Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

A SINUCA DE UM COLEGA

A FONTE FOI DEMITIDA POR MINHA CAUSA

(FOI?)

Um colega nosso conta esta história:

Estou vivenciando um problema no trabalho e queria saber se alguém passou por algo parecido.

Há 2 meses, uma rede de farmácias da cidade foi assaltada por uma quadrilha especializada. O jornal me mandou até o local para fazer a cobertura.

Os funcionários foram arredios e não deram nenhuma informação, o que já era esperado. O pouco que consegui foi com um segurança que não quis se identificar.

Pela pouca quantidade de informações, a apuração rendeu apenas uma notinha na edição do dia seguinte. Vale dizer que na nota foi colocado que "um funcionário que não quis se identificar disse que foi o quarto roubo em cinco dias".

Ou seja, não identifiquei --e nem os colegas-- o nome da fonte e muito menos que se tratava de um vigilante, a pedido dele, claro.

Na semana passada, o segurança, pai de dois filhos, veio até a Redação dizendo que a supervisora da loja o viu conversando comigo e com outros e que agora ele estava sendo demitido por "expor a fragilidade da loja".

E agora? O que fazer numa situação dessas? Estou tentando falar com a supervisora há dias, mas até agora nada. Enquanto isso o segurança vive o pesadelo de ficar sem emprego.

O caso é muito rico, dá para falar sobre vários aspectos de apuração e edição. Vou pensar melhor sobre eles antes de escrever.

Mas uma coisa eu posso dizer já: o repórter não é responsável pela demissão e não deve se envolver pessoalmente com o caso.

Por mais aflitivo que seja ver um pai de dois filhos supostamente demitido por causa de uma reportagem que fizemos, é preciso perceber que:

  • o segurança não foi obrigado nem pressionado a falar
  • o repórter manteve o anonimato prometido
  • a informação obtida "off the records" era relevante para a matéria

Outros dois motivos secundários para que o repórter não se envolva pessoalmente são:

  • outros jornais publicaram a notícia
  • não temos certeza sobre o motivo da demissão

Nosso trabalho afeta muita gente todos os dias. É bom estar consciente disso. Mesmo as menores notas, as mais banais, podem prejudicar alguém. O repórter que sabe disso toma mais cuidado com o que apura e com o que escreve.

Mas o critério decisivo tem que levar em conta a informação relevante para o leitor. O compromisso dele do repórter é esse.

Enquanto eu penso sobre os outros pontos, repito a pergunta do colega: alguém já passou por situação semelhante?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h25

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Origens diferentes, dúvidas iguais

Duas leitoras me escreveram no mês passado. Uma é economista, a outra advogada. Mas elas têm a mesma questão:

A advogada - Não concordo com muita coisa que acontece no meu trabalho e gosto de jornalismo. É possível trabalhar sem diploma? O que posso fazer para mudar de área?

A economista - Quero mudar de área. Jornalismo era minha escolha inicial, aliás. Sei que é difícil ingressar, há muita reserva de mercado, mas gostaria de saber: é possível trabalhar como jornalista sem ter que fazer a graduação em jornalismo? Que cursos eu poderia procurar que me
habilitassem ao exercício da profissão? Que canais posso utilizar para procurar trabalho na área sem o curso de jornalismo?

A resposta para as duas também é igual: é possível mudar de área, claro. Conheço vários que fizeram isso.

Como as duas não têm experiência em jornalismo, pode ser um pouco mais difícil no começo. Editores que não as conhecem verão a falta de experiência no currículo e podem ficar inseguros de passar uma pauta para uma economista ou uma advogada, mesmo que sejam superinteligentes, competentes e escrevam bem.

Elas teriam mais chances de conseguir fazer free-lancers em jornais e revistas especializados, onde o conhecimento específico será mais valorizado.

Os programas de treinamento são uma ótima forma de alguém de outra área descobrir se realmente gosta de jornalismo (foi o que aconteceu comigo). Mas, infelizmente, o único ao qual se pode concorrer é o da Folha, por enquanto. Para os demais, é preciso fazer antes a faculdade de jornalismo.

Fazer o curso, aliás, é uma outra maneira de entrar em contato com a profissão e "sentir o pulso". Pode ser tanto numa graduação quanto num curso de especialização --há vários, de durações, temas e complexidades diferentes.

Acho interessante esse primeiro contato, porque muitas vezes de fora não vemos no jornalismo problemas que são comuns a todas as profissões: rotina, injustiças, erros, falta de estrutura etc.

OUTROS POSTS SOBRE O ASSUNTO
o nome da faculdade importa?
quero mudar de área

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h32

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O filme da vez

Estreou esta semana nos EUA mais um filme sobre jornalistas inescrupulosos.

