Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Jornalismo em situações de risco

Abraji, CICV - Comitê Internacional da Cruz Vermelha e Oboré fazem o 5º Curso de Jornalismo em Situações de Conflito Armado, em outubro.
 
As inscrições serão pelo www.obore.com, a partir da próxima semana.
 
A seleção acontece dia 22 de setembro, sábado, das 9 às 13 horas , no auditório do IAB - Instituto dos Arquitetos do Brasil / seção São Paulo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h33

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Shakespeare

Recado do meu colega DIOGO BERCITO:

Hoje vi um site e achei bacana comentar aqui. Não é imediatamente útil a um jornalista, mas é bastante interessante, pelo menos. http://www.sparknotes.com/shakespeare/ Ele traz a análise de várias obras do Shakespeare, um fórum de discussões para quem esteja montando uma peça dele, dicionário, thessaurus, etc. Para quem se interessa pelo dramaturgo, é um prato cheio.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h42

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Não precisa gritar!

Outro dia uma leitora contou nos comentários sua via-crúcis com dois editores bem diferentes.

O primeiro tinha sido um colega arrivista que, quando virou editor, começou a se passar por amiguinho. Aquilo a revoltou tanto que ela não aguentou e trocou de emprego.

Mas o editor atual tem o vício oposto: é grosso, estúpido, só fala quando é para criticar etc. etc.

Pimenta nos olhos dos outros não dói, mas eu diria que o segundo é melhor que o primeiro, nem que seja pelo simples motivo de que este faz críticas. Se 2% delas forem justas, já se aprende mais com ele que com o falso bonzinho.

Outra razão é que em geral toda casca-grossa tem um motivo, e encontrá-lo ajuda a achar um paliativo.

Veja: ele é estúpido com todo mundo, o que mostra que o problema é com ele, não com você.

Por isso, tente descobrir o que é que o irrita tanto. Se ele for competente e a questão for só de relacionamento, pode valer a pena.

Ele não a conhece bem e não confia em você? Tente ganhar essa confiança. Peça a opinião sobre um trabalho seu, oferecendo sugestões que mostrem que você sabe o que está fazendo.

Ele é impaciente? Seja objetiva. Não faça rodeios para apresentar um caso ou pedir uma decisão. Vá direto ao ponto. Se possível, em vez de perguntar, ofereça escolhas: em vez de "como você acha que devo abrir essa matéria", a melhor pergunta é "eu posso tanto abrir com isso quanto com isso. Qual você acha melhor?".

Acha que ele não vai com a sua cara? Tire a limpo. Chame-o para um café ou pegue-o no bebedor e seja franca: "Fulano, eu tenho a impressão de que você está descontente comigo. É algo com o meu trabalho? O que eu posso fazer para melhorar?".

Na pior das hipóteses, pode ser que, embora competente, ele esteja farto do jornalismo, odeie o que faz e esteja ali só pelo salário. Aqui eu só vejo uma saída: fale com ele o menos possível. Tente resolver tudo com os editores-assistentes.

Um último recurso, se o chefe gostar de futebol americano, é dar um jeito de ele ler esta coluna da Poynter, que conta como os dois times que foram para o Super Bowl deste ano tinham técnicos que não gritavam nem humilhavam os jogadores --e, claro, como isso se aplica ao universo das Redações.

Há um limite além do qual, no entanto, deixa de ser grosseria e vira assédio moral. Acho que ninguém deve se submeter a violência, se chegar a esse ponto. O caderno Empregos da Folha fez uma longa cobertura sobre o assunto em 26/3/2006 (disponível on-line para quem assina FSP ou UOL).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h09

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Vale a pena ler de novo

Volta a ficar oportuno este post sobre o trabalho do enviado especial a outro país, já que RAUL JUSTE LORES está desde ontem em Lima para cobrir os efeitos do terremoto.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h16

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Como é um jornal

Pedido do meu leitor João:

Queria saber como funciona a divisão e qual a tarefa de cada um em um jornal. Se você puder usar o exemplo da Folha...

João, há várias funções dentro do jornal, e elas variam um pouco de editoria para editoria.

Em linhas gerais, são as seguintes:

- pauteiro: é o jornalista que escolhe, de manhã, quais as reportagens que serão feitas, organiza o trabalho dos repórteres, encomenda as fotos e as artes

- repórter: é quem vai levantar a história e, depois, escrevê-la

- redator: é quem faz textos de apoio (históricos, cronologias), produz artes e quadros, faz algumas reportagens por telefone, revisa artigos e
outros textos

- fechador: é quem cuida do acabamento final, dos títulos, de tirar erros dos textos e melhorá-los. Na Folha, fechadores também desenham as páginas do jornal e põem os textos na página. Em geral, são redatores, mas podem ser também editores-assistentes e editores-adjuntos

- editor: é quem decide que reportagens vão para o seu caderno, com que tamanho, em que lugar da página, com que enfoque. O editor é o responsável final por todo o trabalho do seu caderno. É ele quem dá a palavra final sobre as pautas, as reportagens, os títulos e os enfoques dos textos.

Há editorias em que não existe a divisão entre repórter/redator/fechador. Os jornalistas apuram, escrevem e fecham suas matérias e as dos outros.

Como é o dia-a-dia num jornal

A rotina das editorias varia de um caderno diário para um caderno semanal. Mesmo entre os diários, há editorias, como a Ilustrada, que fecham mais cedo e por isso têm um cotidiano diferente das outras. Mas, em linhas gerais, um dia no jornal é assim:

De manhã, os jornalistas se inteiram do que está ocorrendo, lêem jornais, conversam com repórteres e decidem quais serão os assuntos que vão cobrir naquele dia.

O pauteiro da editoria orienta os repórteres, que podem fazer entrevistas por telefone ou na rua.

Redatores, em geral, ficam na Redação e elaboram textos de apoio e artes para as principais reportagens.

Quando o repórter já apurou o suficiente, relata o que levantou para o editor, que vai decidir o tamanho do texto e que destaque dar a ele.

No final da tarde, o editor já tem uma noção de quantas páginas poderá usar, e começa a desenhá-las: escolhe que reportagens ficarão no alto, que ilustrações haverá etc.

Alguns repórteres, quando escrevem, já sabem o tamanho de seus textos. Outros, não.

Quando terminam, eles passam a reportagem para os fechadores (redatores ou editores, nas editorias em que essa divisão existe), que vão reler, corrigir, editar, dar título, mudar o tamanho, se necessário.

Os jornais têm deadlines: horário de fechamento, em que todas as páginas têm que estar prontas, para que a gráfica possa começar a imprimir a edição do dia seguinte.

Depois do fechamento, ainda é possível trocar textos, atualizá-los e até mesmo mudar páginas –é o que chamamos de troca urgente.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h44

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Fotografia

Fotografia

A Galeria Íma faz cursos de fotografia e fotojornalismo a partir de 20/8.

