Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Afeganistão, 2001

Afeganistão, 2001


O repórter em Cabul

IGOR GIELOW cobriu a guerra que levou à queda do regime do Taleban, no Afeganistão, após os ataques do 11 de Setembro. Ficou no Paquistão de 25 de outubro de 2001 até 15/11, quando conseguiu entrar no Afeganistão. Nesse país, ficou até 29/11.
O texto abaixo é um longo, rico e divertido (às vezes trágico) relato desses mais de dois meses.

Inspirada pela última pesquisa EyeTrack --que mostra que textos longos não assustam leitores se forem interessantes--, decidi colocá-lo aqui na íntegra.

São nove capítulos. Vale a pena ler todos de uma vez.

Meu leitor mais crítico vai, com certeza, achar ruim. Se você também não tiver paciência, poderá ler capítulo por capítulo (nos próximos dias, darei um pequeno extrato de cada um, com o link para o texto completo).

Se estiver sem paciência desde já, clique aqui para pular para o último post.  =)

O meu 11 de setembro

Ao final de 11 de setembro de 2001, meu principal pensamento sobre o dia, aquilo que ficaria na minha memória nos meses e anos a seguir, era sobre como eu era mau cavaleiro. Não consegui fazer meu cavalo correr como se acompanhasse alguma horda bárbara na estepe do parque nacional de Terelj, na Mongólia, onde estava. Lá, hospedado numa cabana nômade, não havia contato com o mundo exterior, eletricidade, TV, internet.

Logo, para mim, 11 de setembro de 2001 acabou como outros naquela viagem: agradável e aventuroso. Só fui ter noção do que acontecia no mundo no dia seguinte e, a bem da verdade, a real dimensão ao desembarcar do trem em Pequim três dias depois.

Dois meses depois, o 11 de setembro já tinha outro sentido. Estava à beira de um ataque de nervos em Peshawar, no Paquistão. Já estava havia um certo tempo no país, conhecendo a realidade local e tentando arrumar um jeito de entrar no Afeganistão sob as bombas americanas que viriam a expulsar os fundamentalistas do Taleban do poder.

Com um grupo de jornalistas, a maioria baseada em Islamabad (capital paquistanesa), estava pressionando alguns líderes tribais a nos permitir passagem para o leste do Afeganistão, onde o Taleban já estava em retirada. Deu certo, após muita insistência de todos nós e a diplomacia de Maria Grazia Cutuli, experiente correspondente de guerra italiana que estava lá pelo jornalão "Corriere della Sera".

Era 15 de novembro quando recebi um telefonema de Wakir Qiani, meu misto de tradutor e assessor para assuntos insólitos no Paquistão. Ele disse: pegue suas coisas. Fui, com uma mochila (a mala ficou no hotel) com roupas para três dias, telefone de satélite, laptop e um colete à prova de balas pesado e incômodo, que encaixei na tal mochila, comprada num bazar em Islamabad.

Ainda consegui avisar pelo celular Javier Otazu, colega da Efe que hoje é o chefe do escritório do Oriente Médio da agência de notícias espanhola no Cairo. Entre um grito de "cabrón" e outro, ele percebeu que iríamos finalmente entrar no Afeganistão.

Última recomendação, feita pelos militantes (terroristas, para americanos em tempos normais, aliados para americanos em tempos mais cínicos, libertadores para alguns afegãos; assassinos, para outros) do Hizb-i-Islam: avisem suas embaixadas.

Ah, legal. Era 15 de novembro, a Embaixada do Brasil em Islamabad estava fechada. Por sorte, a imprensa portuguesa era numerosa: convenci o colega Francisco Piedade a fazer jus ao sobrenome e me incluir no contingente passado à Embaixada lusa. Ele ainda brincou com meu biótipo: "Vá pedir aos alemães, ó pá".

No QG do Hizb-i-Islam em Peshawar, a cena era de filme: 15 ônibus e vans caindo aos pedaços saindo para atravessar uma região inóspita, os chamados territórios tribais do Paquistão. É um lugar no qual nem o Exército local entra; não fizemos nenhum controle alfandegário. A lei é a dos anciãos das tribos. Animados, chegamos ao Passo Khyber, o mítico ponto que separa o Paquistão do Afeganistão.

A tensão se aprofundou ao passar pela fronteira, em Torkham, quando vimos que não havia volta _nem uma situação consular legal. Um repórter carequinha da APTV teve que descer do ônibus, sob os berros do chefe no telefone de satélite: "Desculpem, amigos, mas meu chefe diz que não tenho seguro para entrar aqui". Ele desceu, uns 10 minutos dentro de território afegão, com câmera, mala de equipamento e tudo mais. O chefe dele claramente não tinha noção do que havia ordenado; de resto, nunca mais vi o sujeito.

Vários checkpoints depois, nos quais os tiros para o alto eram constante (para nos festejar, vim a saber, infelizmente bem depois), os ônibus se separaram. Foi o primeiro momento de uma certa tensão que não era eufórica: "E se houver talebans em retirada? E se algum chefe tribal não for com nossa cara? E se...".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h07

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Afeganistão, 2001

Afeganistão, 2001

"Welcome to Jalalabad"

                                        Fotos Igor Gielow

Guerrilheiro pashtu em Jalalabad

Anoitecia e já estava bem escuro quando chegamos a Jalalabad, uma grande cidade a meio caminho entre fronteira e Cabul. A placa "Welcome to Jalalabad" estava lá, em inglês. Na hora me veio a lembrança de "Welcome to Sarajevo", um bom filme sobre correspondentes na guerra da Bósnia. Só que faltou o Stone Roses da trilha sonora; o que havia era um silêncio angustiante.

Estávamos completamente entregues à mercê dos guerrilheiros (outra classificação possível) que nos transportavam. Não tínhamos visto de saída e em muitos casos, como no meu, meu visto paquistanês venceria dali a poucos dias. Mas tínhamos todos um objetivo: chegar a Cabul, que acabara de cair para as tropas da chamada Aliança do Norte, de qualquer jeito.

Fomos levados para comer em um antigo hotel da cidade, o Sitchai. Supostamente, era uma boa-vinda à imprensa mundial misturada a uma celebração de vitória contra os até ontem aliados talebans. Depois de um dia todo com pouca água e nenhuma comida, comer com as mãos encardidas um arroz com fiapos de carneiro e uvas-passas gorduroso, regado com Pepsi e água de origem suspeita, parecia um festim dionisíaco. Modos são coisas muito relativas.

Alimentados, pudemos fazer as entrevistas que queríamos com os diversos líderes tribais que se reuniam numa sala que lembrava aquela do filme "Lawrence da Arábia" _quando chefes árabes não se entendem sobre a administração da Damasco liberada do domínio turco.

Logo depois, fomos acomodados para dormir no mesmo local da reunião, um salão no Palácio de Governo de Jalalabad, todo ornado com arabescos kitsch. Depois que trabalhamos, escrevendo textos e fazendo entradas para rádios e TVs, a luz foi cortada e dormimos. No meio da noite, tremores. Barulhos surdos. Eram os bombardeiros B-52 americanos fazendo o serviço deles. Saímos para um terraço, mas não dava para ver nada no escuro.


No palácio

Peguei uma bandeirinha do Taleban que estava sobre uma mesinha num canto e falei para Carme Colomina, repórter da Rádio Catalunha: "Bem, isso aqui é um palácio que o Taleban usou até anteontem. Espero que as bombas desses americanos sejam mesmo "smart bombs" (as bombas supostamente inteligentes que volta e meia atingiam alvos errados)". Dormir não foi muito fácil depois, e não foi por conta do ronco do guerrilheiro que dormia abraçado ao seu RPG (lançador de granadas propelidas a foguete) no sofá ao lado.

O dia seguinte foi marcado por uma tensão constante. Havia cheiro de guerra civil entre os diversos grupos, e nós éramos alvos facílimos. Passamos o dia, entre uma visita a um aeroporto bombardeado e outra, pensando em como ir a Cabul e como garantir um mínimo de segurança.

Cheguei ao hotel do jantar da véspera e encontrei um grupo tomando chá. Eram militantes de algum grupo anti-Taleban que queriam ir a Cabul, que acabara de cair. Julio Fuentes, do jornal espanhol "El Mundo", capitaneava o papo, questionando se haveria sim condições de segurança na estrada.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h07

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Afeganistão, 2001

Afeganistão, 2001

"Não é seguro"

Resolvemos passar a noite numa casa de parentes do motorista do ônibus em que viemos. Nesse canto do mundo, todos se dizem parentes de todos, lição aprendida. O grupo já era mais fechado, umas 15 pessoas, e no café da manhã do dia seguinte encontramos Maria Grazia, Fuentes e mais outros colegas. Contamos o acerto da noite: um microônibus de um primo-do-primo cobraria US$ 100 por cabeça para levar-nos a Cabul.

"Eu cobri sete guerras. Não é seguro. Falei com várias fontes", disse, com autoridade, Maria Grazia. A mesa se dividiu. Eu tendia a ficar, mas os tiroteios que ouvíamos na vizinhança pareciam aconselhar uma saída rápida. Resolvi ir.


Estrada perto de Saroubi

A viagem, altamente pitoresca em tempos de paz, foi árdua. Perto de Saroubi, vila ainda dominada por simpatizantes do Taleban, o ônibus quebrou. Suspensão, disse o nosso guia. Durante o conserto, fomos abordados por tipos mal-encarados com Kalashnikovs. Tivemos de ficar uma hora parados, acompanhando com um misto de pânico e impaciência, o debate em algum dialeto pashtu de nosso tradutor e guia com os aldeões.

Entre nós estava Verónica Cabrera, uma fotógrafa free-lancer argentina miúda e birrenta. Não deu outra: contra nosso conselho, ela saiu e começou a fotografar o entorno todo. Desesperamos. Miguel Rovira, correspondente da Efe em Bangkok que fazia dupla com Javier Otazu, saiu do microônibus e, não muito delicadamente, arrastou Verónica para dentro. "Quer morrer?", ele gritou. Todo mundo silenciou.

Verónica não respondeu. Viria a morrer menos de dois anos depois, juntamente com outro dos nossos companheiros de viagem, o também fotógrafo argentino Mario Podestá. Ambos estavam repetindo a parceria afegã no Iraque, mas o carro onde estavam capotou perto de Bagdá.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h07

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Afeganistão, 2001

Afeganistão, 2001

Enfim, Cabul


Ruínas em Cabul

Depois de um tempo, fomos liberados e chegamos a Cabul, uns 70 km à frente. A cidade era um amontoado de blocos antigos ao estilo soviético, muitas ruínas antigas e várias outras recentes. Vinte e cinco anos de guerra cobram seu preço. O bombardeamento de 1992 nunca fora reparado, e a intensidade do chamuscamento dos prédios era o "teste do carbono 14" que determinava de qual período era aquela ruína.

Nosso grupo se subdividiu novamente e éramos agora nove jornalistas. Eu, dois espanhóis, quatro portugueses e dois argentinos. Em vez de rumar para o Hotel Intercontinental e pagar US$ 100 para dormir num quarto com buraco na parede e, como o resto de Cabul, sem água corrente e com apenas sete horas de energia por dia, sublocamos dois apartamentos contíguos num bloco da era soviética antigo do primo-do-primo-do-primo do nosso guia.

O conforto era absolutamente razoável, e os afegãos se esforçavam em fazer valer o dinheiro que cobravam. Na hora do banho de canequinha, já que não havia abastecimento corrente, a água era aquecida numa grande tina _o que era um alívio, dado o frio congelante que fazia à noite.

Compramos um gerador para evitar um colapso nas comunicações (telefones de satélite, computadores), por US$ 350, preço que viria a subir quatro vezes menos de dois dias depois. Ele fazia um barulho desgraçado e soltava fumaça, mas cumpriu seu papel.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h06

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Afeganistão, 2001

Afeganistão, 2001

Morte na família


Mortos recolhidos pelo Crescente Vermelho

Foi quando recebemos o impacto da morte entre nós. Já havia morrido jornalistas no conflito, um grupo que tinha cometido a imprudência de entrar num blindado da Aliança do Norte perto da frente taleban. Mas nada tão próximo.

Na segunda noite em que estávamos em Cabul, nos encontramos com um grupo de espanhóis liderado pela Ángeles Espinosa, talentosa jornalista que virou editora para Oriente Médio do "El País".

Recebemos o telefonema de Julio Fuentes, de Jalalabad, perguntando se tinha sido seguro o trajeto havia sido seguro. Confirmamos que sim, apesar do incidente em Saroubi ter sido bem preocupante. Fuentes, Maria Grazia e outros viriam em comboio no dia seguinte. E fomos dormir, voltando ao apartamento antes do toque de recolher das 22h.

Manhã seguinte, 19 de novembro. Ao chegar para uma das várias e inúteis entrevistas coletivas da ONU no Hotel Intercontinental, havia o murmurinho. Um repórter acabara de chegar, e dizia, ofegante, que o comboio em que estava havia sido atacado perto de uma cidade chamada Sarabia. Perguntei: "Saroubi?". Ele pensou e disse: "É, isso. Sumiram quatro dos nossos". O resto é história conhecida: Maria Grazia, Julio Fuentes, o australiano Harry Burton e o afegão Azizullah Haidari, ambos da agência Reuters, foram mortos em uma emboscada.

Os relatos são desencontrados e especulou-se de tudo: briga por dinheiro, alguma intolerância pelo fato de Maria Grazia ser uma mulher incisiva em um país intolerante a isso, até sobre armas químicas de Bin Laden descobertas por Fuentes houve reportagens. Até hoje a natureza exata do ocorrido não é conhecida.

