Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

QUANDO DESINVERTER A PIRÂMIDE

Pirâmide invertida, vocês sabem, é o texto que começa com o mais importante e vai dispondo os parágrafos em ordem descrescente de relevância.

Serve bem em textos informativos porque:

  1. se o leitor estiver apressado, ficará logo informado do principal
  2. se for preciso cortar, basta tirar o que está no pé

Quando alguém morre, por exemplo, é comum que o texto comece assim: "Morreu ontem aos 54 anos Fulana de Tal". Ou "Doze pessoas morreram no maior acidente do ano em tal lugar".

Mas há casos em que, apesar de tratar de morte, o texto não precisa --e nem deve-- começar desse jeito.

Uma dessas circunstâncias pode ser vista todos os dias na seção Mortes da Folha. São as pequenas biografias, chamadas de obituários, que o jornal vem publicando.

Não é preciso dizer para o leitor que alguém morreu, se o texto está sob a vinheta Mortes, numa seção que só traz mortos, certo?

Com isso, ganha o repórter, que em vez de morte pode escrever sobre vida. O exemplo abaixo saiu do jornal de hoje:

Márcia da Silva, a catequizadora de Mutuípe

LUIZ FRANCISCO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR

Durante duas semanas, a professora Márcia Rauedes Cardoso da Silva percorreu as principais ruas de Mutuípe (BA) para convencer os moradores a participar de uma das maiores festas religiosas da Bahia, em Bom Jesus da Lapa. Alegre e comunicativa, conseguiu a adesão de 120 pessoas.

Antes de deixar a cidade, organizou o comboio -os três ônibus viajariam juntos para evitar assaltos- que seguiria para a festa. Foi a última a entrar em um dos ônibus, ao lado do marido, Luís Carlos da Silva (PT), prefeito de Mutuípe.

Na primeira hora de viagem, entoou cânticos religiosos. Em cada parada, demonstrava seu apego à religião, à família e à profissão. Para interagir com os moradores, o prefeito trocava de ônibus em cada parada.

Quando estava perto de Maracás (BA), o eixo traseiro do veículo em que viajava a primeira-dama se soltou, e o ônibus caiu em uma ribanceira. No total, 35 pessoas ficaram feridas -seis em estado grave- e duas morreram.

Os ocupantes dos outros dois ônibus tentaram socorrer as vítimas, entre as quais a primeira-dama. A maioria dos feridos foi levada para um hospital de Jequié. Márcia da Silva morreu anteontem, aos 43 anos. Deixou três filhos, e o seu enterro, ocorrido ontem, parou a pequena Mutuípe.

O que vocês acham? Não fica muito mais atraente um texto que abre com a vida de uma pessoa, ainda que a notícia seja sua morte? Não é ótimo para o texto que a vinheta da seção já dê logo o serviço?

[No Brasil, obituários não são comuns, mas em jornais do exterior eles existem há décadas e são das páginas mais lidas. Vários jornais americanos chegam a ter mais de uma página inteira dedicada diariamente a perfis de quem morreu.]

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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h06

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Meu leitor Roberto Takata avisa que vão até amanhã as inscrições para workshop para jornalistas sobre mudanças climáticas.

É organizado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com o apoio do Programa de Comunicação em Mudanças Climáticas da Embaixada do Reino Unido no Brasil.

Será em São Paulo, de 21 a 24 de novembro 2007.

Não há taxa de inscrição e almoço e coffee-break são por conta dos organizadores.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h02

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EM QUE SITE CONFIAR?

Minha leitora Edwirges, de Fortaleza, propõe um post sobre em que tipo de site podemos confiar na hora de levantar informação:

"Fiz uma matéria sobre a situação de uma lagoa da cidade que está bem seca. Conversei com um geógrafo e com um hidrólogo, que me explicaram que pode ser um fenômeno natural aliado à ação do homem, como desmatamento da mata ciliar e assoreamento.

Por conta de ter utilizado vários termos que mereciam explicação, fiz um quadro chamado dicionário --usado no jornal em que estagio, o O POVO, para mostrar os conceitos da palavras.

Para me auxiliar, recorri à Wikipédia, mas não confiei nela totalmente.

Então, liguei para o geógrafo que acabara de entrevistar e li os conceitos para que ele fizesse correções.

Já havia ficado em dúvida com relação à utilização da Wikipédia como fonte. Fui falar com o Plínio Bortolotti, o ombudsman do O POVO, e ele disse que eu havia feito certo em confirmar os dados com um especialista.

Eu acho sempre complicado recorrer a informações da internet - principalmente a um site em que todos podem mexer, como a Wikipédia, e a blogs, com exceção dos jornalísticos que são identificados [aqui em Fortaleza, nós temos o ótimo exemplo do blog do Eliomar de Lima - .

Em que tipo de sites o repórter pode confiar para utilizar as informações? 

