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Deste eu me lembrei por causa do acidente na mina de carvão em Utah, onde seis mineiros estão presos desde o dia 6.
"A Montanha dos Sete Abutres", estrelado por Kirk Douglas, é um clássico.
Claro que a maldade do repórter é caricatural, mas um exame de consciência sempre cai bem.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h07
Tenho horror a texto jornalístico cheio de aspas.
Na maioria das vezes, as declarações são banais. Não acrescentam nada.
São usadas como um "recurso de estilo", pra variar o ritmo, mas só entulham o texto.
Um exemplo disso, inventado por mim neste momento:
Uma ciclovia começa a ser construída na semana que vem no canteiro central da rua da Consolação. "Queremos incentivar o uso de bicicletas na cidade", disse o prefeito, Fulano de Tal.
Frase óbvia, que só serve ao prefeito, não ao leitor.
Mas eu realmente acho grave quando a gente reproduz uma declaração sobre algo que é nosso dever verificar. Nesse caso, tanto faz se é entre aspas ou não. O problema é a falta de informação sobre algo concreto. Exemplo:
O secretário disse que a cratera já havia sido tampada.
Tem cabimento? O que o leitor faz com uma frase como essa? Resolve a vida dele? Por que o repórter não foi lá ver se a cratera está tampada? O carro do jornal quebrou, está em cima da hora, a rua é do outro lado da cidade? Pelo menos encontra na lista telefônica o número de alguém que more em frente do problema e verifique. Não é tão bom quanto checar pessoalmente, mas já ajuda um pouco.
Pra mim, é o principal problema no exercício de ontem.
Alguém diz que há camas recém-pintadas, cheirando tinta? O repórter tem que ir lá, cheirar, e informar o leitor.
A justificativa é que ainda está em reforma? É nossa obrigação verificar e contar o que vimos.
Não faz sentido enfileirar um monte de declarações contraditórias e jogar o problema para o leitor. Isso não é "ouvir o outro lado". É deixar de fazer reportagem.
Os leitores que fizeram o exercício perceberam esse problema, além de outros, que comento abaixo:
Débora, de Fortaleza - Faltou também checar a informação dada pelo coordenador de comunicação da prefeitura. As vistorias das secretarias da Saúde e da Infra-Estrutura estavam realmente programadas? Qual a previsão para serem realizadas?
Sim, é verdade, embora a checagem aqui vá se limitar à versão das secretarias. Não é o mesmo caso do cheiro de tinta, mas falta, realmente, checar.
Marcelo, de São Paulo - Considerei desnecessário transcrever uma declaração como essa de Nicanor Lopes: "Ai, meu Deus do céu, vou falar com minha diretora técnica". Mesmo que o objetivo tenha sido mostrar que todos os membros da prefeitura, ligados à área de assistência social, estavam perdidos, eu trocaria esse recurso por um relato.
Eu também sempre prefiro os relatos. Acho que o objetivo da frase foi exatamente esse.
Mauro, de Osasco, Paulinho e Ligia, de São Paulo - Ficamos sem saber o que realmente aconteceu com as crianças.
Sim, informação fundamental, já que são as principais prejudicadas.
Paulo Justus, de Curitiba - Será que a Maria Inês não sabia que estava sendo entrevistada? Por que o repórter não foi na nova sede e confirmou se ela estava com condições de receber os menores? Isso deixa o leitor sem chão.
É boa a questão sobre como foi feita a tal gravação e o contexto exato da frase. O ideal aqui, de minha parte, seria conversar com a repórter para entender o que aconteceu.
Roberto, de São Paulo - Está muito declarativa. Não deixa claro o que o repórter apurou pessoalmente a respeito das versões.
Concordo.
Luiz, de Santos - Acho que faltou confrontar as informaçães dadas por cada fonte, como: perguntar para a coordenadora da instituição, Maria Inês Galão, se realmente reparos no banheiro e na área externa foram feitos e se existiam vistorias pendentes, como foi passado pelo setor de comunicação da prefeitura.
Além de perguntar para a coordenadora, o repórter poderia ir lá e ver com seus próprios olhos.
EM TEMPO
Comentários da Fernanda e da Isabela me fizeram pensar em mais duas coisas:
1. Esta é a típica matéria que exige suíte, ou seja, é bom voltar lá depois para dizer como ficou o caso.
2. O post aí de cima ficou mal-humorado, mas meu objetivo não é criticar o repórter, e sim lembrar cuidados que todo repórter deve ter. Ou seja, olhar para o futuro, não para o passado.
Além disso, não pude conversar com o autor do texto para saber o que houve, nem era muito minha intenção, porque estava falando do resultado, ou seja, do buraco de informação, da falha de apuração do jornal.
Não sabemos que dificuldades o repórter encontrou, nem se pensou em ir ao local ou não. Mas o jornal deveria ter visto o que estava publicando.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h59
Meu leitor João escreve o seguinte:
Sou formado há pouco mais de um ano e sempre trabalhei (desde quando estagiário) em assessoria de imprensa. Tenho muita vontade de trabalhar em Redação, mas acredito ser difícil entrar agora. Peço peço duas coisas:
1- Dicas para pessoas que trabalham em assessoria e querem ir para a Redação, sem ter experiência anterior.
