Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

UMA VISTA

A Folha faz todos os meses seminários para seus jornalistas e, na semana passada, o fotógrafo Cássio Vasconcellos veio falar com a equipe da Fotografia.

FELIPE MODENESE, da 44ª turma de treinamento, sugere que vocês dêem uma olhada no site do Cássio, que é muito legal. Um dos trabalhos de que ele mais gostou foi o vídeo "Uma Vista", no portfólio.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h42

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QUAL A MELHOR AGENDA?

Meu colega DIOGO BERCITO pergunta: "Estou querendo organizar meus contatos e fontes numa agenda, mas estou meio perdido. Será que você poderia falar no blog sobre quais os melhores softwares, quais as dicas para quem está começando a se organizar nesse sentido?".

Sobre os melhores acho que não sei falar. Na verdade nem conheço todos os possíveis. Vou até perguntar para os especialistas e voltar ao assunto no futuro.

Mas, na hora de escolher, o básico da agenda telefônica é:

  • que seja fácil incluir os contatos --e que a gente tenha disciplina para fazer isso todo dia, toda vez que tiver um novo contato
  • que seja fácil de consultar --que a gente consiga achar facilmente todos os advogados, por exemplo, ou que dê para procurar uma fonte por várias pistas (não me lembro do nome daquele psicólogo infantil, mas consigo achá-lo na parte de psicólogos)
  • que seja portátil --porque jornalista às vezes precisa ligar da rua ou viajar pra fazer a reportagem
  • que dê para fazer cópia --porque a única coisa que um repórter não quer é perder sua agenda telefônica (quer saber, acho que é pior que perder o emprego).


Hoje em dia há vários suportes. Pode ser o velho caderninho de papel, um arquivo no computador, uma agenda eletrônica ou até a memória do celular (contei aqui outro dia que o Rubens Valente três agendas diferentes: no computador, no celular e no laptop. E, sabe-se lá como, consegue se organizar assim).

Para mim, uma boa solução é o Excel ou qualquer outro programa de planilha, porque ele alia várias qualidades:

  • Tem memória praticamente ilimitada
  • É fácil fazer backups
  • Pode se transformar numa versão portátil - você pode transformar facilmente sua agenda num caderninho impresso com cara de catálogo telefônico, para levá-lo na bolsa, ou colocá-lo num pen-drive
  • É fácil de alimentar
  • É fácil de organizar, se estiver procurando, por exemplo, um tipo específico de fontes (psicólogos, juízes, sociólogos, jogadores de vôlei etc.)

Qualquer que seja o modelo que você escolher, é fundamental ter cópias de segurança:

  • se sua agenda é portátil ou um caderninho de papel, marque-a claramente com nome e telefone de contato. Uma amiga oferece até recompensa para quem achar e devolver.
  • o mesmo vale para o celular -ponha uma etiqueta nele com um telefone de contato, para o caso de você perdê-lo
  • Se usar um programa no seu micro, faça backup (um colega, para ter mais segurança, chega a imprimir uma cópia a cada seis meses)
  • Se prefere agenda eletrônica ou celular, escolha modelos que sincronizem com seu computador, para garantir o backup (para ter mais segurança, imprima também uma cópia dos contatos a cada seis meses). Cuidado: agendas eletrônicas podem "morrer" (a bateria que mantém os sistemas vivos falha) e simplesmente zerar de uma hora para outra.

E vocês, leitores, como fazem sua agenda? No papel ou digital? Que programa preferem?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h53

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OUTRO FURO

OUTRO FURO

Por falar em "Scoop" e em humor, é bom lembrar que esse é também o título de um excelente livro do autor britânico Evelyn Waugh.

A obra foi publicada no Brasil ("Furo!") e é (mais) uma sátira da imprensa.

Editado pela Companhia das Letras, está esgotado, mas é fácil de achar nos sebos on-line. É um grande livro. Não deixem de ler. 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h10

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Filme para o fim de semana

A dica é do meu trainee PABLO SOLANO, mas antes ele manda uma provocação:

Não quero ofender nenhum defensor apaixonado do novo jornalismo (Tom Wolfe e Norman Mailer são mestres e continuarão nesta condição por um bom tempo), mas não existe texto jornalístico mais poderoso que um furo.
 
Ele consegue aguçar os sentidos de quem o procura. Coloca em prova os fundamentos que possuímos sobre a reportagem. Enfim, que cheguem logo as aulas de apuração, reportagem e investigação que teremos durante o treinamento.
 
O filme que ele indica é "Scoop”, o mais recente de Woody Allen: "A norte-americana Sondra Pransky, uma estudante de jornalismo, viaja a Londres e passa a se deparar constantemente com o finado jornalista britânico Joe Strombel. Sim, um fantasma. Ele começa a instigá-la para investigar um crime que, na opinião dele, possui indícios para garantir uma boa história".
 

Scarlett Johansson e Woody Allen em cena de "Scoop"
 
Pablo faz uma relação fantasmagórica entre ficção e realidade:
 A busca do furo de reportagem pode ser mais um menos isso. Acontece a partir de algo que o jornalista sente, com o que consegue estabelecer “um diálogo”, mas que, mesmo assim, permanecerá nebuloso até possuir condições de ser publicado.
 
Nem todas as tentativas ganham carne osso, ou papel e tinta, tanto faz. Algumas possuem vida muito curta, outras ficam quebrando a cabeça do repórter até se mostrarem sem base ou se comprovarem.
 
O que todas devem fazer é aumentar a dose de cafeína no corpo do repórter, seja pelas horas a mais na Redação ou pela quantidade de entrevistas para esclarecer a suspeita.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h20

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Softwares

Meu leitor Wishay quer saber: "Na faculdade, conversamos bastante sobre softwares e computadores. Quais programas são utilizados na Redação da Folha? Usam PCs ou Macs?"

Usamos PCs para texto e Mac para foto e arte, mas devemos mudar para PC também na área de imagem, se adotarmos um novo sistema de
edição que só roda em PC.
O editor de texto da Folha foi desenvolvido para o jornal, chama-se SDE. O sistema de paginação é da Harris. Não são programas que se encontram no mercado, são desenvolvidos para grandes Redações.
Já na arte e no tratamento de imagem usamos softwares bem conhecidos, como FreeHand, Photoshop, QuarkXpress.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h11

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VIVA BEM COM OS FOTÓGRAFOS

por RICARDO VIEL
 
Algumas coisas da conversa com o Toni Pires (editor de Fotografia) nesta semaname chamaram a atenção. Talvez valha a pena compartilhar com o pessoal do blog.
 