DUVIDE SEMPRE

Antes de responder à pergunta, um aviso: de preferência, toda informação que sair da internet deve ser checada, independentemente do site. Por quê?

  • sites são feitos por gente, ou seja, estão sujeitos a erro de digitação e até a falta de cuidado e precisão. Já vi nome de secretário de Estado errado no site da própria secretaria, por exemplo
  • são ambientes vulneráveis, que podem ser invadidos e modificados
  • dão trabalho para manter, e muitos podem ficar desatualizados

A internet funciona muito bem como fonte de pesquisa, mas é sempre arriscada como fonte única de apuração.

A Wikipédia tem o agravante de ter vários verbetes abertos, de autoria http://www.britannica.com/coletiva, por isso é importante verificar quem é o responsável pelas informações (alguns verbetes são escritos por especialistas; nestes, pode-se confiar mais). [Veja aqui um caso em que um mesmo dado mudava nas versões em português e em inglês da Wikipedia.]

São sempre mais confiáveis as fontes de referência consagradas --Atlas, institutos geográficos, enciclopédias estabelecidas como a Britannica.

EVITE ERROS

Tome alguns cuidados quando usar a internet como fonte:

  • sempre que possível, pegue no próprio site o telefone do órgão e cheque os dados com a pessoa responsável
  • quando não encontrar um telefone ou não conseguir falar com o órgão, tente checar em outra fonte
  • veja se a informação está datada. Ela pode estar desatualizada
  • procure a fonte da informação. Se for outro órgão ou site, cheque na fonte original, pois pode ter havido erro na transposição
  • nunca reproduza sem checar informação publicada em outros veículos de informação. Jornalistas erram; não reproduza o erro dos outros
  • nunca copie e cole um trecho da internet na sua matéria. Além de ser plágio, você pode estar reproduzindo até erros de ortografia e gramática

Por que não usar a Wikipedia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h16

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PARA QUEM ENTENDE A REFERÊNCIA

É para a série humor no jornalismo este texto-legenda da capa da Folha de hoje. Fotos com título em geral são uma boa oportunidade para trocadilhos inteligentes, como esse, que brinca com o título do filme de Glauber Rocha, "Terra em Transe" (aliás, um bom filme para jornalistas, aspirantes e simpatizantes, pois trata também do papel da imprensa).

Mais exemplos de humor

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h11

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Programa para o feriado

A dica é do meu colega DIOGO BERCITO:

O filme "Leões e Cordeiros" está entre os melhores do ano, pra mim.
 
A Meryl Streep faz o papel de uma repórter "veterana" de televisão. Ela é chamada por um senador (Tom Cruise) para receber em primeira mão as notícias de uma operação militar no Afeganistão.
 
Achei demais ver como a repórter se portou durante a reunião com o senador. Não comprou nada do que ele disse, questionou tudo, usou fatos do passado para confrontar as informações dadas. Fiquei o tempo todo pensando em como é raro ver um jornalista com tanta competência.
 
O conhecimento histórico dela é tão sólido que impressiona o senador. "Você gravou o History Channel?", ele brinca. Outra raridade hoje em um jornalista.
 
Pra fechar a discussão, Streep ainda tem uma crise quando precisa decidir se vai veicular as informações ou não. E a culpa bate: sim, a imprensa ajudou o governo dos EUA a vender a guerra no Iraque - e é igualmente culpada, sugere o filme.
 
Bom, só citei tudo isso pra explicar porque eu, como jornalista, gostei tanto do filme. Se você tiver a oportunidade, assista também. E me diga o que achou.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h44

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NÃO EMOCIONE MINHA MÃE

NÃO EMOCIONE MINHA MÃE

O que faz um repórter quando precisa entrevistar uma fonte que está doente, e um parente pede que sejam evitadas perguntas que possam emocioná-la?

O repórter deve aceitar?

A pergunta é de minha leitora Flávia, de Brasília, que relaciona nossa conversa de outro dia sobre "Jade e os abutres" e a entrevista que a Folha publicou no domingo com a Zélia Gattai, em que há uma situação inversa à da ginasta.

Logo no início do texto, o repórter afirma que a filha da escritora pediu para ele não fazer perguntas que pudessem emocionar a mãe (e em determinados momentos da conversa, a filha chegou até mesmo a impedir que ela respondesse algumas questões, como publicou o jornal). Fiquei curiosa pra saber se o jornalista se privou de fazer alguma pergunta por conta dessa ressalva e se ele insistiu nessas questões que foram "cortadas" pela filha da Zélia. Como o repórter deve reagir a um pedido desses? É uma situação bem delicada, não? [Clique aqui para ler a entrevista inteira.  Copiei também no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]


Pedi a meu colega LUIZ FRANCISCO, correspondente da Folha em Salvador, que contasse como foi este caso:

Na realidade, como era uma entrevista exclusiva, fui até a casa da escritora com algumas perguntas pré-formuladas.

