Ueslei Marcelino/Folha Imagem
 Seguranças e policiais militares imobilizam o agricultor Ângelo de Jesus, 37, que invadiu o Planalto para tentar falar com o presidente Lula
Meu leitor Augusto, do Paraná, não concordou com minha avaliação de que não é preciso dizer que uma morte foi trágica --o adjetivo, dizia eu, é mais fraco que a descrição minuciosa dos fatos. Já ele pensa assim:
Acho o adjetivo fundamental no texto escrito. Mas o jornalismo tem essa ambição idiota de se afastar do que é em última instância: texto.
A opção que você colocou "A morte foi o trágico desfecho de uma quermesse para o índio xacriabá Avelino Nunes Macedo" soa com pedantismo típico de jornal sensacionalista, que se espremer saí sangue.
Eu diria: "Teve trágico fim a noite para o índio xacribá Avelino Nunes Macedo". É mais indireto, eu sei, é parecido com o jornalismo de antes de 1950, mas, que se dane, é muito mais bonito e prende a leitura, não a afasta.
Acho a discussão muito importante, Augusto, mas ainda discordo de você.
O adjetivo é um engano no jornalismo, porque ele não permite boa informação.
É um termo relativo, não absoluto.
Feio é uma coisa para mim, outra para você. Trágico também. Todo texto jornalístico melhora quando adjetivos são substituídos por informação, por dados.
Dizer que um cane corso de 90 quilos atacou um menino de quatro anos é sempre melhor que dizer que um cachorro enorme atacou um pequeno menino.
O bom texto não é feito de adjetivos ou construções empoladas, mas de vocabulário rico e preciso, frases claras e estrutura articulada. E, claro, de muita informação.
Claro que às vezes a gente tem uma história tão espantosa para contar que dá vontade de usar adjetivos. Mas os fatos são mais poderosos. Ou, às vezes, as imagens, como nessa --espantosa-- fotografada por UESLEI MARCELINO.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h21
AUTOR INÉDITO
DANIELA ALARCON conta que foi publicada uma antologia do escritor peruano Ramón Ribeyro, inédito no país: "É sempre motivo de júbilo, pra quem acompanha a duras penas a literatura andina, quando um escritor é lançado no Brasil. O livro de Ribeyro é lindo; vale a pena ler".
Na resenha que fez para a agência Ansa [versão editada aqui], Dani conta:
Ribeyro publicou seus primeiros contos e artigos no jornal El Comercio.
Abandonou a boemia limenha para perambular pela Europa e, finalmente, juntou-se ao que chamou, com certo exagero, de um círculo de "artistas mendicantes" em Paris.
Nos anos 60, trabalhou na agência de notícias France-Presse, e em 1972 foi nomeado adido cultural do Peru junto à Unesco.
Morreu em 1994, logo após receber o prêmio Juan Rulfo, considerado o mais importante da literatura em latino-americana e do Caribe, pelo conjunto da obra.

SÓ PARA LEMBRAR
Mande até amanhã sua sugestão de livro
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h02
Minha leitora Regina pergunta:
"Gosto muito de matérias de comportamento, mas sempre que tento formular uma idéia acho que falta link (estudos recentes, números, comparações e etc). Detalhes que realmente justifiquem o porquê da proposta.
Você poderia comentar sobre esse tipo de texto? Como se aprofundar no assunto e tornar tais sugestões mais quentes e atrativas, mesmo que seja para revistas mensais? Que tipo de bibliografia também é interessante para compreender melhor este universo? "
Nem sempre é preciso "esquentar" uma proposta de pauta de comportamento.
Em geral, o que a gente chama de gancho --o "pretexto" que justifica publicar aquela história-- é mais necessário em jornal diário, que é mais quente, mais informativo, briga mais pelo pouco tempo do leitor.
A dor no ombro do presidente pode ser então um gancho para uma reportagem sobre bursite ou RPG, o feriado pode ser gancho para uma reportagem sobre estradas, o lançamento do filme "Tropa de Elite" pode ser gancho para uma reportagem sobre a polícia.