Continuamos nosso trabalho sob a apreensão do desaparecimento, embora obviamente todos soubessem internamente que os colegas estavam mortos. No hotel, choros esporádicos. De volta ao apartamento, pela primeira vez jantamos todos juntos. Por volta das 22h30, o "satelital" de Rovira tocou. Ele atendeu, desligou e anunciou: "Estão mortos. Acho que vão levar os corpos para Jalalabad amanhã". As últimas tecladas nos computadores foram o único som na sala dali até a meia-noite, hora do nosso toque de recolher informal. Era mais ou menos como uma morte na família.

"Não é seguro", tinha dito Maria Grazia. Não era.


Mortos recolhidos pelo Crescente Vermelho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h06

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Afeganistão, 2001

Afeganistão, 2001

Histórias às pencas


Mercado de câmbio em Cabul

Passado o choque, na manhã seguinte tudo estava relativamente funcional, apesar das dificuldades para a obtenção de informação. Havia o quartel-general da Aliança do Norte e os subornos (mais US$ 150) para conseguir uma carta escrita em farsi, o dialeto persa local, que lhe era pedida em todo posto de controle possível. Em tese teríamos que ter um tradutor "oficial" da Aliança, mas isso foi superado na base da conversa.

As dificuldades práticas eram consideráveis, além da falta de água e luz. Só podíamos comer num restaurante, o Khalid, cujo dono se dispôs a ganhar dinheiro com os gringos em pleno Ramadã _o mês islâmico em que só se come (e fuma, e bebe, e faz sexo) antes do nascer do sol e depois do crepúsculo.

As roupas "para três dias" estavam incomodamente sujas, e tive que visitar o bazar de Cabul atrás de algumas novidades da moda iraniana e paquistanesa para poder mandar lavar algumas peças minhas. Entre um camisolão e outro, fiquei com umas pólos Adidas falsificadas relativamente quentinhas _o inverno já se anunciava.

Meu visual, como brincavam os colegas, era "taleban". A barba engolfou meu cavanhaque, e eu tinha a idéia ingênua de que isso me aproximaria dos barbudos locais. Em seu magnífico "The Places In Between" (não lançado no Brasil), o diplomata britânico Rory Stewart conta como encontrava jornalistas tentando pateticamente se misturar a locais no Afeganistão. Pelo menos eu não me vestia como os locais, como vários repórteres faziam _com resultados invariavelmente risíveis.


Barbeiros voltam a trabalhar em Cabul

Stewart esteve por lá, atravessando a pé o país, pouco depois de eu ir embora. Sorte minha: talvez virasse personagem a ser ridicularizado, embora ele demonstre respeito pelos correspondentes de guerra em seu texto.

Mas isso importava pouco, e o choque da morte dos colegas já estava absorvido. O que interessava era estar numa cidade que passou 25 anos sob o véu da guerra e que estava sendo espiada por estrangeiros após cinco anos de uma ditadura inominável, que foi a estipulada pelo Taleban.

Era uma história sensacional para contar atrás da outra. A primeira transmissão da TV Cabul em cinco anos, e com uma mulher apresentadora. A escola secreta para meninas sob o Taleban. Os hospitais. A vida na comunidade sikh, uma minoria indiana completamente improvável naquele contexto. A primeira sessão de cinema em cinco anos. O estádio em que o Taleban fazia execuções públicas voltando a receber futebol. O mercado de fitas cassete e de vídeo. O bazar de troca de dinheiro.

Enfim, toda uma revolução que encontrava uma contra-revolução interna, de moradores assustados, que não sabiam o quanto a liberalidade relativa _e só relativa_ iria durar.

O incrível estava à nossa frente todo dia. Matéria-prima pura, e feita à moda antiga: não havia telefones úteis, internet para checar, grandes fontes ocultas cheias de informação. Havia apenas histórias a contar, logicamente embasadas por muita conversa, pesquisa e, claro, sorte.

Como no dia em que, cansado de ouvir a parolagem mal-informada do porta-voz da ONU em Cabul, saí para o lobby do Intercontinental. Num balcão, tomando chá, estava ninguém menos que Ahmed Rashid, jornalista paquistanês que é considerado a maior autoridade mundial em Afeganistão moderno. Seu livro, "Taleban", era leitura de cabeceira de dez entre dez enviados especiais. No meu caso, fazia companhia à biografia do maior de todos exploradores da era vitoriana, Richard Francis Burton, que inspirava e informava.

Meia hora de conversa, a curiosidade óbvia pelo fato de eu ser brasileiro, e muita informação útil, dicas sobre meandros locais, histórias de Bin Laden, com quem Rashid já se encontrara. Sorte.

Riscos corríamos todos os dias. Com tradutor e motorista, fizemos equipes de três jornalistas, de modo a se complementar e não competir diretamente. Eu divida um Nissan antigo guiado por um motorista quase mudo e o falante guia Murid com o espanhol Javier Otazu e o português António Rodrigues. "La alianza ibérica", como dizia Otazu. Juntos, éramos ameaçados diariamente por "autoridades" do novo regime e, pior, ameaças mais insondáveis.

Sempre havia alguém armado gritando com você por algum motivo desconhecido, sempre havia um campo minado _o Afeganistão é o país com mais minas no mundo. Perto do fim da estada, um campo minado entrou para minha lista de histórias estranhas por cortesia do 11 de setembro.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h05

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Afeganistão, 2001

Afeganistão, 2001

Hora de ir


Corpos recolhidos pelo Crescente Vermelho

Estávamos acompanhando um tour de recolhimento de combatentes mortos pela Cruz Vermelha _em sua variante local, o Crescente Vermelho. Ao norte de Cabul, tive minha cota de cadáveres putrefatos esgotada por algum tempo. Mas o pior estava por vir: na volta, entramos numa estrada minada. Um rapaz gritava, sem que entendêssemos, num campo lateral.

"Minas", disse solenemente Washai, o papa-defunto oficial que nos guiava. Como admiro Robert Capa mas não quero ter seu destino [meu fotógrafo de guerra predileto morreu pisando numa mina na então Indochina, em 1954], tirei meu colete à prova de balas e sentei em cima com as pernas cruzadas. Meu tradutor perguntou o motivo, já que uma explosão nos mataria de todo modo. Eu: "Quebro o pescoço, mas vou embora num pedaço só".

Demos marcha-a-ré, e ninguém foi despachado para o além, em parcelas ou à vista. Mas a piadinha só é fácil de fazer depois. Estava bem nervoso, não menos pelo fato de que meu dinheiro estava acabando.

Uma lição para coberturas em lugares inóspitos é sempre ter dólares, "cash", à mão. A Folha me provera bem, mas eu tinha uma questão a decidir: a ONU estava cobrando US$ 2.500 por vôo de evacuação de Cabul, e eu só tinha US$ 300 a mais que esse valor no bolso. Cartão de crédito, nem pensar. E já estava sem o visto paquistanês válido, o que tornava minha volta um ato incerto.

Decidi por ela naquela noite: lá pelas 2h, tudo começou a tremer. Livros caíram da estante ao meu lado e, quando dei por mim, havia descido só de cueca seis andares. Os vizinhos afegãos rachavam de rir _e eu, com o frio sub-zero que fazia. O terremoto, vim a saber depois, tinha atingido algo entre 5 e 6 na escala Richter.

"Piece of cake", como definiu às risadas no dia seguinte Peder Carlqvist, veterano correspondente sueco, que é autor de uma frase que me pautou no Afeganistão: "Não adianta você ter a melhor história se não estiver vivo para transmiti-la no fim do dia".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h05

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Afeganistão, 2001

Afeganistão, 2001

Louca escapada


Estrada perto de Bagram

E assim começou o fim da minha aventura afegã, a cobertura mais intensa pela qual já passei. Alguns dias depois, estava em mais um comboio serpenteando estradas com bandeirinhas vermelhas _ou seja, minadas_ até chegar à base americana em Bagram.

Lá, embarquei para Islamabad. Já havia alertado o embaixador brasileiro lá, assim como a Folha fizera uma eficiente gestão junto ao Itamaraty, sobre a minha situação de não ter visto de entrada válido.

O avião, um bimotor da ONU pilotado por dinamarqueses com cara de boneco Ken, subiu em círculos. "É porque temos que ficar no perímetro seguro da base para evitar ataques com Stingers (mísseis portáteis usados pelos talebans). Depois de 5.000 metros, tudo fica bem, eles não nos alcançam", disse um dos pilotos. Eu já não gosto de voar, uma idiossincrasia desagradável dado que faço coberturas internacionais desde 1996 e pretendo continuar fazendo, e decolar sob ameaça de ser derrubado não foi exatamente confortável.

Ao chegar a Islamabad, uma meia-surpresa: meu passaporte não foi liberado. Achei que bastaria acionar o embaixador brasileiro, mas aí fui apresentado a um coronel do ISI, o famoso serviço secreto paquistanês. Ele foi gentil, mas me deixou detido por duas horas numa salinha, até me interrogar.

Sabia, por relatórios que presumi terem vindo da leitura da Folha pela Embaixada paquistanesa em Brasília, que eu havia descrito o Paquistão como uma ditadura militar _um fato, de resto. Perguntou se eu conhecia gente da CIA, talebans, o diabo. Mas, frente às minhas respostas previsíveis, me liberou.

Detalhe: com um visto que duraria até a manhã seguinte, quando minha reserva num vôo para Londres já estava feita e confirmada. Depois de consultar o solícito embaixador brasileiro e o jornal, não cogitei questionar tal cortesia do governo paquistanês.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h04

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Afeganistão, 2001

Afeganistão, 2001

Veredicto


Buraco de bomba americana em Cabul

Susan Sontag, comentando a "guerra ao terror" antes de morrer, escreveu sobre a experiência de presenciar um conflito. "Nós não sabemos. Nós realmente não podemos imaginar como é. Não podemos imaginar o quão medonha, o quão aterrorizante a guerra é _e como ela se torna normal. Não podemos entender, nem imaginar. É por isso que todo soldado, todo jornalista, trabalhador de agência de auxílio e observador independente que tenha sido colocado sob fogo e teve a sorte de enganar a morte que atingiu os outros ao lado teimosamente ‘sentem’. E eles sabem."

Sontag está certa. Há uma cumplicidade pela presença da morte, na forma de tema a ser coberto ou como evento que se insinua num meio que geralmente tem na onipotência arrogante uma característica muito forte. Não há romantismo nisso; pelo contrário, sentimentos acabam brutalizados.

Mas não se deve achar que isso torna a alcatéia em um campo cheio de cordeiros. Havia brigas constantes, repórteres falando mal do colega, ciúmes, competição. Como disse antes, se houvesse um furo a dar, azar dos meus amigos. Sabia que se um deles tivesse entrevistado o Bin Laden ou o mulá Omar, comandante do Taleban, nenhum de nós saberia até a publicação. Ponto.

Dito isso, é forçoso reconhecer que a experiência uniu a todos, de uma forma ou de outra. Tudo muito estranho, tratando-se de jornalistas, profissionais de ofício exclusivista por regra. E tão normal, parafraseando Sontag.


Guerrilheiro em Jalalabad

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h04

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PL - fase 2


 Ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa deste domingo é:

Dia 14
Leia a Primeira Página com atenção e, ao terminar, rememore o que foi destacado. Depois, leia as capas de cada caderno (ou principais notícias de cada editoria, se o jornal não for dividido em cadernos). Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu. Reflita sobre que reportagens foram destacadas na Primeira Página e quais foram escolhidas para abrir cada editoria. NOTA: até amanhã, você só precisa ler integralmente as principais reportagens de cada editoria. Não precisa ler todas as reportagens chamadas na Primeira Página, apenas os abres das editorias. Mas, como hoje é domigo, que tal aproveitar para ler o jornal inteiro, do começo ao fim?

Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.

Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Para quem leu chamadas e capas de caderno da edição de sábado:

 1. Levantamento feito pela Folha mostra que 221 (43%) dos atuais deputados federais já trocaram de partido em algum momento. Qual a estratégia da Câmara para que a nova lei de fidelidade partidária não os afete?

2. O que revelaram documentos de inteligência dos EUA sobre a infiltração de paramilitares na Convivir (rede de cooperativas rurais de segurança criada pelos militares para fazer patrulhas e obter informações sobre a guerrilha colombiana)?

3. Por que a Nasa poderá precisar, em breve, comprar dados de satélites de países como Índia, China e Brasil?

4. Quais as reivindicações dos controladores de vôo e qual a resposta do governo para cada uma delas?

5. Para convencer a CBF a dar aval à Fifa para que a Copa Rio-51 virasse o primeiro Mundial de Clubes --o que deu ao Palmeiras um campeonato mundial--, foram mencionados os nomes de três políticos palmeirenses? Quais são eles? Por que o argumento pode ter influenciado Ricardo Teixeira?

6. Quem foi Nicolau Maquiavel? Por que o  professor de filosofia política da Universidade Federal de Minas Gerais  Newton Bignotto diz que Maquiavel não poderia ser considerado maquiavélico?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h37

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PL - fase 2

 Ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:

Dia 13
Leia a Primeira Página com atenção e, ao terminar, rememore o que foi destacado. Depois, leia as capas de cada caderno (ou principais notícias de cada editoria, se o jornal não for dividido em cadernos). Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu. Reflita sobre que reportagens foram destacadas na Primeira Página e quais foram escolhidas para abrir cada editoria. NOTA: de hoje até domingo, você só precisa ler integralmente as principais reportagens de cada editoria. Não precisa ler todas as reportagens chamadas na Primeira Página, apenas os abres das editorias.

Se ainda não começou, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.

Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Para quem leu ontem as chamadas e as capas de caderno:

1) O que disse Franklin Martins sobre sua atuação na área de publicidade do novo ministério?

2) O que disse Fidel Castro sobre planos brasileiros e americanos de aumentar a produção de etanol? Qual a resposta do governo brasileiro?

3) De que cargo o rabino Henry Sobel está licenciado? Que atuação ele teve durante a ditadura e a redemocratização?

4) Como o extermínio de tubarões afeta a produção de mariscos nos EUA?