É claro que, no decorrer da conversa, muita coisa mudou.

Uma das perguntas que não pude fazer à viúva do escritor Jorge Amado foi a seguinte: a) Qual o escritor brasileiro atual que, na opinião da senhora, tem estilo semelhante ao do seu marido?

Quando fiz a pergunta, Paloma Amado, filha da escritora, interferiu. Depois, queria insistir na crise financeira da Fundação Casa de Jorge Amado, e novamente Paloma interferiu.

Concordo com a Flávia: a situação do repórter nestes momentos é mesmo delicada.

 Mas temos de ter jogo de cintura, tentar de todas as maneiras formular as perguntas, manter a tranquilidade, mudar o foco das perguntas (e depois tentar retornar àquilo que desejamos). É evidente que, quando o entrevistado (no caso dona Zélia) está respirando com o auxílio de um balão de oxigênio, tinha acabado de sair do hospital, precisamos ter um pouco mais de cuidado...

Outros jornalistas contam como fizeram seu trabalho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h16

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JOGAR FORA O QUÊ?

JOGAR FORA O QUÊ?

Minha leitora Edwirges, de Fortaleza, tinha muita informação e pouco espaço e estava em dúvida sobre o que deixar na história e o que deixar fora. Vejam o que acham:
 
Ela estava apurando uma história que havia sido passada ao jornal por uma ONG. A pauta inicial era que o centro de controle de zoonoses estava recolhendo indiscriminadamente cães doentes e sadios na cidade, porque não tem condições técnicas de avaliar quais são doentes.
 
Quando foi falar com o promotor, este disse que os cães não poderiam ser sacrificados indeterminadamente. O promotor ainda está investigando, mas quer firmar um termo de ajuste de conduta com a Secretaria Municipal de Saúde, para que eles façam o exame nos cães para saber quais estão doentes e poupar os sadios da eutanásia, para que realizem feira de doação e para que façam esterilizações nos cães.
 
Ela tinha 60 centímetros de texto, mas só cabiam 30. Deixou na matéria essa questão dos sacrifícios e tirou toda a parte da apreensão dos cães, que tinham dado origem à pauta.
 
O que vocês acham? Há problemas em ter deixado de fora a informação que a levou até a história? Acham que ela fez a melhor escolha?
 
Mandem sua opinião.
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h02

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FALTA DE EXPERIÊNCIA

Minha leitora Bruna,  de BH, comenta como a falta de experiência atrapalha muito garoto bom à procura de uma chance nos jornais:

Acho que os estudantes devem procurar melhorar suas faculdades e também acho que as universidades públicas deveriam ter mais vagas (desde q a qualidade estivesse garantida -em pauta Reuni).

Mas acho tão complicado simplesmente dizer "sempre haverá vagas para bons jornalistas".

E para aquele que quer virar jornalista? O recém-formado que fez um ótimo curso, mas sempre fica como "excedente" nas melhores seleções que participa.

Os programas de trainees recebem poucos alunos. Muita gente boa fica de fora.

Aí essa pessoa vai para uma assessoria de imprensa, quando sempre quis trabalhar num jornal ou em uma revista. E quando vai tentar uma vaga perguntam sua experiência. E naturalmente a vaga é do outro que tem alguma experiência.

Minha questão é a seguinte: tem estudante q tem de tudo para ser um bom jornalista, mas não vai ser. Porque não vai ter oportunidade. É claro q ele deve correr atrás e tentar se aprimorar e imagino que a maioria faz isso. Mas é difícil conseguir essa experiência.


A situação que a Bruna relata é real e realmente há uma tendência de que sejam selecionados os que já têm experiência, justamente por isso, por já terem experiência.

Não é maldade do editor.

É que experiência melhora o trabalho, ajuda a aprender, e o editor acredita que quem já pôs a mão na massa saberá se virar melhor no dia-a-dia.

Quem não tem tanta experiência pode contornar oferecendo frilas, como a gente já conversou aqui. E sem desistir. Uma hora dá certo.

De onde surgiu esta discussão

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h28

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ATRÁS DE EMPREGO

Maria Alice Nogueira é professora da Universidade Estácio de Sá, no Rio, e tem um blog para quem procura emprego.

Outro post sobre isso
Como começar a trabalhar

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h57

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OFF DO PRESIDENTE

OFF DO PRESIDENTE

Meu leitor André, de Campinas, ao ler o post "Quebrei o off?", lembrou-se de uma entrevista que leu na Folha (e que comentamos aqui no blog), do presidente Lula ao repórter KENNEDY ALENCAR.

Na entrevista, há um trecho que o deixou em dúvida:

FOLHA - Preocupa o sr. a inversão do ônus da prova?
LULA - É lógico. Vou te contar um episódio que não precisa publicar. Lembro-me quando a Folha publicou uma matéria que eu tinha vendido um carro superfaturado. Liguei para o velho Frias [Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha morto neste ano] e disse que era uma mentira. A matéria saiu. No domingo, leio o jornal e tem no caderno de carro um igual ao meu com o mesmo valor de mercado. Abri um processo. Ganhei. Foi pouco. Demorou uns dez anos para ganhar. O que acho é que quem acusa precisa provar. Senão fica muito difícil.