2- Tenho muita vontade em trabalhar em turismo, religiões e em um caderno infantil. Gostaria de saber se você considera bom fazer uma especialização em religião ou turismo? Vale a pena se especializar assim?
João, vamos ponto a ponto, então:
DICAS PARA PASSAR DA ASSESSORIA À REDAÇÃO
- Não acho que entrar agora numa Redação seja mais difícil para você do que para qualquer pessoa que acabou de se formar.
- O fato de ter sempre trabalhado em assessoria não o atrapalha. Pode até ajudá-lo se, nesse tempo, você tiver feito boas fontes nas empresas em cujas contas trabalhou e nos jornais com os quais se relacionou.
- Acho que você precisa seguir os caminhos normais (leia este post sobre o assunto), com algumas adaptações:
- Quando mandar currículos para Redações, se tiver adquirido um bom conhecimento em alguma área, ou tiver boas fontes, deixe isso claro logo no começo.
- Como você nunca trabalhou em Redação, explique brevemente para quem vai ler seu currículo quais as qualidades que você tem que vão permitir a você superar rapidamente essa inexperiência.
- Um cuidado importante, já que você é de assessoria, será deixar claro que é capaz de jornalismo equilibrado, informativo, completo, sem "vender" o assunto que estiver cobrindo. Quando for sugerir pautas, tenha isso em mente. Não use adjetivos, faça uma pauta breve, que diga logo de cara qual é a notícia.
- O mesmo cuidado vale para o texto. Se, numa seleção, tiver que escrever um texto jornalístico, lembre-se de trocar adjetivos por informação e procurar sempre vários lados de um mesmo fato.
VALE A PENA SE ESPECIALIZAR?
As três áreas que você cita --turismo, religião, suplementos infantis-- são bem interessantes.
Se você quer se preparar para trabalhar nelas, acho que há outras prioridades antes de um curso formal de especialização.
Como são áreas bem diferentes, vou separá-las.
Turismo
- comece por um bom livro de história geral
- leia o máximo possível de revistas especializadas (há várias nessa área), para entender como são feitas as matérias e começar a ter sugestões de pauta.
- aprofunde seus conhecimentos de história e geografia, seja com livros, seja com cursos.
- leia bons romances de viagem, que ajudam a melhorar seu texto.
- quando tiver boas idéias de pauta, sugira para os cadernos e revistas da área. A maioria deles trabalha com frilas.
- quando for fazer a reportagem, lembre-se de que, nesse tema, descrição é fundamental: e deve ser baseada em dados concretos, não em adjetivos.
- serviço é fundamental. Recolha o máximo de dicas e informações que puder e cheque com muito cuidado, muito cuidado mesmo, antes de publicar.
Religião - é uma área em que há poucos repórteres no Brasil, pode ser um bom lugar para se destacar
- comece por um texto básico que lhe permita entender melhor como se organizam as religiões (o Manual da Folha, por exemplo, tem um bom anexo sobre isso)
- leia um bom livro de história das religiões
- sempre que ler boas reportagens sobre o tema, arquive.
- tente contatar o autor da reportagem e peça dicas do que ler e de boas fontes na área
- departamentos de sociologia e de história das boas universidades costumam ter cursos e pesquisas. Fique atento.
- diferentemente de turismo, dificilmente há espaço para frilas, pelo menos nos jornais diários. Mas algumas revistas podem se interessar por pautas.
Suplementos infantis
Três qualidades fazem toda a diferença:
- conhecer bem o universo infantil, estar afinado com os temas que interessam às crianças, para sugerir boas pautas
- ser capaz de escrever de forma interessante, atrativa e didática
- dominar perfeitamente o português (cometer erros num caderno para crianças é um problema sério)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h42
Jornalismo social
A ECA-USP faz de 20/8 a 3/12 um curso que se propõe a preparar estudantes e jornalistas a cobrir questões sociais do país. Os temas são direitos humanos, cidadania, responsabilidade social e terceiro setor.
Inscrições vão até 15 de agosto. Informações: (11) 3091-4058, pcbontempi@usp.br
O JULIO ME AVISA QUE NÃO HÁ MAIS VAGAS PARA ESTE CURSO...
Vou manter o post para que os leitores saibam que ele vai acontecer e possam pedir outras informações para a escola, se quiserem.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h56
EFE

Três meses depois do sumiço da menina inglesa de quatro anos anos, um jornal português publicou que a polícia a dá como morta e inclui os pais da menina entre os suspeitos.
Foi o que bastou para que jornais ingleses e portugueses começassem a se atacar, como conta este texto da FOL ("O Globo" de hoje, na versão impressa, também faz reportagem sobre o assunto´--é preciso se cadastrar no site para ver o jornal em PDF).
O "Independent" descola um pouco do tiroteio e analisa, na capa, os fatos do caso. Acho importante que a gente se lembre sempre de que jornalismo deveria se ater a fatos mais que a declarações. E vale a pena ver a versão impressa, porque, nessas horas, a edição conta muito. Notem o tamanho do título, a diagramação, os recursos gráficos.

Um artigo do jornal britânico discute a histeria da imprensa.
QUE LIÇÕES PRÁTICAS TIRAR DISSO?