No jornal, portanto, a gente tem que estar sempre preocupado em responder à pergunta "mas pra que falar disso agora?".
Se a gente teve uma boa idéia de pauta de comportamento, mas está sem gancho, a melhor saída é entrevistar quem entende do assunto. São eles que vão saber se há novidade: uma nova tendência, um novo problema, novos números, enfim, o que há de inédito que dê um senso de "urgência" a sua pauta.
Outro recurso é dar um enfoque de serviço (como fazer, como evitar, como ganhar, como economizar etc.). Pautas de serviço costumam ser um pouco menosprezadas pelos repórteres, mas são amadas pelos leitores. E a utilidade reduz a necessidade de gancho.
Já para revista, embora o gancho dê mais força à pauta, o que conta mais é o pacote completo. Muitas vezes o editor se convence pela história que você quer contar, principalmente se pensar num bom título, em fotos, em artes.
Quanto mais seu editor puder "ver" a reportagem pronta, mais interessante será a pauta. Em revista conta muito o casamento do conteúdo com a forma, essa conversa entre foto e título.
Se sua proposta for bem amarrada e seu tema for legal, ele vai gostar, mesmo sem falsos esquentamentos.
Mas é difícil falar assim no geral, por isso, se tiver algum caso específico, mande-me para eu pensar melhor.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h50
O Poynter lançou a eleição das sete maravilhas do jornalismo, nas categorias:
- Documents (such as the First Amendment)
- People (such as Walter Cronkite)
- Institutions (such as the BBC)
- Events (such as the publication of the Pentagon Papers)
- Technology (such as the invention of the telegraph)
- Works (such as the front page of the New York Times on Sept. 11)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h32
Toda escolha em jornalismo tem prós e contras.
O que importa é pesá-los e ter argumentos jornalísticos para bancar cada decisão.
O primeiro, mais noticioso, tem como vantagem dar a notícia logo. A desvantagem é que é mais comum e, em certa medida, menos emocionante.
O segundo, mas narrativo, atrai mais o leitor. A gente gosta de ler histórias, de conhecer a vida dos outros, é um texto mais interessante. Mas notem que são necessários quatro parágrafos para sabermos qual é exatamente a notícia.
Gosto deste exemplo porque fica claro que o repórter tem o talento necessário para fazer tanto um como o outro. Foi uma questão de escolha.
E, na hora da escolha, é preciso ponderar:
- Qual é o caráter do veículo para o qual você escreve? Um jornal diário é predominantemente informativo, por isso, na dúvida, opte pelo lide que economiza o tempo do leitor ao informar.
- Quanto tempo você tem para escrever? O lide heterodoxo funciona maravilhosamente bem quando é bem feito. E, para ficar bem feito, é preciso ou uma idéia genial ou muito trabalho escrevendo e reescrevendo. Na pressa, opte pelo feijão com arroz.
- Quanto tempo o leitor tem para ler? Sua reportagem vai sair no domingo? Ou num caderno menos quente? Seu assunto é mais frio? Daqueles em que o que conta mesmo são os casos, as pessoas? Ótimo, procure o lide mais "literário". Mas, se não estiver seguro, não tenha vergonha de ir pelo informativo, mesmo. Esta é a missão prioritária do jornalista.
Vejam o que conta o Fernando sobre a escolha que fez:
De fato, a reportagem sobre os impactos das usinas no rio Madeira poderia ter sido apresentada de outra maneira na Folha.
Ocorre que o espaço que tínhamos para a edição era bastante exíguo para o tamanho e a riqueza do material apurado _ apenas 1 página.
Por exemplo: tínhamos que editar uma arte complexa explicando como serão as usinas e o mapa dos impactos que as represas do rio causarão. Havia também uma série de dados "hard" relativos a valores de investimento, geração de energia e impacto local em Porto Velho _como o do "boom" imobiliário.
Resultado: achei melhor ir direto ao ponto na reportagem editada na Folha.
