Pautas de saúde?
Pautas de saúde?
Pautas de saúde?
Pautas de saúde?
A Duda, de Recife, pede a ajuda de todo mundo:
Quero pedir um favor, a voce e aos leitores como eu. É simples, preciso de sugestões de pautas em relação ao tema: "SAÚDE- BEM ESTAR". É um tema bem legal, abrangente, e gostaria da ajuda de vocês para abordar algo legal dentro dele. Valeu desde já!
Moça, antes de começarmos a dar sugestões, explica melhor pra gente:
- é uma pauta para veículo impresso? Rádio? Vídeo? On-line? (Tem coisa que serve para um, mas não presta para outro)
- você terá que apurar a reportagem? Ou só sugerir a pauta?
- o tema é amplo demais, mesmo, não? Pode ser qualquer pauta dentro disso? Tem que ser notícia quente? É para ser uma feature?
- a pauta é um exercício pra faculdade? O que exatamente seu professor pediu?
Sim, são várias perguntas, mas o exercício já começa aqui.
=)
AS RESPOSTAS DA DUDA
Dêem suas sugestões!
Eita! deixa eu esclarecer, entao! é um exercício pra faculdade, e nós temos que sugerir a pauta para TV dentro desse tema. Por enquanto, nós não temos que apurar a reportagem, só sugerir a pauta, mas acho que depois ela vai mandar apurar sim!=P Não tem que ser necessariamente uma pauta quente...hum...acho que só!hehehehe valeu pela ajuda do Paulinho Uda e da Ana, e dêem mais dicas!;)
Veja aqui algumas indicações de onde encontrar pautas
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h08
SABEDORIA
"Se o assunto é urgente, não mande e-mail. Ligue!"
Essa frase faz parte da assinatura de e-mails do editor responsável da TV Anhanguera (Tocantins), Rogério Silva.
É uma lição ótima.
Tem repórter que, quando precisa apurar algo, manda um e-mail e fica esperando a resposta.
Perde tempo. O telefone é sempre mais rápido e mais eficiente.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h29
É um insulto o prêmio criado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde com o objetivo de "estimular a publicação de matérias positivas sobre o Sistema Único de Saúde", como revela meu colega ALEXANDRE NOBESCHI na Folha de hoje.
Os argumentos da assessora responsável pelo prêmio são ridículos: "Muitas vezes são mostradas matérias que tratam de coisas boas que o SUS faz, mas não é dado o crédito ao programa. A gente tem a pretensão que as pessoas conheçam os aspectos positivos do SUS, porque pauta negativa tem de monte".
Não existe "pauta negativa". Existe pauta, ponto. O que a assessora parece não saber:
- se o órgão funciona bem, não faz mais que obrigação. Pode até haver boas histórias que mereçam parar no jornal, mas o simples fato de o SUS trabalhar direito não é notícia.
- se o órgão funciona mal, é obrigação do jornalismo mostrar isso.
- mostrar problemas não é um desserviço ao órgão público. Ao contrário, é um serviço, permite que os gestores conheçam as falhas e trabalhem para saná-las.
O que o prêmio quer fazer é comprar repórteres. Forçá-los a "dar crédito" ao SUS por outros critérios que não o jornalístico.
Sério, eu teria vergonha de ganhar um prêmio como esse. Repórter que se preze não deve deixar que nenhuma matéria sua seja inscrita.
[Copiei o texto no site do treinamento para quem não tem acesso ao FSP]
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h48
Admiro a coragem dos meus colegas ANDRÉ CARAMANTE e MARIO CESAR CARVALHO.
De hábito, fazem investigações jornalísticas que envolvem gente poderosa. Nos últimos dois meses, têm apurado a suposta ligação de policiais com traficantes de drogas.
Ligações talvez não seja a melhor palavra. Policiais não se associavam ao tráfico; as suspeitas são de que chantageavam, extorquiam e seqüestravam traficantes.
Por isso acho que vale a pena todo mundo ficar de olho nessa notícia: Corregedoria vai investigar se policiais espionavam jornalistas.
