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Jornalismo científico
Vão até 9 de abril inscrições para o workshop Jack F. Ealy de jornalismo científico, é organizado pelo Instituto das Américas, com o apoio de Juan Francisco Ealy, diretor do jornal mexicano El Universal, e a Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), sede do evento.
Os workshops analisarão, entre outros temas, como realizar reportagens eficientes e precisas relacionadas com temas científicos complexos. O evento também inclui visitas a laboratórios e institutos de ciências.
Será de 11 a 20 de julho. Há um número limitado de bolsas para cobrir passagens, alojamento, refeições e inscrição.
Interessados devem enviar um ensaio explicando como o workshop os beneficiariam, uma carta de recomendação, um formulário de requerimento e exemplos de trabalhos para periodismo@iamericas.org.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h51
Quem foi que teve a idéia "brilhante" de comentar títulos no sábado à noite?
OK, já que fiz a proposta, vamos até o fim.
Estes foram alguns títulos dados pelos trainees num exercício nesta semana. Em azul estão meus comentários.
Esclarecimento prévio: estamos falando de notícia. Não dá para inventar muito. Minha leitora Bruna comenta lá embaixo que os títulos são óbvios, não atraem o leitor, porque resumem a matéria.
Entendo o que ela quer dizer, mas há casos em que os títulos precisam ser "óbvios".
Não resumir a matéria, claro, porque não dá pra fazer isso em uma linha. Mas dar a informação principal.
texto 1 a) Obras da linha amarela do metrô serão retomadas Esse título só faria sentido se houvesse alguma dúvida sobre a retomada das obras. Não era o caso. Notícia seria se elas fossem abandonadas, canceladas, proibidas. O fato de que elas vão ser retomadas já é sabido. Falta dizer quando. b) Após acidente, metrô retoma obras da linha amarela Quiseram lembrar do acidente no título, o que é interessante. Mas a solução é ruim: se você ressalta o "após acidente", parece que isso é relevante. Mas só dava pra retomar obras depois do acidente, certo? Antes é que não poderia ser. c) Metrô retoma obras da linha amarela em uma semana É o melhor dos três, porque dá a notícia: que as obras voltam em breve. Melhor que isso seria colocar mais uma informação: Acordo faz obras da linha amarela voltarem em uma semana.
texto 2 a) Prefeitura já retirou 601 peças de publicidade irregular Se você não se lembra do texto, releia-o e volte para este título. Tem uma palavra destoando, não tem? Que história de "já" é essa? O "já" dá a impressão de que se fez mais que o esperado, ou mais rapidamente. Mas nada no texto permite essa interpretação. Na hora do fechamento, às vezes se coloca o "já" porque é uma palavra pequena que ajuda o título a caber no tamanho esperado. Mas ele muda a informação. Só dá para usar quando o sentido for este, de algo que foi antecipado. Por isso, prefiro a opção b), abaixo b) Prazo termina e prefeitura retira 601 placas da cidade
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h43
Peço-te o prazer legítimo E o movimento preciso Tempo tempo tempo tempo Quando o tempo for propício
De modo que o meu espírito Ganhe um brilho definido Tempo tempo tempo tempo E eu espalhe benefícios
Meu leitor André pergunta:
Para uma pessoa estar minimamente informado, quantos e quais jornais deve ler? E, além dos jornais quais outros veículos (net, tv , rádio)? Há tempo para se informar tanto? Isso sem falar na área que a pessoa quer se especializar (por exemplo, artes, economia).
A resposta tem a ver com a letra do Caetano. Vamos por partes:
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h28
Que jornais ler? Depende.
Que jornais ler? Depende do que você faz.
Quer só estar bem informado? 1) leia um bom jornal diário (Folha, Estado, Globo). Neles, concentrar-se nos editoriais e colunistas e ler direito reportagens relevantes para entender os rumos do noticiário. Há alguns dias dei exemplos dessas matérias. Nos jornais deste feriado, por exemplo, dois bons temas são a discussão sobre o impacto da produção de álcool na de alimentos e a influência do câmbio na indústria nacional [chato, né? você nem gosta de economia... mas não dá pra se considerar bem informado sem acompanhar essa conversa]. 2) no meio e no fim do dia, acompanhe o noticiário quente, factual, por um bom jornal on-line. Com isso, economiza-se tempo para ler melhor os colunistas no dia seguinte. Note que, se a idéia é só ficar bem informado, você controla o tempo. Pode escolher quando vai ler.
Quer ser jornalista? Estuda jornalismo? Precisa estar bem informado, por isso deve seguir os passos acima. Mas terá que subir mais alguns degraus: 3) Além de acompanhar um bom jornal todos os dias, precisa ler os outros jornais e revistas informativas. Pelo menos uma vez por semana. Faça uma escala. Supondo que você já lê a Folha todos os dias, leia também a Veja no sábado, a Época no domingo, o Estado na segunda, o Globo na terça, o Valor na quarta, o bom jornal do seu Estado na quinta etc. Varie os dias da semana. Isso é fundamental porque você precisa conhecer os veículos. Saber que seções eles têm, quem são seus jornalistas principais, que temas eles abordam e com que enfoque. 4) Acompanhe os telejornais. Quem segue os três passos anteriores não precisa tanto dos telejornais para estar informado. Mas a TV de vez em quando fura os jornais. E quem quer ser jornalista precisa saber de que assuntos eles tratam (e como tratam). 5) Ouça um bom noticiário de rádio pela manhã (Eldorado, CBN, Jovem Pan etc.) e acompanhe o noticiário da CBN sempre que puder, durante o dia. Estar informado agora é parte da sua formação jornalística. Por isso, você terá que investir tempo e adequar sua agenda diária aos horários dos noticiários de TV e rádio.
Trabalha como jornalista? Está tentando uma vaga? Além de todos os pontos acima, é fundamental: 6) Ler (ler, mesmo, não passar os olhos) todos os cadernos dos concorrentes. Se você trabalha em Economia (ou quer começar), precisa ler todos os cadernos de economia todos os dias, os jornais econômicos e as revistas da área. Idem para cultura, política, esporte, veículos. É impossível propor uma pauta sem saber se o concorrente já deu. Não dá pra entrevistar uma fonte sem saber o que já foi publicado Os seis passos são uma necessidade profissional. Sim, toma muito mais tempo e amarra muito mais o seu dia, mas é para isso que nós somos pagos.