Seria um pedido de off? André ressalta:

"Sei que o presidente usou "não precisa", o que dá margem para o repórter decidir, e também que o fato é importante, ainda mais na Folha, que adota a autocrítica de forma mais transparente do que os outros jornais.

Mas essa frase gerou alguma disucussão entre o repórter e o editor, ou foi questionada depois da publicação?

Se tiver algo interessante sobre isso, e se for possível, você poderia pedir ao próprio Kennedy para comentar, o que acha?"

Atendendo ao pedido, fui consultar o Kennedy, que esclarece:

Ana, era uma entrevista gravada. Ele não pediu off. Disse que eu não precisava publicar por imaginar que era uma informação incômoda para o jornal, já que ele ganhara um processo da Folha.
Fazendo honra à transparência da casa, achei melhor publicar. Se o presidente tivesse pedido explicitamente off a respeito de alguma informação, eu não publicaria on de jeito nenhum. Off é off. Não se quebra sem uma razão muito, mas muito importante.
Abraço,
Kennedy


RELEMBRANDO JAYSON BLAIR

Essa história de off me fez lembrar que, depois do caso Jayson Blair, o recurso foi extensivamente debatido em jornais do mundo todo e vários chegaram a proibir a publicação de offs, como fez o "Washington Post" (veja um resuminho aqui, feito em 2004).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h38

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ESPANHÓIS

ESPANHÓIS

Em tempo de "por que no te callas?", a Casa do Saber faz curso de quatro aulas sobre os espanhóis - história e cultura.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h27

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A CAPA

Esta capa foi o ponto de partida para algumas perguntas que me manda minha leitora Clara, de João Pessoa:

Como é o processo de diagramação da Folha? Você se lembra de algum fato que tenha motivado uma capa-pôster? Qual seriam os fatores que poderiam determinar este tipo de capa?


Antes de responder, coloco abaixo os comentários da Clara sobre o exemplo acima e a diagramação em geral, que são úteis para quem se interessa pelo tema:

Primeiro foi o design da capa que me impressionou. Achei a “capa-pôster” visualmente muito bonita, a diagramação interessante, utilizando as duas extremidades do jornal para ilustrar as extremidades da ponte.

Depois me interessei em ler a história por trás da capa. Do que falava? Por que a manchete “Novamente Juntos”?

A partir da reportagem, me lembrei de um livro do jornalista José Ferreira Júnior: “Capas de jornal – A primeira imagem e o espaço gráfico visual”.

No livro, o autor faz um estudo interessante sobre como o jornal, por intermédio de sua capa –“seu apelo visual mais contundente, exposto nas bancas da cidade”- integra-se no contexto dos inúmeros itens que compõem o desenho visual urbano. Enfim, em como as capas de jornal (ou de revista) não são resultado simplesmente de diagramação, nem gratuitas: marcam época, fazem parte do desenho urbano e influenciam o ritmo social.

E que uma capa-pôster pode chegar a ser considerada uma peça de arte e/ou um grande marco de uma época, dependendo da circunstância do dia, da ocorrência de um fato-síntese, da existência de uma imagem forte. 
 
Todos estes elementos encontrei no exemplo acima, que ilustra perfeitamente essa teoria (a matéria por sinal é muito boa, forte, tem impacto, traz drama –-é do "Sun Herald" de Mississipi [para ler a matéria original, clique aqui. A Clara fez uma tradução da matéria, que pode ser lida aqui.]

 


Sobre a diagramação da Folha: não me lembro de termos dado na Primeira Página uma capa pôster. Há vários exemplos de capas de caderno que foram pôster em dias especiais, de notícia forte (finais de Copa, morte do Papa, Guerra do Iraque, ataques do PCC), mas não na Primeira Página.

Mesmo no dia em que houve o maior ataque terrorista da história, o 11/9, a capa não foi pôster, embora tenha sido monotemática.

Isso tem a ver com o projeto do jornal. Num outro projeto, fatos extraordinários, como esses que citei acima, justificariam a capa, com certeza.

Pessoalmente, acho que capas diagramadas desse jeito ficam lindas, mas acharia estranho ver a Primeira Página da Folha tomada apenas por uma foto e um título. Acharia frio demais. Mas isso é mais questão de costume que de teoria.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h02

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Por que o programa tem patrocínio?

Essa é uma pergunta que me fazem de vez em quando.

O programa de treinamento existe desde 1988 e passou a ser patrocinado há dois anos.

Dá para ver, portanto, que ele não precisa do patrocínio para existir. A Folha sempre investiu não só no curso como no treinamento das equipes.

