Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

O amor é lindo, mas...

Constantin Brancusi, 1907 (1ª versão) (http://www.brancusi.com/)

A gente perguntou lá atrás de tinha algum problema o goleiro Casillas beijar ao vivo sua namorada, a repórter Sara Carbonero, depois de vencer a Copa (se você não viu a cena, clique ali no link).

Alguns leitores acharam normal, outros consideraram erro e teve até quem viu jogada de marketing da emissora.

Eu penso o seguinte:

  • repórter e fonte estão em lados diferentes da notícia e têm interesses diferentes em jogo (não necessariamente conflitantes; apenas diferentes). Por isso, o ideal é que um repórter não entreviste alguém a quem está muito ligado, seja lá quem for.
  • toda regra tem limites. Se o Chico Buarque entrevistasse o próprio pai, o resultado poderia ser genial.
  • é verdade que foi Casillas quem "atacou" a moça, mas um jornalista precisa saber que se expõe a um risco profissional (de interferências, ruídos, malentendidos, constrangimentos ou omissões) quando entrevista alguém próximo
  • a pergunta é: o beijo do goleiro afetou a informação? Ou, indo mais além, havia informação nesta entrevista que poderia ser prejudicada pela proximidade da fonte com o jornalista? Não, né? Então, ressalvas todas feitas acima, foi só uma cena simpática (e quem não gosta de sexo e romance?).
  • agora, repórter com a bandeira pintada no rosto não dá, certo?


PS - Lá nos comentários do outro post, alguém mencionou a Fátima Bernardes e o William Bonner. São casos diferentes. Os dois são colegas de trabalho, estão do mesmo lado do balcão.

E aí? Namorar com o colega de trabalho pode?

A gente falou um pouco disto neste post.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h03

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Agende-se para estes cursos

 
 

Agende-se para estes cursos

1. Amanhã começa o 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, organizado pela Abraji. Quem chegar com uma hora de antecedência pode tentar se inscrever na hora (o preço é o mesmo, inclusive para quem chegar só no último dia). A programação é bem legal e tem muito palestrante de alto nível.

2. O Centro Knight vai organizar um curso de matemática para jornalistas entre os dias 16 de agosto e 26 de setembro, todo online e em espanhol. As inscrições vão até domingo (boa dica do ALEC DUARTE Jóia).

3. Na manhã do dia 10 de agosto haverá um curso para treinamento do uso do Google por jornalistas, organizado pela Escola do Comunique-se. É gratuito e o número de vagas é limitado.

4. Há vários cursos programados para este segundo semestre na Academia Brasileira de Jornalismo Literário, cada um a R$ 350. Informações com rodrigo@abjl.org.br.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h15

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A metáfora do bloquinho

Hoje o recém-trainee FELIPE LUCHETE conta como foram seus primeiros dias na Redação:

"Meu primeiro bloquinho de anotações usado na Redação acabou na terça, no mesmo dia em que fechei minha primeira matéria de capa, para o caderno Fovest

Não cheguei a contar o número de folhas, mas ver todas elas cheias me fez perceber o quanto trabalhei e aprendi em 12 dias como "redapórter". Além do Fovest, minhas tarefas aumentam com o fechamento das edições regionais de Cotidiano – em Ribeirão Preto, Campinas e Vale, as páginas e algumas das matérias são diferentes de quem lê a edição Nacional ou São Paulo. 

No caso do Fovest, já pude perceber que trabalhar em um caderno semanal não é sinônimo de moleza. Pensar que existe uma semana para apurar é equívoco, porque no mesmo dia do fechamento há reunião de pauta, e três dias depois é preciso ter informações suficientes para deixar a arte pronta.

Tenho também de pensar na foto, nas retrancas (matérias que acompanham a principal) e no que vai facilitar a vida do leitor. No caso do Fovest, destinado a vestibulandos, é fundamental ter datas de inscrições, dicas de sites, números de telefone e sugestões de onde encontrar mais informações. É uma grande responsabilidade, porque isso tudo deve ser (bem) checado antes da publicação. 

