Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

O FIM ESTÁ LONGÍNQUO

É só um palpite, como qualquer outro, mas quem pega o jornal de hoje e vê a quantidade de anúncios [felizmente] publicada não tem por que achar que os jornais impressos estejam com os dias contados.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

OFF, DÚVIDA E ATITUDE

Não existe off em coletiva. Quem não quer um segredo se espalhe conta só pra um amigo em que confia. Não conta num grupo. [off, pra quem não está familiarizado com o jargão jornalístico, vem de "off the records" --com o gravador desligado-- e designa uma informação que a fonte te dá desde que você garanta que não vai publicar --ou que não vai atribuir a ela]

Não existe off a posteriori. Quem quer manter a informação em sigilo precisa avisar antes. O repórter tem o direito de decidir se quer ouvi-la e garantir o off, ou se prefere não ouvi-la. Não é justo que um entrevistado te conte algo relevante e, depois, peça para não publicar. Nossa função é divulgar o que é importante e, se algo nos foi dito sem pré-condições, pode ser publicado sem restrições.

Uma coisa é off, outra é abusar da intimidade. JOSIAS DE SOUZA, pioneiro do blog jornalístico no Brasil, lembra que algumas fontes acabam confundindo a relação com o repórter e dizem: "Vou te contar algo, mas você não pode publicar". Josias nunca aceita. Ele avisa suas fontes: "Se você me contar, eu publico". (leia mais sobre isso neste post)

ERRATA: na primeira versão deste post, havia escrito indevidamente que Josias não aceitava off. O parágrafo acima esclarece a questão.

Isso dito, é bom lembrar que cada caso é um caso e que toda saia justa como a da Vanessa, no exercício desta semana, deve ser discutida com seu editor.


PREENCHA OS BRANCOS

Outra coisa que o exercício mostra é que há informações que nos chegam pela metade. O repórter deve estar atento a isso. No problema que apresentaram na prova do jornal, é quase impossível tomar uma decisão sem saber mais detalhes:

  • era mesmo uma coletiva? Ou uma exclusiva?
  • estava claro que o momento em que a frase indiscreta do presidente foi dita era apenas um bate-papo? Ou seja, foi combinado que a entrevista só começaria quando todos os repórteres estivessem lá etc.?
  • o que o presidente disse era relevante? Denotava algo importante, seja do noticiário, seja da personalidade dele, que justificasse a publicação?
  • em algum momento alguém pediu, mesmo que a posteriori, que a declaração não fosse publicada? Ou foi só depois de publicada que houve a reclamação?

Como a gente sabe, quase nada tem uma resposta absoluta, geral, que valha para toda e qualquer situação. Nosso dever é fazer as perguntas certas, até esgotar todas as variáveis.


O QUE VALE É A ATITUDE

Vale lembrar também que muitas vezes, nesse tipo de prova, o que o editor quer ver são a iniciativa, a experiência, a articulação e a capacidade de argumentação do candidato.

Não há exatamente uma resposta certa ou errada --até porque a situação proposta era um pouco obscura. O candidato, por exemplo, que não desse resposta nenhuma, mas levantasse todas as questões acima, mostraria que está por dentro do que se espera de um repórter.


Agradeço a todos os leitores que deram suas respostas e nos ajudaram a pensar melhor sobre o exercício. É muito legal poder trocar opiniões.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TERCEIRA DIVISÃO

Esta contribuição à campanha "mais humor no jornalismo" vem de meu colega Ricardo Meirelles, que tudo sabe, tudo encontra, tudo lê.

Imagino que uns 40% dos leitores não ache graça nenhuma, mas a maioria não corintiana pode se divertir.

É um dos casos em que a graça vem da pauta bem pensada e da sorte de quem viu uma boa idéia dar certo.

Outro exemplo recente

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

DO ESPECIALIZADO PARA O GERAL

A dica é da minha leitora Sara: jornais e revistas especializados costumam ser boa fonte de pautas para os de cobertura geral. Ela conta:

"Ajudo meu pai em um gabinete parlamentar, e recebemos dezenas de materiais deste tipo, de associações as mais diversas possíveis (coisas que a gente não imagina que exista). São impressos muito interessantes. 
 
Essa semana, por exemplo, guardei uma entrevista de um jornal editado por uma associação de produtores de álcool e açúcar, sobre o uso do bagaço da cana para a geração de energia. O entrevistado dá dados interessantes sobre o quanto de energia poderia ser gerada desta forma na safra 2007/2008 no Paraná, se fosse investido em caldeiras e turbinas mais eficientes. Fico imaginando se algum jornalista de redação tem acesso a esses dados, ou só mesmo o público da área a que se destina o jornal. E se caísse na redação, o quanto não poderia render."

