minha trainee KARIN BLIKSTAD.

Mais um da série

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O QUE TIRAR DO BARRACO

Todo mundo gosta de uma fofoca. E se envolver barraco, bate-boca, mais emocionante fica.

Nas semanas passada rolou uma quente, que povoou blogs e listas de discussão de jornalistas.

Imagino que vocês acompanharam a minissérie, mas, para quem estava viajando, muito ocupado ou completamente apaixonado e sem tempo pra essas coisas pequenas, faço um resumo só de títulos (os detalhes vocês encontram nos links).

CENA 1 - O repórter Jon Lee Anderson, da "New Yorker", escreve um e-mail para o editor de Internacional da "Veja", Diogo Schelp, criticando matéria da revista sobre Che Guevara. A mensagem "vaza" e vai parar na rede

CENA 2 - Reinaldo Azevedo, colunista da "Veja", defende o texto da revista, ataca o repórter americano e a tradução da mensagem feita por Pedro Dória e publica a mensagem que Diogo Schelp escreveu para Anderson

CENA 3 - Pedro Dória critica a "Veja"

CENA 4 - Jon Lee Anderson manda uma tréplica, que Pedro Dória traduz em seu blog

O episódio todo tem várias intrigas correlatas e internas, com jornalistas brasileiros tomando partido de um ou de outro etc., que vocês encontram nos blogs e sites de jornalismo.

Não tinha tocado até agora no assunto, porque não tinha descoberto ainda que lição tirar do caso todo, e tento fazer o blog ficar no que ele se propõe: treinamento.

Mas hoje, lendo um dos capítulos que continuam circulando, descobri a lição nesta frase:

"O sistema de filtro de mensagens da Abril é de fato muito rigoroso e dá problema com mensagens perdidas a toda hora. Mas este é um problema que a Abril deve resolver com sua equipe técnica. Numa empresa jornalística, é um problema sério. Usar o anti-spam como desculpa para não ter contatado uma fonte é piada."

Tem sido um erro comum de apuração usar o e-mail como meio de contato.

E-mail pode parecer mais fácil, mas tem inúmeras desvantagens para o repórter.

Se você quer falar com alguém, o telefone é a melhor opção, porque:

  • é mais rápido. Você liga, a pessoa atende e você resolve na hora
  • o controle fica na sua mão. Você é quem escolhe quando será a conversa. Quem manda e-mail tem que ficar esperando
  • é mais seguro. Você tem certeza de que está falando com a pessoa certa
  • é mais simples. Não há anti-Spam, firewall, antivírus ou qualquer outro mico eletrônico para atrapalhar

E-mail é complemento. Não pode virar muleta, porque vai deixar o repórter mais manco do que já estava.

Mais uma reflexão a partir do caso

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 23h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lei dos estagiários

Minha leitora G. queria saber algo da Lei dos Estagiários, que desconhecia. Com a ajuda do blogbudsman Roberto Takata, descobri que há um projeto que prevê férias para os estagiários. A notícia está no G1 (e quem é assina é uma ex-trainee minha, Luísa Brito).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aulas na sua tela

Meu leitor Matheus amplia muito a dica sobre o MIT. Vejam só:
 
"Procurando fazer a lista, encontrei hoje o iTunes U. Recentemente lançado, o iTunes U (baixe o programa iTunes no site da apple, clique em music store e na barra esquerda do site em iTunes U) reúne várias universidades americanas e disponibiliza o conteúdo das aulas em áudio e vídeo.
 
Entre as muitas que participam do projeto estão a Stanford, MIT, Yale e Berkeley.
 
Para acessar o conteúdo, procure especificamente o que for do seu interesse e clique em subscribe. Com isso você estará assinando o podcast (todos os podcasts oferecidos pela Apple Store são de graça e não necessitam de nenhum cadastro), automaticamente o iTunes fará o download do último episódio e a cada nova postagem o iTunes baixará de forma automática.
 
O iTunes U é aberto a todas às universidades, oferecendo conteúdo acadêmico inigualável. Há no entanto uma parceria com 28 universidades, que têm uma página especial e disponibilizam semestres inteiros de suas aulas.
 