Como vocês sabem, o objetivo deste blog não é fazer crítica de mídia, por isso vou deixar a discussão do caso em si para quem de direito e pensar um pouco em como jornalistas podem evitar problemas.
Em casos muito sensacionais, é preciso duvidar de declarações, porque:
- a pressão por resolver o caso é grande
- existem interesses políticos em jogo (lembrem-se do ônibus 174)
- testemunhas e envolvidos no caso podem estar enganados
E atenção: mesmo fontes oficiais podem estar erradas.
No dia do ataque ao World Trade Center, escrevi o texto da manchete (graças a um convite que caiu do céu, feito por minha chefe Paula Cesarino). Num dado momento, chegou-se a falar em 15 mil mortos. Policiais ouvidos pelo correspondente da Folha falavam em 10 mil, número que saiu publicado na capa do jornal. O prefeito de Nova York, fonte mais que oficial, disse dias depois que seriam 5.000. Foram 2.750.
Quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleans, o prefeito falou em mais de 10 mil mortos. Um soldado disse que havia dúzias de corpos presos no Centro de Convenções. O chefe de polícia informou tiroteios no estádio em que se acumulavam refugiados. Nada disso se confirmou.
Noutra tragédia, em que mineiros foram soterrados na mina de Sago, em West Virginia, o prefeito deu entrevista para avisar que 12 homens haviam sobrevivido. Na verdade, só um sobreviveu.
Tudo o que você não viu com seus próprios olhos pode estar errado.
Se não há como checar pessoalmente, faça uma pergunta fundamental: Como você sabe disso? Você viu? Alguém lhe disse? Quem foi?
Atribua a declaração, explique como ele sabe daquilo e permita que o leitor decida se deve acreditar ou não.
ADENDO EM 31/8 - ameaçado de processo pelos pais da menina, diretor de jornal diz que só reproduziu o que a polícia disse
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h56
Viagem ao Xingu - final
NA HORA DE ESCREVER
RAFAEL CARIELLO escreve sobre os cuidados que teve na hora de fazer o texto:
É preciso, como sempre, pensar uma estrutura para o texto. Embora seja, em alguma medida, narrativo, não pode abrir mão dos princípios de um texto jornalístico. As informações mais relevantes vêm logo no início: 1 – o que aconteceu era um “conflito”, uma disputa de perspectiva sobre o estado da cultura dos kuikuro e sobre a melhor maneira de “preservá-la”; 2 – estávamos lá por causa do lançamento de dois “produtos” audiovisuais (o DVD dos índios e a série da Cultura).
Não por acaso, as duas informações se relacionam.
A disputa de perspectivas ocorre também no interior dos dois “filmes” – o de Novaes e o dos índios. Todo o texto deveria, idealmente, servir para esclarecer esses dois “fatos”, e suas relações, da melhor maneira possível.
Isso porque, claro, decidi que esses dois fatos eram os mais relevantes. Outro repórter poderia ter pensado de maneira diferente, hierarquizado as informações de outra maneira e encontrado outras soluções.
Leia aqui com surgiu a pauta
Veja aqui como o repórter se preparou para a cobertura
Cuidados que ele teve durante a apuração
Leia o texto integral da reportagem
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h49
Algo soa estranho?
Leiam o texto abaixo, publicado recentemente na Folha. Cortei alguns trechos para não ocupar muito espaço, mas a essência da reportagem está mantida.
Leiam prestando atenção nas informações fornecidas e na maneira de obtê-las e me digam se acham que há algo que o repórter poderia ter feito e não fez.
Eu comento amanhã.
Só para lembrar, não tenham medo de responder. Ninguém está aqui para julgar ou avaliar. A idéia é refletir sobre a profissão.
Crianças dormem em colchões à espera de inauguração de abrigo
Sessenta e quatro crianças e adolescentes vítimas de violência ou abandono, com idades de 1 a 18 anos, dormem em colchões no chão há dez dias no Cacav, um abrigo da Prefeitura de Ribeirão Preto (314 km de SP), enquanto aguardam o prefeito Welson Gasparini (PSDB) inaugurar a nova sede, que está pronta, segundo a direção da instituição.
Os colchões estão sendo espalhados pelo chão porque as camas e outros móveis já foram levados para o novo prédio que irá sediar o Cacav (Centro de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vitimizados).
O novo abrigo não foi inaugurado ainda, conforme a coordenadora da instituição, Maria Inês Galão, porque o prefeito não tem espaço na agenda. A justificativa foi dada por ela a conselheiros tutelares durante a blitz feita por eles ontem -o diálogo foi gravado pela Folha.
"Está muito bonito lá [no novo prédio]. Acho que até o dia 8, o prefeito vai ter espaço na agenda para a gente fazer a inauguração", informou Maria Inês aos conselheiros.
Os cinco conselheiros tutelares, que foram ao local após denúncia anônima e flagraram oito crianças dormindo nos colchões espalhados pelo chão, enviaram a acusação ao juiz da Infância e da Juventude de Ribeirão, Paulo Cesar Gentile.
Gentile encaminhou a acusação ao Ministério Público Estadual e pediu apuração do caso.
