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Músico apanha até a morte de PMs em São Luís
--Olha o que o que o número de toques faz com um título! -dizia, rindo, o redator que notou a piada no título do caderno Cotidano de hoje (pág. C2, edição nacional).
--Deve ser um lance meio vodu! O músico apanha e os PMs morrem -devolveu meu colega de plantão (sim, estamos na Redação neste lindo sábado de céu azul).
Nenhum dos dois quis fazer piada com a morte alheia, claro. Eles riam do produto de uma máxima jornalística: "título bom é o que cabe".
Ontem mesmo, a turma de treinamento teve uma conversa com o editor de Cotidiano, Rogério Gentile, e questionou este título: Na Bahia, partidos vão indicar diretores de escola.
Achavam que o "na Bahia" deveria vir no final. Por coincidência, assim que acabou o encontro, o exercício que dei para eles foi dar título pra mesma reportagem:
-- Ah, agora entendi por que saiu daquele jeito! -comentou um dos trainees dois minutos depois.
Simples: se o "na Bahia" viesse no final, não dava para ajeitar a frase nas duas linhas de título. Essa é uma das circunstâncias do jornalismo impresso: o espaço disponível condiciona o texto.
No caso da morte no Maranhão, o título era em uma coluna. Fiz o teste. A formulação mais clara não cabia no espaço: Músico apanha de PMs até a morte em São... (Luís já não cabe mais na terceira linha)
Tentei "morte no MA" na última linha, mas ficou muito curta. Além disso, continuava um problema: afirmar algo de que os policiais, por enquanto, são só acusados.
Quando dá tempo, o ideal é procurar outra formulação. Mas o título ideal ("PMs são acusados de espancar cantor até a morte", por exemplo) muitas vezes não cabe naquele espaço. No caso em questão, uma saída seria:
Músico morre após apanhar de PMs no MA
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h39
Vincent Yu/Associated Press - 27.abr.2003
 Estudantes de balé usam máscaras em Hong Kong (China) para se protegerem contra a pneumonia asiática
Mensagem de um leitor: Oi. Tanto se fala em jornalismo cultural, mas o que é jornalismo cultural? Você pode escrever sobre essa área. Criei um site e estou aprendendo a fazer jornalismo cultural na marra.
Na semana que vem, a turma de treinamento vai conversar com o editor-assistente da Ilustrada, Leonardo Cruz, e pode contribuir com a resposta. Por enquanto, faço uma introdução bem básica.
o que é O termo jornalismo cultural é muito amplo. Cada veículo fará um recorte de temas e enfoques.
Em termos gerais: se é jornalismo, tem que ter notícia, ou seja, novidade. A palavra em inglês é mais explícita: news. Jornalista não deve esquecer que precisa falar do que é novo (seja o fato, seja o enfoque).
Jornalismo cultural, portanto, deve falar algo novo sobre cultura. O que vai variar é quais manifestações culturais entram no projeto editorial de cada veículo. Além de nova, a informação precisa ser importante e/ou interessante para ganhar espaço.
Há uma escala que vai do importante, mas chato ao interessante, mas desimportante. Quanto mais importância e interesse tiver a notícia, melhor.
O que ler
Pessoalmente, acho que quem quer fazer jornalismo cultural tem que ler muito sobre o assunto que vai cobrir: história da arte, história da música, literatura, etc. Mas há alguns livros sobre jornalismo cultural e sobre crítica (um gênero de jornalismo).
Minhas sugestões começam com os livros do Marcelo Coelho, que tem um blog sobre cultura e crítica:
Crítica Cultural: Teoria e Prática Marcelo Coelho Publifolha 1a. edição, 2006
Gosto se Discute Marcelo Coelho Atica
Um País Aberto Reflexões sobre a Folha de S.Paulo e o Jornalismo Contemporâneo André Singer, Carlos Eduardo Lins da Silva, Otavio Frias Filho e outros Publifolha 1a. edição, 2003 (o livro tem um capítulo sobre jornalismo cultural)
Em Branco e Preto Artes Brasileiras na Folha 1990-2003 Arthur Nestrovski (organização geral), Pedro Butcher (org.), Marcelo Coelho (posfácio de) e outros Publifolha 1a. edição, 2004 Leia reportagem sobre o livro
Jornalismo Cultural Daniel Piza Contexto
Rumos (do) Jornalismo Cultural Vários autores Summus 2007 Produto do programa do Itaú Cultural, que acaba de abrir inscrições para a versão 2007/2008
Curiosamente, não encontrei muitos livros sobre o tema nos EUA. Uma opção:
Reporting the Arts: News Coverage of Arts and Culture in America (Paperback) by Daniel S. Levy, Andras Szanto, Andrew Tyndall Michael Janeway (Editor)
cursos Começou hoje um curso de dois sábados no Espaço Cult.
O assunto costuma ser abordado em cursos com freqüência. Sempre que souber de algo, conto aqui no blog.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h07
Lili Martins/Folha Imagem

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:
Dia 6 Leia a Primeira Página, com atenção --leia todas as chamadas, gravando as informações. Quando terminar, tente se lembrar de que notícias foram destacadas pelo jornal naquele dia. Escolha seis reportagens que mais tenham chamado sua atenção e leia os textos internos, prestando atenção nas informações. Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu.
Como hoje é sábado, dê uma olhada no jornal todo. Se algum título o atrair, leia o texto e pense sobre por que aquela notícia fez você ter vontade de ler.
Se ainda não começou, comece já! Leia o programa todo, mas comece hoje já pelo passo acima.

Se você leu o jornal ontem, veja o quanto reteve das informações:
1) Segundo o Dieese, os reajustes de salário no ano passado foram:
( ) maiores que a inflação na maioria dos casos, entre outros motivos porque os índices de inflação têm sido altos ( ) menores que a inflação na maioria dos casos, entre outros motivos porque os índices de inflação têm sido altos ( ) maiores que a inflação na maioria dos casos, porque a inflação foi baixa e foram criadas mais vagas com carteira assinada ( ) maiores que a inflação na maioria dos casos, mas houve diminuição no número de vagas com carteira assinada
2) O presidente Lula acertou ontem a nomeação de três novos ministros: do Desenvolvimento, da Agricultura e uma nova pasta de imprensa e publicidade. Você sabe o nome deles?
3) Como serão escolhidos os diretores de escolas estaduais na Bahia?

Não deixe de ler hoje a entrevista com Franklin Martins, o ministro que será responsável por imprensa no governo Lula
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h03
Conte sua história
O 2º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que a Abraji fará em SP entre os dias 17 e 19 de maio, terá um painel para autores de boas histórias contarem como elas foram feitas.
Quem tiver feito uma reportagem interessante pode se inscrever para apresentá-la. Na página da Abraji há o exemplo de uma história que foi contada no primeiro congresso.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h18
Para quem tem pressa
Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem - 13.out.2006
 Radar na avenida Nações Unidas, em São Paulo (SP)
Frase de um jornalista novo, depois de errar duas informações em dois dias: Sou ansioso, e, por pressa, deixei de checar algumas coisas. Já identifiquei esse problema e vou redobrar minha atenção.
Sei bem como ele se sente. Também sou do tipo que quer resolver tudo rapidamente. O problema é que velocidade em excesso é meio caminho para o acidente, a não ser que você seja o Schumacher. Ou o Clóvis Rossi ---um dos poucos jornalistas capazes de, se deixarem, escrever o jornal inteiro e ainda dar palpite nas fotos.
Sei também, por experiência própria, que é muito difícil para quem é como nós controlar essa pressa. A gente quer mandar logo o texto pra frente.