Toni deu várias dicas sobre como sugerir pautas e da harmonia que deve existir entre repórter e repórter-fotógrafico. Para ele, a chave da questão é: educação e comunicação.
"Paute as pessoas como você gostaria de ser pautado". Em outras palavras, seja educado e o mais claro e detalhista possível. Segundo ele, embora estejamos entre pessoas que trabalham com comunicação, num veículo de comunicação, o que menos há no jornal é, exatamente, CO-MU-NI-CA-ÇÃO.
 
Dica do Toni: Ao sugerir pauta, coloque as informações que você têm (local, motivo da matéria, quem é o personagem/local a ser fotografado, hora, endereço etc).
 
Isso ajudará o editor a escolher o melhor fotógrafo (olho) para a matéria e o fotógrafo a fazer a melhor foto possível.
 
Ganham todos: editor, repórter, fotógrafo e, principalmente, o leitor. Outra dica: seja educado (acho que vale pra tudo na vida, seja a profissão que for). Da mesma forma que o fotógrafo não diz pra você:"Pega o bloquinho e anota aí". Você não deve dizer pra ele: "Então, faz uma foto dali pra cá, com a luz assim". Respeito e bom senso: chave do sucesso.
O conceito de furo do Toni é, pra mim, fantástico. "Furo é aquilo que dá inveja". Ou seja, quando ele abre o jornal concorrente e vê uma matéria ou foto muito boa — e que a Folha não tem—, bate uma inveja. É o furo que a Folha tomou.
 
Alguns outros pontos abordados por ele também me chamaram a atenção.
 
Primeiro: a preocupação da Folha com a qualidade visual e com a força e independências das imagens. "A Folha tem a manchete de texto e a manchete visual". A foto da capa tem vida própria, não é só complemento da manchete. Pelo contrário, a Folha muitas vezes aposta em fotos que não estejam relacionada à manchete.
 
Outra coisa que ele disse: o compromisso da Folha é com o leitor. "Jornal edita foto, não crédito". Ou seja, se a foto melhor é de agência ou de outro fotógrafo, não importante se a Folha estava no mesmo lugar (e tem foto também). Se a foto é boa, o jornal vai atrás dela e compra — a regra só não vale para foto do Estadão, claro! :o)
 
Por fim, o que mais me marcou da conversa com ele foi algo que já tinha sido dito, com outras palavras, para nós (trainees) na semana passada. O Toni foi mais claro ainda: "A indignação é o melhor sentimento que um repórter pode ter na vida".
 
Ou seja, não ser passivo, não se acostumar com os absurdos que todo dia vemos e denunciar. Muita gente acha que o papel do repórter não é esse (denunciar, mudar o mundo etc). Essa é outra discussão. Mas o Toni acha que o repórter que perde esse poder de se indignar, de querer saber, de questionar, perguntar, ir atrás da notícia, tende a virar um burocrata. É isso aí. 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h03

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BRIGADA ANTI-RELEASE

BRIGADA ANTI-RELEASE

O batalhão de hoje é formado por Natalie, Roberto, Paulinho e Marcelo, de São Paulo; Joyce, do Guarujá; Luisa e Filipe, do Rio; Vanessa, de São Gonçalo, e João, de Brasília.

São deles as ótimas dicas de como não virar escravo dos releases nem assessor por tabela de órgão público.

Minha questão era como noticiar um novo telefone da central de atendimento do serviço de iluminação de uma cidade (veja aqui o exercício).

Mesmo que vá ser uma notinha, não dá para simplesmente publicar os release.

Como dizem meus assistentes, basta fazer você mesmo um teste e questionar o responsável. Vai levar no máximo dez minutos e, em vez de uma notinha a serviço da prefeitura, você terá uma notinha a serviço do leitor:

  • Ligue para o novo número e cronometre quanto tempo leva para ser atendido.
  • Ligue para quem está divulgando o serviço e pergunte qual a previsão do responsável: no novo sistema, quanto tempo um cidadão levará para ser atendido? Contraponha a resposta à sua experiência.

Se o texto for maior e você tiver mais tempo, há outras perguntas que podem deixá-lo mais crítico:

informações de serviço

  • Quais os principais serviços oferecidos?
  • Aceita ligação de celular?
  • As ligações são gratuitas?
  • Quanto tempo levará para ser atendido?
  • Em quanto tempo uma reclamação será averiguada e o problema resolvido?
  • O que fazer se uma reclamação não for atendida no prazo?
  • O que o usuário necessita ter em mãos - CPG, RG, registro no departamento de iluminação pública?

sobre o desempenho do órgão público

  • Quais as falhas do serviço atual? (Se está sendo inaugurado um novo é porque o antigo era ruim. Ou não muda nada e essa é só uma jogada promocional?...)
  • Quanta gente ele deixa de atender por dia?
  • Quantas reclamações há na Ouvidoria do município? (comparar com a de outros serviços para ver se é um dos que mais registram queixa)
  • [Aproveite a conversa na ouvidoria para propor uma pauta sobre as regiões da cidade que mais reclamam do serviço --uma reportagem que vá lá e mostre como está a situação].

sobre o novo sistema

  • Por que só agora o problema está sendo sanado?
  • Quanto a mais vai custar o novo serviço?
  • Haverá contratação de mais funcionários? Já foram contratados? Houve concurso ou é terceirizado?
  • Se for terceirizado, quem é a empresa contratada, de quem é, quanto vai se pagar, como foi o processo de licitação dos serviços, era mesmo necessário terceirizar, isso é possível juridicamente?

agenda é instrumento básico

  • Nada disso terá valido a pena se a gente não se programar para avaliar o serviço dali a três meses.
  • Basta se organizar: encontre uma rua com problema e registre uma queixa. Veja em quanto tempo ela é resolvida.
  • Para ser ainda mais completo, ache dez moradores da cidade que tenham reclamações (você pode primeiro achar as ruas afetadas e depois ligar para os moradores e combinar com eles de testar o serviço).
  • Marque tudo na agenda, para não se perder nem desistir do acompanhamento.

Quem tiver mais idéias de perguntas pode mandar, que eu adiciono.

[A idéia deste exercício surgiu quando ouvia a rádio Eldorado, pela manhã. A repórter entrevistou o diretor do Ilume sobre o novo "call center" (argh!) e, ao mesmo tempo, a produção ligou para o número e levou sete minutos para conseguir ser atendida. A repórter completou o bom serviço e questionou o diretor no ar sobre essa demora. "Estamos em adaptação", desculpou-se ele. Pode ser. O jornalista atento deve agora acompanhar o caso e ver se é mesmo só uma questão de adaptação.]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h25

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WIKI DA ABRAJI

Meu colega José Roberto de Toledo pôs ontem no ar a "Wiki da Abraji".