[Copiei o texto no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]
MARIO CESAR conta como entrevistou megatraficante
ANDRÉ CARAMANTE fala sobre a reportagem "Chefe do Deic é sócio de firma de segurança".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h47
Divulgação

Vocês já devem ter percebido que sou defensora dos "casos específicos". Aqueles exemplares, que reúnem numa pessoa, numa situação, elementos da situação geral.
É um deles o texto de minha amiga RENATA BAPTISTA sobre Cláudia Maria da Silva, uma gari de 40 anos, 18 filhos, 27 gestações, dois cômodos, uma cama, zero geladeira.
[Copiei no site do treinamento, para quem não tem acesso à FSP]
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h09
Audivelmente apreensivo
Audivelmente apreensivo
Meu trecho com problemas era este:
“Essa é a última notícia que eu tenho de lá”, diz, visivelmente apreensivo –-especialmente depois do bloqueio às comunicações, realizado pela junta militar que governa o país.
A palavra que me incomodou foi visivelmente.
Argumentei com o trainee: o que é "visivelmente apreensivo"? O que da apreensão dele era visível? Se havia mesmo algo visível, é sempre melhor descrever.
Ele me respondeu com uma questão interessante, que divido com vocês:
"Era algo na voz dele. Não sei se você tem idéia de como descrever isso, a voz tinha um tom sóbrio, meio contido, mas muito preocupado."
Ou seja, era "audivelmente" preocupado, não visivelmente... E agora?
O que vocês acham? Como resolver essa equação?
[Como é feriado, vou dar um desanso para vocês e voltar ao blog só domingo à noite, OK?]
[Colaboraram neste post a Sabrina, de Três Rios, Angela, Amanda, Amanda Nayara, Mauricio, Natalie, Camila, Paulinho, Charles e Luis, de São Paulo, Raquel, de Ribeirão, Michel, de Curitiba, e André, de Campinas.]
Meu comentário
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h55
Minha leitora Regiane fez seu trabalho de conclusão de curso sobre jornalismo de precisão e manda para o blog dois textos da sua monografia publicados pelo Observatório da Imprensa:

BEM TORTURADOS...
Foi bom para eu me lembrar de sugerir para vocês a leitura deste excelente trabalho do
Marcelo Leite, a reportagem "
Números selecionados ajudam discurso". O supercompetente Marcelo mostra como o presidente escolheu a dedo dados que contam uma parte da história e deixou os outros de lado.
É como diz meu amigo José Roberto de Toledo, que por sua vez ouviu de Delfim Netto, que atribui a frase a "um prêmio Nobel":
"Bem torturados, os números revelam qualquer coisa."
Toledo até tentou achar o autor da idéia, mas não conseguiu ligá-la a prêmio Nobel algum. A única pessoa que encontrou reivindicando autoria foi um jornalista norte-americano chamado Gregg Easterbrook: "Turture numbers and they'll confess to anything".
SÓ ESTAR ATENTO NÃO BASTA
Mas é preciso deixar claro que não adianta só desconfiar dos números. Para desmascarar farsas, é preciso conhecer bem o assunto. Estudar, pesquisar, acompanhar. Como faz o Marcelo Leite.

BARBEIRAGEM NOS NÚMEROS
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h40
Aconteceu com os trainees o mesmo que com vocês, leitores do blog, no nosso exercício sobre as bibliotecas.
No começo, a pauta deles era a que já existia, a dos garis.
O que ela tem que justifique uma pauta?
- é algo concreto, real, que faz parte da vida da cidade
- tem foco
- está num ponto de passagem de centenas de milhares de paulistanos, ou seja, tem proximidade
- os livros são de qualidade, não um monte de livros desprezados, juntados num canto
- garis, antes analfabetos, hoje lêem obras de qualidade: a mais retirada é "O Cortiço", de Aluísio Azevedo
O que falta a ela?
- falta um pouco de novidade. Bibliotecas comunitárias há muitas, projetos de alfabetização também.
Ia, portanto, ser uma história pequena.