"Mais um" seria um indício de que nem é mais notícia. Mas este, "Ressurrecting the Champ", caiu como uma bomba sobre as Redações americanas, que se preocupam com o prestígio cada vez menor do jornalismo.
 
Leiam o artigo do "Los Angeles Times" a respeito, e trechos de resenhas em dúzias de veículos.
 
Na obra, um jornalista "fabrica" um ex-campeão de boxe. Muito, muito de longe, me fez lembrar um clássico em que um ex-jogador de beisebol é transformado em falso ídolo popular (mas por outros motivos, com um pano de fundo bem mais crítico, em outro contexto).
 
É "Meu Adorável Vagabundo" (Meet John Doe), de Frank Capra. Existe no Brasil.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h36

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PARA ESTUDANTES

A Andi (Agência Nacional dos Direitos da Infância) recebe até o dia 5 de setembro inscrições para o Concurso de Monografias, Dissertações e Teses. A iniciativa vai premiar trabalhos que tenham como foco a relação entre a comunicação e a agenda social brasileira, defendidos em graduação, mestrado ou doutorado, com prêmios em dinheiro para cada categoria.

Pré-inscrição on-line: www.informacao.andi.org.br.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h24

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BLOG DAY

A Emi, de Vitória da Conquista, avisa que hoje é o "Blog Day".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h10

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QUANTOS PALMEIRENSES VALE UM SÃO-PAULINO?

O exercício ficou lá para trás, então comento num novo post, pra facilitar nossa vida.

No primeiro caso, eu diria o seguinte:

Quando chegarem ao estádio, palmeirenses estarão vencendo são-paulinos de goleada: para cada torcedor adversário haverá no Parque Antarctica nove torcedores da casa.

Já no fim do jogo, a vantagem terá se invertido: com todos saindo ao mesmo tempo, um são-paulino terá no mínimo o dobro do conforto de um palmeirense. São dois portões disponíveis para os visitantes, só um para os da casa.

Quanto mais para trás estiver o torcedor do Palmeiras, mais prejudicado será. Se fossem grãos de areia numa ampulheta, a última pedrinha são-paulina cairia fora do funil dez minutos depois de terminada a partida. Já a palmeirense, numa massa maior e mais represada, só sairia 35 minutos após todos os oponentes terem deixado o estádio.

O segundo caso é mais difícil e mais chato. O que mais me chama a atenção é o número de funcionários. Por isso eu diria o seguinte: cada gabinete de vereador terá mais trabalhadores que 93,2% das empresas brasileiras. Não é chocante?

E, para dar uma boa visão disso, faria uma arte tentando colocar os 18+2+4 funcionários permitidos, mais o próprio vereador, num espaço de 85 m2 --que é quanto mede o gabinete.

Claro que só cheguei nesses exemplos depois de pesquisar quantos funcionários têm as microempresas e quanto elas representam no total do país. Na imagem da ampulheta, precisei estimar a vazão do portão e fazer cálculos.

Já dava para perceber, pelas poucas respostas de vocês, o que eu quero dizer: fazer uma comparação legal, que enriqueça o texto e acrescente sentido, dá trabalho. Não é algo que se faça no calor do fechamento. Mas pode valer a pena nos casos especiais.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h05

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TEXTOS

TEXTOS

A professora Doralice lançou seu blog no jornal "Gazeta do Povo", do Paraná. Endereço certo para estudantes (e outros) a fim de melhorar a escrita.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h15

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PARA ACOMPANHAR

Está em dúvida sobre os rumos do jornalismo?

Se interessa por esse assunto?

Então acompanhe a sina deste novo jornal on-line, sem fins lucrativos, que acaba de ser lançado nos EUA.

O projeto é ser local, feito por jornalistas de renome, e com muito espaço para discutir notícias com leitores e explicar como elas foram feitas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h07

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GESTOS OBSCENOS

GESTOS OBSCENOS

O que você faz?

Uma faculdade da sua cidade suspende três alunos porque, na foto oficial do time de futebol, eles aparecem fazendo gestos obscenos.

É uma boa história. Vale contar. Mas você publica a foto?

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h54

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REPÓRTER É OUVIDO DO LEITOR

REPÓRTER É OUVIDO DO LEITOR

A Vanessa, de São Gonçalo, fez uma pergunta sobre a matéria da Vera que foi furo ontem:

Ana, Uma dúvida de estudante mesmo. A conversa foi gravada? Digo, a repórter gravou aquilo que ouviu do Ministro ou usou a "técnica do elefante"? No caso de não ter gravado (o que eu acho mais provável visto que deveria estar ouvindo a conversa escondida), o ministro não pode questionar o teor da conversa? Ele não pode simplesmente afirmar que essa conversa não existiu ou não foi bem assim e, dessa forma, a repórter não teria como provar o contrário? Como é possível contextualizar uma conversa que só ouvimos apenas um interlocutor? No trecho "Ontem, na conversa de cerca de dez minutos com Marcelo, opinou que a decisão da Corte poderia ter sido diferente, não fosse a exposição dos diálogos. "Você não tenha dúvida"... ele [o ministro] poderia estar se referindo a outra coisa. E mais uma vez teríamos que confiar apenas no que a repórter escutou. São apenas questionamentos que me fiz quando li a matéria. 

