Pequena lição de infografia
Reprodução El País.com
O El País.com deu show de didatismo com um infográfico sobre o acidente do avião da TAM em Congonhas. Veja aqui.
Pedi para o Fábio Marra, editor de arte daqui da Folha, comentar o trabalho:
A animação do jornal EL País é uma “obra-prima” da infografia.
A simplicidade e didatismo ao narrar um acontecimento é o objetivo em toda infografia. Esta do El País supera todas as expectativas. O que aconteceu, como aconteceu, em qual hora, as medidas da pista e da avenida. Está tudo lá. Este trabalho serve de exemplo para os impressos brasileiros, que relutam em contar visualmente uma história de maneira simples. Ao contrário disso, muitas vezes acabam carregando a infografia de texto e, não raro, esquecem de informar o básico.
Tecnicamente, a animação do El País também surpreende. Nota-se que vários programas e profissionais participaram simultaneamente na execução. Sem contar a base com imagens do Google Earth, que dá o toque de realidade à animação.
Os designers espanhóis são, historicamente, os mestres da infografia, tanto impressa como em animações em flash para internet. Costumam levar grande parte dos prêmios nessa categoria. Eles mesmos, vale lembrar, criaram e sediam até hoje o prêmio internacional mais importante da área, o Malofiej.
E agora acabam de dar mais uma aula. De lá da Espanha eles conseguiram superar e surpreender a imprensa brasileira (jornais, revistas, sites e TV) em um show de informação visual e uma aula de didatismo jornalístico, a qual só podemos agradecer, admirar e, claro, se inspirar, partindo em busca de toda essa qualidade.
Em julho, o blog continuará a ser atualizado pela Juliana, minha assistente. Comentários serão publicados normalmente. Marcelo Beraba, que já foi ombudsman, secretário de Redação da Folha, editor de cidades e de política, diretor da Sucursal do Rio, editor-chefe do "Jornal da Globo" e diretor de Redação do "Jornal do Brasil", ficará responsável também pelo treinamento e pode responder a perguntas que vocês tenham. Basta escrever nos comentários ou mandar um e-mail para novoemfolha.folha@uol.com.br
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h57
Oswald de Andrade
A Casa do Saber faz, a partir de 30/7, curso sobre os textos filosóficos de Oswald de Andrade. A organização é do dramaturgo Zé Celso.
Em julho, o blog continuará a ser atualizado pela Juliana, minha assistente. Comentários serão publicados normalmente. Marcelo Beraba, que já foi ombudsman, secretário de Redação da Folha, editor de cidades e de política, diretor da Sucursal do Rio, editor-chefe do "Jornal da Globo" e diretor de Redação do "Jornal do Brasil", ficará responsável também pelo treinamento e pode responder a perguntas que vocês tenham. Basta escrever nos comentários ou mandar um e-mail para novoemfolha.folha@uol.com.br
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h57
"Editoria de avião"
O Igor Gielow, secretário de Redação da sucursal da Folha em Brasília, comentou comigo, semana passada, que o atual caos aéreo está formando um novo time de jornalistas, os especializados em aviões, pistas, tráfego aéreo etc. Pedi a ele, então, que contasse isso melhor aos leitores do Novo em Folha.
Aí está:
Depois dos acidentes
Dois acidentes graves de avião, mais de 350 mortos, em 10 meses. Em qualquer país do mundo, o desafio posto à frente do jornalismo seria enorme. No Brasil, com todas as deficiências de formação profissional e dificuldades de acesso à informação vigentes, a tarefa parecia intransponível. Mas, desde o choque do Legacy da Excel Aire que derrubou o Boeing da Gol sobre a Amazônia em setembro de 2006, culminando com a explosão do Airbus da TAM na terça passada, o que se viu foi um formidável esforço da mídia em superar as dificuldades.