É um site no qual qualquer um pode incluir informações, editar, acrescentar.

A idéia é colocar lá, por exemplo, todos os telefones de jornalistas e fontes que aparecem aqui na lista de discussão da associação.

"Assim fica mais fácil de achar quando você precisar e fica mais democrático também, porque qualquer um pode acrescentar o que julgar de interesse público e útil ao jornalismo", escreve Toledo.

Há duas seções:

.: uma lista de fontes e telefones (organizada por temas)
.: uma lista de websites (idem)

Toledo convida: visitem o "Wiki da Abraji" e deixem a sua contribuição, a começar pelo próprio nome e contatos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h46

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JORNALISMO RURAL

Meu leitor Rafael escreve:

Estive pensando, junto com uma colega de classe, em qual ramificação no jornalismo poderia seguir.
Queríamos algo pouco procurado pelos estudantes, o que possibilitaria um diferencial na procura de uma vaga em Redação.
Verifiquei em seu perfil, no blog, que sua primeira formação foi em agronomia, justamente a especialização que pensamos.
Gostaria de saber se na cobertura de agronomia existem poucos profissionais e, claro, se há mercado nesta área. Na Folha, por exemplo, tem o caderno Agrofolha.
Vejo que existem vários veículos nesta segmentação; porém não encontrei nenhum curso específico para jornalistas. Tem alguma dica?

Imaginem que, embora formada em agronomia, jamais trabalhei no Agrofolha nem cobri esse mundo!

Por isso, fui pedir ajuda a minha ex-trainee e amiga DANIELE SIQUEIRA, que trabalha que é referência na cobertura de economia rural, negócios rurais e agricultura. As dicas dela:

Olá, Rafael. Eu comecei a trabalhar com agricultura quando ainda estava na faculdade, em 2002, e aprendi muita coisa na prática mesmo, no dia-a-dia, pois trabalhava com agrônomos. Mas depois senti a necessidade de aprender mais, de um jeito mais "formal", e, em 2005, fiz uma especialização lato sensu em agronegócio na UFPR (sou de Curitiba).

Em breve pretendo fazer mestrado em economia, pq no meio do caminho praticamente deixei de ser jornalista, para me tornar analista de mercado.
 
Eu acho que é um caminho muito promissor, sim, se vc está querendo se especializar. Assim como há potencial para ampliação da cobertura dessa área na imprensa tradicional, há também a imprensa especializada, que vem crescendo, e mesmo as assessorias de imprensa, que já atendem um grande número de empresas do setor --não apenas aquelas ligadas diretamente à produção agrícola, mas várias outras que prestam serviço, como indústrias de sementes, agroquímicos e máquinas, por exemplo, e que exigem um bom nível de conhecimento na área. E pouca gente tem esse diferencial.
 
A USP de Piracicaba (Esalq) tem cursos muito bons, alguns até bem específicos, como um voltado exclusivamente para o setor sucroalcooleiro.

Além da USP, vale dar uma olhada nas universidades que têm mais tradição em agricultura, como a Federal de Viçosa (MG) ou a própria UFPR.

Tem tb a FGV, claro, cuja área de agronegócios agora é comandada pelo ex-ministro Roberto Rodrigues. A BM&F também tem, se não me engano, um curso de derivativos agrícolas, bastante procurado por jornalistas. Um curso específico para jornalistas, porém, eu não conheço.
 
Mas, na hora de escolher o curso, vc deve optar por aqueles que priorizem a parte econômica, não a agronômica.

A agronômica é importante, claro, mas o principal é entender a dinâmica da economia agrícola, cada vez mais governada por questões até há pouco tempo quase alheias à agricultura, como crescimento econômico mundial, barreiras ambientais e sociais ao comércio internacional, alternativas energéticas, derivativos, fundos de investimento etc.

[Neste outro post, Daniele dá indicações de leitura]

SOBRE ESPECIALIZAÇÕES:

No caminho do jornalismo econômico

Turismo, religiões, suplementos infantis

Jornalismo esportivo
Jornalismo cultural

Claudia Antunes, editora de Mundo, fala sobre sua área

Raul Juste Lores dá dicas para se especializar em jornalismo internacional

Natali fala sobre armadilhas da especialização

Sérgio Dávila conta o que é que o brasileiro tem

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h28

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Humor português

Pra ficar nas piadas, segue a capa de um jornal português, mandada por meu leitor Thiago Braga:

Se não estiver acompanhando o caso, leia aqui a notícia.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h22

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Ótimo gráfico

Vejam que legal este gráfico animado do "Ás" da Espanha sobre a espionagem das pistas [agradeço a sugestão a meu amigo Bernardo Barlach, que, aliás, também é blogueiro].

 

E, PARA DAR RISADA...

Como já disse aqui, acho que falta humor no jornalismo. Vejam que ótima essa piada que está no blog do Seixas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h40

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A PRESSA É INIMIGA



É realmente um perigo a vontade de dar logo qualquer informação.

Aconteceu de novo hoje, neste imbroglio da F-1. A revista Autosport deu que a McLaren tinha sido excluída do campeonato, e muita gente passou adiante como se fosse verdade.

Eu mesma ouvi um "plantão urgente" numa rádio de notícias, e o correspondente, que está lá na Bélgica, vendeu a notícia sem colocar nem sombra de dúvida.

Para quem gosta de F-1 ou de trapalhadas do jornalismo: não deixe de acompanhar passo a passo pelo blog do Fábio Seixas (que, corretamente, atribuiu a história à fonte).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h28

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Jornalismo literário

Seminário Brasileiro de Jornalismo Literário. 22 e 23 de outubro de 2007. São Paulo. Clique aqui para acessar o site oficial e obter mais informações.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h13

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VIDA OU MORTE

John McCusker é fotojornalista do principal jornal de New Orleans, "The Times-Picayune". De sua mesa ele acompanha a freqüência de rádio da polícia. Todo dia ouve o código 29-S, 29-S, 29-S.

Suicídio.

É uma epidemia silenciosa, diz ele, que continua matando as pessoas dois anos depois da tragédia.

McCusker dá um dos depoimentos num vídeo de 25 minutos sobre o trabalho da equipe de Fotografia, que lhes rendeu dois prêmios Pulitzer. Um trabalho repleto de escolhas difíceis, escolhas de vida ou morte, como diz Al Tompkins, do Poynter, que acompanha essas iniciativas de multimídia.

Fotógrafos contam como se sentiam impotentes diante da miséria, da fome, da sede de seus personagens cotidianos. Falam sobre o impacto psicológico que o trabalho teve e o que os movia em frente durante a tragédia.