O contato com assessorias é outra tarefa importante – e é preciso ter jogo de cintura quando uma assessora liga perguntando por que indicou o diretor de uma escola para uma entrevista se eu não usei nada na matéria. Paciência!

Estou gostando bastante, por atuar na área de educação, ter sugestões de pautas aceitas e poder experimentar outras plataformas, como o Blog do Fovest. Até pude relembrar minhas aulas de rádio, ao gravar um podcast com o estudante que ficou em primeiro lugar no Enem

Gosto muito do meu 2º round diário. Ser redator desperta agilidade para ler, entender, cortar, revisar, corrigir e modificar textos num período muito curto.  

Por volta das 19h30, as matérias das regionais (principalmente de Ribeirão) começam a chegar. A maioria vem completa, com título e tudo o mais, mas é preciso fazer com que caibam no espaço delimitado e concluir tudo antes das 21h. Na maioria das vezes é preciso cortar algo, o que exige outra dose de responsabilidade

Com as aulas de concisão durante o Treinamento e com as dicas dos colegas de regionais, aprendi que é possível enxugar sem tirar informação. Mesmo que não pareça à primeira vista, sempre dá para substituir uma palavra por outra mais curta e tirar algo redundante.

Me esforcei para tentar ser conciso aqui, mas bem que teria casos suficientes para encher outro bloquinho."

Meu primeiro pescoção

Onde foram parar estas figurinhas?

Leis de Newton na Redação

Malabarismo nos primeiros dias de Redação

Veja o vídeo da despedida dos trainees da 49ª turma

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h19

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Semana de palestras da 50ª turma

Hoje começou a semana de palestras da 50ª turma de trainees, que vai até a manhã da próxima quinta-feira.

E, amanhã, começa o 5º Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji, que vai até sábado.

Estarei acompanhando de perto as duas coisas e, por isso, terei menos tempo para postar aqui.

Por outro lado, vou mantendo vocês informados sobre o andamento da semana e depois conto tudo o que aprendi no congresso deste ano Jóia

E até o fim da semana que vem, coloco aqui um vídeo com todos os 41 pré-trainees se apresentando, tá? Ficando velho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h04

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Mais 14 vagas para jornalistas

 
 

Mais 14 vagas para jornalistas

  Lembro que há três concursos abertos na Folha: para cobrir férias em Saúde e Equilíbrio (inscrições até amanhã), para cobrir férias na Ilustrada (inscrições até domingo) e para repórter contratado de Saúde e Equilíbrio (inscrições até quinta).

Ontem havia outras 26 vagas diferentes, você viu?

E mais:

São Paulo

Brasília

Minas

Rio

Paraná

Amazonas e Pará

  • Frila fixo. Falar com @jhcordeiro (dica do Fabiano Angélico Jóia)

Este blog apenas divulga oportunidades de trabalho que chegam a nosso conhecimento. Não nos responsabilizamos pelas vagas que não são da Folha.

Primeiros passos para entrar em 13 grandes veículos de comunicação de todo o país

Acompanhe os concursos da Folha

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h09

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10º programa de treinamento em artes gráficas

 
 

10º programa de treinamento em artes gráficas

Faltam só três dias para você se inscrever no 10º programa de treinamento em artes gráficas da Folha.

Esse é mais raro de acontecer, então é bom você se inscrever! E indicar para o colega que também tem talento nessa área  Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h34

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Intercâmbio na Alemanha para jornalistas

 
 

Intercâmbio na Alemanha para jornalistas

  • Organizado pela IJP (Internationale Journalisten-Programme).
  • Para jornalistas de 23 a 35 anos que trabalhem em veículos brasileiros.
  • Devem conhecer bem o alemão ou, pelo menos, ter fluência em inglês.
  • O selecionado vai estagiar em março e abril de 2011 em algum veículo alemão.
  • A bolsa é de 3.300 euros.
  • Enviar currículo, foto, três matérias e uma carta de recomendação do atual veículo para a embaixada alemã, até 25 de setembro.
  • O resultado sai em 1º de dezembro.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h22

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Dúvida de leitor: não tenho experiência e estágio paga mal