 Outro que descobri recentemente foi o TED – Technology, Education, Design – É um evento que visa divulgar novas idéias de diversas áreas. Trazendo palestrante que vão desde política (Bill Clinton) para religião, tecnologia (criadores do Google), educação e artes. Toda semana eles colocam uma nova palestra no ar (as palestras ou “conversas” nunca passam de 25min):
 
The City University of New YorkYork College – The City University of New York
 
Seria interessante falar um pouco no blog sobre podcasts, e como tirar alunos ou jornalistas podem tirar proveito deles.
Enquanto estava pesquisando para essa lista, pensei que poderia fazer um vídeo mostrando passo a passo como acessar o conteúdo de podcasts. Se houver interesse, irei gravar e postar no meu podcast (maccult.tv).
[Já avisei ao Matheus que seria legal, sim, ver o vídeo. Quando estiver pronto, eu ponho o link aqui no blog]
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

MIT PARA TODOS

MIT PARA TODOS

Meu colega MARCO AURELIO CANÔNICO me mostra que o MIT (Instituto Tecológico de Massachusetts) põe na rede, de graça, material didático de seus cursos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cursos | PermalinkPermalink #

VIVO OU MORTO

VIVO OU MORTO

Descobri bem tarde o livro "Fama e Anonimato", do Gay Talese.

Para quem não leu: é uma compilação de perfis de anônimos e famosos e uma extensa reportagem em capítulos sobre a ponte Verrazzano-Narrows, que une o Brooklyn a Staten Island, em Nova York.

Além da história da ponte, que é sensacional, os perfis dos anônimos são meus favoritos.

Os dos famosos não me agradam muito (heresia? Desculpem, mas é verdade. Acho que ele abusa da mesma fórmula, descreve muito e elabora pouco, parece caprichar só nos arremates, nos parágrafos finais).

O último perfil do livro é um dos mais divertidos. Merece lugar de destaque na campanha humor no jornalismo. Trata do redator de obituários do "New York Times", de como ele às vezes confunde quem está vivo e quem está morto, de quem ele escolhe para perfilar, como recolhe as informações, da relação que tem com seus textos.

O personagem é maravilhoso e a maneira como Talese vai construindo o perfil é realmente de mestre.

Lembrei-me de tudo isso por causa de um post recente sobre um obituário da Folha.

Aí me ocorreu que o obituário da Folha é bem diferente, seja nos personagens, seja na forma de fazer. Os do "Sr. Má Notícia", apelido do jornalista do NYT, são biografias de gente famosa, escritas a partir de pesquisa tradicional.

Os da Folha tratam de gente como a gente, que não tem tanta informação assim disponível. Implicam, portanto, um risco bem maior: será que rende um perfil? Será que vamos achar as informações? Vou ter que falar com a família? Como fazer isso?

Para responder, ninguém melhor que o autor, meu ex-trainee e hoje repórter de Cotidiano, WILLIAN VIEIRA:

Novo em Folha - Você escolhe a pessoa? Ao acaso?

Willian Vieira - Não, escolho por questões indiciárias. Os nomes das listas do Serviço Funerário, que recebo diariamente, às vezes apontam possibilidades de boas histórias após uma pesquisa no Google. Também na internet eu pesquiso, de todas as formas possíveis, notas fúnebres, obituários de outros veículos, em páginas de associações profissionais, em blogs _enfim, em um dezenas de lugares que tragam informações sobre o morto. Se nada der certo, começo a ligar para as famílias das listas dos cemitérios. Dá um trabalho imenso, muitas histórias não rendem, mas nunca fiquei sem um obituário ao fim do dia. Afinal de contas, o obituário é uma matéria _tem que estar pronto para publicar todo santo dia.

NF - Como levanta as informações?

WV - Entrevisto os parentes, amigos, conhecidos e até inimigos _concorrentes são bem honestos quando a pessoa morre. E pesquiso muito na internet, antes e depois das entrevistas. Descubro cartas enviadas a jornais, processos na Justiça, e muitas histórias de vida _pessoas com 90 anos são pródigas nisso.

NF - É difícil falar com os parentes? Que problemas já teve?

WV - Às vezes, sim. Muitos se negam a dar informações e desligam imediatamente _quando tenho que recorrer aos conhecidos mais próximos. Outras vezes eles interrompem a ligação para chorar e não conseguem se recompor. Às vezes ficam muito tempo pensando se devem ou não falar. O maior problema, porém, é que alguns deles, não habituados com o obituário (prática pouco comum no Brasil), demoram a entender que o objetivo é jornalístico e que o “serviço” não lhes custará nada. Nos últimos dias, porém, com a publicação diária dos obituários, a compreensão tem sido maior _a aceitação, não necessariamente.

NF - Que lições aprendeu?