Mas vamos voltar à pergunta do André:
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h28
Daniel pergunta, Caetano responde
Daniel pergunta se há tempo para tudo isso. Parte da resposta está no meu post sobre como e por que ler jornais. É óbvio. Você terá que tirar esse tempo de alguma outra atividade. Por isso, para voltar à letra do Caetano, meus conselhos seriam:
Peço-te o prazer legítimo - Você gosta de ler jornais? Se a resposta é "não", será que escolheu a profissão certa? Tempo gasto com algo que dá prazer é muito mais leve
E o movimento preciso - Na hora de ler, concentre-se. Feche o programa de e-mails e o messenger. Disciplina e concentração otimizam muito o tempo
Quando o tempo for propício - Programe sua leitura. Decida antes qual o melhor horário e siga o cronograma.
De modo que o meu espírito/Ganhe um brilho definido - Você já se convenceu de que essa leitura é fundamental? De que sem ela não dá para ser bom jornalista? Já percebeu como ela realmente faz de você um jornalista melhor?
E eu espalhe benefícios - Por que, afinal, é este o objetivo de qualquer jornalista. Não é?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h27
David Gray/Reuters
 OK, eu sei que é feriado! Mas ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável
Se está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:
Dia 20 Leia a Primeira Página com atenção e, ao terminar, rememore o que foi destacado. Depois, leia as capas de cada caderno (ou principais notícias de cada editoria, se o jornal não for dividido em cadernos). Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu. Escolha cinco assuntos destacados na Primeira Página e que não são capa de caderno e leia as reportagens correspondentes.
Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.
Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h32
Aqui estão algumas soluções dos trainees para o exercício de títulos.
Veja o que acha. Amanhã eu comento:
texto 1 a) Obras da linha amarela do metrô serão retomadas b) Após acidente, metrô retoma obras da linha amarela c) Metrô retoma obras da linha amarela em uma semana
texto 2 a) Prefeitura já retirou 601 peças de publicidade irregular b) Prazo termina e prefeitura retira 601 placas da cidade
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h49
Essa é a opinião de Bia Abramo, colunista da Folha e coordenadora da oficina de texto do jornal.
O que fiz acima não é uma chatice?
Acho chatíssimo: uma frase que simula informação. Ponto. Essa é a opinião de Fulano. Ponto.
Mais que chato, acho jornalisticamente ruim: trata com o informação algo que é afirmação. Como fato o que é opinião.
A fórmula foi discutida numa das oficinas coordenadas pela Bia, que gentilmente me deixou trazer o assunto pra cá.
Uma das alunas levantou três exemplos:
"O poder atropelou o direito e transformou a época atual na mais sombria da história para o respeito às leis nas relações internacionais. A avaliação pessimista é de Francisco Rezek, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil (1990-1992) e juiz da Corte de Haia, principal instância jurídica da ONU, até abril do ano passado."
"As sanções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) impostas nesta quinta-feira ao Irã pela insistência do país em manter seu programa nuclear não são legítimas. A opinião é do professor de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor em direito internacional pela Universidade Paris 10 Nanterre, Paulo Casella, 46."
"Investimentos irregulares do governo em infra-estrutura --favorecendo as cidades em detrimento do campo-- e um sistema tributário imaturo estão entre os fatores responsáveis pela desigualdade social na China. Essa é a avaliação do antropólogo Andrew Kipnis, professor da Escola de Pesquisa de Assuntos do Pacífico e da Ásia da Universidade Nacional da Austrália."
E comentou o seguinte: Os leads acima demonstram uma construção muito comum nos textos de jornal --impresso e online. É uma fórmula bem aceita e disseminada. E esse, na minha opinião, é o problema. A limitação do repertório é uma das coisas que mais me tiram do sério. O que me irrita não é a construção em si (opinião + origem) mas sim seu uso indiscriminado. Admito: eu mesma vivo escrevendo parágrafos iguais a esses, porque sei que são facilmente aceitos por editores e resolvem o problema rapidamente. Mas isso cansa! Quero fazer melhor. Haverá solução quando somos obrigados a escrever dez textos por dia?
A resposta da Bia:
Quanto às fórmulas, duas observções: a) acho que essa é uma maneira de satisfazer o imperativo da frase curta, ou seja, como o lide precisa contemplar três necessidades complexas, explicitar a opinião de um especialista ou autoridade, dizer sobre o que é essa opinião e, ainda, contar, como muitos detalhes, quem é o personagem e por que ele pode/deve opinar sobre esse assunto, tudo isso em poucas linha, o jeito que se acha é esse; b) nestes casos, porque não voltar para a velha e boa simplicidade? Vejamos: O poder atropelou o direito, afima Francisco Rezek, juiz da corte de Haia até abril do ano passado. Rezek, ex-ministro das relacões exteriores, tem uma avaliacão pessimista sobre o respeito às leis no estado atual das relações internacionais: "Estamos na época mais sombria da história." Melhora? Não sei, mas gosto de uma coisa, nessa solução: as aspas ficam mais fortes, mais expresssivas. Ah, e ainda pensei outra coisa: c) será que essa fórmula não vem de uma maneira de estruturar texto para TV? "Ouvindo" os parágrafos, me ocorreu que esa pode ser uma hipótese sobre a origem da fórmula.
Comentário de uma outra aluna: Concordo com a Bia. Os vícios que adquiri no rádio vêm à tona para o texto escrito. Por exemplo: "Fulano disse que concorda com as medidas do governo, mas faz algumas ressalvas". Aí entraria o cara falando que concorda e as ressalvas. No texto escrito, ficaria: Fulano diz concordar com as medidas do governo, apesar de ter feito algumas ressalvas...
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h50
Nesta semana, a turma de treinamento fez como exercício título para as duas reportagens cujos dois primeiros parágrafos estão abaixo (publicadas nesta terça).