  Vejam a dúvida do leitor Bruno, de São Paulo:

"Eu sempre trabalhei no setor financeiro e tenho uma boa experiência nessa área! Apesar disso, eu decidi fazer faculdade de jornalismo (estou no 4º semestre) e quero trabalhar com isso! Minha maior dificuldade em conseguir um estágio na área está na questão financeira. As bolsas de estágio para iniciantes são muito baixas. Outra dificuldade é minha experiência. Quando as empresas descobrem que já trabalhei no setor financeiro, me fazem proposta para trabalhar nessa área (que tem defasagem de profissionais qualificados). Acredito que outras pessoa já viveram essa situação ou ainda vivem. Acho que podemos trocar experiências aqui no blog!"

Vocês já passaram por algo parecido? Têm conselhos para dar ao Bruno?

Largo o banco?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h24

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Tempo quente, assunto frio, solução refrescante

Moradores de NY, onde temperaturas têm chegado perto dos 40ºC (France Presse)

  Vejam a dica da LUCIANA COELHO para quem gosta de soluções criativas no noticiário:

"Estava lendo isso e pensei que é uma boa para o blog, como pegar o tema mais batido do mundo – clima – e fazer uma bela reportagem.
 
Pois em vez de ver se as praias estão cheias, o New York Times pegou a sucessão de dias ultraquentes em Nova York e foi checar tudo que piora nas pessoas e na cidade com a temperatura acima dos
32 (sim, 32ºC é excessivamente quente lá).

Ok, eles também falam da praia e das piscinas cheias. Mas checam índice de assassinatos, aumento de transtornos psicológicos e consumo de eletricidade."

CLIQUE AQUI para ler a matéria.

Poderíamos fazer algo semelhante com o tempo seco de julho, por exemplo. Ou com o excesso de umidade em dezembro. Ou com o calor infernal de outubro. E o frio intenso no sul do Brasil nas semanas passadas. Sempre dá para ser criativo, até em assuntos sazonais como esses Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h30

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Meu primeiro pescoção

Agora a recém-trainee GRAZIELLE SCHNEIDER conta como foi sua primeira semana em Mercado – e seu primeiro pescoção! Muito feliz

"Neste exato momento estou no meio do meu primeiro pescoção [pescoção é um jargão jornalístico para quando o trabalho avança madrugada adentro, depois de você já ter trabalhado o dia todo], para fechar de maneira brilhante a minha semana de estreia como "redapórter" de Mercado. Perguntei aqui na editoria sobre o horário em que geralmente a edição de domingo fecha e o que ouvi foi desanimador: entre 3h30 e 4h. "Está falando sério ou quer me assustar?", perguntei esperançosa. Mas a resposta era aquela mesmo.

Achei que com as badaladas da meia-noite eu não teria mais concentração para nada, mas estou aguentando surpreendentemente bem. Por enquanto, o fechamento está calmo como sempre.

No primeiro dia, todos estavam tão confusos com a minha presença que me esqueceram e só fui perceber que o caderno já estava fechando depois de quase quarenta minutos. Aí aprendi que o negócio é anunciar que você está livre, assim o trabalho aparece. Também fiquei mais atenta e, apesar da tranquilidade aparente, não deixei o fechamento passar despercebido.

Fiquei um pouco frustrada no começo porque tive dificuldades para pensar em pautas legais como aquelas que eu sugeri para o caderno durante o Treinamento. Mesmo assim, me propus a oferecer algo todo dia, nem que rendesse apenas uma notinha. Agora estou apurando uma dessas sugestões para ver se vira uma boa história mesmo e, enquanto isso, outras demandas da própria editoria vão surgindo.

Um exemplo é o da quarta-feira, quando recebi a tarefa de esperar a decisão do Copom sobre a taxa de juros e pegar as "repercussões" das entidades sindicais e empresariais. A decisão foi anunciada eram quase 20h30, e o texto tinha que estar fechado às 21h. Nunca escrevi tão rápido. No fim, não deu tempo para organizar todas as informações e o texto foi publicado sem que eu pudesse fazer sequer a primeira leitura. Apesar da tensão, deu tudo certo.