WV - A maior lição, em termo jornalísticos, é a lidar com fontes de informação exaltadas, magoadas, desconfiadas e conseguir delas boas histórias, repletas de detalhes _as pessoas estranham minha curiosidade por coisas aparentemente desconexas. E a lição pessoal é pensar, a cada dia, o que eu estou fazendo com minha vida. Se eu não durar os 100 anos da dona Celisina, é melhor correr atrás.  

NF - Que técnicas usa?

WV - As mesmas técnicas do jornalismo de personagens que se faz em um caderno como Cotidiano. Quando eu entrevistei parentes do acidente da TAM, na porta do Instituto Médico Legal, minutos após terem visto os corpos carbonizados dos filhos, pais, irmãos, não era diferente. Pergunto sobre as memórias do morto, sobre o que falava, o que costumava pensar sobre certas coisas (e que expressava), posições políticas, preferências, o que comia, o que fazia, os hobbies, tudo sobre a profissão, tudo sobre como o viam enquanto vivia.

NF - Você tem referências? Quais?

WV - Poucas, na verdade. No Brasil não se fazem muitos obituários como a Secretaria de Redação queria _com perfis escritos em profundidade, que vencessem a barreira do “Casado, filhos, morreu de morte natural”. E o do "New York Times" é diferente, tem uma grande equipe entrevistando as pessoas antes de morrerem _e só gente realmente famosa ou importante no ramo em que atuou. Os da Folha, hoje, são sobre pessoas comuns, algumas com certa relevância política ou social _mas, acima de tudo, com histórias razoavelmente interessantes, que valham a pena ler.

PS - Estava tentando achar o artigo sobre Mr. Bad News, pra linkar no blog. Infelizmente, não achei, mas achei esta página sobre o Gay Talese que tem, no pé, link para várias entrevistas dele

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Como foi feito | PermalinkPermalink #

Em cima da hora

Em cima da hora

Oi Ana,
 
...mas ainda dá tempo de repassar a indicação que me manda meu leitor Paulinho:
 
meu amigo Marcelo Soares dá curso sobre Ciberativismo. Começa hoje à noite, mas ainda dá tempo de se inscrever.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cursos | PermalinkPermalink #

ALGO NÃO ENCAIXA BEM?

ALGO NÃO ENCAIXA BEM?

Já que tratamos ontem de edição, vai aqui uma pergunta para vocês.

 Aí em cima está um pedaço de página da Folha de domingo, em que saiu uma reportagem feita pelos garotos na viagem ao Peru.

Os dois primeiros parágrafos estão aqui embaixo, mas o texto todo pode ser lido neste link (ou aqui, para quem não tem acesso à Folha).

Leiam, olhem a página e me digam se acharam algo estranho.

Semelhança com símbolo gay faz Província peruana querer mudar bandeira

KARIN BLIKSTAD
PABLO SOLANO
ENVIADOS ESPECIAIS A CUSCO

O governo da Província de Cusco (Peru) quer mudar sua bandeira. O motivo é a semelhança com o símbolo do movimento GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Travestis).

"Precisamos de um distintivo que seja só nosso", diz a responsável por educação, turismo e cultura de Cusco, Leonarda Ayarza.

O governo fará neste mês uma consulta pela internet para saber se a população quer ou não mudar a bandeira, que hoje tem as sete cores do arco-íris.

Meu comentário

Mais casos da viagem ao Peru

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | exercício | PermalinkPermalink #

3 - RESPONDAM VOCÊS MESMOS

3 - RESPONDAM VOCÊS MESMOS

Clique aqui para ver a segunda parte desta conversa

A Clara quer saber se acho que dá na mesma ler jornais impressos ou on-line. Como já falamos um pouco sobre as diferenças de conteúdo e de projeto dos dois meios, pelo menos do jeito como eles são hoje, minha resposta, claro, é não.

E se for o jornal impresso, em papel, mesmo, e a versão eletrônica da edição impressa.

Aí, em termos de conteúdo, dá na mesma. Mas olhe as duas imagens abaixo e veja como o jornal impresso acaba tendo uma informação a mais, que vem da diagramação e dos sentidos que ela estabelece, seja de hierarquia, seja de nexos entre as notícias.

É mais ou menos como uma lista de livros em ordem alfabética, ou organizada em ordem de interesse por um crítico literário. O conteúdo é ó mesmo, mas a informação, não. 

 


 O que acham os leitores? Têm a mesma sensação de informação vendo os dois exemplos acima?

UM EXERCÍCIO

É um bom gancho, aliás, para fazer o teste.