OUTROS ESTADOS

A Renata lastimou que a maioria dos cursos que coloco aqui sejam em São Paulo. É que não fico sabendo dos que ocorrem em outros Estados, se não eles estariam certamente aqui. Afinal, não se trata de um blog paulistano... É um blog internacional!!  =)

Por sorte, dei com a programação de eventos do Itaú Cultural, que inclui aulas em vários Estados. Cheque aqui. Para dar um exemplo, veja estes para quem gosta de literatura:

Encontro com Autores - Crônica na Sala de Aula
Escritores contemporâneos discutem o trabalho de autores consagrados.


São Paulo
Aula de Inglês, de Rubem Braga
por Antonio Carlos Secchin
sexta 3 agosto
19h
sala vermelha
itaú cultural avenida paulista 149 informações 11 2168 1776/1779
[ingressos distribuídos com meia hora de antecedência]

João Pessoa
O Moleque Ricardo, de José Lins do Rego
por Luiz Ruffato 
quarta 8 agosto
19h30
fundação espaço cultural da paraíba rua abdias gomes de almeida 800 informações 83 3211 6244/6224

São Luís
A Hora da Estrela, de Clarice Lispector
por Marcelino Freire 
sexta 10 agosto
19h30
teatro alcione nazaré rampa do comércio 200 informações 98 3218 9933/6224

Belém
Carlos Drummond de Andrade
por Carlos Nejar
quarta 22 agosto
19h30
instituto de artes do pará praça justo chermont 236 informações 91 4006 2923 

Florianópolis
Morte e Vida Severina
, de João Cabral de Melo Neto
por Carlos Nejar
quinta 13 setembro
19h30
sesc florianópolis travessa syriaco atherino 100 informações 48 3229 2208

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h40

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Dados sobre os EUA

Pena que aqui a transparência seja outra...

Mas, para quem precisa de dados americanos, Al Tompinks repassa hoje uma nota do ResourceShelf sobre uma wiki com muitos dados locais do país. Para ler a coluna dele na íntegra, clique aqui.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h22

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Falta algo?

Falta algo?

LEGENDAS

Lembram-se nos nossos exercícios de legenda? (Quem não chegou a ver acha alguns exemplos aqui).

Pois bem, vejam esta que saiu hoje na capa da Folha e me digam: sentem falta de alguma informação sobre a foto? Se a resposta for sim, o que tirariam para acrescentá-la?


Operadores na Bolsa de Mercadorias & Futuros, em SP, ontem; principal índice da Bovespa chegou a cair 8,82%

Pensem sobre a imagem, especificamente. Afinal, a legenda deve servir para ajudar a entender a imagem. Para o resto já existe o texto.

CONVOCATÓRIA GERAL

E aí, gente? Por que a timidez? Pouca gente arriscou um palpite, né? Vou esperar até domingo pra ver se, no final de semana, mais gente dá sua opinião.

Vamos lá!

COMENTÁRIO FINAL

Ao meio-dia e pouco daquele dia, ouvi no rádio que a queda da Bolsa já era de 5%. O âncora da CBN, Carlos Alberto Sardenberg, tinha pedido que o repórter ligasse do celular do meio do pregão, o que deu um ambiente especial à matéria.

--- Ah, todo dia é assim no pregão, me disse um jornalista mais crítico.

Pode ser. Mas achei que fazia todo sentido, no rádio, colocar o som do pregão no momento em que a queda parecia incontrolável. Fez sentido para mim ouvir aquela gritaria naquela hora, em que a queda era enorme.

Por isso, a primeira coisa que eu quis saber quando vi a foto no jornal foi a mesma de dois dos meus leitores: a que horas esse sujeito berrava com essa cara de espanto?

Afinal, faz parte da foto um gráfico mostrando a crise hora a hora. O tempo, portanto, era notícia importante. E, para mim, era informação fundamental para entender essa foto.

Depois notei que a foto era da BM&F. OK, eu sei que o pregão da Bovespa é praticamente só eletrônico, não renderia boa imagem. Sei também que na BM&F se negociam contratos futuros do índice da Bovespa. Mas o leitor sabe? E, afinal, como me fez notar um de vocês, o que aconteceu na BM&F? Se a foto é da BM&F, porque não dizer qual foi o efeito nos contratos futuros do Ibovespa, em vez de repetir informação que está nos títulos (como vocês também notaram).

Um de vocês notou que o leitor comum pode não saber o que estão fazendo aqueles operadores. A gente sabe que a legenda não deve descrever a foto, ou seja, ninguém vai dizer "Ao telefone, operador grita". Mas é verdade que a maioria dos mortais não sabe por que o sujeito está gritando.

Eu tiraria da legenda esta parte em vermelho, porque é redundante: Operadores na Bolsa de Mercadorias & Futuros, em SP, ontem; principal índice da Bovespa chegou a cair 8,82%

E reescreveria para tentar incluir informação que contextualize melhor a imagem: Às 14h [como o leitor tem o gráfico logo acima, pode saber qual era a "temperatura" nesse horário], operadores negociam contratos na BM&F; crise faz dólar subir no mercado futuro

Outras questões sugeridas por vocês são informações relevantes, mas não diretamente ligadas à foto. Acho que precisam, sim, ser respondidas no texto.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h29

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Vôo de galinha?

Meu amigo Fabiano Angélico dá uma ótima dica de fonte de informação para quem trabalha com economia e, de canja, uma sugestão de pauta para quem está em jornais regionais:

Uma ferramenta ótima que aprendi nas aulas de RAC com o Toledo é o Alice, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O Alice é uma imensa base de dados sobre as exportações e importações brasileiras. E o acesso é fácil: é só preencher um cadastro.

É possível "pedir" ao Alice informações por Unidade da Federação, por país, por bloco (União Européia, Asean, Mercosul), por produto, por período. O sistema envia uma planilha para o email cadastrado.

É muito útil, por exemplo, para quem trabalha em veículos regionais. Só para ilustrar, acabo de ver aqui um dado interessante sobre Goiás. Este ano, a Índia quase multiplicou por dez as compras de produtos goianos e passou a ser o 4º mercado do Estado do Centro-Oeste. No primeiro semestre do ano passado, o país era apenas o 19º destino.

Esses números podem ajudar a montar uma boa pauta, já que a Índia tem mais de 1 bilhão de habitantes e vem crescendo a altas taxas, criando um enorme mercado consumidor. A tendência é que seja mantido o crescimento dos embarques, ou é apenas "vôo de galinha" (sobe, mas cai rapidamente)? Em que tipos de produtos os indianos estão interessados?  Este setor gera muitos empregos em Goiás? Em qual região do Estado?

Claro que os dados do Aliceweb não são a matéria em si. Vale ir atrás de empresas, entidades setoriais, responsáveis governamentais. Mas é sempre melhor quando você vai a campo com informações organizadas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h50

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Entrevista com um megatraficante

Entrevista com um megatraficante

MARIO CESAR CARVALHO conta como conseguiu a entrevista exclusiva com Juan Carlos Ramírez Abadía, considerado um dos maiores narcotraficantes do mundo [a abertura da reportagem pode ser lida aqui]:

Novo em Folha - Conseguir a entrevista dependeu de haver cultivado fontes na PF ou foi resultado apenas de tino de repórter e persistência?
 
