Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Economia, mundo digital, história, finanças, relações internacionais

Economia, mundo digital, história, finanças, relações internacionais

A Fipe (ligada à USP) abriu inscrições para um curso de economia para jornalistas. São duas manhãs por semana, a partir de setembro.
 
O Centro Knight recebe até 27/7 inscrições para seminário sobre como cobrir o mundo digital.

A Casa do Saber faz de 13 a 27/6 três aulas sobre incas, maias e astecas.

A Andima dá, no Rio e em SP, curso de  matemática financeira e de introdução ao mercado financeiro.

Na Escola de Sociologia Política de São Paulo, 3 aulas semanais, durante 4 semanas, sobre defesa e segurança nas relações internacionais.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h02

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Formação

Dois leitores me escreveram, a partir do post "O nome da escola importa?", para comentar esforços de suas faculdades para melhorar a formação dos alunos.

O Agnaldo, de Minas, conta que a Universidade Federal de Viçosa permite uma carga muito grande de optativas e eletivas em várias outras faculidades.

O Ruben, professor do Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo), diz que o curso adotou professores exclusivos, em tempo integral, e criou agência jornalística e de publicidade com clientes reais, o que dá mais seriedade e sentido aos laboratórios.

São boas iniciativas. Imagino que funcionem tanto melhor quanto os alunos realmente se envolverem em sua formação e os professores realmente forem capazes de corrigi-los e orientá-los.

[Só pra deixar clara uma passagem do outro post, que, pelos comentários que gerou, talvez não tenha sido bem compreendida: não é que eu ache a Facamp o exemplo, a universidade recomendada. Apenas observei que, dos cursos que conheço, é o único que ataca diretamente a questão da formação específica.
Nem sei se isso é a melhor opção, nem se consegue solucionar o problema.
Para mim, o ideal ainda seria que o aluno fizesse uma faculdade na área de que gostasse e depois tivesse um ano de preparo jornalístico.]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h11

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Menino nascido de refém choca uma Colômbia cansada de guerra

Aproveitando que é feriado, gastem um tempinho para ler este texto do "New York Times" (em inglês, no site do jornal, ou na tradução feita como exercício pela CLARA FAGUNDES, na semana passada).

É um ótimo exemplo de como contar uma história. Notem que ele está cheio de informação e como ela aparece numa narrativa bem elaborada.

SIMON ROMERO
De Bogotá, para o "New York Times"

O nome dele é Emmanuel. Detalhes sobre sua entrada nesse mundo são esparsos, mas sabe-se que ele tem três anos e vive na selva, sua mãe é Clara Rojas, ex-candidata a vice-presidente deste país, e seu pai é um dos guerrilheiros que mantêm Rojas no cativeiro há cinco anos.

A existência de Emmanuel veio a público no ano passado. Mas revelações das últimas semanas, incluindo seu nome, obtido de um policial que escapou de um acampamento da guerrilha no sul da Colômbia, sacudiram um país endurecido por uma guerra aparentemente interminável, na qual o seqüestro foi transformado em arma.

‘Clara sofreu tanto‘, disse John Frank Pinchao, o policial que fugiu das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) depois de oito anos no cativeiro, em entrevista coletiva nos meados de maio. "Eu a ouvia pedindo para ver o filho".

Pinchao contou que o garoto é saudável e vive como "um índio". "Os guerrilheiros estão criando a criança", disse o policial.

Com essas palavras, Pinchao virou o mundo da família de Rojas de ponta-cabeça e lançou alguns compatriotas em profunda reflexão, ao contemplarem uma nação na qual bebês nascem em cativeiro. Perguntas como que laços existem entre Clara Rojas e o pai de Emmanuel, cuja identidade não é pública, permanecem sem respostas.

"Não sabemos se houve estupro, mas uma certeza é que uma mulher em cativeiro é vulnerável", disse Olga Lucía Gómez, diretora da Fundação País Livre, que oferece apoio a vítimas de seqüestro.

Sabe-se que as Farc proíbem intimidade física entre combatentes e seqüestrados. Pinchao disse que há rumores de que o pai da criança foi removido de seu posto ou morto.

