o Luiz, de Sertãozinho, manda esta contribuição para nossa campanha de mais humor no jornalismo:

Uma das maiores chances de exercer o humor sem passar do limite é justamente nesse casamento entre título e imagem.
Essa aí de cima é uma chamada de Primeira Página da Folha. Chamamos aqui no jornal de texto-legenda ou TL. É usado quando temos uma foto que vale ser dada pela informação que a imagem contém, mais que pela notícia, em si.
Tenho visto vários casos de títulos muito bem sacados, bem engraçados, em TLs. Um dos meus favoritos é este aqui:

Embora seja sempre bom lembrar, como fez o ombudsman nesta coluna, que temos telhado de vidro: é divertido tirar sarro do erro de português dos outros, mas a gente também faz cada barbaridade de arrepiar os cabelos.
Ou seja, seu Creysson somos todos nós...
Outro exemplo recente de humor no jornalismo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h06
Cada um deve ter seu item favorito.
Pra mim, é transcrever fitas.
É um trabalho lento, cansativo e pouquissimamente inteligente. É verdade que dá pra ir fazendo um pouco de edição durante a transcrição, mas é um esforço basicamente braçal.
A sorte é que é algo que só precisa ser feito em casos muito especiais, como entrevistas pingue-pongue.
No atacado, a fita serve mais como segurança, mas a matéria rende mais se a gente estiver bem concentrado nas respostas e anotar o principal, para não ter que ouvi-la e muito menos decupá-la.
Mas, enfim, continua sendo uma chatice.
Por isso acho que a dica do meu amigo Marcelo Soares, abaixo, vai ser hiperútil pra quem usa gravador digital:
"O software que eu uso pra transcrever gravações digitais é o Express Scribe. Ele é gratuito, neste site.
Dá pra controlar o volume e a velocidade da gravação. [Essa é a função que acho que será mais útil, pois não será preciso parar a fita tantas vezes]
O mesmo site também dispõe de outro software muito interessante: o Express Dictate, que serve entre outras coisas para gravar telefonemas
feitos em VoIP (como no Skype, por exemplo --os correspondentes do LA Times com quem trabalho só usam o Skype para telefonemas. Eu resolvi
usar e em uma semana não gastei nem quatro reais).
Além de a ligação sair BEM mais barata, ainda por cima dá pra gravar. Mas ainda não testei pra poder saber o quanto esse software é bom. Por enquanto, tenho transcrito só gravações feitas com meu gravadorzinho digital."
Sobre gravações de ligação por Voip, lembro que a DANI ARRAIS já usou numa entrevista que relatamos aqui, e acha que funciona muito bem.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h34
[Contribuíram com este post Disonei, de Telêmaco Borba (PR); Duda, de Recife; Maria e Ana Laura, de SP; Filipe, do Rio; Fabio, de BH; Edlayne, de Juiz de Fora, e Roberto, de Curitiba]
Aconteceu um acidente. O que um repórter precisa perguntar?
Veja a lista que surgiu de vocês mesmos, leitores do blog (com alguns adendos meus):
pessoas afetadas
alguém morreu? Alguém ficou ferido? Quais os nomes, idades, profissões? De onde eles são?
mortos e/ou feridos estavam em quais carros? Alguém estava fora dos carros? (no caso do exercício, tinha alguém dentro do carro de polícia?)
para onde foram levados os feridos? Algum deles corre risco?