5) O que aconteceu com a cotação do dólar na quinta? Qual a expectativa de manutenção desse quadro?

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h20

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Kid Vinil, meu primeiro patrão

O leitor Gabriel Loubak conta sua história de como driblar o QI (Quem Indica ou Quem Indique, dependendo do Estado).

Como ele, outros escreveram contando que trabalharam de graça antes de conseguir um emprego.

Não defendo o trabalho de graça. Entendo, mas sou contra. Ser "escraviário" traz experiência e contatos, é verdade. Há outras formas de obtê-los. Uma eu cito naquele primeiro post sobre como começar a trabalhar: fazer com afinco e interesse os jornais laboratório da faculdade.

Esses jornais, por sinal, são uma excelente chance desperdiçada por muitas faculdades. Deveriam ser jornais voltados pra comunidade em que está a universidade, com reportagem de verdade, circulação de verdade. O único que eu conheço no Brasil nesses moldes é o Rudge Ramos Jornal, da Universidade Metodista.

Num outro dia, vou voltar a esse assunto. Ressalvas feitas, segue a história do Gabriel:

Não defendo o paradigma "Só correr atrás que consegue", como não defendo "Desista, porque 90% dos jornalistas nunca vai exercer a profissão".
Como já foi dito, reitero: não é regra, é experiência pessoal.
 
Eu estava no primeiro ano de jornalismo no Mackenzie e tínhamos uma pauta de radiojornalismo a fazer, à nossa escolha. Decidi entrevistar o Kid Vinil, que na época comandava a Brasil 2000, FM 107,3 e conversar sobre as rádios onlines, MP3, etc. Ao final da entrevista, perguntei se não podia ir um dia ou dois na rádio para ficar lá e ver como funcionava uma FM.

Ficar de bobeira uns dias, só vendo, estando ali. O Kid disse "Gabriel, tá a fim de ser estagiário? Só não podemos pagar nada agora". Como moro próximo à rádio, aceitei sem ter muito o que pensar. Trabalhar na rádio que eu mais ouvia, com alguém fabuloso como o Kid Vinil e uma equipe tão competente era algo muito desejado.

Em vez de ficar dormindo em casa, podia aprender. Tinha que chegar às 6h30 para ajudar o jornalista a redigir as notas que seriam lidas durante o dia. Fiquei nesse esquema uns 2 - 3 meses, quando tive que parar para recuperar notas na faculdade. Com tristeza, conversei com o Kid, que me disse "As portas da rádio estão sempre abertas pra quando quiser voltar".

Durante o semestre, continuei visitando a rádio, para conversar com os amigos. Terminado o semestre, um locutor, da qual tinha feito grande amizade, estava coordenando a rádio no lugar do Kid, que na época continuava com um programa.

Eu estava trabalhando em assessoria de imprensa e decidiram terminar o estágio. Na mesma hora liguei na rádio, que justamente naquele momento, estava precisando de alguém de confiança, conhecido e que morasse perto da rádio. Ou seja, voltei para lá, só que dessa vez, remunerado.
 
Conseguir um emprego, muitas vezes, depende de persistência, competência e "sorte". Estar no lugar certo, na hora certa e conhecer as pessoas certas.
 
Até mesmo a "sorte", já foi dito, é algo que podemos "melhorar". Pessoas que dizem se achar mais sortudas são as que têm mais amigos, são mais extrovertidas, conversam mais, interagem mais. Ou seja, elas criam maior possibilidades de convergência de oportunidades. Conseguir um emprego não depende só desses fatores. O ideal deveria ser a combinação dos três, mas a situação financeira dos meios de comunicação não possibilita isso.

O que depende de nós, temos que fazer. Aprimorarmos nosso conhecimento, corrermos atrás e não perdermos as oportunidades. Concluo concordando com a Juliana Rose, que outro dia contou sua história, pois se não tivesse sugerido nada ao Kid, por vergonha ou qualquer outra coisa, não teria vivenciado uma das melhores experiências de estágio que tive.
 
O famigerado "Quem Indica" existe e não podemos negá-lo. Mas mostrar interesse e vontade é fundamental. Considere também que ninguém nasce conhecendo todos os contatos em empresas e meios de comunicação. As pessoas têm que partir de algum ponto. A ousadia moderada, equilibrada e aliada ao bom senso, é uma ferramenta útil para esse início.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h42

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Delicadeza contra grosserias

JOSIAS DE SOUZA, padroeiro dos blogueiros da Folha, responde o que fazer quando a fonte ataca:

Felizmente, nunca tive de lidar com esse tipo de problema. Houve casos em que, pelo telefone, trataram-me com rispidez. Deu-se sobretudo em ligações feitas a propósito de "ouvir o outro lado", como se diz. Em casos assim, o que faço é exacerbar a polidez. Respondo a eventuais grosserias com o máximo de delicadeza.
 
Nunca participei de coletiva em que o entrevistado tenha perdido as estribeiras. Em tese, creio que, também nestes casos, o melhor remédio é a boa educação. Não faz sentido o repórter perder-se em bate-bocas com autoridades/celebridades. Tampouco recomendaria que se retirasse da entrevista. 
 
Obviamente, se a grosseria for muito grande, como essa barbaridade do convite à repórter para ir a um motel, penso ser razoável que, em legítima defesa, o profissional dê um chega-prá-lá no entrevistado. Algo incisivo, mas em termos publicáveis.
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h46

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Sorte, não. Apuração.

por RAFAEL TARGINO

Acompanhei Evandro Spinelli, repórter de Cotidiano. Ele costuma cobrir administração municipal, e a programação do dia era acompanhar a vistoria do Gilberto Kassab em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Americanópolis. O lugar era tão longe que nem o taxista que nos levou até lá sabia onde era –e, se um taxista não sabe onde fica um lugar, a chance desse lugar não existir é imensa. Mas existia.

No meio-tempo entre a Folha e Americanópolis (para quem não sabe, fica na região do Jabaquara, extremo sul de São Paulo), Evandro e eu fomos batendo um papo. Aproveitei e perguntei tudo o que me vinha na cabeça –inclusive aquilo que a Ana e outros já haviam dito durante essas duas semanas de treinamento, só para confirmar se era verdade (ela diz que eu sou desconfiado, vai saber…): desde como conseguir fontes dentro da prefeitura e pautas a reclamações sobre o caderno de Cotidiano. Nós, trainees, reclamamos que não temos fontes e não conseguimos pautas por conta disso. Quando ele me disse que estava há pouco mais de seis meses aqui em São Paulo, que não tinha muitas fontes, mas já conseguia muita coisa, vi que a nossa desculpa não vale muito...

Durante a conversa, o que mais me chamou a atenção foi quando o repórter me disse exatamente o que faríamos lá: a vistoria, em si, não valia de muita coisa. Ele estava fazendo uma reportagem especial sobre o primeiro ano de mandato do prefeito, que seria completado no sábado, e iria aproveitar pra tirar alguma declaração bacana, já que o Kassab viajaria para Madri na quarta e voltaria só no sábado à noite. Meia hora depois, chegamos à UBS. A primeira coisa que o Evandro falou foi: “A obra não está pronta”. Qualquer pessoa poderia passar batido por isso, mas repórter tem que prestar atenção em detalhes. A visita do Kassab realmente não deu em nada, não tinha lide mesmo. Quando acabou, o prefeito deu entrevista para os coleguinhas. De repente, o Evandro solta uma pergunta, que poderia servir para tirar alguma coisa dele:

- Prefeito, o senhor completa um ano de mandato e vai comemorar em Madri?

Eu juro que imaginei o Kassab pulando no pescoço do Evandro. Ainda mais com a cara de ódio que ele fez. Mas a pergunta tinha o seu propósito.

De volta para a Redação, a missão era descobrir exatamente o que o Kassab iria fazer em Madri (longe do discurso oficial) e saber sobre a vida do presidente da Câmara Municipal, Antonio Carlos Rodrigues. O editor-assistente de Cotidiano, o Guto, havia pedido ao Evandro para fazer um perfil do prefeito interino. Sentei na cadeira ao lado e tive uma verdadeira aula de investigação jornalística. Quer saber o que o sujeito já aprontou? Página do Tribunal de Justiça. Quer a situação dele? Receita Federal. Quer saber o que ele fez na vida política? Solicite uma relação de projetos de lei apresentados. Vimos que era um defensor das empresas de ônibus. Mas tudo estava meio sem-graça, nada surgia de muito relevante da vida dele, até que chegou a declaração de bens feita no TSE. Além de um patrimônio beirando os R$ 2 milhões de reais, Rodrigues tinha mais de R$ 400 mil em espécie. Claro que isso entrou em destaque, em um infográfico. Lição: jornalismo não é sorte, é apuração.

Acho que passar um dia com um repórter –e não era qualquer um, era o Evandro– foi o mesmo de ter uma aula de jornalismo. Se brincar, já valeu pelas duas semanas do treinamento.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h04

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Conexão Recife

Conexão Recife

A íntegra da entrevista feita pela Daniela. Leia mais abaixo como ela foi obtida.


FOLHA - Você esperava tanta repercussão após a publicação da foto?
ANA LAÍSE FERREIRA - A foto aparenta que ele colocou as mãos perto dos meus peitos. Então o pessoal está inventando muita coisa, "tá" entendendo? Simplesmente os jornais estavam interessados [na foto] porque foi uma coisa inesperada ele [príncipe WIlliam] vir para cá [Bournemouth, sudoeste da Inglaterra]. Então todo mundo que tirou foto com ele, eles foram pedindo para entrar em contato. Como todo mundo, eu quis vender.

FOLHA - Por quanto você vendeu a foto?
ANA LAÍSE - Eu tô contando só a história. Eu acho que você já tem [o valor da venda, estimado em US$ 2 mil]. O que mais você quer saber? Ó, é o seguinte, estou só contando a versão da história.

FOLHA - Você se arrependeu de vender a imagem?
ANA LAÍSE - Não é questão disso, "tá" entendendo? Eu vim e tal, estou num país estrangeiro e aí... Nossa! Uma coisa inesperada dessa aconteceu, "tá" entendendo? É uma coisa normal. Porque a foto é normal, não tem nada de mais. Olha, falaram besteira demais no jornal. Tem umas coisas de verdade, outras não. Não foi minha intenção. Fiz como todo mundo fez, tirei foto com ele. Não esperava que fosse acontecer esse fuzuê todo.

FOLHA - É verdade que você tinha bebido além da conta, como diz o "The Sun"?
ANA LAÍSE - Foi só um "pint" [uma caneca]. Com um "pint" não dá para ficar bêbada, não.

FOLHA- E o príncipe estava alterado ou normal?
ANA LAÍSE - Foi uma foto rápida, não tinha como dizer.

FOLHA - O jornalista entrevistou você ou inventou algumas informações para a matéria?
ANA LAÍSE - Ele falou comigo. Eu disse que o príncipe estava dançando umas músicas mais antigas, não lembro bem, foi isso, não falei nada de mais.

FOLHA - O que achou das acusações no Orkut de que a foto prejudica a imagem da mulher brasileira?
ANA LAÍSE - Não tenho culpa. A mão não é minha. A gente só tirou uma foto, foi rápido, super numa boa. O príncipe é uma pessoa simpática, superamigável. A única coisa que eu queria era tirar a foto mesmo. Não me interessava mais nada ali, "tá" entendendo? Quem me conhece bem sabe do que eu seria capaz, sabe da verdade. Algumas pessoas não têm o que fazer. Não sabem como jornais trabalham. Na maioria das vezes, eles [os jornais] só querem ganhar dinheiro em cima de histórias, então inventam.

FOLHA - Como você soube que o príncipe William apareceria na boate?
ANA LAÍSE - Foi de última hora. Ninguém sabia, nem o próprio club.

FOLHA - Ele é simpático?
ANA LAÍSE - Ele é uma pessoa simpática, super-amigável. Com todo mundo ele tirou uma foto. A gente tirou a foto e foi embora. A única coisa que eu queria era tirar a foto mesmo, não queria mais nada. Mas depois aconteceu aquele incidente.

FOLHA - E por que a foto ganhou tanto destaque?
ANA LAÍSE - Porque simplesmente, [a foto] aparenta que ele colocou as mãos perto dos meus peitos. Então o pessoal está inventando muita coisa, tá entendendo?

FOLHA - Você se arrepende de ter vendido a foto?
ANA LAÍSE - Os jornais aqui estavam procurando fotos para publicar normalmente. Então eles também inventaram história em cima disso, por isso que aconteceu isso tudo.

FOLHA - Aí na Inglaterra a repercussão tem sido grande ou as pessoas já estão acostumadas com as aventuras da família real?
ANA LAÍSE - Justamente isso, eles aprontam de vez em quando, não ligam muito pra isso. Não tem razão pra tá isso tudo aí no Brasil.

FOLHA - Como foi a reação dos seus pais?
ANA LAÍSE - Primeiramente eu tinha mostrado a eles, mas eles não viram nada de mais. Quando vendi, não esperava que fosse acontecer esse fuzuê todo. Foi uma besteira, não foi de propósito.

FOLHA - Você venderia novamente uma foto?
ANA LAÍSE - Não. Simplesmente eu pediria desculpas. Eles falaram besteira demais no jornal. Tem umas coisas de verdade, outras não. Não foi minha intenção. Fiz como todo mundo fez, tirei foto com ele. Queria ter dito que ele [príncipe William] veio para Bounemouth. 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h26

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No mundo dos sem-pauta

por CLARA FAGUNDES
Acompanhar um dia na redação de Brasil foi uma experiência surpreendente _ por tudo que não aconteceu. Naquele dia, meu padrinho Matheus não tinha pauta para apurar. O dia começou lento, com palestra no auditório e pausa para o café.
 