Quais as vantagens de ler esses veículos especializados, além das pautas que podem vir:

  • dali podem sair boas informações tanto para nosso banco de dados quanto para nossa agenda de fontes
  • eles são fontes quando precisamos entender algo e podem nos ajudar a achar outras fontes em reportagens até de outras áreas. Por exemplo, estava apurando uma operação da PF contra roubo de cargo. Um dos acusados preso era o dono de uma grande distribuidora de Minas e, para pôr o nome dele no texto, precisava ao menos tentar ouvi-lo. Como achei o contato? Fiz uma pesquisa na internet. A empresa não tinha site. Tentei pela associação comercial e pela federação das indústrias, mas eles não tinham o contato. Achei uma referência à empresa no site de uma revista especializada em logística. Liguei para lá e eles me passaram o telefone (essa apuração foi feita em meus dias de foca na Folha Online, que descrevi no blog faz vários meses. Para ler a matéria, clique aqui.)

Outro post sobre pautas

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

QUEBREI O OFF?

QUEBREI O OFF?

Você é repórter e vai cobrir uma entrevista do presidente. Suponha que ele faça um comentário durante a entrevista, para descontrair o clima. Você publica o comentário, mas o assessor escreve uma carta para o jornal reclamando, dizendo que o comentário era "off the records". E agora? Será que você quebrou a ética ao publicar o comentário?

Esta era uma pergunta na prova de seleção de um jornal fluminense, feita por nossa leitora Vanessa.

O que vocês acham? Ele errou ao publicar? Por quê?

Meu comentário

Outros exercícios do blog

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | exercício | PermalinkPermalink #

PEIXE BÊBADO

Minha amiga Laura manda uma ótima contribuição para quem quer dar risada. Vem da BBC e está na Folha Online.

Formas de pôr humor no jornalismo

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PRAGA DOS COLCHETES

Meu problema principal com o exercício de outro dia sobre as frases do público que foi ouvir o José Padilha é o abuso dos colchetes.

Virou praga e é sintoma de um erro maior: a escolha equivocada das frases que queremos usar.

Vejam:

"Vim assistir [à sabatina] porque [o filme] foi o debate da mesa do almoço de domingo. Agora, deu mais argumentos para discussão"
ALINE CASTELO BRANCO, 53 dona-de-casa

Se é uma reportagem sobre a sabatina e estamos numa seção em que o público está sendo entrevistado, será mesmo necessário explicar para o leitor que o "vim assistir" se refere à sabatina?

Outro exemplo:

"Ele mirou [na elite] uma metralhadora que nunca foi direcionada para a elite detentora de recursos, que compra e consome drogas"
RAIME REIS, 32 jornalista free-lancer

Sem o colchete, a frase continua fazendo sentido.

SE A FRASE É CONFUSA, NÃO DÊ ENTRE ASPAS

No caso acima não tinha muito jeito, porque a idéia era justamente dar frases. Mas um problema sério dos textos é o excesso de aspas. Tão sério, que a gente reproduz uma frase horrível, toda torta, e tentamos remendá-la com colchetes.

O resultado confunde, em vez de esclarecer.

Se a frase precisa que você explique a cada três palavras o que a fonte quis dizer, ela é uma frase ruim. Não dê entre aspas. Transforme-a em discurso indireto: "Aline diz que veio à sabatina porque o filme "Tropa de Elite" foi assunto de debate em seus almoços de domingo e, agora, ela tem "mais argumentos para a discussão" ".

NÃO ATRIBUA O QUE É FATO

Outro efeito inesejado dessa epidemia de aspas é que tem repórter colocando na boca do entrevistado informações factuais, que não são opiniões, mas fatos concretos.

Um exemplo, escrito por um trainee ontem, num exercício de coletiva:

Segundo Amadeo, a lei também prevê a penhora de conta de empresas. Não há um máximo que possa ser penhorado, depende de cada caso e da situação financeira da empresa”, acrescenta.

Não pode ser "segundo Amadeo". Ou a lei prevê a penhora ou não prevê. Ponto.

Atribuições devem ser usadas quando:

  • é a opinião da fonte
  • é algo que não temos como comprovar (segunda a polícia, o acusado confessou)

POSSO EDITAR?

O Fernando, de São Paulo, pergunta: "As aspas devem apresentar sempre a frase exatamente como foi dita pela fonte ou, em alguns casos, são aceitas substituições de certos termos desde que não comprometa a idéia?".

Acho que há casos em que elas, podem, sim, ser editadas, desde que não comprometa em nada o teor e o contexto.

Mas vale sempre refletir: se preciso mexer na frase, será que vale a pena mesmo dar entre aspas?

Quando as declarações encobrem falha na apuração

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Como interagir com seu jornal

A professora Doralice é uma leitora constante e exigente. Mais que leitora, ela é participante: escreve, comenta, reclama do pouco espaço que o Painel do Leitor dá aos leitores --nisso faz eco a ela o ombudsman, Mario Magalhães.

Dora faz um post hoje em seu blog com dicas para leitores que querem, como ela, interagir.