Quando foram falar com os responsáveis, descobriram duas coisas: 1) a pesquisa, que mostrava que essa dos garis era exceção, porque a maioria das bibliotecas comunitárias fica às moscas por falta de público que saiba ler (e exceção, vocês sabem, é mais notícia); 2) que a mesma ONG preparava uma nova biblioteca, dessa vez num local inusitado: uma sala de velório num dos maiores cemitérios públicos de São Paulo. Por que no cemitério? Porque a região tem poucas áreas de lazer e o cemitério acaba sendo um ponto de concentração. E também porque os coveiros seriam os novos alunos do projeto de alfabetização.
O primeiro impulso dos trainees foi abrir a matéria com a pesquisa. Que qualidades jornalísticas ela tem?
- é inédita
- expõe um problema relevante, que atinge a cidade
- tem um "respaldo institucional" (essa tinha um grande respaldo, pois havia sido conduzida por um dos maiores geógrafos do país, Aziz Ab´Sáber)
O que falta a ela?
O mesmo que falta aos levantamentos em geral: vida.
É por isso que, quando a pergunta muda de "o que vale mais destaque?" para "qual desses títulos te atrai mais?", nossa opinião (a minha, as deles, as de vocês) muda.
A pesquisa é séria, é importante, tem notícia, mas é abstrata. Ombro a ombro com a vida real, concreta, parece "chata".
Já a biblioteca na sala de velório disputa destaque com que armas?
- é curiosa, inusitada
- tem gancho, pois será inaugurada em breve
- tem foco
- trata de um assunto relevante --a falta de estrutura daquele bairro, o projeto de alfabetização dos coveiros etc.

O QUE VEM PRIMEIRO NO TÍTULO? A INFORMAÇÃO OU AS PALAVRAS?
Meu blogbudsman acha que o velório literário saiu ganhando porque a formulação do título era mais chamativa.
Ele até propôs uma formulação mais chatinha, para que as matérias pudessem competir no mesmo nível.
Se vocês se lembram, minhas sugestões eram:
1) Kafka, Drummond e Machado povoam biblioteca de garis
2) Sala de velório vira biblioteca em cemitério paulistano
3) Pesquisa mostra que, sem alfabetização, bibliotecas comunitárias ficam vazias
Para "equilibrar", ele propôs:
1) Grupo abre biblioteca para varredores de rua;
2) Grupo abre biblioteca em velório;
3) Bibliotecas ficam vazias por falta de leitores
Mas eu discordo. Não é o título que está "enfeitado". O título é mais legal porque a matéria é mais divertida.
Se a gente tem bons elementos para fazer um bom título, não há porque derrubá-lo, nem torná-lo mais burocrático.
A notícia não é que grupo abre biblioteca para garis. Se fosse, nem viraria matéria. Há dezenas de bibliotecas comunitárias na cidade. A notícia é que os garis lêem Kafka, Lima Barreto e Machado de Assis.
No segundo caso, idem. Não é "quem" abre que interessa, mas o que está sendo aberto. É o estranhamento de haver uma biblioteca numa sala de velório. Tanto faz se é um grupo que abre, ou a prefeitura, ou um coveiro sozinho (se bem que "coveiro abre biblioteca em sala de velório" também seria bem legal).
No caso da pesquisa, a gente não consegue mesmo fazer um título mais emocionante porque o assunto é menos emocionante. Porque, diferentemente dos outros dois, não trata de algo específico, com nome, cara, cor, mas de números, avaliações gerais, grandes panoramas. É isso que deixa as matérias desproporcionais, não a simples formulação do título em si.
Post mais recente sobre pautas
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h26
Este é um trecho de texto feito por uma traine da 44ª turma.
Vejo um problema numa palavra. O que vocês acham?
“Essa é a última notícia que eu tenho de lá”, diz, visivelmente apreensivo – especialmente depois do bloqueio às comunicações, realizado pela junta militar que governa o país.
Leia aqui a continuação do exercício
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h01
Meu leitor Luiz não quer me deixar quieta no meu canto.
Escreve: "Todo dia venho ao blog ver se você vai tratar da polêmica Huck X Ferréz. Não vai?".
Não ia.