Ao ser informado da situação pela Folha, o secretário da Assistência Social, Nicanor Lopes, disse: "Ai, meu Deus do céu, vou falar com minha diretora técnica". Em seguida, a diretora, Anna Lúcia Ludovice Matias, ligou para a redação do jornal e informou que as camas foram pintadas e ainda cheiravam a tinta e que o imóvel não foi inaugurado porque era preciso pôr piso num dos banheiros e grafitar uma parede externa (leia texto nesta página).
A reportagem procurou o prefeito, mas o coordenador de comunicação da prefeitura, Vicente Seixas informou que o prédio novo ainda aguardava vistorias das secretarias da Saúde e da Infra-Estrutura.
Além dos colchões com lençóis, os meninos recebem travesseiro e coberta.
São encaminhadas para o Cacav as crianças que são retiradas das famílias por terem sido vítimas de violência doméstica. A instituição serve como abrigo provisório -a medida, prevista pelo Estatuto da Criança e Adolescente, pode ser aplicada pelo Conselho Tutelar ou pelo juiz da Infância e da Juventude.
Secretaria diz que reforma não está completa
A diretora do Departamento de Proteção Especial da Secretaria da Assistência Social de Ribeirão, Anna Lúcia Ludovice Matias, negou que a inauguração da nova sede do Cacav ainda não tenha ocorrido porque o prefeito Welson Gasparini (PSDB) não tem espaço na sua agenda.
Segundo ela, a reforma ainda não está completa: faltam colocar piso em um banheiro e grafitar algumas paredes da área externa.
Ela também disse que as camas foram retiradas do abrigo antigo para serem pintadas e que foram levadas de volta ao Cacav porque ficaram com cheiro de tinta. "Além da pintura, tinha cama que precisava ser consertada. O cheiro de tinta ficou muito forte, e deixamos elas no prédio novo para não prejudicar a saúde das crianças. Se demorar muito para inaugurar [a nova sede], a gente leva de volta", afirmou.
Anna também disse que falta comprar alguns móveis para o prédio novo.
COMENTÁRIOS DE SEXTA
Coloquei os comentários num outro post (veja aqui)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h01
A Aline, de São Paulo, me conta que está no primeiro ano da faculdade e tem bastante interesse por jornalismo econômico: "Queria que você falasse um pouco mais sobre essa área; conhece alguns cursos mais introdutórios e aqui no Brasil mesmo?".
Aline, acho que você poderia fazer um plano de formação em economia, em diferentes etapas:
1. conheça o noticiário
Comece por ler atentamente --e diariamente-- o noticiário de economia de um grande jornal diário.
Quando tiver ganhado ritmo nesse acompanhamento, passe a ler também diariamente um bom jornal especializado --Valor, por exemplo, ou Gazeta Mercantil.
Esse primeiro passo vai permitir que você fique informada sobre os temas mais importantes da área, que se familiarize com o texto do jornalismo econômico, com os jornalistas e colunistas de economia e com as fontes mais freqüentes.
Estar com essa leitura em dia também permite que, ao começar um curso, você tenha clareza de por que aquele conhecimento é importante, como ele é usado em jornalismo, ou seja, você vai aproveitar muito mais o curso.
2. faça um curso básico de economia para jornalistas
Em São Paulo, a oferta desses cursos é boa: FGV, Fipe e Federação do Comércio costumam dar cursos gerais; BM&F, Bovespa e Ibmec também fazem cursos mais focados.
Os cursos em geral tem três benefícios: a) você conhece colegas da área com quem pode trocar idéias e que podem ser seus colegas de profissão no futuro; b) você conhece professores que podem ser fontes no futuro, não só para dar declarações em reportagens, mas para orientá-la e ajudá-la a entender um assunto que você preciso cobrir; c) você ganha uma primeira dimensão da quantidade de coisas que ainda ignora sobre o tema que quer cobrir (parece bobagem, mas conhecer o tamanho da nossa ignorância é fundamental em jornalismo).
Claro que, durante o curso, você deve continuar lendo os jornais.
3. faça exercícios
Nos jornais laboratório da faculdade, tente fazer o máximo de reportagens que puder ligadas a economia. Com isso, você ganha desenvoltura no tema, faz fontes e começa a entender melhor o que pode ser pauta.
Se sua faculdade tem professor de jornalismo econômico, cole nele: peça dicas de leitura, discuta o noticiário com ele, mostre seus textos para que ele comente ou corrija.
4. ponha os três primeiros passos em prática
Quando já estiver mais adiantada na faculdade, pense na possibilidade de fazer um estágio ou mesmo começar a trabalhar com jornalismo econômico, mesmo que seja num jornal menor, num site ou numa revista especializada.
Isso ajuda a ganhar ritmo, enfrentar desafios maiores e aprender com eles.
5. mesmo trabalhando, não pare se aperfeiçoar
Há vários cursos e bolsas como este da Reuters, voltados para quem já é jornalista econômico. Mantenha-se informada sobre eles e, sempre que possível, inscreva-se.

Como nunca fiz jornalismo econômico, pedi ajuda a um dos mais competentes repórteres que conheço, FREDERICO VASCONCELOS, que acrescentou algumas dicas:
Pesquise pela internet nos sites dos órgãos oficiais, mesmo que seja através de consultas aos setores de comunicação. Há sempre material de interesse, programas de cursos acessíveis etc.