Minha proposta é que você pense no título que daria. Hoje à noite eu coloco as soluções de alguns dos trainees e amanhã eu comento.
texto 1 DA REPORTAGEM LOCAL
Dois meses e 22 dias após o pior acidente da história do Metrô de São Paulo, as obras da futura estação Pinheiros (zona oeste da capital) da Linha 4-amarela serão retomadas até a próxima semana. Em 12 de janeiro, sete pessoas morreram soterradas e casas foram danificadas após o desabamento do canteiro de obras no local. Os trabalhos serão reiniciados graças ao TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado ontem por integrantes do Consórcio Via Amarela, responsável pela obra, do Metrô, da Polícia Civil, que investiga o caso, do Ministério Público Estadual, do IC (Instituto de Criminalística) e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).
texto 2 DA REPORTAGEM LOCAL
A Prefeitura de São Paulo retirou 601 peças publicitárias irregulares na cidade, entre outdoors e painéis luminosos, desde o início do ano. Por dia, as equipes retiram cerca de 30 peças. No último sábado, venceu o prazo para que as empresas adequassem suas fachadas aos limites da lei Cidade Limpa, que restringe a publicidade no município. Porém, nenhuma empresa foi multada. A retirada dos anúncios irregulares ocorre com 40% da capacidade da prefeitura. Das 60 equipes contratadas, 24 estão trabalhando nas ruas. Para Miltom Persoli, assessor de operações especiais da Secretaria das Subprefeituras, o número é suficiente. "Ainda tem liminar de várias empresas. E muita gente está tirando por conta própria."
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h28
Al Tompkins, aquele colunista do Poynter que dá dicas diárias de pauta, conta quais as profissões em que mais sobram vagas nos Estados Unidos.
Não, não, nada de jornalistas: vendedores, mecânicos, professores e motoristas de caminhão são algumas das principais elencadas pela "Talent Shortage Survey" de 2007 [PDF].
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h25
Sessão pipoca
Sugestão para o feriado: estes abaixo são filmes em que jornalistas ou jornalismo ocupam papel principal.
Um jeito divertido de pensar sobre a profissão.
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A Montanha dos Sete Abutres |
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A Princesa e o Plebeu |
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Adorável Vagabundo |
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Anatomia de um Golpe - A Revolução Não Será Televisionada |
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Ausência de Malícia |
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Blowup |
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Cidadão Kane |
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His Girl Friday |
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Jejum de Amor |
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Meet Jonh Doe |
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Mera Coincidência |
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Na Captura dos Friedmans |
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No Silêncio de uma Cidade |
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Nos Bastidores da Notícia |
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O Ano em que vivemos em perigo |
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O Quarto Poder |
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Salvador - O Martírio de um Povo |
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Sob Fogo Cerrado |
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Terra em Transe |
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To Die For |
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Todos os Homens do Presidente |
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Um Grito de Liberdade |
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h10
David Gray/Reuters
 OK, eu sei que é feriado! Mas ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável
Se está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:
Dia 19 Leia a Primeira Página com atenção e, ao terminar, rememore o que foi destacado. Depois, leia as capas de cada caderno (ou principais notícias de cada editoria, se o jornal não for dividido em cadernos). Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu. Escolha quatro assuntos destacados na Primeira Página e que não são capa de caderno e leia as reportagens correspondentes.
Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.
Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h01
Ontem postei aqui o relato do Diego sobre como ele começou a trabalhar --num estágio, sem receber nada.
O caso dele não é isolado. Gabriel e Emidia também passaram por isso.
Diego escreve o seguinte: Não tenha medo do trabalho. Esse tempo é tempo de aprender mesmo, o quanto você puder sugar do seu chefe. Alguns leitores acharam que ele estava defendendo o trabalho gratuito.
Mas o ponto central não é esse. Claro que todo mundo prefere ganhar salário.
A questão é que quem está começado deve agarrar toda oportunidade de aprender. O que ele diz é: que chato que você não esteja ganhando nada, mas, se puder, aproveite para aprender.
O que eu acho é que o estágio gratuito é injusto e pouco útil. Injusto pelos motivos óbvios: alguém está tendo lucro em cima do seu esforço. Pouco útil porque dificilmente a pessoa que se aproveita dessa situação terá interesse em ensinar alguma coisa.
Acho importantíssimo que o jornalista iniciante faça contatos, se ponha à prova, aprenda com os erros. Mas o ideal é que alguém o acompanhasse, orientasse, avaliasse, corrigisse.
Os dois melhores lugares para isso são a universidade e estágios verdadeiros, em que alguém seja responsável pelo acompanhamento.
Cobrem de seus professores. Cobrem das faculdades e dos sindicatos. Eles deveriam estar cuidando disso. É um direito de vocês. Façam valer.
Leia o post inicial sobre como começar a trabalhar
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h59
Olhar esperto
O repórter RICARDO GALLO conta um episódio em que a notícia saiu do inesperado. Jornalista que se mantém atento ao que foge da rotina sai ganhando. Veja o que ele diz:
Acompanhei a transcrição das entrevistas da Marta e do Maluf feitas pelo Canzian e lembrei de um episódio ocorrido comigo e com o André Caramante ano passado. Não por haver pressão parecida sobre o entrevistado, longe disso, mas pelo ping-pong ter sido, digamos, diferente. Ficou algo até engraçado... Estávamos cobrindo uma audiência do então secretário Saulo de Castro Abreu Filho na Assembléia Legislativa de SP e nos chamava a atenção o que parecia ser uma claque no fundo do auditório. Quando o Saulo falava, aplausos. Deputados de oposição falavam, vaias. Era, no mínimo, estranho, porque o Saulo nunca foi figura considerada simpática --ele era conhecido pela truculência e pela intempestividade. E os jovens que o aplaudiam pareciam novatos ali. Aí fui para o fundo do salão e puxei assunto com um deles. A conversa tem um quê cômico, porque o sujeito nem sabia ao certo quem era o Saulo, aquele que curiosamente ele aplaudia. O rapaz dizia que estava ali, num dia de semana à tarde, porque não trabalhava às segundas. Ok, mas era uma terça-feira!! rsrs... Mostrei para o André a gravação, ele achou bom e "vendemos" para o editor, que publicou. Entrou como pingue-pongue, bem curtinho, na página 3 de Coti de 7 de junho. Mas ficou engraçado. Bom, me animei ao contar porque vi o duelo entre repórter e entrevistado e O pingue acabou refletindo um pouco isso...
Confira o resultado:
Na claque, secretário era desconhecido
DA REPORTAGEM LOCAL
Em pé, no fundo do auditório, o cabeleireiro Otávio Ricardo Costa, 27, aplaudia com entusiasmo Saulo de Castro Abreu Filho e vaiava as críticas. Natural, não fosse o fato de Costa nem sequer saber quem era o secretário.