Há algumas técnicas que reduzem a chance de erros. Nos casos graves, como o de nós dois, elas têm que ser aplicadas com disciplina, ou seremos os campeões da seção Erramos:
- Toda vez que terminar um texto (toda, toda mesmo) é preciso passar o corretor ortográfico e relê-lo
- Antes de reler, conte até dez. Isso ajuda a ler prestando atenção no que está escrito, pensando no que se lê
- Toda vez que encontrar um nome no texto, pare e cheque a grafia. O mesmo vale para datas e números (faça as contas, quando preciso)
- Se for possível, imprima o texto, marque no papel as informações que precisa checar e vá ticando cada uma que for confirmada (isso dá muita preguiça, mas é uma das técnicas que mais funciona)
Há uma última que ainda não testei, mas penso seriamente em experimentar: o método Kumon. É geralmente usado no ensino de matemática, português, inglês ou japonês, mas a base do método é treinar a concentração. Se eu realmente me decidir, depois conto se funciona.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h51
"Dez acertos não equivalem a um erro no jornalismo"
por MARIA CLARA FAGUNDES
A frase acima é Marcelo Diego, editor-adjunto de Brasil, com quem conversamos nesta semana sobre pauta. Outros pontos da conversa que podem nos ajudar:
- "A pauta é um exercício diário de seleção"
- O jornal é um documento histórico das últimas 24 horas e a pauta, um plano de ação para acompanhar os acontecimentos
- O dia do pauteiro começa cedo, com a leitura dos jornais e avaliação do desempenho: "Dez acertos não equivalem a um erro no jornalismo"
- O jornal busca oferecer ao leitor informações confiáveis e, se possível, exclusivas
- Há temas que se impõem - "impossível deixar de acompanhar o presidente" -, mas a maioria tem importância relativa. É necessário hierarquizar acontecimentos; decidir o que (e como) cobrir
- A decisão do que não cobrir é o dilema diário do pauteiro. Poderá até ser modificada ao longo do dia, mas a escolha das pautas e locação dos repórteres já indicam, em grande medida, como será o jornal no dia seguinte
- A pauta deve indicar diretrizes, mas os acontecimentos do dia vão determinar mudanças
- Para Diego, o repórter é o melhor editor da própria matéria. A pauta é, sempre, uma obra aberta
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h34
jornalismo esportivo
Roy Peter Clark faz na sua coluna uma divertida entrevista fictícia sobre o futuro do jornalismo esportivo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h14
(*)
Finalmente entendi a questão do Felipe sobre atualização (paciência, leitores, só comecei ontem nesse mundo dos blogues).
Estava pensando em quem vai ler os posts, mas não em quem gosta de trocar comentários. Para esses, se a mensagem afunda muito rápido, a conversa acaba.
Vou quebrar a cabeça pra ver como resolver isso...
(*) para quem tem menos de 20 anos: essas são fichas telefônicas. Era isso que a gente colocava no orelhão para telefonar. Quando a ligação se completava, caía a ficha.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h55
Lili Martins/Folha Imagem

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:
Dia 5 Leia a Primeira Página, com atenção --leia todas as chamadas, gravando as informações. Quando terminar, tente se lembrar de que notícias foram destacadas pelo jornal naquele dia. Escolha cinco reportagens que mais tenham chamado sua atenção e leia os textos internos, prestando atenção nas informações. Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu.
Se ainda não começou, comece já! Leia o programa todo, mas comece hoje já pelo passo acima.

Para quem leu o jornal ontem, as questões de hoje serão todas sobre a manchete, porque é uma reportagem que toca em quase todos os aspectos da economia nacional.
1) O IBGE divulgou ontem o PIB brasileiro calculado por uma nova metodologia. Confira se você sabe responder às questões abaixo:
-
Com a nova metodologia, os valores do PIB entre 2003 e 2005 aumentaram ou diminuíram? Você sabe dizer as porcentagens de crescimento no cálculo antigo e no novo?
-
Pelo novo cálculo, a taxa de investimento cresceu ou caiu?
-
Se você respondeu às duas questões acima, o que esses movimentos significam em termos de produtividade da economia? Se não respondeu, você sabe explicar como produtividade tem a ver com crescimento e investimento?
-
A nova medida de produtividade indica que o crescimento econômico do país traz mais ou menos risco de inflação? Por quê?
-
Como o novo cálculo afeta o risco país --ou seja, a confiança dos investidores em aplicar em títulos brasileiros? Por quê?
-
O novo resultado obrigará o governo a fazer mais cortes de gastos se quiser cumprir a meta de superávit primário (economia para pagar juros da dívida). Por quê?
Se você não leu o jornal ontem ou está inseguro para responder às questões acima, não deixe de ler com atenção sobre o assunto. A reportagem de Fernando Canzian (para quem assina UOL ou Folha) é muito completa e muito didática e a coluna de Vinicius Torres Freire fala sobre outras conseqüências do novo cálculo. Todo leitor pode acompanhar também a cobertura da Folha Online.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h31
Atrás do lide que saiu no pé
Alan Marques/Folha Imagem - 14.abr.2004
 Dom Odilo Pedro Scherer, nomeado arcebispo de São Paulo
Como prometido, segue a entrevista com o repórter RAFAEL CARIELLO, co-autor da matéria que antecipou, ontem, a nomeação de dom Odilo Scherer para a Arquidiocese de São Paulo.
Novo em Folha - Como vocês conseguiram dar o furo?
Cariello - Sabíamos que era uma das duas coisas mais importantes a conseguir nessa cobertura de igreja. A outra é uma entrevista com o papa, mas é bem mais difícil (risos). Desde o fim do ano passado, estávamos pensando em como conseguir essa informação.
Novo em Folha - Então você entrou na cobertura no ano passado?
Cariello - Sim. Sou repórter da Ilustrada, mas já trabalhei em Brasil. A direção do jornal me chamou e me pediu que começasse a me preparar para fazer a cobertura da visita do papa.
Novo em Folha - Se preparar significava exatamente o quê?
Cariello - Fazer fontes e pensar na cobertura. Quando dom Cláudio [Hummes, ex-arcebispo de SP] foi indicado para ir ao Vaticano, saiu um texto que terminava mais ou menos assim: "A Arquidiocese de São Paulo está vaga". Um chefe meu comentou comigo: "Puseram o lide no pé" (risos). Porque desde ali percebemos que essa era a notícia que tínhamos que conseguir: quem ia ficar no lugar de dom Cláudio.
Novo em Folha - E o que você fez?
Cariello - O Leandro [Beguoci, repórter de Brasil] tem boa entrada com muitas pessoas da igreja e já tinha uma boa lista de fontes de uma das alas. Fiz o caminho de me aproximar de outra ala. Há uns dois meses, uma dessas fontes me disse que, se tivesse acesso ao nome, me diria.
Novo em Folha - Ela prometeu? Então você já sabia que teria o nome antes?
Cariello - Sim, mas sempre pensava que ela poderia mudar de idéia. Nada impedia que ela desistisse. Então o Leandro conseguiu uma outra fonte que prometeu que, se tivesse acesso, também diria para ele o nome.
Novo em Folha - Já eram dois!
Cariello - Pois é. Mas justo no dia, as duas fontes estavam viajando, incomunicáveis!
Novo em Folha - Não acredito!
Cariello - Sério! O Leandro teve a informação de que a indicação sairia seguramente na quarta, mas o informante dele não diria o nome: "É segredo pontifício. Não falo de jeito nenhum". E nós não podíamos falar com nenhuma das duas fontes que prometeram contar o nome.
Novo em Folha - Depois que o Leandro soube da data, como você entrou na história?
Cariello - Ele avisou o editor, que me pediu para entrar na apuração. Liguei para duas fontes, uma religiosa e uma leiga, mas que sabe muito da igreja e tem muitos interlocutores nela. As duas não sabiam o nome, mas disseram que tentariam descobrir.