Como tenho a coluna no Folha Online onde, em tese, o espaço é infinito, achei melhor colocar o material com maior riqueza de detalhes, e com texto mais narrativo, nesse meio eletrônico. No online, por exemplo, foi possível apresentar aos leitores sete fotos, contra apenas uma no meio papel.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h16
Meu amigo Marcelo Soares avisa: "A IBM acaba de colocar na internet de graça, para quem interessar possa, o sistema Lotus Symphony: processador de texto, planilha e preparador de apresentações. Os outros "Offices" gratuitos que eu conheço --como o OpenOffice-- costumam ser pesadões, lentos. Se alguém já conhece o Lotus, diga lá o que acha dele".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h33
Política, eleições
Além da oficina que fará na manhã de sábado sobre Jornalismo de Precisão para sócios da Abraji, o professor José Luis Dader, da Universidad Computense de Madrid participará de outros dois seminários em São Paulo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h02
Muitos jornalistas enfrentam –ou já enfrentaram– problemas durante a apuração de uma reportagem, principalmente em matérias delicadas, como foi o caso de Amaury Ribeiro Júnior, que por pouco não foi assassinado no entorno de Brasília, ontem à noite. Repórteres são confundidos ou enganados –e muitos assassinados– quando envolvidos em histórias que exigem complicada apuração.
Há um livro do jornalista Lucas Figueiredo, que, assim como Ribeiro Júnior, é também repórter especial do “Estado de Minas”, em que ele relata um desses problemas – ele, contudo, não chegou a sofrer um atentado como o colega. Chama-se “Morcegos Negros” e conta sobre as ligações de PC Farias com a Máfia Italiana, assunto que Lucas começou a investigar depois da morte do ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, em 1996. Na época ele era repórter da Folha.
Um dia, segundo relata no livro, ele recebeu uma ligação de uma pessoa que dizia acompanhar suas reportagens e que fazia parte do esquema PC Farias. Não vou contar a história toda aqui, pois vale a pena ler o livro, mas Lucas recebeu informações dessa suposta fonte que batiam com o que ele estava apurando.
Depois de acertar com a direção do jornal, ele tratou de ir aos Estados Unidos, onde morava o tal informante, para entrevistá-lo. Ele prometera ao repórter abrir todo o jogo sobre as tramóias, inclusive com documentos que comprovariam movimentações financeiras suspeitas.
O jornalista viajou para os EUA, monitorado pela direção da Folha e por um delegado da Polícia Federal. Ele se hospedou em um hotel em Houston, no Texas, local combinado com a fonte. Passaram-se dois dias e nada; ele descobriu que havia sido enganado. A suposta fonte só queria confundi-lo, atrapalhando-o na investigação do caso.
Um parêntese: vale a pena conhecer outros dois livros do jornalista. “Ministério do Silêncio” aborda a história do serviço secreto brasileiro, já “O Operador”, publicado no ano passado, conta como o empresário Marcos Valério irrigou os cofres do PSDB, em Minas, em 1998, e do PT, anos depois, que resultou no chamado mensalão.
Por LUCAS FERRAZ

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h11
Quando precisamos relatar algo bárbaro como o suposto espancamento fatal do índio xacriabá, às vezes decidimos procurar uma forma diferente, que não seja o básico "Um índio xacriabá morreu ontem, depois de ser espancado por três adolescentes, segundo a polícia".
Foi o que meu trainee fez.
Ele escolheu colocar no lide que a quermesse terminou em morte. O que era festa acabou em crime.
Contraste é um bom recurso de narrativa. Em geral, aumenta no leitor o efeito de espanto. Digo aumenta porque, neste caso, a simples suspeita da polícia já espanta. O fato em si já é forte o suficiente.
Eu gosto, portanto, do lide "A morte foi o desfecho da quermesse a que tinha ido o índio xacriabá Fulano. Segundo a polícia, ao sair da festa, ele foi espancado por três adolescentes durante X minutos. Não resistiu".