FOLHA - Quem é o secretário da Segurança ali na frente? OTÁVIO R. COSTA - Não sei.
FOLHA - E o nome dele, sabe? COSTA - Não.
FOLHA - Por que veio assistir? COSTA - Eu vi na internet [que Saulo deporia] e vim.
FOLHA - Em que site? COSTA - Não me lembro.
FOLHA - Você deixou seu trabalho para vir aqui? COSTA - O salão não funciona às segundas.
FOLHA - Mas hoje é terça. COSTA - Não trabalho às terças. Só a partir de quarta-feira.
FOLHA - Você recebeu dinheiro para estar aqui? COSTA - Não. (RG e AC)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h22
Estava atrás de um artigo da Warthon School sobre o "Washington Post" on-line e acabei encontrando este, sobre por que jovens não conseguem começar a trabalhar (já traduzido para o português).
Não se refere ao mercado jornalístico e fala sobre os EUA, mas é interessante notar como há argumentos o problemas parecidos.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h57
David Gray/Reuters
Ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável
Se está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:
Dia 18 Leia a Primeira Página com atenção e, ao terminar, rememore o que foi destacado. Depois, leia as capas de cada caderno (ou principais notícias de cada editoria, se o jornal não for dividido em cadernos). Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu. Escolha três assuntos destacados na Primeira Página e que não são capa de caderno e leia as reportagens correspondentes.
Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.
Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h47
Faz tempo que recebi do meu leitor Diego Bittencourt um relato de como ele começou a trabalhar. Faz parte das discussões que tivemos sobre maneiras de driblar o QI (quem indica).
Mauricio Denas/France Presse - 5.fev.2003
 Diego, do Santos, dribla jogadores do América de Cali
Na época, arquivei a mensagem para pensar um pouco em como publicá-la, já que ele, como muitos, começou trabalhando de graça. Não defendo o trabalho de graça, como já comentei aqui antes. Dito isso e repetido, vamos ao relato do Diego, que é de Sergipe e hoje edita o portal www.ligtv.com.br :
Aqui em Aracaju não é diferente do restante do Nordeste, em que os meios de comunicação são ligados a políticos e seus familiares. Por isso, o famoso QI é muito forte. Nós, jornalistas sergipanos, ainda contamos com uma estatística extremamente desestimulante, temos um dos menores pisos de jornalismo do Brasil, R$ 800,00. Como se não bastasse a escassez de vagas no mercado de trabalho.
Ainda estudante, concorri a uma vaga de estágio em um portal de conteúdo daqui, era pra fazer a cobertura do Pré-Caju, prévia carnavalesca daqui. Iriamos fazer a cobertura em tempo real. O detalhe era que os estagiários não iam receber um centavo pelas madrugadas de trabalho. Mas, concorri à vaga e consegui, vsando, claro, a experiência que iria adquirir nessa empreitada.
A escala era para cada estagiário trabalhar somente dois dias à noite e dois dias à tarde (produzindo pautas frias). Fiz questão de trabalhar todas as noites e tardes do evento. Vi ali a possibilidade de fazer contatos, observei quem era o assessor de cada camarote, as pessoas que poderiam me ajudar posteriormente.
O Pré-Caju acabou, e com ele o estágio. O que fiz? Liguei para a assessora de uma grande rede de supermercados daqui, que tinha um camarote na festa, e conversei com ela. Para minha sorte, a empresa dela de assessoria de imprensa estava precisando de um estágio. Fui contratado. E mais. À tarde consegui outro estágio, oriundo dos contatos que fiz no Pré-Caju, enquanto trabalhava "de graça". E assim fui conhecendo pessoas, me inserindo no meio jornalístico sergipano. O mesmo portal me convidou outras vezes para cobrir eventos sazonais, como o são joão de Sergipe. Porém com uma diferença da primeira vez: agora, era remunerado.
Hoje, após três anos de formado, sou webeditor de um novo portal de conteúdo daqui de Sergipe, concorrente direto daquele portal que um dia me deu a oportunidade de aprender a fazer webjornalismo. Sem dúvida, sem aquela experiência, que outrora fora sem remuneração, não teria conseguido o meu atual emprego.
Mas quero deixar uma dica para você, estagiário. Não tenha medo do trabalho. Esse tempo é tempo de aprender mesmo, o quanto você puder sugar do seu chefe. Muitas vezes o estagiário acha que é um "escraviário", devido ao montante de trabalho que seu chefe passa pra você. Não veja por esse lado. Veja pelo lado de que quanto mais trabalho tiver, maior vai ser a experiência adquirida. Hoje, tenho dois estagiários trabalhando comigo, e vejo muitas vezes o desinteresse no olhar deles, a preguiça. Uma pena!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h45
Nas entrelinhas
Já falamos sobre como ouvir e olhar podem ajudar a ter idéias de pauta. Hoje a dica é sobre ler:
- revistas velhas têm matérias que podem servir de inspiração para pautas novas ou ser atualizadas
- dica de um professor de faculdade: ler tudo, qualquer papel que nos entregarem na rua, cartazes etc.
- sites do governo do Estado, presidência da República e Radiobrás podem também ajudar nas idéias de pauta, não com um enfoque propagandista, mas têm o poder de revelar problemas que nem pensávamos que existiam.
- jornais estrangeiros: leia-os e faça paralelos. Ainda que muitas vezes a realidade dos temas seja discrepante, a pergunta feita ao fato continua valendo. Na semana passado, aconteceu um exemplo aqui na Agência; um colega viu uma matéria na Newsweek (acho) sobre parques nacionais e as respectivas visitações. Nos EUA, elas caíram devido aos games. No Brasil, meu colega descobriu, elas também caíram, mas por problemas ambientais e de segurança. Como a Ana já deve ter dito, receber a newsletter do Pointer Institute é um dos caminhos para isso.
- sites de universidades: como já trabalhei na divulgação de pesquisas da UnB, sei que a academia costuma divulgar muita coisa bacana, e sobre todos os assuntos. E poucos jornalistas dão bola. Quando dão, são os de que cobrem ciência. Mas dá para achar pesquisas (mestrado, doutorado ou afins) de agronomia a zootecnia, passando por teatro, artes visuais etc. Ah, vale olhar não somente as do eixo Rio-SP e também apostar em outras igualmente reconhecidas, omo UFRGS, UFMG, UFBA e UnB.