para onde iam as pessoas que se envolveram no acidente? Há detalhes dessa viagem que sejam relevantes ou enriqueçam o relato (era dia de aniversário, havia acabado de se casar, tinha perdido um filho na véspera)?
alguém escapou por pouco?
consequências
a fiscalização ficará desfalcada? (não costuma haver carros de polícia sobrando)
a estrada será bloqueada? Por quanto tempo?
o acidente afeta algum tipo de abastecimento?
causas
- De quem é a culpa?
- o motorista havia dormido? Tinha bebido? Como perdeu a direção do caminhão?
- se não se souber ainda de quem é a culpa, quem vai investigar e quais os prazos?
- se houver hipóteses para as causas, quais as evidências que a polícia tem para levantá-las? (lembrem-se de que na hora H todo mundo sempre quer achar um culpado logo, muitas vezes de forma precipitada e leviana)
- o que aconteceu com o suposto culpado? Está preso? (é importante ouvir a versão dele ou de alguém que faça sua defesa).
prejuízos
- houve danos à estrada ou a prédios no local?
- quanto tempo vai levar para recuperar?
- quanto vai custar e quem vai pagar?
- a estrada está liberada? Se não está, de quanto é o congestionamento?
quem (neste caso, envolve os carros)
- quais os carros envolvidos? (além dos que aparecem na foto do exercício, por exemplo, há outros?)
- quais as condições mecânicas dos veículos envolvidos?
- os veículos estavam com os documentos em dia?
- os motoristas estavam com os documentos em dia?
- que carga transportava o caminhão, o que aconteceu com a carga?
Onde
- o acidente aconteceu onde?
- neste lugar costuma haver índice maior de acidentes?
- quais são as condições da estrada nesse ponto? Asfalto e sinalização estão em dia? Há tráfego maior que o normal? Passam muitos pedestres?
quando
- a que horas foi?
- como estava a visibilidade no local nesse momento?
- e o tempo? Chovia?
como
- como foi o acidente? Como sabemos que foi assim? Alguém viu? Ou são só suposições?
(Clique aqui para ver o exercício de onde surgiram as perguntas)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h09
A dica é da minha leitora Ana Cecília: um filme da mostra que é inspirado em reportagem.
"Um dos filmes que estão sendo exibidos este ano na mostra é o ainda inédito no Brasil "
Into the Wild", dirigido pelo Sean Penn.
O filme foi inspirado em um livro reportagem, "Na Natureza Selvagem", sobre um cara que largou a vida certa para trás e foi para o Alasca. Foi escrito pelo jornalista Jon Krakauer.
Como eu li "No Ar Rarefeito", do mesmo autor, fui pesquisar sobre esse livro. Descobri que ele surgiu também de uma longa reportagem para a revista "Outside", em 1993 (segue
o link para quem quiser ler a reportagem).
A propósito, o filme ainda não estreou na mostra, portanto quem quiser ainda da tempo de assistir (não sei se é bom)."
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h20
A Clara me pergunta: "Durante o trabalho, na cobertura de um fato, fazendo uma matéria, o repórter pode dar uma de tiete? Não digo exagerar, dar "piti", pedir autográfo, mas será que pode tirar uma foto? Ou isso faz parte daquelas coisas condenadas pelos manuais?".
O que é que vocês acham?
Leiam aqui meu comentário sobre o assunto.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h39
Antes de chegar ao tal "desumor", publico mais uma contribuição à campanha por mais humor no jornalismo, esta enviada pelo Thiago, que a encontrou no Globo (veja aqui a matéria).