Embora as taxas de seqüestro tenham diminuído, mais de 3.100 pessoas são mantidas em cativeiro na Colômbia, de acordo com o Fundo Nacional de Defesa da Liberdade Pessoal. Em 2006, foram seqüestradas 92 crianças, bem menos que o pico de 298 em 2002, segundo a Fundação País Livre.

O presidente Álvaro Uribe pediu ao vice Francisco Santos _ ele próprio seqüestrado pelos senhores da guerra em 1990, num episódio mais tarde descrito por Gabriel García Marquez em "Notícias de Seqüestro"_ que lidere uma campanha internacional para pressionar as Farc a libertaram Emmanuel.

Detalhes sobre Emmanuel também chamaram atenção para Clara Rojas, 44, seqüestrada em 2002 junto com Ingrid Betancourt, candidata a presidente e amiga de longa data de Roja, enquanto dirigiram em território das Farc.

Pinchao disse que Rojas e Betancourt estão vivas. E, afirmou, também estão vivos os três empreiteiros militares americanos, Marc Gonsalves, Tom Howes e Keith Stansell, em poder dos guerrilheiros desde 2003.

Esta prova verbal de vida deu esperanças ao plano do presidente Uribe de libertar cerca de 250 guerrilheiros presos, numa tentativa de assegura gesto semelhante das Farc. Além de Rojas, Betancourt e dos três americanos, o grupo rebelde mantém mais de 50 seqüestrados que eles julgam poder trocar por outras concessões.

Enquanto isso, os parentes de Emmanuel, incluindo sua avó, Clara González de Rojas, estão absorvendo as notícias. ‘Procurei o nome de Emmanuel na bíblia‘, contou González de Rojas, 76. Ela diz que o nome, que lhe garantiram ter sido escolhido pela filha, significa "Deus está conosco".

"Eu não gosto de melodrama, mas sinto que minha filha estava mandando a todos nós uma mensagem ao chamar seu filho de Emmanuel", diz. Uma mensagem mais direta pode ser encontrada no hino católico que começa com "Ó, vem, ó, vem, Emanuel, liberta o povo de Israel".

A avó tomou conhecimento da existência de Emmanuel há um ano, quando Jorge Enrique Botero, jornalista colombiano que entrevistou comandantes das Farc, publicou um livro sobre o nascimento. Alguns duvidaram do relato porque certos detalhes eram ficção.

Em entrevista por telefone, Botero disse sentir que sua reputação foi restabelecida com a informação de Pinchao sobre Emmanuel. "A história desse menino reflete a degradação do conflito", disse Botero. "É sobre pessoas que foram esquecidas por nossa sociedade."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h50

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Duelo freqüente

Duelo freqüente

Sobre o post de hoje de manhã, recolhi e organizei algumas dicas para ajudar na tarefa diária de obter informações.

1. Prepare-se para não depender das assessorias:

- cultive boas fontes nos órgãos que você cobre. Faça reportagens bem apuradas, isentas, sem erros, mostre para elas que você é de confiança. Quando precisar de um dado, talvez ela o passe diretamente a você (mesmo que seja com a condição de anonimato --que deve ser respeitada).
- crie e mantenha seu próprio banco de dados. Vai cobrir transportes e espera que o departamento de trânsito entregue estatísticas de todos os acidentes provocados por caminhão na sua cidade, com causas e conseqüências? Esquece. Na maior parte das vezes, o órgão não tem esses dados organizados. Quando tem, muitas vezes não tem interesse em passar.

2. Procure caminhos alternativos:

- veja com seus próprios olhos. Moradores de um bairro avisam que todas as ruas estão sem luz. Uma coisa é ligar para a assessoria e dizer "recebemos a informação de que... É verdade?". Outra é ir ao bairro e checar. A história muda de figura: "Constatamos que todas as ruas do bairro estão sem luz. Qual a posição da companhia?".
- procure os adversários. Empresas concorrentes, facções divergentes de um mesmo órgão, grupos oponentes são fontes alternativas de informação. Obviamente, terão que ser checadas, mas ter dados críticos aumenta a chance de a assessoria procurar uma resposta.

