Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Conflito armado

Conflito armado

A Abraji, o CICV - Comitê Internacional da Cruz Vermelha e a Oboré fazem nos dias 6, 13, 20 e 27 de outubro (sábados das 9h às 13h) curso sobre jornalismo em situações de conflito armado / direito internacional humanitário.

Inscrições abertas até as 12h de 21/9.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h12

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Enquetes

Dica de Chip Scanlan para fazer enquetes on-line.

OBSERVAÇÃO: Já arrumei o link, que estava errado.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h19

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Maluca por matemática

Debbie Wolfe é uma das pessoas mais divertidas que eu conheço. É a editora de treinamento do St.Petersbourg Times e especialista em tecnologia e matemática.

Debbie dá um dos cursos mais populares da News-U sobre matemática básica para jornalistas, mas neste encontro ela falou principalmente sobre tecnologia.

Ontem ela deu um workshop sobre áudio e recomendou alguns equipamentos que, depois de testes, tiveram o melhor desempenho:

  • gravador: Olympus WS-300M (só para PCs. Para Mac ela recomenda o Zoom H2).
  • microfone: nenhum gravador digital tem microfone com qualidade suficiente, todos vão precisar de um externo. Ela recomenda o Field VP64AL
  • cabo para conectar o microfone ao gravador: precisa ser um cabo "shielded", que reduz ruídos eletrostáticos. O que ela usa é um de dois metros, da Comprehensive (www.comprehensiveinc.com), modelo XLRJ-MP-6EXF. Outra dica: precisa ter uma ponta comconexão XLR, aquela com três furinhos --isso é útil em coletivas, pois pode conectar o gravador direto no equipamento de som de emissoras de TV, cujos microfones são mais potentes.
  • minitripé: QuickLoc, modelo A-118
  • gravador de telefone (com filtro para evitar ruídos): Record-A-Jack fabricado por Quark (www.quarkphone.com)
  • software de edição (grautito!!!!): http://audacity.sourceforge.net/download
  • software para converter e comprimir os arquivos: i-Tunes (parâmetros para comprimir o arquivo de .wav para .mp3: mono, 48 kbps, 22.050 kHz)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h09

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Contra o tédio do feriado

Contra o tédio do feriado

O jogo "seja um repórter", da News-U. (em inglês, infelizmente).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h55

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Como pensar numa cobertura multimídia

Paul Grabowicz fez ontem um exercício para mostrar como evitar usar de forma errada ou redundante as novas mídias e como planejar uma cobertura que faça mais sentido.

A sugestão dele é fazer primeiro uma lista de histórias que uma cobertura envolve. Por exemplo, se um furacão está chegando à Flórida, as possíveis histórias são:

  • onde está o furacão agora
  • como se preparar
  • como sair da cidade
  • abrigos na cidade/refugiados
  • o momento em que o furacão toca o chão
  • serviços disponíveis
  • atores principais
  • danos
  • ciência - explicar os furacões
  • contexto, perspectiva (aquecimento global)

Para cada parte dessa cobertura há maneiras melhores e piores de contar a história. Por exemplo, em ciência, a melhor maneira é usar gráficos. Em serviços, o melhor é usar "bases de dado", ou seja, tabelas fáceis de consultar, onde o leitor pode achar rapidamente o serviço de que precisa.

Vídeos podem ser uma boa opção nos preparativos: para mostrar, por exemplo, como proteger sua casa, como fechar as janelas com madeira etc.

Mas talvez slideshows funcionem melhor para mostrar os refugiados, porque "congelam" a situação, permitem que o pública veja melhor as pessoas, transmite emoção mais fortemente que vídeos.

A News-U tem um curso on-line sobre como fazer coberturas quentes em multimídia.

Um dos participantes deste encontro, Mark Briggs, acaba de lançar um livro sobre como jornalistas podem e devem usar a Web 2.0.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h17

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Como um jornal usa ajuda de seus leitores

News-Press, da Flórida, ganhou na Justiça o direito de publicar dados públicos sobre como o governo usou dinheiro de reconstrução do Estado depois de um furacão.

Para ajudar a achar problemas nos dados obtidos, histórias, outros casos, eles pediram no próprio site a ajuda de seus leitores.

Também criaram um time de "cães de guarda" (leitores com alguma especialização que foram voluntários para ajudar a ler orçamentos, entender balanços, decifrar contratos etc.). [Clicando no link ali da frase anterior e descendo a página, à direita, há uma caixa com exemplos de histórias em que eles ajudaram.]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h33

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Multimedia

Multimedia

Lauren Hertel é professora de multimídia da Universidade da Flórida e deu várias dicas de recursos on-line. Ela acha que todo mundo pode aprender sozinho como usar a maioria dos recursos tecnológicos. Fica faltando, claro, um outro passo: entender como usar os recursos jornalisticamente.

Parte da apresentação dela está na página do del.icio.us. No site há também um curso chamado Webskills 4 Everyone.

Outro site sugerido por Debbie Wolf para quem quer aprender a fazer jornalismo multimídia é um artigo do diretor da biblioteca do Poynter, em que ele conta como entrou nesse mundo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h17

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O melhor equipamento

Agora à tarde a conversa é sobre o melhor equipamento para um jornal multimídia.

Quem dala é Ellyn Angelotti, editora do site do Poynter.