Tompkins fez em sua coluna de hoje uma entrevista com o editor (na segunda metade da coluna).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h00

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Manual on-line

Meu leitor Thiago Brava avisa que o Último Segundo colocou on-line seu manual de redação.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h33

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Erramos

A Grazieli, de Porto Alegre, pergunta: "Me chamou a atenção o fato de a Folha ter no menu principal o link Erramos. Isso é novo? É comum ou tem sido comum os jornais criarem isso? Confesso que ainda não tinha percebido... Podes falar um pouco sobre isso?".
 
A seção na Folha Online foi criada em 8 de agosto de 2003 e teve repercussão no meio (leia aqui o comentário no Observatório da Imprensa).
 
Antes disso, o jornal fazia, desde agosto de 2001, correções objetivas. 
 
A política da FOL é corrigir todos os erros de informação publicados, sejam as reportagens de produção própria, da Folha, da Agência Folha ou de outras agências.
 
Também se corrigem erros muito graves de ortografia.
 
Isso tudo independe da data de publicação da matéria. Podemos corrigir coisas de 5 anos atrás.
 
Corrigimos por exemplo:
 
- resultados errados de jogos
- datas
- grafias de nomes próprios (pessoas, cidades)
- omissões graves como a falta da palavra "não" em uma frase, por exemplo
- erros de qualquer espécie na home
- partidos políticos errados
- localização geográfica
- traduções incorretas (no nome de filmes, livros ou qualquer outra de qualquer espécie)
- endereços errados de sites
- uso equivocado de termos jurídicos, intervenções judiciais
- declarações atribuídas que contenham erros
 
Por uma medição recente, cerca de 1% das reportagens publicadas são corrigidas de alguma forma. Os erros podem ser apontados internamente, pelas assessorias de imprensa ou pelos próprios leitores, pelo canal Comunicar Erros, com link em todas as reportagens publicadas. Recebemos entre 200 e 300 comunicações por dia, a maioria delas para erros de digitação.
 
Além da Folha Online, o único site que possui uma seção regular de correções --criada este ano-- é o Terra.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h24

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para todos os gostos

para todos os gostos

COBERTURA INTERNACIONAL

Curso da Fundação Reuters

DIREITO E ECONOMIA

A Universidade de Warwick (Grã-Bretanha) faz palestras sobre seus cursos nas áreas de economia e direito. Vai haver em SP, no Rio e em Brasília.

JORNALISMO AMBIENTAL

Também da Fundação Reuters

ELEIÇÕES

Para quem vai estar na cobertura do ano que vem

MARKETING POLÍTICO

Também para quem vai cobrir eleições no ano que vem {talvez valha mais como pauta que como curso}

CINEMA

Direção de audiovisual

FILÓSOFOS ALEMÃES

Ciclo de paletras do Instituto Goethe

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h54

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NEM HERÓI NEM VILÃO

Perfil não é elogio.

É um retrato de alguém que, idealmente, deve mostrar vários aspectos da pessoa. Bons ou não.

Não é feito só com entrevista. No perfil, como em outras reportagens, também entram pesquisa, observação e documentação.

No caso da Rebeca, mote do exercício de pauta, um perfil necessariamente tocaria em temas delicados, como a suspeita de doping noticiada pelo "Globo".

Meu leitor Roberto tem razão: senso crítico tem que estar presente sempre e é ainda mais necessário quando simpatizamos com o personagem ou há uma aura de heroísmo em torno dele.

Pouca gente sugeriu possíveis perfis, mas as idéias foram boas.

Filipe, do Rio, comentou: "Creio que pela frieza demonstrada após o episódio do 'trem-bala' no Rio, o ministro Márcio Fortes merecia um perfil. Nem todo ministro de Estado passa pelo que ele passou e sai tranquilo como saiu". Vejam como a pauta está bem defendida: o que vale o perfil não é o ministro em si, mas a reação inusitada que ele teve (e tudo o que sai do comum é notícia).

Fernando, de São Paulo, sugere o presidente do Banco Central americano, Ben Bernanke, que está no olho do furacão financeiro.

E Natalie, também de São Paulo, sugere a ginasta Jade Barbosa: "Ela é jovem, é a principal aposta do técnico pra 2008 e nem tem patrocínio". Ótima aposta. É até incrível que as revistas não tenham cortado essa bola, que está altíssima.

Eu também, como ela, achei que o ex-PM Rodrigo Pimentel renderia um perfil, mas a entrevista publicada acaba esgotando um pouco essa oportunidade.

Outras reportagens dessa edição do dia 10 me inspiraram possíveis retratos [copiei no site do treinamento, para quem não assina UOL ou FSP]:

Pra encerrar, um muito difícil e com certeza complicado em todos os níveis (prático e ético): o das crianças heavy metal

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h27

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CONTRA O PRESS RELEASE

CONTRA O PRESS RELEASE

Você é repórter de Cidades e recebe um release da prefeitura dizendo que o departamento de iluminação pública inaugura hoje um novo "call center" (jargão horrendo que eles usam para central de atendimentos). O serviço terá um número de 0800 e, segundo a prefeitura, o atendimento será mais rápido.

Como fazer a matéria sem virar "divulgador de release" da prefeitura?

Veja outros exercícios do blog

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h44

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VIDA DURA ESSA NOSSA

Meu leitor Thiago Braga colocou num comentário link de vídeo em que um repórter era atacado no meio da cobertura.

Como não conseguia carregá-lo, fiz uma pesquisa no YouTube por "reporter attacked" e levei um susto: há dezenas desses casos.

Colega é baleado durante apuração.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h21

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NÃO BASTA SER OFICIAL

Meu colega Márcio Fukuda chama a atenção para uma reportagem do Mario Cesar Carvalho publicada hoje na Folha [copiei no site do treinamento, para que todos possam ler], sobre números da segurança pública.

O que nos atinge de perto está nesta frase de Ignacio Cano, sociólogo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro: "Quem tirar alguma conclusão dos dados pode falar besteira. As estatísticas da polícia não são confiáveis. Fizemos o anuário para deixar isso claro".

Não dá pra gente simplesmente pegar um relatório, mesmo que oficial, e tratá-lo como informação. É preciso ver como ele foi feito, se é mesmo confiável.