Aliás, para quem gosta de doce, descobri agora que a professora é também quituteira premiada, com uma receita de "tentações de café". Chequem a receita aqui.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

DESENTREVISTANDO KAKÁ

Caio Maia é o diretor de uma das revistas esportivas mais legais do mercado, a "Trivela". Caio era uma mistura de advogado e administrador quando virou jornalista, no programa de treinamento da Folha. Dias desses, passou um susto a caminho de uma entrevista com Kaká, que ele conta abaixo:

Depois de um tempo trabalhando como jornalista, a gente tende a começar a deixar de lado algumas das regras básicas para "não se dar mal". Fiz o trainee na Folha, trabalhei no jornal e na FOL e depois saí para trabalhar com jornalismo esportivo, e hoje edito uma revista de futebol. Nas últimas semanas, passei por duas experiências de entrevista que mostram como é bom não vacilar.

Há três semanas, fui ao Rio com o editor do site da revista e mais um repórter para entrevistar ninguém menos do que o Kaká. Uma das entrevistas mais difíceis de conseguir fazer ao vivo, já que o cara mora em Milão e, quando vem para o Brasil, todo mundo quer falar com ele. Mesmo assim, conseguimos marcar, e partimos para a concentração da CBF, onde a entrevista aconteceria.

Eu, na verdade, acompanhava como "palpiteiro", já que um dos repórteres era especialista em Itália, e o outro era justamente o "dono" da pauta. Ainda assim, só de curiosidade, perguntei, logo ao sair de São Paulo -  de carro, que fazer revista no Brasil não é fácil: "e aí, posso ver a pauta?"

Quase bati o carro ao perceber que os picaretas não tinham levado uma pauta impressa. "Tou com meu caderno aqui, a gente faz na parada do posto", sugeriu um deles. Brincadeira, né? Claro que é: fizemos algumas perguntas, mal anotadas no caderno, mas que não podíamos consultar, a não ser o dono do caderno.

A entrevista demorou a sair, só aconteceu no dia seguinte, e acabaou sendo muito rápida. Assim, resolvemos o problema com as perguntas que tínhamos "na cabeça". Menos mal.

Na semana passada acompanhei um dos dois e mais outro repórter ao CT do São Paulo para entrevistar o Muricy. Desta vez fiz eles me mostrarem a pauta antes de sair da redação.

Pois bem: chegamos ao CT na hora, o técnico do São Paulo atrasou pouco e só levantou para ir embora a hora em que não tínhamos mais absolutamente nada para perguntar. Fizemos diversas perguntas na hora, que não estavam na pauta, e nem tudo o que estava lá foi perguntado. Só que teria sido absolutamente impraticável segurar quase duas horas de conversa se não tivéssemos algum material de consulta para os momentos em que a conversa perde o "fluxo natural".

A questão óbvia é: o que teria acontecido se o Kaká tivesse resolvido que naquele dia em que deu entrevista para nós não queria jantar, mas sim conversar com a gente por duas horas? Difícil dizer, mas o mais provável é que a nossa "inspiração" desaparecesse depois de uma hora. Mais que isso: sem uma pauta estruturada, acabamos perdendo ganchos de assuntos que ele mesmo mencionou, e que só percebemos quando ouvimos a fita.

Improvisar é bom, assim como ter talento para entrevistar --a "manha" de pegar os ganchos, seguir os assuntos, apertar quando dá e aliviar quando precisa. Só que só isso não resolve. Mesmo quando o cara é bom pra burro, a entrevista vai sair muitíssimo melhor se ele se preparar antes fazendo uma pauta. Óbvio? Dois jornalistas com dez anos de experiência não acharam tanto assim.

Post mais recente sobre entrevista
Perguntas duras no começo
Gravar ou não?
O que ler sobre entrevista

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

NO LIMITE

Minha leitora Gabriela, de Natal, manda este exemplo de humor no jornalismo (clique aqui para ver).

Sim é de dar risada, mas, para mim, passa um pouco do limite do que dá para fazer num jornal "de prestígio".

=)

Outros casos de humor

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

COMO NASCEM AS PAUTAS

COMO NASCEM AS PAUTAS

 Não, gente, não começa com a abelhinha, não.

Há várias maneiras de ter idéias de pauta. Já falamos disso aqui antes. Mas é sempre legal saber como nasceu uma pauta real. E quem conta o caso de hoje é minha colega e ex-trainee AMARILIS LAGE:

Lendo a entrevista do infectologista Ivo Castelo Branco na entrevista de 2ª do dia 29/10 ("Postos de saúde poderiam evitar evolução de casos de dengue"), vi uma informação que achei interessante. Ele dizia que começava a ver no Brasil uma mudança no perfil dos pacientes: cada vez mais crianças eram infectadas e, nelas, é mais difícil identificar os sinais de alarme da doença.
 
Lá estava a pauta: por que é mais difícil identificar a doença em crianças? quais são as diferenças da doença entre adultos e crianças? A que sintomas os pais devem ficar atentos?
 
Fui atrás de informações sobre o assunto e vi que as crianças com dengue, por exemplo, geralmente têm dores abdominais e vômitos _algo que não aparece em adultos. Já outros sintomas comuns em adultos, como a dor de cabeça, nem sempre aparecem nas crianças ou são citados por elas. Há até uma pesquisa mostrando que os critérios do Ministério da Saúde para identificar suspeitas de dengue não são úteis para diagnosticar a doença nessa faixa etária.
 