Não acho melhor que aquele primeiro, que dá logo a notícia. Acho diferente. É um texto que opõe festa e morte propositalmente, com um argumento jornalístico: o incomum, o inesperado, é mais notícia.
O recurso é suficiente para dar força ao lide. O adjetivo é desnecessário. Mais que isso, é prejudicial. Estraga, dilui o efeito do contraste.
Comparem:
- A morte foi o desfecho de uma quermesse para o índio xacriabá Avelino Nunes Macedo.
A morte foi o trágico desfecho de uma quermesse para o índio xacriabá Avelino Nunes Macedo.
Não acham o primeiro mais denso, mais afiado, e segundo mais rombudo?

Outros três pontos do exercício:
- Os comentaristas notaram bem que havia uma repetição da palavra morte. Era mesmo um defeito. Mas vocês acreditam que eu impliquei tanto com o adjetivo que nem notei? Só vi na terceira ou quarta leitura, quando conversava com os trainees sobre os resultados.
- Não acho fundamental o nome do distrito, mesmo. Poderia ficar para depois.
- Já a menção à polícia, essa é indispensável. Nós não vimos o espancamento. Ninguém viu. Um vizinho ouviu. Diz a polícia que os garotos admitem. Você confia cegamente no que diz a polícia? A ponto de assumir a informação? Não, né?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h37
Que tal montarmos uma lista de livros indicados para jornalistas?
Mande sua sugestão no comentário até sábado à noite. No domingo eu ajeito tudo e devolvo organizado no blog.
A idéia é mandar o título do livro, o autor e por que você acha que jornalistas deveriam lê-lo (um pouco como eu fiz neste post do Talese).
Espero as dicas de vocês!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h57
"...nós cobrimos o Universo."

O editor de ciência da Folha, Claudio Angelo, encerrou com essa frase a palestra que fez ontem à noite para estudantes de jornalismo da Unifiam-faam (Faculdades Integradas Alcântara Machado e Faculdade de Artes Alcântara Machado), no bairro da Liberdade, em São Paulo.
A mesma frase está numa das fotos anexadas na parede da editoria de ciência do jornal. Talvez esse fato exemplifique o tipo de rixa entre a cobertura de ciência da Folha e as demais editorias do jornal.
Angelo está cansado de ouvir a pergunta "Para que serve isso mesmo?" quando conta alguma novidade em ciência. Para ele, os jornalistas menosprezam os colegas que cobrem essa área. E a aversão é mútua. Nos Estados Unidos, conta Angelo, quem escreve sobre ciência prefere o termo "science writer" a "science reporter". Lá, "escritor de ciência" prefere não ser confundido com repórter.
Mas o conflito fica do lado de fora. Dentro da editoria, a oposição entre divulgação científica e jornalismo científico é só aparente. Angelo afirma que há espaço tanto para explicação quanto para os bastidores da ciência. E (por que não?) também para a reportagem em ciência _tema principal da conversa.
"Classifico as reportagens [em ciência] em explicativa, que traduz um conceito complexo; expositiva, que conta uma história; e investigativa, que revela, denuncia," explicou.
Para quem acha que o jornalismo científico brasileiro se resume a pegar um artigo de grande impacto na comunidade científica e traduzi-lo em linguagem acessível, Angelo lembra que recentemente publicou uma uma reportagem em ciência: a montadora de computadores Dell exigiu que um físico brasileiro se comprometesse a não transferir os equipamentos a cidadãos do "Eixo do Mal": Cuba, Irã, Coréia do Norte, Sudão e Síria. (A matéria está na Folha Online http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciência/ult306u327729.shtml)
"O comprador teria que se comprometer a não produzir armas de destruição em massa. E não era um supercomputador, era um assim‘, disse Angelo, apontando para o PC comum que usava na apresentação.
Além dessa, citou a reportagem sobre o "tráfico" de materiais científicos. Uma cientista de MG precisou trazer nanotubo de carbono na mala após ter pedido de compra negado por uma empresa dos Estados Unidos. É um exemplo de investigação dos bastidores da ciência.
