Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

"Eleições na Estrada" - lançamento em Brasília

  Quem estiver em Brasília nesta quinta-feira já tem um bom programa: o lançamento do livro dos repórteres EDUARDO SCOLESE e HUDSON CORRÊA, resultado de uma série de reportagens que fizeram para a Folha nas eleições de 2008.

É leitura obrigatória para quem se interessa por política (ou pra quem, simplesmente, se interessa pelo Brasil real, mais distante das lutas partidárias).

O redator de Brasil MAURICIO PULS fez uma resenha do livro  Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h56

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Como foi a cobertura do terremoto no Haiti

 
 

Como foi a cobertura do terremoto no Haiti

Foto: Caio Guatelli/Folha Imagem

  A Folha foi o primeiro veículo brasileiro a chegar ao Haiti, no dia seguinte ao terremoto do dia 12/1. Esteve lá com quatro repórteres de texto – JANAÍNA LAGE, FABIANO MAISONNAVE, FABIO ZANINI e LUÍS KAWAGUTI (que ainda está lá) – e dois repórteres-fotográficos – CAIO GUATELLI e ALAN MARQUES.

Ao longo deste mês, eles fizeram vários relatos para o blog, com fotos, vídeos e entrevistas. Decidi juntar todos os 14 posts sobre a cobertura do Haiti, para a gente relembrar:

Como foi a cobertura do golpe em Honduras

Como foi a cobertura do apagão (em vídeos)

Como foi a cobertura do avião da Air France que sumiu

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h05

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Máquina do tempo: jornalismo em 28 semanas

  Quando voltamos para o Treinamento, depois da virada do ano, havia um embrulho à nossa espera. Uma verdadeira preciosidade, enviada por um leitor que preferiu não se identificar: 28 fascículos de um curso de jornalismo por correspondência, que ele fez em 1968.

Pedi para ele contar um pouquinho como foi essa experiência de estudar jornalismo à distância, naquela época. Segue o relato:

"Tenho 61 anos. Optei por fazer o curso por correspondência por dois motivos: tinha a disponibilidade e queria aproveitar o tempo, e jornalismo era o único curso compatível com um prazer meu, o prazer da escrita. O ano era 68, época difícil e turbulenta e eu tinha outros projetos para o futuro que não incluíam o jornalismo, que estudei por talvez seis meses. Guardei apenas dados sobre onde, quando, como, e por quê, e como relatar sem opinar e pirâmide invertida. Desse conhecimento, passei a fazer uso apenas como observador de jornais por mais de quarenta anos. Sempre fui colaborador em pequenos jornais em seções de opinião e crônicas.

Quando mudei para a cidade onde moro hoje, percebi a necessidade de um jornal para a cidade – um jornalzinho para informar, divertir, unir, esclarecer e educar –, mas a idéia nunca foi posta em prática. Até que parei com um comércio que eu tinha e, na condição de desocupado, ajudei a dar forma ao jornal que se iniciou. Da experiência advinda do curso, comecei a observar jornais e percebi que, apesar de um jornalista dever relatar apenas fatos sem opinar, muitos opinam no momento em que escolhem os fatos que vão informar."

Reparem que o leitor não exerceu profissionalmente o jornalismo, mas o curso foi útil para apurar sua visão de leitor de jornais ao longo de toda a sua vida.

Os fascículos que ele me enviou não estão datados (em nenhum dos dois sentidos da palavra Bem humorado), mas o leitor disse que são de 1968. Foram produzidos por um Instituto Técnico Profissional, do Rio de Janeiro.

Selecionei alguns trechos que acho importantes ainda hoje, outros um pouco pitorescos. Atualizei a ortografia daquela época. É só um resumo, o material é bem maior, mas já vai deixar este post gigante. Mesmo assim, recomendo a leitura, que achei deliciosa e com algumas partes de importância histórica:

1ª semana - "Um texto noticioso deve ser escrito de tal forma que todos os leitores do jornal, desde professores de faculdade até aqueles que possuem capacidade intelectual limitada, possam entendê-lo com facilidade."

"'O homem mediano tem um vocabulário de cerca de 7.500 palavras (...) e ele não pode exprimir verbalmente a diferença entre 'pobreza' e 'miséria'. (...) Possui conhecimento rudimentar de geografia local, sabe um pouquinho de história e uns poucos fatos elementares de fisiologia. Acredita (...) que o sereno cai, que a moral era mais pura há vinte anos e que os invernos eram mais longos quando ele era menino.' O redator de notícias, entretanto, deve alcançar a compreensão não apenas do homem médio mas também a de seus semelhantes menos afortunados."