Como estamos vivendo uma epidemia de dengue, achei importante alertar os pais para essas diferenças _espero que isso ajude a identificar casos que, de modo geral, poderiam ser mal diagnosticados e tratados.
 
O resultado é a matéria que saiu hoje no Equilíbrio sobre o tema.

[A entrevista original e a reportagem da Amarilis estão no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]

A DICA QUE VEM DA HISTÓRIA

Está bem clara, mas não custa formalizar: ler jornal com atenção e curiosidade é uma ótima forma de achar pautas

Post mais recente sobre pautas

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Como foi feito | PermalinkPermalink #

FONTES QUEREM LER O TEXTO ANTES

As fontes do Rafael são desconfiadas.

Insistem para que o repórter envie os textos antes de publicar.

Quando dá, ele contorna a situação lendo as informações mais polêmicas por telefone.

Ele pergunta: "Mas o que fazer quando uma pessoa não me autoriza a utilizar o depoimento se eu não envio antes a reportagem? Devo descartá-la como fonte? Devo insistir que não posso enviar?".

VOCÊ JÁ DEU UMA ENTREVISTA ANTES?

Vamos encarar os fatos: quem já deu entrevista na vida entende a preocupação de tais fontes.

Vai soar horrível isso, mas elas têm razão. A quantidade de distorções, falas fora do contexto, imprecisões, pra não dizer erros cometidos com o que dizemos é enorme.

Dá vontade mesmo de ter 100% de certeza, ou seja, ler tudo antes que seja publicado, porque, no fim das contas, é seu nome que vai estar lá publicado.

E pode ser que seu nome saia do lado de uma enorme bobagem que você não disse.

Então, a primeira coisa que eu sugiro é: compreenda a fonte. Salvo exceções com fortes interesses envolvidos, seu entrevistado não é canalha nem mal-intencionado. Ele quer o mesmo que você: que tudo saia certo.

ANTES OU DEPOIS

A pergunta do Rafael é: ele só autoriza que seja publicado depois de ler o texto. Mas espera aí: ele já deu as declarações? Depois de falar é que ele faz a exigência? Ele sabia que estava dando uma entrevista? Se as três respostas forem sim, ele não pode impor condições agora.

É como off. Não existe off a posteriori. Ou o sujeito pede off antes de falar, ou esquece.

Sim, fontes têm direito a mudar de opinião, mas aí o jornalista poderá avaliar como tratar essa mudança --por exemplo, contando para o leitor que a opinião mudou.

COMO EVITAR O PEDIDO?

Lembrem-se do motivo da fonte: medo de que algo saia errado. O que temos que fazer, então, é conquistar sua confiança:

  • fazer uma boa pesquisa, para estar bem informado sobre o tema
  • ler o que o entrevistado já escreveu ou disse, para que ele mostre que nos importamos com ele
  • preparar boas perguntas, bem fundamentadas
  • avisar ao entrevistado que está gravando
  • pedir os telefones da fonte e dizer que vai telefonar se tiver dúvidas na hora de escrever

NEM ISSO AJUDOU?

A fonte continua impondo condições para dar entrevista?

  • avalie se ela é muito importante mesmo para sua reportagem
  • consulte seu editor antes de fazer qualquer acordo. Uma opção muito razoável é ler para ela as declarações e aspas que forem reproduzidas no seu texto (afinal, é este o maior risco que ela corre)
  • negocie. Como faz o Rafael, diga que você pode ler trechos, mas não submeter todo o texto.
  • sempre deixe claro que ler o texto não significa poder vetá-lo.

QUANDO VALE A PENA VOLTAR À FONTE 

Nosso objetivo principal é publicar informação correta, certo? Por isso, há casos em que vale a pena ler trechos para a fonte --mas atenção: checar informação com a fonte não é o mesmo que submeter-se a ela ou aceitar condições para publicação.

Quais são esses casos?

  • Quando a matéria envolve aspectos técnicos em que uma imprecisão pode resultar em erro (por exemplo, em matérias de ciência, saúde, tecnologia ou economia)
  • Quando se trata de informação factual, em que não haja interesses da fonte em jogo
  • Quando tiver editado muito uma entrevista e tiver dúvidas sobre a preservação do contexto em que as declarações foram dadas (você pode mostrar perguntas e respostas, mas não deve mostrar o texto de introdução que você fez a partir da entrevista).
     

A FONTE QUER MUDAR ALGO

Sim, concordo, isso é muito chato.

Mas, antes de ter um ataque e dizer não, avalie o pedido. Algumas sugestões podem realmente melhorar o texto.

Se entender que se trata de um detalhe ou que a mudança deixará o texto técnico demais, explique para a fonte que texto de jornal é diferente, que não pode ser muito hermético, que algum grau de generalização é necessário.

Negocie uma opção que seja acessível a todos os leitores sem estar errada.

Voltar atrás numa declaração é direito da fonte. Mas consulte seu editor. Há casos em que talvez seja importante dar as duas versões e deixar claro o posterior pedido de retificação.