3. Jogue limpo com os assessores:

- quando é imprescindível recorrer às assessorias, seja transparente. "Ah, mas minha pauta vai deixar a empresa em situação ruim. Se eu contar isso, ninguém me passa informação!" Se você mentir, talvez até consiga o que quer desta vez. Mas o que vai fazer na próxima?
- acerte um prazo para a resposta: "Vamos esperar até amanhã às 18h. Se não houver resposta, vamos publicar e avisar ao leitor que o órgão não quis se manifestar".
- acerte prazos factíveis. Se você precisa de um levantamento detalhado e trabalhoso, não é justo exigi-lo para dali a poucas horas.
- deixe na sua mão o controle da comunicação. Em vez de ficar esperando pela ligação do assessor, combine que você ligará de volta: "OK, então eu ligo às 17h".
- estagiários de assessorias tendem a ter mais boa vontade, conta meu leitor Gabriel. Conquiste o seu.
- se ligações não ajudarem e você tiver tempo, pode fazer o pedido oficialmente e por escrito. O jeito, nesse caso, é aguardar o prazo regulamentar (15 dias, em regra). Não conseguindo o que você pediu, vá à Justiça. Se são dados públicos, certamente você conseguirá uma liminar para obter as informações.
- não perca tempo discutindo. Há informações que são públicas, e é irritante quando um assessor nos impede de obtê-las. Mas discutir, ameaçar ou implorar não resolve. Se você não tem fontes lá dentro nem pode obter os dados por conta própria, a alternativa é pedir os dados na Justiça (seu jornal pode avaliar quando é o caso de fazer isso).
- grave todas as conversas com o assessor (inclusive para provar, se for preciso, que ele o impediu de obter a informação).


4. Saiba quando contorná-los

- seu pedido foi ignorado ou negado? Ache o telefone da fonte e ligue direto para ela. Se ela disser que é preciso passar antes pela assessoria, explique por que isso é impossível (nessa hora é bom ter as gravações).
- uma dica do meu colega Spinelli: peça para entrevistar, sobre o tema, uma autoridade. No caso da Secretaria de Segurança Pública, elabore uma pauta sobre com a sua tese, mesmo sem os dados, e peça para entrevistar o secretário ou outra pessoa que possa falar sobre o assunto. A entrevista vai ser uma porcaria, mas no meio da entrevista você vai fazer o pedido diretamente para quem manda e essa pessoa poderá, então, liberar os dados que você precisa com menos burocracia. Se você conquistar a confiança do entrevistado, então, fica melhor ainda. Dessa maneira, você foge da burocracia da assessoria de imprensa. Essa é a minha dica preferida, porque é honesta, desburocratizada e quase sempre funciona.
- se nada der certo, publique no texto as dificuldades criadas pela assessoria. Há vezes, como mostra a história do Paulo Totti que contei outro dia, em que o chefe deles nem é informado sobre seus pedidos.

O que já publicamos sobre o assunto:
Para não depender da boa vontade da assessoria
Evandro Spinelli dá dicas para obter informações
Paulo Totti caça um ministro
Mar
cos Côrtes explica como age o assessor de órgão público
Sandra Muraki fala sobre assessoria de empresas privadas

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h15

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Estágio em SP

DIREITOS DA CRIANÇA

Até o dia 13 de junho, a secretaria-executiva da Rede ANDI Brasil, em São Paulo, estará recebendo currículos para estágio em jornalismo.

É necessário cursar comunicação social (habilitação em jornalismo), do 3º ao 7º período.

É importante ter interesse pela área social, bom texto, organização, capacidade de articulação e negociação.

A carga horária é de 25 horas semanais e a bolsa-estágio é de R$ 500,00 mensais.

Currículos e uma carta de apresentação [com 20 linhas no máximo, destacando a motivação da pessoa em trabalhar na Rede ANDI Brasil] devem ser encaminhados para carol.ribeiro@cipo.org.br, com a palavra ESTAGIÁRIO no assunto da mensagem.

MINISTÉRIO PÚBLICO

A Procuradoria Regional do Trabalho de São Paulo (2ª Região) está com inscrições abertas para o processo seletivo de estagiários em três áreas de atuação. São oferecidas oito vagas para estudantes universitários (3º grau).

Do total de vagas, seis são para estudantes de engenharia da computação, ciências da computação, sistemas de informação, tecnologia de processamento de dados, licenciatura em informática ou qualquer outro curso superior na área de informática. Há ainda uma vaga para quem está cursando ciências contábeis e uma para o curso de Jornalismo.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 25 de junho deste ano, das 10h às 14h. A bolsa auxílio é de R$ 630 mensais para jornada de 20 horas semanais.