Durante um dia, informe-se por um jornal on-line (não a versão eletrônica do impresso; o jornal on-line, mesmo). Ao final do dia, faça uma lista do que ficou sabendo e hierarquize.

No dia seguinte, leia toda uma edição impressa, faça a mesma lista, e compare as hierarquias.

Por que jornalista precisa ler jornal 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | exercício | PermalinkPermalink #

Cartão de embarque

Daqui a pouco estou a caminho do aeroporto e passo o dia todo amanhã sem poder acompanhar muito o blog. Minha Sofia já está encarregada de publicar um post que vou deixar pronto.

Enquanto isso, que tal vocês responderem ao último exercício, que acabou ficando lá pra baixo?

Clique aqui, veja a pergunta e dê sua opinião.

Inté.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quem acredita em confissões?

Reproduzo aqui uma nota da coluna do Gaspari deste domingo, que nos ajuda a lembrar de tomar todo cuidado quando fazemos matérias policiais.

"Carão" confessou, mas não atirou

Uma pessoa pode até admirar o capitão Nascimento, mas não deve ser tratada como se fosse boba

A GALERIA DE RÓTULOS de Pindorama já teve dois tipos inesquecíveis. Eram o "jovem cineasta" e o "contista mineiro". Não importava o que fizessem, seria coisa boa. Há agora um novo personagem, triste produto do irracionalismo. É o "suposto traficante". Não importa o que tenha feito, mereceu o que teve. O "suposto traficante" pertence a uma espécie que precisa ser extirpada com sacos de plástico e até mesmo com a admissibilidade do aborto como acessório da política de segurança pública. Muita gente concorda com isso. Por isso, oferecer mentiras a a essas pessoas é atribuir-lhes o papel de bobas.

No último dia 9, o policial Eduardo Henrique de Mattos foi morto no Rio enquanto sobrevoava, num helicóptero, a favela do morro do Adeus. O crime foi desvendado em menos de 48 horas. O delegado Aldari Vianna, da 21ª DP, informou que o assassino havia sido preso no Hospital Salgado Filho, onde estava internado, com a mandíbula fraturada e ferimentos no corpo. Era Fábio Brum Camargo, o "Carão", de 24 anos, já condenado por assalto a mão armada. Seria um atirador de elite da quadrilha do traficante "Tota", da favela da Grota. Parecia personagem de filme. Caso encerrado, pois "Carão" confessara a autoria do disparo.

Na terça-feira,o filme queimou. O delegado Rodrigo Oliveira, da Coordenadoria de Recursos Especiais da polícia do Rio, o Core, disse ao repórter Pedro Dantas que a confissão de "Carão" era falsa. Segundo o delegado, o tiro que acertou o policial partiu do Morro do Alemão, a mais de um quilômetro de distância do Adeus. Oliveira explicou que "Carão" confessara o crime "para ganhar os louros de ter matado um policial".

A essa altura, quem acha que "suposto traficante" tem mais é que morrer, que as favelas devem ser ocupadas militarmente e que duvidar da polícia é fortalecer os bandidos, ganha um problema: precisa acreditar que um sujeito com a mandíbula quebrada inventa que matou um policial "para ganhar louros".

Quem aceitou a confissão de "Carão" ficou no papel de bobo. Quem aceita a história dos "louros", faça dela bom proveito. Quem não acredita em nenhuma das duas, fica numa situação delicada: quer justificar a polícia do governador Sérgio Cabral, mas não sabe como.

Sobre suspeitos que eram inocentes 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

JORNALISMO E LITERATURA

JORNALISMO E LITERATURA

De 17 a 21 de dezembro, a Fundação para um Novo Jornalismo Ibero-americano faz uma oficina que vai discutir jornalismo e literatura na obra de Gabriel García Márquez.

A fundação tem o escritor colombiano como presidente e há anos faz oficinas excelentes, principalmente na Colômbia, mas também em outros países latino-americanos.

Essa edição será na cidade natal de Márquez, Aracataca (Magdalena, Colombia). A professora Milagros Socorro, especialista no autor, vai analisar sua técnica, seus enfoques e temas. Os participantes também farão exercícios e poderão discutir sues projetos de jornalismo narrativo.

Detalhes no site da FNPI.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cursos | PermalinkPermalink #

2 - NO BRASIL É ASSIM?

