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O leitor "Sem Nome" fez um comentário bem pertinente sobre as dicas do Roy Peter Clark que eu postei nesta semana. :
Muito úteis, mesmo (...). Mas são tantas dicas... tantas que quase viram poucas, não é mesmo? Não dá para listar 10 virtuosamente escolhidas e pronto? Ok, estou mal humorado... mas... 50?! É demais para *saber, suficiente para *ter... mas... não sei qual a sua intenção. (...)
Minha intenção era só colocar no blog as dicas traduzidas, mas acho que ele tem razão. Extraídas do livro, resumidas e "listadas", acabam saindo do contexto e até sendo contraditórias. Contexto, em jornalismo, é tudo. Edição também.
Por isso, resolvi aceitar a provocação e fazer a minha lista das "top 10": as dicas que eu achei menos óbvias, as mais legais, aquelas que a gente não ouve com tanta frequência.
Cada um terá sua própria lista de favoritas, mas a minha é esta:
DEZ DICAS PARA UM BOM TEXTO
1. Escolha verbos fortes Verbos precisos e bem escolhidos criam ação, economizam palavras e apresentam o problema mais rapidamente 2. Seja agressivo com a voz passiva. Use verbos na voz passiva para evidenciar a “vítima” da ação
3. Deixe a pontuação controlar ritmo e espaço Aprenda bem as regras de pontuação e perceba que existem muito mais opções do que você imaginava
4. Crie um padrão e saia dele Construa o texto de forma coerente, mas quebre o ritmo de tempos em tempos
5. Prefira o simples ao prático Use palavras, frases e parágrafos menores para falar de assuntos complexos
6. Brinque com palavras, mesmo em histórias sérias Escolha palavras que a maioria dos escritores evita, mas a maioria dos leitores entende
7. Dê nome aos bois; revele marcas dos personagens Garimpe detalhes concretos e específicos, que enriquecem as frases; mostre o caráter dos personagens usando cenas, detalhes, frases
8. Saiba quando ser discreto e quando aparecer Se o assunto é muito sério, seja discreto; se é mais ligeiro, aproveite
9. Em textos curtos, não desperdice uma sílaba Escolha palavras menores e melhores
10. (coloquei esta em último porque é a mais delicada das dez. Tem que ser muito bem entendida: só funciona se for realmente bem usada, ou seja, é só para quem tem bastante talento ou experiência). Não tema frases longas Desde que bem construídas, frases longas transmitem uma idéia mais rica e articulada
MAIS CINCO DICAS DE PROCEDIMENTO
1. Leia prestando atenção na forma e no conteúdo Estude a estrutura que está por trás das histórias
2. Interesse-se por todas as técnicas que melhoram seu trabalho Faça o melhor que pode; ajude os outros a dar o melhor
3. Recrute seu próprio grupo de ajuda Peça conselhos, encontre pessoas que possam apoiá-lo e ajudá-lo
4. Refreie o perfeccionismo nos primeiros rascunhos Aumente-o a cada revisão
5. Aprenda com as críticas Ouça-as, mesmo que pareçam injustas
E UMA BOA IMAGEM
Seja o dono das suas ferramentas de trabalho E construa uma boa bancada para guardá-las

PS - a foto da maleta lá em cima, obviamente, refere-se a essa última dica, e não ao meu leitor, que, por sinal, eu nem achei mal-humorado. Além do mais, é uma mala com alça.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h01
Quinta-feira, 8/3, 16h
-- Polícia Rodoviária Federal
-- Quem fala?
-- ...[C?] [S?] iamon [c?] [s?] ini
-- Ih, acho que vou ter que começar pedindo para você soletrar o nome.
-- Mas você vai falar bem ou mal de mim?
-- Nem bem nem mal. Vou perguntar sobre um acidente que aconteceu hoje de manhã aí em Florianópolis.
-- Ah, então tá bom (risos). [Ésse]-i-a-eme-o-ene-cê-i-ene-i.
-- Com [ésse] né?
-- É.
-- Obrigada. Alguém ficou ferido no acidente?
(...)
 Quinta-feira, 8/3, 16h34
----- Original Message ----- Leitor: M A Z E-mail: xxx @detran.sc.gov.br URL: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u132692.shtml Comentários: ________________________________________ O nome do policial rodoviário federal da matéria sobre engavetamento em Florianópolis é FIAMONCINI. ________________________________________
 Sexta-feira, 9/3, 17h
-- Polícia Rodoviária Federal.