"O texto simples é necessário para obter a clareza e a facilidade de leitura que exige o grande público leitor de jornal. A redação rebuscada é motivo não de elogio, mas de zombaria.

2ª semana -  "A notícia deve ter o tamanho de uma saia de mulher, curta bastante para atrair a atenção e bastante longa para cobrir o assunto."

"O ideal jornalístico de honestidade exige não apenas que o repórter, ao colher e selecionar suas notícias, deva procurar contar ambas as versões da história, mas requer também que o fraseado do seu relato não seja influenciado pelas suas opiniões."

"Os lugares-comuns compostos de uma ou várias palavras estão entre os maiores inimigos do interesse. A redação de notícias, no seu nível mais baixo, está cheia dos clichês de repórteres desmazelados e plagiários."

3ª semana - "Aritmética das notícias:

  • 1 homem comum + 1 aventura extraordinária = NOTÍCIA
  • 1 homem comum + 1 vida comum = 0
  • 1 homem comum + 1 esposa comum = 0
  • 1 marido + 3 esposas = NOTÍCIA
  • 1 caixa de banco - 200 mil cruzeiros = NOTÍCIA
  • 1 corista + 1 presidente de banco - 1 milhão de cruzeiros = NOTÍCIA
  • 1 homem + 1 carro + revólver + 1 outro personagem = NOTÍCIA
  • 1 homem comum + 1 vida comum de 70 anos = 0
  • 1 homem comum + 1 vida comum de 100 anos = NOTÍCIA"

4ª semana - "Os jornais são grandemente lidos porque o leitor individual se vê constantemente no jornal. Não quero dizer que ele veja seu próprio nome, mas sim que lê coisas acontecidas com seus semelhantes e que poderiam ter acontecido com ele. Os tópicos intimamente relacionados com o leitor, sua família, seus passatempos e seus negócios constituem a aproximação mais natural aos seus interesses."

5ª semana - "O lead deve ser uma promessa de grandes coisas e a promessa deve ser cumprida."

6ª semana - "Os relatos de discursos são um dos tipos mais comuns de notícias. Para os não iniciados, a tarefa de relatar um discurso parece um trabalho simples. Mas a simplicidade aparente da incumbência é enganadora. Relatar um discurso, de modo que as pessoas que não o ouviram percebam fielmente seu teor e sua significação, requer habilidade em alto grau."

7ª semana - "Cada cópia de um jornal cuidadosamente editado serve como guia de estilo a ser seguido. Quando em dúvida, um repórter deve ser capaz de procurar qualquer número de seu jornal e encontrar resposta às perguntas sobre estilo e forma. O repórter esperto, ao iniciar-se na profissão, faz sempre um estudo detalhando os hábitos do seu jornal."

8ª semana - "O lead pode ser comparado a uma flecha onde cada elemento que prende a atenção é uma farpa introduzida na consciência do leitor." surpreso

9ª semana - "As narrações sobre crimes têm um lado técnico, como todas; mas se referem também a fatos de acentuada importância moral e social, e, quem escreve, não pode perder de vista suas responsabilidades em relação a estes aspectos."

10ª semana - [Sobre vários tipos de lides]

11ª semana - "O lead deve ser conciso, limitado a poucas linhas datilografadas. Quando é longo, cheio de parágrafos, vírgulas e explanações que poderiam esperar para ser contadas mais tarde, torna a leitura difícil e desinteressa o leitor."

12ª semana - "O redator deve estar alerta para descobrir os 'leads enterrados' – isto é, dar no início da história os fatos importantes que às vezes estão perdidos no corpo da história."

"O interesse cada vez maior do público pelo football tem obrigado os jornais a dedicarem todos os dias espaço mais amplo para as notícias sobre esse esporte." Muito feliz

13ª semana - "Na ligação entre os vários parágrafos, são usadas também palavras, frases ou expressões, sempre com o objetivo de dar continuidade à história noticiosa e manter o leitor atento. (...) Eis algumas delas:

  • Tratando-se de tempo: entrementes, por fim, agora que, primeiramente, ao mesmo tempo etc.
  • Para apontar: aqui, neste caso, em tais casos, por isso, nisto etc.
  • Para citar: por exemplo, o caso em discussão é, segundo etc.
  • Para inferir: consequentemente, assim, portanto, como resultado, sendo este o caso etc. (...)"