Não ia porque tento evitar fazer crítica de mídia. Procuro me ater mais aos casos em que a gente consegue tirar lições para o dia-a-dia.
O João tem razão, é o debate da hora --assim como o do Tropa de Elite, que versa sobre o mesmo tema e começou poucos dias antes--, mas não consigo ainda achar aqui as tais lições.
Resolvi então procurá-las. Uma delas é óbvia: se todo mundo está falando do assunto, ele é notícia.
"Ah, mas todo dia acontecem assaltos, porque ficar dando tanto espaço pra esse caso? Só porque foi com alguém famoso?"
É por isso mesmo. Uma das característica da notícia é a empatia. O que atinge alguém conhecido mobiliza mais ao leitor.
Acho um engano ficar discutindo se isso é bom ou ruim, certo ou errado. É um fato. Siga adiante: como aproveitar da melhor forma jornalística esse interesse?
Se há um momento em que o leitor estará mais propenso a ler abordagens mais complexas sobre segurança, é este.
Quais são as pautas novas que podemos sugerir?
Quem são as pessoas que realmente entendem do assunto e têm uma visão original, que renderiam boas entrevistas?
Há outras maneiras de atuar nesse debate. Uma delas é provocar (de forma calculada, consciente). Outra é analisar.
Elio Gaspari, para mim um dos mestres da ironia inteligente, vai hoje pela primeira trilha, na coluna "O socialismo precisa de um Rolex". Ele usa bem o contraste e a contraposição de atualidade e história para dizer "Ei, gente, a coisa não é tão simples assim".
No segundo caminho está a coluna do Marcelo Coelho, "Fascismo é outra história", sobre o "Tropa de Elite". É na verdade uma crítica cultural, no melhor sentido do termo. Não há uma vez que eu leia críticas do Marcelo e não termine o texto com novas e melhores idéias sobre as obras que ele analisa.
Como nem vocês nem eu (infelizmente) somos Gasparis nem Coelhos, não jogamos no campo da opinião, como eles. O nosso é o da informação. Jornalistas envolvidos nesse debate podem, por enquanto:
- Ler todos os artigos, colunas, cartas de leitores e reportagens que saírem.
- Arquivar os mais relevantes.
- Com base nessa leitura, fazer uma lista de fontes que falam sobre o assunto (melhor ainda, achar os contatos e colocar na agenda telefônica, com link para os artigos).
- Pensar em pautas relevantes, que joguem luz no problema --não é tão fácil quanto parece, porque o ideal é achar novidade. O simples "balanço" do problema tem cara de coisa velha e só vai entediar o leitor, se é que conseguirá atraí-lo.
[Leitores sem acesso à FSP podem ler os textos no site do treinamento]
Leia uma entrevista com o editor da página de artigos da Folha
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h23
Lewis Morley - 1963/National Portrait Gallery / Divulgação

Imagens de Christine Keeler, então com 21, em 1963,
e foto de Mônica Veloso, aos 39, em 2007
Não, o blog não aderiu ao "jornalismo erótico".
Mas não dá para brigar com a notícia. As capas dos jornais de hoje mostram isso, com os senadores vendo as fotos da moça durante as sessões parlamentares.
Meu assunto aqui é uma retranca(*) muito legal que a Folha publica hoje, mostrando que o ensaio da Mônica Veloso foi inspirado num caso semelhante: um escândalo sexual que, na década de 60, derrubou um ministro britânico.
Sempre que a gente põe um fato atual no contexto, explica referências, recupera histórias, o leitor sai ganhando.
[Para quem não tem acesso à FSP, coloquei o texto no site do treinamento.]
(*) retranca é o termo usado na Folha para uma matéria. Vem da época em o jornal não era totalmente informatizado e, para cada texto, recebíamos um papel em que eram anotadas as informações de tamanho, título, posição na página etc.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h20
Construindo uma pauta 2
Construindo uma pauta 2
Construindo uma pauta 2
Fiquei devendo novo post a partir das sugestões que vocês deram para a Raquel, sobre como dar força a uma pauta fria.