Entidades como Bovespa, Ibmec e outras têm publicações mais recentes para esclarecimentos de jovens jornalistas.
Essa última, eu aprendi com um amigo de meu filho. Eu estava na Fiesp, aguardando a chegada dos ministros que iriam abrir um seminário, e encontrei o garotão no lobby da entidade, com o material do seminário na mão. Perguntei o que ele estava fazendo ali: ele disse que costumava assistir esses eventos, por conta própria. Eram de graça e ele ficava sabendo de muita coisa que não sai na imprensa. Ele faz administração. E eu acho que ele vai longe...
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h23
A Fundação Avina fez um banco de dados com informações detalhadas e contatos de 634 especialistas e organizações não-governamentais de 23 países, atuantes em 22 áreas de desenvolvimento sustentável.
Consultei meu guru Ricardo Meirelles, que sabe tudo sobre essa área. Ele me disse que não conhece todos os citados, mas, dos que conhece, há gente interessante.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h42
A importância do onde
Sugeri o exercício de segunda baseado numa experiência própria.
Abri o site da Folha Online, como faço várias vezes por dia, para dar uma olhada nas novidades.
Dei com o título: "Caminhão desgovernado invade loja e deixa um morto na Grande São Paulo".
Cliquei imediatamente na nota, com uma preocupação principal: será que foi alguém que eu conheço.
Eu vivo em São Paulo e conheço muita gente que poderia estar numa loja, por isso, para mim, era claro que o lide precisava informar de cara onde, exatamente, havia sido o acidente e quem morreu.
Quando começaram a chegar comentários dos leitores priorizando outras informações, todas relevantes, claro, mas nem sempre iguais à minha escolha, me dei conta de que "exatamente onde" é a coisa mais importante para quem está naquela região geográfica.
Para quem mora em Manaus, Porto Alegre, Miami e não tem amigos ou parentes em São Paulo, saber que foi na cidade já é o suficiente. Para eles, interessa muito mais entender como e por que o caminhão foi parar dentro da loja...
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h51
A Vanessa, de Porto Alegre, me avisa que foi lançado no Brasil o livro do Philip Meyer sobre a crise do jornalismo impresso. O título em português é "Os jornais podem desaparecer?". [Breno, de Curitiba, lembra que Carlos Eduardo Lins da Silva publicou uma resenha sobre o livro na Ilustrada deste sábado, que pode ser lida on-line por assinantes. Antes de o livro ser traduzido, o Observatório da Imprensa também havia feito uma resenha sobre a obra que resume bem seus principais pontos.]
O livro e o autor caíram na boca de todos por causa de uma projeção que ele fez, com base na atual queda de circulação dos jornais. Se todo o mundo se mantivesse como está, os impressos sumiriam no ano 2043.
Mas Philip Meyer é mais que o autor de uma data concreta e uma frase fácil de reproduzir. É um dos mais influentes jornalistas e professores americanos. Cunhou a expressão "jornalismo de precisão" para o uso do rigor estatístico e de técnicas de análise de dados no jornalismo.
Meu colega Luís Eblak fez recentemente, para o Observatório da Imprensa, uma entrevista com ele em 2004.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h42
Jornalismo econômico
A Fundação Reuters recebe até 10 de setembro inscrições para curso de jornalismo econômico em Londres (há bolsas). Se é a sua área, não deixe de se inscrever. O curso é ótimo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h40
On-line
A News-U está com um curso gratuito sobre como cobrir água (e a falta dela). Basta se registrar no site.
Para lembrar, a News-U é uma associação de dois dos principais centros de formação de jornalistas dos EUA: o Poynter e a Fundação Knight.
Clique aqui para ver a lista de cursos que eles oferecem.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h53

Já contei aqui neste blog como fiquei arrasada quando não passei na seleção do mestrado da ECA/USP.
Mas, toda vez que preciso selecionar uma nova turma de treinamento, essa história me vem à mente.
Sempre repito para quem não é chamado: isso não é uma recusa, eles têm todas as qualidades e podem tentar de novo. Mas sei que é difícil manter a calma nessa hora.
A Verena, que fez a última turma, tentou três vezes antes de fazer o programa. Na segunda, ela ficou tão abalada que pensou em desistir de vez. Pedi a ela que escrevesse algo para quem --como eu e como tantos de nós-- não tenha passado numa seleção, seja qual for:
Participei de três semanas de palestras até virar trainee. Da primeira vez que não passei, queria muito entender o que deu errado (o que nunca consegui, claro), mas nem imaginei desistir.
Já na segunda tentativa, pensei: "se não conseguir, não tento mais". Achava que se não passasse significava que não tinha o perfil do treinamento e, se fosse assim, não adiantava teimar.
Decidi me inscrever pela terceira vez porque via que as pessoas escolhidas para a semana acabavam conseguindo outras vagas. Fiz a seleção com a certeza de que não passaria, mas contando com os concursos que a Ana divulga depois que a semana acaba. Enfim, dessa vez passei.
Ajudou muito (muito mesmo!) ler uma mensagem da Ana que recebi na segunda seleção, quando disse a ela que tinha decidido não tentar mais. Espero que ajude quem está passando por isso agora:
"Verena, entendo esta sua primeira reação, mas não se apegue a ela. Se, no futuro, tiver vontade de participar de novo da seleção, ou mesmo de concorrer a vagas no jornal, por favor, faça isso. Estou sendo sincera quando digo que vocês têm muito potencial e espero que não deixe de usá-lo movida apenas pela frustração, totalmente compreensível, desse resultado."