"Quem não pauta é pautado" foi uma máxima repetida por quase todos editores nas conversas com os trainees. Lembro sempre disso, arrepiada, quando tenho dificuldades para encontrar as pautas do exercício diário e acabo propondo matérias pouco convicentes. Na Redação, senti falta da pauta, meu pesadelo de trainee.
 
Na maior parte dos dias, o redatores editam textos ou apuram dados na própria Redação. A distinção entre redatores e repórteres era visível. O grupo de jovens redatores era só silêncios. Os repórteres, mais experientes, circulavam com desenvoltura entre os computadores, discutiam as matérias.
 
No almoço, um repórter experiente aconselhava dois redatores a se manifestarem nas reuniões, a exporem idéias. Uma das maravilhas do jornalismo é a possibilidade de trânsito entre diferentes áreas e funções. 'Oficialmente' redator, Leandro Beguoci tem feito uma excelente cobertura de religião.
 
É... acho que preciso mesmo arriscar no treinamento, quando temos muitas oportunidades de aprender. Na Redação, pelo menos num caderno 'quente' como Brasil, a pressão é muito maior.
 
Na reunião da tarde, recebi uma pequena missão: levantar dados para a matéria que Carol escrevia sobre a declaração da ministra Matilde Ribeiro. Foi fácil achar o que precisávamos.
 
No dia seguinte, abri o caderno à procura da minha modestíssima participação. Marta Salomon tinha feito a matéria! Ficou muito boa. Terminei de ler, engoli seco, e mudei de página. É preciso sempre produzir mais do que será utilizado, foi que os editores tinham nos dito nas conversas do treinamento. É verdade. O papel é precioso.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h04

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Abaixo o portunhol

No comentário abaixo a Johanna diz "Espanhol foi uma língua desprezada por mim". Fez com que me lembrasse de recomendar a todos a leitura da coluna da SYLVIA COLOMBO na Folha Online.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h42

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Eu faria diferente

 
por JOHANNA NUBLAT
Enquanto nós conversávamos com a Claudia (editora de Mundo), eu não conseguia parar de pensar em como eu deveria ter aprofundado minha formação. Deveria ter estudado línguas por mais tempo. Deveria ter aproveitado mais a UnB, fazendo mais matérias fora do jornalismo. Devia ter ouvido mais música e ter ido mais ao teatro.
 
Digo isso porque entre os pré-requisitos e conhecimentos necessários listados por ela para trabalhar no caderno estão inglês e espanhol (necessariamente), francês (muito recomendado, já que há demanda) e história. Dessa lista, meu inglês está razoável (já estudei bastante, mas estou meio sem prática). Francês precisa de investimento (três anos de estudo há bastante tempo). Espanhol foi uma língua desprezada por mim (tenho leitura bem básica). E o que é que eu sei de história? Insuficiente.
 
Fiz toda essa análise e cheguei à conclusão do título: eu faria diferente. A partir de agora, vou fazer diferente. 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h41

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Era só atravessar a rua

Era só atravessar a rua


 
por VERENA FORNETTI
 
Ontem conversamos com Laura Capriglione, repórter especial da Folha, sobre reportagens que dependem de observação, e não de declarações oficiais. 
 
Ela contou como fez a reportagem "Preso içado pelo teto expõe caos em prisão", que relata o caos na penitenciária de Araraquara e é um bom exemplo desse tipo de apuração.
 
Quando a Laura chegou à cidade e foi à unidade prisional, viu que a maior parte dos jornalistas estava sentada embaixo de uma árvore em frente à penitenciária, esperando as ações da tropa de choque. Em vez de se juntar aos colegas, reparou que logo adiante havia uma lanchonete chamada Liberdade e atravessou a rua. "Pôxa, uma lanchonete em frente a uma prisão chamada Liberdade não pode ser por acaso", contou Laura, rindo.
 
Lá conheceu familiares de detentos que contaram como estava a situação dentro da penitenciária e conseguiu as fontes que precisava para escrever sua história. A reportagem ganhou o "Grande Prêmio Folha de Jornalismo de 2006".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h30

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Cobertura internacional

Nesta semana a turma conversou com CLAUDIA ANTUNES, editora do caderno Mundo da Folha. Veja um resumo do que ela disse sobre a cobertura internacional e sobre preocupações que deve ter quem quer trabalhar na área.

por MARIANA BENEVIDES
Claudia Antunes acha que a ingenuidade política dos jornalistas que começam hoje é, em geral, muito grande. Em relação às matérias que vêm de agências internacionais é preciso ter desconfiança. Não tanto quanto aos dados factuais e aos números apresentados, que costumam estar corretos, mas sobre a análise e a ênfase dada pela Agência, muitas vezes viciada pelo olhar do seu país de origem.

Pode ser fácil perceber que uma  uma agência como a France Presse vai privilegiar ex-colônias francesas em seu noticiário sobre África e que o noticiário brasileiro não pode se guiar só por aí...  Mas daí a definir qual é a agenda brasileira de política internacional não é simples... Um caderno que se pretende cosmopolita não pode se restringir a noticiar fatos que tenham relação direta com a realidade brasileira.  Tudo é interessante e o caderno tem que se adaptar à tendência dos jornais de serem cada vez mais enxutos...
 
por VERENA FORNETTI
Um dos principais requisitos para o jornalista que quer trabalhar com jornalismo internacional é saber história. O conhecimento histórico é uma arma contra a ingenuidade política. Na opinião da Claudia Antunes, editora de Mundo, só assim se pode olhar o noticiário e entender a inter-relação entre os fatos, seus antecedentes e como algo que está acontecendo em um país foi determinado ao longo do tempo.
 
Outro requisito para o jornalista que cobre internacional é dominar outros idiomas. Inglês e espanhol são essenciais. Francês é uma língua importante porque dá acesso a olhares diferentes dos que o jornalista encontra nos textos em inglês, mas há menos gente que estudou o idioma. Na editoria de Mundo tem também os que dominam línguas diferentes do que geralmente as pessoas estudam nas escolas de idioma: hebraico, italiano, etc.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h19

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Conexão Recife

Conexão Recife

Como combinado, segue o link da entrevista da Daniela com a brasileira que vendeu sua foto ao "The Sun". Este só está aberto para assinantes da Folha ou do UOL. Vou pedir a íntegra da entrevista e coloco aqui mais tarde.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h37

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PL - fase 2

 Ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:

Dia 12
Leia a Primeira Página com atenção e, ao terminar, rememore o que foi destacado. Depois, leia as capas de cada caderno (ou principais notícias de cada editoria, se o jornal não for dividido em cadernos). Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu. Reflita sobre que reportagens foram destacadas na Primeira Página e quais foram escolhidas para abrir cada editoria. NOTA: de hoje até domingo, você só precisa ler integralmente as principais reportagens de cada editoria. Não precisa ler todas as reportagens chamadas na Primeira Página, apenas os abres das editorias.

Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.

Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Para quem leu ontem as chamadas e as capas de caderno:

1) Quantas capas de caderno tinham chamada na Primeira Página? Você refletiu sobre isso? Chegou a alguma conclusão?

2) Quantos deputados saíram da oposição e foram para a base governista desde a eleição? Que partidos de oposição mais perderam parlamentares? O que eles pretendem fazer a respeito? Quem tomará a decisão final?

3) O que a crise Irã-Reino Unido tem a ver com as divisões internas de poder no Irã? [a pergunta exige a leitura do texto de análise que acompanhava a reportagem]

4) O que aconteceu com a participação do setor público no PIB revisado de 2006? Qual pode ser uma explicação para isso?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h45

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Conexão Recife

Conexão Recife

LI Syndication

A foto vendida pela estudante brasileira (à esquerda) ao jornal britânico "The Sun"

A repórter DANIELA ARRAIS conta como encontrou em Londres a estudante brasileira que vendeu sua foto com o príncipe William ao jornal britânico "The Sun". 

Novo em Folha - De quem foi a idéia de entrevistar a moça?
Daniela Arrais - Da Mônica Bergamo. Ela ouviu meu sotaque e perguntou de onde era. Disse que era de Recife e ela: "não quer tentar achar a menina do príncipe William?".
Novo em Folha - Você começou por onde?
Arrais - Entrei no Orkut. Vi que uma amiga dela era amiga de um airmã de uma amiga minha. Liguei para ela.
Novo em Folha - Pra qual delas? (risos)
Arrais - Pra irmã da minha amiga, que me passou o e-mail da menina.
Novo em Folha - Qual delas?
Arrais - (risos) Da amiga da Ana Laíse. Escrevi também para outros dois amigos da amiga da Ana Laíse.
Novo em Folha - Que você conhecia? Como conseguiu os e-mails?
Arrais - Pelo Orkut. Um respondeu com o telefone da amiga da Ana Laíse. Liguei, mas ela foi bem ríspida.
Novo em Folha - Como assim? O que ela disse?
Arrais - "Não quero falar sobre o assunto. Não tenho nada a ver com a história. Não fui eu que saí na foto."
Novo em Folha - Essa amiga mora onde? Em Londres?
Arrais - Não, em Recife.
Novo em Folha - Não te deu informação nenhuma?
Arrais - Não. Só me disse "se ela não quer falar, não sou eu que vou falar por ela".
Novo em Folha - E aí? O que você fez?
Arrais - Liguei para um amigo jornalista...
Novo em Folha - Em Londres?
Arrais - Não, em Recife. Passou o telefone da mãe na menina, que estava no trabalho. A irmã me disse que a mãe estava nervosa, não esperava tanta repercussão. Deu o celular, mas estava desligado. Enquanto esperava, fui tentando outros contatos, porque já estava achando difícil que a mãe me passasse o telefone da Ana. Aí olhei no site do "Sun". Era tão fácil! Liguei e pedi pra falar com o repórter.
Novo em Folha - Seu inglês, então, está em cima.
Arrais - É, mas ele já tinha ido embora. Com o fuso horário, lá já eram mais de 20h. Pedi o e-mail dele e escrevi me apresentando.
Novo em Folha - Ele respondeu?
Arrais - No dia seguinte [ontem, 28/3]. Queria saber por que eu queria o contato da Ana. Respondi que ela era brasileira, que os jornais aqui estavam interessados no caso. Nesse meio tempo, a irmã dela tinha me dado o e-mail da Ana. Escrevi pedindo uma entrevista, mas não tinha tido resposta.
Novo em Folha - Você ficou esperando?
Arrais - Liguei pra agência de viagens que tinha feito o intercâmbio. Não queriam me passar o telefone da Ana. Pedi o nome da escola. Entrei no site, achei o telefone, liguei pra lá. Mas não quiseram me dar os contatos. Liguei mais uma vez e pedi pra falar com a coordenadora do curso. Sugeri que ela procurasse a Ana e passasse meu telefone pra ela e pedisse que ela me ligasse. Depois disso, Ana me escreveu um e-mail.
Novo em Folha - O que ela escreveu?
Arrais - Perguntou o que eu queria. Disse que queria entrevistá-la, estava tentando adicioná-la no meu MSN, mas não conseguia.
Novo em Folha - Voce ia entrevistá-la pelo MSN?
Arrais - Ia entrevistar do jeito que desse, pelo MSN, por telefone, de algum jeito. Ela respondeu: "Não deixo estranhos entrarem no meu MSN".
Disse que não era estranha, era repórter da Folha etc. "Como você prova?" Mandei links das minhas matérias. Aí ela me passou o celular. Ao mesmo tempo, o repórter do "Sun" me mandou o celular. Era o mesmo número. Liguei do Skype, que grava a ligação.
Novo em Folha - O Skype grava? Como?
Arrais - Tem uma ferramenta, Pamela Record, que grava.
Novo em Folha - E como ela te tratou?
Arrais - Estava bem arredia.
Novo em Folha - Arredia como? Quanto tempo durou a conversa?
Arrais - Uns oito minutos. Quando ela não queria responder uma pergunta, era evasiva, bem non sense.
Novo em Folha - Dá um exemplo.
Arrais - Pergutava "Vai fazer o que com o dinheiro?", ela respondia "Não tem nada a ver isso".
Novo em Folha - Como você tinha certeza de que era ela mesmo na outra linha?
Arrais - Os dois celulares, o que ela passou e o do jornalista do "Sun", eram iguais. O e-mail dela vinha com o nome completo. Também liguei para mãe dela e chequei. Disse que tinha conversado com a Ana, mas que queria confirmar se aquele era o celular dela.
Novo em Folha - Isso foi a que horas?
Arrais - 13h30. O fechamento da Ilustrada era logo depois. Escrevi voando, mandei umas 14h10.
Novo em Folha - Saiu na íntegra?
Arrais - Não. Era umas quatro vezes maior.
Novo em Folha - Mas você tinha anotado, então, não só gravado. Se não não daria tempo de tirar a gravação tão rápido.
Arrais - É, eu tinha. Conforme ia conversando com ela, ia escrevendo no computador. Sempre faço isso, gravo, mas vou escrevendo. Nas frases mais legais, voltei a gravação para pegar exatamente o que ela tinha dito.
Novo em Folha - Como você acha que conseguiu a entrevista?
Arrais - Não ia sossegar enquanto não conseguisse. Sempre acho que vou conseguir. Pode demorar, mas uma hora ela ia querer falar. Não ia aguentar todo mundo pedindo. Fui insistente.
Novo em Folha - Você não se sente mal em ser insistente?
Arrais - (pausa) Um pouco... A mãe dela estava angustiada, então tentei ser o mais educada possível. Disse "Eu entendo que seja um momento ruim para vocês, mas a gente quer dar a chance de ela mesma contar a história". Tentei mostrar como era importante ter a visão da própria envolvida.
Novo em Folha - E hoje, depois de publicada a entrevista? Alguém veio falar com você?
Arrais - Muita gente.
Novo em Folha - Dizer o quê?
Arrais - Todo mundo queria saber como eu consegui a entrevista.

Agora todos sabem.