Clique aqui para ler a primeira parte desta conversa

 

A pergunta surgiu de um relatório da Associação Nacional de Jornais dos EUA (NAA), mandado pela Clara, de João Pessoa. Ela recolheu alguns dados (mas vale a pena ver o relatório na íntegra):

  • o número de pessoas que visitou sites de um jornal em julho de 2007 é 9% maior que no ano anterior: foram 59,6 milhões
  • foi a segunda maior audiência mensal desde que os dados começaram a ser coletados em 2004. O recorde foi em maio deste ano: 60,3 milhões.
  • nos meses de agosto e setembro o tráfego caiu para 59,2 milhões e 58,1 milhões, respectivamente. A pesquisa apontou que o tráfego obviamente é afetado por determinada época do ano ou por algum evento novo.
  • O tempo que os leitores permanecem no site passou de 40 minutos, no ano passado, para 43 minutos em média.
  • Aproximadamente oito em cada dez adultos haviam lido jornal impresso ou on-line na semana anterior à pesquisa.
  • Dos que tem renda familiar maior que US$ 100 mil, a porcentagem era 85%

Não há no Brasil nem de longe pesquisas tão completas quanto as americanas.

 

Além disso, acho impossível comparar os dois mundos, entre vários motivos por quê:

 

  1. a "indústria" de jornais nos EUA é inacreditavelmente maior que a brasileira. São milhares de jornais e, dentre eles, há fortes veículos regionais e locais
  2. há grandes cadeias de jornais nos EUA --empresas que controlam um número grande de veículos espalhados pelo país
  3. várias empresas abriram capital e se viram forçadas a cortar custos para manter lucros que contentassem seus acionistas. Muitos que estudam a mídia americana acham que esse corte de custos afetou a qualidade dos jornais, precipitando a queda de circulação
  4. a competição pelo público e pelos anunciantes é muitíssimo maior nos EUA --TVs locais, várias TVs de notícia, fora todos os programas não noticiosos
  5. jornais impressos americanos tiveram redução drástica nos anúncios, principalmente os do grande varejo, algo que não aconteceu no Brasil
  6. jornais impressos americanos foram golpeados de morte nos classificados, que migraram em massa para a internet
  7. o Brasil tem uma parcela muito maior de "excluídos da informação": gente que ou não tem renda ou não tem escolaridade suficiente para acompanhar jornais, seja impressos, seja on-line. Que impacto podem ter melhoras de renda e educação é uma incógnita, mas relevante.

O QUE FAZER?

 

Há tempo já desisti de perder o sono pensando se há futuro para os jornais.

 

A gente é jornalista porque quer fiscalizar o poder público, quer ajudar o país a melhorar, facilitar o dia-a-dia do leitor e contar boas histórias.

 

O foco deve ser fazer tudo isso mais e melhor. Enquanto a Terra não virar "planeta do macacos", haverá lugar pra gente. [será que há leitores que não sabem o que é "Planeta dos Macacos"? É um filme e uma série apocalípticos em que os humanos se destroem e o mundo passa a ser dominado pelos macacos. Aliás, não me lembro se eles tinham algum tipo de jornal. Vai ver que até lá haverá lugar pra gente.]

 


Dr. Zaius lê alguma coisa que talvez possa ser escrita por um jornalista

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PAUTA NÃO EXIGE FIDELIDADE

Ninguém se animou muito com meu exercício sobre os cachorros sacrificados de Fortaleza, né?

Acho que, como disse a Luiza, ele ficou um pouco confuso.

O dilema central da Edwirges era este:

  • ela apurou informação para 60 cm de texto
  • na hora de fechar, só tinha espaço para 30 cm
  • ela escolheu algumas informações e jogou fora outras
  • dentre as que jogou fora, estavam aquelas que tinham dado origem à pauta (as apreensões de cães)

Edwirges queria saber se a gente achava que tudo bem deixar de fora do texto a pauta original.

A resposta é sim. Não é incomum que a gente parta de uma hipótese e, no meio da apuração, descubra algo novo que suplanta e às vezes até desmente nossa pauta original.

Se isso ocorrer, mude de rumo. Não se apegue à idéia inicial. Esteja aberto à notícia.

Naquele exemplo da Edwirges, meu título seria algo como: Promotoria quer reduzir sacrifício de cães abandonados
 
E meu lide seria mais ou menos assim:

O promotor fulano quer firmar um termo de ajuste para reduzir o número de cães sacrificados pelo Centro de Controle de Zoonoses. Por lei, a prefeitura pode recolher todos os cães abandonados e sacrificá-los após XXX tempo, mas a Promotoria pretende minimizar os sacrifícios e estimular doações.