Foram muitas e boas sugestões. Algumas já tinham sido incluídas no meu post anterior, por isso deixei neste apenas aquelas em que não havia pensado ainda.
Ah, Raquel, não se esqueça de nos contar como ficou, afinal, a sua pauta!
Ir contra a maré - João Paulo, de Juiz de Fora, sugere "pegar o extremo oposto: alguém que resista a usar o computador e ainda escreva a mão".
Achar exceções à regra é interessante, jornalisticamente, porque a exceção é mais inesperada, portanto mais notícia.
Para não procurar personagens a esmo - essa pauta com certeza vai precisar de personagens, como disseram vários leitores. A Flavia já deu aqui boas dicas de como achá-los, mas o Takata, de São Paulo, deu uma boa idéia de como achar boas pessoas que ilustrem esse caso: em escolas de informática ou locais de trabalho em q as pessoas só usem o teclado (talvez profissionais de telemarketing).
Efemérides ajudam a dar gancho - pautas frias podem se apoiar em datas, como Dia da Criança, Dia do Professor ou aniversários de mortes ou de fatos relevantes. O Hyury Potter, do Pará, comenta: "Seria bom ter um "dia internacional do computador" ou algo parecido (tem dia pra tudo nesse mundo,o computador deve ter o seu em algum lugar no calendário)."
Os números estão nus - já comentamos, mas vale lembrar, que nem sempre é preciso números para segurar uma pauta. Muitas vezes, mais vale um bom caso específico que uma pesquisa geral. Como diz a Monike, de Campina Grande, "não há necessidade de deixar passar um tema como esse, EXCLUSIVAMENTE por falta de NÚMEROS!".
Leia aqui as outras sugestões
Veja o exercício original
OUTROS POSTS SOBRE PAUTAS FRIAS
Pautas de comportamento para revista
Como sugerir pautas frias
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h59
Antes de comentar o exercício de segunda, queria que vocês me respondessem qual desses três títulos o atrairia mais. Como leitor, qual dessas histórias você teria vontade de ler?
1) Kafka, Drummond e Machado povoam biblioteca de garis
2) Sala de velório vira biblioteca em cemitério paulistano
3) Pesquisa mostra que, sem alfabetização, bibliotecas comunitárias ficam vazias
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h30
Estamos fazendo na Folha um curso muito legal de estatística, que explica como analisar pesquisas (de todo tipo --eleitorais, de opinião, de mercado, científicas) e como fazer nossos próprios levantamentos.
Renata Nunes, que é estatística do Datafolha, recomenda esta lista de 20 perguntas que todo jornalista deve fazer antes de publicar uma pesquisa.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h29

Meu amigo ALEC DUARTE me manda esta matéria do jornal francês "Le Figaro": a revista "Paris-Match" foi condenada a pagar 5 mil euros para a mulher que aparece na foto de uma reportagem (uma espécie de "retorno ao subúrbio" após os distúrbios na periferia).
Os problemas:
1) a foto foi roubada, ela diz não ter visto ser fotografada;
2) a legenda, segundo a garota, a prejudicou no trabalho. Diz: "temerosa, a passageira mergulha na leitura...".
Na decisão judicial, a "Paris-Match" terá de publicar, em espaço idêntico, que Mélanie Merlin não tem medo de utilizar o transporte público.
Casos assim são freqüentes e acontecem por erro técnico: no jornal, foto não é ilustração. É informação. Como qualquer outra, tem que ser precisa.
Pegar uma foto de alguém lendo e afirmar que a moça está com medo é o mesmo que achar uma frase dela de dois anos atrás sobre um filme de terror e usar no texto: "Nunca senti tanto medo".
Se a gente não faz essas "gracinhas" com o texto, não pode também fazer com as fotos.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h35
Meu colega RICARDO FELTRIN assina uma chamada de capa hoje na Folha. Merecida. Ele conseguiu falar com o bispo Edir Macedo, façanha perseguida sem sucesso pela maioria dos jornalistas.
E obteve uma informação relevante: o nome do sucessor. Além de comentários exclusivos sobre a biografia que será lançada dia 15.