Novo em Folha - Então você desligou o telefone e ficou esperando?
Cariello - Sim. As duas apuraram e as duas me disseram: "É dom Odilo. Não lemos a carta, alguém que leu a carta nos disse que é dom Odilo, confio nessa pessoa, mas posso estar enganado".
Novo em Folha - Era um risco, então.
Cariello - Era, porque as duas podiam estar enganadas, e nós entraríamos no engano junto.
Novo em Folha - Que caminho vocês tomaram?
Cariello - Sabíamos quem eram os bispos mais cotados para a vaga. O Leandro ligou para outros possíveis indicados, que negaram, o que fortaleceu mais ainda o nome de dom Odilo. [Leia entrevista em que Leandro conta como confirmou a indicação]
Novo em Folha - Nessa hora, em que vocês confirmaram a informação, como vocês se sentiram? Ficaram animados, nervosos?
Cariello - Ficamos morrendo de medo (risos). Eu comecei a escrever o texto, e minha formulação foi "Dom Odilo Scherer foi escolhido pelo papa...". Porque era um fato. Mesmo que ele voltasse atrás e dom Odilo não fosse indicado, era verdade que o papa o havia escolhido.
Novo em Folha - Você conseguiu dormir?
Cariello - Dormi, porque do jeito que estava o texto, não tinha erro (risos). E tínhamos confirmado com três fontes cada um. O Leandro tinha falado com o próprio dom Odilo, que não desmentiu.
Novo em Folha - Quando é que você ficou sabendo que ele tinha sido confirmado como arcebispo?
Cariello - Às 8h o Leandro me ligou e disse, bem sério: "Deu merda!" (risos).
Novo em Folha - Credo! Você teve um ataque do coração.
Cariello - Eu mandei ele à merda (risos). Depois. Porque na hora eu acreditei que tinha dado errado.
Novo em Folha - Vocês tinham segurança, na véspera, de que seria um furo? De que ninguém teria o nome?
Cariello - Tínhamos. Num determinado momento, tivemos medo, porque sabíamos que vários jornalsitas teriam condições de saber. Vários concorrentes têm boas fontes na igreja e teriam condição de apurar, se tivessem recebido a dica que o Leandro recebeu, de que a indicação estava feita.
Novo em Folha - E quando vocês se tranquilizaram?
Cariello - Quando os telejornais não deram nada.
continua abaixo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h30
continuação
 Rafael Cariello participou da 33ª turma do programa de treinamento da Folha (de camiseta vermelha, ao fundo)
Novo em Folha - Voltando um pouco, quando você diz "minha fonte", quando você passa a considerar alguém uma fonte "sua"?
Cariello - Quando já converso com ela há muito tempo, ela já me passou informações que se confirmaram. Sei que que ela também tem interesses ao me passar informações, mas elas são boas e se confirmam. E a fonte confia em mim, sabe que vou cumprir o que combinar.
Novo em Folha - E como você chegou até essas fontes?
Cariello - Procurei um intelectual amigo meu para pedir orientação sobre as questões ligadas à discussão ideológica que o papado de Bento 16 trazia. Além dos caminhos intelectuais, ele me disse o nome de um leigo que é muito importante nas relações com a igreja.
Marquei um almoço com essa pessoa, disse que o jornal queria ter um leque amplo de fontes, ouvir todas as tendências da igreja. Ele me apresentou a bispos e religiosos que comungam de uma visão da igreja diferente da da Teologia da Libertação. Fui ligando para essas pessoas, nem sempre para fazer matéria.
Novo em Folha - Você já tinha feito reportagens sobre religião?
Cariello - Tinha coberto CNBB em Itaici duas vezes.
Novo em Folha - Por quê? Tinha um interesse específico nessa área?
Cariello - Tinha. Estudei num colégio jesuíta, gosto do assunto. Quando era repórter de Brasil, cobria os assuntos que sobravam: intelectuais, movimentos sociais e igreja. Cobri o Fórum Social, também, o que ajuda a fazer fontes nessa área. Tinha uma grande fonte na igreja, sensacional, que morreu --dom Amauri Castanho, bispo de Jundiaí. Aí fui procurar outras fontes.
Novo em Folha - E depois do furo, como foi a reação das pessoas?
Cariello - As fontes ligam pra comentar, os jornalistas concorrentes reclamam, fazem apostas sobre quem vazou a informação. Na coletiva que anunciou o nome do arcebispo, todos diziam que tinha sido um religioso que tinha dado o nome. Não foi. Mas isso é normal, ninguém gosta de levar furo, mas é da profissão.
Leia também a entrevista de Leandro Beguoci sobre como eles conseguiram furar a concorrência
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h41
Um enfoque mais pessoal sobre a conversa com o editor de Dinheiro, Sérgio Malbergier:
por JOHANNA NUBLAT
Conversar com o Sérgio deixou mais próxima a idéia de trabalhar em Dinheiro. Até hoje, estudei minimamente economia (fiz uma disciplina chamada Introdução à Economia) e, por não ter essa formação, achava que esse caderno era inviável para mim, apesar de gostar do assunto.
Mas, pelo que o Sérgio disse, existe uma orientação para tornar o caderno mais leve, com matérias menos específicas, deixando-o mais fácil de ler. Assim, pessoas com formação mais restrita em economia não teriam tanta dificuldade em escrever para o caderno.
Uma prova dessa mudança de orientação é a coluna "Mercado Aberto", de grande sucesso entre os leitores. No espaço, há fotos engraçadinhas e notas, que chamam atenção e tornam Dinheiro mais leve.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h31
Fernando Moraes/Folha Imagem 21.fev.2003
 Porta de cofre em um banco da região central de São Paulo (SP)
No programa de treinamento, a 43ª turma fala com todos os editores de cadernos diários, para entender como eles funcionam. Ontem a conversa foi com Sérgio Malbergier, editor do caderno Dinheiro.
por WILLIAN VIEIRA
Sérgio Malbergier, editor de Dinheiro da Folha de S.Paulo, diz que a aposta do caderno é aproximar-se de um jornalismo mais explicativo, sem excesso de números, voltado para o público comum e não apenas ao empresariado. Sem deixar de lado, claro, a busca pelo furo. "É nosso principal apelo, sempre".
Sérgio diz que o jornal, por outro lado, tenta fugir do "denuncismo", facilitado pela fragilidade do governo e da economia brasileira no passado.
O caderno, por isso, teria se acostumado a dar muito espaço à macroeconomia, em tempos em que o Estado dominava a economia e esta era totalmente instável.
Hoje, com a maior participação das empresas na economia e com os índices inflacionários estáveis, o foco é o jornalismo de negócios. "Fazer macroeconomia é mais fácil, devido ao acesso garantido ao governo e aos índices econômicos. Já cobrir empresas é mais complicado, especialmente no Brasil, onde há empresas familiares e de capital fechado."
Além disso, "cada vez mais os leitores querem saber como investir seu dinheiro. Daí o sucesso da FolhaInvest, publicada às segundas".
As pesquisas, diz Sérgio, apontam Dinheiro como o caderno menos lido do jornal, ainda que seja o maior. A defesa: "O assunto é mais complexo, demanda mais espaço, pois é preciso ser didático --trazer assuntos como Rodada Doha, taxa de juros, spread bancário para o dia-a-dia das pessoas".
"Não se precisa necessariamente de números para fazer um texto de economia", ironiza Sérgio. "É melhor explicar a economia ao leitor do que oferecer uma enxurrada de números --aliás, quanto menos números houver na matéria, mais compreensível ela fica. Deixe os números para a arte (infografia)."