                                                               

Daniela Arrais

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h03

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Documentário

Documentário

A FGV começa em agosto duas novas turmas de sua pós-graduação em cinema documentário, no Rio e em São Paulo

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h23

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A visita do papa

Leandro Beguoci e Rafael Cariello participam nesta quinta à tarde de um bate-papo sobre a visita do papa ao Brasil.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h54

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PL - segunda fase

 Ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, acaba de entrar numa nova fase.

Dia 11 ao 15
Leia a Primeira Página com atenção e, ao terminar, rememore o que foi destacado. Depois, leia as capas de cada caderno (ou principais notícias de cada editoria, se o jornal não for dividido em cadernos). Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu. Reflita sobre que reportagens foram destacadas na Primeira Página e quais foram escolhidas para abrir cada editoria. NOTA: nestes cinco dias você só precisa ler integralmente as principais reportagens de cada editoria. Não precisa ler todas as reportagens chamadas na Primeira Página, apenas os abres das editorias.

Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.

Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

A tarefa de ontem envolvia ler todas as reportagens que tinham chamada na Primeira Página. As perguntas, portanto, se referem às reportagens em si, não às chamadas. Veja se você consegue dizer quais os fatos que envolvem cada uma das frases abaixo. Tente não só se lembrar da notícia publicada ontem. Veja se consegue dizer qual o contexto mais amplo em que ela está:

1. Deputados que trocaram de sigla depois da eleição correm agora o risco de perder o mandato.
2. A ironia de "Borat" é só um pretexto para o autor liberar fantasmas, impulsos e terrores.
3. "Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou."
4. "Tudo será feito na operação manual, no pente-fino mesmo."
5. O norte-americano Michael Phelps chegou a Melbourne com caminho para ser o grande nome do Mundial.
6. "Ele tem grandes mãos másculas e certamente sabe o que fazer com elas."
7. "Sou favorável a acordos bilaterais e regionais, mas, se não vierem acompanhados de acordos multilaterais, os países mais pobres sofrerão muitíssimo."
8. Você deve ter aberto a porta para um programa espião enquanto acessava um site pornográfico.
9. "Não discuto que a objetividade absoluta não existe. Mas há uma restrição: deve-se tratar da verdade ou de uma tentativa de relatá-la. Você não deve fazer com que os fatos se encaixem na sua história."
10. O PDT, do seu lado, fica com uma pasta mais correlata à sigla, cuja tradição histórica é o trabalhismo.
11. O fato de o técnico ter tirado a camisa 10 do astro do Barcelona deixou algumas seqüelas.
12. "Eu acredito que essa é a minha propriedade legal e, se eu não puder proteger meus próprios direitos, isso tornará ridícula a lei de propriedade que acabou de ser aprovada."
13. Os pescadores estão proibidos de trabalhar nas águas da baía de Todos os Santos há 12 dias.
14. Pela primeira vez, um documento oficial refaz o caminho, passo a passo, dos recursos depositados a mando do BB na conta da DNA até serem sacados na boca do caixa.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h07

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Gravador de telefone

Perguntaram como comprar os apetrechos de gravar por telefone que mostrei noutro post.

Os do jornal foram comprados na Santa Ifigênia. Leve seu gravador. Primeiro compre os fios e a tomada em T, em lojas que vendem fios. Depois vá a uma loja que venda plugs, escolha um plug que sirva para a entrada de microfone do seu gravador e peça que eles conectem o plug num dos fios.

Para quem preferir investir num gravador digital, EVANDRO SPINELLI, repórter de Cotidiano, diz o seguinte:

Ana, a maioria dos gravadores digitais já vêm com os apetrechos para a gravação de conversas telefônicas. Comprei um, uma vez, só por causa disso e instalei no telefone de casa. O gravador digital tem a vantagem também de dar melhor qualidade na gravação de conversas telefônicas. Outra vantagem é que você pode programá-lo para só gravar quando você estiver fazendo ligações (assim, não corre o risco de esquecer de apertar/desapertar o REC). Além de tudo, dispensa o uso de fitas, o que é uma maravilha em tempos de tecnologia.

Que modelo você usa? Custa caro?

É o mais barato que eu encontrei, da marca Powerpack (que eu nunca tinha ouvido falar), modelo DVR-1700. Comprei há uns dois anos e funciona muito bem até hoje. Não sei quanto custa hoje, porque comprei faz tempo, mas deve estar na faixa de uns R$ 120, se tanto.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h44

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Cultive o ex

Cultive o ex

A dúvida:

Estava atrás de dados para uma pauta sobre o Ministério do Desenvolvimento Agrícola. Fiquei pensando em uma coisa que o Elio Gaspari diz: "cultive o ex" --um ex-ministro, por exemplo, tem muito mais chance de revelar algo importante que o atual ministro.
Quem mais pode ser útil? Como chegar a essas fontes paralelas?

A resposta de IGOR GIELOW, secretário de Redação da Sucursal de Brasília:

Tudo depende, obviamente, da dúvida em si. Se for algo sobre formulação de política atual, tem que tentar chegar a pessoas próximas da equipe, se não à equipe em si. Além disso, de forma geral, todo ministério tem um corpo técnico que sobrevive a vários governos _são fonte perene de informação.
Como chegar a eles? Isso só com tempo de cultivar a fonte, convidar para conversas, café, almoço. Geralmente, ministérios mais técnicos têm seminários a que os repórteres podem ter acesso, é um começo. Mas cada pasta tem sua dinâmica.
Um jeito lateral de saber ´quem é quem´ é ir à comissão que cuida do tema na Câmara, por exemplo. Lá, o pessoal técnico pode ajudar a identificar fontes específicas. 
Em cada área geralmente há espelhos no mundo privado e acadêmico: consultorias, universidades, associações de classe em que se podem pescar especialistas com conhecimento, não raramente ex-integrantes do poder público que podem indicar também as ´fontes oficiais´.
Normalmente basta um telefonema.
Mas a dica do Gaspari é a mais precisa: é importante ir atrás de quem passou pela área, já que são pessoas normalmente descompromissadas com a equipe atual e, não raras vezes, têm interesse contrariado. É aquela coisa: 90% das informações mais quentes saem do interesse contrariado; ´jornalismo investigativo´ costuma ser balela.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h57

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Pesquisa na internet

Pesquisa na internet

A PUC-SP faz um curso sobre pesquisa na internet. Segundo a universidade, "inclui técnicas, procedimentos e estratégias de busca avançada na internet por meio de buscadores específicos para determinados segmentos, visando à obtenção de informações mais qualificadas e direcionadas aos interesses de cada um".

A duração do curso é de 32 horas, distribuídas em quatro horas semanais.  "O participante terá acesso a um ambiente virtual e será avaliado 
de forma contínua, por meio da execução de atividades e exercícios, da presença virtual nos chats e da participação nas discussões."

A próxima turma tem início em 23 de Abril.

 Mais informações e inscrições: 0(XX)11 3670-3300, www.pucsp.br/cogeaeinfocogeae@pucsp.br

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h49

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Morte é mais notícia

Charles Dharapak/Associated Press - 17.2.2003

Memorial à Guerra da Coréia, em Washington (EUA)

- Se acontece um acidente e há mortos ou feridos, isso tem que estar no lide (*). É mais importante dizer que uma nevasca deixou 27 mortos na Europa que falar sobre estradas fechadas ou caos no aeroporto.
- Por quê?

Por essa eu não esperava.
Fiquei 20 segundos sem resposta.

- Porque sim! -foi meu primeiro impulso, mas obviamente não era um bom argumento. - Porque a vida das pessoas é mais importante que os transtornos dos motoristas.

O menino ainda não parecia convencido.

- Vou dar um exemplo: se cair uma casa aqui no centro da cidade, você publica a notícia?
- Depende da casa.
- Verdade. Se for uma casa pequena, de dois quartos, e estiver vazia.
- Acho que não.
- E se a mesma casa cair e morrerem três pessoas, você publica?
- Não sei.

O ceticismo dele destruiu meu raciocínio, que era o de mostrar que o que fazia a diferença entre um caso e outro eram os três mortos.
Pelo menos para os outro nove da turma, meu argumento fazia sentido.
Mas preciso de um que convença o renitente.


Vamos por partes:

O que é lide?

É o primeiro parágrafo de um texto jornalístico. Nos textos noticiosos, em geral, deve ter a notícia mais importante e interessante (quanto mais tiver das duas qualidades, melhor).

Como se mede a importância da notícia?

Há alguns critérios: ineditismo (notícia inédita é mais importante que a já conhecida), improbabilidade (o menos provável é mais notícia que o esperado), raridade (o mais raro é mais notícia que o mais comum), interesse (quanto mais gente for afetada, mais importante), apelo (quanto mais curiosidade despertar, mais importante), empatia (quanto mais gente se identificar com o personagem e a situação da notícia, mais importante).

Resolvida a charada. Se é subjetivo meu raciocínio de que 20 pessoas morrerem é mais grave que 2.000 ficarem presas no trânsito ou esperando no aeroporto, podemos pensar num objetivo: fazer frio sem ninguém morrer é mais comum, menos raro, que fazer frio que mate alguém. 

Convenci? 

[O mesmo tema foi usado em exercício neste blog]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h28

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Quem disse que o leitor não quer ler?

Rick Edmonds, analista de mídia e colunista do Poynter, publica hoje um resumo do novo Eye Track (estudo que segue o olhar do leitor quando ele pega um jornal ou acessa notícias on-line).

Dois pontos principais:

Os leitores selecionam as histórias mais legais e lêem até o final

Essa leitura absorta e interessada é ainda mais freqüente nos jornais on-line

Os resultados foram apresentados hoje na associação de editores americanos, e a coluna do Poynter traz também uma brochura com outros resultados em PDF.

Em abril, uma conferência vai discutir como aplicar os resultados.

O livro com os resultados completos deve ser lançado em junho.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h37

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Terra aberta

por VERENA FORNETTI

É engraçado, antes dessas conversas, eu pensava que para fazer jornalismo econômico era importante saber tudo de economia, mas que para trabalhar em um caderno de cultura não era preciso ser assim tão expert em um tema específico, bastava ter afinidade com a área. Depois das conversas com o Leo Cruz, editor-assistente de Ilustrada, e o Sérgio Malbergier, editor de Dinheiro, fiquei com a impressão de que é exatamente o contrário.
O Leo disse que é legal que a pessoa que entra no caderno já tenha um conhecimento razoável de um assunto: cinema, música, artes ou qualquer outro. Pelo que entendi, o objetivo é que a editoria atenda o maior número possível de leitores e seja capaz de tratar de uma variedade considerável de assuntos. Ter uma Redação heterogênea, com jornalistas que tenham diferentes afinidades, torna isso mais fácil. 

A Ilustrada é o caderno da Folha com mais colaboradores externos, gente que é capaz de fazer críticas sobre qualquer área cultural! Ah, e também é o caderno com mais gente interessada em dar pitaco! Tem sempre alguém louco por algum tema que propõe uma pauta para o caderno. O Leo contou que o Fabrício Vieira, por exemplo, de Dinheiro, comenta lançamentos de CDs de jazz.
 
[Nota da editora: o Fabricio é um exemplo, mas suas colaborações são ocasionais. As resenhas de discos de jazz na Ilustrada são, em sua maioria, feitas pelo Carlos Calado ou pelo Ronaldo Evangelista.]
 
(Tive que excluir o tópico e republicá-lo porque queria mudar o título, por isso os comentários que havia estão abaixo)
 
 [Thiago Braga] [São Paulo]
Oi Ana, vc fez ontem um post sobre os caminhos para se chegar à informação desejada, mas em orgãos públicos. E em instituições privadas, como devemos proceder? Estou preparando uma matéria na qual tenho que obter números confidenciais de alguns clubes e estou encontrando dificuldades. Ontem mesmo, falando com uma fonte, tive que dizer que a nossa conversa era "informal", para ela me passar alguma coisinha. Mesmo assim, tenho certeza que ainda não a cativei. A perguntas são: Como proceder e se eu agi certo, falando que era uma conversa informal? Beijo

28/03/2007 12:24

RESPOSTA:
Thiago, não vejo problema em fazer uma conversa informal como uma fonte. É o que chamamos de off. Serve para trocar idéias e até para obter informações, mas elas não podem ser usadas nem atribuídas a seu interlocutor. Sobre o ponto principal do comentário, vou pesquisar e volto a ele mais tarde.
 

 [Thábata Larisse] [Boa Vista/RR]
Meu nome é Thábata, estou no segundo semestre de Jornalismo, na UFRR. Nunca trabalhei na área,logo, tenho muita curiosidade quanto ao dia-a-dia de um Jornal impresso, por isso, estou aqui não para fazer um comentário e sim algumas perguntas p/ vc Ana. Como é o dia a dia num Jornal impresso? Quantas pautas vcs recebem por dia? Vcs tem tempo para a família, ou o trabalho o consome todo? Como é o início de alguém num jornal impresso, quais as dificuldades encontradas? Aquilo que é esnsinado na universidade é utilizado na prática? Por favor me responda, leio o blog todos os dias e tenho aprendido muito com ele, vocês são ótimos.

28/03/2007 10:50

RESPOSTA:
Muitas perguntas! =) Vou respondendo pouco a pouco. Ana
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h27

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4-4-o quê?

Flávio Florido/Folha Imagem - 2.jun.2006

Campo de várzea na favela Morro das Pedras, em Belo Horizonte


por JOHANNA NUBLAT

4-4-2. Esquema tático escolhido pelo São Paulo. Não entendi. Nunca antes tinha pisado um campo de futebol e não entendo muito sobre o assunto. Na verdade, não entendo nada. Mesmo assim (ou talvez por isso) achei muito divertida a idéia de acompanhar um repórter de esporte ao último treino do São Paulo antes do jogo de quarta-feira.
 