Vanessa, não tenha medo de fazer perguntas. Mesmo que seja iniciante. O bom repórter tem dúvidas. Faz perguntas até resolvê-las.

Como não tinha as respostas, fui perguntar à pessoa mais indicada, a própria Vera: 

Novo em Folha - Quando começou a ouvir a conversa, anotou ou gravou?

Vera Magalhães - Como o ministro falava no celular bem próximo à minha mesa, não quis anotar para não chamar a atenção, muito menos gravar.

NF - E em que momento anotou? Logo depois? Mais tarde?

VM - Assim que ele voltou para o interior do restaurante, peguei o bloco na bolsa e anotei as frases de cuja integralidade tinha certeza. Depois, fiz várias incursões ao interior do restaurante para checar os detalhes descritivos da reportagem: o que comeu, o que bebeu, preços, DVDs do telão etc.

NF - A possibilidade de ele negar a conversa te preocupou?

VM - Sim. Por isso me preocupei em ser o mais detalhista possível e descartei as frases sobre as quais não tinha certeza absoluta. O jornal, mesmo sabendo do risco da negativa, decidiu publicar.

NF - O ombudsman sugeriu hoje que o Lewandowski tivesse sido ouvido no próprio restaurante ou no dia seguinte. Você chegou a pensar nisso?

VM - Achei que a reportagem era descritiva de algo que eu testemunhei, sem intermediação. Já havia exemplo de reportagens similares publicadas pela própria Folha. O jornal decidiu que a repercussão deveria ser feita no dia seguinte.

NF - Você ligou para o ministro depois da reportagem publicada? Como foi a conversa?

VM - Hoje pela manhã, foi a primeira coisa que fiz. Pedi uma entrevista formal sobre o tema, que foi concedida e será publicada amanhã. [foi publicada hoje, sexta, 31/8. Leia aqui.]

NF - Como foi o seu dia hoje depois desse furo?

VM - Gratificante, porque o grande objetivo de todo jornalista é o furo. E de muito trabalho, pois houve muita repercussão das declarações do ministro.

ALGUMAS LIÇÕES DESSA HISTÓRIA

A primeira já vimos ontem: ouvidos e olhos abertos. Pessoa pública em local público é notícia em potencial.

O repórter pode bancar o que testemunhou. Hoje em dia são tão comuns matérias declarativas que a gente se esquece de que o papel do repórter é ir lá e verificar por si mesmo. Ele é o enviado especial do leitor. Se o repórter viu, não precisa de ninguém falando pra confirmar a informação.

Textos de reportagens devem mostrar que o repórter estava lá. Devem trazer os detalhes que ele pôde recolher porque esteve presente. A observação cuidadosa é uma das pernas da apuração --junto com pesquisa, entrevista e documentação.

Descrição minuciosa dá veracidade ao relato. Quem mostra isso muito bem é Gabriel García Márquez, em "Relato de Um Náufrago" --se você ainda não leu, não perca.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h45

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A TÉCNICA DO CHUPA-BOI

Como chamei de "técnica do elefante" o uso da memória, tentava descobrir que bicho tem a melhor audição para batizar o novo post.

Antes acabei dando com esta lenda do "chupa-boi". Nome imbatível. Fica esse, então.


É para lembrar que o repórter tem que estar de ouvidos espertos, como fez minha colega VERA MAGALHÃES na reportagem que rendeu a manchete de hoje da Folha. [o texto dela é aberto para assinantes do UOL e FSP, mas você pode conhecer o caso aqui.]

Leia o comentário na crítica diária do MARIO MAGALHÃES --como sempre, ele diz antes e melhor tudo o que eu teria a dizer. 

Como o blog se ocupa de exemplos, exercícios e dicas, fica esta: está jantando e chegou alguém conhecido? Ligue os olhos e os ouvidos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h22

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Ciência

Ciência

O Instituto de Geociências da USP e a Sociedade Brasileira de Céticos e Racionalistas fazem dia 18/9 a 1ª Jornada em Defesa do Pensamento Científico.

Entre as palestras, o jornalista Ulisses Capozzoli, da Astronomy Brasil, fala sobre sensacionalismo e jornalismo científico.

OLIMPÍADA E OUTROS EVENTOS

O Sesc e a USP fazem em setembro um seminário sobre megaeventos esportivos, legado e responsabilidade social.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h08

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BUSCADOR DE VÍDEOS

A dica é do Al Tompkinstruveo.com.