Sobre a câmera:

  • se for só para internet, escolha a que tem maior zoom
  • se for para impresso também, escolha a de maior resolução
  • se os repórteres forem dividir as câmeras, é bom ter cartões de memória. É só tirar o cartão e a câmera pode seguir com outra pessoa.

Sobre microfones:

  • se o repórter faz o vídeo e o áudio, o melhor é ter um microfone de lapela
  • microfones sem fio vão precisar de muita bateria. É bom ter isso em conta na hora de escolher
  • para captar o som ambiente, é melhor um multidirecional. Para entrevistas, unidirecional.
  • gravadores digitais são muito úteis, a entrevista passa direto para o computador. Eles usam um Olympus WS-300M

Sobre vídeo:

  • quem vai fazer as imagens? o repórter ou um cinegrafista?
  • para o repórter, a câmera precisa ser pequena, leve, fácil de usar, com autofoco, conexão com o computador, conexão para microfone
  • se for para um profissional, a câmera pode ser mais sofisticada, com recursos de ajuste de imagem, com cartões P2
  • para internet, não é preciso uma câmera HD. A imagem terá que ser leve, para ser carregada em pouco tempo 

Sites que ela recomenda:

Resenhas sobre câmeras e equipamento, para ajudar a decidir o que comprar

Produção e edição de vídeo

Software gratuito para edição de vídeo

Dicas para produção de vídeo

Ferramentas para áudio e vídeo

Jornalismo on-line

Guia de câmeras

SUGESTÃO DE LEITURA:

"Journalism 2.0:How to Survive and Thrive", Mark Briggs

"Web Journalism: Practice and Promise of a New Medium", James Glen Stovall

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h18

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Multimídia na cabeça

O seminário de editores de treinamento tem um tema central: jornalismo multimídia.

É a principal preocupação dos jornais aqui: como contar histórias com vários recursos, como usar a internet para fazer jornalismo.

A primeira palestra do dia foi com Paul Grabowicz. Parte do que ele disse pode ser lido aqui. Paul também dá um curso on-line na News-U.

O argumento dele é que multimídia não pode ser usar nova tecnologia para contar as mesmas histórias de sempre. Um exemplo: um texto na internet falava sobre o morador de uma cidade que doaria seus quadros para o museu. Um link levava para um vídeo do sujeito, que contava a mesma história.

Outro ponto é que nem sempre vídeo é melhor. Slide-shows com som podem contar melhor várias histórias.  Vocês podem acompanhar vários exemplos e contra-exemplos selecionados por Paul na página dele no del.icio.us.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h02

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Direto ou indireto

Direto ou indireto

Tentem fazer dois lides para o texto abaixo, um noticioso e outro narrativo (leiam o post abaixo):

[desculpem, mas este teclado nao tem acentos nem cedilha]

Incêndios florestais afetam diversas regioes da Gr'ecia.

Temperaturas em elevação, ventos, tempo seco e incêndios propositais causam destrui'cao e danos aas pessoas.

Houve 49 mortes at'e agora, segundo os bombeiros.

O governo declarou estado de emergência no país.

O governo chama o estado atual de tragédia nacional.

"Este é um dia de luto nacional. Estamos lutando contra o fogo em várias frentes e sob condições árduas", disse o premiê Costas Karamanlis após visitar uma das regiões afetadas.

Um homem de 65 anos foi preso acusado de começar um incêndio na região de Areopolis, causando a morte de cinco pessoas e um bombeiro.

Os 170 focos de incêndio, que começaram na sexta-feira no sul do país, chegaram a Atenas. |

Casas e um convento tiveram de ser evacuados, e a estrada entre a capital e o aeroporto internacional foi interditada.

Equipes de resgate disseram ter achado, além de uma mãe agarrada a seu filho, corpos ao lado de estradas, em casas queimadas e em carros. Dois franceses estão entre as vítimas.

A três semanas das eleições, o governo de Karamanlis é criticado pela lenta reação contra os incêndios -que mataram dez pessoas no início do verão europeu- e não prestar a ajuda necessária. "Não há água em nenhum lugar, não há ajuda. Estamos sós", disse um morador de Adritsaina a uma TV.

População e políticos ligavam a rádios e TVs pedindo ajuda: "Se não paramos isso agora, não resta nada", disse a prefeita de Styra, Sofia Moutsou.

Leia aqui meus comentários sobre o exercício

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h06

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Lides e seus efeitos

De volta àquele texto sobre a moça presa por engano, eu tinha falado que cada lide tem um efeito diferente sobre o leitor.

O lide "pirâmide invertida" dá a informação de cara e tem um efeito mais frio.

Abrir com aspas introduz em geral um elemento psicológico --drama, afronta, humor.

Existe um movimento grande, nos EUA e mesmo no Brasil, para que se use mais narrativa nos jornais. As soluções para isso costumam ser começar o texto descrevendo uma cena ou contando algo de um personagem específico, para depois dar a notícia principal.

Eu pessoalmente acho que isso precisa ser feito com cuidado e economia, senão vira apenas um clichê.