Eu imaginava que seria uma pauta tranqüila. E foi. Mas o Márvio (o repórter gente boa que eu acompanhei) e eu esbarramos com duas questões interessantes. A primeira é a tecnologia disponível ao repórter. No caso, ela não estava exatamente disponível. O Márvio levou o laptop da Folha e escreveu a matéria assim que a coletiva acabou. Na hora de mandar a matéria pela internet (conectando o laptop ao celular), ele não conseguiu a conexão. Depois de várias tentativas, o help desk (ajuda técnica da Folha) achou o problema numa configuração e rapidinho ele mandou a matéria.
 
A outra questão é o trânsito de SP. Uma loucura. Depois de uma semana passeando pelas vias internas da cidade (metrô), eu entendi o que é o congestionamento daqui. Levamos uma hora para ir da Folha ao Morumbi e pelo menos uma hora para voltar - era final de tarde. A pauta mesmo durou mais ou menos uma hora. Agora faz muito sentido o que ouvimos de vários editores: cada pauta é um investimento. Há poucos repórteres e é preciso pensar bem para onde eles serão mandados.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h59

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Geografia

Geografia

Dica do meu leitor (e comentarista) Roberto Takata:

Questionário feito a pedido da National Geographic para avaliar o grau de conhecimento geográfico dos americanos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h33

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Programa de leitura

Lili Martins/Folha Imagem

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, PARABÉNS! Hoje é o último dia da primeira fase.

Espero que tenha notado como fica cada vez mais fácil ler jornal, conforme você fica cada vez mais informado.

A tarefa de hoje é:

Dia 10 
Leia a Primeira Página, com atenção --leia todas as chamadas, gravando as informações. Leia todos os textos internos que foram chamados na Primeira Página. Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu.

Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.

Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Só pra lembrar:


Ler jornal é como escovar os dentes: tem que fazer todos os dias. Falta de tempo nunca é uma justificativa aceitável

Para quem leu jornal ontem:

1. Comparação entre o número de famílias pobres e a folha de pagamentos do Bolsa Família mostra que:

( ) há 330 mil famílias distribuídas por todos os Estados do país sem receber o benefício

( ) há Estados com mais pobres que beneficiados e outros em que o número de benefícios supera o de pobres

( ) há 330 mil famílias que recebem o benefício indevidamente

2. O que a Ouvidoria da Polícia de São Paulo e a Corregedoria da Polícia Civil estão fazendo em relação à megaoperação da última sexta?

( ) investigando a morte de dois supostos suspeitos

( ) revendo a ficha criminal dos que continuam detidos

( ) abrindo processo contra dez delegados por abuso de poder

3. Qual a reação do Judiciário ao corte de gastos anunciado pelo Executivo?

( ) Quatro tribunais recorreram ao STF contra a proposta de corte

( ) O presidente interino do STJ, Gilmar Mendes, se reuniu com presidentes de quatro tribunais superiores para preparar uma reação à proposta de corte

( ) O presidente interino do STF, Gilmar Mendes, se reuniu com presidentes de quatro tribunais superiores para preparar uma reação à proposta de corte

4. Que suspeitas envolvem o senador Alfredo Nascimento, convidado pelo presidente Lula para voltar ao Ministério dos Transportes?

( ) irregularidades com verbas na primeira gestão

( ) irregularidades na campanha eleitoral

( ) envolvimento com o caso mensalão

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h28

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Jornalismo investigativo

Jornalismo investigativo

O CPDOC da FGV do Rio inicia, em agosto de 2007, um MBA em Jornalismo Investigativo, coordenado por Fernando Molica, jornalista da TV Globo e com anos de experiência na Folha de São Paulo.

Conheça a estrutura do curso em http://www.cpdoc.fgv.br/cursos

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h43

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Poesia, música e dança

Poesia, música e dança

Cursos no Maria Antônia (SP)

Drummond e a procura da poesia
com Ivan Marques
9, 16, 23 e 30 de abril, segundas-feiras, das 16 às 18h

Do pregão ao rap: formas da canção popular no Brasil
com Walter Garcia,
3, 10, 17 e 24 de abril, terças-feiras, 20 às 22h

Habitar seu corpo
com Ivaldo Bertazzo, Maria Antonia Carneiro da Cunha e Inês Bogéa
12, 19 e 26 de abril, quintas-feiras, 20 às 22h30

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h13

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Outros caminhos para chegar à informação desejada

Outros caminhos para chegar à informação desejada

Moacyr Lopes Junior / Folha Imagem - 27.02.2007

Pista interditada em Congonhas

Minha leitora Georgia manda a seguinte pergunta:

Estou com uma dúvida prática: sugeri ao meu editor uma matéria que envolve um órgão público. Tenho uma "fonte" lá e foi numa conversa com ela que surgiu a idéia. Pedi os dados à assessoria, mas estão me enrolando há uns três dias. Fiquei pensando se existe outro caminho. Devo passar por cima da assessoria? Existe alguma maneira de não depender da boa vontade deles?

Minha resposta pra isso não ajuda a leitora, porque é de longo prazomonte seu próprio banco de dados.

Repórteres que cobrem segurança, saúde, transportes, educação sabem o quanto é difícil conseguir dados com as assessorias. Principalmente se houver urgência. O ideal é ir alimentando um banco de dados próprio (pode ser no Excel ou no Access, por exemplo) com as informações dia a dia.

Hoje mesmo, um dos meninos da turma de treinamento sugeriu uma pauta sobre caminhões que quebram em SP e atrapalham todo o trânsito. É o tipo de levantamento difícil de conseguir na CET. Eles teriam que fazê-lo especialmente.

Tem saída: a pauta pode ficar legal se o repórter montar uma planilha e marcar todo dia o lugar do acidente, como afetou o trânsito, de quem foi a culpa, se o motorista se feriu/morreu, se houve danos a terceiros. Depois de um mês, já dá pra fazer algum tipo de balanço interessante.

Mas a Georgia tem pressa, por isso fui pedir ajuda a um dos repórteres mais experientes na cobertura de órgãos públicos, EVANDRO SPINELLI. Seguem as dicas que ele me deu:

Oi Ana, pergunta difícil.
 
Quase nunca o melhor caminho é a assessoria de imprensa. Não que o assessor seja incompetente ou mal-intencionado, mas é preciso levar em conta que ele tem centenas de jornalistas para atender com as mais diversas demandas e trabalha em órgão público, com uma enorme burocracia e os mais variados interesses.
Também é preciso levar em conta que as bases de dados públicas são incompletas e confusas. Parece que foram feitas para esconder os dados, não para que eles sejam usados.
Mas há algumas saídas:
1) A melhor saída é sempre manter bases de dados próprias. Se você cobre sempre um assunto, mantenhas organizadas e acessíveis todas as informações possíveis sobre aquela área. Sei, nem sempre isso é possível, mas vale o conselho.
2) Se você tem fonte no órgão, use-a. Peça para alguém "de dentro" a informação que você precisa. Não fique dependendo apenas da assessoria de imprensa.
3) Peça para entrevistar, sobre o tema, uma autoridade. No caso da Secretaria de Segurança Pública, elabore uma pauta sobre com a sua tese, mesmo sem os dados, e peça para entrevistar o secretário ou outra pessoa que possa falar sobre o assunto. A entrevista vai ser uma porcaria, mas no meio da entrevista você vai fazer o pedido diretamente para quem manda e essa pessoa poderá, então, liberar os dados que você precisa com menos burocracia. Se você conquistar a confiança do entrevistado, então, fica melhor ainda. Dessa maneira, você foge da burocracia da assessoria de imprensa. Essa é a minha dica preferida, porque é honesta, desburocratizada e quase sempre funciona.
4) Faça o pedido oficialmente e por escrito. O jeito, nesse caso, é aguardar o prazo regulamentar (15 dias, em regra). Não conseguindo o que você pediu, vá à Justiça. Se são dados públicos, certamente você conseguirá uma liminar para obter as informações.
 
Veja que todos esses passos podem ser dados simultaneamente, com exceção, é claro, do pedido judicial, que é o último recurso e aí você terá comprado briga mesmo.
 
São essas as minhas dicas, Ana. Espero ter ajudado.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h55

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Grosserias ao telefone

Grosserias ao telefone

Jaime Puebla/Folha Imagem - 18.jun.1999

Telefone pega foto em protesto na Guatemala

Na esteira da discussão sobre o que fazer quando a fonte ataca o repórter, veja o que diz o repórter ANTONIO GOIS:

Eu lido com professores, pesquisadores, ministros, reitores... é certamente um ambiente mais "educado" do que o de jogadores de futebol. As grosserias são bem menores do que essa do Leão. Eu me lembro apenas de dois casos de donos de universidades, mas os dois foram por telefone.

Um desligou o telefone na minha cara (era uma reportagem sobre a abertura ilegal de um campi) e não quis dar entrevista. Nesse caso, não tinha mais o que fazer. Publiquei a matéria, mesmo com o "outro lado" pela metade.

No outro (numa reportagem, por coincidência, pelo mesmo motivo), um dono de universidade insinuou que eu estava fazendo uma campanha na mídia contra ele em conjunto com meu pai (que tinha dado uma nota contra ele havia um mês, no Globo), dizendo que eramos mau-caráter, que era coisa de família etc. Nesse caso, minha vontade foi desligar o telefone e mandá-lo à..., mas me segurei e levei a entrevista adiante porque não podia sacrificar o outro lado da reportagem.

São casos bem menos picantes. Nunca tive que abandonar uma entrevista por causa disso.

Como regra geral, acho que não se deve abandonar. A melhor resposta _se o jornalista tiver sangue-frio para aguentar a agressão sem sair da entrevista_ é publicar a grosseria da pessoa. Aliás, me lembrei desse caso abaixo, que aconteceu na sucursal em 2003:

22/10/2003
Secretaria dificulta acesso a documento
DA SUCURSAL DO RIO
O assessor de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Rio, Renato Homem de Almeida Neto, disse ontem que a Folha é um "jornal escroto" e que, por isso, terá dificuldade de acesso ao processo administrativo que autorizou a viagem do chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins dos Santos, para os EUA.
"Não é nada contra você", disse o assessor à repórter, por telefone. "Eu te adoro, você é bonitinha, mas ninguém aqui tem boa vontade com a Folha, da mesma forma que a Folha não tem boa vontade com a gente. Você vai receber [o documento] depois de todos os trâmites burocráticos", disse Almeida Neto.
Há dois dias, a Folha tenta, sem sucesso, ver o processo que autorizou a viagem. O documento tem como requerentes "Álvaro Lins dos Santos e outros", sem especificar nomes, segundo o site do Proderj (Processamento de Dados do Estado do Rio de Janeiro).
A Folha já teve em outras ocasiões dificuldades para obter informações na Secretaria de Segurança Pública. O jornal entrou na Justiça, em agosto, para obter acesso a contratos assinados pela secretaria sem licitação.
(FC)

23/10/2003
Secretaria se retrata por frase de assessor
DA SUCURSAL DO RIO
O subsecretário de Segurança do Estado do Rio, Marcelo Itagiba, telefonou para a Folha às 11h de ontem para afirmar que o que foi dito anteontem pelo jornalista Renato Homem de Almeida Neto "não representa a posição da secretaria".
Anteontem, Almeida Neto, assessor de imprensa da secretaria, havia dito a uma repórter que a Folha é um "jornal escroto" e que teria dificuldade de acesso ao processo administrativo que autorizou a viagem do chefe de Polícia Civil do Rio, Álvaro Lins dos Santos, aos Estados Unidos.
De acordo com Itagiba, a secretaria instaurou sindicância para apurar as circunstâncias da viagem de Lins, ocorrida no último dia 16, supostamente para participar da 110ª Conferência Internacional dos Chefes de Polícia, que começou anteontem e termina no sábado na Filadélfia. Lins voltou anteontem da viagem, antes mesmo do início de conferência.
Além de colocar imediatamente à disposição da Folha as cópias do processo que trata da viagem, o subsecretário disse que Almeida Neto terá que explicar oficialmente porque dificultaria o acesso do jornal a informações públicas.
"A partir daí, o secretário [de Segurança, Anthony Garotinho], vai determinar que providência adotar", declarou.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h42

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Uma semana na Folha

por JOHANNA NUBLAT

"Como faço para chegar ao Banco de Dados?". Acabei de responder a essa pergunta, na volta do almoço. Considerando que tive de explicar a passagem "secreta" de um prédio a outro da Folha e localizar o andar do BD, percebi que está começando a cair a ficha do que eu vim fazer aqui em SP. Conhecer a Folha - em todos os sentidos.
 
Além de conseguir me localizar razoavelmente nesse complexo prédio da Barão de Limeira, estou começando a reconhecer algumas figuras. Já consigo dizer que sei quem são os editores de Mundo, Cotidiano, Agência Folha e Dinheiro - e posso até cumprimentá-los porque eles também parecem saber que somos trainees.
 
Mas além das caras, tenho idéia de como é o trabalho na editoria de cada um. Mil telefonemas na Agência, correria em Cotidiano (ou Coti, como chamam aqui), pouco espaço para muito assunto em Mundo e possibilidade de trabalho para quem não é especialista em Dinheiro.
 
Também percebi que estava mal acostumada com o Word. O tal do Hermes (programa de edição daqui) não é simples. Os exercícios da Ana Estela e do Paulo estão ajudando bastante.
 
Outra coisa bem legal com a qual esbarrei por aqui foi a convivência com os colegas. Pode parecer apenas uma conseqüência do treinamento, mas é parte fundamental. Há uma semana divido quarto com uma amiga, tomo café da manhã com três colegas e almoço com nove - o que é uma transformação na minha vida, até então, calma. Escapadinhas noturnas e passeios no final de semana fecharam a programação (nunca solitária) dessa primeira semana.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h56

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Quando entrar, vai dar tiro para todo lado

por VERIDIANA SEDEH

A frase acima poderia ter sido retirada de uma situação de violência, mas refere-se, na visão de Rogério Gentile, editor de Cotidiano da Folha de S.Paulo, ao modo que um jornalista em início de carreira começa a cobrir Cotidiano.