Fazer humor com charge fica mais fácil, né? Mas não é para o nosso dia-a-dia [nosso, no caso, o dos que trabalham com texto].
Mas aproveito a deixa para colocar aqui esta tira do Laerte, para mim um dos mais geniais jornalistas da Folha, a seu modo.
É para dizer que humor nem sempre é engraçado. Às vezes é trágico. Mas, quando é bom, é sempre inteligente.

[quem tem acesso à FSP pode ver com melhor qualidade neste link]
Veja outro caso de humor
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h30
Favela é fábrica de bandido, a culpa é das mulheres que têm muito filho, deviam abortar pra não pôr mais bandido no mundo e blablablá.
São as declarações do governador Sérgio Cabral, reproduzidas nos jornais de hoje.
É função do repórter, claro, reportá-las.
Mas o repórter que está por dentro do assunto, como ANTÔNIO GOIS, pode fazer mais e desmentir o besteirol.
É o que ele faz na retranca de hoje, "Governador é contestado por estatísticas". [Copio no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]
Foi cobrir um personagem público e ele disse algo que parece um disparate? Reporte, claro, mas não pare por aí:
- ouça os afetados pelo disparate
- ouça quem entende do assunto
- publique os dados que refutam o disparate
Fazer isso implica inclusive que a gente descubra que os números comprovam a declaração que parece absurda. Aí não vale brigar com a notícia. É preciso noticiar.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h22
FAZENDEIRO PROCURA MULHER
Acreditem, este é o nome de um programa de TV na Alemanha, onde há um movimento para tentar segurar as pessoas no campo, segundo esta matéria da BBC que o Bruno mandou, como contribuição à campanha por mais humor no jornalismo.
Mas vou aproveitar a deixa para transformá-lo em exercício:

Não há dúvida de que sexo é um tema que atrai leitura.
A questão é: quando é apelação?
Quando é um recurso jornalístico válido?
Este caso específico, na opinião de vocês, se enquadra em que categoria? Por quê?
Veja outro exemplo recente
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h12
[Participaram deste post Ana Laura, Angela e Takata, de SP, o Luiz, de Santos, o Raphael, de Santo André, Gabi, de Cascacity (apelido de Cascavel, PR), Mauro, de Osasco, Franco, de Curitiba, Duda, de Recife, Bruno e Renata, de BH]
Meu problema é com este trecho [do exercício caça-palavra]: "parecia não estar bem posicionado".
Ele deixa o leitor no ar. Afinal, o goleiro estava ou não mal posicionado. Parecia para quem? Por quê? Quais as outras opções?
Uma coisa que eu sempre digo para os trainees é: dúvida é ótimo. Na pauta. No texto, é um desastre.
O repórter achou que o goleiro talvez não estivesse bem posicionado, certo? Mas não tinha certeza para cravar a informação no texto. O que fazer? Usar a dúvida a seu favor, investigando.
- Se tiver tempo, ele pode rever o lance na TV e firmar uma convicção.
- Se, mesmo revendo a cena, continuar em dúvida, pode entrevistar o próprio atleta e outros jogadores dos dois times.
- Se não tiver tempo ou a dúvida teimar em persistir, só há uma saída: omitir do texto. Deixa só o que pode ser comprovado: Marcel acertou chute forte e venceu Fábio Costa. Ponto final.
Comentaristas notaram que faltou um "s" na frase que dizia que os gaúchos eram fortes nas bolas paradas. Bom trabalho, redator tem que ficar de olho nisso.
Uma ressalva final: todo mundo sabe que o objetivo do blog é tentar tirar lições para o futuro. Ou seja, não estou aqui para criticar o trabalho dos meus colegas nem ficar apontando erros nos textos dos outros. É verdade que acabei de fazer isso mesmo, mas o objetivo não é pixar a matéria publicada (que já está embrulhando peixe, como se diz), mas mirar na matéria futura.
E para não deixar de elogiar, pessoalmente gosto do estilo do texto, enxuto, de frases curtas. Acho que combina bem com uma partida de futebol. Lá e cá.
Sobre o mesmo exercício, um comentário sobre o quão especializados devem ser textos de esporte
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h48