Mais informações -edital, conteúdo programático e ficha de inscrição- podem ser obtidas no site da Procuradoria Regional do Trabalho de São Paulo (2ª Região).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h19

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Jogo limpo

Outro dia discutimos como lidar com assessores de imprensa de órgãos públicos.

Ficou faltando falar dos assessores de empresas privadas.

Qual a diferença? É que órgãos públicos concentram informação pública, à qual o cidadão tem direito. Empresas podem decidir o que querem divulgar.

Pedi ajuda para SANDRA MURAKI, que foi excelente redatora da Folha, editora de Treinamento antes de mim, é assessora de imprensa há vários anos e com quem aprendi muito do que sei:

A primeira coisa que jornalista e assessor de imprensa têm que ter claro é o papel que cada um representa nesse relacionamento. O jornalista tem o dever de informar, visando ao interesse público. O assessor de imprensa representa um interesse privado e não pode faltar com a verdade e com a ética.

Muitas vezes, os interesses de ambos são convergentes; outras vezes, não, e isso faz parte do jogo. Ambos os papéis são legítimos e deve haver respeito e colaboração mútuos.

O jornalista representa bem esse papel e será melhor atendido quando se dirige ao assessor de forma clara, solicitando as informações de que necessita e expondo sua pauta de forma transparente.

O assessor de imprensa faz a sua parte quando atende ao jornalista com agilidade e também com transparência --inclusive quando for para negar uma informação.

Infelizmente, nem sempre é assim, tanto de um lado como de outro.

Há jornalistas que "escondem" a pauta com receio de o assessor tentar "derrubá-la" ou que "turbinam" a informação para dar-lhe um caráter de exclusividade ou sensacional (muitas vezes, sensacionalista). Há assessores que, numa situação delicada para seu assessorado, mentem para os jornalistas --e, como diz o velho ditado, mentira tem pernas curtas. Nesse caso, esse assessor de imprensa não está protegendo seu assessorado, mas o expondo ainda mais à situação vexatória de ser pego na mentira.

Há também, obviamente, muitos casos muito bem-sucedidos em que o trabalho de jornalista e assessor de imprensa resulta em informação de qualidade para o leitor --aquele ente que faz parte da tão respeitada e temida opinião pública-- e satisfação para a corporação ou personalidade assessorada.

Eu diria que esse resultado tem sido a regra no nosso trabalho cotidiano. Os jornalistas das Redações têm compreendido cada vez mais o quanto um assessor de imprensa pode ajudá-lo na montagem de uma pauta e no acesso às informações e às fontes de informações. O assessor, por sua vez, tem se profissionalizado cada vez mais, procurando entender melhor os temas do seu assessorado, sugerindo pautas de melhor qualidade e interesse jornalístico e conhecendo melhor a rotina e a dinâmica das redações.

Acredito que, se ambos entenderem bem todo esse contexto, essa relação tende a dar cada vez mais certo.

E você, como faz para conseguir informações sem passar pelas assessorias?

E quando precisa passar por elas, o que faz para ter sucesso?

Mais tarde dou algumas sugestões.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h30

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Como você faria este texto?

Como você faria este texto?

CRIME NA FLORICULTURA
 
Uma loja foi assaltada e testemunhas anotaram a placa do carro usado no crime.
 
A polícia identificou o proprietário do carro e foi à casa da pessoa, mas não a encontrou.
 
No dia seguinte, a pessoa foi à delegacia e disse que não tinha nada a ver com o caso. Mas foi identificada por uma balconista da loja.
 
Vou dar nomes fictícios a todos: a loja é uma floricultura e se chama Rosa & Jasmin, a suspeita se chama Maria das Luzes Soares, de 24 anos, moradora de Perdizes e dona de um Palio preto, quatro portas, placa ZZM 9900, e o balconista se chama Takao Suzuki, 42 anos.
 
Como você escreveria essa nota? (Não tenha medo de errar. O blog, como o treinamento, é baseado na prática. O importante é fazer, ouvir outras opiniões e refletir sobre elas.)
 