O novo buscador de vídeo foi analisado pelo Wall Street Journal e pela PCWorld.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h19

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SOBRE ENTREVISTA

SOBRE ENTREVISTA

Meu colega VIVALDO DE SOUZA, professor da UniCEUB, recomenda dois livros sobre entrevista:
 
"La entrevista en radio, television y prensa", de Armand Balsebre (Catedra Madrid)
"Por trás da entrevista", de Carla Mahlhaus (editora Record)

OUTROS POSTS
Que pergunta você faz?
Leitura de férias
Pingue-pongue

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h33

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MAIS POESIA

Meu leitor Thiago chamou minha atenção para novo lide poético do repórter MÁRVIO DOS ANJOS (que foi meu trainee e aqui aparece, de camiseta verde, na foto da sua turma).

Márvio, que além de jornalista é poeta, blogueiro, cantor lírico, bailarino e vocalista do Cabaret (ex-Glamourama), já serviu de exemplo aqui, com um texto sobre a brava Portuguesa.

Segue então a nova obra, para alegria do meu leitor são-paulino (que, espero, não passará desta noite... ):

São Paulo "entorpece" Náutico e goleia
Pela primeira vez neste Brasileiro, atual líder vence marcando mais de três gols; defesa, pela 14ª vez, passa incólume

No Nacional, o líder São Paulo "impõe com seu jogo o ritmo do chumbo (e o peso) da lesma, da câmara lenta, do homem dentro do pesadelo. Ritmo líquido se infiltrando no adversário, grosso, de dentro, impondo-lhe o que ele deseja, mandando nele, apodrecendo-o".

Os versos são do pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), que não era torcedor do Náutico, mas do Santa Cruz. Foram dedicados a Ademir da Guia, ídolo histórico do Palmeiras, o rival do São Paulo na próxima quarta. Explicam com perfeição a campanha do time do Morumbi, que ontem venceu os conterrâneos do poeta num 5 a 0 improvável.

Com um futebol hipnótico, por vezes sonolento, sólido na defesa, quase italiano no conceito, o time não se afoba. Move-se no campo como que se tivesse pouco interesse pelo gol, que parece prever. Não tem a avidez e o brilho das máquinas goleadoras. Irrita a torcida, que jamais verá na paciência uma virtude. Mas ganha.

(O texto completo pode ser lido on-line por quem assina UOL ou FSP)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h11

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A tentação da piada

Uma ex-trainee me mostra esta capa de hoje do "Correio Braziliense":

Sob o título "Quadrilha", vem este poeminha:

(Adaptação de poema de Carlos Drummond de Andrade)

Dirceu mandava em Delúbio
que tramava com Valério
que pagava Valdemar
que foi denunciado por Jefferson
que incriminou Genoino
que não entregou ninguém.
Dirceu foi para a planície,
Delúbio para a fazenda,
Valério mudou o penteado,
Jefferson ficou sem mandato,
Genoino perdeu a pose, e
O STF, que não estava na história,
pôs todos no banco dos réus

A idéia é criativa, mas o processo mal começou. Ninguém foi julgado, muito menos condenado.

Há momentos em que, por mais genial que seja a piada, é melhor perdê-la.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h09

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Censura

Quando estudavam jornalismo no Mackenzie, em São Paulo, André Rocha, Gabriel Pelosi e Lucas Mota escolheram como tema do trabalho de graduação os efeitos da censura na produção musical durante o regime militar.

O resultado virou um site com documentos, entrevistas, legislação, indicações de livros e links etc. (Se ficar tudo marrom no começo, aguardem alguns minutos que logo clareia)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h45

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QUANTO É ISSO?

QUANTO É ISSO?

No dia em que a Al Qaeda atacou as Torres Gêmeas, falava-se em até 10 mil mortos (só dias depois chegou-se ao número real, 2.750).

Queríamos dar a dimensão do desastre. Usamos esta frase: "Não há números oficiais, mas policiais ouvidos pela Folha falam em 10 mil mortos, um sexto de todos os americanos vitimados pela Guerra do Vietnã (1961-1975)".

Já conversamos aqui sobre a importância de contextualizar um número, de compará-lo com algo para que ele faça mais sentido. E é sempre melhor quando a analogia casa bem com a informação.

No exemplo acima, faz mais sentido comparar com as mortes num dos principais conflitos bélicos do século 20 do que dizer, por exemplo, que esse número de pessoas daria para lotar 230 ônibus.

O exercício é portanto de analogia e contexto. Que comparações você faria nestes dois trechos do jornal de hoje? Como é mais trabalhoso, comento só na sexta, para dar tempo de vocês pensarem.