Nunca se submeta a pressões da fonte. Se estiver seguro de sua apuração, publique. É direito dela reclamar depois, mas não barrar antes. 

AMARRE O NÓ NO FINAL

Independentemente do que você tenha combinado, sempre ligue no dia seguinte para verificar o que o entrevistado achou da reportagem.

Na maior parte das vezes, se você trabalhou direito, isso será suficiente para que ela nunca mais peça para ler algo antes.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Arquivos dos britânicos, on-line

Arquivos dos britânicos, on-line

No site da BBC, Ivan Lessa escreve sobre novo serviço dos britânicos "Guardian" e "Observer": arquivos on-line. No caso do diário, de 1821 a 1975. O dominical está acessível, por enquanto, de 1900 a 1975. Veja os detalhes no texto do Ivan (que eu enquadraria nos mal-humorados divertidos).

[Obrigada ao Marcelo Soares, que me mandou o link]

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Sugestão de leitura | PermalinkPermalink #

O BOM MAU CAMINHO

Para nossa campanha por mais humor no jornalismo. Esta eu ouvi no lugar mais insuspeito, uma rádio que só cobre trânsito:

"A rodovia tal tem hoje seis pedaços de mau caminho".

É uma coisinha boba, um trocadilho bem feito, no lugar certo, mas num momento inesperado, que não compromete em nada a informação, mas deixa o leitor (o ouvinte, no caso) mais contente.

FORMAS DE PÔR HUMOR NO JORNALISMO

Pensando sobre esses exemplos que recolhemos até agora, há formas diferentes de deixar a informação mais divertida.

  1. Quando a graça vem da própria notícia. É o caso, por exemplo, das padarias se unindo para ajudar a Portuguesa. Aqui o importante é ter sensibilidade para não esconder a notícia. Um redator ou repórter mais desastroso poderia ter enterrado a graça numa só palavra (Espresários se unem para ajudar a Lusa, por exemplo)
  2. A inteligência da edição dá humor à notícia. É o caso, por exemplo, daquele título do "El País", "tão curtas que desaparecem". É uma boa sacada que não descola nem um milímetro da informação, mas cria um símbolo, uma imagem que joga com a notícia e a deixa mais divertida. Outro exemplo é o título "Se ela dança, eu danço", em matéria mostrando que homens pagam mais caro nas casas noturnas.
  3. As imagens são engraçadas. Como no caso do calendário sexy para fazendeiros. Era um assunto denso (a diminuição da população no campo afeta agricultura no país), mas, por sorte, havia um fato correlato com imagens que chamavam a atenção. Outro exemplo é a história da escultura em Lima que tem uma lhama em cima da cabeça porque o escultor não entendeu que era para fazer uma chama (em espanhol, as duas palavras têm a mesma grafia)
  4. Humor propriamente dito. Como nas charges. Para mim, elas não são só humor, mas uma mistura de jornalismo de opinião com um embrião quase inconsciente de análise jornalística. Sim, é um tipo de mensagem bem diferente da que se passa por meio de palavras. Mas nem por isso é menos poderosa ou menos importante. Um bom exemplo é esta do Glauco sobre fertilidade e criminalidade nas favelas. Outra ótima é esta aqui em baixo, do Angeli:

5. Sujeitos bem-humorados. Percebo isso principalmente em colunistas e radialistas. Alguns são naturalmente bem-humorados, engraçados, e sabem dosar ironia e humor sem exagerar (o difícil é isso, achar o equilíbrio. Nada pior que o sujeito sem graça que tenta dar uma de engraçadinho). Juca Kfouri, para mim, é um exemplo: o homem tem uma voz e um jeito de falar tão carismáticos que não dá pra não prestar atenção no que ele diz. Outro que, na minha opinião, dosa bem a possibilidade de brincar é Milton Jung, da CBN. No texto, já comentamos aqui, o Gaspari é um dos mestres da ironia inteligente.

Mais recente post da campanha

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A TV somos todos nós

Eu linkei uma boa dica da Clara sobre "voz", imaginando que serve mais a quem trabalha em TV ou rádio.

Mas meu amigo MARCELO KATSUKI, que tem o blog mais bacana do pedaço, me lembra que hoje em dia e cada vez mais todos nós temos a ver com voz e imagem também.

Para o Kats, por exemplo, as dicas serviram para ele pensar mais sobre os podcasts que grava na Folha Online.

Realmente recomendo que todo mundo que gosta de jornalismo fique atento a como contar histórias de outras formas que não só texto, porque isso será cada vez mais valorizado --pelas empresas e pelos leitores. E, cá entre nós, é também bem mais divertido ampliar as possibilidades de narrativa.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TEMPESTADE DE IDÉIAS

A Fabiana, de São Paulo, tem um problema com o qual me identifico: quer terminar logo o que está fazendo. Em outras palavras, nós duas somos ansiosas, queremos ver o trabalho pronto logo, a missão cumprida.

O que, claro, cobra um preço alto no jornalismo: aumenta a possibilidade de errar.