-- Oi, eu fiz uma entrevista ontem com um policial e acho que errei o nome dele. É Fiamoncini? Com F de faca?
-- É isso. F de faca.
 Sexta-feira, 9/3, 17h15
ERRAMOS O nome do policial rodoviário ouvido na reportagem “Engavetamento pára ligação entre ilha e continente em Florianópolis” é Adriano Fiamoncini, e não Siamoncini. O texto já foi corrigido.
 Sexta-feira, 9/3, 17h30
Caro leitor do meu blog, mesmo quando a gente pensa que fez tudo certinho, pode estar errado.
Lição do dia: só pedir para soletrar não adianta quando as letras têm som parecido.
Nessa, pelo menos, não caio mais.
Nadezhda Breshkovskaya/Reuters
 Foca presa em rede na Rússia
 Sexta-feira, 9/3, 17h50
Uma amiga, querendo me consolar: “Na internet erros acontecem com mais freqüência. São mais textos, menos tempo pra apurar...”.
Resposta: pode até ser, mas, neste caso, não foi falta de tempo nem excesso de trabalho. Foi surdez, mesmo.
=)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h24
dicas para apurar
Entrou na web em janeiro deste ano o Apuro, um fórum sobre investigação jornalística que é o trabalho de conclusão de curso de um aluno da Universidade Federal de Santa Catarina.
A idéia é que estudantes e jornalistas troquem dicas sobre como levantar informações.
É uma boa idéia. Mas precisa pegar. Nesses quase dois meses, foram incluídas três dicas. Todas úteis, mas ainda é pouco.
Vale a pena visitar, perguntar e, para quem souber, colaborar.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h33
“Ana,
Sempre cobro dos meus alunos a leitura atenta de jornais locais e de circulação nacional.
Porém, a tarefa é complexa. Muitos, ainda, enxergam o jornalismo de maneira superficial e não assimilaram a importância de estar informado.
Percebo que temas da atualidade, na maioria das vezes, passam batido. A informação é limitada a sites com dados superficiais. Não entendem os processos e mecanismos. Percebem só os fatos, de maneira, isolada.
Eventualmente, eu preparo uma bateria de testes com temas locais para mostrar a importância da leitura, não só de periódicos, mas de todo o tipo de publicação.
Finalmente, até onde eu sei o ingresso na FSP é feito mediante vários testes e um seria, justamente, uma prova de atualidades. Gostaria de saber se você poderia passar uma prova, mesmo que antiga, para que eu pudesse fazer com eles e, quem sabe, despertá-los para esta exigência da profissão.”
A mensagem me foi mandada por um professor universitário de Rondônia.
A Folha realmente faz testes quando seleciona jornalistas e integrantes do treinamento. Eles estão disponíveis para quem quiser conferir, no site do programa.
Nem preciso dizer que concordo totalmente com a preocupação do meu colega acima.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h22
VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO participou da 35ª turma de treinamento e acaba de terminar seu período de nove meses como correspondente em Nova York.
Arquivo pessoal
 O correspondente trabalha em seu apartamento na 1st Ave., com vista para o East River e Queens
Ser correspondente internacional é um desejo de muitos jornalistas. O que você sugere para quem está no começo de carreira e tem esse sonho?
É preciso muito desprendimento, autonomia. Nem todo bom repórter pode ser bom correspondente. Bom repórter no Brasil é ter boas fontes. No exterior, as fontes não existem.
Então é preciso muita criatividade para extrair pautas do cotidiano do país estrangeiro. O correspondente tem de ter material próprio muito bom, um projeto de cobertura, para não ficar no declaratório que já está nas agências de notícias. É preciso compensar o investimento do jornal em manter um repórter no exterior com exclusividade. E isso só é possível com muita criatividade.
Contato com pessoas locais é fundamental. Várias reportagens que escrevi surgiram de conversas informais, às vezes num vagão de metrô com um passageiro desconhecido...
Qual foi sua principal dificuldade (em termos gerais) quando começou a trabalhar como correspondente? O que você fez para resolvê-la?
O principal problema de um correspondente é o acesso à informação. Fontes não querem dar entrevistas nem liberar informações para um jornal sobre o qual nunca ouviram falar na vida (desconhecem a credibilidade e a influência), de uma cidade que desconhecem. Mais. Sabem que não terão acesso à notícia no dia seguinte (além da barreira da língua, não sabem como encontrar a reportagem) e também sabem que seu nome naquele jornal desconhecido (a Folha, no caso) não trará nenhuma influência na vida ou no trabalho.