Ainda não peguei muito bem o ritmo ou decifrei todos os caminhos da editoria, mas eu vou me achando. O que já percebi é que é muito legal conciliar o trabalho de repórter, de propor e desenvolver matérias, e o de redator, de editá-las. Com um pouquinho de esforço e tempo, conseguirei fazer as duas tarefas com destreza – espero!"

Ela enviou o texto à 0h27 de sábado e, logo depois, seu primeiro pescoção já terminava, à 0h30. Deu sorte!

Onde foram parar estas figurinhas?

Leis de Newton na Redação

Malabarismo nos primeiros dias de Redação

Veja o vídeo da despedida dos trainees da 49ª turma

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h23

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Mais 26 vagas para jornalistas, três na Folha

 
 

Mais 26 vagas para jornalistas, três na Folha

  No momento, há três concursos em andamento na Folha:

  1. Repórter colaborador em Saúde e Equilíbrio, com inscrições até quarta.
  2. Repórter contratado de Saúde e Equilíbrio, com inscrições até quinta pelo treina@uol.com.br (escreva no assunto o código C-1.116). O candidato deve enviar currículo de uma página e dois exemplos de trabalhos, no corpo do email.
  3. Redator da Ilustrada.com para cobrir férias de 23/8 a 3/10, com inscrições até 1/8 pelo treina@uol.com.br (escreva no assunto o código C-1.117). O candidato deve enviar currículo de uma página e dois exemplos de trabalhos, no corpo da mensagem.

E mais:

São Paulo

Rio

Brasília

Este blog apenas divulga oportunidades de trabalho que chegam a nosso conhecimento. Não nos responsabilizamos pelas vagas que não são da Folha.

Primeiros passos para entrar em 13 grandes veículos de comunicação de todo o país

Acompanhe os concursos da Folha

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h05

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Onde foram parar estas figurinhas?

Quem conta para vocês (finalmente Convencido) é a ALINE PELLEGRINI:

"Hoje a 49ª turma de treinamento comemora 5 meses de existência. Jamais teria lembrado disso não fossem os e-mails que passamos a trocar com um entusiasmo de encher a caixa de entrada.
 
Explico: desde que o Treinamento acabou nos dividimos pela Redação e a sorte foi ninguém ter desistido do jornal diário, embora uma das principais coisas que a gente aprendeu foi que o trabalho era hard.
 
Nos dividimos entre o 4º, o 5º andar e... Brasília.
 
Se a saudade dos que ficam no outro andar às vezes é grande, não custa ressaltar que Brasília fica mais longe do que dois lances de escada.
 
Desde então estamos dividindo a responsabilidade de fazer jornal e a dificuldade que é começar num grupo de possíveis "estranhos" em e-mails com dicas, "o que aprendi", tentativas – às vezes frustradas – de encaixar o horário de almoço ou simplesmente relatando algum acontecimento bizarro.
 
Do ambiente estranho eu não posso reclamar, já que fui parar na editoria de política (Poder) com mais três colegas: ANNA VIRGINIA, ELTON E MARCOS. Estamos levantando a ficha dos candidatos a eleição, como a Anna contou ontem. É bacana se dar conta de que cobrimos os dois principais eventos do ano: a Copa do Mundo e as eleições.
 
Também a NÁDIA e a CAROL continuam trabalhando juntas em Cotidiano e já partiram para coberturas importantes e uma produção incrível de matérias por dia (aqui e aqui, por exemplo). A Nádia continua sendo (junto com o Gui) nossa consultora jurídica.
 
O FELIPE LUCHETE ficou em Coti também, fechando o caderno e cobrindo educação, como redator e repórter de Fovest. Flagramos o menino trabalhando 12 horas por dia.
 
Atento ao Brasil inteiro, o FILIPE MOTTA senta pertinho do pessoal de Cotidiano, trabalhando na Agência Folha, e já emplacou até uma baita matéria em Ciência.
 
A GRAZI está suando para transformar textos enormes em notinhas. Como redatora em Mercado, ela não deixou de lado a rotina de propor pautas inovadoras como fazia no Treinamento.
 