COMENTÁRIO DA TARDE
 
Antes de comentar o exercício, deixa eu contar que esse pesadelo acima aconteceu com uma pessoa que é amiga minha. Ou, pior, ainda está acontecendo.
 
Ela teve que mover mundos e fundos para provar que, no momento do assalto, estava em casa.
 
Alguns dias depois, acharam um carro clonado, do mesmo modelo e cor, com placas falsas, e prenderam outra pessoa.
 
Mas, imaginem que aflição, o balconista não reconheceu a nova pessoa e continuou dizendo que quem havia assaltado era mesmo a primeira suspeita.
 
E isso mesmo depois de o segundo suspeito ter, segundo a polícia, confessado.
 
Moral da história: não são só confissões que devem ser tratadas com cuidado. Reconhecimentos também.
 
Psicólogos e peritos sabem --e jornalistas precisam saber-- que a memória não é exata nem absoluta.
 
Uma testemunha que tenha sido induzida a crer que alguém é culpado pode fixar na memória esse rosto, mesmo que não seja a face de quem ela viu no dia do crime.
 
SOBRE OS TEXTOS DE VOCÊS
 
Foi bom ver que todos tomaram o cuidado de chamar a Maria de suspeita ou acusada.
 
Alguns de vocês omitiram o nome, imagino que movidos pelas versões contraditórias, ou já achando que tinha uma pegadinha no exercício   =)
 
Há casos em que realmente tiramos o nome do acusado, principalmente quando não conseguimos ouvir o outro lado. Hoje mesmo aconteceu isso, naquela história do médico acusado de pedofilia (saiu na FOL e na FSP).
 
Duas coisas que pensei lendo as sugestões (sim, eu também aprendo com as respostas):
 
--quase sempre num crime, temos mais acesso à versão da acusação/polícia que à do acusado (que está preso, sem advogado etc.)
 
--é curioso como até a ordem de uma sentença pode transmitir informações diferentes. Veja o que você acha destas duas frases: "Embora tenha sido reconhecida pelo balconista, ela diz que não tem nenhum envolvimento no crime"/ "Embora ela diga que não tem nenhum envolvimento no crime, foi reconhecida pelo balconista". A primeira não parece mais pró-acusada e a segunda, pró-acusação?
 
--nas duas frases que citei, estamos mostrando ao leitor que há contradição nas versões. Não ficaria melhor, como fez um de vocês, dizer isso claramente?  "A polícia tem indícios desencontrados. O carro estava em nome de Maria das Luzes Soares, 24, que se apresentou à delegacia e negou envolvimento com o crime. Mas o balconista Takao Suzuki, 42, que testemunhou o crime, reconheceu-a como autora do assalto."

Para ver outros exercícios já discutidos neste blog,
clique aqui

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h41

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Dois cursos e um site

Dois cursos e um site

O Dart Center recebe até 20/7 inscrições para treinamento em cobertura de desastres e violência. A bolsa, para jornalistas com pelo menos cinco anos de experiência, cobre todo o custo.

Em agosto começa na FGV do Rio uma especialização em jornalismo investigativo.

Dica do Marcelo Soares: sempre que quero procurar um especialista em algum assunto específico, vou à Plataforma Lattes, do CNPQ. Você pode fazer a busca por assunto específico. Usando bons critérios para escolher as palavras-chave, é uma mina de ouro.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h58

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O nome da faculdade importa?

Meu leitor Felipe faz duas perguntas: 1) O nome da universidade importa no mercado? 2) Na sua opinião, jornalismo deve ser feito só por jornalistas?

Respostas:

1) Importa, mas não é definitivo. Uma seleção pode envolver três fases: currículo, teste e entrevista. O nome da universidade vai influenciar na primeira fase: uma universidade de prestígio aumenta a chance de o currículo ser selecionado.

Se sua universidade não estiver entre as mais famosas, portanto, valorize outros pontos fortes no seu currículo: cursos de especialização, idiomas que domina, experiência profissional.

Mas atenção: o currículo é só uma fase da seleção. Não é a definitiva. Na minha opinião, há duas coisas decisivas na hora de escolher um jornalista: o conhecimento que ele tem do assunto e a segurança que demonstra.

Além disso, são raríssimos os jornais que abrem concurso, portanto nem sempre a seleção começa pelo currículo. Sobre isso, veja algumas dicas de como começar a trabalhar.