Ontem, por exmplo, no jornal daqui, um texto sobre um acidente com perua escolar começava assim: "Crianças gritavam enquanto eram atiradas de encontro à janela". Para mim, não acrescenta nada. Se houve um acidente (e o título já diz isso), é claro que as crianças vão gritar. O que mais me importava era que a motorista tinha cinco multas por excesso de velocidade.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h21

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PALAVRA DE POLÍTICO

Muito legal este site do St. Petersbourg Times: uma equipe de repórteres checa tudo o que os candidatos dizem e põe no ar os fatos para além das declarações.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h35

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CRIME

CRIME

O Instituto Fernand Braudel faz dia 10/9 um seminário em SP sobre ações contra o crime que deram certo na Colômbia.

A Abraji fez um seminário dia 28/8 no Rio sobre cobertura de crimes. Leia aqui um relato.

MINORIAS

A propósito da falta de negros nas Redações, vejam este artigo publicado hoje sobre a situação dos jornais estudantis nos EUA. Um dos motivos, diz o autor, é que jornalismo é visto como profissão de pouco futuro, de poucas vagas com bons salários, e bons estudantes das minorias acabam optando por cursos mais "nobres".

FILOSOFIA

A Casa do Saber faz um curso de dez aulas de introdução a pensadores ocidentais.

BOM EXEMPLO

Al Tompkins conta que na Dinamarca todo jornalista tem direito a tirar uma semana por ano, recebendo salário, para treinamento (é a última nota da coluna de ontem).

TÉCNICAS DE NARRATIVA

Custa caro e é em inglês, mas parece ótimo o curso on-line que Chip Scanlan vai fazer pela News-U.

COMUNIDADE JORNALÍSTICA

Coluna do Poynter comenta como o Twitter está sendo usado por jornalistas.

JOGO DE PODER

Murillo de Aragão, presidente de uma consultoria em Brasília e cientista político, dá palestra dia 14 em São Paulo sobre como funciona o poder na capital federal.

PIRATARIA

Aluna da Metodista cria blog sobre pirataria.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h58

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Um lugar para conhecer

O Poynter, onde estou, é um lugar que vale a pena visitar.

Pessoalmente, nos cursos que eles fazem, ou pelo site.

Se você trabalha num veículo grande, proponha a eles que banquem sua viagem e curso. Vale a pena.

No site você pode assinar newsletters e consultar colunas antigas sobre vários assuntos, de ética a narrativa, de pauta e mercado da comunicação.

O Pouynter é também um dos "sócios" da News-U, de que já falamos aqui.

Imaginem que o instituto é dono do jornal da cidade, o St. Petersbourg Times. Nelson Poynter, quando morreu, criou um mecanismo pelo qual os lucros do jornal servem para manter esse centro de formação de jornalistas. Não é legal?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h31

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Racismo

Minha leitora Mariana contou que não foi selecionada para uma vaga na TV e que recebeu a informação, extra-oficial, de que foi recusada por ser negra.

Dois trainees desta 44ª turma leram o relato dela (no post abaixo) e mandam um recado:

por PH RODRIGUES
Mariana, eu me considero negro. Mas algumas pessoas juram que tenho ascendência árabe. E até onde sei, todos os meus antepassados são do sertão nordestino. Concordo com a Ana: a mestiçagem é tamanha no Brasil que fica difícil identificar a raça. Até a nomenclatura causa polêmica. O IBGE chama de “pretos” os afro-descendentes e os separa dos “pardos”, que seriam os mestiços. Já alguns movimentos sociais juntam ambos no mesmo grupo e nomeia: negros.

Eu não senti qualquer preconceito nessa seleção da Folha. Mas acredito que situações como a que você relatou são bastante comuns neste país. Não somos uma “democracia racial”. Mas sou suspeito a falar. A minha nova colega Taniele Rui, que estuda antropologia, pode te responder melhor.
Abraço,
PH

por TANIELE RUI
Oi, Mariana, a questão que você coloca é muito importante e imagino como deve ter sido difícil para você lidar com o preconceito que, venha de onde vier, deve ser sempre condenável.

Porém, acho que a discussão que você coloca vai bem mais embaixo e tem a ver com o próprio sistema universitário brasileiro, que não inclui muitos negros. Talvez seja esse sistema que mereça ser repensado e criticado. Essa falta de escolaridade se materializou na quase ausência de negros entre os 40 últimos candidatos.

Tudo se complica ainda mais se formos pensar, como o PH e a Ana, quem é negro e quem não é, pois isso não é só uma questão de cor de pele.

Não sei o que você acha disso, mas penso que essa pode ser uma boa via para a gente fazer essa discussão e iniciar uma conversa dificílima, que sempre carrega consigo um conteúdo afetivo bastante forte. Por favor, queria ouvir sua opinião. Saiba que concordo e partilho com você muitos dos seus questionamentos, e que vejo muito sentido neles.
Beijos,
Taniele

Veja quem faz parte da 44ª turma de treinamento

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h27

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Perguntas e respostas sobre seleção e treinamento

Vão aí as respostas finais.

Amanhã eu volto para contar as novidades do encontro.

Carla, de Adolfo: "Ana, não sei o que você pensa sobre os manuais de como se comportar em entrevistas, mas eu os abomino. Penso que empresas inteligentes não querem um robô para trabalhar, mas alguém que cultive sua espontaneidade".

Concordo, Carla. Como respondi ali embaixo, ensaiar não ajuda muito e pode atrapalhar.