Para resolver a falta de acesso à informação, fiz amizades. Com colegas de Redações americanas, com gente do mercado financeiro, com brasileiros que trabalham em Wall Street. Esses sim, conhecem a mídia brasileira e sabem da credibilidade da Folha.
Há outros mecanismo oficiais, como o Foreign Press Center, órgão do Departamento de Estado que pode intermediar contato para jornalistas estrangeiros. As entrevistas com Daniel Libeskind, arquiteto da Freedom Tower (o novo World Trade Center), e com o prefeito Michael Bloomberg foram agendadas com a ajuda do FPC.
continua
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h14
continuação
De todas as crises que você enfrentou, qual foi a que mais te ensinou?
Um caso no lado profissional com o qual aprendi bastante. Na primeira semana em Nova York, recebi um e-mail com a agenda do ex-prefeito (e agora presidenciável) Rudolph Giuliani. Liguei para sua assessoria com um pedido de entrevista. Disseram: "ele não tem tempo". Insisti para daqui a uma semana, um mês. "Ele não tem tempo".
Depois de mais uma insistência, cortaram: "Você não entendeu: não estamos interessados". Daí respondi: mas se eu fosse o NYTimes ele falaria. A réplica: "Mas você não é o NYTimes". Então tá!
Quando e como você começou a trabalhar como jornalista?
Profissionalmente em maio de 2003. Antes, havia passado pelo treinamento da Folha (de janeiro a abril desse ano). Fui também estagiário da TV Globo, o que não considero experiência em jornalismo diário.
Qual era sua formação quando você começou?
Direito e jornalismo.
Você fez alguma preparação especial para trabalhar como correspondente internacional? Qual?
Nenhuma, além do investimento em treinamento ao longo da carreira (especialização e cursos na área de jornalismo econômico e línguas estrangeiras).
Leia também entrevista com o correspondente da Folha em Londres
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h14
Shizuo Kambayashi/Associated Press

Foca “sorri” no aquário de Tóquio
Terça trabalhei pela primeira vez num jornal online. "F oca”, mesmo –apurei, fiz notinha, resumi texto. Precisava fazer exercícios da próxima turma de treinamento, e não dá para ensinar sem ter se arriscado a fazer antes.
Uso "arriscar" de propósito.
É fácil explicar o que fazer e mais fácil ainda achar erros no que está pronto. Mas quando você pega telefone, caneta e bloquinho, a coisa muda. Informação errada? Culpa sua. O outro lado não atende? Vire-se. E rápido; o leitor quer informação logo.
Sou jornalista há 20 anos, mas fiquei nervosa na véspera. Minha chefe na FOL, Ligia Braslauskas, riu, mas juro que deu medo.
De cara, vi que tinha que tomar decisões mais rápido. Sabe a história de hierarquia? "Edição tem que vir da pauta; repórter tem que saber na pauta que título terá sua reportagem"? A gente faz isso no jornal impresso, mas no online o tom sobe. Quem aposta na informação errada perde tempo à toa.
Exemplo: a PF suspendeu pedidos de passaporte, porque a Casa da Moeda não entrega cadernetas. No impresso, tanto faz quem você ouve primeiro, desde que, no dia seguinte, você dê o serviço: o que fazer, quando volta ao normal, qual a causa. No online, tem que ouvir logo a polícia e orientar o leitor, para ele não perder a viagem. Depois é que faz sentido ir atrás de informação complementar.
Outra coisa que aprendi é que funciona melhor se você for organizado.
Além da PF, me passaram a cratera de Monte Alto e a Operação Pirâmide. As três encaminhadas, pensei em relaxar e já ganhei um caso de defesa do consumidor e uma reportagem sobre educação, para resumir. E tinha que achar desabrigados em Monte Alto e ouvir um dos acusados pelo Deic para melhorar os textos já publicados.
Já tinha apurado várias histórias ao mesmo tempo, claro. Mas aqui a lógica é outra – você tem que entrevistar, checar, escrever, publicar e atualizar ao mesmo tempo. Cinco textos das 8h30 às 11h30.
--Se vir algo interessante nos concorrentes, avise— pede a editora Lívia Marra, lá pelas 9h.
Olhar os concorrentes? Esquece. Abri os sites umas duas ou três vezes. Abri e fechei. Não tinha concentração para ler nada. Era tarefa demais para uma iniciante.