Da mesma forma, não é tão complexo escrever para a Folha Dinheiro, diz ele. Não é preciso cursar economia para fazer jornalismo econômico --ainda que muitos repórteres acabem buscando profissionalizar-se.
Ele mesmo não tem formação específica. A dica é ler o "New York Times", a "The Economist", a imprensa britânica.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h18
Corrupção e outros crimes
Na terça-feira, 27/03 (das 10h30 às 12h30), o Ministério Público de São Paulo faz um curso gratuito sobre corrupção, crimes contra administração, foro privilegiado e improbidade administrativa para jornalistas.
Inscrições pelo e-mail: anapaulaprado@mp.sp.gov.br. tel 3119-9273.
Colocar nome, e-mail, veículo que trabalha e telefone.
Local: r. Riachuelo, 115, 9º andar. Auditorio Tilene de Moraes. Perto do metrô Sé.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h09
Yoshikazu Tsuno/France Presse
 MuuSocia, robô japonês com o formato de olho, que reconhece rostos e conversa com as pessoas
Não estava no programa de leitura, mas, se tiver a Folha de ontem ou puder acessá-la on-line (quem é assinante do jornal ou do UOL), não deixe de ler a reportagem da Laura Capriglione sobre o homem que caiu com seu fusca da ponte do Socorro.
Laura é uma repórter que, como poucos, é capaz observar o que acontece a sua volta e fazer jornalismo com isso. Se não puder ler a reportagem de ontem, veja a que ela fez o ano passado sobre um preso que teve que ser içado pelo teto numa prisão de Araraquara (está aberta para todos, na Folha Online).
O texto parte do fato isolado para mostrar a precariedade das prisões brasileiras e deu a Laura um prêmio.
Na semana que vem, ela fala com os trainees sobre como usar a observação na reportagem (ou, como os robôs japoneses acima, reconhecer rostos e conversar com as pessoas). Os leitores deste blog poderão acompanhar a conversa, pois ela será relatada aqui.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h04
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Achei que valia a pena subir este comentário, porque queria saber a opinião dos outros leitores do blog. Atualizar com freqüência mais ajuda ou mais atrapalha?
Oi, não sei se sou eu que sou lento, mas o blog é tão rápido que muitas vezes uma coisa legal, em pouco tempo, já está láááá embaixo... Não dá tempo nem de comentar! E olha que eu tenho blog e sou leitor freqüente. Será que não valeria deixar coisas legais como a entrevista do leandro um pouco mais tempo no alto, como principal assunto do blog? acho que é um jeito de valorizar o seu entrevistado, aumentar a leitura e tb aumentar o número de comentários. como o seu blog não é de notícias propriamente, como o do josias, por exemplo, será que ele precisa ser mesmo atualizado de 15 em 15 minutos, ou de meia em meia hora? Várias vezes tem uma entrevista superlegal que entrou há pouquíssimo tempo e aparece lá no alto uma coisa bem menos importante ou bem menos interessante, uma dica de curso sobre o papa, sei lá. Será que não dá pelo menos pra criar uma maneira diferente de marcar ou, melhor ainda, de buscar diretamente as entrevistas e os textos que os repórteres escrevem pra vc?
RESPOSTA: Oi, Felipe. É uma boa questão. Criei uma categoria só para as entrevistas. Você pode ir direto a elas clicando no menu "como foi feito". Quanto à atualização, é um equilíbrio delicado. Tento colocar informações que considero úteis. Mas, quando trato de um assunto sobre o qual já escrevi algo interessante antes, faço o link. Por exemplo, na entrevista com o Rafael, que vou colocar no ar mais tarde, vou linkar para a do Leandro. Imagino que os leitores do blog descam a página até a última coisa que já haviam lido, não? Ou você acha que eles só olham o primeiro post? É essa sua experiência? | |
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h48
Joyce Cury/Folha Imagem - 16.jan.2007
Rodovia Washington Luis, entre Matão e Araraquara
Sugerir pautas é uma das tarefas mais difíceis do jornalismo.
Para a turma do treinamento, é mais difícil ainda, já que eles não têm fontes regulares nem estão na cobertura do dia-a-dia, de onde surge boa parte das idéias para novas reportagens.
Abaixo estão algumas sugestões para exercitar a criação de pautas:
• Ande sempre com um bloquinho ou, pelo menos, uma caneta, para anotar idéias de pauta que surgem nos momentos mais inesperados.
• Ler outros jornais e revistas, inclusive estrangeiras, pode dar idéias de boas pautas. Não se trata de copiar pautas (embora isso possa até se justificar jornalisticamente em alguns caso), mas de adaptar idéias, aprofundar abordagens, ampliar o repertório. Além disso, é fundamental ler os principais jornais e revistas, para não propor algo já divulgado.
• Pense no geral e no particular. Para pautas que tratam de um fenômeno local, veja se é o caso de compará-lo com a média nacional ou com os extremos nacionais. Para pautas nacionais, cogite procurar como aquele fenômeno se mostra na região em que vive a maioria dos seus leitores.
• Compre uma agenda e use-a. Se, ao cobrir um assunto, você sabe que haverá desdobramento dali a três meses, programe-se para voltar ao tema dali a dois meses e meio. Se estiver cobrindo um caso de grande repercussão, anote na agenda para voltar a ele a cada três meses.
• Programe-se para, a cada semana, ligar para uma de suas fontes apenas para trocar idéias, saber como andam as coisas. Se você fizer isso com oito fontes principais, cada uma só receberá seus telefonemas de dois em dois meses e ninguém ficará chateado. Além disso, seu nome fica aceso na memória da fonte e, se aparecer algo nesse intervalo, ela se lembrará de ligar para você com mais facilidade.
• Mantenha o hábito de consultar com antecedências listas ou livros de efemérides. Eles garantem bons ganchos para aquelas duas boas idéias de pauta que nunca vão para frente por falta deles. Por exemplo, se você descobre que daqui a dois meses o primeiro bebê de proveta fará 20 anos pode preparar uma reportagem especial sobre novas técnicas de reprodução assistida que terá um bom gancho e atrairá mais leitura.
Três dicas de procedimento
• Aprenda com as recusas. Se você acha que tem uma idéia brilhante e seu editor discorda, tente descobrir que pontos da sua pauta estão equivocados ou o que está faltando. Seu editor pode recusar uma pauta porque não tem gancho –para que tratar deste assunto agora?-, e pode ser que ela tenha um gancho que você esqueceu de mencionar.
• Proponha sempre novas pautas. A melhor vacina contra pautas ruins encomendadas pela editoria é propor sempre suas próprias pautas
• Se você teve uma boa idéia de pauta em um assunto normalmente coberto por um colega, convide-o para fazer a cobertura com você. Caso ele não possa, peça sugestões e críticas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h39
Se você está seguindo o programa de leitura, veja o quanto reteve das informações que leu ontem:
1) A Rússia ameaçou interromper o fornecimento de combustível nuclear para o Irã, segundo o "New York Times" porque:
( ) quer que o governo iraniano pare de enriquecer urânio
( ) decidiu usar todo o excedente de combustível em projetos nucleares próprios
( ) o Irã deixou de pagar fornecimentos anteriores
( ) as reações contra o programa nuclear iraniano prejudicam outros negócios russos na área
( ) mais de uma opção das listadas acima [especifique quais]
2) O que aconteceu com a CPI do apagão aéreo?
( ) a proposta foi rejeitada em plenário na Câmara
( ) a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a criação da CPI
( ) a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou recurso para anular a instalação da CPI
( ) a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara vetou a proposta de criação da CPI
3) Que ministério ocupa Waldir Pires?
( ) Defesa
( ) Agricultura
( ) Relações Institucionais
4) Quem é o candidato mais cotado para substituí-lo?