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h32
Investigação
OFICINA DE INVESTIGAÇÃO
A FNPI vai fazer uma oficina para jornalistas que estejam fazendo investigações de longo alcance, e dará bolsas.
A fundação organiza alguns dos melhores cursos de jornalismo que conheço.
Esta oficina é voltada especificamente para repórteres com experiência e que estejam envolvidos num projeto de investigação.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h59
Informação fundamental
Este é bem simples e bem breve.
Vamos ver se mais gente se anima a responder. Só pra lembrar, não tenha medo de responder. Não há certo ou errado em jornalismo. O objetivo destes exercícios é fazer pensar.
Pois bem, qual é a informação que não pode faltar no lide desta matéria?
"Caminhão desgovernado invade loja e deixa um morto na Grande São Paulo"
Eu comento no final da terça.
ADENDO: A Gabriela e alguns de vocês me fizeram perguntas que mostram que não fui muito clara no enunciado do exercício.
O que eu quero é que vocês pensem em qual é a primeira informação que a gente tem que dar para o leitor neste caso.
O leitor leu este título. Qual a primeira coisa que ele precisa encontrar no texto, ou seja, o que tem que estar no lide de qualquer jeito??
UM GRÃOZINHO DE SAL
Vocês levantaram ótimos pontos relevantes, que precisam estar na matéria com certeza. Mas alguns sugeriram várias informações --todas indispensáveis, mas quero complicar a vida de vocês: se tivessem que escolher a mais relevante dentre as informações que indicaram, qual seria ela?
E outra pergunta pra pensar: a informação fundamental, a primeira dúvida que aparecerá na cabeça do leitor quando ele ler o título, muda de acordo com o lugar em que ele vive?
Comentários sobre isto num post acima.
Veja aqui outros exercícios do blog.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h41
Informação fundamental
Este é bem simples e bem breve.
Vamos ver se mais gente se anima a responder. Só pra lembrar, não tenha medo de responder. Não há certo ou errado em jornalismo. O objetivo destes exercícios é fazer pensar.
Pois bem, qual é a informação que não pode faltar no lide desta matéria?
"Caminhão desgovernado invade loja e deixa um morto na Grande São Paulo"
Eu comento no final da terça.
Veja aqui outros exercícios do blog.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h41
Um repórter da Al Jazira consegue cobrir a guerra do Iraque com isenção?
Deve?
São perguntas que surgem, diz a BBC, quando se assiste ao documentário "Control Room" (leia aqui a resenha da BBC).
No Brasil, quando passou no festival do Rio, em 2004, foi chamado de "Central Al Jazeera".
Meu leitor Paulo, de Curitiba, nos avisa que é possível assisti-lo on-line (clique aqui para ver). [Obrigada, Paulo!!]
Em inglês, é vendido na Amazon.
Foi uma dica da Carolina Matos, que falou na semana de palestras, para quem gosta de cobertura internacional, cobertura do Oriente Médio e reflexões sobre "objetividade possível" no jornalismo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h47
Quando vale a pena fazer um curso?
Como imagino que muitos de vocês tenham dúvidas semelhantes, respondo no blog aos questionamentos dela.
É difícil garantir 100% se o curso será útil ou não. Para isso, seria preciso saber quem são os professores e como é a abordagem de cada um dos tópicos (e, mesmo assim, ainda há uma margem de erro).
Vi o programa do curso e vários dos itens me parecem importantes para um jornalista que quer trabalhar com reportagem e com investigação.
Alguns exemplos (há outros, só pesquei alguns):
As diferenças entre o jornalismo declaratório e a notícia investigada;
A importância da rechecagem das notícias;
A agenda de telefones do jornalista investigativo;
Os riscos da manipulação por parte da fonte;
Diferença entre fonte, amigos e consultores;
O denuncismo: a diferença entre o jornalismo investigativo e a denúncia pela denúncia;
Diferenças entre investigação jornalística policial, política, econômica e de comportamento;
Há, por outro lado, temas que me parecem muito vagos ou muito gerais, como:
As complexidades da apuração;
Como contar com palavras uma boa história;
Texto jornalístico-apuração, redação e edição.
Claro que, em princípio, todo curso acrescenta alguma coisa.
Imagino então que a sua dúvida é se deve investir tempo e dinheiro neste curso específico (já que tempo e dinheiro são cada vez mais limitados pra todo mundo), se o custo compensa o benefício.
Acho que é isso que você quer saber quando pergunta se "vale a pena"
Vamos ponto a ponto:
Vale a pena fazer este curso?
É difícil responder. Depende muito das opções que você tem e dos seus objetivos. Se você tem tempo livre, tem a verba necessária e não há outros cursos disputando sua atenção no momento, com certeza vale. Alguma coisa você vai aproveitar dele, nem que seja conhecer outras pessoas da sua área.
O que um curso como esse ajuda para quem quer seguir jornalismo investigativo?
Isso depende muito de como o curso foi estruturado, o que não dá para saber só olhando o site.