A ação do promotor veio depois que a ong tal reclamou que estão sendo mortos indiscriminadamente cães sadios e doentes --em Fortaleza, 12% dos cães abandonados estão contaminados por xxxx, uma doença que causa tal e tal problema.

O promotor quer que sejam feitos exames, feiras de doação etc. O CCZ diz que não há estrutura para realizar tais exames.

(continua no post abaixo)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TESOURA IMPLACÁVEL

Ainda sobre a pergunta da Edwirges, acho que o caso todo levanta duas questões: 1) Como hierarquizar um monte de informações em pouco tempo 2) o que fazer quando temos mais informação que espaço.

1) COMO HIERARQUIZAR

Por mais primário que pareça, eu faria uma primeira lista das informações essenciais, nossas velhas conhecidas: quem, o que, onde, quando, como, por que e para que.

Depois faria a pergunta fundamental: e daí? Ou seja, que importância isso tem para o leitor (ou para a cidade, para o país, para um grupo de leitores etc.).

Começaria o texto com a notícia e a resposta à pergunta e daí e cuidaria para que pelo menos as informações essenciais estivessem no meu texto.

Se ainda sobrou espaço, procuraria, dentre as outras informações, qual tem mais conseqüências no futuro. Se não houver, procuraria a que é mais inusitada ou mais interessante.

2) COMO FAZER QUANDO HÁ MAIS NOTÍCIA QUE ESPAÇO?
 
É a pergunta que dez entre dez jornalistas de impresso se faz todos os dias.

Se seu jornal tiver uma versão online, o ideal é colocar lá o texto mais completo.

Se não tiver, não tem jeito, vamos ter que exercitar a mais difícil e freqüente tarefa jornalística: selecionar.

O que deixar de fora? Algumas informações são mais fáceis de cortar:

  • declarações que não acrescentam nada de novo, não passam de opinião
  • aspas e citações literais, que, em geral, só entulham o texto e não informam o leitor
  • informações que até são interessantes, mas fogem do foco da reportagem (atenção, estas podem virar uma pauta para o dia seguinte)

Por fim, é difícil resolver assim, como um caso geral. Tudo terá que ser reavaliado história a história, notícia a notícia, apuração a apuração.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Apuração X vazamento

Para coincidir com a nota de ontem sobre vazamentos, vejam a nota que a Polícia Federal passou hoje:

Nota à imprensa

A Polícia Federal em São Paulo, em referência à matéria “Cisco utilizou laranjas para doar R$ 500 mil ao PT, diz PF “, publicada pelo jornal Folha de São Paulo edição de 18.11.2007, comunica à imprensa que não se pronunciou sobre o andamento das investigações referentes à Operação Persona, deflagrada no dia 16.10.2007.
Referida investigação corre sob segredo de justiça e o vazamento das informações de caráter sigiloso configura infração criminal que será apurada, como em casos anteriores, através de inquérito policial a ser instaurado nos próximos dias nesta Superintendência.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Esconde-esconde

Esconde-esconde

A Clara, de Joâo Pessoa, pergunta o que um repórter faz quando uma fonte fundamental para sua história não quer falar.

Vamos supor, por exemplo, que um político é cassado por irregularidades em sua eleição. O repórter ouve o tribunal eleitoral, o candidato derrotado, mas não consegue de jeito algum ouvir o condenado. Ou seja, sua apuração está sem o outro lado.

O que fazer quando falta um personagem essencial para a construção de uma matéria?

Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | exercício | PermalinkPermalink #

CPIs na REDE

CPIs na REDE

Meu leitor Thiago escreve de algum lugar em Minas Gerais com uma dica:

"COMO PESQUISAR RELATÓRIOS DE CPIs

Entre no site do Senado. Clique em Atividades Legislativas - Comissões - CPI. Lá você vai encontrar todas as CPIs e CPMIs pelo menos desde o ano 2000. É só clicar em Notas Taquigráficas e escolher a CPI que quer olhar. Poderá ver todas as transcrições dos depoimentos dos envolvidos."

 Cuidados com informações da internet

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dica do dia | PermalinkPermalink #

O que faz um blog de sucesso?

Meu leitor André manda este artigo da NewsU sobre blogs: "Where the journalism of the future is being done now".

Antes de falar sobre ele, vale lembrar que a NewsU é um site que todo estudante de jornalismo e jornalista precisa conhecer, pois eles têm bons cursos on-line, alguns gratuitos, outros pagos, mas não muito caros.