Marina, de Londrina: "Pelo jeito, o esquema de entrevista não foge muito das outras empresas: é preciso conhecer o jornal, conhecer o segmento, se destacar pelo perfil e torcer para os "santos" se baterem!".

É exatamente isso, Marina.

Joyce, de Guarujá: "Em relação à seleção, quando é feita a escolha dos currículos para novos trainees, se a pessoa trabalha ela já é eliminada?".

Não, Joyce, não é eliminada. Dentre os trainees desta 44ª há alguns que estavam trabalhando. Mas, se ela tiver muita experiência, talvez o treinamento não seja o caminho mais indicado.

Mariana, de Seropédica: "Ana, Percebi que não há trainees negros. Pode ser apenas uma coincidência ou não. Imagino que como antes de ir para a entrevista , o candidato passou por avaliação do currículo e pela prova (onde a cor da pele não conta). Sei que o processo é idôneo e que busca as qualidades intelectuais e culturais do candidato, mas me intrigou realmente não haverem, entre 11 novos trainees, nenhum negro. Perdi uma vaga por ser negra. (vc pode perguntar: Será que foi por isso mesmo?). Participava de uma seleção para produção de um conhecido programa de TV. Passei pela entrevista com o RH e a próxima etapa seria a entrevista com a produtora do programa. Estranhando a demora na resposta, acionei uma produtora amiga minha, que conhecia bem o canal e ela me disse que a tal produtora não contratava negros, e isso todos sabiam. Na semana seguinte recebi uma ligação dizendo que o processo pelo qual participava tinha sido cancelado. Ao questionar os motivos, ela disse que não podia revelar".~

Mariana, isso pelo que você passou é absurdo! Sim, eu acredito. Tenho amigos e parentes negros e sei que há racismo no Brasil. Mas essa emissora deveria ser processada, isso é crime.

Sobre o treinamento, já houve trainees negros em outras turmas. (no site do treinamento há uma galeria de fotos das turmas anteriores). Mas também é difícil dizer quem é negro, quem não é, você não acha? No Brasil, as pessoas são todas misturadas. Na minha família há negros, mesmo minha pele sendo mais clara...

Uma coisa eu garanto: na seleção da Folha isso nem se coloca.

Nesta turma, não sei o que aconteceu, mas não havia nenhum negro (se formos levar em conta o critério do IBGE, o que eles consideram "preto", não pardo) na semana de palestras.  

Natalie, de São Paulo: Ana, experiência é valorizada? Ou quanto mais "cru" melhor? Que tipo de experiência é valorizada? Também gostaria que você falasse sobre a experiência pessoal. Qual o objetivo desses relatos pessoais? Quão pessoais eles devem ser? E a escolha desses fatos deve ser objetiva ou subjetiva (tem coisas aparentemente inocentes que marcaram minha vida, me transformaram de algum modo. Mas isso é importante num processo seletivo)?

Natalie, é um pouco como respondi acima. Experiência não é necessária, pode ser valorizada, mas se for muito grande talvez indique que o treinamento não é o melhor caminho. Alguns candidatos com mais experiência acabaram entrando direto no jornal, sem passar pelo programa.

Sobre os relatos pessoais, o objetivo deles é que eu saiba o que vocês valorizam na vida de vocês. De novo, não há regra. Não fiquem pensando em "acertar", escrever o que eu quero ler, porque não existe esse parâmetro. Sou capaz de me interessar por coisas muito diferentes.

Rachel, de Ribeirão: "Vou me formar com apenas 21 anos. A idade influência no processo de seleção? ALém disso, ser do interior pode atrapalhar, pelo fato de não conhecer muito bem como as coisas aí? E outra, como disputar uma vaga com pessoas que, aparentemente, são mais qualificadas que voce? Que está fazendo mestrado, fala 6 liguas e é formado por uma faculdade fora do país?".

Rachel, idade não interfere, nem o fato de ser do interior. A boa formação é só uma das qualidades do bom jornalista. Há gente sem formação exemplar, mas com outros dotes que compensam isso. As Redações são formadas por pessoas muito diferentes entre si.

Paulo, de Porto Alegre: "Ouvi dizer que há "cotas" na seleção da Folha. Por exemplo: sempre 50% homens e mulheres (ou quase isso, quando são 11 trainees); 60% de jornalistas e o restante de outros cursos; e por aí vai... não achei que fizesse sentido, mas por coincidência (?) os trainees deste ano têm esse perfil. Há algum tipo de "cota", mesmo?"

Não há cotas, não, Paulo. As últimas turmas foram equilibradas, mas já tive turma só com duas mulheres. Outra com cinco cariocas. Outra com só uma pessoa de outro curso. Não há uma regra. Tento fazer uma turma heterogênea, sim, porque aí uns podem ajudar aos outros, mas não há cotas nem regras.

Júlia, de Natal: "1.Existe previsão para divulgar a lista com os nomes das pessoas que irão fazer as provas? 2.Quando geralmente são aplicadas as provas? 3.É possível se inscrever novamente,caso não passe? Existe "limite" de tentativas? "

Normalmente a chamada para a prova ocorre no final do semestre, entre maio e junho, e as provas são feitas em junho ou agosto. Não há limite de tentativa. Já contei aqui que tive um trainee que participou quatro vezes da semana de palestras. É normal que isso ocorra, pois é muita gente boa concorrendo para pouquíssimas vagas.