Há quase duas semanas em Saúde, o GUILHERME já descobriu velas beijáveis, hambúrgueres de banana, antiestimulantes, sanduíches enlatados e já está subindo na Redação (do 4º para o 5º andar) para trabalhar em Ilustrada.
 
No andar de cima ele vai encontrar o LUIZ, que está trabalhando em Tec. O Luiz confessa que tem medo que os colegas do Tec achem ele meio nerd, fazendo com que a gente imagine como é acharem que você é nerd dentro do caderno de tecnologia Brincalhão
 
A THAIS nos trocou pelo Palácio do Planalto e pelo Congresso Nacional. Chamada para cobrir economia por dois meses em Brasília a nossa esperança é que ela não seja raptada pela sucursal de lá.

Difícil é tentar imaginar onde estaremos em 2020.*"

* Isso foi uma piada interna da tchurma, mas mantive aí porque é um jeito simpatico de fechar o texto Bem humorado

Veja o vídeo da despedida dos trainees da 49ª turma

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h34

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E se Bruno for inocente?

  Há vários indícios, apresentados pela polícia, de que o goleiro do Flamengo seja culpado de um crime de homicídio: ele tem uma possibilidade de motivo, o bebê da vítima foi encontrado com amigos dele, sangue da vítima foi encontrado no carro dele, pessoas testemunharam dizendo que ele presenciou o crime (depois negaram), parece que deu um abortivo para Eliza perder o bebê etc.

Em fevereiro do ano passado, também tínhamos vários indícios de que uma brasileira tinha sido atacada por skinheads apoiadores do partido SVP, em Zurique. Seu corpo estava todo retalhado com siglas do partido e ela dizia ter sofrido um aborto de gêmeas. O Itamaraty se manifestou, brasileiros protestaram, a mídia noticiou. Depois, descobriu-se que a moça nunca tinha estado grávida e tinha cortado a própria pele.

O que os dois casos acima têm em comum? Duas coisas:

1) A mídia os noticiou com estardalhaço, com direito a psicólogo falando em programas vespertinos e várias chamadas de capa. Mesmo em veículos cuidadosos e equilibrados, nos dois casos o suposto agressor (Bruno e partidários do SVP) foi amplamente noticiado para o público.

2) Nenhum jornalista presenciou nenhum desses crimes. As versões oficiais (do delegado, num caso, e da suposta vítima, apoiada por nossa diplomacia, no outro) tiveram grande espaço nos veículos. A ponto de o delegado do primeiro caso ter ficado horas ao vivo no Datena.

Parecia incrível, quando as fotos de Paula foram divulgadas, que qualquer outra versão, além da que ela ofereceu, pudesse ser possível.

Do mesmo jeito, hoje parece improvável que Bruno não tenha qualquer envolvimento num caso que já trouxe declarações (e até tatuagens) complicadoras de amigos e parentes do goleiro.

Mas, de novo: não sabemos de nada. Não vimos nada.

Uma tese do advogado de Bruno é que Eliza está viva, escondida em algum lugar, assistindo a todo esse show de horrores. Parece improvável, mas não é impossível. Assim como qualquer outra versão que se apresentar até que o caso seja definitivamente julgado pelo nosso sistema judiciário (falível).

Onde eu quero chegar? NESTE belo artigo de José Cleves Silva, publicado anteontem no Observatório da Imprensa ("Mídia legitima versão policial como única e verdadeira"). Leitura obrigatória para todos os jornalistas de polícia que levem a sério sua responsabilidade sobre a vida dos outros.

Só para contextualizar: José Cleves é um jornalista mineiro, bastante premiado, que já fez várias reportagens sobre a corrupção na polícia. Um dia, num assalto, sua esposa foi assassinada. A investigação da polícia disse que Cleves matou a mulher, e a imprensa noticiou amplamente (a propósito, o delegado que chefiava as investigações do caso de Cleves era o mesmo que chefia o caso Bruno hoje, Edson Moreira). A tese da polícia jamais foi provada, Cleves foi absolvido por unanimidade no tribunal de júri, que entendeu que a arma tinha sido plantada no local do crime por causa das reportagens sobre a polícia que Cleves fazia, ele foi absolvido até no STF. Mas sua vida já tinha sido destruída.