Mas os patrocinadores permitiram melhorias no programa, entre elas uma bolsa de alimentação e transporte para os trainees que precisarem dela.

O patrocínio também permite investimentos no caderno final dos trainees --na última turma, três deles viajaram para fazer suas matérias finais-- e em infra-estrutura do treinamento.

A contrapartida do patrocínio é que os jornalistas conheçam o trabalho das empresas --Philip Morris, Odebrecht e, a partir de agora, Pfizer.

Obviamente não temos que fazer matéria sobre nada e, se houver matéria, ela nunca será elogiativa. Não há qualquer restrição a críticas. Mas o objetivo mesmo da viagem é só conhecer o trabalho.

Jornalisticamente é uma oportunidade excelente, porque em geral vivemos no mundo das idéias e conhecemos pouco o mundo da produção: plantações, fábricas, obras.

As viagens nos dão chance de ver mundos diferentes, falar com gente que tem outras preocupações, outras expectativas. E, às vezes, como nessa que fizemos ao Peru, são uma chance rara de ir a alguns lugares como os Andes ou a floresta amazônica.

Viagem ao Peru
Última viagem ao RS

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h04

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TUDO POR UMA ENTREVISTA

Meu trainee PABLO SOLANO escreveu este texto muito legal sobre suas peripécias na viagem que fizemos ao Peru. Demorei tanto para publicar que já estamos viajando de novo, desta vez para Santa Cruz do Sul (RS), para conhecer o setor fumageiro.

Mas o texto dele continua tendo lições interessantes, além de contar uma aventura, por isso vale a pena ler.

Além disso, serve de gancho para eu explicar melhor essa questão dos patrocinadores do programa de treinamento, o que farei num outro post.

"A lição mais interessante da viagem ao Peru é que, ao se hospedar em um hotel, o repórter deve se preocupar com o cadastro na recepção. Eu, Pablo Solano Tavares de Almeida, que assino Pablo Solano, explico o motivo.
 
Na sexta anterior ao sábado que passaríamos em Lima combinamos com o assessor de imprensa da Corte Suprema do Peru de contatá-lo logo que chegássemos à cidade para saber se eu e Ricardo Sangiovanni poderíamos entrevistar o presidente do Judiciário peruano.
 
Liguei logo ao sair do avião. Avisei o assessor que estávamos hospedados no Hotel de las Americas, em Miraflores, e combinamos de nos encontrar lá mesmo para irmos todos juntos até a residência do juiz.
 
Fomos na hora marcada para a portaria do hotel. Com muita fome depois de mais de seis horas viajando, acompanhamos nossos colegas almoçarem sem poder fazer o mesmo. E ainda ficamos um olhando para a cara do outro com aquela sensação de que levaríamos um cano. Depois de uns 50 minutos esperando, eu decidi ligar para saber o que havia acontecido. O assessor não sabia em qual hotel de Las Américas estávamos hospedados. Só no bairro de Miraflores existem outros três da mesma rede.
 
Para resolver o problemas, ele ligou para todos os quatro e procurava pelo senhor Solano. Até aí tudo certo se eu não estivesse cadastrado como TAVARES, PABLO. No hotel em que estávamos a recepcionista afirmou que tal hospede não estava por lá.
 
Passado o susto, ele chegou em cinco minutos. Ainda bem que não perdemos a matéria. Na próxima vez em que me hospedar em alguma viagem pelo jornal, vou fazer questão de colocarem SOLANO, PABLO no meu cadastro. Vai que perco um furo.
 
Passado o risco de ter perdido a entrevista, a lição que ficou é que o respeito com a fonte é o melhor cartão de visitas de um jornalista.
 
Por culpa da demora para nos encontrarmos com o presidente da Suprema Corte, já era noite quando chegamos ao local da entrevista. Além disso, estávamos visivelmente cansados pela semana de atividades, nossas roupas informais não escondiam a pouca idade e a conseqüente pouca experiência, e o entrevistado não conhecia nosso jornal. Logo após nos receber ele afirmou que nunca havia recebido jornalistas em sua residência e que abria uma exceção. Parecia o caldo perfeito para a entrevista render pouco, mas ele respondeu a todas as perguntas que realizamos, não fugiu de nenhuma. Na única vez em que não respondeu, explicou que o caráter transitório da função que desempenha não permite pareceres sobre o processo. "Daqui a dois anos, quando não for mais presidente do Supremo, posso vir a julgar este caso".
 
Saber realizar uma entrevista de maneira séria, respeitosa e precisa deve ser um dos principais trunfos de um jornalista no primeiro contato com uma fonte."

Humor na viagem ao Peru
PH conta sua longa viagem através do país
Volta para casa
Uma foto da turma em Cusco
Por que o programa tem patrocínio

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h11

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ESTÃO FORMANDO JORNALISTAS DEMAIS?