Alguns exemplos apontados pelo Mário na reportagem:

* Sergipe não fez nenhuma prisão por tráfico de drogas em 2005 e só foram registrados quatro casos de posse ou uso de entorpecentes;
* O governo de São Paulo não informa o número de seqüestros relâmpagos, de mortes acidentais no trânsito, de acidentes de trânsito, de roubos a residências, de policiais mortos em confronto e de civis mortos por policiais, entre outros;
* Existe no país 1,4 preso por vaga. A socióloga Julita Lemgruber escreve que esse dado não faz sentido: "Quem já visitou prisões em diferentes Estados brasileiros e constatou os altíssimos níveis de superpopulação na maior parte das unidades prisionais não pode aceitar que, no Brasil, exista apenas 1,4 preso por vaga".
* Não há consenso nem sobre o número de homicídios ou mortes por agressão no país. Segundo o Ministério da Saúde, foram 47.578 em 2005. Nas contas das secretarias estaduais de Segurança, o número cai para 40.975.

O anuário da segurança, pra quem quiser ver, está aqui.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h22

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POLÍTICO MÍOPE PREJUDICA JORNALISMO

Na sala de espera de um administrador público, três jornalistas. Dois são da Folha e outro é de um jornal também sério, mas de circulação local.

O político chama os da Folha e avisa ao outro que está com pressa: só pode falar com ele por telefone.

Deve achar que seu "público" são os editores: jornal mais importante merece mais atenção. Está errado. O sujeito deve satisfação é aos moradores da cidade e aquele outro jornal talvez tenha até mais leitores afetados pelo que esse administrador faz (ou, no mais das vezes, deixa de fazer).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h12

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Notícia, onde está você?

Nove pontos à frente do Cruzeiro, sem escândalos dentro ou fora de campo_ até a bola parecia entediada no gramado do centro de treinamento do São Paulo, na Barra Funda, na manhã desta terça-feira. Em uma hora de treino, ela passou metade ignorada, enquanto o time fazia alongamento. Mais 30 minutos de fundamentos (passe e cabeceio), e a equipe ruma ao vestiário. Sem notícia. Mas o técnico Muricy Ramalho iria falar. Quem sabe sacudiria o marasmo?

Às 10h16, começa a coletiva. Pergunta vai, resposta vem. E nada. O técnico faz os elogios de praxe ao próximo adversário (o São Paulo enfrenta o Santos, sábado, no Morumbi). Nada de novo. Nem a zaga desfalcada é vista como problema. Se precisar, recua o Richarlyson.

"[Richarlyson é] fácil de se trabalhar, é obediente e, fisicamente, é fora de série", diz Muricy.

Além de elogios, o ócio induz à reflexão. Eis que Muricy filosofa:

"Eu acho que o futebol brasileiro tem evoluído muito. Está cada vez mais tático. Hoje os goleiros já sabem para onde vai a bola do batedor [de pênalti]."

Nada de novo, de novo. Encerrada a coletiva, ainda resta esperança.

"Toda terça-feira, um jogador é escalado para falar, mesmo que não tenha jogo na quarta.", informa meu padrinho de Redação, Márvio dos Anjos, cicerone da minha primeira "ida à rua" como trainee da Folha.

Todo mundo sabe que jogador de futebol não é prolixo. O meia Hernanes é previsível: pensa antes de cada resposta e abusa do "Graças a Deus" para tu-do.

Ele até confessou que realizará um sonho jogando na Bombonera, na próxima semana, quando o São Paulo enfrentará o Boca Juniors pela Copa Sul-Americana. O recifense gostaria de conhecer Buenos Aires, mas nem tanto... Vai tirar foto? "Até vale a recordação. Mas acho que não. Nem costumo levar máquina em viagens.", respondeu.

Parafraseando-o: Graças a Deus, não preciso publicar nada. O Márvio já tinha bolado uma pauta ontem. Parece que envolve estatística. E o repórter do "Agora" enxergou uma oportunidade para publicar reportagem que estava escrevendo.

"Vou aproveitar para enfiar uma especial sobre categorias de base", disse o jornalista Tiago Leme.

Até sexta-feira, véspera do jogo contra o Santos, haja criatividade para os setoristas do São Paulo. Eu ainda estou procurando a notícia por aí. Alguém tem uma sugestão de pauta sobre o líder isolado do Brasileirão?

por PH RODRIGUES

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h18

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Estatística

Estatística

Meu colega GUSTAVO VILLAS BOAS sugere um site para brincar com estatísticas: o nationmaster

Gustavo escreveu sobre ele no caderno Informática e avisa:

Apesar de considerar o site confiável ao dar a fonte, acho que vale a pena copiar o nome da planilha de onde são atribuídos os dados e colocar no Google, para checar se os números estão atualizados e batem com a fonte original.

Para quem gosta de estatísticas, vale a pena fuçar um tempo nos artigos, nas possibilidades de cruzamento de dados, nos artigos etc.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h09

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A GENTE FOMOS

por TALITA BEDINELLI
 

Nossa tarefa no exercício passado pelo Paulo era entrevistar algumas pessoas e transcrever trechos das falas, mantendo algumas marcas de linguagem características da pessoa.

 

Entre os entrevistados pelo meu grupo — composto também pelo Pablo e pelo Ricardo Viel — estavam uma menina de 14 anos que falava “firmeza” e soltou um “alevou” (que no contexto queria dizer “roubar”) e um taxista que falou tudo corretamente, mas no meio de uma frase disse: “quando voltei a si”.

 

A discussão era, então, o que manter nas aspas e usar o “sic” e o que arrumar para deixar o texto certinho. A conclusão foi que tudo depende do contexto. Deixar o “firmeza” e o “alevou”, seguido de uma explicação entre colchetes, ajuda a fazer com que o leitor imagine quem é aquela pessoa que está falando. Mas deixar o “voltei a si” poderia desviar a atenção do leitor da notícia, que é mais importante.

 

Como disse o Paulo, o “sic” é um poder do jornalista. Por isso, temos que usá-lo com cuidado. Em uma palestra de um secretário de Educação sobre a qualidade do ensino, por exemplo, devemos deixar um erro de concordância? E em uma entrevista com um daqueles jogadores de futebol que comete um erro por frase, é relevante manter todos os “a gente fomos”? Acho que tudo depende, mas a informação é sempre mais importante.

 

E vocês, o que acham? Já se depararam com o mesmo dilema? Como resolveram?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h00

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UM EXERCÍCIO DE PAUTA

UM EXERCÍCIO DE PAUTA

Para aproveitar que os trainees também estão nessa, vai aí um exercício de pauta.

O ombudsman comenta na crítica diária:

Um personagem em busca de um repórter

Seja qual for ela, a história da nadadora Rebeca Gusmão e do seu esforço para se superar está por ser contada.