( ) Aldo Rebelo
( ) José Dirceu
( ) Ivo Rosseti
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h22
Lili Martins/Folha Imagem

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:
Dia 4 Leia a Primeira Página, com atenção --leia todas as chamadas, gravando as informações. Quando terminar, tente se lembrar de que notícias foram destacadas pelo jornal naquele dia. Escolha quatro reportagens que mais tenham chamado sua atenção e leia os textos internos, prestando atenção nas informações. Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu.
Se ainda não começou, comece já! Leia o programa todo, mas comece hoje já pelo passo acima.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h12
Danilo Verpa/Folha Imagem - 16.dez.2006

Abaixo está o texto que os repórteres da Folha fizeram com as informações do exercício de ontem.
Claro que há várias maneiras de resolver o problema. O ponto principal do objetivo é que, em casos como esse, o primeiro parágrafo deve sempre dizer se há mortos ou feridos.
Um ponto secundário é observar se você colocou cada idéia num parágrafo se ordenou as informações de forma articulada.
Há quatro passos no aprendizado de quase qualquer coisa: ouvir/ler, tentar fazer, ser avaliado, tentar refazer. Neste blog, teremos sempre que parar no segundo passo. Tente achar um professor ou jornalista que possa avaliar seus textos e exercícios e criticá-los.
Não se preocupe se tiver "errado". Aprende-se muito mais com os erros que com os acertos.
Parte de um antigo casarão de dois andares invadido por mais de 40 famílias desabou no início da madrugada de ontem na av. Liberdade, centro de São Paulo, deixando quatro feridos. Entre os feridos está um menina de cerca de um mês que estava com os pais num dos quartos do segundo andar. Na queda, L. foi atingida na cabeça por uma porta de armário. Levada ao hospital, a avaliação era de que não havia nada grave. A Polícia Civil e a Subprefeitura da Sé interditaram o local. O prédio havia sido invadido há mais de três anos por sem-teto, e a reintegração de posse ocorreria em janeiro. A estrutura estava deteriorada e remendada por pedaços de madeira. O prédio tinha quartos com até 12 pessoas, num total superior a 150 moradores, segundo Jussara Gierlaine Vieira, 25, mulher do "zelador" e que usava a frente do casarão como uma pequena loja de doces. Segundo a Subprefeitura da Sé, assistentes sociais foram ontem de manhã oferecer auxílio para as famílias. A maioria delas teria para onde ir, mas abrigos da prefeitura foram colocados à disposição. A queda da parte frontal do casarão foi precedida por estalos nas paredes e um estrondo. Com a rede elétrica rompida, os moradores ficaram no escuro. Mãe de 4 filhos, Juberlita da Silva Bonfim, 32, havia retirado, no dia anterior, do hospital Beneficência Portuguesa, um de seus bebês gêmeos, com 30 dias de vida, que nasceram prematuros. O irmão já havia dormido por lá outras noites. "Acordei com todo mundo gritando 'está caindo', mas estava tudo escuro. O pessoal saiu correndo, mas eu não achava meus filhos", relatou. Os bombeiros foram ao local e vasculharam os escombros, inclusive com cães, para tentar identificar supostas vítimas. A médica Daniela Paoli, do Resgate, diz que, além do bebê de um mês, um rapaz de 23 anos, Robson Martins, foi encaminhado ao hospital com escoriações, sem gravidade. Outras duas jovens que estavam diante do casarão machucaram os pés, porém não quiseram ser atendidas pelos bombeiros. "Foi muita sorte não ter ocorrido nada pior", afirmou Paoli. Maria Catiele, 18, e Eduardo Lins de Araújo, 23, dormiam ao lado do filho de um ano e quatro meses e não ouviram nada. Foram acordados pelos bombeiros. "Eu estava só de cueca. O bombeiro falou: 'Não vai sair assim, pega um lençol pra se cobrir, né'", contou Araújo. Diferentemente dos que participaram da invasão do casarão há mais de três anos, os dois tiveram que pagar R$ 850 aos antigos donos de seu quarto para morar no local, onde estavam havia três meses. "Aqui é assim, seu eu for sair também vou vender", explicou Catiele. As despesas mensais de quem morava no casarão, localizado na altura do número 338 da avenida Liberdade, diante de um CCCA (Centro Comunitário da Criança e do Adolescente, que tem a prefeitura paulistana como parceira em atividades de assistência social), se limitavam à água. O casal não sabia ontem que destino teria. O salário de R$ 540 que Araújo ganha por mês é a única renda da família e, diz ele, insuficiente para pagar até uma pensão. Na noite de ontem, decidiram ficar na calçada. O filho foi deixado dormindo na casa de um vizinho.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h37
Providências

A Folha tinha hoje um furo [*]: o nome do novo arcebispo de São Paulo.
A informação é relevante por si só, e ainda mais valiosa num momento em que as atenções se voltam para a Igreja Católica, por causa da visita do papa.
Há furos que são produto da sorte. Não é o caso deste. O repórter LEANDRO BEGUOCI conta abaixo o caminho que percorreu até chegar a ele. Amanhã eu posto a entrevista com o co-autor da reportagem, RAFAEL CARIELLO.
[*] furo, no jargão jornalístico, é informação relevante e exclusiva (que só o seu veículo tem)
 Leandro Beguoci, 24, repórter do caderno Brasil
Novo em Folha - Já confirmaram a indicação de dom Odilo?
Leandro - Fui acordado hoje às 8h com a notícia.
Novo em Folha - Você estava com medo?
Leandro - Estava (risos).
Novo em Folha - Mas vocês tinham que grau de certeza?
Leandro - 100% de segurança. Mesmo assim, fiquei apreensivo.
Novo em Folha - Como vocês conseguiram a informação?
Leandro - Fazíamos um monitoramento, ligávamos toda semana para nossas fontes. Ontem (20/3), uma delas garantiu que a indicação sairia hoje, mas disse que não diria o nome por nada nesse mundo.
Novo em Folha - Como ela sabia?
Leandro - Antes do anúncio, o Vaticano manda uma carta para vários membros do clero. Todos os bispos de São Paulo sabiam, por exemplo, mas nenhum deles contou. Uma pessoa que tinha acesso ao texto leu para mim. Combinei que faria duas perguntas e ela diria só sim ou não:
-- É dom Odilo?
-- Sim.
-- Sai amanhã?
-- Sim
Novo em Folha - E o que você fez?
Leandro - Liguei para outros candidatos cotados, perguntei se eram os indicados. Disseram que não.
Novo em Folha - Mas eles diriam, se fossem?
Leandro - Perguntei isso a eles: se fosse o senhor, o senhor me diria? Eles disseram que sim. O Rafael também confirmou a indicação com outras fontes. No final do dia, com a reportagem já escrita, liguei para o próprio dom Odilo e dei parabéns. Ele levou um susto. Ficou mudo. Tentou mudar de assunto e reclamou de uma ilustração que a Folha publicou na coluna de Drauzio Varella.
Novo em Folha - Ele era sua fonte?
Leandro - Já tinha falado muito com ele, pois é uma das pessoas que definem as linhas políticas da igreja.
Novo em Folha - Como você se preparou para essa cobertura?
Leandro - Ligava sempre para bispos e teólogos, pedia sugestões de leitura.
Novo em Folha - De que tipo de leitura?
Leandro - Por exemplo, quando foi lançada a última Campanha da Fraternidade, liguei para minhas fontes para saber quem poderia ouvir sobre o assunto e que textos haviam embasado a campanha. Foi assim, por exemplo, que fiquei conhecendo Geraldo Hackmann, único brasileiro na comissão teológica internacional do Vaticano. Foi uma fonte importante recentemente, para esclarecer o uso da palavra "praga" na fala do papa.
Novo em Folha - É difícil entrevistar as pessoas da igreja?