Há gente que ficou com arrepios quando escrevi, ontem, que talvez haja vagas de menos no curso de jornalismo da USP.

Há gente que acha que há faculdades demais, que se formam jornalistas demais, não há vagas para tanta gente no mercado de trabalho.

É verdade que não há vagas para todos, mas para mim isso não tem nada a ver com o número de faculdades ou formandos.

O número de vagas em jornais, rádios, TVs será dado pela saúde e vitalidade desses meios, pela capacidade que tiverem de atrair público e anunciantes.

Quanto mais bom negócio forem, mais vagas terão.

Essas vagas serão ocupadas por jornalistas bem preparados, talentosos, dispostos a trabalhar, interessados no "métier".

Não importa que todo ano se formem 1.000, 10 mil ou 50 mil jornalistas. Isso não afetará em nada o número de postos de trabalho.

Sou contra impedir que as pessoas estudem e se formem sob o argumento de que o mercado de trabalho não tem como absorver tanta gente.

Cabe a cada um informar-se sobre a realidade da profissão que escolheu e decidir se quer pagar o preço --em geral, investir o máximo de si mesmo em sua formação.

Se a USP só acolhe por ano 60 pessoas, os outros milhares não desistirão do jornalismo. Apenas terão que pagar uma mensalidade para conseguir o diploma.

Minha leitora Mariana me escreve dizendo que "mais do que garantir o acesso à universidade, precisamos defender o aumento da qualidade do ensino (que passa também pela educação de nível básico) e a oferta de empregos qualificados".

Sim, Mariana, acho que é preciso defender a melhora da qualidade de ensino, com certeza. Não acho que isso venha antes ou seja mais importante que defender mais oportunidades aos que querem estudar. E não vejo como "defender" a oferta de empregos. Isso está fora do nosso alcance.

O que realmente faz sentido, pensando no mercado, é que os alunos exijam de sua faculdade a melhor formação possível. Imaginem só: às vezes não conseguimos preencher vagas por falta de alguém capacitado a exercer a função que temos aberta.
 
Outra coisa que eu repito muito, sob pena de virar a chata do ano, mas que é verdade: jornalistas, estudantes, formandos precisam entender que depende muito deles destacar-se e conseguir bons trabalhos.
 
Não é incomum entrevistar para uma vaga gente que não lê o jornal todos os dias. É algo tão básico, não é? Esses candidatos não deixam de ser contratados porque não há vagas, mas porque não levam a profissão a sério. 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h23

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'rey'ggaeton

A notícia que virou diversão instantânea, o pito do rei Juan Carlos em Hugo Chávez, ganhou o mundo em todos os ritmos. Neste link, dá para ver e ouvir em reggaeton e trance.

O jornal da CBN pôs no ar hoje uma versão que meus trainees já antecipavam ontem, ao ver a charge do jornal "O Globo": um remix do rei com inclui uma fala do Quico, do seriado "Chaves": "Cale-se, cale-se, você está me mataaaaando!"

Não achei o áudio no site da rádio. Se alguém encontrar e quiser contribuir com a campanha humor no jornalismo, mande o link pra mim.

Abaixo, outro item da campanha

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h51

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Bactérias, peixes, Britney Spears

Na campanha humor no jornalismo: meu trainee PH Rodrigues manda o parágrafo abaixo, que tirou do perfil do ambientalista James Lovelock, na "Rolling Stone deste mês": 
 
"Antes de Lovelock aparecer, a Terra era considerada pouco mais do que um pedaço de pedra aconchegante que dava voltas em torno no Sol. De acordo com a sabedoria em voga, a vida evoluiu aqui porque as condições eram adequadas: não muito quente nem muito frio, muita água. De algum modo, as bactérias se transformaram em organismos multicelulares, os peixes saíram do mar e, pouco tempo depois, surgiu Britney Spears.

PH acrescenta: "Em tempo: Lovelock bolou a teoria Gaia, idéia revolucionária que interpreta a Terra como um superorganismo "vivo".
Ele considera o aquecimento global uma resposta do "sistema" com o objetivo de se livrar de uma espécie irritante: você, eu, nós, os seres humanos."
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h11

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CANDIDATO: PIOROU OU MELHOROU?

Um candidato a jornalismo que lesse o título "Jornalismo é o curso mais concorrido da Fuvest" poderia pensar: "Puxa, é um dos cursos em que é mais difícil de entrar".

O que lesse o título "Cai procura por jornalismo na Fuvest" pensaria: "Legal, ficou mais fácil de entrar neste ano".

Mas na verdade não ficou nem mais fácil nem mais difícil, porque esse número, de candidatos por vaga, na verdade não quer dizer nada para quem quer entrar na faculdade.

E daí que há 40 candidatos por vaga em jornalismo? Isso na verdade não indica que o curso seja o mais procurado. Indica, sim, que ele tem poucas vagas.

Pra quem interessa esse dado?