 Rafael, de Natal, e Ricardo, de São Paulo:   Oi, Ana! Minha dúvida é bem específica: me inscrevi na seleção de número 45. Dia desses, acessei a ficha a ficha através do link que vcs enviaram e aproveitei para corrigir um errinho de ortografia. Recebi um e-mail-resposta agradecendo meu 'recadastramento' na seleção nº 46. O que aconteceu? Minha inscrição anterior foi cancelada ou agora eu estou inscrito nos dois processos?

Olá. Vocês estão concorrendo aos dois processos. Quando se encerra o prazo para uma turma (a 45 terminou dia 5/7), alterações valem para a seguinte (no caso a 46).

Bailey, de São José: "É interessante para a Folha ter um trainee que tenha experiência no terceiro setor? Direitos humanos e esse tipo de coisa? Quanto ao número de revistas, jornais, sites de pesquisa: devemos colocar vááários ou apenas 5 ou 6 é um bom número?".

Respondendo assim, de forma geral, sim, é interessante. Todo conhecimento é útil. Sobre os jornais, sites etc., ponha os que você realmente lê e consulta. Não adianta incluir um monte só para inchar a resposta, se você só os vê de seis em seis meses.

Joice, de Salvador: Parece que o processo seletivo é a estréia de um ator no palco. Antes ele aprende que deve falar, assim, agir deste jeito, vestir uma roupa neutra; mostrar que é dinâmico, proativo, capaz de solucionar qualquer problema - uma panacéia ambulante. Não entendo o porquê de mostrar ser alguém que nem sempre somos ou ter um comportamento que não costumamos ter, para preencher uma vaga. Melhor tomar um curso de teatro e depois tentar qualquer seleção. Abraço!!!

Joice, eu diria o contrário. Não é pra atuar nem mostrar algo que vocês não são.

Júlia, de Fortaleza: Quais as experiências profissionais mais relevantes a serem colocadas na ficha de inscrição? Estágio tá valendo? Frilas de alguns poucos dias também?

Oi, Júlia. Sim, estágios e frilas estão valendo. Mas, como disse acima, experiência não é fundamental para o treinamento.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h31

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A seleção do treinamento

Respondi abaixo a dúvida da Marina, agora vamos ver a da Carla. Mais tarde eu vou respondendo as outras. Até o fim do dia eu termino, prometo.

Carla, nada impede que alguém de 18 anos seja trainee. Já selecionei gente com essa idade. Já houve trainees que estavam até no primeiro ano da faculdade.

Mas parto do princípio de que o ideal é fazer o treinamento quando se está perto de terminar a faculdade, por vários motivos:

  • o programa é bem intensivo. São três meses, o dia todo, todos os dias. É praticamente impossível levar o curso ao mesmo tempo.
  • Embora longo, ele não é suficiente. Precisa ser complementado pela prática. Quanto mais imediatamente após o curso o trainee começar a trabalhar, melhor, pois pode continuar seu aprendizado sem "esfriar".
  • O principal objetivo do treinamento é trazer gente talentosa e interessada para o jornal. Por isso e pelo motivo anterior, quem sai do curso geralmente começa a trabalhar, o que também atrapalha muito o andamento do curso.
  • O bom desempenho profissional é resultado de três coisas: talento (várias qualidades pessoais), experiência e conhecimento. E aos 18 anos se está na idade boa para aumentar o conhecimento. Depois que a gente começa a trabalhar fica cada vez mais difícil estudar.

Sei que no curto prazo parece sensacional começar logo  a trabalhar, mas isso impede que você desenvolva bem uma das bases de sustentação do seu desempenho, que é o conhecimento.

Por isso eu sempre tento convencer quem está no começo da faculdade a aproveitar esse tempo para realmente estudar, ler muito, viajar, ver o mundo, ir ao cinema, aproveitar mesmo cada chance de conhecer algo novo e entender algo melhor.

Dessa forma, quando finalmente chegar a uma Redação, terá duas bases bem fortalecidas --o talento e a formação. Restará aumentar a experiência, mas isso será inevitável.

Sobre a ficha de inscrição, esses itens a que você se refere estão lá para eu conhecer melhor o que fizeram e o que pensam os candidatos. Por isso não há limite de linhas. O que me importa ali é o conteúdo e a maneira de escrever, não o comprimento. Respostas longas nem sempre serão respostas boas. Mas não tenho problema nenhum com longas respostas boas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h56

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Entrevista

Oi, gente. Vou começar a responder às perguntas da Marina e da Carla, enquanto espero um novo vôo. Assim que der, respondo as outras que estão no comentário. (Foi superlegal abrir o computador agora e achar tantas perguntas! Acho isso ótimo!)

Como não sei a que horas será o embarque, vou respondendo e publicando. Se ficar pela metade vocês já sabem: tive que entrar no avião. Mas completo assim que der.

ENTREVISTAS

Marina, na Folha, as entrevistas são a terceira e última etapa da seleção, tanto no treinamento quanto nos concursos para vagas da Redação.

Isso quer dizer que, quando chega à banca, o candidato já teve seu currículo "apreciado" e já passou por um teste.

A entrevista serve então para os editores conhecerem vocês. Para avaliarem, num primeiro contato, o interesse, a desenvoltura, a seriedade, a articulação.