Mario Cesar Carvalho - Consegui por sorte. Conheci o advogado de Abadía na sexta-feira e levei na pasta as perguntas que eu havia formulado. Para poder conversarmos melhor, ofereci uma carona a ele. No meio do trajeto, mostrei as perguntas. Ele se dispôs a mostrar a Abadía. Depois de sete horas de espera, fiquei sabendo que o traficante respondera.
 
NF - Foi preciso insistir muito para consegui-la? Quanto tempo?
 
MCC - Não foi preciso insistir muito. Acho que era de interesse do tranficante falar algo. Por exemplo, negar que tivesse lavado dinheiro no Brasil.
 
NF - Como a entrevista foi por escrito, foi preciso verificar sua autenticidade? Como você fez?
 
MCC - Chequei a autenticidade da entrevista com um delegado e um agente que interrogaram o traficante naquele dia. Ele viu Abadía respondendo ao advogado e escrevendo no papel.
 
NF - Você é um repórter com muitas fontes no Ministério Público e em outras áreas da Justiça. Que conselhos você daria para um recém-formado que queira fazer carreira de repórter investigando casos judiciais?
 
MCC - A melhor forma de cultivar fontes é mostrar que você tem informação, acesso a informação relevante que ela, talvez, não tenha. É assim mesmo: um jogo de poder. A única forma de um iniciante ter acesso a informações relevantes é trabalhar, trabalhar e trabalhar. É preciso também arriscar. Se eu não tivesse levado as perguntas ao advogado, não teria feito a entrevista.

Outros jornalistas contam os bastidores de seu trabalho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h41

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Para fazer dados falarem

Para fazer dados falarem

Sugestão da minha leitora Amanda:

Sou estudante de jornalismo e queria dar a dica de um curso diferente, voltado a geoprocessamento de dados. Conheci o Centro de Estudos da Metrópole e é muito bacana.

O curso talvez seja uma oportunidade para jornalistas aprenderem a análise espacial de dados sociais, econômicos e demográficos... Uma forma de manipular (no bom sentido!) dados fornecidos por instituições governamentais.

DICA DO TOLEDO

José Roberto de Toledo, pioneiro no uso de internet, planilhas, bancos de dados e tudo o mais em jornalismo, conta mais sobre esse universo dos dados:

Os programas de georreferenciamento (GIS) são, em geral, muito caros e complicados. Há, entretanto, um punhado de opções gratuitas, mas 
limitadas.

1) Google Maps e Google Earth - quem souber um pouquinho de programação será capaz de associar grandes quantidades de informações 
a mapas na própria internet, uma ótima coisa para veículos on-line (quem não souber, mas for paciente, pode colocar na mão, um a um, os 
fatos (eventos) que quer assinalar);

2) Tab.Win - programa de tabulação desenvolvido pelo Datasus (www.datasus.gov.br) que permite montar tabelas, calcular indicadores 
e taxas, além de pintar mapas temáticos (o problema é que foi desenvolvido para usar arquivos de um formato específico, mas desconfio que dá para contornar a limitação);

3) Atlas do Desenvolvimento Humano (no Brasil, do Recife, da RM de Salvador e de Manaus): entre outras coisas permite pintar mapas 
temáticos de mais de uma centena de indicadore dos Censos 1991 e 2000. Foi desenvolvido pelo Pnud e pode ser descarregado do seu site: 
www.pnud.org.br. É fechado, não admite outros dados a não ser os que já existem no Atlas;

4) Estatcart (IBGE): não é gratuito (é barato; mas é preciso comprar também as bases de dados para usá-lo), mas é um programa de GIS de 
verdade. É pesado, lento, pouco intuitivo, mas é um programa de GIS, mais avançado que os anteriores.

Há outras opções mais ou menos sofisticadas, como uma desenvolvida pelo Inpe, mas são bem mais complicadas de usar.

Finalmente, para os realmente interessados, uma indicação bibliográfica: "Mapping for Stories", do IRE. É uma boa introdução ao 
tema para jornalistas, mas tem dois "poréns" (?!): é em inglês e trata de programas pagos, como o ArcView.

DICA DO LEITOR JANSEN, DE SÃO PAULO

Tem o SPRING, programa de SIG que pode ser baixado de graça na internet, no site do Inpe. Só que acho ele um pouco complicado.

 

EXTENSÃO NA ECA

O blogbudsman Roberto avisa: na ECA há cursos de extensão cultural que talvez interessem aos leitores do blog.  Muitos estão com as datas de inscrição encerradas (mas talvez tenham prorrogado, pode valer a pena tentar).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h03

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Excesso de escândalos e falta de cervejadas

Excesso de escândalos e falta de cervejadas

REPORTAGEM PREMIADA
 

O repórter RUBENS VALENTE é daqueles que acumula prêmios. Se fosse do tipo vaidoso, teria uma estante cheia deles (mas é um cara modesto).
 
Em junho, ele e HUDSON CORRÊA publicaram uma série sobre as investigações que atingiram Vavá, irmão de Lula. O esforço de reportagem valeu-lhes indicação ao Prêmio Folha [Para quem não assina Folha nem UOL, coloquei no site do treinamento uma das que foram manchete (clique aqui)].
 
Nesta entrevista, Rubens fala muito brevemente (por contingências "estratégicas") sobre como foi a apuração, conta como começou a fazer investigação jornalística e dz que aprendeu muita coisa com colegas mais velhos nas cervejadas --que parecem estar desaparecendo, infelizmente.
 
Novo em Folha - Como surgiu a pauta?

Rubens Valente - Da operação da Polícia Federal.

NF - Quantas pessoas mais ou menos você ouviu para apurar a informação?

RV - 
Ao longo do acompanhamento da operação, acredito ter falado com 20 ou 30 pessoas, algumas todos os dias.

NF - Durante a apuração, como fazer para a matéria não vazar e alertar o principal suspeito antes da hora?

RV - 
Algumas vezes tivemos acesso a informações exclusivas. Mantivemos o sigilo até onde foi possível, mas nem sempre é possível nesse tipo de
operação.

NF - Vocês tinham documentos? Como foram obtidos?

RV - 
Obtivemos documentos, fitas gravadas, depoimentos, de diversas fontes.

NF - Foi difícil ouvir o outro lado?

RV - 
Algumas das pessoas investigadas pela PF não se manifestaram, quando procuradas. Outras falaram por meio de seus advogados.

NF - Há quantos anos você cobre política?  Como e por que entrou nessa área?

RV - 
Não cubro política, cubro casos de corrupção, investigações criminais que envolvem políticos etc. 18 anos na profissão. Entrei na área pelo excesso de casos do gênero no país, que se multiplicam e demandam atenção dos jornalistas.

NF - O que recomenda para um recém-formado que queira fazer carreira na reportagem política?