- Leia os outros jornais _sério, já consegui transformar uma notinha que saiu no Estadão numa matéria de capa muito legal para Coti (a reportagem sobre crianças instaladas em casinhas de cachorro por uma ong). Nem sempre o outro jornal sacou que ali existia uma história bacana e boas oportunidades podem se esconder assim, principalmente em seções de notas como Radar, na Veja, e o painel.
Detalhe: isso é muuuuuuito diferente de chupinhar pauta alheia. O jornal recupera furos etc. Mas na hora de vender uma pauta, a originalidade é muito importante.
- Entre nos sites da Fapesp, Usp, Unicamp... E assine todos os boletins que puder. Eles vão atolar sua caixa de e-mails e nem sempre vai dar para ver todos com atenção, mas eles podem te trazer de bandeja uma pauta muito legal. Mas atenção: a mesma pauta está indo de bandeja para todo mundo que assina o boletim, então sempre pense num jeito de enriquecê-la, comparando com outras pesquisas sobre o mesmo assunto, por exemplo.
- Uma boa dica é ler o que os colunistas escrevem. Eles sempre dão várias dicas e deixas. A partir daí, você pode "cavar" os seus próprios furos também. Aprenda com eles.
- Fique muito ligado na internet. Faça buscas e mais buscas. Desconfie ainda mais das informações da rede. Tem muita baboseira, mas, no meio de tudo, se você souber procurar, capaz de achar algo legal. Sites oficiais são os mais confiáveis. Monitore sites de ONGs, universidades, blogs, mídia independente, movimentos sociais, comunidades no orkut
- Fique atento aos últimos parágrafos das notícias dos jornais. Geralmente, eles trazem algum detalhe de notícias e dão pistas de algo que, na matéria, é só uma citação pouco explorada. [sobre matérias que saem do pé de outras, leia a entrevista com Rafael Cariello]
- Ler diariamente a coluna do ombudsman é um bom começo. O Beraba costuma apontar deslizes e omissões na cobertura da Folha que podem, facilmente, render boas pautas
Para organizar, segue abaixo o que já falamos sobre pautas neste blog: - os diferentes tipos de pauta - primeiras dicas de como ter idéias de pauta - orientações do editor-adjunto de Brasil, Marcelo Diego - dicas dos trainees: ouvir - dicas dos trainees: olhar - como deve ser a pauta, do ponto de vista formal - avalie se a pauta é boa
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h17
Denis Balibouse/Reuters - 16.ago.2002

Marion Jones (EUA) corre para vencer o GP de Zurique
O assunto ainda é leitura de jornais.
Cronometrei o tempo em que li a Folha hoje: 28 minutos. Só dá pra ser tão pouco por dois motivos:
1. leio jornal todo dia. Por conta disso, sei de que assunto se trata, não perco tempo lendo detalhes que já conheço
2. não leio todas as matérias. Só as relevantes para entender os rumos do noticiário. Explico: se meu tempo é limitado, não leio uma apresentação de jogo nem um texto sobre arrastão em Moema, porque são casos que se esgotam em si mesmos. Não fazem diferença na hora de entender o país ou o mundo.
Para tornar mais claro, vou listar o que eu li com atenção no jornal de hoje:
- as páginas 2 e 3 inteiras (inclusive o Painel do Leitor e a seção Erramos) são leitura obrigatória
- todos os colunistas (e isso inclui Painel e Toda Mídia)
- a matéria sobre porteira fechada nos ministérios, porque ajuda a entender as negociações atuais em Brasília
- o texto da posse do Lupi, inclusive porque é contraditório com a oposição que defende a porteira fechada
- a reportagem sobre Kassab e o PSDB
- a capa de Mundo, sobre a crise no Irã
- a capa de Cotidiano, sobre as negociações do governo na crise aérea, a reportagem sobre o plano B e uma entrevista com especialista feita por Ricardo Bonalume
- a análise escrita por Igor Gielow
- a página de análise histórica das crises militares
- a reportagem sobre segurança de vôo
- o noticiário sobre a Lei Cidade Limpa
- o PAC da educação
- o roubo de gravuras da Fiocruz, não pelo roubo, em si, mas pela questão do patrimônio cultural
- no noticiário sobre indicadores de mercado, só registrei os resultados de ontem, mas li com atenção as duas análises da página 3
- a reportagem sobre investimento do governo federal
Notem que eu não li detidamente, por exemplo, o caso do hangar que despencou na tempestade de ontem. Não é que não me interesse, nem que não mereça estar no jornal. Claro que merece. É notícia, e quente.
Mas, se tenho pouco tempo, uso-o naquilo que vai ser mais útil para meu trabalho como jornalista: entender para onde as coisas vão indo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h53
David Gray/Reuters
Ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável
Se está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:
Dia 17 Leia a Primeira Página com atenção e, ao terminar, rememore o que foi destacado. Depois, leia as capas de cada caderno (ou principais notícias de cada editoria, se o jornal não for dividido em cadernos). Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu. Escolha dois assuntos destacados na Primeira Página e que não são capa de caderno e leia as reportagens correspondentes.
Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.
Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h52
Jornalismo investigativo
Republico este post porque o título do que publiquei ontem tinha erro de digitação. Obrigada aos leitores que me avisaram.
Serão abertas no dia 17 de abril as inscrições para o 2º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
O evento acontecerá nos dias 17, 18 e 19 de maio, em São Paulo. A abertura, no dia 17, será uma homenagem ao jornalista Joel Silveira, no auditório da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A entrada é livre e não é necessário se inscrever.
Nos dias 18 e 19, o congresso será realizado na Faculdade Cásper Líbero. Haverá mais de 60 painéis, seminários e oficinas, com diversos palestrantes internacionais e alguns dos maiores nomes do jornalismo brasileiro.
O congresso terá os seguintes eixos:
· Fundamentos da reportagem: metodologia, redação, cobertura de crises, montagem de banco de dados, investigação em grupo e texto jornalístico.
· Reportagem auxiliada por computador: cursos básicos e avançados, inclusive sobre administração pública e desenvolvimento humano.