Saí convencida de que, por mais conhecimento e tarimba que tenha, todo jornalista melhora com técnica e prática.
Stewart Cook/EFE

O que sobrou de uma foca no Canadá
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h44
para acompanhar pela web
o que: Simpósio Internacional sobre Jornalismo Online
por quem: promovido pela Universidade do Texas em Austin
quando: 30 e 31 de março
como: as discussões e palestras de editores de alguns dos principais jornais online dos EUA, professores e especialistas poderão ser acompanhadas por webcasting. No site também dá para ver um vídeo do encontro do ano passado e relatos dos simpósios anteriores.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h41
Achei que valia a pena subir este comentário sobre as dicas do post abaixo, porque ele se aplica ao aprendizado em geral.
[Marcelo Paes] [http://emparis.wordpress.com] [Paris, França] As dicas sao boas e validas, no entanto algumas sao repetitivas ou ate contraditorias, o que mostra a complexidade da escrita por si so..
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RESPOSTA: Você tem toda razão, algumas parecem contraditórias, porque se aplicam a casos e situações diferentes. É por isso que seria bom haver exemplos. Outro ponto importante é que teoria e prática são duas pernas fundamentais do aprendizado. Uma coisa é ler as dicas, pensar sobre elas, achar alguma original ("puxa, é verdade, não tinha pensado nisso"). Outra é tentar usá-las no texto, ver o que funciona em cada caso, quebrar a cabeça pra conciliar ritmo e informação. Sem uma das pernas, a gente vai tropicar bastante... |
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h29
50 dicas para escrever
Roy Peter Clark é um dos principais “ensinadores” de jornalismo dos EUA e trabalha hoje no Instituto Poynter.
Abaixo está uma lista de 50 dicas extraídas do seu livro “Writing Tools”, traduzidas de forma livre. A lista original e a página de Clark estão no site do Poynter.
Para que elas fossem ainda mais úteis, seria bom dar exemplos e contra-exemplos. Fica para o futuro.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h26
50 dicas para escrever
continuação
TRUQUES E PRÁTICAS (nuts and bolts, literalmente “porcas e parafusos”)
1. Comece as sentenças com sujeito e verbo
Conte o mais importante primeiro, depois ponha as informações menos relevantes
2. Hierarquize as palavras
Coloque as palavras fortes nocomeço e no fim das sentenças
3. Escolha verbos fortes
Verbos precisos e bem escolhidos criam ação, economizam palavras e apresentam o problema mais rapidamente
4. Seja agressivo com a voz passiva. Use verbos na voz passiva para evidenciar a “vítima” da ação
5. Dose os advérbios
Use-os para mudar o sentido dos verbos
6. Evite gerúndio
Prefira o presente ou passado simples
7. Não tema frases longas
Desde que bem construídas, elas constroem uma idéia mais rica e articulada
8. Crie um padrão e saia dele
Construa o texto de forma coerente, mas quebre o ritmo de tempos em tempos
9. Deixe a pontuação controlar ritmo e espaço
Aprenda bem as regras e perceba que existem muito mais opções do que você imaginava
10. Corte muito, depois pouco
Se precisar cortar, “retire galhos inteiros de uma vez, depois ajuste tirando só as folhas secas”
continua abaixo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h25
50 dicas para escrever
continuação
EFEITOS ESPECIAIS
11. Prefira o simples ao prático
Use palavras, frases e parágrafos menores para falar de assuntos complexos
12. Dê a devida importância às palavras-chave
Não repita palavras-chave a não ser que queira ser redundante por algum motivo especial
13. Brinque com palavras, mesmo em histórias sérias
Escolha palavras que a maioria dos escritores evita, mas a maioria dos leitores entende
14. Dê nome aos bois
Garimpe detalhes concretos e específicos, que enriquecem as frases
15. Preste atenção aos nomes
Nomes interessantes atraem o leitor
16. Procure imagens originais
Rejeite clichês e criatividade rasteira
17. Aproveite a criatividade dos outros
Faça listas de palavras, associe idéias, deixe a língua surpreender
18. Estabeleça o ritmo com o tamanho das frases
Alterne o comprimento das frases para não entediar o leitor
19. Alterne o tamanho dos parágrafos. Um parágrafo mais curto ou mais longo no lugar certo realça a informação
20. Tenha um motivo para escolher o número de elementos da frase