1) Por pedido da PM, 18 mil palmeirenses entrarão por um portão na rua Turiassu -o acesso da Francisco Matarazzo estará fechado.
Terão de entrar por um portão seguido de uma escada e por passagem por debaixo da sede social. Em seguida, entram em corredor mais estreito, em volta do campo, até chegarem a seus lugares. (...) No lado da torcida do São Paulo, as 2.000 pessoas só terão dois acessos às arquibancadas.

2) A Câmara vai contratar estagiários para vereadores. Cada um terá direito a quatro estagiários, que não precisarão dar expediente na Casa. Quando todos os cargos estiverem preenchidos, serão 234 novas vagas, com despesa anual de R$ 2,7 milhões.

[Informações complementares/números da Câmara (não precisa usar na comparação, só se achar relevante) - 55 vereadores, 85 estagiários de nível superior, 81 de nível médio. Salário do vereador = R$ 7.155, Despesa por estagiário de nível superior = R$ 1.105. Com os de nível médio = R$ 866. Orçamento de 2007 para folha de pagamento de funcionários da ativa = R$ 125 milhões com o pessoal da ativa. Orçamento total = R$ 270 milhões. Total de funcionários = 1.500. Funcionários permitidos por vereador - até 18 assessores, que ganham até R$ 6.700, mais dois funcionários de órgãos públicos. Espaço médio de um gabinete de vereador = 85m2]

COMENTÁRIO NA NOITE DE QUARTA

Ué, ninguém vai arriscar? Está difícil demais? Ou vocês estão com preguiça?

Minha sugestão está em outro post.

OUTROS POSTS SOBRE DIMENSÕES E QUANTIDADES
Isso é muito?
Kelly Key está gorda?
Exercício

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h50

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Mexeram no seu texto? Aproveite.

A Natália, de Ponta Grossa, está no segundo ano de jornalismo.

Sua escola tem um jornal laboratório mensal voltado para a comunidade do local.

Ela conta que a professora chega a reescrever totalmente o nosso texto, "inclusive colocando em um texto paragráfos de outro, de outro autor".

"Isso é certo? Não seria melhor pedir para que nós escrevêssemos de novo até melhorar?"

Natália, errado não é. O que a professora está fazendo é o que chamamos de edição. Se há dois textos sobre assuntos correlatos e faz sentido juntar as informações, o leitor sai ganhando (desde que os dois autores ganhem crédito, claro).

A questão é que vocês, alunos, poderiam --e deveriam-- sair ganhando também. E, para isso, o ideal é mesmo que a tarefa de reescrever seja de vocês, não da professora.

É assim que se aprende: refazendo, refazendo, refazendo até ficar bom. Todo jornalista da época da máquina de escrever terá histórias pra contar do editor que pegava sua lauda e jogava no lixo, até sem ler. Não uma, mas várias vezes. "Nenhum texto fica bom na primeira versão" é frase clássica desses editores antigos.

Hoje em dia, num jornal diário, editores reescrevem textos com freqüência, porque:

  • não há tempo para explicar e esperar que o repórter refaça
  • alguns não têm paciência para ensinar
  • muitos não se sentem à vontade para criticar e mostrar problemas

Isso é justificativa num jornal (onde quem importa mesmo é o leitor), mas não faz sentido na faculdade (onde o aluno vem em primeiro lugar).

Se o produto de vocês é mensal, tempo não é problema. Paciência também não deve ser, pois é qualidade básica de um professor. Talvez a sua tenha pudores de criticar o texto ou ache que está facilitando a vida de vocês.

É caso para uma conversa. No mínimo, peça para ficar do lado dela quando o texto é reescrito, para que ela vá explicando o raciocínio. Mas o ideal é que você mesmo faça. Tente assim: "Notei que o texto fica muito melhor quando você reescreve. Posso tentar fazer eu mesma para ver se acerto?".

Ah, e esteja preparada. Se ela topar, você tem que aceitar as críticas com serenidade, sem se sentir pessoalmente afetada por elas.

A professora Doralice escreveu no seu blog sobre reescrita e sugere a leitura: Por que os professores não adotam a reescritura como uma estratégia para rever as inadequações? (clique neste post e baixe um pouco a tela para achar)

Curso ensina a melhorar texto reescrevendo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h30

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ISSO EXISTE OU É UMA CONTRADIÇÃO?

ISSO EXISTE OU É UMA CONTRADIÇÃO?

O Comunique-se e profissionais do canal Multishow organizaram um curso cujo título é "jornalismo de entretenimento".

Confesso que é difícil para mim conceber que as duas palavras possam ser assim combinadas. Será que é preconceito?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h57

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A EPIDEMIA DOS ARREPENDIDOS

O caso parece realmente sério.