· Direito de acesso à informação pública: legislação e experiências no mundo.
· Defesa profissional: processos contra jornalistas por dano moral, como se comportar em áreas de risco nas grandes cidades brasileiras e em conflitos internacionais.
· Jornalismo investigativo aplicado: radiojornalismo, telejornalismo, cobertura de administração pública, dos Jogos Panamericanos, da tríplice fronteira, investigação de financiamento de campanhas eleitorais, investigação sobre meio ambiente, empresas privadas e crimes em geral.
· Jornalismo internacional: panorama sobre o que se faz no mundo e na América Latina em termos de jornalismo investigativo e investigação sobre corrupção.
· Outros temas: jornalismo on-line, transição do jornalismo impresso para o on-line, leitores mais participativos e jornalismo na área de política social.
· Boas histórias, boas reportagens: vários painéis sobre os bastidores das apurações de reportagens de diversos estados do País, apresentadas por seus autores. No site da Abraji (www.abraji.org.br) há mais detalhes para quem quiser se inscrever.
Nos dias 18 e 19, o evento estará dividido, basicamente, em períodos de uma hora e meia e três horas. Os painéis e oficinas ocorrerão simultaneamente em mais de 10 espaços. Na ficha de inscrição, o interessado verá toda a programação oferecida em cada período para escolher uma das atividades. Depois de selecionar todas as palestras de que deseja participar, o sistema gera um roteiro com a programação escolhida e, se estiver tudo certo, o boleto bancário para pagamento.
As inscrições poderão ser feitas no site da Abraji: www.abraji.org.br. O custo para o profissional sócio da Abraji (em dia com a anuidade) será de R$ 80,00 e para profissional não sócio, R$ 200,00. Estudantes sócios (também em dia) pagarão R$ 40,00 e não sócios, R$ 110,00. A inscrição no congresso valerá como uma anuidade da Abraji para os não sócios – ou seja, ao se inscrever no evento, o profissional ou estudante já se tornam sócios automaticamente.
Entre os palestrantes internacionais, estão:
· Steve Doig - professor da Universidade do Arizona (Estados Unidos), ligado ao Investigative Reporters and Editors (IRE) e vencedor de um Prêmio Pulitzer
· Sheila Coronel - fundadora do Philippine Center for Investigative Journalism (PCIJ), das Filipinas, e professora de Prática de Jornalismo da Columbia University (Estados Unidos)
· Gavin Fadyen – diretor do Centre for Investigative Journalism (CIJ) da City University (Londres, Reino Unido)
· Daniel Santoro – Jornal Clarín (Argentina), autor do livro “Técnicas de Investigación” e presidente do Foro de Periodismo Argentino (Fopea).
· Mabel Rehnfeldt – Jornal ABC (Paraguai), presidente do Foro de Periodistas Paraguayos.
· Carlos Eduardo Huertas – Revista Semana (Colômbia)
· Rosental Calmon Alves – fundador e diretor do Knight Center for Journalism in the Americas, professor na Universidade do Texas em Austin (Estados Unidos)
· Dean Graber – coordenador do programa do Knight Center for Journalism in the Americas, da Universidade do Texas em Austin (Estados Unidos)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h50
Cobertura multimídia
A News-U, universidade on-line do Poynter e da Fundação Kinght, dá um curso sobre cobertura multimídia baseado nos trabalhos de seis dos principais jornais on-line americanos.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h59
por VERENA FORNETTI
O que faz com que o jornalismo esportivo tenha qualidade? A resposta de José Mariante, editor de Esportes: poder de análise, rapidez, julgamento da importância da notícia, conhecimento, organização e antecipação.
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"A editoria leva muito a sério a idéia de aplicar os padrões editoriais da Folha nos esportes", diz Mariante. Confesso que nunca tinha pensado nisso: jornalismo crítico, pluralista e apartidário na cobertura esportiva.
Porque sempre acompanhei de longe o mundo do esporte, minha impressão era de que a característica principal era o entretenimento.
"Muito dinheiro público circula no esporte. É obrigação jornalística, senão moral, cobrir bem a área", diz Mariante.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h04
por MARIANA BENEVIDES [sobre a primeira reportagem que ela fez na vida]
Eu não achava que sair para rua ou ligar para entrevistar pessoas fosse fundamental para fazer uma matéria... achava que dava para mais ou menos prever a opinião das pessoas sobre determinados assuntos... mas vi que as declarações surpreendem muito...
A nossa matéria da sexta era sobre a entrada em vigor da Lei das Fachadas. Para mim era fato que os comerciantes da 25 de Março estariam loucos de raiva do prefeito por terem que tirar suas placas e mandar fazer outra, porque, afinal, se eles tinham mandado fazer placas enormes, letreiros gigantes, luminosos deviam achar aquilo bonito...
Mas a maioria deles disse que concordava com a lei, que melhoraria bem a cidade...
Depois tive que ligar para um passageiro que deveria ter embarcado para Fortaleza na sexta e só embarcou no domingo. Também tinha certeza que a declaração dele seria totalmente rabugenta, odiando ter tido que ficar aqui... E a reclamação dele em relação à TAM não foi em relação ao atraso, mau atendimento, nada disso.... Falou só que achava que as companhias aéreas podiam ter feito algum tipo de convênio cultural para dar uns ingressos de teatro cortesia, programar uns passeios... Disse que adoraria ter aproveitado o sábado em São Paulo para conhecer o Municipal ou ver uma peça do Paulo Autran.