Minha experiência é que há vários níveis de curso e o benefício deles vai crescendo conforme eles sobem de nível.
Há cursos que são baseados só em palestras, em aulas. São cursos que informam. Você fica sabendo que existe um mundo novo que você ainda não conhecia, e conhece, pessoalmente ou por indicação, profissionais que entendem dele, teóricos que pensam sobre ele, ou seja, tem um caminho das pedras mínimas para se quiser pesquisar e estudar por conta própria.
Há cursos que, além das palestras, exigem leituras. Eles dão um passo além no sentido de aprofundar e fixar a informação recebida.
Há cursos que incluem exercícios. Nesses você, além de informação, estará sendo formada. Ganhará experiência, aprenderá com seus próprios erros, ganhará segurança para experiências futuras. Uma coisa é ver numa planilha projetada por um datashow dados sendo organizados e transformados numa matéria. Outra muito diferente é conseguir os dados, colocá-los numa planilha, organizá-los e tirar deles a matéria.
Por fim, há cursos em que os professores corrigem os exercícios e orientam sua execução. Estes são os que mais vão contribuir para seu aperfeiçoamento profissional.
Ajuda a conseguir a tão sonhada vaga num jornal (ou é a experiência é que conta)?
De novo, depende. Que vaga? Em que jornal?
Se for uma seleção para repórter iniciante, ter feito o curso pode contar, sim, a seu favor.
Se for uma vaga para repórter experiente de política, polícia, adminstração pública, a experiência pode ser mais importante que o curso.
Alguém conhece outros cursos aqui no Rio?
Sim, a FGV está organizando uma especialização em jornalismo investigativo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h42
Viagem ao Xingu
COMO AGIR NO LOCAL
COMO AGIR NO LOCAL
RAFAEL CARIELLO conta como foi seu trabalho na aldeia dos kuikuro:
Há duas coisas importantes, acredito, numa matéria como essa. Primeiro: trata-se obviamente de um lugar pouco comum para o leitor da Folha. Se um repórter vai cobrir uma passeata na av. Paulista, ele não precisa fornecer detalhes sobre a organização dos prédios, do cruzamento das ruas, sinais de trânsito etc.
Mas, para um lugar como esse, vale a pena fazer boas descrições, guiar o leitor pelo local. É interessante, além de ser informação relevante, nesse caso, descrever como se organiza a aldeia, quem são os visitantes, como se comportam, quem são os visitados, como reagem.
Não faria sentido, num caso assim, um texto feito quase que exclusivamente de “aspas” e opiniões de parte a parte.
Segundo: É preciso observar o que acontece, as interações entre as pessoas presentes, e ouvir o maior número possível delas sobre o que é observado, mesmo que apenas uma pequena parte do que for anotado vá ser de fato usado na matéria.
Tratava-se, desde logo, de um conflito de perspectivas. Era preciso ouvir vários índios sobre as razões de quererem tanto filmar os brancos. Ouvir os antropólogos presentes. Ouvir o autor do documentário para a Cultura. Observar bastante, pensar sobre o que está sendo observado, e questionar as razões para os participantes do evento.
A história do que acontecia nesses dois dias, disso que era observado e questionado, é muito mais interessante do que a simples informação sobre os “produtos” que estavam sendo lançados. Isso obviamente confere um caráter mais narrativo – e portanto mais interessante – ao texto.
Leia aqui com surgiu a pauta
Veja aqui como o repórter se preparou para a cobertura
Leia o texto integral da reportagem
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h24
Ache os buracos
Um leitor do blog e da Folha Online, advogado, me escreveu sobre esta matéria abaixo, que era a manchete da FOL na sexta.
Ele apontava "buracos" --informações importantes que faltavam. Leiam o texto e vejam se vocês sentem falta de alguma coisa.
Antes, uma reflexão: a mensagem dele deixa claro um paradoxo do jornalismo online. Por um lado, ele tem que ser necessariamente rápido, dar a informação logo. Por outro, como me escreveu um outro advogado, ele não tem restrições de espaço e pode ser atualizado a qualquer momento, por isso o leitor espera que os textos estejam completos, que a inormação esteja toda ali.
Em assembléia realizada nesta sexta-feira, os metroviários de São Paulo decidiram suspender a greve que havia começado à 0h de quinta-feira. A decisão ocorreu depois que o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) considerou a paralisação da categoria abusiva na tarde de hoje.
A juíza relatora do caso, Cátia Lungov, determinou que o sindicato pague imediatamente a multa de R$ 100 mil por dia de greve, além de outra multa de R$ 1,8 milhão por litigância de má-fé (condenação que inclui a indenização à parte contrária) --que representa 5% sobre o valor de uma folha e meia de salários líquida do Metrô.
"Acho que cumprimos nosso papel. A categoria não se dobrou diante da ameaça e truculência desse governo, com essa patifaria de não querer negociar. Vocês podem ter certeza que a luta não acabou", afirmou em assembléia Flávio Godoy, presidente do sindicato.
Godoy disse que durante toda a madrugada de hoje os metroviários formularam propostas que foram apresentadas ao Metrô durante o dia. De acordo com o sindicalista, a empresa não aceitou nenhuma.