Não se trata de mera fofoca. Vocês devem estar acompanhando a disputa ferrenha entre Record e Globo. É um negócio de bilhões, como é de bilhões a influência da Igreja Universal na sociedade brasileira hoje. E a biografia, claro, faz parte desse jogo.

ENTREVISTA?
Alguns leitores do blog, principalmente os que já trabalham como jornalistas, questionaram o uso na matéria do termo "entrevista exclusiva".
O texto traz declarações exclusivas, mas onde está a entrevista, perguntam?
Já haviam reclamado há alguns dias, quando a mesma Folha Online chamou de entrevista exclusiva duas perguntas respondidas pelo bispo na saída da cerimônia que marcou o lançamento da Record News.
"Duas perguntas é entrevista exclusiva?", questionavam.

O QUE IMPORTA?
É importante iluminar primeiro o que realmente importa para o leitor: as informações obtidas.
O mérito delas não se mede pelo número de perguntas. Mais valem duas respostas certeiras que 200 vagas e inúteis.
As duas matérias da Folha Online resolvem bem esse problema.
Qual é o galho com o termo "entrevista exclusiva", então?
É que ele cria no leitor a expectativa de encontrar em algum lugar o que costumeiramente chamamos de entrevista, ou seja, uma conversa mais desenvolvida, em que o repórter consegue esclarecer direito todos os pontos ou expor o suficiente seu entrevistado.
É legítima a opção dos jornais de chamar a atenção para a exclusividade. Não é mera vaidade, não. Eles estão dizendo "Olha, leitor, presta atenção, porque isso você só vai ler aqui".
O que o repórter pode fazer, então?
Acho que uma opção é descrever a conversa: "A Folha Online conseguiu falar com o bispo em tal e tal lugar, de tal e tal jeito. Com exclusividade, ele disse tal e tal coisa".
O texto do lançamento da Record News, aliás, faz isso muito bem. A descrição tem a vantagem, como já dissemos aqui, de pôr o leitor na cena. Você até consegue ver o bispo saindo apressado pelo corredor.
Assim a gente, que já sai ganhando com as informações apuradas pelos repórteres, ganha mais ainda.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h11
Meu amigo Marcelo Soares me conta que o Senado americano vai passar uma lei que define quem é jornalista, ou seja, quem pode ser protegido legalmente da obrigação de revelar suas fontes e documentos. Deu no "
Washigton Post".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h44
Leitores que cursam essas faculdades, quem sabe vocês podem ajudar o Felipe na dúvida dele.
Contem o que acham dos seus cursos. Digam prós e contras. Falem das cidades.
Isso pode norteá-lo na decisão que precisa tomar.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h24
Minha leitora Desirée pergunta: "Você acha que vale a pena escolher uma área para se especializar? Eu gosto muito da área de jornalismo científco, mas tenho medo de o campo de trabalho ser muito restrito e gastar energia "à toa". O que você indica?".
Essa é uma pergunta difícil, sabia?
Porque há vários caminhos possíveis a trilhar na carreira, e não é possível prever com antecedência qual deles "daria mais resultado".
É aquela coisa que o pai da gente diz quando relutamos em virar adultos: "Não é possível comer o bolo e guardá-lo".
Uma das durezas de amadurecer é esta, ter que fazer escolhas sozinhos e arcar com as conseqüências. Por isso, claro, dá medo: "Será que essa opção é a certa? Vai dar mais resultado? Ponho minhas economias num fundo de ações ou na renda fixa?".
Mas acho que, se você gosta de um assunto, sente-se feliz lendo sobre ele, se o tempo voa quando você está procurando entender mais sobre a área, não há por que não perseguir essa especialização.
Dominar uma área de cobertura é superimportante para um jornalista. E estudar aquilo de que a gente gosta rende muito mais e é muito mais efetivo.
Se você tem a impressão de que seria feliz na cobertura de ciência, invista, sim, nessa especialização. Até porque essa é uma área em que entender mesmo do assunto é imprescindível.