Ele se refere a esta nota do jornal de hoje:

NATAÇÃO: PINHEIROS VENCE TROFÉU JOSÉ FINKEL
Foi o quinto título consecutivo na competição, realizada em Palhoça (SC). Os destaques individuais do dia ficaram por conta de Thiago Pereira, que conquistou nos 200 m medley sua quinta medalha de ouro no torneio, Rebeca Gusmão, vencedora dos 100 m livre, e Joanna Maranhão, que faturou os 200 m medley e foi ao alto do pódio pela quarta vez. Três recordes brasileiros e sul-americanos e 22 do campeonato foram quebrados.

Rebeca Gusmão é aquela nadadora que, na última quarta, passou mal e desmaiou após vencer a prova dos 50 m.

Uma boa fonte de pautas é justamente o jornal. É raro o dia sem um personagem que mereça um perfil, mesmo que pequeno. O exercício então é este:

Leia com atenção o jornal de hoje e sugira um personagem que você acha que deveria ter sua história contada (explique brevemente por quê --não precisa ser nada elaborado, basta fazer como o ombudsman: "pela história de superação").

Aliás, por falar em exercício, estou esperando os palpites de vocês no último sobre lides. Espanem a preguiça do feriado e ponham a cabeça pra funcionar --e nem tentem usar a desculpa de falta de tempo, já que eu só vou poder comentar na terça à noite ou na quarta.

É bom a gente sempre se lembrar de que uma coisa é entender a questão, outra bem diferente é fazer por si próprio. Não só porque dá mais trabalho e a gente tem que correr o risco de não ficar bom. O motivo que interessa mesmo é que quando a gente faz, aprende mais. "Acertar" ou "errar" não importa; o que faz mesmo diferença é praticar.

Leia aqui meu comentário sobre este exercício

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h31

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Um bom pauteiro não tem preço

Wallison, de Minas, pergunta: "Eu estudo jornalismo e estou APAIXONADO por fazer pautas para os nossos trabalhos. Gostaria de saber mais coisas a respeito da profissão de pauteiro, se é valorizada etc. Pelo que eu fiquei sabendo, o pauteiro é um profissional rebaixado dentro das Redações. Isso é verdade? E o salário, é menor do que os demais profissionais?".
 
Wallison, é o contrário: é raríssimo achar jornalistas com talento pela pauta e gosto pela função. Fazer boas pautas e coordenar a pauta de um jornal é uma das tarefas mais difíceis de uma Redação e bons pauteiros, que gostem de fazer isso, são muito valorizados.
 
Talvez sua impressão venha de outros veículos, como TV, em que o pessoal da produção faz em geral todo o trabalho mais duro, mas quase nunca fica com os créditos (e ganha menos que os repórteres).
 
Mas em jornal não é assim, não. Vá em frente!
 
Aliás, os trainees fazem pela primeira vez hoje um exercício que será diário nos próximos dois meses: sugerir pautas. Vamos ver se eles têm algo depois pra nos contar sobre isso.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h56

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Direto ao ponto

Direto ao ponto

Lembrei-me de Oriana Fallaci, da "New Yorker", quando li a entrevista que minha colega MALU DELGADO fez com o governador de Minas, Aécio Neves.

A primeira pergunta da entrevista põe direto o dedo na ferida:

FOLHA - A morte de 25 presos na última quinta-feira em Ponte Nova (MG) mostra a fragilidade do sistema carcerário e problemas não só de superlotação, mas de segurança. Como o sr. explica essa situação?

AÉCIO NEVES - Essa é uma oportunidade para discutirmos com profundidade os problemas carcerários no Brasil. Quando eu assumi, Minas tinha apenas 5.000 vagas disponíveis em presídios e hoje tem 18 mil. Mas esse é um problema crônico que só será resolvido com planejamento e com parcerias com o governo federal. Infelizmente, nós não temos tido parceria nesses investimentos. Minas já é o Estado que mais investe em segurança pública. É uma tragédia o que ocorreu. Já está aberta a investigação. É um episódio absolutamente lamentável, mas ele não macula o esforço, reconhecido inclusive pelo governo federal, que Minas vem fazendo nessa área.

[Clique aqui para ler toda a entrevista --por enquanto, só para quem assina FSP ou UOL, mas eu deixo disponível para todos os leitores quando estiver de volta ao jornal.]

Em geral o entrevistador deixa o entrevistado mais à vontade antes de chegar aos pontos mais difíceis, mas há casos em que isso não é necessário nem desejado (para ler o que pensa Fallaci, clique aqui).

Fiquei curiosa para saber como Malu tinha tomado suas decisões. Veja o que ela diz:

Novo em Folha - A primeira pergunta do pingue-pongue vai direto num assunto complicado para o governo. Ela era a primeira pergunta da sua entrevista ou havia outras antes que você cortou?

Malu Delgado - A entrevista foi feita em duas partes. Conversei com o Aécio em São Paulo. Na semana seguinte, estourou a rebelião e a morte dos presos em Ponte Nova. Liguei para a assessoria dele e pedi para complementar a entrevista, pq ficaria muito frio publicar uma entrevista com ele numa semana em que o Estado passou a ser questionado nacionalmente.

NF - O que você acha de a entrevista com algo complicado? Avalia caso a caso? O que, neste caso, justificou essa estratégia?

MD - Normalmente, em entrevistas com políticos, eu acho tratar de outros temas periféricos e chegar aos pontos no tema central. Fiz isso com o Aécio, de certa forma. Meu objetivo central era 2010. Mas claro que havia coisas importantes do Estado que eu gostaria de tratar. Comecei falando de outros temas _ nem por isso fáceis _ para depois entrar na sucessão. Isso depende muito também do perfil do entrevistado, no nível de aproximação com a fonte. Se é alguém que vc vai entrevistar pela primeira vez, eu acho melhor tentar conquistar a confiança do entrevistado nas perguntas iniciais e, depois, partir para temas mais delicados. Detalhe: fazer perguntas difíceis não significa ser mal educado. Mas há jornalistas que misturam as duas coisas.

NF - Como você começou a primeira entrevista com ele e por quê?

MD - A primeira pergunta foi sobre o projeto do foro privilegiado em Minas. Comecei com isso porque era atual e ele tinha acabado de vetar o projeto.

NF - Quando você precisa fazer entrevistas como essa, que vão tratar de assuntos delicados e nas quais você necessariamente fará perguntas críticas, você toma algum cuidado especial? Qual?