Gentile recomenda que o repórter busque, aos poucos, tornar-se referência em alguma área com que tenha afinidade. “Depois, ele tem que mostrar para a Redação que é bom em outras coisas também.”

Ele diz que o jornal precisa de pessoas com novos olhares, que tragam novos assuntos e que o repórter tem que de ser observador. “Quem entra pega um pepino todo dia, até começar a trazer notícias.”

Aos poucos, o repórter tem de tentar seduzir o leitor e isso, segundo Gentile, é conseguido a partir de um texto amplo, plural e articulado.

Como Cotidiano cobre “de educação a saúde pública, de violência a trânsito e de aviação a ataques do PCC”, o repórter do caderno tem de ser um cara versátil, embora precise se especializar para cobrir determinados temas.

Para o editor de Cotidiano da Folha, um bom jornalista tem de ter a capacidade não só de contar um fato, mas de problematizá-lo e contextualizá-lo. Ele ressalta que jornalista tem de ler jornal, um ato inerente à profissão, mas que, segundo ele, parece raro atualmente.

Gentile entende ainda que um jornalista da Folha tem de ser uma pessoa antenada, interessada e eclética. Ela não pode ser preguiçosa, tem de ter uma boa base cultural, ler os clássicos e conhecer o que já foi feito de bom na profissão.


O editor em sua mesa, na Redação da Folha

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h53

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Programa de leitura

Lili Martins/Folha Imagem

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:

Dia 9 
Leia a Primeira Página, com atenção --leia todas as chamadas, gravando as informações. Quando terminar, tente se lembrar de que notícias foram destacadas pelo jornal naquele dia. Escolha nove reportagens que mais tenham chamado sua atenção e leia os textos internos, prestando atenção nas informações. Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu.

Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.

Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Os jornais de segunda também costumam ser muito diferentes um do outro. Por isso, as perguntas de hoje se dirigem a quem tiver lido a Folha:

1. Pesquisa Datafolha sobre avaliação de governadores mostra que:

( ) Serra tem aprovação de 39%, mas é menos bem avaliado que Sérgio Cabral (RJ) e Aécio Neves (MG)

( ) Serra tem aprovação de 39% e é mais bem avaliado que Sérgio Cabral (RJ)

( ) Serra é desaprovado por 39% dos moradores do Estado

2. Que medida tomou o ministério da Defesa sobre atrasos no aeroporto de Cumbica?

( ) mandou demitir funcionários da Infraero

( ) mandou investigar os motivos do atraso e, se houver culpados, puni-los

( ) mandou trocar o equipamento que foi danificado por um raio, provocando os atrasos

3. Até que ano espera-se que seja aprovado o tratado de reforma e consolidação da União Européia? Que países se opuseram à "Declaração de Berlim" assinada na domingo?

Confira o que mais você sabe sobre União Européia no quiz da "The Economist"

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h13

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Como gravar entrevistas por telefone

Como gravar entrevistas por telefone

Meu leitor Thiago Braga pergunta como gravar entrevista por telefone.

Mostro abaixo o equipamento, muito simples, que usamos no treinamento. O material pode ser comprado em lojas de eletrônicos (para quem mora em SP, na Santa Ifigênia).

Já sei que vão tirar sarro porque usamos gravador de fita, essa coisa do século passado. Mesmo não sendo high-tech, o método funciona.

Antes de ir ao passo a passo, lembro: alguns advogados entendem que é direito do jornalista gravar suas entrevistas em qualquer caso. Mas, de preferência, deve-se avisar o entrevistado de que a conversa será gravada.

Para que ninguém reclame das fotos esverdeadas, aviso: não corrigi as imagens porque não tenho tempo para isso. Mesmo feias, acho que darão conta de mostrar como funciona:


Você vai precisar de um plug em T, com três saídas para fio telefônico de tomada americana (essa peça clara à direita), um fio com duas tomadas americanas, uma em cada ponta, e um fio com uma tomada americana numa ponta e um plug na outra (este plug deve encaixar na entrada de microfone de seu gravador)


Solte o fio telefônico que chega até seu telefone


Encaixe esse fio na plug em T, na tomada que fica sozinha de um lado


Outra foto para mostrar melhor a tomada em T e onde entra o fio que vem da parede


Pegue o fio com duas tomadas telefônicas, encaixe uma numa das saídas do plug em T e a outra na entrada do seu telefone (no mesmo lugar onde estava plugado o fio que vem da parede antes de você tirá-lo)


Encaixe o outro fio no plug em T e ligue a ponta que tem o plug na entrada para microfone do seu gravador (alguns modelos tem dois orifícios, um para fone de ouvido --ear-- e outro para microfone --mic--. Fique atento para encaixar na entrada em que está escrito mic


O conjunto fica assim. Basta fazer a ligação e apertar o REC. Teste com um amigo antes de ligar para o entrevistado
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h45

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Avalie sua pauta

Avalie sua pauta

Na semana passada, conversamos sobre como propor pautas. Se você fez o exercício de pensar em algumas ou precisa fazer sugestões na sua faculdade, veja um roteiro para avaliá-las antes de entregar:

- a pauta diz para que editoria se destina?

- tem um título?

- sugere algo inédito, que você desconhecia?

- o assunto da pauta é compatível com o projeto do jornal (ou seja, é pauta para seu veículo? Ou seria para um jornal popular? Ou para uma revista especializada?)

- se a sugestão não é inédita, a pauta explica por que falar desse assunto agora? Há uma abordagem original?

- no estágio em que ela está, é uma pauta ou uma pré-pauta (precisa ainda de apuração para virar uma pauta)?

- a sugestão tem foco? Propõe algo que se resolve em uma reportagem? Ou é ampla demais, geral demais, tema para um livro?

- é sucinta? Vai direto ao ponto? Veja se consegue reduzir a proposta para no máximo cinco linhas. Se o editor precisar saber mais, ele pergunta.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h08

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Confira se você está informado

Marcela Campos, repórter de Dinheiro, avisa que a "The Economist" tem um teste sobre temas recentes do noticiário. Este é sobre a União Européia.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h34

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Fonte à distância


THIAGO REIS (de vermelho, à direita, na foto da 38ª turma do programa de treinamento) é repórter da Agência Folha e responde à dúvida de Johanna e Verena: como fazer e manter fontes a milhares de quilômetros de distância?
 
Esse é, de fato, o grande dilema aqui na Agência Folha. Afinal, como passar confiança a uma fonte que nunca viu na vida? Pior: como explicar que, depois de meia hora ou uma hora de conversa, nem uma linha sequer saiu no jornal?
 
Ou seja, são duas as dificuldades. A primeira é, obviamente, fazer a fonte. Eu, por exemplo, que cubro Amapá e Acre sei o quão complicado é achar alguém com quem seja possível manter um contato cotidiano nesses locais.
 
E aí vem a segunda, que é manter a fonte. É raro ver um desses dois Estados no jornal. Quase sempre, o que é notícia lá não é aqui. Conclusão: ninguém gosta de atender ao telefone, perder tempo com um jornalista de um lugar tão longe e não ver nem uma notinha publicada no dia seguinte.
 
A lição é não desanimar. Também sou responsável por Santa Catarina aqui na editoria. E já viajei algumas vezes a trabalho para lá. Em pelo menos oportunidades arranjei um tempo para visitar a assessoria da prefeitura, conhecer alguns secretários, fazer amizade com jornalistas locais e tomar um café com uma fonte.
 
Quando não dá para fazer isso, o ideal é ligar, sempre. Mostrar a importância da fonte ao seu trabalho, o que é ainda mais complicado, porque, no dia-a-dia, o hardnews ocupa tanto o tempo que é preciso ser muito disciplinado para reservar um tempo para isso. Ah, tem mais: no Acre e no Amapá, celular não pega _a não ser em algum ponto estratégico das capitais.
 
Moral da história: É verdade, cultivar a fonte por aqui é não é nada fácil...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h21

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Coisas que você não sabia que o Google faz

Coisas que você não sabia que o Google faz

Dica do Sree sobre recursos do Google.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h06

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Leitor tem cabeça, coração e bolso

Julio Veríssimo é o coordenador da Agência Folha há quatro anos. Responsável pela cobertura de todos os Estados, menos São Paulo, Brasília e Rio. Na semana passada, ele conversou com a turma de treinamento. Veja alguns dos assuntos:

por SILAS MARTÍ

A Agência tem correspondentes em oito Estados e uma equipe de repórteres na sede do jornal, que acompanha acontecimentos em outras regiões por telefone e internet.

A obrigação deles, segundo Verissimo, é "dar e não levar furos". 
 
"O Brasil tem muita história interessante para contar", diz Verissimo. "O jornalista é um contador de histórias. Isso deveria estar numa placa pendurada nas universidades."

A dificuldade de deslocamento de repórteres pelo país devido ao "sistema aéreo falido", a redução do número de páginas de jornal e o atrelamento constante a pautas de hard news são desafios.

Cerca de 60% da produção diária da equipe acaba não saindo no jornal. 
 
"Repórteres precisam ser inquietos." O correspondente em cada lugar precisa pensar o que pode ser relevante para as páginas de um jornal com circulação nacional.

Embora a maioria deles seja experiente, a média de idade dos repórteres da Agência é baixa. 

"Eu considero a Agência uma porta de entrada de profissionais para outras editorias do jornal. É lá que eles vão cultivando fontes e adquirem o know-how para trabalharem em outras editorias."

O diretor da Agência Folha recomenda buscar pautas diferentes, inusitadas. Segundo ele, uma boa notícia mexe com três partes do leitor: a cabeça, o coração e o bolso.

Às vezes o jornal investe errado e gasta demais na produção de uma matéria que não rende. Ainda assim, na maioria dos casos em que um repórter é deslocado para o local da notícia, o retorno é positivo. "O repórter vai fazer uma pauta e acaba voltando com três."

JOHANNA NUBLAT: Nunca imaginei que jornais mantivessem repórteres 24 horas atentos a notícias. Conversando com o Júlio, descobri que, aqui na Folha, existem duas jornalistas que fazem plantão durante a madrugada. Mesmo que o jornal já tenha sido rodado, elas continuam ligadas ao noticiário e, caso aconteça alguma coisa, o jornal toma providências para o dia seguinte.

Outro ponto bem interessante da conversa foi quando o Júlio falou dos telerrepórteres, que ficam baseados em São Paulo, mas precisam acompanhar de perto o que acontece em Estados espalhados pelo país. Nós ficamos imaginando a dificuldade em conseguir boas fontes em outros Estados...

VERENA FORNETTI: Quando ele contou as milhares de boas reportagens que a Agência Folha conseguiu, a nossa dúvida logo foi: "Mas, então, só trabalha na editoria quem tem muitas fontes?". O Júlio disse que não é assim que funciona e lembrou que o João Carlos Magalhães, que foi trainee como a gente há pouco tempo, deu manchete do jornal dia desses. Lista telefônica e Google, por mais simples que pareçam, são ótimos pontos de partida para a reportagem. O que importa é o faro.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h28

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Lili Martins/Folha Imagem

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:

Dia 8 
Leia a Primeira Página, com atenção --leia todas as chamadas, gravando as informações. Quando terminar, tente se lembrar de que notícias foram destacadas pelo jornal naquele dia. Escolha oito reportagens que mais tenham chamado sua atenção e leia os textos internos, prestando atenção nas informações. Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu.

Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo e veja aqui como dar o primeiro passo.

Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Os jornais de domingo são muito diferentes, por motivos que podemos discutir mais pra frente. Por causa disso, as perguntas de hoje se dirigem a quem tiver lido a Folha:

1. Que sanções contra o Irã foram aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU?

2. Por que há militares britânicos presos no Irã?

3. O que aconteceu com a placa do milésimo gol de Pelé?

( ) desapareceu do Maracanã, ninguém sabe como nem por quê

( ) foi retirada do Maracanã e deve ficar num museu do acervo de Pelé

( ) foi retirada para limpeza e banho de ouro e está em exposição no Maracanã

4. Pesquisa Datafolha sobre a avaliação do governo Lula mostra que:

( ) aumentou a porcentagem de brasileiros que avaliam o governo federal como ótimo ou bom

( ) aumentou a porcentagem de brasileiros que avaliam o governo federal como ruim ou péssimo

( ) caiu a porcentagem de brasileiros que aprovam o governo

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h28

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Programa de leitura

Pra você que enjoou de aproveitar o domingão, as questões sobre o jornal de ontem estão no post do programa de leitura.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h25

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Quando o Leão ataca

Quando o Leão ataca

Flávio Florido/Folha Imagem - 28.jun.2006

Cartão postal vendido na Copa do Mundo

O técnico corintiano Emerson Leão tira muito repórter do sério.
Luís Ferrari, repórter de Esporte, sugeriu que eu escrevesse sobre o que fazer quando o entrevistado agride o entrevistador, o que chega a acontecer, diz ele, nas coletivas de Leão:

Como sempre deu respostas atravessadas, ele já era famoso como "comentarista de pergunta", aquela fonte que não responde, só analisa a indagação, invariavelmente, para diminuir quem perguntou.
Mais recentemente, aumentou o tom, tanto que foi inclusive adverdito pela presidência do clube, depois de perguntar a uma repórter de TV se ela queria ir com ele a um motel.
Esses episódios inclusive foram objeto de um
comentário do Fabio Seixas no blog dele.