Vou dar alguns exemplos de perguntas que são feitas numa entrevista. Antes de mais nada é importante dizer: não há resposta certa. A pior coisa que um candidato pode fazer é ensaiar. É facílimo perceber quando a resposta é ensaiada, e isso incomoda quem está avaliando. Vamos lá:

  • Por que você se candidatou para esta vaga? (é a vaga em si, o jornal ou o emprego que o interessa?)
  • Se você começasse a trabalhar hoje, que pauta teria para sugerir?
  • Onde você se imagina trabalhando daqui a três anos? E daqui a dez anos?
  • Que reportagem recente você viu no jornal que gostaria de ter feito?
  • Como você compara a cobertura do jornal com a dos concorrentes?
  • O que você acha de ... (algo referente à área de cobertura da vaga)
  • Por que você saiu do seu último emprego?
  • Que críticas você faz ao jornal? O que poderia melhorar?
  • Se você tivesse que cobrir tal assunto, como faria? Quem ouviria? (Esse é o estilo da entrevista deste post, baseado na experiência real de um colega nosso.)

O que eles querem ver é, portanto:

  • se você conhece o veículo em que está tentando trabalhar
  • se tem experiência
  • se tem jogo de cintura
  • se está em informado

Por isso, vai melhor na entrevista quem realmente tem lido os jornais todos os dias, quem se deu ao trabalho de olhar várias edições do veículo (para entender que seções ele tem, que projeto editorial, que notícias tem dado e como), quem leu o manual de Redação e o projeto editorial (se o veículo tiver).


Mas não vai adiantar muito "estudar" para esse dia. O importante é ser você mesma. Se te perguntarem algo que você não sabe responder, diga "Putz, não sei, mas prometo descobrir assim que sair daqui".

Nessas perguntas de "situação" (o que você faria se...), em geral não há uma resposta certa. Os editores querem ver como você argumenta, que iniciativa tem, que segurança profissional.

Outra coisa pra ter em mente: cada jornal, cada editoria, cada editor, cada vaga exigirá um perfil diferente. Se você chegou até lá, é porque tem uma formação e/ou uma experiência que agradou ao jornal. É também porque demonstrou no teste, se houve um, ter os conhecimentos mínimos.

Na entrevista, o melhor a fazer é relaxar o máximo que puder e ser espontânea.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h36

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Na hora da seleção

Duas leitoras perguntam sobre fases diferentes de seleção.

A Marina, de Londrina: "Esses manuais de como se portar em uma entrevista de emprego ou trainee são muito voltados para empresas. Acredito que para jornalistas o processo (e os pontos observados nos candidados) devam ser outros. Que tal um texto sobre isso? Como se portar em uma entrevista de trainee / emprego para a vaga de jornalista? O que os selecionadores buscam no candidado? Tipos de perguntas que certamente iremos encontrar etc. Acho que ainda não saiu nada sobre isso".

E a Carla, de Adolfo (SP): "1 - Pessoas que têm 18 ou 19 anos têm mais dificuldades para ser selecionado? Já houve algum caso de um universitário no segundo ano de faculdade de jornalismo ser selecionado? 2 - Na ficha de inscrição há aquele espaço para que falemos sobre nossas experiências pessoais. É muito ruim quando escrevem muito ali? Digo, não pude perceber se há um limite de caracteres a serem escritos, portanto, acredito que você receba fichas com textos enormes. Estou enganada? Obrigada pela atenção e desculpe qualquer coisa, é que gostaria de entender melhor como funciona a seleção, o treinamento. Fiquei confusa com a ficha...".

Estou correndo para participar de um encontro internacional de editores de treinamento (sim, existe isso, imaginem!!), mas prometo tratar do tema ainda esta semana.

Quem tiver mais dúvidas sobre o tema, aproveite e mande.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h29

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Nova turma

Começou ontem a 44ª turma do programa de treinamento. A partir de agora, eles vão dividir com vocês, neste espaço, experiências, lições, impressões etc.
 
Abaixo eu conto que é cada um (vou colocar só o básico. Depois cada um pode falar mais de si mesmo). Mais tarde a Juliana vai colocar as fotos deles.
 
Daniela Alarcon, 23, de São Paulo, estuda jornalismo na USP.
 
Felipe Modenese, 25, de Botucatu, faz doutorado em física na Unicamp.

 
Karin Deleuse Blikstad, 26, de Campinas, termina o curso de ciências sociais na Unicamp.

 

Lucas Ferraz
, 23, de Itabira (MG), formado em jornalismo pela Newton Paiva.
 

Marina Gazzoni
, 22, Ji-Paraná (RO), formanda em jornalismo pela UFSC.
 

Pablo Solano
, 23, de Santos, formado em jornalismo pela Universidade Católica de Santos.
 
Paulo Henrique Rodrigues, 24, do Crato (CE), formado em jornalismo pela federal do RS.
 

Ricardo Nunes Viel,
27, de Osasco, formado em direito pela universidade do Vale do Itajaí
 

Ricardo Sangiovanni,
23, de Salvador, formado em jornalismo pela UFBA
 

Talita Bedinelli, 
25, de São Paulo, formada em jornalismo pela Cásper e em sociais pela USP.
 