Contribuição da Paula, de Curitiba, à campanha por mais humor no jornalismo:
"Ana, para mim, a versão online do El País é um dos melhores exemplos de humor no jornalismo. Eu adoro os títulos que eles colocam na home. E olha que eles fazem o que eu sempre aprendi que é errado na faculdade: não dão informação relevante no título. Mas, pelo o que eu percebi, eles limitam o uso desses títulos engraçados para temas mais leves --dificilmente para algo factual.
Um exemplo, na home de hoje: "Tan cortos que desaparecen" ("tão curtos que desaparecem"), sobre a não inclusão dos curta-metragens no festival de Goya."
Veja outro exemplo recente
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h23
direito e cultura
A Abraji e a ONG Ministério Público Democrático (MPD) fazem curso de Introdução ao Direito para Jornalistas durante os meses de novembro e dezembro, em São Paulo. Serão seis aulas, das 9h às 12h, sempre às terças-feiras, nos dias 6, 13, 20 e 27 de novembro e 4 de dezembro.
As inscrições estarão abertas até 1/11 para 40 vagas e custarão R$ 75,00.
JORNALISMO CULTURAL
O editor de Ilustrada da Folha, Marcos Augusto Gonçalves, fala nesta sexta (26) sobre jornalismo cultural no ciclo de palestras da Cátedra de Jornalismo Octavio Frias de Oliveira, no Centro Universitário Fiam-Faam (UniFiam-Faam).
A palestra será às 20h no auditório Ulysses Guimarães, na rua Taguá, 150, Liberdade, São Paulo, SP. Interessados em participar devem enviar e-mail à Coordenação de Jornalismo (jornalismo@fiamfaam.br) com nome, telefone e faculdade/empresa/instituição a que pertencem.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h14
Contribuição da minha leitora Flavia, de Brasília, para a campanha por mais humor no jornalismo:
"Achei interessante a forma como esta jornalista do NYT começou um texto sobre o fato de muitos pais dividirem a cama com os filhos. Contar o sonho da própria filha, com doritos gigantes, é uma boa forma de dar um pouco de leveza e bom humor ao texto, não? =)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h24

Há um tema interessante que surgiu do último exercício caça-palavra: como fazer textos de esporte que não sejam banais para quem acompanha o caderno, mas sejam compreensíveis para quem não acompanha.
É um dilema que afeta o pessoal de economia, também. E qualquer editoria um pouco mais "especializada", como veículos, informática, ciência.
Mas será que é mesmo possível atrair para os especializados o chamado "leitor comum"?
Confesso que não tenho resposta definitiva. Mas tendo a ver esses cadernos como um sushibar. Quem odeia peixe cru jamais vai entrar ali. E seria um erro tentar fazer sashimi cozido.
Mas, pensando bem, talvez desse para ampliar um pouco e enxergá-los como um restaurante japonês cuja especialidade são sushis e sashimis, mas que tem também yakissoba ou guioza. Você sabe que pode levar para lá seu amigo enjoado, porque quase todo mundo come massa ou um pastelzinho.
Ou seja, mesmo em cadernos especializados, vai haver pautas com cara de macarronada, que interessam a todo mundo.
Por exemplo, um comparativo entre os novos sedãs da linha 2008 atrai os amantes de veículos, mas uma reportagem sobre os carros mais nfortáveis na hora do congestionamento é para quase qualquer leitor.
A saída talvez esteja não em transformar o texto num frankenstein esquisito (o tal sashimi cozido), mas em pensar num cardápio que tenha opções para todos.
Não quer dizer que os repórteres não devam se esforçar para fazer textos claros, didáticos, que não sejam excessivamente cifrados ou herméticos. Para continuar na analogia, também não adianta só servir sashimi de peixe esquisito, como aqueles agulhas pequeninos que se comem vivos. Pode até ser uma iguaria para os conhecedores, mas um restaurante não vive só desse público.
Mas acho que é preciso reconhecer que há cadernos com um público específico, para os quais escrevemos alguns textos que têm mesmo interesse mais restrito, mas que serão apreciados e compreendidos por ele. OK, desde que a gente não abandone a procura por assuntos mais gerais, escritos de uma forma amigável, que deixe todo mundo satisfeito.
Ah, claro, vou falar também sobre a palavra indevida. Mas num outro post.
Inté.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h50
Proponho uma campanha permanente por mais humor no jornalismo.
Na medida do possível, claro.
Uma das causas da carência de humor, na minha opinião, é que é muito difícil estabelecer o equilíbrio, o limite a partir do qual deixa de ser inteligência e passa a ser grosseria. Na dúvida, os jornais preferem não arriscar.
Mas, quando arriscam e acertam, é sempre muito mais divertido ler, ouvir ou assistir jornais.
A proposta então é: quando virem algo bem sacado, inteligente, engraçado em jornalismo, mandem pro blog que eu publico.
Meu exemplo de hoje é este título do "Metro":