Só sujeito e predicado; sujeito, predicado e complemento; frases coordenadas ou subordinadas, cada escolha passa uma mensagem diferente ao leitor
21. Saiba quando ser discreto e quando aparecer
Se o assunto é muito sério, seja discreto; se é mais ligeiro, aproveite
22. Varie o grau de abstração
Saiba quando “mostrar” (dar exemplos, descrever), quando contar (relatar) e quando fazer os dois
23. Module sua voz
Leia os rascunhos em voz alta
continua abaixo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h22
50 dicas para escrever
continuação
O MAPA DA MINA
24. Tenha um plano de longo prazo. Indexe (arquive de forma organizada, com um índice) seus trabalhos mais importantes. 25. Aprenda a diferença entre reportagens e histórias
Use as primeiras para transmitir informações e as outras para transmitir experiências
26. Use diálogos como forma de ação
Diálogos fazem a narrative avançar; citações fazem-na andar mais devagar
27. Revele marcas dos personagens
Mostre o caráter dos personagens usando cenas, detalhes, frases
28. Aproxime o que é surpreendente e interessante
Ajude o leitor a entender pelo contraste
29. Anuncie trechos dramáticos ou conclusões fortes
Coloque pistas ao longo dos textos
30. Crie suspense. Para segurar leitores, crie tramas e faça-os esperar pelas respostas
31. Construa seu trabalho em torno de perguntas-chave
Boas histórias precisam de um dínamo, de uma questão que será respondida pelas ações do texto
32. Espalhe moedas pelo caminho
Recompense o leitor com informações curiosas, especialmente no meio do texto
33. Repita, repita, repita
Repetição intencional liga as partes da história
34. Use ângulos diferentes, como se fossem tomadas de um filme
Transforme seu computador numa filmadora
continua abaixo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h21
50 dicas para escrever
continuação
35. Crie cenários quando apurar e quando escrever
E então os alinhe numa seqüência articulada
36. Misture técnicas narrativas
37. Em textos cursos, não desperdice uma sílaba
Escolha palavras menores e melhores
38. Prefira arquétipos a estereótipos
Use símbolos sutis
39. Escreva em direção ao final
Ajude os leitores a fecharem o círculo da narrativa
HÁBITOS ÚTEIS
40. Rascunhe um projeto para seu trabalho
Para melhorar seu aprendizado, escreva sobre seus textos
41. Transforme delongas em ensaios
Planeje e escreva primeiro mentalmente
42. Faça a lição de casa com antecedência
Prepare-se para o inesperado
43. Leia prestando atenção na forma e no conteúdo
Estude a estrutura que está por trás das histórias
44. Recolha os clipes do chão. Em reportagens especiais, guarde todas as informações, mesmo as menores que outros jogariam fora
45. Divida projetos longos em partes
Depois agrupe-as em algo completo
46. Interesse-se por todas as técnicas que melhoram seu trabalho
Faça o melhor que pode; ajude os outros a dar o melhor
47. Recrute seu próprio grupo de ajuda
Peça conselhos, encontre pessoas que possam apoiá-lo e ajudá-lo
48. Refreie o perfeccionismo nos primeiros rascunhos
Aumente-o a cada revisão
49. Aprenda com as críticas
Ouça-as, mesmo que pareçam injustas
50. Seja o dono das suas ferramentas de trabalho E construa uma boa bancada para guardá-las
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h20
O Ministério Público do Paraná faz pequenas explicações didáticas sobre termos e procedimentos jurídicos, chamadas “pílulas de direito”. Jornalistas podem receber por e-mail.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h43
desenvolvimento humano
o que: primeiro curso on-line sobre cobertura de desenvolvimento humano
por quem: promovido pelo Instituto Ayrton Senna e pela Abraji, com apoio do Pnud.
quando: de 26 de março a 22 de abril de 2007
como: o curso abordará os conceitos fundamentais de desenvolvimento humano e os indicadores usados para medi-lo. Será um curso essencialmente prático. Propõe um roteiro de investigação a partir de ferramentas como o Atlas do Desenvolvimento Humanos. Toma como referência os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e outras metas para medir a evolução de países, Estados e municípios em áreas como educação, renda e longevidade.
para quem: a inscrição é aberta a jornalistas profissionais. Há 25 vagas.
quanto custa: R$ 25,00 para sócios da Abraji e R$ 40,00 para não-sócios.
Inscrições
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h59
Marco Aurélio Canônico, correspondente da Folha em Londres, conta como se preparou para assumir o posto.