Fabiana faz várias perguntas a respeito: "Quero terminar logo o texto que estou escrevendo, não por pressa, mas por querer vê-lo pronto logo. Além disso, no decorrer da redação sou atingida por uma tempestade de idéias e assuntos e não consigo organizá-los. Há alguma dica ou técnica para lidar melhor com isso? O treino de escrever por si só é válido? Não é necessário algo além da auto-correção para que ele evolua?".

Não tenho respostas definitivas para todas elas...

Tenho algumas dicas para lidar com a falta de concentração e a ansiedade, que já antecipei aqui num post mais antigo

Naquele post, a gente tratava mais dos erros cometidos ou que passam batido na hora do fechamento. No caso da Fabiana, a ansiedade acaba atrapalhando a própria estrutura do texto. O que eu faria:

  • Decida como vai abrir seu texto: pense no que é mais interessante, importante ou as duas coisas ao mesmo tempo.
  • Se estiver muito difícil decidir o lide, escolha uma informação, mesmo sem 100% de segurança, e parta dela. Ao longo do texto ou depois de terminado, você pode alterar a abertura do texto sem problemas
  • Escolhido o lide, faça um esquema sucinto de como vai organizar suas idéias. Lembro-me perfeitamente do dia em que vi minha colega mil vezes mais experiente, a repórter Margareth Boarini, fazer seu roteiro numa página de bloquinho. Uma luz se acendeu na minha obscuridade.
  • Se na hora do texto baixar a tal tempestade de idéias, pare e respire fundo. Você tem um prazo para terminar seu texto? Termine-o primeiro, depois releia e os raios que foram realmente relevantes cairão duas vezes sobre o mesmo lugar.
  • Se seu texto vai ser publicado, nunca o libere sem antes passar o corretor ortográfico e relê-lo
  • Antes de reler, conte até dez. Isso ajuda a ler prestando atenção no que está escrito, pensando no que se lê
  • Toda vez que encontrar um nome no texto, pare e cheque a grafia. O mesmo vale para datas e números (faça as contas, quando preciso) [sobre isso, talvez interesse ler o post sobre meu chefe Ricardo Melo e sua justa obsessão com a exatidão]
  • Se for possível, imprima o texto, marque no papel as informações que precisa checar e vá ticando cada uma que for confirmada (isso dá muita preguiça, mas é uma das técnicas que mais funciona)

A outra pergunta é: só escrever é um bom exercício? Nossa própria auto-crítica nos faz evoluir?

A resposta é sim para os dois casos, mas com ressalvas. O ritmo de evolução será lento. É sempre muito mais eficaz achar um mentor --um colega talentoso, uma tia professora de literatura, um primo editor de revista, um professor competente-- que critique sem dó nem piedade.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Imagem batida

“Eles sempre tentam me fazer chorar”

Essa frase é da ginasta Jade Barbosa, 16, órfã de mãe desde os 10, sobre como os jornalistas tocam no assunto. Foi escolhida pelo ombudsman MARIO MAGALHÃES em sua crítica diária de ontem. O título da nota é "Abutres".

Para refletirmos. Este é o trecho todo, publicado na coluna da Monica Bergamo no domingo:

 


"Teve uma vez, logo que ganhei a medalha no Pan, um repórter me perguntou baixinho: "Quando você entrou no ginásio, pensou em ganhar uma medalha para sua mãe?" Eu falei: "Não! Nem tava pensando nisso!'", diz. A mãe de Jade morreu em 2001, por causa de um aneurisma. A ginasta tinha 10 anos. E esse é um assunto freqüente para os jornalistas. "Eles sempre tentam me fazer chorar. Logo depois do que aconteceu com a minha mãe, veio um e ficou me perguntando como eu me sentia. Eu dizia que não queria falar. Mas ele insistiu tanto que eu chorei." Ela diz que hoje nem chora "tanto assim. Acho que eu cresci".

 
Chamei o post de imagem batida porque, salvo engano, quem se aproveita da fonte chorando é o jornalista de TV. Agora, francamente, alguém ainda aguenta ver a velha cena da coitada da fonte chorando? Ainda com aquele zoom in, close na lágrima?
 
Como diria o Robin a seu inseparável amigo Batman, santa falta de criatividade!!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

NÃO ODEIE SUA VOZ

Outro dia falamos aqui sobre dicas para quem trabalha em TV. Minha leitora Clara, que trabalha nesse meio, tem um blog bem interessante e dá com freqüência dicas para o mundo da TV.

Vejam este post, em que ela traduz uma entrevista com uma "técnica de voz" americana.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

NA RUA

O repórter fotográfico Paulo Fehlauer tem um blog que vale a pena visitar. Ele posta um boletim semanal, que trata de jornalismo e cultura. É informativo e bem editado, com notas curtas e links para quem quiser ler mais.