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h56
É tudo uma questão de perguntas
O que as funções de pauteiro, repórter, redator e editor têm em comum?
A necessidade de fazer boas perguntas.
O pauteiro, para orientar o repórter, precisa pensar nas principais perguntas que um fato levanta.
O repórter fará efetivamente tais perguntas, mas, durante a apuração, terá que estar atento a outras que surgem.
O editor em geral "entrevista" seu repórter, tanto para descobrir qual o lide, a informação principal daquela reportagem, quanto para ver se falta apurar algo.
E o redator repete mentalmente esse trabalho todo, para verificar se a reportagem está mesmo completa, se conta tudo o que precisaria contar.
Proponho então um exercício de perguntas a partir desta foto abaixo, tirada por Juares Rodrigues (Mirafoto/Futurapress) e publicada hoje no "Metro". Que questões precisam ser feitas?

Veja aqui as perguntas que foram sugeridas
Outros exercícios do blog
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h15
DIREITOS HUMANOS
O Instituto Oak, da faculdade Colby, no Maine (EUA), abriu inscrições para jornalistas especializados em direitos humanos.
O selecionado ficará de setembro a dezembro de 2008 na faculdade, desenvolvendo um projeto de pesquisa e dando um curso em sua especialidade.
Inscrições vão até 15/12
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h40
O trainee FELIPE MODENESE participa do seminário brasileiro de jornalismo literário e faz, para os leitores do blog, um resumo da palestra de Anne Hull, repórter especial do "Washington Post".
Hull foi finalista do prêmio Pulitzer em 2000, 2003, 2004 e 2005 na categoria Feature Writing (o equivalente às nossas "reportagens especiais"). Os responsáveis pelo prêmio justificaram as indicações com estes argumentos: "poderosas histórias", "obras-primas", "investigação profunda de vidas" e "claras, sensíveis e incansáveis histórias".
Os pontos principais da conversa:
- Hull prefere aproximar seu trabalho mais da sociologia que do jornalismo: diz que é jornalista para fazer mudança social.
- Aprendeu tudo na Redação e na rua.
- Nunca termina um trabalho enquanto a pergunta "E o que vem depois?" puder ser respondida.
- Ela elabora uma trilha sonora para cada um de seus trabalhos: na palestra, aproximou o microfone de seu laptop e apresentou um rap dos subúrbios de Nova York e, depois, uma música típica mexicana da fronteira com Texas.
- A curiosidade é a principal atitude de um repórter
- Jornalistas têm total licença para serem intrometidos e questionar tudo
- Nunca subestime o lugar, o cenário em si como um personagem importante da reportagem
- Ser quieto e observador é muito importante
- A função do repórter é observar e relatar, não ajudar. Ela contou que, numa reportagem, pediram-lhe que emprestasse o carro alugado para levar ao hospital o nenê doente de uma família agrícola na fronteira mexicana. A repórter respondeu que "simplesmente não podia". O chefe da família conseguiu arrumar um transporte e tudo acabou bem. Mas Hull diz que, se "fosse muito urgente", teria emprestado o carro.
- Antes de partir para uma apuração, ela faz duas perguntas: Posso assistir a tudo? As fontes podem explicar o que está ocorrendo "por dentro"?. Segundo ela, acesso ilimitado e um personagem que possa traduzir a situação são primordiais.
Algumas reportagens citadas por Hull como exemplos:
Hull ainda defende que o jornalismo literário ou narrativo é uma poderosa arma carregada e que não deve ser usada em qualquer situação. Certos temas não podem ser abordados com tais técnicas de investigação e escrita. Anne é contra o sentimentalismo exacerbado e pedante e sua dica para evitá-lo é colocar um fato em cada sentença da história.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h53
PH RODRIGUES conta um pouco mais da viagem ao Peru.
Percorremos 703 quilômetros da Interoceânica Sul, uma rodovia que ligará o Brasil a portos do Pacífico.
De Urcos, na região de Cusco, a Assis Brasil, no Estado do Acre, o trecho cruza dois importantes biomas: os Andes tropicais e a Amazônia.
Envio três fotos de paisagens por que cruzamos.