Agora foi o "editor público" (espécie de ombudsman) do "New York Times" que tratou dos arquivos digitais e seus efeitos colaterais, na coluna de domingo. [Não, ele não leu o NovoemFolha, nem ouviu meu podcast . Quando muita gente começa a tratar de um assunto, é porque aí tem pauta. Agarre-a antes que alguém perceba primeiro.]

E consultou o Poynter, que acaba de lançar um texto com as questões que nós, jornalistas, deveríamos nos fazer a respeito.

Outros casos de arrependidos e que cuidados podemos tomar

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h11

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LENÇOS DE PAPEL

LENÇOS DE PAPEL

A Paula, de Curitiba, incomodou-se com um texto sobre doentes enterrados vivos em Papua-Nova Guiné:

Assim que comecei a ler a matéria, lembrei dos seus exercícios sobre parágrafo. Não sei se estou certa, mas me parece que o texto tem parágrafos demais --senti que a leitura ficou totalmente "quebrada". Será que isso é descuido ou uma opção do autor mesmo? Gostaria que você comentasse.

Paula, o texto tem os dois problemas: parágrafos demais e estrutura "quebrada". Nem sempre um é decorrência do outro. No caso deste texto, a leitura está quebrada por dois motivos: 1) frases sobre uma mesma coisa foram separadas indevidamente; 2) a ordem das informações está truncada, não flui, uma informação não engata na outra.

Adoro a imagem que Ricardo Noblat usa no livro "A Arte de Fazer um Jornal Diário": é como uma caixa de lenços de papel. Você puxa um e o seguinte segue suavemente atrás. Um traz o outro, sem trancos nem solavancos.

É exatamente assim que o texto precisa ser. Um parágrafo conduz o leitor para o parágrafo seguinte, suavemente.

Minha proposta de exercícios para vocês é: reescrevam o texto tentando reordenar as informações. Tentem construir um texto em que a estrutura seja fluente.

Minha proposta está neste link, mas não leia antes de tentar a sua, senão perde a graça.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h42

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TÉCNICA DE ELEFANTE

Tarde de quinta, estou trabalhando numa salinha isolada quando entra o repórter Kennedy Alencar, de Brasília.

Chega de um almoço com fontes.

Senta à mesa ao lado, dá dois ou três telefonemas, luta um pouco contra o computador que não quer ligar e, quando liga, não funciona. Combina uma matéria com o editor e começa a escrever.
Quarenta minutos depois ele comenta, assim como não quer nada: “Pronto. Duas matérias escritas, missão cumprida”.
-- Como assim, cara!? Duas matérias? Você é muito rápido!
-- É que fui operador de telex de um banco em São Paulo, mandava ordem de pagamento para o Brasil todo, uma pilha assim, ó (mostra com as mãos o tamanho, mais ou menos 15 centímetros de pilha). Aí fiz curso de datilografia, aprendi a digitar rápido.
-- Ah, mas não é isso, é porque você já pensou na matéria antes de escrever.
-- Isso também.
-- Como é que você faz? Veio pensando no táxi?
-- É. Quase não anoto, olha, só fiz duas anotações (me mostra o bloquinho). Vou fazendo a matéria na cabeça.
-- Mas você guarda tudo na memória?
-- Guardo. Porque, se você abre o bloquinho, já inibe o cara, ele já pára pra pensar no que vai dizer. Já pede ‘ah, isso não publica, não’. Sem o bloquinho, ele não pensa que você está fazendo matéria.
-- Mas nesse almoço ele sabia que você poderia publicar depois, não?
-- Sabia, mas, sem o bloquinho, a auto-censura cai.
-- Conta melhor, então, você foi bancário?
-- Quando tinha 16 anos. Tinha acabado de chegar a São Paulo (vindo de Minas). Fazia colegial no São Bento e trabalhava no Banco Mercantil do Brasil.
-- E como foi parar no jornalismo?
-- Fazia colegial de biológicas. Eu queria ser médico! Aí um amigo do banco que estudava jornalismo foi me convencendo a mudar.
-- Você fez faculdade?
-- Fiz a Metodista, e direito na PUC.
-- Fez as duas até o fim?
-- Fiz. Fiz os cinco anos e todas as matérias de direito. Já tinha feito EPB na metodista, mas o professor não quis aceitar como crédito. Eu me desentendi com o cara e não colei grau por causa disso. Já estava trabalhando na Folha, queria ser jornalista e já tinha decidido que não seguiria carreira em direito. Portanto, não sou bacharel em direito, apesar de ter feito todas as matérias da área.
-- Mas nunca pensou em trabalhar com direito?
-- Ah, não. Achava o jeitão do pessoal muito sério, muito formal. Não me dava com isso, não.
-- Mas você achou que ter feito direito ajudou no jornalismo?
-- Com certeza. Direito constitucional, por exemplo, ajudou muito. E também fiz fontes. Michel Temer, por exemplo, era meu professor.
Pra testar o método do Kennedy, guardei toda a conversa que tive com ele na cabeça e escrevi correndo, assim que ele saiu da sala.
Passei pra ele ler. Deu certo. Nenhum erro. Aproveito que ele está de novo aqui do meu lado e ponho aí a história pra vocês.
 