Leandro - Muitos bispos são desconfiados, têm medo que o jornal vá distorcer, ser sensacionalista.
Novo em Folha - E que argumentos você usa?
Leandro - Digo que o jornal segue a lógica do mercado, mas também a lógica da opinião pública. Que a credibilidade é fundamental. Também sugiro que eles gravem toda a conversa, ou mandem as informações por escrito. E que, se acharem erro no que foi publicado, reclamem. Aos poucos, eles passam a confiar mais em você.
continua abaixo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h16
continuação
Novo em Folha - Você começou a cobrir religião quando?
Leandro - Em novembro do ano passado.
Novo em Folha - Antes disso, o que você fazia?
Leandro - Era repórter do caderno "Sinapse", que foi extinto. No começo de 2006, recebi um convite para trabalhar em Brasil. Conversava com os editores sobre pautas de religião, mas era ano de eleição e essa era a prioridade. Quando dom Cláudio foi nomeado [d. Cláudio Hummes, ex-arcebispo de São Paulo, foi nomeado prefeito da Congregação para o Clero em novembro de 2006], me chamaram para fazer a matéria.
Novo em Folha - E aí você começou a cobrir religião?
Leandro - Eles acharam o resultado honesto e me pediram que começasse a me preparar para cobrir religião.
Novo em Folha - Como você se preparou?
Leandro - Desde adolescente tenho interesse sobre o tema, já havia lido alguns textos. Minha mãe é teóloga. Mas, quando o jornal me pediu que cobrisse o assunto, voltei a ler direito os textos. Li os principais livros do papa, estudei a história da igreja no Brasil.
Novo em Folha - Como isso te ajudou?
Leandro - Conhecer o assunto em detalhes ajuda a fazer a diferença, a abrir portas. As fontes vêem que você está informado. Por exemplo, os bispos auxiliares de São Paulo são bispos titulares de dioceses que não existem mais. Dom Odilo é bispo de Novi, uma diocese da Ásia Menor no passado. Uma vez perguntei a ele na introdução de uma entrevista "como vai o povo de Novi". Ele percebeu que tinha me informado. Ele entende que não estou lá só para falar sobre aborto e camisinha.
Novo em Folha - Por que você está estudando italiano?
Leandro - O Vaticano é uma babel. Há quem fale só espanhol, só inglês, só alemão. As duas línguas oficiais são o latim e o italiano. Achar professor de latim é mais difícil (risos). Com o italiano, posso no mínimo perguntar que língua o interlocutor fala. O responsável pelo cerimonial do papa, Piero Marini, só fala italiano.
Novo em Folha - E você conseguiu conversar com ele?
Leandro - Com dificuldades (risos). Mas ele percebeu que o jornal estava se preparando para essa cobertura com esse nível de detalhe, o que me deixou em vantagem.
Novo em Folha - Ter família com ligações com a igreja ajuda ou atrapalha?
Leandro - Até hoje não atrapalhou, mas pode atrapalhar.
Novo em Folha - Como?
Leandro - Podem dizer "O cara é da igreja, vai pegar leve", o que não acontece. A verdade é que tenho duas cobranças, em casa e fora dela.
Novo em Folha - Qual a cobrança de dentro de casa?
Leandro - Se escrevo alguma bobagem, minha mãe reclama. Nesta semana mesmo aconteceu isso.
Novo em Folha - Você escreveu alguma coisa errada?
Leandro - Não, mas fiz uma matéria sobre anulação de casamentos [pode ser lida on-line por assinantes da Folha ou do UOL] em que fazia uma comparação "esportiva" [É como se seu time fosse vice-campeão de um torneio e, algum tempo depois, o campeão fosse declarado inexistente porque violou as regras do jogo.]. Ela achou muito inapropriado. A intenção era ser didático, mas do lado de lá a coisa não soou assim.
Novo em Folha - Há mais algum aspecto sobre esse furo ou sobre a cobertura que você ache importante? Que eu não tenha perguntado?
Leandro - O fato de a editoria ter confiado em mim para fazer a cobertura. Tenho 24 anos, vinha de um caderno que tinha acabado. Ter essa confiança te dá muito respaldo.
Novo em Folha - Por que você acha que eles confiaram em você?
Leandro - Não sei (pausa). Acho que pela minha vontade, por ter me colocado à disposição. Nas eleições, me ligavam às 7h e pediam que fosse cobrir o Serra. Nunca disse não. Sempre ia. Porque estava aprendendo. Pensava: "Mesmo que não fique depois no jornal, vou aprender muito nessa cobertura".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h01
Achei relevante subir este comentário às minhas dicas sobre pauta, pois pode ser uma dúvida que outras pessoas tenham tido:
[Renata] [Recife - PE] Nossa, achei complicadíssimo isso de pensar no título de antemão pensando no que o entrevistado vai falar! Isso significa manipular a entrevista, esperando aquelas respostas do tipo "sim/não"? Xi, isso não me parece um bom conselho para os futuros jornalistas! Afinal, "se tudo sair como você espera" e se o cara falar "o que você planeja que ele diga", não é reportagem, mas sim defesa de uma tese previamente estabelecida. Muito cuidado com isso!
RESPOSTA: Renata, talvez a dica não tenha ficado clara, mas, obviamente, não se trata de forçar a pessoa a dizer o que você quer que ela diga. Trata-se de saber com clareza, de antemão, os pensamentos daquela pessoa sobre o assunto do qual ela vai tratar. De preparar-se para a entrevista. De ter uma meta jornalística. A entrevista, se for boa, seguirá caminhos próprios, e o repórter deve estar atento para o inesperado, o novo. Não é que ele já tenha decidido de fato que título dará a seu texto. Isso vai depender da entrevista. O que ele precisa é ter refletido antes de propor a pauta, só isso. |
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h58
Como fazer pautas
No programa de treinamento, fazemos exercícios diários de apresentar pautas.
As recomendações básicas são estas:
• Defina (e expresse) para qual editoria é a pauta antes sugeri-la. Uma mesma pauta sobre "Surto de piolhos incomoda escolas de São Paulo" terá um enfoque se for para a Folhinha, outro se for para Cotidiano e outro se for para a Revista
• Toda pauta deve antever que título terá quando for publicada. Ou seja, se tudo sair como você espera, que título terá sua reportagem depois de pronta.
• A mesma regra vale para entrevistas: se entrevistado disser o que você espera dele, o que você planeja que ele diga, que título terá seu texto depois de pronto.
• Pautas de entrevistas devem também deixar claro por que vamos ouvir aquela pessoa e não outra, ou seja, o que faz daquele entrevistado a pessoa certa para falar sobre aquele assunto.
• Se você não consegue dar um título para sua pauta, ela ainda não é uma pauta, mas um tema.
• Feche o foco. A boa reportagem é a que trata da maneira mais abrangente um assunto bem delimitado, e não a que trata de forma limitada um assunto abrangente. Esqueça idéias do tipo "vamos fazer um balanço da música popular brasileira". Isso pode ser projeto para um livro de história da MPB, mas não é pauta jornalística. Em vez disso, encontre um aspecto novo, original, que tenha gancho dentro do assunto música popular e aborde-o da maneira mais completa possível. Por exemplo, uma rua que tenha se tornado o novo centro de lançamento de músicos jovens, ou um artista brasileiro desconhecido aqui que tenha se tornado sucesso de vendas nos EUA.
• Responda sempre a esta pergunta: por que o leitor deverá ler sobre isso? Mesmo que pareça óbvio, tente formular o motivo por escrito. Essa explicação deve estar também no lide ou no sublide do texto se a pauta se concretizar.