Vejam dois exemplos do último boletim:

WEB-REPORTAGEM II: Estariam os “hermanos” argentinos ganhando de nós brasileiros na corrida virtual? Sem rivalidades por aqui. O jornal argentino Clarín publicou esta semana um especial sobre a segunda viagem de Ernesto ‘Che’ Guevara pela América Latina, em 1953, um ano depois daquela retratada no filme “Diários de Motocicleta“. Bem interessante o conteúdo e a apresentação. O Clarín.com, aliás, me pareceu bem mais “conectado” do que qualquer grande jornal brasileiro. Em espanhol. Via Desculpe a Poeira.

AGENDA CULTURAL - Em 1922, o Brasil foi balançado por um movimento de artistas que se diziam modernos, e que afirmavam que a arte produzida até então não os representava. Oitenta e cinco anos depois, essa arte moderna já virou establishment, e surge então um novo movimento, ainda sem nome definido, mas que se julga ainda menos representado. Começou hoje (domingo) a 1a. Semana de Arte Moderna da Periferia - Antropofagia Periférica, organizada pela Cooperifa - Cooperativa de Artistas da Periferia (e-mail), que reúne parte da produção artística e cultural da periferia de São Paulo. Confira o manifesto e a programação. Via Becos & Vielas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

FRASES

FRASES

Um trainee meu recolheu depoimentos do público que foi à sabatina com o diretor de "Tropa de Elite", José Padilha, e editou estas:

"Posso fazer trabalho voluntário, estudar e fumar maconha. Ele mostrou o jovem carioca de um jeito tosco, fútil, que só vai para a faculdade fumar maconha o dia inteiro"
GUILHERME LISBOA, 24 estudante universitário


"Vim assistir [à sabatina] porque [o filme] foi o debate da mesa do almoço de domingo. Agora, deu mais argumentos para discussão"
ALINE CASTELO BRANCO, 53 dona-de-casa


"Ele mirou [na elite] uma metralhadora que nunca foi direcionada para a elite detentora de recursos, que compra e consome drogas"
RAIME REIS, 32 jornalista free-lancer

Achei as escolhas interessantes, mas vi alguns problemas na forma. O que vocês acham? Mudariam algo? 

Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | exercício | PermalinkPermalink #

Bom humor no jornalismo

Contribuição do Rafael, com um caso em que a notícia em si já é divertida:

Padarias arrecadam dinheiro para ajudar a Portuguesa na Série B

da Lancepress

Na vice-liderança da Série B e cada vez mais próxima do retorno à elite do futebol brasileiro, a Portuguesa terá uma ajuda extra na reta final da competição. Os proprietários de panificadoras de São Paulo, que torcem pelo clube, estão arrecadando fundos para a premiação do elenco, caso o acesso seja confirmado. [o texto completo pode ser lido na Folha Online]

Mais recente post da campanha

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

De olho na ciência

De olho na ciência

A Desireé, de quem já falamos hoje, comentou comigo que haviam indicado alguns livros para ela, em seu programa pessoal de especialização em jornalismo científico.

Aqui ela compartilha as indicações:

"Há pouca bibliografia específica sobre o assunto, mas descobri que ler sobre temas relacionados, como divulgação científica e sobre ciência é importante, para lembrarmos que a ciência é uma atividade humana, permeada por interesses políticos e econômicos.

 

Jornalismo Científico, da Fabíola Oliveira. Apresenta uma história do surgimento do jornalismo científico e um panorama das instituições científicas brasileiras. O melhor dele é o guia de fontes e as sugestões bibliográficas encontrado no final do livro.

 

Jornalismo científico: como escrever sobre ciência, medicina e alta tecnologia para os meios de comunicação, do Warren Burkett. É um livro bem prático que dá algumas dicas de como encontrar, selecionar e redigir notícias de C&T. Como  o autor é americano, é necessário manter em mente as diferenças entre a realidade dele e a nossa.

 

O que é Ciência, afinal?, do filósofo Alan Chalmers. Indicado pela Fabíola, o livro trata do fazer científico e de suas principais escolas filosóficas.

 

Filosofia da Ciência: Introdução ao Jogo e suas regras, do Rubem Alves. Também indicado pela autora do Jornalismo Científico, o livro mostra que ciência é, acima de tudo, uma atividade humana e que também é influenciada pelas escolhas dos pesquisadores.

 

Espero que sejam úteis e que mais gente sugira leituras. "
 
SUGESTÃO DE UM LEITOR
 
Meu colega Ricardo sugere:
 
Acho que duas boas indicações são Karl Popper (A Lógica da Pesquisa Científica) e Thomas Kuhn (A Estrutura das Revoluções Científicas). São clássicos da filosofia da ciência e destoam dos livros indicados, mas acho que também são importantes, como complemento. E dá para ler sem ninguém orientando, apesar de não serem simples. O próprio Paulo Francis recomendava, naquele guia "Como Ter Cultura" (ou "Para Ter Cultura"), a leitura da introdução do livro do Popper. Já o Kuhn quem me recomendou foi um professor de jornalismo científico da PUCC. Serve pra gente ter bem em mente o que é ciência (ou, na definição do Francis, "o que querem aqueles cabras").