No limite, deveria interessar aos reitores das universidades. O sentido dele está invertido. O que ele realmente indica é que jornalismo é o curso que menos atende aos anseios da sociedade (ou pelo menos da parte da sociedade que quer se formar na USP).

Ou seja, se a oferta de vagas das universidades públicas deveria em alguma medida atender à procura, talvez esteja na hora de a universidade pensar nisso, já que há uma enorme disparidade entre os cursos, no que toca a essa relação entre oferta e procura.

Obviamente, não se trata de fechar cursos com pouca procura, pois há disciplinas que se devem ensinar e pesquisar mesmo que procurem pouco. Minha questão é com esses cursos em que há tão poucas vagas para tantos candidatos.


NÃO É NOTÍCIA, É PAUTA

Talvez seja só rabugice minha, mas não vejo sentido em publicar essa lista assim, sem mais.

O que realmente importa para os candidatos é a nota de corte, que só vamos saber depois da primeira fase. Para mim, a lista serve para mostrar que há algo meio descompassado na oferta de vagas da USP. Talvez fosse uma pista a seguir.

O resto é puro estardalhaço, torcido pra lá ou pra cá para parecer notícia, mas totalmente vazio de significado.


EM QUE ISSO AFETA VOCÊ, CANDIDATO?

lilção 1 - Se dá pra tirar algum proveito disso tudo, eu diria o seguinte: não absorva passivamente tudo o que você lê.

Quer ser jornalista? O primeiro passo é questionar tudo o que te dizem. E repetir como um mantra a pergunta-chave: "E daí?".

No futuro, você terá que fazer muitas escolhas: escolher pautas, informações, títulos, fontes. Terá que jogar muita coisa fora e ficar com poucas. Decidir rapidamente. Essa pergunta vai ajudá-lo a errar menos (porque não errar é impossível).

lição 2 - Números quase nunca querem dizer alguma coisa isoladamente. Números verdadeiros podem ser usados indevidamente por uma fonte para enganar o repórter. Aprenda a não ter medo dos números. Enfrente-os. Estude estatística. Aprenda como analisar números.

lição 3 - Não fique mais nervoso do que você já está. Mais ou menos "concorrido", o curso de jornalismo não ficou mais ou menos inacessível. Poderia haver 300 candidatos por vaga, 3.000 ou 3. O que importa é se eles estão bem ou mal preparados.

Portanto, só depende de você. Prepare-se bem. Invista em você. Conhecimento é fundamental para o jornalista. É matéria-prima. Nem um segundo que você gastar agora estudanto qualquer das matérias terá sido inútil. Tudo servirá no seu futuro profissional.

E leia jornal. Todos os dias. Jornalista que não lê jornal já começou errado. (veja aqui como e por que ler jornais)


PROCURA e NOTA DE CORTE

Meu leitor Takata fez um gráfico relacionando candidatos por vaga com nota de corte, no vestibular do ano passado. Vejam abaixo: a tendência é que cursos com menor número de candidatos por vaga tenham nota de corte menor.

Notem também como há vários pontos fora da curva. Jornalismo é o ponto vermelho. Há pelo menos cinco cursos com menos candidatos por vaga em que é mais difícil entrar (ou seja, a nota de corte é maior).

O exercício que deu origem a este post
Último post sobre por que não acreditar em números

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h34

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CRIME ORGANIZADO

CRIME ORGANIZADO

O Núcleo de Estudos da Violência da USP faz em São Paulo, de 26 a 28 de novembro, Seminário Internacional sobre o Crime Organizado.

É de graça e não precisa se inscrever.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h27

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Jornalista escritor

Jornalista escritor

A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) faz de 14 a 18 de novembro o Salão Nacional do Jornalista Escritor, para comemorar seus cem anos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h24

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QUAL É A NOTÍCIA?

QUAL É A NOTÍCIA?

Os dois títulos abaixo saíram exatamente do mesmo fato, a divulgação do número de candidatos por vaga na Fuvest deste ano.

Qual deles, na sua opinião, é mais notícia? Por quê?

1 - Jornalismo é o curso mais concorrido da Fuvest

2 - Cai procura por curso de jornalismo na Fuvest

Os dados:

  • Jornalismo tem 60 vagas oferecidas, houve 2.538 inscritos, ou seja, 41,63 candidatos por vaga
  • O segundo curso em número de candidatos por vaga é publicidade, que tem 50 vagas disputadas por 2.079 candidatos, com 41,02 candidatos por vaga
  • O número de candidatos por vaga para jornalismo em 2005 era 53,93 (para quem entraria em 2006), caiu para 44,75 em 2006/7 e, agora, é de 41,63
  • O mesmo aconteceu com publicidade: 61,08 em 2005/6; 45,74 em 2006/7 e agora é 41,02


E DAÍ?

Vocês já deram bons argumentos para defender seja um, seja outro título. Mas vamos complicar um pouco a discussão. Façam-se a pergunta mais importante do jornalismo: "E daí?".