Conhecemos comunidades isoladas, como Quincemil, na região de Madre de Dios, Estado amazônico peruano que faz limite com Brasil e Bolívia.

Vimos futuras raridades, como os picos nevados da Cordilheira dos Andes, alvos certos do aquecimento global _o cambio climático, como dizem nossos hermanos incas.

E assistimos a problemas conhecidos, como a extração ilegal de madeira. Flagramos este caminhão carregado com dez troncos em Puerto Maldonado.
Em entrevista coletiva com a turma, o presidente regional (governador) de Madre de Dios, Santos Kaway Komori, disse que sequer uma árvore é certificada. Das duas uma: ou a pavimentação da estrada facilitará o contrabando de madeira, ou o Inrena (o Ibama deles), enfim, fiscalizará a selva peruana.
Komori garantiu que mais de 20 fiscais trabalham na região atualmente. Não encontramos nenhum.
Por que o programa tem patrocínio
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h14
Caça-palavra
Mais uma para os redatores: algo estranho neste parágrafo, de um texto publicado no mês passado?
No segundo tempo, o cenário não mudou. O Grêmio apertou de novo e deixou só esporádicos contra-ataques para o Santos. Forte nas bolas paradas, os gaúchos saíram na frente em cobrança de falta. E não foi de Tcheco, principal cobrador. Marcel acertou chute forte e venceu Fábio Costa, que parecia não estar bem posicionado.
[Copiei o texto no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]
Meus comentários
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h19
Às 3h de hoje, depois de sobrevôos pelas regiões Sul e Sudeste, os trainees conseguiram voltar a São Paulo.
Alguns leitores perguntaram sobre a viagem, por isso convido:
quem quiser fazer perguntas aos trainees, é só escrever! É para isso, afinal, que serve este blog!!

Vocês acham que o Lucas estava com frio?

Companheiras de viagem

Parada a 4.800 metros de altitude
Por que o programa tem patrocínio
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h26