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Sugestão de leitura | PermalinkPermalink #

Dançamos todos

Meu leitor William contribui com a campanha mais humor no jornalismo:

"Um exemplo foi a chamada da capa do guia da Folha desta sexta-feira. Numa matéria sobre os homens pagarem mais que mulheres em clubes paulistanos o título era "Se ela dança, eu danço..."
Muito pertinente."

Outro exemplo recente

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Se o leitor já sabe

Se o leitor já sabe

Na semana passada, pedi que vocês pensassem sobre um texto feito por um trainee meu, a respeito de operações policiais em favelas do Rio.

Partindo do zero, uma hierarquia possível seria:

  • mortos e feridos
  • efeitos específicos deste caso (aulas suspensas)
  • apreensões

Como nesta tentativa feita pela Natalie:

Três pessoas foram mortas e uma ficou ferida em duas operações policiais realizadas hoje em favelas do Rio de Janeiro. Na favela do Fumacê, em Realengo, zona oeste, foram mortos três supostos criminosos. Na favela da Rocinha, zona sul, uma bala perdida feriu Adriano de Campos Chagas, 29, na coxa. Ele foi encaminhado ao hospital Miguel Couto e não corre risco de morte.

As ações policiais impediram que professores e 2.400 alunos chegassem às escolas Paulo Brito, Abelardo Chacrinha Barbosa e Ciep (Centro Integrado de Educação Pública) Bento Rubião, segundo a Secretaria Municipal de Educação. As aulas também foram suspensas no turno da tarde.

Na Rocinha, foram apreendidas três motos roubadas, 900 gramas de maconha, material para embalar drogas, cabo de espingarda, uniforme do exército e uma coronha calibre 12, entre outros.

Vamos imaginar agora uma situação diferente: você trabalha para um jornal on-line que já publicou, durante a manhã, que havia mortos e feridos em operações policiais nas duas favelas, e que as aulas haviam sido suspensas.

No começo da tarde, a polícia divulga o resultado das operações: na Rocinha, houve apreensão de três motos roubadas, 900 gramas de maconha, material para embalar drogas, um cabo de espingarda, um uniforme do Exército, um revólver. Como seu jornal é on-line, a notícia agora são as apreensões. Como é que você começa seu texto|? 

Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | exercício | PermalinkPermalink #

Como sugiro pautas para tentar conseguir um frila?

Minha leitora Desireé havia perguntado, há algum tempo, se valia a pena investir na especialização em jornalismo científico.
 
Ela está cobrindo a área de ciência e tecnologia nos laboratórios de sua faculdade, mas também quer fazer contato com publicações especializadas e propor pautas, para ter a oportunidade de escrever matérias fora da universidade.
 
Desireé pergunta: "Quero fazer logo esse primeiro contato, mas não sei como mandar a sugestão. A pauta deve ser detalhada? Devo falar que quero escrever a matéria? Você teria alguma dica de como eu poderia fazer esse contato ou "entrar" nesse circuito de freelas?".
 
Tenho algumas sugestões, que seguem abaixo. Leitores que já tenham passado pela mesma situação, por favor, mandem suas dicas! 
 
COMO APRESENTAR A PAUTA?

O ideal é que toda sugestão de pauta seja sucintas e bem focada.
 
Por exemplo, suponha que na sua universidade um cientista descobriu um novo adesivo que pode ser usado em cirurgias. Sua pauta deve apresentar a novidade logo no título: Químico da universidade tal desenvolve novo adesivo para cirurgia. Ou, melhor, se vc já souber de algum efeito desse adesivo: Químico descobre adesivo que acelera cicatrização em cirurgia.
 
Apresente a pauta em quatro, cinco linhas no máximo.
O editor não vai ter tempo para ler mais que isso.
Se for sugerir para uma revista, é bom pensar nas ilustrações e num título com cara de revista ("Sem marcas", por exemplo).
COMO FAZER O CONTATO
 
Para fazer o contato, veja no expediente das publicações o nome do editor, ligue para lá, e diga para ele: "Sou fulana, aluna da universidade tal, e gostaria de sugerir uma pauta. Poderia me dar seu e-mail para que eu encaminhe a sugestão? Se vocês acharem a pauta boa, gostaria de apurá-la. Vocês trabalham com frilas?".

Acho que você deve, sim, deixar claro que quer apurar a matéria, não só sugerir a pauta.

Outros cuidados a tomar quando for enviar a sugestão:
- deixe bem claro no assunto da mensagem do que se trata: PARA FULANO - A SUGESTÃO DE PAUTA DE QUE FALEI AO TELEFONE
- apresente-se brevemente
- tome cuidado para não cometer erros de português no e-mail
- negrite o título da pauta, para que ele identifique rapidamente de que se trate
- não se esqueça de incluir seus contatos (telefone e e-mail)
- fique atenta aos e-mails. Nas Redações, as decisões costumam ser às vezes em cima da hora, do tipo "OK, você pode me entregar daqui a dois dias?". Se você só olhar seus e-mails amanhã, será tarde demais.
 
Devo me especializar? - o primeiro post que responde à pergunta da Desireé

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha de S.Paulo. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.