"Toda multa é um problema. É a categoria que contribui. Nós já pagamos multas por outras greves, mas conseguimos parcelar", disse Godoy. Segundo o presidente, o sindicato vai recorrer das multas. "R$ 2 milhões representam 10 meses de faturamento do sindicato".
Nesta sexta, as únicas estações do metrô que funcionaram são as da linha 1-azul, que liga o Jabaquara ao Tucuruvi, e as da linha 2-verde entre Ana Rosa e Clínicas. Às 9h30, o Metrô e a CPTM abriram o setor de integração gratuita entre os dois sistemas, na Luz, mas ele seria fechado novamente no fim da tarde.
O diretor de assuntos corporativos do Metrô, Sérgio Avelleda, disse que a maior preocupação é colocar os trens em funcionamento. A estimativa do diretor é de que a retomada total dos serviços demore de duas a três horas.
Avelleda afirmou também não descartar a demissão dos funcionários que não voltarem ao trabalho. 'Se os trabalhadores não voltarem, todas as conseqüências legais e autorizadas pela direção do TRT serão imediatamente adotadas, como, por exemplo, a demissão', afirmou.
ADENDO: Este não é um exercício de crítica de texto (nem tem o objetivo de criticar quem fez a matéria. Como já disse aqui, isso é função do ombudsman). É um exercício de apuração. De pensar nas informações que você tem, de ver se elas são suficientes ou se você precisa de mais coisa. Suponha que é um release que você recebeu antes de fazer sua reportagem. O que falta apurar? O que você ainda precisa perguntar?
COMENTÁRIO DO FINAL DO DIA
Vocês apontaram lacunas importantes em toda matéria sobre greve: é importante explicar o que pedem os grevistas e o que responde a empresa. Além disso, é sempre bom dizer se o sindicato é filiado ou controlado por algum partido, grupo político ou parlamentar, principalmente em greves de servidor público.
Outra coisa bem apontada é que a matéria diz que a greve acabou, mas não esclarece se o metrô voltou a funcionar, informação que precisava estar no lide, já que afeta diretamente o leitor.
Além delas, há duas outras de que nosso leitor advogado sentiu falta e que reproduzo abaixo.
Como ele mesmo me escreve, o jornalismo não precisa (e muitas vezes não deve) entrar em detalhes técnicos. Mas as lacunas que ele apresenta são relevantes mesmo para a compreensão da notícia.
1. "...o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) considerou a paralisação da categoria abusiva..." - qual o motivo de o TRT ter considerado abusiva a greve? (Não foi avisada com antecedência? não foi mantido o mínimo de seviço? etc.?). Seria fácil obter essa informação, com a assessoria de imprensa do tribunal ou mesmo com a secretaria, que tem acesso às decisões. Em geral, essas decisões também são publicadas na internet, e seria possível pedir ajuda a uma fonte da área do direito, se fosse preciso.
2. "...além de outra multa de R$ 1,8 milhão por litigância de má-fé (condenação que inclui a indenização à parte contrária)..." O que é litigância de má-fé (o leigo não tem obrigação de saber) e por que um valor tão alto R$ 1,8 mi? (não é um valor banal na prática jurídica). O motivo pode ser obtido no processo, se a assessoria não souber informar.
Veja aqui outros exercícios do blog.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h46
 Jack Nicholson e Maria Schneider em "Profissão: Repórter"
Na segunda, quando comentei sobre o curso de cinema e história que fizemos no treinamento, um leitor pediu sugestões de filmes do Ingmar Bergman e do Antonioni, que haviam morrido.
O professor Bonturi diz que usa "O Sétimo Selo", de Bergman, numa aula de Idade Média. Ele vai me mandar a bibliografia e um texto, que vou postar para todos.
Ele contrapõe o filme a duas comédias sensacionais: "O Incrível Exército de Brancaleone" e "Brancaleone nas Cruzadas", de Mario Monicelli.
Mas minha dica para essa noite melancólica de domingo (e fria, aqui em São Paulo), se alguém ainda tiver pique de ir até a locadora, são dois filmes do Antonioni que falam de jornalistas: "Blow Up" e "Profissão Repórter".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h46
Na semana passada eu coloquei aqui uma dica do Elio Gaspari sobre os "ex" --ex-ministro, ex-diretor, ex-técnico.
(De ex-mulher, acho que nem é preciso falar. A vingança é ótima pauteira...)
Alguns leitores, como o Flavio, de São Paulo, e o Felipe, de BH, escreveram para dizer que o "ex" pode estar só querendo aparecer e detonar o trabalho do atual.
Eles têm razão e por isso é preciso fazer uma distinção:
Nem toda fonte serve para dar declarações.
Reportagem não é feita só de declarações, mas de observação, levantamento de fatos, comprovação por meio de documentos.
E fontes podem nos ajudar a levantar fatos, obter documentos, melhorar nossas perguntas com um ponto de vista mais crítico.
O ex não é uma boa fonte para declarações, mas é ótimo para dar munição ao repórter.
No caso do Dnit, que eu citei naquele outro post, eu não ouviria o ex-diretor para saber a opinião dele sobre a obra.
Eu iria consultá-lo atrás de subsídios para achar informação, dados concretos, documentos, provas, para entender como funciona o processo.
É uma fonte que orienta o jornalista.
Fica mais clara a diferença?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h10
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