Fotos Cristina Fibe/Arquivo pessoal

O correspondente no escritório da Folha em Londres
Você fez alguma preparação especial para trabalhar como correspondente internacional? Qual?
Nada deliberado, ou seja, não pensei "vou ser correspondente internacional, vamos começar um cursinho". Minha "preparação" foi simplesmente minha formação geral, que calhou de me dar um perfil próximo ao que se imagina para um correspondente: sempre fui interessado em línguas, então já falava inglês, espanhol e francês quando surgiu a oportunidade de ser correspondente; tinha uma formação acadêmica diversificada, o que atraía meu interesse para uma gama diversa de assuntos (cultura, esporte, política, economia, notícias internacionais etc.); e, não por último, tive muitas oportunidades de viajar e conhecer países no exterior, além de ter morado em meia dúzia de cidades e Estados brasileiros.
Essas experiências de vários lugares diferentes e a facilidade de se mudar e se adaptar são coisas que facilitam muito para quem quer ir trabalhar em um país estrangeiro.
 Parada para checar o mapa em Bucareste (Romênia), em dezembro passado, durante viagem para fazer um especial sobre a entrada da Romênia e da Bulgária na União Européia (em janeiro passado)
Qual foi sua principal dificuldade (em termos gerais) quando começou a trabalhar como correspondente? O que você fez para resolvê-la?
Minha principal dificuldade - e presumo que seja algo comum aos correspondentes da imprensa brasileira no exterior - foi arranjar fontes para as pautas; a prioridade, como é natural, é sempre para a imprensa do país; aqui em Londres, eles dão preferência aos incontáveis jornais, revistas, sites etc. britânicos; depois, aos principais veículos europeus e norte-americanos; por fim, sobra a imprensa "internacional", que é o jargão sob o qual eles agrupam latinos, asiáticos, países europeus menores etc.
E esse esquema não é apenas para as grandes pautas - por exemplo, uma entrevista com o Tony Blair ou mesmo com o líder da oposição, David Cameron -, mas para praticamente toda matéria que se tenta fazer. Quando você liga para assessorias de eventos, políticos, órgãos oficiais ou o que quer que seja, a primeira coisa que eles perguntam é para quem você trabalha. "Folha" eles não conseguem sequer escrever sem que eu soletre.
Ou seja, quando seu veículo não está entre as prioridades, é difícil conseguir que as fontes falem, mais ainda que falem rapidamente, dentro do tempo que você precisa - por exemplo, se cai a bolsa da China e você precisa repercutir isso com analistas econômicos, não adianta eles retornarem sua ligação dois dias depois porque estavam ocupados falando com o “Financial Times”, com a BBC etc. Mas é assim, inúmeras vezes.
De qualquer modo, essa é uma realidade antiga, provavelmente imutável e já conhecida bem antes de o correspondente chegar; ou seja, não adianta muito ficar se lamentando "ninguém fala comigo", o negócio é correr atrás de quem fala (acadêmicos, por exemplo) e ir tentando criar suas próprias fontes com o tempo, convencendo-as aos poucos da importância do seu jornal e de falar para o seu público - ou tentando ganhar na simpatia mesmo.
Outra solução que eu adotei foi pensar em pautas que dependiam menos de contatos e de falar com fontes inalcançáveis e mais de apuração mesmo, coisas que eu pudesse sair e apurar, entrevistando pessoas in loco, por exemplo.

22 de julho de 2006, cobertura da cerimônia para marcar um ano do assassinato do eletricista mineiro Jean Charles de Menezes; na foto, o santuário improvisado que construíram, logo depois do assassinato, do lado de fora da estação.
continua abaixo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h49
continuação
Imagino que você tenha enfrentado vários imprevistos desde que foi para Londres. Em geral, apesar da angústia e do trabalho que eles dão, a gente aprende com os problemas, e aprende mais com os maiores problemas. De todas as crises que você enfrentou, qual foi a que mais te ensinou?
Não tive nenhuma crise traumática a ponto de não conseguir entregar uma matéria no fechamento, por exemplo. O problema mais comum foi sempre com a internet, ou melhor, com a falta dela.
Quando você não está escrevendo da Redação, transmitir a matéria é algo que precisa ser sempre pensado com antecedência. Já passei por situações extremas por ter sido deixado na mão pela internet - já precisei escrever sentado na rua, ir até o aeroporto para mandar uma matéria, ditar pelo telefone... enfim, a sucessão de problemas com isso foi o que mais me ensinou a ter sempre um plano B para que nunca ocorra o pior, que é não entregar o texto.