É verdade que o campo de trabalho pode ser limitado, mas veja desta forma:
- Se o campo é limitado, é mais um motivo para que você se especialize, pois isso aumenta suas chances
- Especializar-se não quer dizer ignorar as outras áreas. Nenhum bom jornalista entende só daquele nicho que cobre. Ainda é preciso ler todo o jornal, acompanhar o noticiário principal. Logo, você não estará perdendo em nada para quem não decidiu se especializar.
- As técnicas jornalísticas que você usará na cobertura de ciências --pesquisa, entrevista, checagem, documentação-- serão as mesmas que qualquer outra área requer. De novo, você não perderá em nada para os generalistas.
Uma maneira de fazer essa especialização é adaptar esse projeto que escrevi para a área de economia , mas vou pedir ajuda ao editor de Ciência da Folha para me ajudar a sugerir algo mais específico.
Depois me conte o que você decidiu e o que tem feito a respeito. Se algum leitor do blog estiver nessa trilha do jornalismo científico e quiser dar dicas, por favor, faça isso.
OUTROS POSTS SOBRE ESPECIALIZAÇÃO
No caminho do jornalismo econômico [que mencionei no texto acima]
Turismo, religiões, suplementos infantis
Jornalismo esportivo
Jornalismo cultural
Claudia Antunes, editora de Mundo, fala sobre sua área
Raul Juste Lores dá dicas para se especializar em jornalismo internacional
Natali fala sobre armadilhas da especialização
Davila e o jeitinho brasileiro
Cobertura de tecnologia - dicas de Paula Leite
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h17
O que é mais forte?
O que é mais forte?
O que é mais forte?
Você propõe uma pauta sobre uma biblioteca com livros de ótima qualidade, clássicos da literatura, cujo principal público são os garis da cidade. Quando começa a pesquisar mais sobre o assunto, descobre outras duas coisas: 1) uma pesquisa inédita que mostra que a maioria das bibliotecas comunitárias fica às moscas porque as pessoas não sabem ler; 2) que a mesma entidade que abriu a biblioteca dos garis vai inaugurar, no dia de Finados, uma unidade que vai funcionar numa sala de velórios de um grande cemitério de um bairro da zona sul da cidade.
Qual das três vertentes será a principal na sua apuração? Qual delas dará o título principal da sua matéria? A biblioteca que já existe, a pesquisa ou a biblioteca que vai abrir?
Por quê?
Outros exercícios do blog
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h38
Meu leitor Felipe vai prestar vestibular este ano e está em dúvida:
Tenho como segunda opção --caso não passe na USP-- a UEL e a Cásper Líbero. O problema é que as provas da segunda fase da UEL começam exatamente no mesmo dia do vestibular da Cásper. A dúvida reside, especialmente, no fato de a UEL ser gratuita e a Cásper ser paga. Se eu não conseguir bolsa lá, inevitavelmente terei que trancar a faculdade.
Tem outros problemas, como sair de uma cidade como São Paulo para morar em Londrina, que embora seja ótima, não tem o mesmo mercado da capital paulista. Mas, em compensação, a UEL conta com um centro de pesquisas e uma estrutura acadêmica muito boa.
Será que vale a pena sair de São Paulo para estudar lá uma área tão dinâmica quanto jornalismo?
Essas dúvidas são muito difíceis de resolver assim. Toda escolha implica perdas e ganhos e cada pessoa saberá pesar melhor o que perde e ganha em cada caso.
O que eu digo para o Felipe é que Cásper e UEL são boas faculdades.
Em geral, o empenho do aluno conta mais que a faculdade, mas as duas são lugares em que, se você se interessar e tiver iniciativa, pode aprender e crescer profissionalmente.
Estar em SP tem a vantagem de mais acesso a cultura (e a formação cultural, a formação geral, contam tanto ou mais que a escolar).
Mas Londrina não é uma cidadezinha minúscula. É um centro grande, com opções. E livros chegam a qualquer lugar do Brasil, hoje. Basta comprar pela internet.
Como ele mesmo coloca, é o caso de pesar as despesas que terá --de um lado com uma faculdade particular, de outro com uma gratuita, mas tendo que se sustentar numa cidade diferente-- e os outros benefícios, alguns subjetivos, de cada opção.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h58
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