(Leia em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciência/fe1309200701.htm)
Dicas para quem gostaria de cobrir ciência? Angelo rebateu de prontidão: fale inglês. Segundo ele, 80% da produção científica é produzida pelos Estados Unidos e a grande maioria das publicações científicas é na língua inglesa, inclusive os artigos originais dos próprios pesquisadores brasileiros de destaque. Além disso, é preciso uma atualização constante e, para tanto, ler muito sobre os temas científicos mais variados. E, claro, gostar bastante do desafio humano do conhecimento chamado ciência.
Algo muito estimulante do jornalismo científico é que repórter e redator precisam se inteirar do assunto em questão. Aprender muito em pouco tempo e transitar por diversos assuntos bastante específicos com certa naturalidade são desafios do dia-a-dia do profissional, comenta Angelo.
Ultrapassar a mera divulgação de pesquisas, tentando fazer contato com a vida das pessoas e aproximar a ciência do leitor deve ser o trabalho de todo jornalista de ciência. Extrapolar os muros acadêmicos, exaltar a beleza e a utilidade da natureza e da descoberta, ultrapassando as barreiras da linguagem criada para descrevê-las, são outros grandes desafios do jornalismo científico brasileiro que ficaram da conversa.
PH RODRIGUES e FELIPE MODENESE assistiram ontem à palestra do Claudio sobre reportagem científica.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h16
MAS ISSO É UMA MARAVILHA!
É a técnica do Gay Talese para anotar aspas.
Já conto pra vocês.
Antes deixa eu passar as dicas de leitura da minha leitora Ivy --ex-Bahia, hoje SP:
Queria aproveitar e indicar duas coisas que estou lendo no momento: o livro "Breakfast at Tiffany`s", do Truman Capote, e um texto clássico do Gay Talese, "Frank Sinatra Has a Cold".
Ela está lendo as versões em inglês, mas os livros foram lançados em português pela Companhia das Letras.
"Bonequinha de Luxo", mesmo sendo ficção, é boa leitura para jornalistas por causa da técnica narrativa, da maneira como os personagens são apresentados, como as cenas são descritas.
"Frank Sinatra Está Resfriado" faz parte do livro "Fama e Anonimato", que traz um brinde a mais para nós: o texto "Como não entrevistar Frank Sinatra", sobre o abacaxi duríssimo que lhe coube descascar. Talese escreve ali sobre gravar ou não, entrevistas no passado e no presente, e conta aquela técnica que mencionei lá em cima. Ele diz:
"Ha situações, porém, em que tomo notas. Vez por outra a gente ouve uma observação --um torneio de frase, uma palavra especial, uma revelação pessoal expressa num estilo inimitável-- que deve ser anotada na hora, antes que se esqueça parte dela. É então que saco meu caderno de anotações e digo "Mas isso é uma varavilha! Deixe-me anotar exatamente como você disse", e a pessoa, em geral lisonjeada, não apenas repete, mas também desenvolve um pouco mais aquele tópico."
Isso é só um aperitivo. Ele escreve bastante no apêndice sobre como conduzir entrevistas.
Quem nunca leu Gay Talese precisa ler! Peça para seu pai, de Dia das Crianças! 
Um comentário sobre gravadores Técnica de elefante: sem gravar nem anotar Juca Kfouri recomenda Como anotar melhor
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h40
Dá pra dar risada de uma sessão burocrática do Senado?
Com a ajuda do repórter-fotográfico LULA MARQUES, dá:
 Senador Romero Jucá conversa com a senadora Ideli Salvati em reunião da CPI do Apagão no Senado
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h24
Do meu amigo Ricardo Meirelles, que sabe de tudo:
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h42
PALAVRA QUE NÃO FAZ FALTA
Ontem os trainees tinham como exercício escrever um texto a partir de informações que tínhamos sobre a morte do índio xacriabá (reportagem publicada pela Folha hoje).