Que importância tem para o leitor esse número? Ou, para ser ainda mais específico, que importância tem para os leitores diretamente envolvidos no vestibular (candidatos, seus pais, professores)? Tem importância para esses leitores? Tem para algum outro grupo de leitores?

Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h38

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HISTÓRIA, JORNALISMO

HISTÓRIA, JORNALISMO

De hoje a quarta fazemos aqui na Folha, para os trainees e a equipe em geral, um curso de história do Brasil focado na história da burguesia nacional (de 1900 a 1964).

Até vou indicar mais abaixo a bibliografia mais "histórica", mas o professor Joel Rufino, da UFRJ, disse algo bem legal na aula de hoje:

"Conhecimento literário é indispensável a quem faz história e jornalismo, porque abre os arquivos das afetividades, do desejo --desejo não só sexual, mas desejo por poder, desejo por realizações."

Por isso, são romances os livros indicados para quem quer entender mais as primeiras três décadas do século 20 no Brasil.

Para conhecer melhor a crise da velha oligarquia rural:

"Fogo Morto", de José Lins do Rego, "o desejo em crise, golpeado de morte pela decadência econômica"

"O Coronel e o Lobisomem", de José Cândido de Carvalho - a mesma crise, mas no Rio em vez de no Nordeste

Para conhecer melhor a nova agricultura que surge e ganha poder:

"Amar, Verbo Intransitivo", e Mario de Andrade


FORA DO ROMANCE

A bibliografia "oficial" do curso:

  . Bóris Fausto: História Concisa do Brasil, SP, EDUSP, 2 edição, 2006;
  . Octávio Ianni: A Idéia de Brasil Moderno, SP, Brasiliense, 2 ed.,1994
  . Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, 1930-1983, 4 vols., RJ,FGV-CPDOC-Forense, 1984.
  . Nelson Werneck Sodre: A Revolução Burguesa Brasileira, Belo Horizonte, Oficina do Livro, 1990
  . Celso Furtado: A Fantasia Organizada, RJ, Paz e Terra, 4 ed., 1985


SLOW JOURNALISM

Meu amigo Marcelo Soares sugere a leitura deste bom artigo do "Guardian" sobre valores que não deveríamos perder de vista nesta caminhada para o mundo multimidia. Segue abaixo um trecho destacado por ele:

You can get junk food on every high street. And you can get junk
journalism almost as easily. But just as there is now a Slow Food
movement, I should also like to see more Slow Journalism. Slow
Journalism would show greater respect for the reporter as a patient
assembler of facts. A skilled craftsman who is independent and
professionally reputable. A disentangler of lies and weasel words. And
who is paid the rate for the job. Aren't such people essential for
probing the dodgy mechanisms of our imperfect democracy, and our very
imperfect world?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h51

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Jornalismo científico

Jornalismo científico

Meu leitor Roberto indica para quem se interessa por jornalismo científico o curso de redação avançada em ciência e tecnologia.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h28

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ALGUÉM SE RECONHECE?

Veja - Mas como você foi parar no jornalismo?

Daniela (*) - Eu estava tomando Toddynho no café-da-manhã.
Na embalagem, tinha um negócio que explicava as profissões na linguagem de uma criança.
O dessa era jornalismo. Li e falei: "Caramba. É isso que tenho de fazer".
Tem tudo a ver com ser modelo.

(*) Daniela Albuquerque, 25, modelo e futura apresentadora de reality show da Rede TV!, em entrevista a Heloisa Joly, na "Veja" desta semana

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h26

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O que aprender com a TV

O site do Poynter tem uma seção dedicada só a rádio e TV e, dia desses, uma das articulistas escreveu sobre lições que o jornalismo impresso poderia aprender com a TV.

Minha leitora Clara, de João Pessoa, traduziu o artigo no seu blog. Algumas lições funcionam bem embora, na minha opinião, nem todas se adaptem a tudo o que fazemos no jornalismo impresso.

Confiram lá e tirem suas conclusões.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h02

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JÁ ESCOLHEU SEU LIVRO DA SEMANA?

JÁ ESCOLHEU SEU LIVRO DA SEMANA?

Ou do mês? Cada um tem seu ritmo, mas é saudável que um jornalista, de qualquer área, tenha sempre um livro engatilhado.

Pode ser que leve um semestre pra terminar. Não importa, desde que a roda do moinho de idéias esteja sempre girando.

Pra quem está sem leitura, aproveite para conhecer algum dos livros de Norman Mailer, que, como vocês sabem, morreu ontem.

Mailer era também jornalista e algumas das obras são relatos de sua experiência, como "Os Nus e os Mortos" (sobre sua participação na Segunda Guerra). Outros são reportagens, como "A Luta" (um dos meus favoritos).

A Folha Online publica a lista das obras que foram traduzidas para o português.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h11

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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