RV - Acompanhar o blog "Novo em Folha".

NF - Hahahahaha. Essa resposta eu não posso colocar lá, fica muito cabotina!
=O
E garanto que vc não chegou aonde está lendo o blog Novo em Folha!
 
RV - Ana, eu juro que estou falando sério! rs Comecei trabalhando com máquina de escrever, espaço dois, papel carbono, fichas de orelhão no bolso, pra ligar pra Redação, e algumas vezes, em viagens, tive de correr para um telex - normalmente dos correios ou das prefeituras, pedia licença pra usar (ninguém carregava um telex nas costas...).
Se existisse na época alguma coisa parecida com seu blog, eu leria avidamente... a coisa mais próxima que tínhamos disso eram as cervejadas no boteco da esquina do jornal, onde os veteranos contavam suas histórias (rs).

NF - Garanto que as cervejadas são muito mais divertidas e instrutivas... Talvez seja o contrário: deveríamos ter mais cervejadas hoje em dia. Não sei se sou eu que estou fora do circuito (estou, mesmo), mas minha impressão é que esse tipo de confraternização acabou.

RV - 
É verdade, os encontros têm diminuído... E não tire a resposta não, foi a mais proveitosa que dei!
 
[Vocês estão vendo. Só deixei o elogio ao blog porque ele pediu!]
 

Doralice, você pode ver uma foto do Rubens com suas agendas telefônicas neste post, e do Hudson nesta série sobre a viagem dele ao local em que caiu o avião da Gol.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h51

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Para se especializar em jornalismo internacional

Para se especializar em jornalismo internacional

Continuando nossa conversa de outro dia (veja aqui), pedi a meu amigo RAUL JUSTE LORES, excelente repórter do caderno Mundo --com colaborações também em todos os cadernos da Folha-- que contasse o que acha importante para trabalhar em jornalismo internacional.

Como ele me diz, são na verdade dicas que servem para todas as áreas.

Segue o recado:

  1. Conhecer alguns idiomas, no mínimo inglês e espanhol, é fundamental para ler diariamente publicações estrangeiras.
  2. Para mim, The Economist, The Guardian, New York Times, Financial Times, El País, El Mundo, La Nación, Clarín, El Tiempo, Semana, Independent, Vanity Fair, entre outros, me acompanham já no café da manhã.
  3. Estas publicações servem não só para quem quer fazer jornalismo internacional: lá está a linguagem de textos bem escritos e informativos (e a gente aprende lendo). Estão grandes colunistas _ alguns dos maiores intelectuais do mundo colaboram regularmente para esses jornais e revistas. Você vê e usa ferramentas audiovisuais e interativas, que nos ensinam a contar bem uma história e a agarrar o leitor distraído e ocupado pelo colarinho.
  4. Essa leitura diária é fundamental para conhecer os personagens e principalmente as histórias que se repetem, aprender a narrativa, a trajetória de governos, oposições, debates globais (meio ambiente, terrorismo, direitos civis, questões territoriais). Quando vc menos espera, alguém te manda escrever sobre a Polônia ou sobre o Paquistão, e é bom pelo menos ter uma idéia antes de começar a pesquisar (em qualquer Redação atual há pouco tempo para grandes pesquisas; lição de casa tem que ser feita em casa mesmo).
  5. Apesar de eu me interessar por diversos assuntos, de urbanismo a arquitetura, de migrações a América Latina, de União Européia a direitos humanos, acho que ter foco também ajuda. Responder à pergunta: "Do que eu gosto?". Gosto de Oriente Médio? Ou de África? Ou de América Latina? E mergulhar em obras de referência, livros recentes, nos mais variados cursos, colar em especialistas. Até virar um.
  6. Desconfio de cursos de relações internacionais, assim como de qualquer faculdade que surja da noite para o dia. E dezenas de cursos de RI surgiram do nada, vendendo a promessa de uma vaga no Itamaraty. Um bom curso de história internacional é mais útil para o jornalista.
  7. Viajar, viajar sempre. Quanto mais vc viaja e conhece outros países, mais à vontade fica para descrevê-los. Vale viajar de mochila pela América Latina, onde a maioria dos países tem custo de vida muito mais barato que o Brasil; na Europa, comprar Europass ou, com antecedência, conseguir passagens aéreas nessas linhas de baixo custo (EasyJet, Ryanair e companhia têm passagens de 40, 50 euros para toda a Europa, dá pra reservar pela Internet). Buscar programas de intercâmbio para morar ou estudar nos EUA; e fazer todo o tipo de bicos, economizar, trabalhos temporários, pedir empréstimo aos pais para conhecer a Ásia, a nova fronteira do globo, o continente que mais cresce em todos os sentidos, e que o jornalismo brasileiro ainda cobre superficialmente. Entendê-la será um diferencial.
SOBRE ESPECIALIZAÇÕES:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h33

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Abril abre inscrições para seu programa de treinamento

Abril abre inscrições para seu programa de treinamento

A Vanessa avisa que as inscrições para o Curso Abril estão abertas até 27 de setembro.

Ela me pede que fale sobre a importância desse tipo de treinamento.

Acho que é muito útil para todo recém-formado e mais ainda para quem já sabe que quer trabalhar em revista e em multimídia: o Grupo Abril vem fazendo uma guinada evidente nesse sentido, com tentativas cada vez mais freqüentes de interação entre vídeo, texto, som e internet.

Notem que, nesta edição, eles abriram inscrições também para cineastas.

Conheço o pessoal que organiza o treinamento e sei que eles o levam muito a sério. Investem no curso, convidando gente de peso, do grupo e fora dele, para falar com os alunos.

Outra coisa que ele tem é algo que sempre digo para vocês: a possibilidade de praticar e ser criticado (construtivamente).

Claro que não é fácil passar. São poucas vagas (o site não diz quantas) para muitos recém-formados. Mas quem não tentar tem 100% de chance de não entrar. Quem tentar já está um passo à frente.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h30

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Anticurso de jornalismo

Anticurso de jornalismo

O Julio, de Santos, avisa:

A Caros Amigos realiza o 1º Anticurso de Jornalismo. O Comunique-se realiza pesquisa sobre a condição de trabalho dos jornalistas para quem é cadastrado no site (a comunicação é feita por e-mail).

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h29

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Infográficos

A internáutica DANI ARRAIS me mostrou este post, bem legal para quem gosta de infografia, sobre como o Google Maps foi usado num infográfico sobre o Pan, na internet.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h02

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Multimídia

Multimídia

A Revista Imprensa abriu inscrições para seminário multimídia.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h52

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Profissão de risco

Profissão de risco

REPORTAGEM PREMIADA

O repórter ANDRÉ CARAMANTE conta como apurou a reportagem "Chefe do Deic é sócio de firma de segurança", que acaba de ser indicada ao Prêmio Folha. Na entrevista, ele fala também sobre os riscos de fazer jornalismo policial crítico e investigativo e dá dicas para quem quer seguir carreira nesta área.