Um deles sugeriu o lide abaixo, que tem várias virtudes, mas uma palavra sobrando.
Você concorda comigo? Acha que uma palavra está demais aqui embaixo? Qual delas? Por quê?
A morte do índio xacriabá Avelino Nunes Macedo, 37, espancado até a morte por três jovens de 15, 16 e 18 anos -segundo a polícia-, foi o trágico desfecho de uma quermesse no distrito de Virgílio, em Marivânia (MG). Macedo foi atacado na madrugada e teve o corpo encontrado por um vizinho na manhã de domingo. Os adolescentes estão foragidos.
Veja aqui o comentário
[Para ver outros exercícios do blog, clique aqui]
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h35
Meu leitor Charles Nisz divide com os amigos do blog sua experiência de trabalho:
Num dos posts a Ana havia falado sobre como se destacar mesmo num veículo pequeno.
Estou tendo a prova disso aqui no Amigos da Terra, ONG ambientalista. Minhas fontes de pauta são o clipping sobre Amazônia que eu faço todo dia e as pautas sugeridas pelo diretor e pelo economista da entidade.
Gosto bastante do tema e aqui posso juntar três coisas que eu já trabalhei: divulgação científica, economia e meio ambiente, além de exercitar o jornalismo web.
Faz apenas seis semanas que estou aqui e as matérias repercutem em diversos portais, jornais da região Norte e a última matéria de fôlego foi citada no blog da Época.
Sim, clipping é chato e muitas vezes a gente precisa fazer outros serviços burocráticos. Mas, se você gosta de um tema e faz o trabalho com afinco, o resultado aparece.
Aproveito para comentar outro assunto abordado aqui --uma tendência do Jornalismo não muito apreciada pela maioria dos colegas: matérias feitas com "entrevistas" com dados, números e documentos em geral.
Dos três estagiários, sou o mais ligado em economia. Muitas vezes, pessoas são a fonte secundária do meu texto. A fonte primária são relatórios e documentos de órgãos como o Banco Mundial, BID e BNDES.
São dados públicos --disponíveis na internet-- e rendem boas pautas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h41
PESQUISA EM JORNALISMO
A Claudia avisa do 1º Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo da Região Sul, que ocorre entre os dias 18 e 20 de setembro, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Infelizmente, a participação presencial daqueles que moram fora de Floripa se torna quase impossível porque o evento já se iniciou, mas a dica é válida porque as conferências podem ser assistidas ao vivo, via internet, pelo site
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h12
O EFEITO DE CADA LIDE
 Corredeira do rio Madeira, onde ficarão as usinas de Santo Antônio e Jirau/Foto: Antonio Gaudério
Compare os dois lides abaixo:
1) Cerca de 400 famílias terão de ser removidas do vilarejo de Mutum, a 165 km ao sul de Porto Velho. A área será completamente inundada pela usina de Jirau, que deve começar a ser construída quando a de Santo Antônio ainda estiver pela metade. No total, as duas usinas devem desalojar 4.000 pessoas.
O casal Alcides Lima e Maria Uchôa mora e tem um salão de cabeleireiro improvisado sobre uma palafita à beira da BR-364, que corta Mutum. Eles são alguns dos que serão removidos.
Como não se trata de um terreno, mas de uma área suspensa sobre pedaços de madeira com um igarapé atrás, eles não têm a menor idéia se são elegíveis para alguma indenização.
2) A vida sobre duas pernas de Gilmar Aparecido Reis, 28, acabou há um ano, em agosto de 2006, por causa de um enorme e manjado buraco na BR-364, estrada cuja conservação é de responsabilidade do governo federal.
"Vínhamos em seis no carro. O motorista desviou daquele buraco, que ainda está lá, mas não viu que saía uma carreta pelo outro lado. Capotamos". Agora, Gilmar está deitado em um sofá e paralisado do peito para baixo. O acidente esmigalhou a quarta e a sexta vértebras de sua coluna.