MD - Sim. No caso do Aécio, por exemplo, há muitas críticas sobre o controle dele em relação à imprensa mineira e sobre a maquiagem contábil do Estado. Pesquisei, antes da entrevista, matérias da Folha e de outros jornais sobre o tal do déficit zero que ele disse ter promovido. Vi a ação do Ministério Público questionando os gastos do governo de Minas, matérias que a Folha deu. Sobre a imprensa, li também reclamações do Sindicato dos Jornalistas de Minas. Enfim, pesquisei sobre o tema. Isso é muito importante. Na hora de perguntar ao Aécio sobre a dívida de Minas, por exemplo, eu tinha os números em mãos e citei para ele na hora da entrevista. Isso mostra para o entrevistado que você sabe o que está falando, ou seja, ele/ela não pode te fazer de bobo. E, desta forma, vai ser obriagado a te dar uma resposta mais elaborada e correta para que vc a aceite.

NF - Quando você marcou a entrevista, você disse quais seriam os temas tratados? Você normalmente deixa claros os temas?

MD - Claro que quando vc procura um político, no caso, para uma entrevista é porque há algo factual, de conjuntura, que precisa ser debatido. No caso do Aécio, disse que queria fazer uma discussão sobre cenário político, perspectivas para 2008 e 2010. Acho que vc precisa deixar claro seu objetivo central. Mas é importante que o jornalista tenha liberdade para fazer qq tipo de pergunta. Não deve se sentir cerceado por nada.

NF- Quando você tenta marcar uma entrevista com um personagem que está envolvido em questões delicadas, normalmente enfrenta obstáculos? Os assessores dificultam a entrevista? Fazem exigências? Proíbem assuntos, pedem perguntas por antecipação, tentam pressionar? E neste caso específico, como foi?

MD - Olha, há assessores que realmente barram a entrevista, tentam controlar perguntas. Mas se o entrevistado quer falar, nada o detém. Eu não topo entrevistas cerceadas. Se começam a impor condições, eu agradeço e dispenso. E acho que o jornalista tem que se impor. Há casos em que pedem respostas por escrito. Tudo deve ser avaliado. Já fiz entrevista metade por escrito, metade ao vivo, por exigência do entrevistado. Depende. Há casos em que vale a pena negociar, por respeito à fonte, à importância do entrevistado. Mas tudo tem limite. Controle de assessor jamais!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h35

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Medo do gravador

Na semana passada os trainees fizeram, como exercício, entrevistas com paulistanos de várias regiões.

Uma das dúvidas que apareceram, conta RICARDO SANGIOVANNI, foi sobre o gravador. Algumas fontes, quando viam o dito cujo, recusavam-se a falar:

Alguns colegas contaram que o gravador, em muitos casos, acabava intimidando o entrevistado --alguns inclusive se recusaram a falar quando notavam a presença do instrumento.

O Paulo [Paulo Ramos, consultor de texto do jornal] deu umas dicas legais sobre isso. A orientação foi: "respeite a fonte". É essencial deixar claro para ela que se trata de uma entrevista (em que a pessoa sabe que está prestando informações a um jornalista e autoriza a utilização das mesmas no jornal, estejam elas sendo gravadas ou não).

Sobre a gravação propriamente dita, a dica foi que não usássemos o gravador como uma ferramenta de intimidação; e que jamais usássemos aquela solene pergunta: "Então, posso começar a gravar?"

Outra dica foi sobre como posicionar o gravador durante a entrevista: não é necessário escondê-lo da fonte, mas é bom evitar que ele chame muita atenção, para evitar que a pessoa se sinta acuada. Enfim: o velho apelo ao bom senso e à discrição, que sempre apaziguam certas polêmicas do jornalismo.

Sobre a necessidade ou não de gravar uma entrevista --tema levantado pela Taniele, que observou que talvez sem a presença intimidatória do gravador as fontes pudessem ter revelado informações bem mais interessantes-- a discussão foi mais quente. Afinal, o compromisso do jornalista é com a informação ou com a documentação?

A recomendação do Paulo --assim como a orientação do Manual de Redação-- é que toda entrevista seja gravada. Ele lembrou da questão jurídica da "prova" da declaração dada pela fonte e contou que ele próprio já foi processado por uma fonte insatisfeita com uma matéria. Mesmo assim, sobre esse ponto não conseguimos chegar a uma definição precisa (seria querer demais, não é?).

Paticularmente, minha conclusão é a seguinte: sempre que puder gravar uma entrevista, grave. Mas acho que a notícia não é a "gravação", e sim a "informação" transmitida pela fonte. A gravação, na minha opinião, é apenas um modo (talvez o mais seguro e fidedigno de todos, é verdade) que o jornalista de jornal impresso pode usar para atender à exigência de documentação de seu trabalho.

Mas acho que há outras formas de documentação, como anotações num caderninho, por exemplo. Acho que essencial mesmo é estabelecer o tal "contrato" (precário, mas necessário) com a fonte: isso feito, cabe ao jornalista escolher de que método de documentação irá lançar mão, sempre com o objetivo de obter a melhor informação da sua fonte.

Outra coisa que me ocorre sobre isso é que jornalismo é um trabalho coletivo. Então, se o repórter chega na redação com uma informação realmente boa, que entretanto não foi documentada da maneira mais adequada, ele tem obrigação de conversar com a chefia, para só então dar a matéria. Se valer mesmo a pena, o jornal pode até bancar --olha só o caso do telefonema do Lewandovski, furo dado pela Vera Magalhães, com o aval da Folha... [leia aqui sobre o caso].

(O que não significa que nós, trainees, devamos achar que os editores vão nos dar essa bola toda logo de cara: o negócio é gravadorzinho e bloquinho na mão e mãos à obra. Conforme o próprio Paulo disse, "em jornal, confiança é coisa que se conquista, que leva tempo...")

O Ricardo diz nas conclusões mais ou menos o que eu diria, se estivesse nessa conversa com o Paulo:

  1. Sempre avise que é uma entrevista
  2. Se possível, grave
  3. Explique para a fonte porque o jornalista costuma gravar entrevistas: "É só para ter certeza de que não vai sair nada errado"
  4. Se ela aceitar, o melhor lugar para o gravador é onde ele não intimide, mas funcione bem
  5. Se ela recusar, redobre o cuidado na anotação. Se quiser usar uma frase, faça uma pausa na entrevista para anotá-la corretamente
  6. Se possível, pegue o telefone da fonte para tirar dúvidas que haja na hora de escrever
  7. Sempre consulte o editor quando tiver dúvidas sobre usar ou não algo que não foi gravado
  8. Aliás, sempre consulte o editor quando tiver dúvidas

Dicas práticas de como usar o gravador
Como gravar entrevistas pelo telefone

Momento "recordar é viver": quando eu era criança, isto era um gravador portátil:
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h29

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NARRATIVA

NARRATIVA

Minha proposta é continuar pensando um pouco sobre lides e as diferentes maneiras de fazê-los.