O texto completo da reportagem --que tem co-autoria do repórter-fotográfico DANILO VERPA) pode ser lido on-line (para quem assina FSP ou UOL). Enquanto não consigo deixá-lo disponível para os leitores do blog, os primeiros parágrafos estão no pé deste post.

Novo em Folha - A pauta surgiu de uma fonte que você cultivava, de uma outra fonte que não conhecia, ou você teve um palpite e foi checar como era?

André Caramante - Uma fonte antiga, em meio às denúncias de corrupção enfrentadas recentemente pela Polícia Civil, foi a responsável pela informação. Ele me deu apenas o primeiro nome da empresa de segurança do delegado Youssef Abou Chahin, chefe do Deic. Isso aconteceu por volta das 17h de uma terça-feira. Acredito que às 20h, já tinha a confirmação de tudo e até mesmo os horários do delegado na empresa. 
 
NF - Quantas pessoas mais ou menos você ouviu para apurar a informação?

AC - C
om certeza, mais de 15 pessoas. Entre sócios, funcionários e desafetos do delegado, claro.
 
NF - Durante a apuração, como fazer para a matéria não vazar e alertar o principal suspeito antes da hora?

AC -
Em alguns momentos, tive de tentar contratar os serviços da empresa e também simular a necessidade de marcar uma reunião com o delegado. Foi assim, por exemplo, que consegui os horários da agenda dele à frente da Oregon e isso facilitou muito a realização das imagens por parte do Danilo Verpa.

Também combinamos que, para captar a chegada do delegado à empresa, o Verpa não podia correr nenhum risco, até para não pensarem que ele era do crime organizado. Ele usou um carro com vidros escurecidos para ficar perto da empresa. Também usou as potentes lentes de aproximação.
 
NF - Vocês tinham documentos? Como foram obtidos?

AC - Sim, tínhamos alguns documentos. Na quarta-feira, um colega de investigação aqui na Folha de S.Paulo conseguiu vários outros, a partir do número de CNPJ que havia conseguido na noite de terça.
 
NF - Foi difícil ouvir o outro lado?

AC - Bastante difícil, até porque o delegado denunciado pela reportagem alegou que eu havia procurado seus superiores antes e por isso ele não tinha mais o que falar.

Fiz mais de 20 ligações para o delegado Chahin. Liguei para o celular dele, para a sede do Deic, para a Oregon e para o assessor de imprensa do órgão. O delegado adotou como postura não falar. Gravei todas as minhas tentativas de contato e até mesmo os recados deixados na caixa-postal do delegado.

No dia em que a reportagem saiu, uma quinta-feira, o delegado mandou carta para o jornal e alegou não ter sido procurado por mim. Rebati a acusação de não ter ido atrás dele e provei com as gravações as inúmeras tentativas de contato.

Após receber a carta do delegado, liguei para o assessor de imprensa do Deic e, novamente com o gravador ligado, fiz com que ele assumisse que a carta não era real e que havia procurado por Chahin inúmeras vezes.  
 
NF - Como fica a questão da segurança pessoal nesse tipo de matéria? Vocês não têm medo? Tomam alguma precaução especial?

AC - Desde agosto do ano passado, as pessoas que cobrem a área de Segurança Pública aqui no jornal tomam algumas medidas de segurança para desenvolver matérias como essa. As medidas foram adotadas com apoio da direção do jornal.

Mas é claro o quanto esse tipo de denúncia desagrada quem estava lucrando com a insegurança vivida no país todo e isso sempre nos deixa em alerta.

Depois da reportagem sobre o chefe do Deic, também fizemos uma sobre o delegado-geral da Polícia Civil de SP, delegado Mário Jordão Toledo Leme, um dos que partiram em defesa de Chahin à época da revelação de que ele explorava a segurança privada.

Por também ser sócio de uma empresa de segurança privada, descoberta dias após a de Chahin, Leme o defendeu.

Hoje, dia 14 de agosto, o companheiro de Redação Kleber Tomaz  foi à sede do Deic para cobrir uma grande operação montada pelo departamento.

Ao ser visto com o crachá da Folha de S.Paulo no peito, ele foi abordado por um policial civil chamado Paulinho, do setor de "inteligência" do Deic.

O policial disse ao repórter que "o André Caramante é persona non grata ali". Diante disso e do fato de que o Deic é um lugar com mais de 2 mil policiais (todos quase sem controle algum), cada um pensa o que quiser sobre riscos. 
 
NF - Há quantos anos você cobre polícia?  Como e por que entrou nessa área?

AC - Atuo na reportagem de Segurança Pública desde 1998, quando trabalhei no Notícias Populares. Estou perto de completar dez anos nessa caminhada.
 
 
NF - O que recomendam para um recém-formado que queira fazer carreira na cobertura de polícia?

AC -
Durante boa parte do tempo, desconfie de todos, principalmente daqueles que te dão as informações de maneira muito fácil. Há sempre algum interesse por trás desse tipo de atitude.

Mas também confie o tempo todo na sua apuração e naqueles que sempre te fazem observar outros lados de uma mesma história. A área de Segurança Pública movimenta muito dinheiro e muita vaidade.

Também acredito que a discrição ajuda muito. Quem não é visto, não é lembrado. Acredito que o repórter só tem de aparecer em várias situações quando já tem tudo apurado e está "pronto para dar o bote".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h45

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Adeus, víbora

Morreu hoje o grande repórter Joel Silveira. Era conhecido como víbora, o que, para um jornalista, é certamente um elogio.

No último congresso da Abraji, ele foi homenageado na abertura. Fernando Molica e Marcelo Beraba o entrevistaram e fizeram um pequeno documentário, onde é possível vê-lo contando suas aventuras como repórter.

Naquela época, coloquei no blog uma coisa que ele diz no depoimento:

"Quando fui para a guerra, tinha 27 anos.
Fiquei 11 meses lá.
Quando voltei, estava com 40 anos."

Joel Silveira era conhecido por seu texto ferino, que não perdoava ninguém. Diz ele que foi justamente por isso que acabou sendo mandado para a guerra, como contei no outro post: a víbora escreveu um texto em que arrasava com damas da sociedade, "coleção de anos mal disfarçada pela maquiagem". Uma delas era amicíssima do dono do jornal. 

Joel escreveu vários livros (veja aqui uma lista), três deles reportagens saborosíssimas: "A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista" (em que expõe ridículos da elite paulistana), "A Feijoada que Derrubou o Governo" (com histórias da política brasileira) e "O Inverno da Guerra" (sobre sua experiência como correspondente).

Merecem estar na cabeceira de todo mundo que gosta de jornalismo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h56

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Pinga-fogo

Pinga-fogo

Meu leitor João Ricardo, que estuda jornalismo em Bauru, sugeriu que eu lesse uma entrevista do jornal "O Povo" (Ceará) com a presidente da UNE.

Que tal falar a respeito sobre o aspecto "docontrista"  do jornalismo: fazer perguntas que mexam na ferida, evitar bajulações etc.?