Gilmar não trabalha mais em uma serraria local, onde ganhava mais de R$ 1.000 ao mês. Hoje, recebe R$ 450 mensais da Previdência e terá de se mudar, com a mulher e o filho de 6 anos, da sua casa em Mutum, a 165 km ao sul de Porto Velho, em Rondônia.
Mutum, onde residem cerca de 400 famílias, vai desaparecer do mapa no ano que vem, quando será inundada pelo represamento do rio Madeira, onde estão previstas as construções das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau.
Os dois tratam exatamento do mesmo caso e foram escritos pela mesma pessoa, o repórter especial FERNANDO CANZIAN.
O primeiro saiu na reportagem especial que usamos num exercício do blog (veja aqui) e o segundo, na coluna de Canzian na Folha Online.
Para você, quais são as vantagens e desvantagens de cada um?
Quando vocês acham que é o caso de optar por cada estilo?
Comentário sobre os dois lides
[Para ver outros exercícios do blog, clique aqui]
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h38
O Vitor, de Brasília, avisa que a TV deu hoje uma reportagem sobre um novo serviço, tema que foi objeto de um exercício aqui do blog.
Eles testaram no ar o atendimento. Para assistir à matéria, clique aqui.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h33
Negócios agrícolas
Meu leitor Disonei, de Telêmaco Borba (PR), pediu indicação de leitura para quem se interessa em cobrir agricultura.
Oi Ana, eu estou aproveitando o gancho do Rafael, que perguntou sobre jornalismo agrícola, para lhe perguntar sobre literatura que aborda o jornalismo em agribusiness. Eu fiz o meu TCC nessa área e sofri muito para encontrar referências bibliográficas. Aliás, não encontrei nenhum livro que abordasse especificamente essa área. Eu gosto muito do jornalismo agrícola e até pretendo fazer uma especialização e escrever um livro, mas depois que obter esperiência na área. Acho que vc poderia comentar um pouco no blog sobre essa dificuldade de encontrar livros nessa área e até se indicar alguns, se conhecer.
Disonei, como no caso do Rafael, fui pedir ajuda à Daniele para responder. Veja o que ela sugere:
Livros específicos sobre jornalismo rural eu não conheço. Às vezes ouço falar de uma outra dissertação de mestrado sobre o assunto, mas confesso que nunca li nenhuma. Acho que é um tema pouco explorado ainda e, quando é abordado, acaba ficando um pouco com aquele "ranço" de "comunicação rural", mais teoria da comunicação que jornalismo propriamente dito.
Mas, para quem quer ter uma visão geral do agronegócio, em linguagem fácil para começar, tem o recém-lançado "Agronegócio, uma abordagem econômica", de Judas Tadeu Grassi Mendes e João Batista Padilha Jr.
Não é para jornalistas, mas é bem acessível. Os autores foram meus professores na pós-graduação.
Outro muito bom, extremamente didático para quem quer entender derivativos agrícolas, é o Guia Valor de Agronegócios, do Carlos Raíces, que entende muito do assunto e escreve de um jeito simples e gostoso de ler.
De resto, acho que leituras mais gerais, sobre jornalismo econômico, são igualmente válidas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h31
Já falamos um pouco disso quando uma leitora reclamou que sua professora reescrevia todo o texto.
A Natalie, de São Paulo, dá a dica de um curso gratuito e on-line justamente sobre como melhorar o texto a partir da reescrita:
Ana, o curso que estou fazendo é o "Get Me Rewrite" , com o Chip Scanlan. Funciona da mesma forma que o da água, ou seja, é permanente, você faz quando dá. O mais legal é que mostra, na prática, aquilo que o Noblat diz em "A arte de fazer um jornal diário": nenhum texto é bom na primeira vez; é preciso reler, reler, reler. Só assim dá pra aperfeiçoar. E, de forma didática, Scanlan ensina como melhorar o texto reescrevendo. Por exemplo (algumas dicas legais que ele dá logo de cara): 1- Comece a escrever o rascunho o mais rápido possível. 2- Imprima para ler o quanto antes. 3- Separe a revisão em pequenas tarefas (conferir nomes, conferir títulos, melhorar construções etc). 4- Leia o texto em voz alta para ouvir a história, identificar períodos que possam ser escritos de forma mais suscinta, melhor. 5- Encontre um primeiro leitor (o editor, um colega, alguém que possa dar uma opinião mais imparcial).