14ª semana - "'Naturalmente, a história é importante: você deve ter algo a dizer. Mas, muitas vezes, não é tanto a história que importa: é a maneira pela qual é escrita.'"

15ª semana - "Qualquer repórter necessita de conhecimentos de política e economia, mas o redator de notícias financeiras ou de negócios deve ser um especialista."

16ª semana - [Faltou]

17ª semana - "O interessante e bizarro da ciência é escrito para a mente das massas, mais ligadas ao misterioso e trivial do que ao fato importante. Mas, mesmo quando escritos em estilo para consumo popular, tais relatos científicos ou pseudocientíficos devem conter informação valiosa. Se não devotado demais ao sensacional, os artigos valem ainda pelo aumento do vocabulário dos leitores e o ensino de conhecimentos, dado de modo simples."

18ª semana - "Inúmeros relatos que são programados para determinado tamanho nas edições matutinas devem ser reduzidos para dar lugar a outras notícias nas edições vespertinas."

19ª semana - "Repórteres competentes dos negócios municipais vão além da tarefa comum de coleta de notícias. Eles examinam folhas de pagamentos e fichas de contabilidade, listas de taxações, os métodos usados pelos municípios, nas compras, a solução dada aos casos relatados pelo promotor municipal etc."

20ª semana - "'Só a experiência dá ao repórter aquele sexto sentido de que ele necessita para distinguir, no meio de tantos fatos, aquele que se deve colocar no alto de uma notícia'. Mas (...) há um princípio que ajuda bastante os que se iniciam na profissão: colocar-se no lugar do leitor."

21ª semana - "Entre os fatores que operam para obstruir e limitar a ação dos correspondentes estrangeiros, estão:

  1. Os escritórios de Propaganda e Censura (...)
  2. A rapidez (...)
  3. O custo (...)
  4. Hábitos de leitura (...)"

22ª semana - "Sendo um profissional experimentado, nunca declarará simplesmente que o carro de Bishop abalroou o outro, mas dirá que os dois automóveis colidiram. Mencionará as acusações da polícia, deixando bem claro que elas partem da polícia e não são suas ou do jornal. Com tais cuidados, o repórter atinge dois objetivos:

  1. Relembra aos seus leitores que as acusações da polícia não representam um fato já consumado (...);
  2. Protege-se a si mesmo e ao seu jornal, no caso de alguma ação judicial movida pelos acusados."

"Há uma infinita variedade na publicação de assuntos especializados, e um grande número deles trata de produtos ou de interesses de especial atração para as mulheres. Para citar alguns: melhores casas e jardins, cozinha, uso diário para mulheres, educação da infância, loja moderna de beleza." Nervoso

23ª semana - "Há ocasiões em que a apresentação pura e simples de um fato não dá ao leitor, logo à primeira vista, toda a sua verdadeira importância. É preciso, nesses casos, procurar um lead interpretativo para a notícia."

"Uma tendência quase geral dos repórteres esportivos é a de dramatizar certas passagens, ao descreverem uma partida. (...) Se a 'terrível emoção' ou a 'angústia inaudita' foram usadas quando o extrema esquerda do time adversário escapou com a bola, que palavras se há de empregar quando uma cidade espera que joguem sobre ela uma bomba atômica? Não deve o jornalista, deixar-se envolver pelas paixões da multidão."

"Embora alguns empregos, sobretudo nas agências telegráficas e em uma ou outra seção de jornais diários, continuem sendo monopolizados pelos homens, a última guerra mundial provou que as mulheres podem trabalhar em qualquer campo dentro do jornalismo."

24ª semana - "De um modo geral, os tópicos que constituem as notícias estão incluídos num destes itens: guerra, política, esportes, interesse humano, trabalho, ciência, mortes, crimes, acidentes, temperatura, divertimentos, modas, sociedade."

25ª semana - "Os títulos, tal como os conhecemos hoje, não existiram sempre. (...) Há cem anos, a coisa mais parecida a um título, num jornal norte-americano, era o rótulo, uma expressão convencional como Notícias do Estrangeiro ou Assuntos Oportunos."