O exemplo, que ele encontrou num blog sobre "rebeldia, contemplação e sacanagem", é bom, mesmo.

O entrevistador estava preparado, conhecia bem o assunto e fez perguntas críticas.

Nem sei se são "do contra". Acho que são críticas, não engolem qualquer resposta, contrapõem fatos às respostas evasivas [mas, como diz o João Ricardo, "diante de tanto jornalista bajulador, um que faça perguntas, digamos, "desagradáveis" ao entrevistador, porém importantes, parece ser do contra"].

Vejam só este trecho do pingue-ponge:

OP - No movimento estudantil, existe muito forte a figura da profissionalização. Um aluno passa até dez anos num curso que dura apenas quatro. Às vezes nem se forma. Como líder estudantil, a senhora se sente incomodada com isso?
Lúcia Stumpf - Eu não enxergo de forma alguma a profissionalização dos quadros do movimento. O dirigente do movimento estudantil tem uma abnegação. Ele abre mão da sua própria vida individual, da sua formação, em nome de conquistas comuns. Não existem exemplos melhores para a juventude brasileira do que os grandes líderes estudantis. Mesmo aqueles que não conseguiram concluir a faculdade em quatro, cinco anos. Eu não tenho dúvida de que mesmo os que são de universidades públicas, conseguem organizar manifestações de passeatas, com mais verbas, com mais conquistas no campo da ciência e da extensão, pagam dez vezes a formação ou a vaga que eles estão ocupando. São grandes exemplos a serem seguidos, principalmente pela abnegação individual em função de causa coletivas e da construção de um Brasil mais justo em detrimento de sua vida individual.

OP - A senhora entrou no curso de Jornalismo em 1999. Já se vão oito anos...
Lúcia Stumpf - Estou no 7º semestre de Jornalismo da FMU, uma faculdade particular aqui de São Paulo. Comecei na PUC de São Paulo e me transferi para cá quando vim para UNE. Se não tivesse trancado o curso nenhuma vez, eu já poderia ter concluído em 2005. Ainda estou cursando porque quando transferi ainda passei um ano trancada. E ainda voltei trás. Na transferência de uma faculdade para outra, principalmente as particulares, muitas cadeiras têm que ser pagas de novo, até pelo interesse do lucro dos donos. Eu já estava no 6º semestre, mas tive de voltar para o 4º.

OP - O seu mandato à frente da UNE é de dois anos e falta apenas um para a sua formação. É possível, então, uma renúncia, caso você conclua o curso antes do final da gestão?
Lúcia Stumpf - Eu vou tentar concluir o curso, mas sendo presidente da UNE não tenho muita chance de fazer os dois últimos semestres regulares que faltam. Não tranquei a matrícula, vou a todas as aulas possíveis, conto com o apoio de colegas e professores, mas não acho muito difícil eu concluir na integralidade os dois semestres.

Só não gosto muito da abertura da entrevista (pra mim, tem um pouco de lugar comum). Mas adorei o título. Vale a pena conferir.

Outros ótimos exemplos dessa atitude crítica do entrevistador são os pingues de FERNANDO CANZIAN com Marta Suplicy e Paulo Maluf, neste blog.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h35

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Educação

Educação

Para quem cobre (ou se interessa por) educação: o Instituto Fernando Braudel faz na próxima quarta uma palestra sobre a reforma do ensino em Nova York, com o diretor da New York Harbor School, que fica na área violenta de Bushwick, no Brooklyn.

[correção: tinha postado que seria amanhã, por engano. Obrigada ao Paulinho por avisar.]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h49

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Agarre as pautas

Agarre as pautas

Há algum tempo eu publiquei dicas de ex-trainees sobre pautas, divididas em grupos (ouvir, ler, olhar).

Ficou faltando um grupinho menor, de procedimentos básicos, que publico agora:

  1. Leve papel e caneta aonde for. Sempre que tiver uma idéia, anote (é muito fácil esquecer depois).
  2. Aceite a mediocridade. Não dá para fazer pauta genial todos os dias. Não se deixe bloquear pelo excesso de exigência consigo mesmo. Se só tem uma sugestão modesta, faça essa mesmo.
  3. Diferencie pauta de tema. "Obesidade", por exemplo, é um tema, dentro do qual podem estar várias pautas. Mas nada de sugerir uma matéria geral sobre obesidade. Se você tiver interesse em algum tema específico, procure sobre ele em sites bacanas. O EurekAlert, por exemplo, é ótimo, sempre divulgando pesquisas novas: http://www.eurekalert.org/index.php
  4. Sempre faça uma pesquisa prévia para ter certeza de que a pauta já não foi publicada pelo seu jornal ou algum concorrente direto.
  5. Lembre-se: o que você considera interessante pode não ser interessante para o público do jornal. E a gente precisa pensar a pauta de acordo com o veículo: em TV, por exemplo, a pauta é totalmente diferente da pauta de um jornal. Respeite a soma: o que as pessoas querem ler? + o que é legal a gente dar porque nos torna diferenciados em termos de qualidade? + há diversidade de abordagens? = estamos no caminho de uma pauta legal.
  6. Não tenha medo de errar. Faz parte do aprendizado. Tem dúvidas se sua pauta é boa, se realmente é uma pauta? Fale com o editor e absorva construtivamente as críticas. Com o tempo, você "acertará a mão".
  7. Vez ou outra pense sobre assuntos polêmicos que foram deixados de lado temporariamente pela mídia. Você pode, de repente, pegar muita gente de surpresa com as novas descobertas que fez sobre determinado escândalo.
  8. Tenha discrição e cuidado para ninguém roubar a sua pauta. No meio jornalístico, infelizmente, isso acontece.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h33

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Jornalismo internacional

Jornalismo internacional

EM CIMA DA HORA

Acaba hoje, 14/8, o prazo para se inscrever no seminário sobre conflito no Oriente Médio dado por Miguel Angel Bastenier, um dos melhores jornalistas do "El País" (Espanha).

O curso, organizado pela FNPI, será em Bogotá (Colômbia), de 28 a 31 de agosto (oitos horas diárias).

A matrícula custa US$ 500 e inclui almoço.

Apesar do custo alto, acho que vale muito a pena, principalmente para quem trabalha em veículo grande, que talvez possa pagar as passagens e a estadia para seu jornalista.

Mais detalhes no site da FNPI.

JORNALISMO INTERNACIONAL - COMO E EM QUE SE ESPECIALIZAR

Quando escrevi sobre jornalismo econômico, leitores me pediram que falasse sobre jornalismo internacional. Consultei várias pessoas e vou colocando as respostas no blog conforme elas cheguem.

Vejam o que diz a editora do caderno Mundo, minha amiga CLAUDIA ANTUNES, que sabe tudo de jornalismo internacional:

Eu acho que ajuda, sim, mas não só na área de relações internacionais (que às vezes é muito teórica).