Meu leitor Bruno está se formando e, como ele mesmo escreve, enfrenta um dilema: o que fazer para especializar-se. "Já pesquisei sobre pós-graduação na área que mais me interessa -política-, mas ainda acho melhor fazer um outro curso de graduação, como ciências sociais. Até procurei ciência política, só que aqui em Belo Horizonte nenhuma instituição de ensino oferece esse curso. Vale a pena fazer pós, ou outra graduação é uma melhor escolha?"
A resposta depende um pouco de o que o Bruno quer fazer da vida. É trabalhar na cobertura política? Como repórter? Como redator? Como editor? Ou é pesquisar sobre jornalismo político?
Para cada projeto de vida há caminhos que podem ser mais amplos ou mais diretos, mais longos ou mais objetivos.
Acho fundamental perceber que especializar-se não quer dizer apenas estudar. Fazer um curso de especialização nem sempre é o melhor caminho e pode ser totalmente inútil.
Preparar-se para cobrir um assunto exige, além de conhecimento formal:
- acompanhar direito o noticiário daquela área
- entender como funcionam as instituições (aqui incluídos legislações e financiamento)
- saber quem são os principais personagens (quem toma decisão, quem se destaca, quem entende do assunto etc.)
- ser conhecido e respeitado por esses "atores"
- ganhar experiência na cobertura, para aprender com as dificuldades e erros
Alguns desses requisitos, acho, vêm antes dos cursos. Faz mais sentido ler o noticiário político com atenção, os editoriais, as colunas, os artigos, antes de investir tempo e dinheiro numa graduação ou pós-graduação.
Comece pelo que é mais simples e gratuito. Mergulhe no noticiário. Até para ter certeza de que tipo de formação/informação lhe falta, para poder julgar se um ou outro curso vai dá-la.
Mas, claro, estudar é importante e quem quer cobrir política precisa estudar história, muita história, do Brasil, em especial.
Acho que uma graduação em ciências sociais (que costuma incluir ciência política), direito, economia ou história é sempre útil para quem quer ser jornalista.
Já para quem quer aprofundar seu conhecimento numa área, a pós pode fazer mais sentido. Meu querido amigo Sombra, um dos jornalistas mais competentes que conheço, lembra algumas vantagens: "Atende e embica o interesse já definido, enriquece o currículo, ensina outra velocidade de estudo/pesquisa e dá acesso aos periódicos/coletâneas das Capes da vida".
Mais posts sobre especialização
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h27
Legal, vocês mataram o problema do exercício da semana passada:
você viu "com seus próprios olhos"? Se não viu, não afirme. Questione e atribua.
Se a polícia diz que o sujeito é criminoso, em primeiro lugar, pergunte: com base em quê?
Nesse texto do exercício, eles não sabiam dizer nem que qual crime os supostos "bandidos" eram acusados.
Se eles indicarem algum crime, como "tentativa de assalto", questionem de novo: quais os indícios?
E coloquem na matéria, para que o leitor avalie: "Segundo a polícia, eles poderiam estar preparando um assalto, já que há um banco naquele quarteirão".
Tentem tomar cuidado para não chamar de criminoso quem é suspeito.
--Ah, mas o cara estava com outros cinco superarmados, só pode ser bandido!
Ah, é? E se fosse um refém?
Só pra reforçar a dúvida, quantas vezes você já viu a polícia chamar de suspeito um inocente que matou por "engano"? Só pra lembrar de um caso, resgato aqui o do dentista Flávio.
E SUSPEITO, ELE ERA?
A idéia deste exercício veio de uma pergunta da Joyce, do Guarujá, sobre matéria que a Folha Online escreveu sobre o mesmo caso.
Preferi usar a da Folha porque o texto chama todos de criminosos, enquanto a da FOL trata o morto de "suspeito".
Mas a Joyce observou bem: o que é que ele estava fazendo, afinal? Não se sabe.
Se a polícia suspeita dele, ele é suspeito. Mas é melhor deixar claro quais são as bases de tal suspeita, se é que existem.
A RESPONSABILIDADE É DO REDATOR TAMBÉM
Lembram-se do título do exercício? "Se você fosse o redator, o que faria?".
É para lembrar que o jornal é um produto de equipe.
O repórter precisa tomar cuidado com o que escreve, mas o redator precisa ler com a cabeça, não só com os olhos.
Caiu um texto sobre crime na sua mão? Tome os seguintes cuidados:
- Leia uma vez do começo ao fim, para conhecer toda a história
- Leia uma segunda vez checando se todas as acusações estão atribuídas a uma fonte
- Se há acusações não atribuídas, pergunte ao repórter se ele foi testemunha do fato. Se o repórter não está ou você não se sente à vontade para conversar com ele, consulte seu editor
- Cuidado na hora de fazer o título. Às vezes o texto faz as ressalvas necessárias, mas, na pressa de escrever um título que caiba, a gente acaba chamando de ladrão quem é só suspeito. Resultado: acaba provocando um estrago ainda maior, já que muita gente só lê o título
Minha colega MARINA DELLA VALLE sugeriu no comentário que eu fizesse um post sobre o trabalho do redator, que costuma ser subvalorizado nas Redações. Falamos vagamente do assunto aqui ["O redator, esse desvalorizado"], mas é o caso, sim, de voltar ao tema. Está anotado, Marina!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h13
Depois de 31 anos, o "El País" adotou ontem sua primeira reforma gráfica, que se segue a mudanças no site e novas estratégias de conteúdo [para conhecer as mudanças, clique aqui].
Na semana passada, o diretor do jornal explicava por que mudar (agradeço a meu colega RODOLFO LUCENA pelo texto).
Neste link, um slideshow com a história do "El País".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h53
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