No caso específico da Folha, em setembro do ano passado tínhamos à mão dois tipos de profissionais para lidar com a cobertura: os que tinham contato com fontes na área aeronáutica civil ou na área militar/governo de um lado, e aqueles que por algum tipo de afinidade eletiva tinha maior conhecimento técnico, do outro. Foi um aprendizado difícil, em especial porque o acidente sobre a Amazônia foi um de dificílima explicação. Um quebra-cabeças muito complexo, que já está quase resolvido, mas que encerra perguntas importantes ainda.
Comparativamente, no dia da tragédia em Congonhas já era possível alinhavar as hipóteses mais prováveis sem grandes dúvidas.
O agravamento do caos aéreo contribuiu para o quadro. O último acidente a mobilizar a mídia havia sido em 1996, o do Fokker-100 da TAM em Congonhas. Como sempre, o jornalismo abandona progressivamente o ímpeto investigativo e detalhista que sucede a essas tragédias se o assunto "esfria". A área de aviação se tornou algo destinado à cobertura econômica, que com raras exceções consegue ultrapassar a visão da "matéria de negócios" e entender as implicações maiores de um dado movimento _no caso, a toda reestruturação do mercado aéreo brasileiro.
Isso não aconteceu desta vez. Além de a investigação do caso Gol 1907 ter sido mais demorada e complexa, com novidades ainda sendo reveladas, o caos aéreo acabou justificando a formação de quadros permanentes para o acompanhamento da área. Como falamos aqui na Sucursal de Brasília, temos a "editoria de avião". Só aqui são pelo menos cinco pessoas a cobrir de forma regular o setor. Em São Paulo e no Rio, há também profissionais dedicados. Nos aperfeiçoamos bastante, e o leitor ganhou com isso.
O que não nos torna imune a erros e, na verdade, pelo contrário. A soberba é um perigo tão grande quanto a ignorância. Na correria de uma apuração a quente, como a queda de um avião no meio da maior cidade do país a uma hora do fechamento do jornal, erros acontecem. Nossa luta permamente é a de manter o padrão técnico elevado, pela consulta a fontes qualificadas, e a de não escorregar em várias cascas de banana que apareceram justamente porque agora nós "entendemos mais". Não é incomum, em especial no noticiário online e de rádios/TV, ver jornalistas falando bobagens abissais, fazendo julgamentos irresponsáveis e levantando hipóteses absurdas. Tudo porque, nos últimos meses, a pessoa falou com algum especialista, leu algum artigo. Não foi diferente desta vez.
Isso não quer dizer que o jornalista não deva se esforçar em ter juízo crítico, amparado pelo máximo de estudo e auxílio de fontes alternativas possível. Ao contrário: uma das cascas de banana mais escorregadias à disposição são as boas fontes, em especial na área militar/governamental. É preciso discernimento para não apenas reproduzir no jornal informações, por melhores que sejam. É preciso interpretá-las, à luz da desconfiança sobre o interesse específico (no caso do Gol, a queda-de-braço entre os controladores e a Aeronáutica, ou ainda a intenção oficiosa de culpar os americanos a priori, por exemplo; no caso atual, o terror do governo federal em ver a pista de Congonhas, sua responsabilidade, como culpada pelo acidente), e também contextualizar eventuais dados técnicos.
Enfim, o que se pode dizer é que, com todos os avanços nesse tipo de cobertura, ainda estamos longe de poder cantar vitória. Na realidade, nunca poderemos. Nem devemos, para o bem do leitor.
Em julho, o blog continuará a ser atualizado pela Juliana, minha assistente. Comentários serão publicados normalmente. Marcelo Beraba, que já foi ombudsman, secretário de Redação da Folha, editor de cidades e de política, diretor da Sucursal do Rio, editor-chefe do "Jornal da Globo" e diretor de Redação do "Jornal do Brasil", ficará responsável também pelo treinamento e pode responder a perguntas que vocês tenham. Basta escrever nos comentários ou mandar um e-mail para novoemfolha.folha@uol.com.br
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h59