Taniele Cristina Rui, 24, de Bebedouro, faz doutorado em atropologia na Unicamp.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h04

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Uma história, vários lides

Uma história, vários lides

O exercício de ontem é legal para mostrar algumas coisas:

1. Nem sempre o fato mais novo é mais notícia. O mais recente é que ela foi solta, certo? Mas a notícia mesmo é ela ter ficado quatro dias presa injustamente. Pior, por um erro de digitação, algo banal, pura falta de cuidado. [é verdade, como notou o Paulinho, que a história tem furos, mas vamos partir apenas do que tínhamos na mão, OK?]

2. Há várias maneiras de fazer um lide partindo das mesmas informações:

  • pirâmide invertida (do mais importante para o menos importante), como o do João Paulo, de Juiz de Fora:  "Um erro de digitação levou a sapateira Isabel Cristina Soares da Silva à prisão, acusada pela morte de um homem. O RG dela foi digitado por engano, o que fez com que Isabel fosse identificada como autora do crime. A mulher foi algemada na frente das filhas, de 10 e 14 anos, no dia 23, em sua casa, na cidade de Franca. Ela ficou quatro dias em uma cela com outras detentas, sem comer ou dormir. "Minha vida acabou!", desabafou ela ontem. O verdadeiro autor do crime, irmão da vítima, está foragido".
  • pirâmide invertida na ordem direta (sujeito, verbo, predicado, motivo principal), como o da Natalie, de São Paulo: "A sapateira Isabel Cristina Soares da Silva, 35, ficou presa durante quatro dias por engano, sob acusação de homicídio. Ela foi detida no dia 23, em sua casa no Jardim Panorama, em Franca (a 400 km de São Paulo). Segundo os advogados dela, houve um erro de digitação no RG do verdadeiro suspeito do crime. O delegado seccional de Franca, Maury Segui, admite ter havido erro na expedição do mandato de prisão".
  • pirâmide invertida com o que os americanos chamam de "identificação tardia", ou seja, como a pessoa não é importante, o nome dela não precisa vir logo de cara, como o da Rachel, de Ribeirão: "Mulher foi presa no dia 23 em Franca (a 400 km de SP) injustamente e passa 4 dias na cadeia por erro de digitação".
  • pirâmide invertida só com o essencial (é mais um título, na verdade), do Paulinho: "Mulher passa quatro dias na cadeia, por erro de digitação".
  • aspas, do Paulo, de Campinas:  "Minha vida acabou." A sapateira Isabel Cristina Soares da Silva, 35, foi presa no último dia 23 de agosto, em Franca (a 400 km de SP), porque seu número de RG foi confundido com o do irmão, acusado de ter matado um homem em São Paulo. Algemada na frente das duas filhas (10 e 14 anos), Isabel ficou presa por quatro dias em uma cela comum sem comer e dormir.

Nenhum deles é mais certo. Só têm efeitos diferentes.

Devolvendo o exercício para todos os leitores, mesmo os que não mandaram sugestões: qual vocês preferem? Por quê?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h50

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PERIGO ALI DO LADO

A Paula, de Porto Alegre, escreve:

Ana, estou lendo o livro do Percival de Souza sobre o caso Tim Lopes. Você pode escrever sobre como isso? Como os jornalistas investigativos podem se proteger?

Paula, o maior perigo que passei como repórter foi ter que entrevistar certo político, de quem não vou dizer o nome, mas cuja fama de ladrão era de dar medo.

Fui consultar então quem entende do negócio: o representante no Brasil do Insi (Instituto Internacional de Segurança dos Jornalistas), Marcelo Moreira. 

Marcelo é também coordenador dos telejornais da Rede Globo e um dos responsáveis por pensar na segurança dos jornalistas da emissora.

Desde 2002, quando morreu nosso querido Tim Lopes, a forma de encarar matérias investigativas e que envolvam risco amadureceu muito. Podemos dizer que há uma história antes e depois do Tim Lopes. Os veículos de comunicação passaram a se preocupar muito mais nos riscos que uma reportagem pode trazer. Historicamente vários tipos de cobertura sempre ofereceram algum tipo de risco. Guerras, coberturas de máfias, conflitos raciais...

Esta preocupação levou a Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) a criar a International News Safety Institute (INSI). Esta instituição não-governamental é sustentada pelas empresas jornalísticas e se dedica a cuidar da segurança de jornalistas que atuam em áreas de risco em todo o mundo. Embora muitos jornalistas sejam vitimizados em coberturas no exterior, como na guerra do Iraque, é em casa, fazendo coberturas em suas próprias cidades que a maioria acaba sendo assassinada.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e algumas empresas jornalisticas brasileiras já são membros da INSI. Desde o ano passado, eu faço parte do conselho consultivo da instituição.

O nosso maior avanço até agora foi no ano passado. A INSI realizou no Rio de Janeiro e em São Paulo, dois treinamentos de segurança para jornalistas em áreas de risco. No total, mais de 100 jornalistas de rádio, televisão e jornal foram treinados. Eles tiveram noções de primeiros socorros, como se comportar em meio a um tiroteio, seqüestro e dicas de como planejar com segurança uma investigação que envolva risco.

Técnicas modernas, com a utilização de equipamentos de alta tecnologia de segurança hoje já são utilizados e além disso se discute a criação de códigos de conduta dentro das redações. No mundo poucas empresas possuem este código. A inglesa BBC é uma delas.