Sobre o artigo, comenta o André:

Ele conta vários casos de jornais impressos virando on-line, fala sobre ferramentas de investigação, mas não achei que cai na discussão do "fim dos impressos", que uma leitora do blog mencionou num post recente. O artigo levanta outras questões também, mencionando principlamente jornais americanos não tão conhecidos dos brasileiros.
 
Mas o que me chamou a atenção, mesmo, foi a resposta à pergunta "O que faz um blog de sucesso?". O autor diz que o blog deve achar um assunto específico e construir conteúdo sobre ele, mas isso requer muito trabalho e recursos. Porém traz também muita fidelidade, que por sua vez atrai leitores e formas de financiamento.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Leitor, você já viu este caso antes

Deixei pra trás o comentário de um exercício de vários dias atrás: como fazer lide numa continuação.

Parece bobagem, mas é uma situação que acontece praticamente todo dia em jornais on-line e com freqüência nos impressos.

No exercício, havia acontecido uma operação policial pela manhã, já noticiada. Houve mortes e esse foi o lide.

Mais tarde, a polícia divulgou apreensões feitas nas operações. A novidade agora eram as apreensões, mas essa nova matéria só está sendo publicada agora porque a operação da manhã foi grande e provocou mortes.

São as mortes que fazem com que o leitor identifique de que caso se trata, que fazem com que ele entenda que estamos falando do mesmo caso que ele já leu de manhã.

Esse lide, então, precisa ser algo assim:

Três motos roubadas, 900 gramas de maconha, material para embalar drogas, cabo de espingarda, uniforme do exército e uma coronha calibre 12 foram apreendidos na operação policial realizada hoje de manhã na favela da Rocinha, em que um morador acabou ferido por uma bala perdida.

Ou:

A polícia divulgou apreensões feitas nas operações que, na manhã desta quinta, deixaram três mortos e um ferido em duas favelas do Rio: foram apreendidas na Rocinha três motos roubadas, 900 gramas de maconha, material para embalar drogas, cabo de espingarda, uniforme do exército e uma coronha calibre 12, entre outros.

O ponto aqui é: lembre sempre ao leitor de que caso se trata.

Veja um outro exemplo nestes dois lides, feitos por trainees num exercício. Eles partiram de reportagens que falavam sobre crimes e precisavam apurar, no tribunal, em que pé estavam as investigações ou o processo.

PRIMEIRO CASO

O promotor de Justiça Maurício Ribeiro Lopes afirmou on­tem que o punk Genésio Ma­riuzzi Filho, 23, acusado de ma­tar o turista francês Grégor Er­wan Landouar, confessou o cri­me. Segundo Lopes, essa con­fissão indica que o réu será jul­gado por um tribunal de júri popular.

Landouar foi esfaqueado e morto em junho último, depois de deixar um restaurante na alameda Franca, nos Jardins. O crime ocorreu no dia da Parada do Orgulho GLBT, evento do qual a vítima participou.

Nesse primeiro texto, o leitor é relembrado logo no sublide de que caso se trata. Compare com o texto abaixo, em que a memória vem bem mais abaixo.

SEGUNDO CASO

O julgamento do punk Gené­sio Mariuzzi Filho, 24, acusado pelo homicídio do turista fran­cês Grégor Erwin Landouar, 35, em junho, terá nova audiên­cia na próxima quinta-feira (8).

Na sessão, a juíza Marcia Ma­yumi Bugan, da 1ª Vara do Tri­bunal do Júri, irá ouvir teste­munhas antes de decidir se o processo irá a júri popular, que julga apenas crimes dolosos (intencionais) contra a vida.

Em audiência no dia 19 de se­tembro, Mariuzzi confessou o crime, informou o promotor de Justiça Maurício Ribeiro Lo­pes, que diz acreditar que o ca­so irá a júri popular.

Ivan Silveira Laino, defensor público designado para o caso, diz que só começará a organizar a defesa de Mariuzzi após o en­caminhamento dado pela juíza.

O punk está preso desde 2 de agosto no 8º Distrito Policial, no Brás.

O crime ocorreu em 10 de ju­nho, mesmo dia da Parada do Orgulho GLBT. Landouar foi morto com uma facada no ab­dômen após sair de um restau­rante na zona sul de São Paulo, onde almoçara com três homens que haviam participado da parada.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

11 TIPOS DE VAZAMENTO

"Vazamento", como o nome indica, é aquela informação que supostamente não deveria ser divulgada, mas que é passada a um jornalista por alguém de dentro de uma empresa, governo, entidade etc.