Na semana passada o ombudsman da Folha comentou que a boa reportagem sobre as usinas do rio Madeira, publicada dia 2/9, ganharia se tivesse um lide diferente.

Tenho três perguntas para vocês:

  1. Neste caso, é melhor um lide informativo ou um narrativo? Por quê?
  2. Na hipótese de fazer o lide narrativo, qual seria o tema? Não é preciso escrever o lide, só dizer o que vocês escolheriam para colocar na abertura (leia aqui sobre os temas).
  3. Os textos têm as informações de que vocês precisam para fazer esse lide? Se não tiver, que outras informações vocês levantariam para fazer o lide narrativo?

Copio o começo do texto abaixo, mas vocês podem ler toda a reportagem no site do treinamento.

Usinas do Madeira turbinam Rondônia

Antônio Gaudério/Folha Imagem

O vilarejo de Mutum, com 400 famílias, que deve ser coberto pelas águas
da represa de Jirau, no rio Madeira, no Estado de Rondônia

Preços de imóveis têm valorização de 30% e Estado recebe R$ 645 milhões em verbas do PAC para infra-estrutura

Porto Velho poderá receber até 100 mil pessoas por causa das obras, mas tem só 3% de coleta de esgoto e 45% de água encanada

DO ENVIADO ESPECIAL A RONDÔNIA

O anúncio da construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau no rio Madeira, em Rondônia, já provoca uma nova "corrida do ouro" na região.
Há um boom de novos empreendimentos imobiliários e de preços -valorização de até 30%- na capital, Porto Velho, investimentos de empresas e comércio e corrida contra o relógio para treinar a mão-de-obra local, 36% dela desempregada ou dependente de empregos extremamente precários.
Com 380 mil habitantes e apenas 3% das residências atendidas por rede de esgoto e menos de 45% contando com água encanada, Porto Velho teme um inchaço explosivo de mais de 100 mil pessoas (25% a mais) em sua população. Hoje, a cidade tem apenas um hospital e um pronto-socorro.

A discussão continua neste post.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h00

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TEXTO É APURAÇÃO

TEXTO É APURAÇÃO

Comparem estes dois lides sugeridos pelo Luiz para o exercício de sexta:

1) Em busca de sobreviventes em uma região localizada em estrada próxima a Atenas, uma equipe de resgate do Corpo de Bombeiros presenciou uma cena que traduz literalmente o cenário classificado pelo Governo Federal como “tragédia nacional”. Encontrados agarrados, a dentista Maria da Silva, de 35 anos, e filho, João da Silva, 8, são duas das 49 vítimas da série de pelo menos 170 focos de incêndios florestais que começaram na sexta-feira no sul do país e já afetam diversas regiões da Grécia.

2) Os 170 focos de incêndio, que começaram na sexta-feira no sul do país, já causaram 49 mortes até agora na Grécia. Para evitar mais mortes, casas e um convento tiveram de ser evacuados, e a estrada entre a capital e o aeroporto internacional foi interditada. O governo declarou estado de emergência no país.

O segundo é o lide noticioso tradicional, diz logo o principal. O primeiro é narrativo: ele descreve uma cena para introduzir o assunto.

Na discussão sobre optar por um ou outro há duas questões envolvidas:

  • a) a matéria permite que a gente adie o momento de dar a informação principal? Ou é imprescindível informar logo?
  • b) se permite, temos informações suficientes para fazer um lide narrativo?

Nesse nosso exercício, a primeira resposta para mim é sim, porque os incêndios já foram noticiados. É uma "suíte", ou seja, uma continuação da cobertura, um texto que atualiza o leitor sobre uma notícia que ele já conhece.

Sobre a segunda pergunta, não sei se vocês concordam comigo, mas minha sensação é que faltou contar melhor a história. E isso, claro, não é culpa do Luiz, que tinha que trabalhar com as informações disponíveis (ele até criou algumas fundamentais, como nome e idade da mãe e filho).

A dificuldade desse exercício reflete algo que é bom a gente ter na cabeça: texto não depende das palavras que a gente usa. Depende da apuração.

Quanto mais detalhes você tiver levantando, mais gente tiver entrevistado, mais lugares tiver visto, mais capaz será de descrever uma cena e contar uma história.

Se o nosso repórter aí de cima soubesse nome, idade e o que faziam mãe e filho, onde exatamente foram encontrados, tivesse entrevisado o bombeiro, pudesse visitar e descrever os locais atingidos pelo incêndio, o resultado seria outro.

Vejam exemplo abaixo, sugerido pelo Paulinho:

Os 170 focos de incêndio, que começaram na sexta-feira no sul do país, chegaram a Atenas. O governo declarou estado de emergência e já chama o estado atual de tragédia nacional. A três semanas das eleições, o governo de Karamanlis é criticado pela lenta reação contra os incêndios. Um homem de 65 anos foi preso acusado de começar um incêndio na região de Areopolis, causando a morte de cinco pessoas e um bombeiro. Houve 49 mortes até agora, segundo os bombeiros.

O tema que ele escolheu é ótimo: o momento em que o fogo chega a Atenas. Mas só dá para fazer um lide realmente narrativo sobre essa notícia se ele estiver lá, puder descrever o que já está queimando, o que fazem as pessoas, se está tudo cheio de fumaça, se o calor é insuportável, se os pássaros escapam em revoada ou os cães presos nos canis tentam fugir desesperadamente.

(Vejam que um outro aspecto importante quando se opta por um lide narrativo é escolher bem o tema. Não é só contar uma história, mas, de preferência, contar algo significativo. Nesse que o Paulinho escolheu há notícia, há novidade e relevância, já que o incêndio chegou à capital).

Um dos efeitos principais dessa técnica é introduzir emoção, colocar o leitor no local.

Foi o que tentou fazer a Maria Eduarda, de Recife, ao abrir seu lide com as aspas da prefeita:

"Se não pararmos isso agora, não restará nada." É esse o apelo que a prefeita de Styra, e todo o resto da população da Grécia fazem através de programas de rádio e tv. O intuito é pedir ao governo que tome alguma providência em relação aos 170 focos de incêndio, que começaram na sexta-feira no sul do país e já chegaram a Atenas. O incêndio, detectado como intencional, vem destruindo diversas áreas florestais e foi responsável por 49 mortos até agora, segundo os bombeiros. O governo declarou estado de emergência no país.

O tema aqui, bem escolhido, é o tamanho da devastação. Se ela fosse a repórter, poderia contar como estão os locais destruídos e depois reforçar esse panorama com a frase da prefeita, o que daria ainda mais força ao lide.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h06

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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