MAS NÃO VALE PRA TODO MUNDO
 
Nem preciso dizer que essa técnica de não gravar nem anotar para deixar a fonte à vontade vale em situações excepcionais. Matérias de bastidores, como a daquela quinta, é uma delas. O próprio Kennedy alerta para isso.
 
No feijão com arroz, o ideal é se garantir: gravar sempre que possível, mas fazer a reportagem a partir das anotações --porque em jornal diário não há tempo para ficar ouvindo fita.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h12

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LABORATÓRIO, MAS LEVADO A SÉRIO

Sua faculdade deve ter um jornal laboratório. Que tipo de apoio ele tem?

Há professores responsáveis? Eles orientam os trabalhos? Discutem as pautas? Lêem todos os textos, analisam, sugerem melhorias? Editam? Criticam a edição?

Os prazos são cobrados? São respeitados? O que acontece quando os alunos não entregam a tarefa no dia certo?

O jornal tem uma ambição? Serve a uma comunidade? Ou é só café-com-leite, para constar do currículo?

Neste ano, alunos da Universidade do Texas ganharam um prêmio da principal entidade de investigação jornalística dos EUA, o IRE.

Orientados por professores e profissionais, levantaram dados sobre uso excessivo de força por parte da polícia. O esforço rendeu, além do banco de dados de acesso público, uma reportagem sobre os tasers --armas que dão choque-- publicada pelo "Fort Worth Weekly".

VOCÊ TAMBÉM PODE

Esse resultado poderia ser obtido em qualquer faculdade brasileira. Basta um grupo de alunos interessados, com iniciativa e ambição profissional, e professores dispostos a (e capazes de) orientá-los.

Gostou da idéia? Tente o seguinte:

  • Ache alguns amigos que também queiram levar o jornal laboratório a sério (um grupo de três já é capaz de começar a fazer barulho)
  • Encontre um bom tema. Pode ser algo ligado à faculdade (do mais simples e banal --como levantar o número de bebedores por aluno, o estado em que eles estão e a distribuição deles na escola-- ao mais complexo --analisar o orçamento da universidade e tratar das prioridades que ele revela). Ou pode ser algo ligado à comunidade em que a faculdade está (por exemplo, o estado das ruas nas imediações da escola, ou um levantamento dos boletins de ocorrência envolvendo estudantes na delegacia mais próxima).
  • Procure um professor que você admira e peça orientação, coordenação dos trabalhos
  • Sugira à escola que tente uma parceria com um veículo de comunicação da sua cidade, que possa ajudar na orientação e até, dependendo do resultado, divulgar a reportagem
  • Ponha mãos à obra. Persista. Não vai ser fácil (leia o relato no site do IRE e você verá que os alunos texanos também não tiveram moleza). Mas garanto que você vai aprender muito.

Conheça um jornal laboratório encarado como veículo de verdade

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h52

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AMOR E MORTE

AMOR E MORTE

Que lide você prefere? Por quê?

1) Alberto Pereira da Silva, 29, baleou no rosto sua ex-namorada Maria Isabel Pontes Barbosa, 23, e atirou na própria cabeça em seguida. O crime ocorreu na loja em que ela trabalhava, em Itaquera (zona leste de São Paulo), anteontem à noite. Silva e Barbosa namoraram por quatro anos e haviam rompido há duas semanas. Os dois foram levados vivos ao hospital, mas não resistiram.

2) Inconformado com o fim de um namoro de quatro anos, Alberto Pereira da Silva, 29, invadiu anteontem à noite a loja em que sua ex-namorada Maria Isabel Pontes Barbosa, 23, trabalhava, baleou-a no rosto e em seguida atirou contra a própria cabeça. O crime aconteceu em Itaquera (zona leste de São Paulo). Os dois foram levados vivos ao hospital, mas não resistiram.

3) A vendedora Maria Isabel Pontes Barbosa, 23, morreu ontem depois de ser baleada pelo ex-namorado Alberto Pereira da Silva, 29. Os dois haviam rompido há duas semanas um relacionamento que durara quatro anos. Anteontem à noite, ele invadiu a loja em que Barbosa trabalhava, em Itaquera (zona leste de São Paulo), baleou-a no rosto e em seguida atirou contra a própria cabeça. Os dois foram levandos vivos ao hospital, mas não resistiram.

Se quiser ler toda a reportagem, clique aqui.