E ainda soltou, meio rindo, "o que importa não é não atrasar, né, é não cair". Nada a ver com o que eu esperava da declaração de uma pessoa que teve o vôo atrasado em 36 horas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h55
João Wainer/Folha Imagem

O depoimento de hoje como reagir a agressões das fontes é de um dos mais premiados e dedicados repórteres da Folha, RUBENS VALENTE:
Você já teve que enfrentar grosserias e agressões de fontes? Sim, algumas vezes. Algumas dessas grosserias foram inteiramente injusticadas. Já fui agredido fisicamente, no pescoço, por um delegado de polícia incomodado com algumas perguntas. O ex-ministro Ciro Gomes também me destratou publicamente, na frente de diversos colegas, em 1999, apenas porque cobrei dele provas de afirmações que ele fez, durante uma palestra, sobre suposta corrupção no DNIT. Quando o tema é espinhoso, envolve acusações criminais, suspeitas de um crime qualquer, às vezes o entrevistado não consegue manter o autocontrole. Em outros casos, contudo, eu reconheço que pode ter ocorrido um excesso também de minha parte. Isso ocorreu quando me senti prejudicado no meu trabalho de apuração, quando as autoridades se recusaram a fornecer informações públicas, que legalmente poderiam ser fornecidas, mas que não foram por uma decisão própria pessoal, por retaliação ou tentativa de turvar a realidade. (Obs.: aqui me refiro a "fontes" como toda pessoa com quem tive que falar durante apurações. Com fontes próprias, às quais me socorro, não me recordo de nenhum mal-entendido mais sério). Como você reage? Anos atrás, costumava reagir na mesma proporção. Hoje em dia, acho que por causa da idade, não levo mais tão a sério. Compreendi que o agressor é que fica desmoralizado. Um amigo meu, um calejado jornalista chamado Claudionor, costumava dizer: "Eu não brigo com fontes, brigo com as teclas" [do computador]. Hoje acho que brigo mais com as teclas. Já abandonou uma entrevista por causa disso? Não me recordo de ter feito isso. Já ocorreu o contrário: no meio de algum diálogo mais duro, que podem ser classificados como "bate-boca", o entrevistado virou as costas e foi embora ou ficou mudo, sem nada mais responder. Já fizeram isso comigo, pelo que me lembro, o ex-ministro José Dirceu e o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto. Acha que há casos em que é justificável abandonar? Não acho que seja o melhor procedimento. Porque há aí uma contradição: se o seu trabalho é buscar informações, não pode dar as costas a elas. Mas, com isso, também não quero condenar nenhum caso específico. Há pessoas tão intratáveis que qualquer diálogo fica mesmo prejudicado, como parecer ter sido o caso do treinador Leão. Difícil avaliar, de longe, se uma decisão como essa, que tem contornos pessoais, foi ou não correta.
Outros depoimentos sobre o mesmo assunto: Josias de Souza Fernando Canzian Antonio Gois
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h15
David Gray/Reuters
Ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável
Se está seguindo o programa de leitura de jornais, parabéns: você chegou à terceira fase!
Dia 16 Leia a Primeira Página com atenção e, ao terminar, rememore o que foi destacado. Depois, leia as capas de cada caderno (ou principais notícias de cada editoria, se o jornal não for dividido em cadernos). Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu. Escolha um assunto que foi destacado na Primeira Página e não é capa de caderno e leia a reportagem correspondente.
Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.
Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h42
por GUSTAVO GOUVEIA
No dia 30/03, sexta-feira, fiz minha primeira matéria como jornalista. Foi muito gostoso pôr em prática o que aprendi em 2 semanas de treinamento, mas faltou um certo traquejo na hora de entrevistar as pessoas. A pauta era sobre tratamentos estéticos, mas afinal o que eu sabia daquilo? Minha experiência no assunto se limitava às surpreendentes revistas de fofocas que sempre trazem belezas insuportavelmente perfeitas. O feio, o erro são fundamentais e devolvem a humanidade a corpos tão bem esculpidos. Conversei com os artistas da forma perfeita - dermatologistas, esteticistas, cirurgiões -, alguns foram simpáticos, didáticos, e outros altamente interesseiros, buscando sempre o flash, a melhor pose para consagrá-los ainda mais. A primeira conversa foi reveladora: não sabia entrevistar e cometi muitos erros na condução da entrevista. Uma nova tentativa e eis que consigo articular melhor, foi um bate papo de uma hora delicioso, me diverti e aprendi muito, mas o que eu não sabia era que é preciso anotar os tópicos durante o diálogo... ...Castigo, fiquei uma hora escutando a fita e perdi muito tempo, o que prejudicou o fechamento. A terceira tentativa foi a mais bem-sucedida, perguntas pontuais, boas anotações, bom interlocutor. Parei, respirei e sorri, feliz do meu desempenho. Mas a felicidade passa rápido, ainda mais no meio jornalístico: a derradeira conversa não entrou na matéria.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h04
por VERENA FORNETTI
Ontem pisei em um um estádio de futebol pela primeira vez na vida. Corinthians e Santos, Vila Belmiro, 9h45 da noite.
Não entendo de esportes, mas quando a Ana perguntou quem gostaria de acompanhar as coberturas de futebol, me inscrevi porque achava que essa era a melhor oportunidade que surgiria na vida para me aproximar desse mundo. Pensei: "Se eu não fizer isso agora que estou no treinamento e posso experimentar áreas diferentes, nunca mais vou poder fazer isso".
Uma das minhas curiosidades sobre a cobertura no estádio era como o repórter escrevia a matéria no meio da partida. Essa foi a primeira coisa que os trainees me perguntaram quando cheguei no jornal no dia seguinte. Imaginem: se o jogo termina 23h30, o repórter tem que fazer das tripas coração para conseguir enviar o texto a tempo do fechamento do jornal. Só assim o leitor tem a análise do jogo no dia seguinte. Percebi que cada repórter se organiza de um jeito, mas que qualquer coisa que ele pense é provisória. O jogo pode mudar de um segundo para o outro e aí o lide que ele estava pensando cai por terra.
Já passava da metade do segundo tempo, os times estavam empatados em 1 X 1 e um repórter que estava lá começou a escrever no laptop. Lembro de ter ouvido a frase: "Não gosto de empate, não dá para definir o texto". Não tenho certeza, não podia interromper para perguntar o que ele estava fazendo, mas tive a impressão de que ele escrevia vários trechos e ia juntando à medida que as coisas se definiam. Mas aí... 35 min do segundo tempo e o Santos ataca. Gol. Juro: ele parou de escrever, olhou para o campo e suspirou. Pegou o bloquinho e começou a anotar, meio que desenhando a jogada que o cara fez para marcar o gol. Imagino que muitos dos parágrafos que ele tinha feito tenham ido para o lixo.