• Se sua pauta é ancorada num gancho, diga logo qual é ele. Por exemplo: Aumenta número de patroas condenadas por maltratar empregadas (é o título). "Vamos aproveitar o gancho da condenação da modelo Naomi Campbell (é o gancho) para mostrar que..."
• Seja sucinto. Diga só o essencial. Se o editor precisar saber mais, ele pergunta.
• Faça uma pesquisa inicial para transformar pré-pautas em pautas. Uma boa hipótese (por exemplo, correspondência não é mais a maior fonte de renda dos Correios) pode se transformar numa boa pauta, mas apenas depois que vc tiver levantado os números de faturamento dos Correios com cada tipo de atividade ---correspondência, cobranças, loterias, venda de objetos etc. Sem essa pesquisa inicial, vc tem apenas uma pré-pauta.
• Planeje as fotos e artes que a pauta terá. Se sua idéia rende uma imagem muito boa, mencione isso na pauta. Muitas reportagens são publicadas mais por causa da excelente imagem (em forma e conteúdo) que pelo texto em si.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h16
Da hipótese ao furo
A reportagem do Mario Cesar Carvalho sobre assaltos a bancos inaugura a categoria COMO FOI FEITO neste blog.
Vai servir para mostrar aos leitores os caminhos que levam a uma reportagem.
No caso do Mario, minha dúvida era se uma fonte dele tinha ligado para passar a informação ou se ele havia levantado uma hipótese e tentado confirmá-la. Veja a resposta:
Parti da hipótese mais banal do mundo: assaltos em série contra um único alvo (bancos) não costumam ser fortuitos.
Como tenho fontes na PF que estão monitorando os telefones de integrantes do PCC, decidi checar a hipótese com duas dessas fontes. Elas confirmaram na lata: o monitoramento das conversas mostra que o PCC está assaltando bancos para escapar do sufoco financeiro pelo qual a organização passa.
Como ainda tinha dúvidas sobre a questão, fiz a mesma pergunta para dois delegados da Polícia Civil que também investigam o PCC. Eles confirmaram, sempre "off" ["off the records" significa que a fonte não quer ser identificada], que minha hipótese estava corretíssima.
Num outro post mais abaixo, o fotógrafo Henrique Esteves conta como fotografou um flagrante de bala perdida no Rio
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h06
Se você está seguindo o programa de leitura, veja o quanto reteve das informações que leu ontem:
1) Como a política econômica pode afetar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço):
( ) o fundo pode ter rendimento abaixo da inflação no ano que vem, se os juros ficarem menores que 11,5%
( ) o fundo pode perder rendimento já este ano, com mudanças no cálculo da TR
( ) o fundo deve render menos que a inflação no ano que vem, se o governo continuar com a política de juros altos
2) A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) investiga a venda do grupo Ipiranga porque:
( ) a venda provoca concentração no setor de distribuição de petróleo, o que pode ser considerado oligopólio
( ) ações da Ipiranga sofreram alta na sexta-feira, antes que a venda tivesse sido anunciada
( ) ações da Ipiranga sofreram queda na sexta-feira, antes que a venda tivesse sido anunciada
3) Que bacia hidrográfica está entre as mais ameaçadas do mundo por causa de hidrovias e hidrelétricas?
( ) a do rio Tocantins
( ) a do rio Orinoco
( ) a do rio Prata
Não fazia parte do programa de leitura, mas, se puder, não deixe de ler a reportagem do Mario Cesar Carvalho sobre assaltos a bancos, como um exercício de reflexão sobre como o contexto afeta a informação.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h03
Lili Martins/Folha Imagem

Se você está seguindo o programa de leitura de jornais, a tarefa de hoje é:
Dia 3 Leia a Primeira Página, com atenção --leia todas as chamadas, gravando as informações. Quando terminar, tente se lembrar de que notícias foram destacadas pelo jornal naquele dia. Escolha três reportagens que mais tenham chamado sua atenção e leia os textos internos, prestando atenção nas informações. Quando terminar, feche o jornal e rememore o que leu.
Se ainda não começou, comece já! Leia o programa todo, mas comece hoje já pelo passo acima.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h03
Diego Padgurschi/Folha Imagem - 20.mar.2007
 Vidro perfurado por tiro em agência do HSBC na zona sul de SP
Assaltos a banco estão nas primeiras páginas dos principais jornais hoje.
Mas não começaram a acontecer agora. O que faz com que, "de uma hora para outra", eles deixem de ser notinha nas páginas de polícia e virem notícia de destaque?
Contexto.
No caso, uma reportagem do repórter Mario Cesar Carvalho, publicada ontem (20/3) na página C5 da Folha (pode ser lida on-line por assinantes do jornal ou do UOL).
Mario mostra que os assaltos fazem parte de uma nova estratégia do PCC para se financiar.
Quando deixa de ser um caso isolado para fazer parte de um fenômeno maior, a notícia ganha outra importância.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h58
A frase, dita pelo repórter Raul Lores na conversa com a 43ª turma, é um clássico das Redações.
Pauta é um projeto de reportagem, uma proposta de cobertura. Foi um tema discutido hoje no nosso grupo: todos os dias, vamos fazer exercícios de pauta.
Há cinco tipos básicos de pauta:
1) o que cobre um fato: um avião que acaba de cair, a renúncia de um ministro, uma bala perdida que atinge uma criança.
2) a que desdobra um fato: por exemplo, o governo anuncia um projeto de TV estatal, e o repórter propõe como pauta mostrar quanto já se gasta com as TVs estatais que já existem
3) a que usa um fato como gancho: motivado pelos projetos que propõe aumentar penas de prisão ou impedir que presos sejam beneficiados por redução de pena, um repórter propõe mostrar o que acontecerá com os sistema prenitenciário se mais gente ficar mais tempo presa (o sistema "explode", já que não haverá vagas para todos)
4) a que parte de investigação independente: o repórter vai às principais ruas comerciais da cidade e verifica que metade delas não têm lixeiras, ou percorre as principais avenidas e constata que 90% das bocas de lobo estão entupidas
5) a que surge do contato próximo com uma fonte: estudos exclusivos, planos de governo que são passados só a um repórter porque a fonte confia nele
Há um sexto tipo de pauta que, se possível, deve ser evitado: o que apenas reproduz releases e material das assessorias de imprensa. Em geral, é uma pauta que encontra espaço nos jornais quando faltam as dos cinco tipos descritos acima.
Nos próximos dias, vamos discutir com a 43ª turma --e com os leitores do blog-- como encontrar pautas e como formulá-las.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h27
Um exercício que fizemos hoje foi escrever um texto a partir destas informações abaixo. Experimentem. Os comentários vêm amanhã.
A Polícia Civil e a Subprefeitura da Sé interditaram ontem um casarão de dois andares na av. Liberdade, no centro de São Paulo.
O prédio tinha quartos com até 12 pessoas, num total superior a 150 moradores, segundo Jussara Gierlaine Vieira, 25, mulher do "zelador" e que usava a frente do casarão como uma pequena loja de doces.
Parte do antigo casarão desabou no início da madrugada de ontem.
Mais de 40 famílias haviam invadido o imóvel.
Uma menina, L., de cerca de um mês que estava com os pais num dos quartos do segundo andar ficou ferida.
Os bombeiros foram ao local e vasculharam os escombros, inclusive com cães, para tentar identificar supostas vítimas.
O prédio havia sido invadido há mais de três anos por sem-teto, e a reintegração de posse ocorreria em janeiro. A estrutura estava deteriorada e remendada por pedaços de madeira.
Além de L., três pessoas ficaram feridas.
Segundo a Subprefeitura da Sé, assistentes sociais foram ontem de manhã oferecer auxílio para as famílias. A maioria delas teria para onde ir, mas abrigos da prefeitura foram colocados à disposição.