Escolha um dos três, mas, se quiser, pode também sugerir outra opção.

Eu comento na terça-feira.

TERÇA-FEIRA FELIZ

Gente, realmente dá gosto ler as respostas de vocês! Porque fica claro que vocês pensaram no assunto, têm argumentos para fazer a escolha.

Como a gente já falou antes, quase nunca há certo e errado em jornalismo. Há escolhas (e por isso é tão difícil...) e argumentos que as justifiquem.

Vamos ver os lides:

1) Alberto Pereira da Silva, 29, [quem] baleou no rosto sua ex-namorada Maria Isabel Pontes Barbosa, 23, e atirou na própria cabeça em seguida. [o quê]O crime ocorreu na loja em que ela trabalhava, em Itaquera (zona leste de São Paulo),[onde] anteontem à noite. [quando]Silva e Barbosa namoraram por quatro anos e haviam rompido há duas semanas.[causa??] Os dois foram levados vivos ao hospital, mas não resistiram.[conseqüência]

2) Inconformado com o fim de um namoro de quatro anos,[causa??] Alberto Pereira da Silva, 29, [quem]invadiu [o quê]anteontem à noite [quando]a loja em que sua ex-namorada Maria Isabel Pontes Barbosa, 23, trabalhava, baleou-a no rosto e em seguida atirou contra a própria cabeça. [mais o quê]O crime aconteceu em Itaquera (zona leste de São Paulo)[onde]. Os dois foram levados vivos ao hospital, mas não resistiram.[conseqüência]

3) A vendedora Maria Isabel Pontes Barbosa, 23, morreu ontem [conseqüência]depois de ser baleada [o quê]pelo ex-namorado Alberto Pereira da Silva, 29.[quem] Os dois haviam rompido há duas semanas um relacionamento que durara quatro anos. [causa??]Anteontem à noite,[quando] ele invadiu a loja em que Barbosa trabalhava, em Itaquera (zona leste de São Paulo), [onde]baleou-a no rosto e em seguida atirou contra a própria cabeça. [mais o quê]Os dois foram levandos vivos ao hospital, mas não resistiram. [mais conseqüência]

O primeiro enumera as informações fundamentais na forma mais direta: alguém fez alguma coisa. É um lide que ajuda o leitor a identificar claramente o agente e a ação. Funciona bem quando a gente quer ressaltar isso: "Fulano é o novo recordista mundial dos 100 metros rasos".

É verdade que a notícia do jornal diário em geral chega atrasa (TVs, rádio, on-line já deram) e que o leitor ganha quando pode ler no dia seguinte algo que avance, que diga algo novo. Este algo novo quase sempre está ou na causa ou na conseqüência (o famoso "e daí?").

Mas não é uma regra absoluta, porque os jornais têm também um papel histórico, e fatos muito significativos muitas vezes merecem ser registrados assim, pura e simplesmente: "Collor renuncia e Itamar prepara transição"; "Brasil é pentacampeão"; "Morre Tom Jobim".

Vocês não eram obrigados a ler a matéria original, mas quem leu percebeu que há um problema com o segundo lide: ele assume que a causa do crime seja o rompimento amoroso. Mas não há informações que cacifem isso! O texto não diz nem quem foi que acabou com o namoro. Ele pode estar com raiva dela por outro motivo.

Por isso, ou a gente ouve muitos conhecidos que digam que ele andava transtornado com o abandono da moça e atribui a declaração, ou não pode fazer a relação direta de causa e conseqüência.

E, se não puder fazer a relação, seria pertinente avisar o leitor disso: amigos, família, polícia não sabem dizer o que o levou ao crime.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h32

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Ferramentas de investigação

Ferramentas de investigação

Meu próximo trainee PABLO SOLANO avisa que o Centro Knight abriu inscrições para um curso on-line e gratuito, em espanhol, sobre ferramentas e técnicas de investigação jornalística.

Sandra Crucianelli, que dá o curso, é muito experiente, tanto como jornalista quanto como professora. Conheço-a pessoalmente, de aulas que ela deu no programa de treinamento da Folha e na Abraji.

DE OLHO NOS PARLAMENTARES

O projeto Excelências, da Transparência Brasil, colocou no ar dados sobre parlamentares de mais um Estado: Pernambuco.

O trabalho excepcional de levantamento e organização de dados, supervisionado, aperfeiçoado e hoje coordenado por Claudio Weber Abramo, já deu acesso público a informações sobre parlamentares de oito Unidades da Federação, além do Congresso.

Agradeço o aviso de meu ex-trainee e amigo MARCELO SOARES.

No Sesc Paulista, uma série de seminários sobre história, a partir de 2/9.

Na Casa do Saber, curso de história da arte, do Egito à Idade Média, a partir de 28/8.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h55

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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