A tática do repórter da Folha foi diferente. Durante o jogo, mandou um texto de apoio com um assunto paralelo, mas não escreveu nada do texto principal. Só fez anotações no bloquinho. No minuto que acabou a partida parou tudo, se concentrou e em poucos minutos escreveu a matéria inteira. Transmitiu o texto para Redação, ligou para um colega avisando que o texto já tinha sido encaminhado e fechou o laptop. Eu pensei que tivesse acabado. Não contava com uma frase de efeito que o Leão diria logo depois. Na mesma hora, o repórter ligou para a Redação, passou as aspas e avisou que precisava ser o lide do texto.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h59
por SILAS MARTÍ
Duas frases que destaco da conversa de hoje com o editor de Fotografia, TONI PIRES:
"O jornal tenta adequar o olho à pauta certa [escolher o fotógrafo com melhor perfil para cada tipo de pauta fotográfica]. A máxima editorial de que o jornalista deve saber fazer de tudo é uma grande mentira. Ele deve poder resolver qualquer tipo de pauta numa emergência, mas é claro que faz umas coisas melhores que outras."
"A transição para o digital deu uma pasteurizada geral no trabalho de todo mundo, todo mundo tem o mesmo equipamento. Por isso a gente sentiu que era muito importante forçar o profissional a conhecer melhor o novo equipamento."
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h56
por JOHANNA NUBLAT
Depois de passar oito horas em pé, andando de um lado para outro em Congonhas e atrapalhando a vida de quem tentava embarcar com perguntas como "você está indo para onde?" e "há quanto tempo você está aqui?", consegui que meu nome saísse no pé (isso, lá no fim) da matéria de domingo. Isso na edição SP, porque alguém esqueceu de colocar o "Johanna Nublat" na edição nacional - o que me deixou bem desapontada.
Isso tudo pode parecer uma grande bobagem. O que interessa meu nome sair lá no final da página - lugar onde nem meus pais conseguiram achar (mesmo depois de muita explicação)? Pois interessa muito. Depois de três tentativas de passar nesse treinamento, de trancar meu curso na UnB e de deixar minha casa em Brasília, as coisas começam a ter algum sentido. As letrinhas no pé da reportagem servem de estímulo e de recompensa pelo final de semana sem descanso.
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No domingo, também passei horas em Congonhas. Dessa vez, nada de "Johanna Nublat", mas pelo menos consegui emplacar meus personagens. Para meu conforto, na página ao lado da matéria dos aeroportos, saiu a reportagem que fiz com colegas trainees na sexta - e, felizmente, com meu nome no pé.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h52
Qual o tamanho da derrota?
Ricardo Nogueira/Folha Imagem - 01.abr.07
 Edmundo lamenta chance perdida em jogo contra o São Paulo no Morumbi
lide 1 O São Paulo entrou em campo com meio time reserva, mas não sentiu falta dos titulares e venceu o Palmeiras por 3 a 1, no clássico deste domingo. O resultado classificou matematicamente a equipe treinada por Muricy Ramalho para a fase semifinal do Campeonato Paulista e, combinado com as vitórias de São Caetano e Bragantino, tirou o Palmeiras da zona de classificação.
lide 2 Com dois gols de Somália, o São Caetano derrotou de virada o Barueri por 3 a 1, fora de casa, e se manteve entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Paulista-2007.
lide 3 O Bragantino venceu neste domingo o Marília por 4 a 1, mesmo jogando fora de casa, no estádio Bento de Abreu, e entrou no grupo dos quatro primeiros colocados do Campeonato Paulista, beneficiado pela derrota do Palmeiras para o São Paulo.
O que estes três lides têm em comum (além de expor a desgraça palmeirense)? Eles respondem à pergunta que, para mim, é a principal de qualquer lide.
Não, não se trata de quem, o que, onde, quando, por que nem para quê.
Essas são informações básicas de um texto jornalístico (principalmente por que e para quê) e precisam ser respondidas. Mas não necessariamente no primeiro parágrafo.
A questão que os lides acima respondem é “E daí?”.
Se ficasse só no quem, o que, onde, quando e por que, o lide diria: “O São Paulo venceu ontem o Palmeiras por 3 a 1 no estádio do Morumbi, porque jogou melhor mesmo com time reserva (ou porque o juiz roubou, porque enterraram um sapo no gol do Diego etc. etc.). Todas as informações básicas estão lá, mas o lide ficaria incompleto.
Há casos, claro, em que elas são tão importantes que merecem estar no lide. Alguns exemplos abaixo:
Quem - Fulano, o mais procurando terrorista afegão, foi morto ontem por tropas americanas O quê – Mais de 40 pessoas morreram quando um ônibus tombou nesta madrugada na BR-116 Onde – Na cidade em que obteve a maior porcentagem de votos na última eleição, YXZ, o presidente Lula começou ontem sua campanha eleitoral. Quando – Duas horas após sair da cadeia beneficiado pela licença temporária de Dia dos Pais, Fulano de Tal foi preso em flagrante tentando roubar um carro. Por quê – Depois de uma negociação de dois dias com líderes do PCC, o governo do Estado decidiu ontem transferir três presos. Para quê – Candidatos que se declararem negros ou pardos vão disputar 40% das vagas da UFXY. A medida foi assinada ontem pelo reitor Fulano (em vez de “O reitor fulano assinou ontem medida que garante que...)
Mas não vá no piloto automático. Antes de escrever seu lide, pare e pense: e daí?
Para quem não está familiarizado com o jargão jornalístico, este post tem uma explicação sobre o que é lide
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h45
Guerra
Igor Gielow, que cobriu os conflitos do Afeganistão, sugere os livros abaixo para quem se interessa pelo tema e pelo ofício de correspondente de guerra:
História da guerra do Peloponeso - Tucídides - Imprensa Oficial de SP
Um diário russo - John Steinbeck/Robert Capa - Cosac & Naify
Hiroshima - John Hersey - Cia das Letras
Guerra dos Bálcãs - John Reed - Conrad
Os canhões de agosto - Barbara Tuchman - Objetiva
Nós, o povo - Timothy Garton Ash - Cia das Letras
History of the Present - Timothy Garton Ash - Vintage
Palestina - Joe Sacco - Conrad
The mammoth book of war correspondents - vários - Carroll & Graf
O clube do bangue-bangue - Greg Marinovich/João Silva - Cia das Letras
A primeira vítima - Phillip Knightley - Nova Fronteira (esgotado?) - Prion Books
The Places In Between - Rory Stewart - Harcourt
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h04
De olho nas pautas
Wolfgang Kumm/EFE - 1.set.2006
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