2) Vamos pôr a mão no vespeiro, né? Na minha opinião, o diploma não deveria ser obrigatório.

Não sou contra as faculdades. Mas acho que o modelo de ensino de jornalismo está equivocado e prejudica seus alunos.

Por quê? Porque um jornalista precisa fundamentalmente ter duas habilidades: a) entender muito bem o assunto que cobre, para ser capaz de tratá-lo de forma crítica e aprofundada; b) ser capaz de selecionar informação e comunicá-la ao público de forma clara, precisa e articulada.

Pode haver outras, mas só conheço uma faculdade que tenta dar conta dessas duas áreas: a Facamp, em Campinas.  Para fazer isso, o curso é em período integral (veja como é a grade curricular). [se alguém conhecer outros cursos que fazem isso, por favor, escreva para que eu possa contar aqui no blog].

De outra forma, o aluno que queira ter uma formação mais sólida nos assuntos de cobertura vai precisar fazer seu período integral por conta própria: cursar outra faculdade (história, economia, biologia etc.) ou estudar sozinho, com afinco.

O que eu acho uma pena é que tantos jovens gastem quatro anos de sua vida "estudando" técnicas e conceitos que poderiam ser ensinados em um ou dois e deixando de se formar no que realmente interessa.

Por experiência própria, posso afirmar que o diploma não é necessário para que alguém seja bom jornalista --nem garante isso.

Conheço vários excelentes repórteres e editores sem diploma --só pra ficar nos cobrões, cito o Gaspari e o Janio de Freitas. E também já vi muito jornalista formado por universidade de ponta fazendo todo tipo de bobagem, tanto técnica quanto ética.

Dito isso, já aviso que não pretendo criar no blog uma polêmica sobre esse assunto.

Embora esteja sendo questionado na Justiça, o diploma é de fato obrigatório. E o que me interessa é tentar ajudar quem quer ser jornalista a se preparar para isso da melhor forma possível.

Para o Felipe, que tenta entrar em jornalismo, talvez interesse uma conversa que tive com Raphael, que também quer mudar de área.

SALÁRIOS, QUEM INDICA

No Rio, não há piso salarial e repórteres começam ganhando menos de R$ 1.000, diz a Natalia, em comentário ao meu post de ontem sobre quanto ganha um jornalista.

"Isso quando consegue emprego, porque quem não tem QI (quem indique) está f...", diz Sil, de Pernambuco.

São dois problemas reais da profissão.

Sil talvez queira ler o post em que dei dicas (já citadas ali acima) para uma leitora baiana que não conseguia começar a trabalhar.

Outros leitores também deram sugestões: Diego contou que  foi escraviário, Juliana agradeceu a uma colega generosa, uma estudante está apostando em idiomas raros, Emídia insistiu para ter a primeira chance, Gabriel trabalhou de graça.

Natalia, não sei se você chegou a ler o comentário da Estelita, do Paraná: na faculdade dela já ensinam como ter sua própria empresa. Um bom retrato de como é complicado o mercado de trabalho.

Mas é bom sempre lembrar que ser empresário não é para qualquer um. A história que Sérgio Dávila contou sobre seu início profissional mostra isso.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h56

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Quanto ganha um jornalista?

A filha da Doralice tem 12 anos e quer ser repórter.

E a mãe fica curiosa pra saber quanto ganha um jornalista. Será que vale a pena? "Não apenas com relação ao ganho cultural, mas àquele que, após uma incessante jornada de trabalho, abastece todo mês a conta bancária?"

Não vou falar dos ganhos culturais, pra não encompridar demais a história. Só dos financeiros.

A filha da Doralice vai ganhar bem?

A resposta é impossível. Depende do que ela escolher fazer na profissão, das oportunidades e sucesso que tiver.

Comentei ontem que o site Comunique-se havia publicado dados de uma pesquisa sobre salário e condições de trabalho de jornalistas. Eles não dizem qual a fonte, nem a metodologia de pesquisa, por isso não dá para saber direito como ler os dados.

Mesmo assim, podemos considerar a hipótese de que são números aproximados. Diz o site que, "dos profissionais de até 29 anos, que representam 44% do mercado, quase metade não consegue ganhar nem R$ 1.000,00 por mês".