O que ele diz é muito sério:

"a notícia deve ser o resultado do trabalho sério e definitivo do jornalista, e não da ação opressora, midiática, leviana e irresponsável de quem deseja um fato conveniente, e não verdadeiro."

Você tem certeza que Bruno é culpado? Absoluta? E se Bruno for inocente? O que faremos a respeito?

Leia também:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h22

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Por um texto imprescindível

  Uma boa reflexão pra gente, que depende da clareza e objetividade do nosso texto para alcançar os leitores:

a maioria dos problemas nas histórias decorrem da falta de foco.

E o que fazer para ver se nossa história tem um foco?

O Poynter sugere alguns questionamentos:

  • O que é a notícia?
  • Qual é o ponto onde se quer chegar?
  • O que realmente importa?
  • Qual é a coisa aqui que seu leitor precisa saber?
  • O que é o mais importante?
  • O que é interessante?
  • O que estará em seu lide?
  • O que você dirá no sublide ("nut paragraph")?
  • Você consegue pensar em um bom título ou chamada para essa história?
  • Sobre o que é sua história?
  • Não, sobre o que é, REALMENTE, sua história?

São perguntas parecidas que nos levam, forçosamente, a afiar cada vez mais nosso texto. Porque o que não importa, não é novidade, não é interessante e nem poderá interessar a seu leitor deve ser descartado sem dó. E, acredite, há uma quantidade grande de entulho desnecessário em nossos textos jornalísticos.

(É claro que o leitor, como é esperto, já edita com os olhos, durante a leitura, cortando os textos e parágrafos inúteis inteirinhos. Mas que bom seria se nosso texto fosse tão imprescindível que nosso leitor se debruçasse sobre ele e o quisesse ler do início ao finzinho, né. Pensemos nisso e trabalhemos por isso Bem humorado)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h31

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Leis de Newton na Redação

Oba! Os trainees finalmente se animaram. Mais um relato, agora da ANNA VIRGÍNIA BALLOUSSIER:

"Eu, ELTON BEZERRA, ALINE PELLEGRINI e MARCOS DE VASCONCELLOS descemos na vida e deixamos o poder subir à cabeça.

É isso aí: passamos do 5º andar, onde ficava a sala do Programa de Treinamento, para o 4º, no meio da Redação. E viemos parar em Poder, o caderno político da Folha. A menos de três meses da eleição. Quem precisa de Discovery Channel para ter um gostinho da vida selvagem, não é mesmo?

Nosso trabalho, a princípio, é caçar os "fichas-sujas". Para tanto, nosso novo melhor amigo é o site do TSE. Por lá encontramos (ou não) as fichas criminais dos candidatos, a lista de bens declarados e as boas histórias.

Um concorrente ao governo do Acre, por exemplo, pôs seu boletim escolar no lugar destinado às certidões criminais. Virou matéria. Outro, que tenta vaga de deputado federal por Pernambuco, declarou ao TSE que três apartamentos seus valiam R$ 1 cada. Essa aí rendeu post no blog das eleições.

Quando é a pauta que nos pega pelo colarinho, maravilha. Mas a inspiração, às vezes, gosta de brincar de pique-esconde. Ora: estamos no meio de uma equipe experiente, no caderno que é carro-chefe do jornal. Difícil cavar uma história da qual eles já não estejam em cima.

Sugeri, por exemplo, um perfil da vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau, aquela que Lula chamou de "uma procuradora qualquer" após ameaças contra a candidatura de Dilma. O editor me avisou que Brasília já estava em cima disso –naquele mesmo dia, aliás. É Newton dando as caras no jornalismo: toda pauta que sobe tem de cair...

(Mas sempre se dá um jeito: acabei fazendo um post para o blog, com uma historinha sobre o Facebook de Sandra, aparentemente achegada a "candidatos verdes")."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h59

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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