26ª semana - "O principal objetivo da coluna humorística é entreter. Num grau menor, isso é também verdade com relação aos outros dois tipos, a de ensaios e a de assuntos da cidade. Por isso, sempre que qualquer das três formas de colunismo deixa de entreter, quando se torna monótono, cessa sua utilidade para o jornal."

27ª semana - "O feature (pronuncia-se fitchur) é o nome que o jornalismo americano dá a um certo tipo de história noticiosa em que predomina o interesse humano. (...) O desenvolvimento de um feature tem grande semelhança com a narrativa dos romances."

28ª semana - "De um modo geral, quanto maior o título mais fácil é de ser escrito. Num título em várias colunas, o redator encontra mais recursos para jogar com as palavras e não se vê a braços com o problema de colocar duas ou três palavras de oito ou dez letras cada, numa linha em que só cabem onze ou doze letras."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h42

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Concurso do Manual dos Focas

  Envie uma foto e um texto de dez a 25 linhas para martins@manualdosfocas.com, até o dia 28, e concorra a um livro do jornalista Bernardino Furtado.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o concurso.

P.S. A charge que ilustra o post é do Marcelo de Andrade, dica da leitora Alexandra Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h48

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O que é preciso para ser jornalista, por Alessandra Balles

  Pedi à redatora de Cotidiano ALESSANDRA BALLES para fazer um depoimento maior, falando especificamente sobre o que é preciso para ser um bom fechador e redator, dois tipos de jornalistas que fizeram enorme falta nesta nossa série.

A Alessandra também já foi redatora da Ilustrada e de Regionais e editora do Fovest e da Folha Corrida. Além de ser essa simpatia de pessoa que vocês vão ver no vídeo, ela sabe tudo sobre o trabalho indispensável dos redatores.

Na terça-feira que vem, o último vídeo da série (juro!).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h25

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Humor do fotojornalismo

  O blog anda muito sério ultimamente, há séculos sem posts de humor surpreso

Para quebrar um pouco o gelo, vejam este post, publicado no Let's blogar e indicado pelo repórter-fotográfico EDUARDO KNAPP, sobre como enlouquecer um fotógrafo:

CLIQUEM AQUI para ver Bem humorado

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h23

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Um serviço ao leitor que mereceu um prêmio

 
 

Um serviço ao leitor que mereceu um prêmio

  A matéria acima, publicada no "Agora" do dia 8/3/2009, ganhou o Prêmio Folha de Jornalismo 2009, na categoria serviço.

Os repórteres JULIANA COLOMBO e JUCA GUIMARÃES percorreram todos os 27 postos do INSS em São Paulo e registraram os problemas encontrados em cada um deles. Na verdade, fizeram um verdadeiro raio-X do atendimento aos aposentados na capital, colocando os endereços, o tempo que demoraram para serem atendidos, os horários de funcionamentos das agências, os problemas encontrados e os diferenciais. Dividiram tudo por regiões e montaram uma arte gigantesca, que certamente facilitou a vida de vários leitores.

Conversei com a repórter Juliana sobre a produção desse trabalho premiado. Ela tem 27 anos e esteve por um ano no "Agora", onde também recebeu um prêmio da Abecip por uma guia da casa própria que fez. Antes, trabalhou na revista Serafina, da Folha, e estudou em Londres.

Novo em Folha - Como foi a ideia da pauta?

Juliana Colombo - O "Agora" tem cada vez mais investido em pautas que demandam mais apuração, naquelas em que o repórter fica dias fuçando, são as chamadas especiais. O dia-a-dia da cobertura de Previdência Social, carro-chefe do jornal, nos permitia ir a alguns postos do INSS eventualmente, para checar, por exemplo, na prática, se a aposentadoria por idade em 30 minutos estava ocorrendo de maneira correta. Pois bem, foi numa dessas reuniões de especiais que eu tive a ideia de fazer um raio-x de TODOS os postos do INSS na capital. Iria olhar desde instalações, até perguntas-chave aos servidores, para saber se eles estavam a par de instruções normativas recentes, etc.

NF - Vocês fizeram algum planejamento, para dar conta de tantos postos?

JC - Bem, os postos abrem das 7h às 17h, então eu tinha duas semanas livres do dia para tentar ir a todos. Digo tentar porque eu não interferi no andamento, ou seja, como não sou idosa, ficava esperando na fila com senha comum, não preferencial, o que, às vezes, me tomava três a quatro horas em cada posto. Assim, tinha dia que conseguia ir a cinco postos de uma vez. Em outros, a apenas dois.