Em Manchester, cobrindo a convenção do Partido Trabalhista britânico - a última do Blair como premiê -, fiquei sem internet no hotel quando já tinha fechado tudo na cidade; escrevi e mandei matéria sentado em frente a um Starbucks, que já estava fechado, mas ainda tinha um hot spot ativo para eu me conectar (setembro de 2006)
Ser correspondente internacional é um desejo de muitos jornalistas. O que você sugere para quem está no começo de carreira e tem esse sonho?
O básico é aprender bem o maior número de línguas estrangeiras possível. Se para aprender bem você precisa se concentrar em uma só, ok, desde que aprenda bem - um inglês de turista não dá nem para começar uma entrevista formal.
A outra coisa fundamental é ter atenção nas principais pautas de todas as áreas, principalmente nas que dizem respeito ao Brasil, nas questões econômicas e políticas, tanto nacionais quanto estrangeiras. O correspondente precisa ser versátil, ágil, pau-pra-toda-obra, em suma.
Ninguém conhece tudo ou gosta de tudo, mas tem que estar preparado para cobrir tudo - você pode não gostar de economia, mas não pode ser incapaz de fazer uma entrevista com o presidente do Banco Central sobre os assuntos correntes do país; pode detestar futebol, mas tem que saber o que vale o jogo, quem está convocado ou não, quem são os principais jogadores (eu peguei três jogos da seleção brasileira aqui em Londres; se fosse um correspondente que detesta futebol, teria que ter ido cobrir da mesma forma).

Tiro meu chapéu para o pessoal de Esporte, que enfrenta isso direto: escrever matéria sobre o jogo - no caso, Brasil 0 x 2 Portugal - enquanto ele corre e precisar entregar em cima do fechamento, que é quando a partida termina; depois, ainda tem coletiva dos técnicos e jogadores, e mais texto; fevereiro 2007
Quando e como você começou a trabalhar como jornalista?
Comecei em imprensa em junho de 2004, na Ilustrada, na Folha de S.Paulo, logo após completar o treinamento da própria Folha (que, por acaso, eu fiz logo após ter completado o Curso Abril de Jornalismo).
Qual era sua formação quando você começou?
Era formado em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, além de técnico em biotecnologia pela Escola Técnica Federal de Química - RJ e graduando em história pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h49
Fernando Rodrigues dá a dica
Em 1999, pedi a alguns “medalhões” da Folha que contassem o que gostariam de ter sabido quando começaram a trabalhar. A idéia me tinha sido dada por Bruce de Silva, editor de reportagens especiais e responsável pelo treinamento da agência Associated Press, que fez um livrinho com depoimentos semelhantes.
Fernando Rodrigues, que na época tinha só 36 anos, mas já era um “medalhão”, fez o texto abaixo (editado por mim para caber neste blog). Apesar de estar completando oito anos, continua atual:
FERNANDO RODRIGUES
da Sucursal de Brasília
Quase tudo que eu gostaria de saber quando comecei minha vida de repórter está hoje disponível na internet, menos uma coisa: um jornalista experiente que possa me dar conselhos na hora em que eu precise deles.
É muito difícil encontrar alguém que possa sistematizar todas as regras básicas da reportagem. Um bom manual de reportagem seria quilométrico.
Uma das melhores saídas é “encostar” em quem faz bom jornalismo dentro da Redação. Se você encontrar uma alma boa, terá sorte. Essa pessoa será o seu manual ambulante. Eu dei sorte quando entrei na Folha. Tive vários “manuais” ao meu lado.
Clóvis Rossi perdeu quase meia hora comigo há dez anos fornecendo telefones e endereços de pessoas que poderiam falar sobre Ulysses Guimarães. Era o ano de 89. Eu tinha de fazer um grande perfil de Ulysses, o principal candidato a presidente (estávamos em março de 89) naquela época (o resto é conhecido; Ulysses teve menos de 4% dos votos em novembro daquele ano; Collor venceu).
Os telefones e as dicas que Clóvis Rossi me passou foram utilíssimos. Sem esse tipo de ajuda, a vida de repórter seria quase impossível. Eu perderia talvez uma ou duas semanas para obter o que Rossi me repassou em 30 minutos.