Enfim, tudo isso pode diminuir o risco, mas nunca o trabalho jornalístico será 100% seguro. É importante se criar a consciência de que uma imagem ou uma fotografia jamais pode custar uma vida. O risco desnecessário deve ser condenado sempre. Mas nem por isso, o jornalista deve deixar de lado sua missão principal que é a de informar bem o seu público.

Este ano teremos mais um treinamento de segurança no Rio de Janeiro. Com o tempo, novas empresas deverão se associar a INSI e com isso estaremos avançando um pouco mais na questão da segurança. Mas temos ainda muita estrada pela frente.

O Insi, que o Marcelo representa, tem uma lista de recomendações básicas de segurança e, quando ocorre algo grande, como o terremoto no Peru, faz recomendações específicas.

Em 1999, o repórter Daniel Santoro deu na Fundação para o Desenvolvimento do Jornalismo Iberoamericano uma oficina sobre investigação. No site da FNPI há um relatório sobre o curso que recomendo para todo mundo que se interessa pela prática da investigação jornalística. No relatório há uma lista de recomendações feitas por Santoro.

É importante lembrar que não há regras que funcionem para toda pauta e todo lugar.

Se tiver que cobrir regularmente um local perigoso, dedique-se a conhecê-lo bem de todas as formas: a geografia, a topologia, o jogo de poder, as pessoas. Conheça pessoas que possam ajudá-la se estiver em perigo. E não se exponha se não estiver segura. Nenhum jornalista é obrigado a pôr a vida em risco.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h35

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Água

Água

Minha leitora Natalie está fazendo o curso da News-U sobre água e escreve para contar o que está achando:

É muito bem organizado, começa do básico (quanta água potável realmente existe no mundo), dá o contexto técnico do abastecimento (como por exemplo e quais são as bacias e a quais regiões elas servem, como chegam a essas regiões, quantas milhas essa água percorre de um ponto até outro etc.), sempre com o viés do jornalismo, do tipo de perguntas que um jornalista deve fazer pensando no interesse da sociedade.

É muito didático, tem mapas, infográficos, exercícios (com correção em tempo real) exemplos de matérias e, apesar de tratar apenas da realidade dos EUA, me fez pensar em muitas coisas aplicáveis à nossa realidade.

Por exemplo: Por quanto tempo as bacias que nos abastecem serão suficientes? A construção de uma hidrelétrica poderá trazer conseqüências ao abastecimento de uma região? E daqui a 20, 30 anos? Ainda estou mo meio do curso, mas recomendo porque ajuda a desenvolver um raciocínio jornalístico a partir de informações técnicas, pensando em médio prazo.

Só pra lembrar, o curso é gratuito e permanente: você faz quando tem tempo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h45

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GESTOS OBSCENOS

COMO FOI O CASO REAL

Aconteceu de verdade no Estado americano de Iowa.

Os garotos do time de futebol de um colégio fizeram o gesto. Foram suspensos. O jornal da cidade noticiou. Alterou a foto. E um jornal do Nebraska finalmente noticiou tudo: gesto, suspensão, publicação pelo jornal e foto alterada, com direito a entrevista com a editora para explicar por que fez isso.

O jornal não mostra, mas descreve o gesto no texto: "The gesture, involving the middle, index and pinky fingers, goes by various names including "the shocker" when the connotation is sexual in nature". A foto, mesmo borrada, dá a entender:

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h28

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No Rio

No Rio

A Roberta, do Rio, avisa: "Estão abertas as inscrições dos Cursos Livres de Jornalismo da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Os preços são acessíveis (de R$ 100 a R$ 300)".

MERCADO DE CAPITAIS - guia on-line

A Natalie manda o  link para um "manual" da Bovespa que pode ajudar quem não entende nada de ações. É básico, bem básico, mas é
leitura didática e permite fazer exercícos para testar conhecimentos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h59

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Qual é o lide?

Qual é o lide?

Que lide vocês fariam para uma matéria com as informações abaixo?

A sapateira Isabel Cristina Soares da Silva, 35, foi presa no dia 23 em sua casa, no Jardim Panorama, em Franca (a 400 km de SP).
No dia da prisão, Isabel foi algemada na frente das filhas, de 10 e 14 anos, e levada para a Cadeia de Batatais (a 353 km de SP).
Isabel foi acusada pela morte de um homem em São Paulo.
Isabel ficou quatro dias numa cela com outras mulheres. Nesse tempo, não conseguiu comer nem dormir.
No dia 26, às 21h30, Isabel foi solta.
"Minha vida acabou!", desabafou ela ontem.
Isabel diz ter descoberto que havia algo de errado com sua identidade há cerca de 40 dias, quando foi renovar sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação). "Me disseram para procurar um advogado."
Assustada, disse ter aceito a sugestão. "Cinco dias antes de eu ser presa descobri que se tratava de um pedido de prisão por homicídio em meu nome. O problema é que não deu tempo de resolver a situação."
Segundo seus advogados, o que a levou à cadeia foi um erro de digitação do número do RG do autor do crime, que é irmão da vítima e está foragido.
O delegado seccional de Franca, Maury Segui, admite ter havido um erro na expedição do mandado de prisão e informou que um inquérito para investigar o caso será aberto.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h16

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha de S.Paulo. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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