O grifo em supostamente faz sentido: muitas vezes o vazamento serve aos interesses de quem, em tese, seria prejudicado com ele.

É uma estratégia muito usada por políticos e seus assessores, diz este texto bem legal do site Politico, que me mandou meu amigo Marcelo Soares. Conta o site que em Washington, a piada corrente é esta: na cidade, repórteres ficam sentados esperando que o telefone toque com a próxima grande matéria que virá de um vazamento. Diz Ryan Grim, autor do texto: toda piada tem um fundo de verdade.

Grim classifica os vazamentos em 11 categorias, com seus respectivos exemplos. Traduzi algumas aqui, para vocês terem uma idéia.

COMO O LEITOR PODE AVALIAR O VAZAMENTO

é intencional - quanto mais fontes contando a mesma história e mais específica for a identificação do off (um executivo da empresa, um dos diretores, um membro do primeiro escalão do governo).

é não autorizado - quanto mais vaga a descrição do off (um funcionário da empresa, uma fonte que conhece a área).

MOTIVOS BÁSICOS PARA VAZAR NOTÍCIAS

O Politico diz que há centenas de motivos, mas todos cabem em três categorias: mal-itencionados, bem-intencionados e acidentais.

E reclassifica os vazamentos em 11 tipos, dos quais traduzo 6:

  1. Balão de ensaio: nomes de candidatos a vagas de alto escalão sempre são vazados. Servem para que os proponentes avaliem a aceitação e protejam-se de repercussão negativa.
  2. Não espere muita coisa: muito usado por assessores de Bush na campanha à Presidência. Eles baixavam tanto as expectativas em relação ao desempenho do candidato no debate, que "bastava que ele dissesse algo semi-coerente para superar tais expectativas".
  3. Coce minhas costas que eu coço as suas: a fonte passa uma informação que pode até ser prejudicial a sua organização, com o objetivo de ganhar a confiança de um repórter e merecer a atenção dele no futuro
  4. O gato subiu no telhado: usado na campanha pelo impeachment do presidente Clinton --a Casa Branca liberava informações a conta-gotas, para ir preparando e sedando o público.
  5. Vacina contra notícia: assessores vazam tudo o que for prejudicial ao candidato bem no começo da campanha, para minimizar seu impacto no futuro --já será notícia velha.
  6. Foi feito por mim: a fonte fala só porque quer se sentir importante, ver a história que ajudou a criar publicada no dia seguinte, mesmo que a informação passada não seja de seu interesse ou do de seu grupo. 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

FALSA DISPUTA

Aumentou o número de leitores dos jornais on-line, mostra este relatório da Associação Nacional de Jornais dos EUA (NAA), que me manda a Clara de João Pessoa.

Caiu (2,5%) a circulação dos impressos nos EUA no semestre abril-setembro, mostra o relatório do instituto de verificação de circulação americana, que me manda meu colega ALEC DUARTE.

A Clara faz três boas perguntas:

  1. Como os jornais impressos podem competir com os on-line?
  2. Será que as constatações dessa pesquisa se assemelham ao que acontece no Brasil?
  3. Na polêmica sobre a obrigatoriedade do jornalista em ler jornais, qual seria a diferença entre ler jornais impressos ou on-line? [Polêmica, Clara? Achei que fosse consenso... ]

Para não ficar um post gigante, vou dividi-lo em três, um para cada resposta.

 

1 - DEVEM COMPETIR?

 

À primeira pergunta eu respondo com outra. O que tem acontecido, na verdade, é que cresce a audiência dos jornais on-line que derivam de jornais impressos.

 

O próprio relatório da NAA une os dois meios no que chama de "newspaper footprint" --trata os dois meios como uma coisa só.

 

Impossível prever como vai evoluir, mas hoje impressos e on-line não competem e, em certa medida, se complementam, porque têm "projetos" diferentes.

 

Os on-line têm sido realmente mais breves, mais ligeiros, mais quentes, enquanto os impressos têm sido mais aprofundados, analíticos, contextualizados e até às vezes mais completos.

 

Para mim, a questão não é "on-lines vão matar os impressos?".

 

O que importa mesmo é "informação vai continuar conseguindo se manter como negócio?" [falamos um pouco sobre isso há alguns dias].

 

E, na raiz dessa pergunta: "O interesse por informação está caindo?" (há dois anos, pesquisas diziam que sim, mas não vi dados atualizados).

 

Os jornais sobrevivem?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.