Esses são só alguns exemplos. Ao todo, são 9 dicas que ele chama de "estratégias de revisão". PS: Algumas dessas dicas me lembram dicas que eu imprimi do blog.
Natalie, isso é bastante comum, mesmo, porque nem eu nem o Chip inventamos a roda.
O que a gente tenta fazer é organizar aprendizados e experiências que gerações de jornalistas já tiveram e aplicá-las a casos específicos.
Se você parar para pensar, talvez conclua que nenhuma dessas dicas é novidade. Você já sabia delas todas. A diferença é que está usando em exercícios, numa seqüência que foi pensada para ajudar os alunos a colocá-las em prática.
Dicas, livros, cursos são só uma perna do aprendizado. Sem prática, avaliação e nova experiência, eles adiantam bem menos.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h03
Achei legal vocês também terem gostado da entrevista do Dávila.
É um exemplo legal de como a edição pode transmitir muito bem o ambiente, o clima da entrevista.
Como as perguntas estão exatamente na ordem, o leitor compra uma e leva duas: fica sabendo o que pensa o Roth, mas consegue também "assistir" à conversa, como se estivesse ali na sala com eles.
Nem sempre, na edição de um pingue, a gente mantém a ordem das perguntas. Mas essa é evidentemente uma forma de editar que não afeta o contexto.
Não é impossível respeitar o contexto alterando a ordem, mas é preciso cuidado.
ELE DISSE?
E por falar em contexto, meu colega RAFAEL TARGINO sugere uma matéria da "Vanity Fair" sobre como declarações podem ser distorcidas:
Seguinte: essa é uma matéria que fala sobre como a mídia americana cobriu a não-eleição do Al Gore em 2000. A autora _que já avisa no começo do texto ter uma "simpatia" pelo Gore (o que já ajuda o leitor a dar uns descontos no texto)_ mostra como a imprensa supostamente desvirtuou muitas coisas que o candidato falava, com edições 'maliciosas' de aspas e declarações, além de completos mal-entendidos.
A reportagem serve para lembrar que a gente deve ter atenção, por exemplo, na hora de tirar uma entrevista _e mais cuidado ainda para não tirar do contexto as afirmações dos outros. Mais: serve também para inciar uma discussão sobre a tomada de posição por parte da repórter (no meu entender, correta). Ela chega a dizer que contribuiu para a campanha do Gore.
A matéria é bem grande (impressa, deu 10 pgs!) e é em inglês _mas é bem interssante.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h19

A BBC publicou na sexta passada reportagem fotográfica feita por Apu Gomes, repórter da Folha, na Amazônia.
Uma das coisas que ficaram muito claras para mim no congresso a que assisti nos EUA, há alguns dias, é que há cada vez mais maneiras de contar histórias. Ganha o jornalista que consegue escolher qual a melhor em cada caso.
Matheus, de Campinas, recomenda o site Mediastorm: "É um ótimo exemplo de como contar uma história utilizando fotografias, entrevistas e a internet".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h04
Meu amigo Marcelo Soares entrevistou para o site da Abraji uma das referências mundiais em jornalismo de precisão, o espanhol José Luis Dader. (Jornalismo de precisão é aquele que usa técnicas de ciências sociais para levantar informação e analisá-la.)
Professor da Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, Dader dará uma palestra gratuita para os sócios da Abraji, no dia 22 de setembro, em São Paulo.
Quem já é sócio pode se inscrever direto no site. Quem não é pode aproveitar e ficar sócio. Não é muito caro (anualidade de R$ 100 para profissionais e R$ 60 para estudantes) e dá direito a muitas informações, bancos de dados, cursos etc.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h17
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