Teve um outro caso anterior ao de Ulysses. Era 1987. Eu era repórter-redator de economia na Folha. Fiz um título mais ou menos assim: “Inflação pode passar de 10% no mês”.
O então editor de economia, Alon Feuerwerker, aproximou-se e perguntou: “Professor, o mundo pode acabar amanhã?”. Respondi: “Poder, pode...”. E ele: “Então, nunca mais faça um título com o verbo “poder”. Poder, tudo pode”.
A recomendação é ter cabeça fria e humildade para aprender fazendo. Mas é preciso aprender com rapidez, presteza.
No mais, tem uma definição de Ben Bradlee (editor do “Washington Post” à época do caso Watergate) que é muito próxima do que eu penso sobre a vida de repórter:
“Trabalhar mais que todos os outros colegas. Ir dormir sabendo que nenhum jornalista que esteja cobrindo o mesmo caso trabalhou mais do que você. Não ter medo de dizer: ‘Desculpe, mas não entendi bem’. Aprender a escrever. Ser ambicioso, ter ideais. Não se deixar amedrontar, desconfiar do poder e duvidar da versão de quem governa”.
Fernando Rodrigues, 43, é repórter da Folha desde 87
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h06
João Wainer/Folha Imagem
 Falcão treinado em simulação de caça em Americana
Paulo Araújo participou da 42ª turma de treinamento e fez, no caderno de conclusão do curso, uma reportagem sobre falcoaria:
“A minha maior dor de cabeça foram os amigos que viraram fonte. Isso eu acho que se deve evitar a todo o custo. O amigo começa (não por mal) a querer te manobrar, ditar como deve ser a sua matéria, dizer que você não pode escrever isso e aquilo, enfim, ou o orgulho de jornalista vai pro brejo, ou se cria um tremendo mal-estar. Então, caso apareça alguma pauta que envolva seus amigos, pense muito bem antes de embarcar.
Uma dificuldade que tive com a pauta especial foi saber administrá-la. Como o tempo para fazer é bem alongado, você começa a pensar em vários enfoques, querer falar com mil pessoas. Aí, parece que não vai acabar nunca. Claro que na prática a teoria é outra e tudo depende da situação, mas muitas idéias que a gente tem no desenvolvimento da pauta são furadas e acabam desorientando um pouco. “
Veja as dicas dos outros participantes da 42ª turma
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h32
Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem – 29.11.1998
 Candidata chora por chegar atrasada para a primeira fase da Unicamp
Quando entrei no site da escola e não vi meu nome na lista, fiquei sem fala, me senti péssima, derrotada.
Queria fazer mestrado na USP. Diziam que meu projeto era ótimo --professores, colegas, até o diretor da escola achavam o tema bom, importante, bem fundamentado.
Não tinha (não tenho) currículo acadêmico, não publiquei artigos nem livros, só uma participação aqui e ali, mas meu currículo profissional era (é?) interessante.
Mas não passei no concurso.
Foi como um tapa na cara. Depois fiquei com raiva: pensei até em marmelada --“essa seleção para o mestrado é só para amigos, só para quem já fez matérias como ouvintes, ajudou o professor em alguma coisa, pagou pedágio”.
Não era nada disso.
Havia outros alunos que preenchiam melhor os critérios de seleção da faculdade. Nem sei se são melhores ou piores que eu –com certeza são mais competentes em alguns aspectos, menos em outros. Não importa. Naquela seleção, eles se saíram melhor.
Tinha outro exemplo pessoal para me convencer disso: quando fiz o vestibular para agronomia, passei na USP, mas não na Unesp. Na Unesp meu nome não entrou nem na terceira lista de espera. E eu tinha me esforçado igualmente nas duas provas.
Será que eu não tinha nível, qualidades pra ser aluna da Unesp? Se entrei na USP, tão ou mais concorrida, provavelmente tinha. É preciso encarar a realidade: meu desempenho naquela seleção específica tinha sido pior que o de outros candidatos.
Conto esses casos porque hoje, no mais tardar amanhã, tenho que selecionar os dez candidatos que farão parte da próxima turma de treinamento da Folha. Gente muito boa vai ficar de fora. Quer dizer que eles são piores? Claro que não e, por sorte, tenho como mostrar isso sem depender apenas da minha palavra.
Todos os anos, dezenas de garotos não são selecionados para o treinamento. Vários deles vêm trabalhar no jornal mesmo assim. Três deles contam abaixo, a meu pedido, suas histórias:
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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h37
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