A queda da parte frontal do casarão foi precedida por estalos nas paredes e um estrondo. Com a rede elétrica rompida, os moradores ficaram no escuro.
Mãe de 4 filhos, Juberlita da Silva Bonfim, 32, havia retirado, no dia anterior, do hospital Beneficência Portuguesa, um de seus bebês gêmeos, com 30 dias de vida, que nasceram prematuros. O irmão já havia dormido por lá outras noites.
"Acordei com todo mundo gritando 'está caindo', mas estava tudo escuro. O pessoal saiu correndo, mas eu não achava meus filhos", relatou.
A médica Daniela Paoli, do Resgate, diz que, além do bebê de um mês, um rapaz de 23 anos, Robson Martins, foi encaminhado ao hospital com escoriações, sem gravidade.
Na queda, L. foi atingida na cabeça por uma porta de armário.
L. foi levada ao hospital depois do desabamento. A a avaliação era de que não havia nada grave.
As despesas mensais de quem morava no casarão, localizado na altura do número 338 da avenida Liberdade, diante de um CCCA (Centro Comunitário da Criança e do Adolescente, que tem a prefeitura paulistana como parceira em atividades de assistência social), se limitavam à água. Maria Catiele, 18, e Eduardo Lins de Araújo, 23, dormiam ao lado do filho de um ano e quatro meses e não ouviram nada. Foram acordados pelos bombeiros. "Eu estava só de cueca. O bombeiro falou: 'Não vai sair assim, pega um lençol pra se cobrir, né'", contou Araújo.
Diferentemente dos que participaram da invasão do casarão há mais de três anos, os dois tiveram que pagar R$ 850 aos antigos donos de seu quarto para morar no local, onde estavam havia três meses. "Aqui é assim, seu eu for sair também vou vender", explicou Catiele.
O casal não sabia ontem que destino teria. O salário de R$ 540 que Araújo ganha por mês é a única renda da família e, diz ele, insuficiente para pagar até uma pensão. Na noite de ontem, decidiram ficar na calçada. O filho foi deixado dormindo na casa de um vizinho.
Além de L. e Robson, outras duas jovens que estavam diante do casarão machucaram os pés, porém não quiseram ser atendidas pelos bombeiros. "Foi muita sorte não ter ocorrido nada pior", afirmou Paoli.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h19
Johanna Nublat

Raul Juste Lores, 32, repórter de Mundo na Folha de S.Paulo conversou com a turma sobre jornalismo internacional e como sair do óbvio e achar pautas interessantes.
Raul foi editor de Internacional e correspondente em Buenos Aires da revista "Veja" (1997-2003), e assessor de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo. Colabora com publicações internacionais como Foreign Policy (EUA), El País (Espanha) e Gatopardo (México).
Os meninos contam como foi a conversa:
Mariana - Raul Lores, prestes a sair de férias, sentou com a gente para falar do trabalho dele no caderno mundo, em especial de sua experiência como correspondente em Buenos Aires e de suas viagens. Falou muito sobre como conseguir fontes quando se é correspondente no exterior e sobre como fazer viagens curtas renderem matérias para diferentes cadernos.
A dica fundamental foi a de não ficar em casa ou no hotel, sair o máximo possível, freqüentar todo tipo de evento, andar pelas ruas, dormir pouco, aproveitar todo tempo... Um bom começo é buscar diplomatas brasileiros, professores universitários, especialistas e, com o tempo, um contato puxa o outro, um entrevistado indica o outro e assim vai se formando uma rede que ele descreve como um "polvo". Recomenda ainda juntar todo material e a experiência adquirida para escrever as matérias na volta - evitar desperdiçar tempo da viagem! E, se não der para publicar no jornal, lembrar que existe o Folha Online.
Verena - "Coloque molho na matéria", ensina. Ouvir várias versões para o fato noticiado, diversificar os enfoques do texto e usar infográficos, ilustrações e cronologias tornam a matéria mais didática. Estabelecer conexões dos fatos internacionais com a realidade brasileira, quando for possível, é outra maneira de deixar o texto mais atraente para o leitor brasileiro.
Rafael - Acho que o principal na conversa foi ter uma idéia de como se virar, sem fontes, em outro país. Uma das soluções é andar pela cidade. “Dormir pouco, acordar cedo e ir pra cama tarde”, como ele disse.
Claro que (em teoria) repórter não troca pauta por uma agradável tarde na piscina do hotel, mas poucos se dão ao trabalho de conhecer o local onde estão.
Conhecer os lugares onde as pessoas vivem, quais seus hábitos e atividades cotidianas -além de conversar com elas- é um jeito eficiente de achar fontes e pautas. O Raul deu o exemplo de Bogotá: apesar de ter passado apenas três dias lá, ele conhecia a cidade e pode fazer uma pauta, por exemplo, sobre o sistema de transporte público da cidade –o que não tem muito a ver com geopolítica, tema recorrente de Mundo.
 Veridiana e Johanna - Pensar no maior número de pautas possíveis quando você é enviado para algum país, pode ser uma boa maneira de conseguir negociar novas viagens com a direção de seu veículo, num contexto em que as redações lutam para enxugar gastos. Afinal, “editoria de Mundo abre um leque gigante para você escrever sobre 20 assuntos em um mês”.
Segundo o repórter, para o jornalista fazer apenas matérias que tem vontade, ele tem que ter pautas novas todos os dias. Caso contrário, “ele é mandado cobrir os assuntos que ninguém quer”.
Gustavo - A frase de Nelson Rodrigues: "só os profetas enxergam o óbvio" é profética e atual no jornalismo brasileiro. O jornalista, por lidar com matérias recorrentes no dia-a-dia, deve buscar diferentes ângulos para uma matéria, pois pode-se descobrir muitas pautas na simples observação do "óbvio".
 William e Silas- O repórter Raul Lores não tem uma fórmula para fazer jornalismo internacional, mas diz que os caminhos para conseguir boas entrevistas e não ser pautado pelos outros é, acima de tudo, fazer pautas diversas das dos correspondentes, pesquisar muito na internet antes de sugerir qualquer coisa e, claro, não se prender às agências de notícias.
Para fazer a agenda, segundo Flores, não há como escapar de "distribuir e colher cartões nos coquetéis de colunas sociais", além de abusar dos contatos diplomáticos (embaixadores e diplomatas brasileiros e de outros países), dos jornalistas mais velhos - e portanto mais solícitos e menos competitivos -, dos jornalistas locais, ansiosos por ciceronear suas investigações sobre o país.
As eleições na Suécia podem não interessar ao Brasil, mas podem ser uma desculpa para falar do sistema de bem estar social que deu certo - pois isso, sim, interessa ao leitor brasileiro.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h51
O editor público (uma espécie de ombudsman) do "New York Times" faz uma coluna interessante a partir da pergunta de um leitor: como os repórteres que não falam árabe podem confiar num tradutor iraquiano para cobrir a crise naquele país.
Há poucos dias neste blog uma leitora, estudante, contou que estava aprendendo árabe e esperava que isso lhe abrisse mais portas no futuro. Como se vê, um dos jornais mais importantes do mundo pensa do mesmo jeito.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h54
A Casa do Saber fará duas aulas sobre o pensamento do papa Bento 16. O professor é o filósofo Luiz Felipe Pondé, da PUC-SP e Faap.
É bom para quem for cobrir a viagem do papa ao Brasil.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h40
Arquivo pessoal
 "Aos cinco anos, quando ganhei meu primeiro salário"
SÉRGIO DÁVILA foi o único jornalista brasileiro a cobrir o ataque dos EUA ao Iraque, em março de 2003. Neste post, pedi a ele que contasse como começou a trabalhar --mais um exemplo dentro daquela discussão sobre como driblar o QI. Foi em m |
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