Especificamente nessa área, é bom ter um arsenal básico, até para decifrar jargões de textos mais especializados _por exemplo, se o cara é da linha "liberal", "realista", "idealista", construtivista etc.
Mas também são muito úteis especializações em história (o mais importante para quem é da área), economia, ciência política.
 
SOBRE ESPECIALIZAÇÕES:
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h32

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Reaja contra os animais

AOS CALOUROS DO MACKENZIE (E OUTRAS):

Todo começo de semestre o caminho para minha casa fica deprimente.

Nos cruzamentos da av. Angélica, a gente é cercada por pencas de garotos emporcalhados de tinta que, aos gritos, pulam na janela dos carros ou ajoelham na rua pedindo moedas.

Outros, sem pintura, com modos de feitor de escravos, urram, batem nos postes e agitam no ar suas garrafas de pinga. São os "veteranos", com suas caras embotadas, repetindo o ciclo de idiotice e intimidação.

Só isso já seria ruim, mas são tamanhos animais que não se mexem nem quando põe em risco outras pessoas. Ao meu lado uma mulher se irrita, buzina, abre a janela e avisa que está com uma criança doente no carro e precisa chegar ao hospital Sabará.

Mas os "universitários" não se mexem.

Alguém ainda acha que isso é jeito de "comemorar" a entrada na faculdade? Tem coisa mais alienada, fascista, burra, mesmo, que isso?

E a universidade, não percebe o quanto esse comportamento "ilustrado" compromete sua imagem? Parece que não.

Se você entrou em jornalismo no Mackenzie, ou em qualquer faculdade povoada por esse tipo de bárbaros, não caia nessa palhaçada.

Não acredite que algo vai acontecer com você por se recusar a ir. Se acontecer, denuncie. Não se acovarde. Vá até o fim. Ligue para qualquer jornal e ponha o nome do agressor na imprensa. Pressione a faculdade.

Em vez de atrapalhar os outros e se encher de bebida desde as 8h da manhã, use sua energia e seu tempo livre para algo mais útil, mais produtivo, menos humilhante.

Participar dos trotes, seja pelo motivo que for, é sinal de que faltam qualidades para ser jornalista. Se você vai porque não tem coragem de dizer não, como vai resistir às pressões a que todo repórter pode estar sujeito?

Se vai porque acha legal, bem, aí acho que nem preciso dizer nada.

E você, leitor, é contra o trote ou a favor dele? A FOL tem uma enquete no ar (clique aqui para dar sua opinião).

DEPOIMENTO E RESSALVA [14.8.2007]

Um leitor me escreve:

Eu sou calouro de Jornalismo do Mackenzie e participei desse trote. Todos têm a desculpa que participando você conhece pessoas e pode se socializar com a faculdade. Mentira! Quem me deu trote aquele dia nem olhou na minha cara hj. Eu não gostei, achei uma babaquice juntar dinheiro a tarde toda para se embebedar de cerveja, creio que existam outras maneiras melhores de celebrar o ingresos na faculdade. O que não posso reclamar é que o pessoal de Comunicação foi bastante compreensível. Preocupados, por exemplo, respeitaram minha vontade de não cortar o cabelo e nos levaram para um farol da Bela Cintra, onde o perigo de um atropelamento é muito inferior. Só por milagre se escapa do trote lá, porque se te sujam (não pedem licença para te jogar um pote de guache na cabeça) você não pode assistir aula. Semestre que vem não participo do trote, ou em parte dele.

O comentário me fez ver que errei na mão no final do meu post. É exagero dizer que, se você participa mesmo sem concordar, é porque não tem a coragem necessária para ser jornalista. Foi um arroubo de momento. É bom saber que há garotos como este aí de cima, que conseguem ver com clareza a situação. E bola pra frente.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h41

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O que você faz?

O que você faz?

PRIVACIDADE, ACUSAÇÕES E RESPONSABILIDADE

Uma saia-justa adaptada de um manual de jornalismo da Universidade do Missouri:

Você está cobrindo a morte de um menino num hospital público de sua cidade. Há suspeitas de que tenha ocorrido erro da equipe que tratava dele. A única confirmação que você tem é de que a criança morreu durante um procedimento médico e de que uma comissão vai apurar as causas. O hospital não fornece o nome do médico. Você apura que uma enfermeira que participou do procedimento foi transferida para outro hospital. A informação é confirmada pela direção, mas não se informa se a transferência tem ou não a ver com a morte do menino. Você sabe o nome da enfermeira. É o caso de publicá-lo? Por quê? O que está em jogo nesse caso? Se você acha que deve escrever algo a respeito, como ficaria esse trecho?

ADVOGADA DO DIABO

Dá gosto ler as respostas de vocês. É ótimo ver as pessoas preocupadas em ouvir a enfermeira, apurar mais por conta própria, resguardar a identidade de alguém que por enquanto é só "candidata a suspeita".

Mas, só para complicar: o público que é atendido no outro hospital, para onde ela foi transferida, não teria o direito de saber que ela esteve num procedimento que acabou na morte de uma criança?

Todos os comentários estão corretíssimos do ponto de vista de tomar cuidado com o personagem da notícia. Mas há alguma responsabilidade do jornalista para com o público, nesse caso?

Como é que vocês se saem desta?

=)

Veja aqui outros exercícios do blog

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h32

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Para jornalistas que gostam de correr

Este post poderia estar no blog do meu amigo RODOLFO LUCENA!

O Instituto Ayrton Senna faz dia 28 de outubro a 4ª Maratona de Revezamento Ayrton Senna Racing Day, para equipes de 2 a 8 corredores, e há 100 vagas gratuitas para jornalistas. Inscrições: inscricao@communicabrasil.com.br.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h09

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Jornalismo cultural

Jornalismo cultural

Curso do espaço Cult, de 11 a 26 de setembro.

Outro dia, na lista da Abraji, uma moça perguntou se valia a pena, já que para ela ficaria caro.

Fiz um post sobre isso outro dia: pra saber se vale a pena, é preciso saber o que você espera com o curso.

Este da Cult, por exemplo, pela programação, parecer ter como objetivo principal dar uma panorâmica do que diferentes meios fazem em jornalismo cultural --e permitir contatos com editores, críticos, gente da área.

Pelo programa, não dá para saber o quanto ele tem de formação, além da informação.

Na dúvida, o ideal é sempre:

1- refletir sobre o que você espera ganhar com o curso

2- ligar para a escola e descobrir se os objetivos do curso coincidem com os seus.

MATEMÁTICA FINANCEIRA

A Andima faz curso de matemática financeira com José Dutra Sobrinho, que dá aulas também na Folha e é um professor muito didático para um assunto árido.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h52

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Caixa-preta

Caixa-preta

por MARCELO BERABA

O jornalista Fernando Rodrigues, da Sucursal de Brasília da Folha, foi o primeiro a ter acesso e revelar parte do conteúdo da caixa-preta do Airbus da TAM que se chocou contra um prédio próximo ao aeroporto de Congonhas provocando a morte de 199 pessoas.

