Tragédias & Jornalistas
Ainda no mesmo assunto do último post, aí vão dicas do Dart Center for Journalism & Trauma, em inglês ou em espanhol, sobre como cobrir histórias difíceis.
Em julho, o blog continuará a ser atualizado pela Juliana, minha assistente. Comentários serão publicados normalmente. Marcelo Beraba, que já foi ombudsman, secretário de Redação da Folha, editor de cidades e de política, diretor da Sucursal do Rio, editor-chefe do "Jornal da Globo" e diretor de Redação do "Jornal do Brasil", ficará responsável também pelo treinamento e pode responder a perguntas que vocês tenham. Basta escrever nos comentários ou mandar um e-mail para novoemfolha.folha@uol.com.br
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 00h27
Tragédia em Congonhas: a cobertura
Raimundo Paccó/Folha Imagem
Parentes de vítimas do acidente com o Airbus-A320 da TAM na saída do prédio do
IML (Instituto Médico Legal), depois de fazerem o reconhecimento dos corpos
Pedi para a Cláudia Collucci, uma das melhores e mais experientes repórteres da Redação da Folha, autora, junto da Daniela Tófoli, do texto publicado hoje sobre as famílias das vítimas do vôo 3054 [pode ser lida on-line por assinantes da Folha ou do UOL], falar um pouco sobre o trabalho em pautas delicadas como esta.
Como abordar o parente de uma vítima sem ser descortês? É possível deixar o sentimento de lado e ser objetivo?
Veja o que diz a Cláudia:
Mesmo após 20 anos de atuação no jornalismo diário, cobrindo todo tipo de notícia, ainda considero a abordagem de parentes de vítimas de grandes tragédias a pior das tarefas. Talvez por ter como filosofia de vida "não fazer ao outro o que eu não desejo que seja feito comigo", tenho muito cuidado quando, mesmo a contragosto, preciso entrevistar alguém neste momento de dor em IMLs, velórios e cemitérios.
No último ano, pelo menos em três situações enfrentei esse drama: nos atentados do PCC, em maio de 2006, no acidente da Gol, em setembro de 2006, e agora, no acidente do avião da TAM.
Nessas ocasiões, minha conduta sempre foi de, primeiramente, identificar o familiar que, aparentemente, está mais calmo. Explico o objetivo da reportagem e pergunto sobre a possibilidade de entrevistá-lo. Se ouvir um sonoro "não", não insisto. Entendo perfeitamente porque, talvez, no lugar dele, faria a mesma coisa.
Confesso que nessas coberturas muitas vezes precisei fazer um esforço sobre-humano para não cair no choro durante a entrevista e que essas situações já foram objeto de várias sessões de análise. Definitivamente, não acredito que entrevistar pessoas nessa situação de dor seja a mesma coisa de entrevistar médicos, cientistas (minhas especialidades, já que sou repórter de saúde) ou políticos.
Fico indignada quando vejo colegas de profissão forçando situações e invadindo esses momentos de luto com câmeras, microfones e gravadores, querendo declarações a qualquer custo. Eu ainda prefiro ficar sem a reportagem a ter que desrespeitar a dor do meu próximo.
E você, leitor, o que acha?
Em julho, o blog continuará a ser atualizado pela Juliana, minha assistente. Comentários serão publicados normalmente. Marcelo Beraba, que já foi ombudsman, secretário de Redação da Folha, editor de cidades e de política, diretor da Sucursal do Rio, editor-chefe do "Jornal da Globo" e diretor de Redação do "Jornal do Brasil", ficará responsável também pelo treinamento e pode responder a perguntas que vocês tenham. Basta escrever nos comentários ou mandar um e-mail para novoemfolha.folha@uol.com.br
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h02
Vagas
A Folha está com dois concursos abertos para preenchimento de vagas na Redação. Um para repórter do Guia da Folha e outro para cobertura de férias no caderno Informática. Os termos dos dois concursos podem ser vistos em http://www1.folha.uol.com.br/folha/trabalhe/vagas.html.
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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h48
Na internet
A Jounalist´s Guide to the Internet
Lista de sites com interesse jornalístico. Bem didático, traz um resumo de cada link indicado
Biblioteca on-line de jornalismo
LupaJor, biblioteca virtual totalmente dedicada a obras sobre Jornalismo. Com mais de 700 títulos brasileiros cadastrados, oferece um sistema de busca fácil e simples
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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h05
Joshua Bell, o violinista - parte 3
A revista Piauí colocou ontem no ar a versão on-line do artigo sobre o violinista de Washington.
Quem não acompanhou a história desde o começo, mas quer entender tudo, deve clicar primeiro aqui e depois aqui ;o)
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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h12
Na internet
Buracos nas reportagens
Lista de pontos (em inglês) para deixar reportagens sem "buracos". Foi escrito para ajudar redatores/fechadores, mas pode ser útil também para repórteres que estão fechando a apuração.
Como fazer perguntas na internet
Este artigo escrito por um hacker sobre como fazer perguntas na rede que atraiam a atenção de quem pode respondê-las, embora voltado para o mundo dos hackers, pode ser facilmente transposto para o jornalismo. Vale a pena dar uma olhada.
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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h40
Por um texto menos chato
Para quem leu a reportagem do Paulo Totti sobre o Glicério e ficou inspirado a fazer um trabalho parecido, aí vão dicas bacanas (em inglês), sobre como escrever histórias menos chatas.
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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h54
Cansado de anotações borradas?
Dica inspirada na segunda-feira cinza e chuvosa de hoje em São Paulo, especialmente para os muitos repórteres que têm que escrever debaixo de água: http://www.riteintherain.com/
Caio Guatelli/Folha Imagem 20.06.05
Pedestres caminham sob garoa no centro de São Paulo
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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h56
Para pensar: No IML, cadáveres sem roupas
O laudo encomendado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB ao médico legista e perito judicial Odoroilton Larocca Quinto, e publicado pela Folha na edição de quinta-feira, 12/7, tem uma observação importante: segundo o jornal, Quinto lamentou o desaparecimento das roupas dos mortos pela polícia no complexo do Alemão, no Rio, no dia 27 de junho. Os corpos chegaram ao Instituto Médico Legal (IML) despidos. Ainda de acordo com a reportagem, "as roupas poderiam ter marcas de pólvora, indicativo de que os tiros foram disparados à queima-roupa".
O exame dos corpos vestidos permitiria a perícia ter mais elementos para apontar a trajetória dos tiros e revelaria mais detalhes úteis para as investigações.
É muito comum, em casos de enfrentamentos como o que ocorreu no Rio, que as investigações sejam prejudicadas por erros (alguns propositais) de atuação da polícia. Os locais são desfeitos, os mortos retirados sem perícia e, no caso, enviados para o IML sem roupas. Com isso, as investigações não são concluídas, não há provas e não há culpados.
É importante que os repórteres conheçam cada vez mais os procedimentos padrões da investigação policial para que tenham condições de fazer reportagens críticas com objetividade e conhecimento, e não apenas baseadas em declarações de policiais.
Há um consenso hoje de que uma das causas da impunidade está nas deficiências da investigação policial. O jornalismo bem informado sobre os padrões e as rotinas que devem reger uma boa investigação policial tem mais condições de fazer cobranças "técnicas" e, como conseqüência, de exigir melhorias no trabalho da polícia.
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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h54