NF - Você e o Juca se dividiram de alguma forma?

JC - O colega Juca, feríssima no assunto, me ajudou quando foi fazer algumas outras pautas em determinados postos, onde ele acompanhava alguns casos. Ele aproveitou e colheu as informações necessárias para esta pauta. A visão dele é muito apurada, ele cobre há muito tempo o assunto e trocamos muitas figurinhas. Aliás, ele que me deu o toque de que essa matéria poderia valer o prêmio Folha! Ele é um grande jornalista, e grande parte do que aprendi de Previdência devo a ele.

NF - Houve dificuldades práticas? Seguranças tentando impedir a apuração de vocês etc?

JC - Sim, várias. Primeiro estranharam por que eu, de 27 anos, estava numa fila do INSS. Não fomos identificados como jornalistas, fomos como segurados normais da Previdência. Ninguém sabia que estavamos a trabalho. Levamos mochilas com metais para ver se as portas apitavam e detectamos que a maioria nem funcionava. Ou seja, um desperdício de dinheiro público, já que as portas foram colocadas a fim de evitar que algum segurado descontente tentasse algo contra os médicos peritos. Muitas vezes, esses médicos suspendem o auxílio-doença do segurado e ele tem de voltar a trabalhar. Na visão de muitos deles, não estão aptos ao retorno, por isso foi preciso colocar as portas; já houve casos de mortes de peritos. Mas a maioria não funciona, não apita e foram poucos os postos que pediram para revistar a minha mala ou colocar os pertences em uma bandeja.

Outra dificuldade foi a espera. Há fila para a senha, depois fila para o atendimento. E, se você não tem hora marcada, fica muito tempo no posto. É preciso reconhecer que o atendimento 135 e o pela internet facilitaram muito a vida do segurado, que pode agendar suas perícias e atendimento por esses canais. Mas muitos idosos preferem ir direto, com toda a sua documentação.

NF - Que tipo de retorno você recebeu depois?

JC - O ministro da Previdência, José Pimentel, mandou email parabenizando a reportagem. Logo após visitar os postos, mandei um relatório sobre tudo o que vi para a gerência do INSS em São Paulo e em Brasília. Isso foi crucial, trata-se do "outro lado". Questionei por que os detectores de metal não funcionavam, por que havia postos com banheiros em manutenção há meses, etc. Segundo o ministro, a matéria foi impressa por todas as gerências mencionadas para que sanassem os problemas apontados. Leitores também mandaram cartas e emails. Isso porque a gente deu o horário de funcionamento dos postos, o que cada um oferece e as condições em que se encontravam. Ou seja, poupou muito esforço para muitos deles.

NF - Você gostava de fazer matérias de serviço, que muitas vezes são o "patinho feio" para os jornalistas? Quais outras bacanas como esta você fez?

JC - Gostava e muito! São mais "braçais", mas o resultado, com o leitor, é sensacional. Principalmente em um jornal popular como o "Agora". Temos de facilitar a vida dele, dar tudo "mastigado". Por exemplo, resultado de reunião do Copom, a gente tinha de fazer as contas e ver o quanto a prestação da geladeira do leitor ia ficar mais baixa ou alta, sabe, explicar, na prática, o que as decisões econômicas e políticas significam e impactam na vida dele. Gostava muito de fazer reportagens sobre habitação.

Outra que me lembro, muito polêmica também, foi quando entrevistei pessoas na fila da Cohab, em São Paulo. O programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, tinha acabado de ser anunciado e, quando se fala em casa própria, as pessoas ficam desesperadas. Você está lidando com sonho. E como, pelo programa, as famílias que ganham até 3 salarios mínimos tinham de se cadastrar, formavam-se filas imensas na porta da Cohab.

Fiz também liquidações de início de ano, como a tradicional do Magazine Luiza, em que as pessoas também ficavam na fila para as promoções, na madrugada. Cada história.... E aí, aproveitávamos para dar um serviço bacana, como, por exemplo, dizer para o leitor não se endividar, procurar juntar durante todo o ano para pagar tudo à vista, nessas ocasiões. Assim não gasta mais do que pode e não acaba com suas finanças.

NF - Acha que esta foi uma das mais importantes que você fez?