Na Folha, o piso é R$ 2.520. É o mínimo; a maioria da Redação ganha mais que isso.

Em geral, repórteres de jornal ganham mais que os de rádio e menos que os de televisão.

Em sites, o salário oscila de acordo com a época. Quando o jornalismo on-line está aquecido, os sites pagam mais que os jornais para atrair bons repórteres. Quando a internet está em baixa, caem os rendimentos.

Como em várias profissões, a desigualdade regional é grande e há uma distância enorme do menor salário para o maior.

O que eu respondi para a Doralice é que dá para ter uma vida de classe média com salário de jornalista dos principais veículos do país.

Um repórter experiente ou um editor pode chegar a ganhar entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, dependendo de onde estiver e de quão importante ele for para seu jornal. [não quer dizer que os melhores ganham mais. Salários são definidos por muitas variáveis, a competência é só uma delas e nem sempre a principal.]

Na Folha, por exemplo, a maioria dos profissionais tem carro, mora num bairro central, põe os filhos em escola particular e um dia consegue bancar uma viagem para o exterior.

Mas, para ficar rico, mesmo, de verdade, só sendo âncora de telejornal ou ficando famoso. Ou escrevendo livros de sucesso. Ou abrindo uma assessoria de imprensa ou uma assessoria política, ou seja, virando empresário.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h23

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Minha entrevista com o presidente

12 HORAS (E MUITOS ANOS) À FRENTE 
 
Nessa quinta-feira (31), entrevistei o recém-empossado presidente de Timor-Leste e Nobel da Paz, José Ramos Horta. Senti como é difícil entrevistar um político de um país que tem pouco espaço na imprensa e está a cerca de 16 mil quilômetros de distância, do outro lado do globo.
 
Fui pego de surpresa. Recebi o e-mail marcando a entrevista para o dia 31, às 20h, no mesmo dia 31, de manhã. Queria ter ligado para quem eu conheço que mora em Timor, para "esquentar" mais a conversa. No entanto, devido ao fuso, minha jornada na Folha se dá no momento em que é madrugada no pequeno país asiático. A entrevista foi no dia 31, às 20h do Brasil, quando já era dia primeiro, 8h em Timor. Sendo assim, não consegui encontrar ninguém acordado.
 
No dia, tive aula de história, almocei e iniciei a pesquisa sobre a vida de Ramos Horta e sobre o cenário político atual do país. A meu favor estava o fato de que morei no país por cinco meses em 2004 --o que ajuda, mas passa longe de resolver.
 
Algumas horas de pesquisa depois, roteiro de perguntas pronto. Trinta minutos de entrevista concedidos. Tema: desafios e propostas do novo presidente.
 
Primeira sensação --antes, durante e depois: a distância nos torna reféns da mensagem que o entrevistado quer passar. Falta real conhecimento da causa e da situação para poder rebater os argumentos. Falta informação dos bastidores. 
 
Segunda sensação --durante a transcrição da fita (ainda inacabada): a ansiedade e o nervosismo não me deixaram prestar atenção suficiente no que o entrevistado falava. Em vez de aproveitar melhor as deixas que ele dava para eu questioná-lo sobre suas próprias respostas, já lançava outra pergunta, sem desenvolver cada tema mais a fundo.
 
Passados 15 minutos de entrevista, meu roteiro de perguntas estava praticamente esgotado. Quando eu estava prestes a desligar, uma série de novas perguntas surgiram, o que possibilitou aproveitar os outros 15 minutos concedidos.
 
Terceira e última, batida, mas que vale mencionar: faz falta o contato visual, o olho no olho.
 
Tenho 23 anos e acabo de formar na faculdade, mas só agora começo a aprender o que é jornalismo. Ramos Horta tem 57 anos e, entre outros, alguns pontos de seu currículo: mais jovem embaixador na ONU, Prêmio Nobel da Paz em 1996, ministro de Relações Exteriores, ministro da Defesa, primeiro-ministro e, agora, presidente. É incomparável a experiência de cada um em suas respectivas áreas de atuação. Foi uma experiência enriquecedora e que serve para me lembrar como eu sou mirim.
por FERNANDO BUENO

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h38

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha de S.Paulo. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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