Fernando já foi correspondente da Folha nos Estados Unidos e no Japão, foi editor de Economia, é repórter especial e colunista em Brasília, publicou recentemente o livro "Políticos do Brasil" (editora Publifolha) e mantém um blog sobre política que talvez esteja entrando numa pausa: neste final de semana ele arruma as malas para ficar um ano nos Estados Unidos, em Harvard, com uma bolsa da Fundação Nieman.

Nesta entrevista Fernando comenta o furo que deu e fala um pouco do que é trabalhar em Brasília:

Novo em Folha - Um dos momentos mais dramáticos da cobertura do acidente do avião da TAM foi a revelação, na Folha, dos diálogos finais contidos na caixa-preta entre o piloto e o co-piloto, manchete do jornal do dia 1º de agosto. Como foi o trabalho para a obtenção com exclusividade dos dados de voz da caixa-preta?

Fernando Rodrigues -
Logo depois do acidente, fui um dos repórteres designados pela Folha para tentar obter o material. Nessas horas, é muito importante ser persistente (procurar muitas vezes as mesmas fontes que têm poder de acesso aos dados), organizado (fazer um rastreamento de fontes secundárias que possam ajudar) e ter uma dose de sorte. Assim foi feito. Como as informações de uma caixa-preta são quase incompreensíveis para um leigo, ao obtê-las tive de buscar ajuda com uma fonte secundária que me auxiliou a decifrar o material.

NF - Antes da publicação foi necessária alguma iniciativa sua para comprovar a autenticidade dos dados obtidos?

FR -
Não, pois a fonte era quentíssima. Chance zero de falsificação.

NF - A publicação dos diálogos, divulgados primeiro na Folha e depois pela própria CPI do Apagão Aéreo, provocou críticas do setor aéreo, principalmente na Aeronáutica. Segundo os críticos, a divulgação desacredita o setor de segurança de vôo brasileiro e pode inibir no futuro os pilotos, receosos de falar abertamente o que ocorre na cabine do avião. Como avalia estas críticas? O jornal chegou a discutir a conveniência de publicar os diálogos?

FR -
Não creio que seja possível verificar com alguma ciência o quanto os pilotos vão sonegar em suas conversas daqui para a frente. Tenho dúvidas sobre essa tese. Além disso, os diálogos podem ser muito dramáticos, mas, a rigor, quase sempre são a informação menos importante numa caixa-preta. Os dados mais relevantes são os técnicos, que indicam o que foi feito realmente --quando se analisa um acidente.
Para finalizar, na hora em que um avião entra em pane, não creio que algum piloto vá pensar: "Puxa, deixa eu ficar quieto porque depois vão ouvir tudo o que eu falei".

NF - Você normalmente cobre política, mas de vez em quando tem informações exclusivas em outras áreas, como agora com a caixa-preta. Como trabalha com outros temas fora da política institucional?

FR -
Tudo começa e termina na política. Eu vivo (até agora...) em Brasília. É onde estão os políticos. Eles sempre têm informações sobre todas as áreas.

No dia 17 de julho passado, depois da explosão, foi uma correria enorme entre os jornalistas. Fiquei pensando em nomes de pessoas para quem eu poderia ligar. Assistindo às TVs transmitindo cenas do incêndio ao vivo, notei vários políticos zanzando no local.

Liguei para eles, muitas vezes seguidas --até ser atendido.

Soube então que o brigadeiro Juniti Saito, que estavam em Congonhas, disse ter informação dos controladores de vôo atestando: 1) o avião havia tocado a pista dentro do trecho inicial; 2) ficou em grande velocidade 3) andou para frente em linha reta.
Eram informações valiosas naquele momento. Coloquei no ar um post às 23h55 de 17 de julho:

Avião tocou no ponto correto da pista e
continuou em linha reta e alta velocidade

NF - O jornalismo de Brasília frequentemente é criticado por uma suposta relação promíscua entre jornalistas e fontes. Como é trabalhar em Brasília? Faz sentido esta crítica? Como você cultiva as suas fontes?

FR -
A crítica faz todo o sentido, tanto é que estou indo desta para uma melhor. Pelo menos, pelos próximos 12 meses. Por outro lado, considero fundamental para a formação de um repórter passar um tempo em Brasília. Lutar contra o senso comum e não ficar amigo das fontes. É difícil, mas recompensador.

Vou escrever uma coluna de despedida para a edição de segunda-feira (13/ago) na Folha e pretendo usar uma frase do livro "O Reino e o Poder", do Gay Talese, que conta a história do "New York Times".

Num determinado momento ele escreve sobre os jornalistas do NYT em Washington. Aplica-se muito a Brasília:

"Numa capital onde havia mais jornalistas _cerca de 1.400_ do que congressistas e onde os colunistas podem ficar no poder durante décadas, enquanto os políticos vêm e vão, há um desejo compreensível de parte dos políticos de cooperar com a imprensa, lisonjeá-la e, se possível, confundir com confidências os jornalistas mais importantes ou críticos. Contudo, um dos resultados da cooperação íntima entre a imprensa e o governo é que acabam, freqüentemente protegendo os interesses um do outro e não os do público que supostamente representam".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h17

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Revistas

Paulo Vaz, de Campinas, sugere para quem tem interesse em revistas o blog http://fazcaber.globolog.com.br/, com bastidores da produção (criação de capa, por exemplo) e dicas sobre design e arte gráfica.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h10

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Eleições à vista

A pesquisa Datafolha publicada hoje nos faz lembrar que há uma eleição no horizonte. Como é municipal, vai afetar jornais de todo o país.

Repórteres que pretendam (ou que serão obrigados a) cobrir essa disputa podem começar a se preparar desde já.

O Projeto para Excelência do Jornalismo --um grupo de jornalistas "top" dos EUA-- fez, há alguns anos, uma espécie de cartilha para cobertura de eleições, que a Abraji traduziu para o português e colocou no seu site, pra todo mundo ver.

Uma de que eu particularmente gosto (já falamos sobre o tema aqui) e que vale para todas as áreas, não só eleições, é a clássica "os ex são ótimas fontes".

Só que agora está nas palavras de um jornalista do "Baltimore Sun":

Fale com os sábios secretos
Jack Germond, ex-colunista do Baltimore Sun
Algumas das melhores fontes para qualquer repórter de política são ex-autoridades eleitas que não estão engajados em uma campanha ou debate, mas são capazes de lhe contar o que está acontecendo e mostrar um ponto de partida. Procure falar com pessoas que foram muito ativas na política, mas que agora não estão mais em posição de falar publicamente. Juízes, reitores de universidade, políticos aposentados, políticos em desgraça etc. São pessoas que você não pode citar na reportagem, mas que sabem tudo. Eles adoram ganhar atenção. Faça isso pessoalmente. Faça isso por algum tempo. Será um belo almoço ou jantar. Eles ficarão envaidecidos e dirão mais do que você espera, especialmente depois que o conhecerem. Imagine Bill Clinton e Bob Dole dizendo a você tudo o que podem “em off” antes que as próximas eleições para presidente tenham começado.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h22

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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