Ricardo Nogueira/Folha Imagem - 08.set.2006

O técnico Emerson Leão, do Corinthians, fala sobre
o jogo contra o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro

No treinamento, lembro de termos debatido vários aspectos da relação com as fontes, mas não comentamos a hipótese de uma fonte manifestamente hostil e que tivéssemos a obrigação de entrevistar duas, três vezes por semana.
Até que ponto o jornalista tem o dever de se sujeitar a grosserias de uma fonte? A partir de qual ponto é legítimo deixar uma coletiva? É aceitável "comprar a briga" de algum colega e tomar atitude, mesmo quando a fonte não me atinge diretamente?
Essas foram algumas dúvidas que tive a partir da relação conflituosa do técnico do Corinthians com os jornalistas.

Como quase toda pergunta sobre que atitude tomar, essa não tem uma resposta única. Vai depender do grau da agressão, da concentração do repórter em sua função principal (obter informação), da situação.

Fui ouvir oito dos melhores e mais experientes repórteres da Folha. Cada um contou um caso e deu uma resposta diferente. Hoje, vamos ler o que pensa Fernando Canzian, repórter especial do jornal, que já foi correspondente em Nova York e Washington, editor de Dinheiro e secretário de Redação (um dos cargos mais altos do jornal). Nos dias seguintes, publico as outras respostas.

Ana, vou te contar um caso:
 
Na eleição de 2000, em que Marta venceu Maluf, eu e o Plínio [Fraga, ex-editor de Brasil, hoje diretor-adjunto da Sucursal do Rio] fomos entrevistar os então candidatos a prefeito.
 
Irritamos tanto Marta com uma pergunta sobre o recebimento em dinheiro de um auxílio-moradia em Brasília, quando ela já morava com o senador Suplicy em um apartamento funcional, que a mulher simplesmente mandou a gente "se catar". Ficou supernervosa e irritada, gritando feito louca. O Favre [Luis Favre, marido de Marta] a fez sair da sala (com a desculpa de uma ligação) para ela se acalmar.
 
Depois foi a vez do Maluf, que ficou irritadíssimo por causa de perguntas sobre o Pitta e sua posição a respeito do aborto. Quase mandou a gente sair da casa dele e nos acusou de petismo, dizendo iria "puxar a ficha" da gente.
(leia os trechos polêmicos das entrevistas nos dois posts abaixo)

Respondendo a sua pergunta com sinceridade, acho potencialmente jornalístico um entrevistado irritado. Desde que ele chegue a isso quando o repórter atua com educação, correção, calma e com perguntas pertinentes.

Se ele se irrita, é problema dele, desde que você não o leve a isso de maneira que possa se arrepender depois. Aliás, quem não pode perder as estribeiras é o jornalista. Jamais abandonaria uma entrevista por causa disso.

Espero ter ajudado.

Odd Andersen/Associated Press - janeiro de 2000

Criança brinca com filhotes de leão em parque turístico de Lanseria, África do Sul

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h28

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Vão se catar!

Vão se catar!

Seguem trechos da entrevista em que Marta Suplicy perde a paciência com seus entrevistadores, mencionada pelo repórter FERNANDO CANZIAN no post acima sobre o que fazer quando o entrevistado o agride. Na entrevista publicada, os trechos estão presentes.

Eduardo Knapp/Folha Imagem - 14.out.2004 

Marta Suplicy em debate em SP

Folha - Gostaria que a sra. explicasse o pedido de auxílio-moradia feito quando era parlamentar e morava no apartamento funcional do senador Eduardo Suplicy, seu marido. A sra. se arrepende de ter feito esse pedido?
Marta - Não. Tinha direito e abdiquei.
Folha - Mas a sra. acha legítimo?
Marta - Acho. Tinha direito, abdiquei e é legítimo, né? Agora, por que eu abdiquei? Achei que não precisava. Tinha direito. Tanto é que as minhas colegas deputadas casadas com senadores todas...
Folha - Mas a sra. não abdicou somente porque a questão foi tocada pela mídia? Ou seja, não foi oportunismo político?
Marta - Não. Vou explicar exatamente o que aconteceu. Eu nem sabia que existia... Sabia que existia esse direito, mas não achava que precisava disso. Aí, entrou uma questão feminista, quando vi que, não tendo esse direito, era considerada um apêndice do meu marido, pois era deputada. E todos os deputados que moravam juntos recebiam. Isso é muito comum em Brasília. Ter dois, três deputados que moram juntos. Então, estava abdicando de uma coisa que era o meu direito como deputada. Quando percebi isso, disse: ""Ah não, não sou apêndice de senador. Sou deputada". Pedi o direito. Quando falaram: ""Não, mas você está se aproveitando", eu falei: ""Bom, meu Deus, estou num direito que acho meu, mas isso vai criar uma confusão do outro lado. Também não interessa a mim esse dinheiro. Tanto faz". Então, abdiquei.
Mas a idéia que fui atrás é que fiquei passada quando vi que estava me colocando como apêndice. Tanto é que todas as colegas casadas com senadores, uma tem apartamento onde hospeda a família, outra mora separada do marido...
Folha - Elas também são do PT?
Marta - Não. Qual a diferença?
Folha - O PT tem a bandeira da moralidade, da lisura com o dinheiro público, critica os outros...
Marta - Ah, tá. Então você cobra de um e não cobra de outro? Vai se catar, vai! Aí não dá. Tem limites também. Não! Não abdiquei porque era do PT. Abdiquei porque achei que não fazia sentido criar confusão. O importante é vocês deixarem claro: eu tinha direito! Eu abdiquei! Não peguei nada que não era meu. Tinha direito e abdiquei porque quis. Não peguei nada que não era meu.
Folha - A sra. tinha direito, mas a sra. acha que era legítimo em um país como o Brasil?
Marta - Tinha direito e abdiquei. Então, pára com isso! Eu tinha direito e abdiquei. Abdiquei!
(Marta sai da sala a pedido de Luis Favre para "atender a um telefonema")
Folha - Há pouco, a sra. disse: ""Vai se catar". A sra. se acha autoritária? Como a sra. se qualificaria quando tem esses rompantes?
Marta - Acho que as questões pessoais não estão em jogo na nossa entrevista.
Folha - Mas para um administrador é importante. A sra. não acha que as pessoas devem conhecer...
Marta - Não. Por favor, a próxima pergunta.
Folha - É uma questão importante saber se a sra. se define como autoritária ou não, se é democrática ou não, se ouve as pessoas, se suporta ser posta sob pressão.
Marta - Tenho direito de ser uma pessoa assertiva. Você quer fazer a próxima pergunta?
Folha - A sra. fez um evento de campanha no restaurante Fasano, em São Paulo, há algum tempo, com empresários para arrecadação de fundos de campanha...
Marta - É pergunta administrativa?
Folha - Não. É uma pergunta política. A sra., sendo do PT, não considera uma contradição reunir empresários em um dos restaurantes mais caros de São Paulo?
Marta - Quando você recebe uma oferta...e foi o dono do restaurante... eu não paguei nenhum tostão. O dono do restaurante é simpatizante do PT. Ele fez uma oferta para que a gente fizesse um almoço de levantamento de fundos, e eu gostei. Nós recebemos com satisfação essa oferta.
Folha - O jornal publicou uma lista de nomes de pessoas que poderiam vir a trabalhar no seu secretariado. A sra. disse que era especulação.
Marta - Total. Fiquei indignada com o que vocês fizeram. Foi uma matéria absurda, que não corresponde à realidade. Em nenhum momento falei naqueles nomes.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h04

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Vou puxar a ficha de vocês!

Vou puxar a ficha de vocês!

Seguem trechos da entrevista em que Maluf perde a paciência com seus entrevistadores, mencionada pelo repórter FERNANDO CANZIAN no post acima sobre o que fazer quando o entrevistado o agride. Na entrevista publicada, os trechos estão presentes

Robson Ventura /Folha Imagem Digital - 2.out.2006

Paulo Maluf em São Paulo

Folha - O Pitta foi durante cinco anos executivo da empresa da sua família, a Eucatex. Foi durante quatro anos seu secretário das Finanças. Só agora o sr. descobriu que ele era incompetente e ruim?
Maluf - Você lê jornal? Vou rememorar a sua memória. O secretário das Finanças escolhido...
Folha - Eu sei disso. Foi a segunda opção...
Maluf - Não, não. Se você não colocar o que eu disse, vai colocar as mentiras que você falou e me obriga a encerrar a entrevista. Encerro já. Você vem com mentira para cima de mim.
Folha - Não é mentira.
Maluf - Então, você vai restabelecer a verdade. Você tinha a obrigação de ler a Folha.
Folha - Eu li.
Maluf - Não leu. Então me conta.
Folha - O Celso Pitta não era sua primeira escolha (para o cargo de secretário). Foi sua segunda opção. Mas isso não invalida o fato de que ele trabalhou cinco anos para o sr. (na Eucatex) e quatro anos na sua administração. Só agora o sr. vem dizer que ele é incompetente, não tem caráter, tem falhas administrativas. O sr. demorou nove anos para descobrir que ele é ruim?
Maluf - Você é mal informado. Não tem uma declaração na Folha em que eu diga que ele não tem caráter. O que eu disse é que ele é mal avaliado pelo Datafolha.
Folha - Mas o sr. disse que ele é ruim, administrativamente.
Maluf - Espera. Se eu não posso falar, você pode se retirar da casa. Você me deixa falar?
Folha - Claro.
....
Folha - O sr. tem 40 processos e nove condenações.
Maluf - Estou há 33 anos na vida pública. Processos todos têm. Não tenho nenhuma condenação transitada em julgado, em última instância. O PT tem. Porque o PT usou dinheiro público para colocar anúncio na Folha conclamando a população a fazer greve. Existe uma condenação do Supremo Tribunal Federal para devolver o dinheiro. Desses 40 processos, a maioria é oriunda de deputados e vereadores petistas. Em off, você não é petista, é?
Folha - Não.
Maluf - Plínio Fraga e Fernando Canzian. Vou puxar a ficha de vocês.
Folha - Em 3 setembro de 1989, o sr. disse: "O aborto para mim deve ser permitido em razões de estupro e do filho que vai nascer defeituoso". Essa segunda parte é o projeto que Marta Suplicy votou a favor e o sr. critica.
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - O sr. dizia que era a favor.
Maluf - Sou contra o aborto. Sou contra o aborto.
Folha - O sr. dizia naquela época que proporia um plebiscito "sui generis" para discutir o assunto. Só votariam as mulheres para decidir a legalização do aborto. O que é ainda mais amplo...
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - O sr. mudou de posição, então?
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - Mas o sr. não era.
Maluf - Dá licença, se você diz que precisava um plebiscito...
Folha - Foi o sr. quem disse...
Maluf - Então, sou contra o aborto.
Folha - Mas o sr. não era.
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - O sr. disse: "O aborto para mim deve ser permitido...
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha -...em razão de estupro e do filho que vai nascer defeituoso".
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - Nessa ocasião, o sr. não era?
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - Em 3 de setembro de 89, o sr. não era.
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - O sr. não acha contraditório?
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - O sr. está fazendo um uso político do projeto da candidata Marta Suplicy da regulamentação do aborto em hospitais públicos, nos casos já previstos em lei...
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - Não é uma manipulação do sr.?
Maluf -Dá licença? Sou contra o aborto.
Folha - Mas não é uma manipulação?
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - Não é uma manipulação do sr. usar isso...
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - O sr. não está respondendo.
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - O que mudou?
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - Não é uma contradição?
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - Essa característica do sr. de...
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha -...de não responder diretamente às questões...
Maluf - Sou contra o aborto.
Folha - Por que o sr. não responde diretamente às questões?
Maluf - O que não é lícito nem ético é você querer colocar na minha boca coisas que não quero falar. Estou dizendo: "Sou contra o aborto".
Folha - E há 11 anos?
Maluf - Sou contra o aborto.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h04

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Programa de leitura

Lili Martins/Folha Imagem

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa oficial de hoje seria esta:

Dia 7 
Leia a Primeira Página, com atenção --leia todas as chamadas, gravando as informações. Quando terminar, tente se lembrar de que notícias foram destacadas pelo jornal naquele dia. Escolha sete reportagens que mais tenham chamado sua atenção e leia os textos internos, prestando atenção nas informações. Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu.

Mas hoje é domingo. Que tal tentar ler o jornal todo, só pra ver como é?

Se ainda não começou, aproveite, comece hoje! Leia o programa todo, mas comece hoje já pelo passo acima.

Não sabe por que nem para que ler jornais? Veja o que eu acho sobre isso.

Você que leu jornal ontem, confira o quanto reteve.

1) Mais de 1.600 pessoas foram detidas sexta em São Paulo por:

( ) Mais uma operação contra pirataria da Polícia Federal

( ) Operação da Polícia Civil no Rio, para prender traficantes de drogas em outros Estados

( ) Operação da Polícia Civil em todos os Estados do país, para mostrar força da corporação

2. O que aconteceu com o investimento estrangeiro no primeiro bimestre deste ano?

( ) aumentou mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o superávit do país caiu à metade

( ) aumentou mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, e o superávit do país quase triplicou

( ) caiu, mas o superávit do país quase triplicou em relação ao mesmo período do ano passado

3. O que a Câmara dos EUA aprovou em relação ao Iraque?

( ) um projeto que retira a maioria das tropas americanas do Iraque até o final de 2008

( ) um projeto que retira imediatamente as tropas americanas do Iraque

( ) um projeto que amplia em 50% a presença americana no Iraque até agosto de 2008

( ) um projeto que não altera o envio de tropas americanas ao Iraque, mas libera US$ 100 bilhões para gastos militares no país

4. O que mostra um estudo da USP sobre salário de professores de escolas públicas e privadas?

( ) professores das escolas privadas ganham, em média, muito mais que os de públicas

( ) os salários médios são equivalentes, mas professores de escolas públicas têm desvantagem na aposentadoria

( ) a disparidade de salários em escolas privadas é muito grande, mas, na média, os salários são equivalentes aos da rede pública

Vale a pena ler essa matéria. Reportagens que destoam do lugar comum são a essência do jornalismo.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h23

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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