JC -  Sem dúvida, foi uma das que tiveram mais impacto. Afetou muita gente. E eu não podia mais voltar aos postos, porque muitos servidores já me reconheciam. Se eu tinha falado bem daquele posto, ótimo, era bem recebida. Mas, se não, olhavam feio e até reclamavam, falando que o jornal é sensacionalista. Como repórter, foi muito bacana fazer, pé na rua, contato com as pessoas, ouvindo cada história sofrida e, de alguma forma, modificando o cenário a minha volta...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h03

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Agora que o senhor está às portas da morte...

 Por falar em perguntas embaraçosas, acabo de ver uma entrevista com o filósofo Bertrand Russel --já entrado em anos-- na qual a entrevistadora faz a seguinte pergunta:

--As you approach the end of your life...   (ou seja, Agora que o senhor está às portas da morte...) 

Neste vídeo que descobri no excelente blog do Ricardo Lombardi (a entrevista está em inglês e sem legendas)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h54

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Duas vagas para jornalistas

  Há uma vaga aberta na Folha e outra para estagiários:

  • Plantonista da Folha Online, para trabalhar durante a madrugada, em fins de semana e feriados específicos, combinados previamente. Inscrições até 8/2. CLIQUE AQUI.
  • Revista Imprensa abre vaga para estagiários, inscrições até 18/2. CLIQUE AQUI.

Primeiros passos para entrar em 13 grandes veículos de comunicação de todo o país

Acompanhe os concursos da Folha

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h59

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Não trabalhe para a fonte

 O repórter ouve o famoso "especialista", dá destaque para a opinião dele, e a reportagem acaba dando lucros para... o "especialista", que tinha algum interesse na história.

Não foi no jornal da esquina. Foi no New York Times, e aconteceu cinco vezes, como conta este texto [obrigada ao CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA por me mostrar].

A lição é simples e fácil. Basta perguntar: "O senhor tem algum interesse comercial nesse assunto?" ou "O senhor presta algum serviço para alguma das instituições envolvidas?". Pode parecer embaraçoso, mas é preciso lembrar que o interesse que conta é o do leitor, não o da fonte.

 A fonte não é quem diz que é

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h35

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Mais cursos e treinamentos

 
 

Mais cursos e treinamentos

  Para todos os gostos:

  • São Paulo: Finanças para quem não é da área - 25 a 27 de fevereiro. Mais info AQUI.
  • São Paulo: Assessoria e media training, a partir de 23/2. Mais info AQUI.
  • Curitiba: Conferência Internacional sobre Redes Sociais, em março. Mais info AQUI.
  • Rio: Webwriting, em março. Mais info AQUI.
  • Online: Diagramação de jornais e revistas, início dia 8/2. Mais info AQUI.
  • Online: Criação de websites, início dia 8/2. Mais info AQUI.
  • Online: Assessoria de comunicação, início dia 8/2. Mais AQUI.
  • Online: Redação jornalística, início dia 8/2. Mais AQUI.
  • Online: Pautas para telejornalismo, início em 8/2. Mais AQUI.
  • Online: Jornalismo online. Mais AQUI.

E vejam só:

Treinamentos estão em alta. O New York Times vai abrir cursos online e o Grupo Abril vai abrir uma Escola Superior de Jornalismo.


Boa dica da leitora Tatiane: curso gratuito, voltado para jornalistas, sobre como explorar o Twitter para a cobertura jornalística. Vai ser na manhã do dia 11 de fevereiro. CLIQUE AQUI.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h09

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A universidade do Poynter

 
 

A universidade do Poynter

  O Poynter criou uma nova News University, com mais ferramentas voltadas para jornalistas e professores e estudantes da área.

Uma boa seção para começar a navegar é a de cursos, que tem muitos gratuitos.

CLIQUE AQUI para ver.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h26

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Por dentro dos 360 graus

  Em novembro a gente falou aqui de um projeto multimídia muito legal, do El País, chamado Reportaje 360.

Pois bem, o ex-trainee da Ana RICARDO VIEL, e outros dois colegas dele do blog Nota de Rodapé, entrevistaram Felipe Lloreda, diretor responsável pelo projeto.

Ele diz, entre outras coisas:

"Para nós é uma forma de fazer jornalismo interativo e moderno. Não sei se é o futuro, mas está prendendo a atenção dos usuários, inovando, impactando e gerando muitas opiniões positivas."

CLIQUE AQUI para ler toda a entrevista.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h05

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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