Se você é daqueles que fizeram jornalismo porque detestavam matemática, este exercício vai te provar que estava redondamente enganado.
A matemática nos cerca em qualquer editoria, rotineiramente. Questões de percentual, juros, medidas, estatísticas e rankings baseiam (ou enriquecem) diversas notícias.
O teste abaixo foi formulado pelo professor Marcelo Soares, nas aulas de matemática que alguns jornalistas da Folha estamos tendo com ele. São todas questões envolvendo noticiário.
Desafio os leitores deste blog a resolvê-las também
Você conhece o KLB. Conhece a Caras. Conhece a ONU. E se não conhece ao vivo, sabe exatamente o que é Nova York. A manchete, lida assim, impressiona. A primeira coisa que a gente pensa é: “Puxa! KLB homenageado pela ONU! Em Nova York!"
E a segunda coisa que você pensa é: KLB!?!?!? Homenageado pela ONU!?!?! Em NY?? WTF?
É assim que começa o excelente post em que Rosana Hermann mostra passo a passo como desmascarar uma notícia plantada (aqui). Vale muito a pena ler: além de educativo, é bem divertido.
RODRIGO RUSSO terminou a 47ª turma de Treinamento na primeira semana de julho e foi, em seguida, cobrir férias da repórter de TV na Ilustrada. Quinze dias depois que Daniel Castro saiu da coluna Outro Canal, no final de setembro, ele foi chamado para cobrir a coluna interinamente por dois dias – que acabaram virando mais de um mês.
Conversei com o Russo para saber como driblou a inexperiência e o que aprendeu por lá. Vou dividir o post em duas partes, por causa do tamanho:
Novo em Folha - Como foi o convite?
Rodrigo Russo - Eu estava cobrindo as férias da LÚCIA VALENTIM RODRIGUES, fazendo a página de TV. Umas duas semanas depois de o Daniel sair, a SYLVIA COLOMBO [editora da Ilustrada] falou comigo que eu ia fazer a coluna por dois dias. Eu já tinha sugerido umas pautas para ela, de reportagem. A primeira era de marca de bebida alcoólica produzindo conteúdo para TV. Como calhou, fui atrás dessa história para minha primeira coluna.
NF - Você não ficou com um pouco de receio de encarar algo tão novo?
RR - Sempre dá um medo, fazer algo tão grande com tão pouco tempo de redação, deu um nervosismo, sim, mas foi saudável, porque lembrava a responsabilidade que eu tinha. Ao mesmo tempo, era algo que queria, eu topei, achei que era um desafio legal. É um negócio que tem muita temperatura, é muito quente, mexe com muita coisa.
NF - Recebeu algum tipo de orientação ou dica antes de assumir?
RR - Uma das orientações da Sylvia foi: "Você é a Folha, você é o Outro Canal. É uma coluna importante, uma coluna superlida, então use isso a seu favor".
Depois eu vim falar com a ANA ESTELA e ela falou: "Tome cuidado com os interesses que as pessoas têm". Foi um conselho importante. Sempre se perguntar por que a pessoa está te passando aquilo. E as assessorias sempre vão te passar muita nota exclusiva, é do interesse delas.
NF - O fato de você ser novo no jornalismo pode ter te atrapalhado a ter credibilidade entre os assessores?
RR - No começo atrapalha, claro. "Você está aí na Folha há quanto tempo?" "Estou desde o começo do ano." É um fator. Você nunca cobriu o tema e de repente tem que assumir uma coluna.
Mas você vai se impondo. É óbvio que o assessor vai querer te vender [jargão jornalístico para "oferecer uma sugestão de pauta"] uma coisa, mas você não vai fazer do jeito que o cara quer. Você é novo, então no começo eles devem achar que vai ser simples vender uma coisa e você vai comprar de todo jeito. Mas você vai fazendo do seu jeito e não do jeito que eles te passam.
NF - E teve dificuldade em fazer fontes?
RR - É difícil, porque você está num mercado em que os jornalistas que cobrem TV fazem a mesma coisa há muito tempo. Essas pessoas chegavam num nível que eu não tinha como chegar, e o jornal sabia disso. Porque elas tinham muito contato. E para falar com as pessoas eu tinha sempre que passar pela assessoria – no começo, depois eu consegui fazer algumas boas fontes.
NF - Quantas?
RR - Em um mês, fiz umas cinco fontes muito boas.
NF - Suas principais fontes eram os assessores?
RR - É, principalmente. Pode ser que com as outras pessoas que fazem isso seja diferente, porque já têm o contato direto. Eu não tinha o celular do cara para ligar direto.
NF - Como você fez para se organizar, saber o que tinha que monitorar, fechar a coluna em um dia, sozinho?
RR - Eu sempre tentava deixar a coluna [que ia ser fechada no dia seguinte] pronta, ou pelo menos encaminhada, no fim da tarde. Eu sempre falava com a editora as opções de notas que eu tinha e ela ajudava a avaliar. No dia seguinte, eu só fechava, olhava o tamanho, ouvia alguma coisa que precisasse.
NF - Quantos blogs você monitorava por dia?
RR - Uns seis, que são os agregadores, que buscam de um monte de fontes. Eu também entrava no Twitter de muita gente. A diretora do SBT tem Twitter, os caras do Casseta, o Bonner, o Marcos Mion, os caras do CQC, a equipe do Pânico, todo mundo. Mas o lance era tentar pegar coisas exclusivas, então acessava mais para monitorar, porque não era só daí que saíam as coisas.
E às vezes você tem uma ideia, vai atrás de um palpite. Depende bastante de observação. Por exemplo, dei um abre que era "Fantástico estreou cinco quadros em sete programas", algo assim. Nunca ninguém vai te falar isso, mas aí você compara com o resto do ano e vê que não é normal um movimento desses. Então tem que ficar atento ao que está acontecendo.
NF - Você ficava quanto tempo na redação?
RR - Chegava às 10h30 e saía umas 20h, 21h. Menos na quinta, que eu tinha que fechar domingo, aí ficava mais. Domingo é mais de perfil, uma entrevista maior. Então, além de ter a preocupação do dia, na quarta eu tinha que ter uma proposta de especial e tinha que ir atrás da foto também. Por exemplo, eu fiquei 15, 20 dias para tentar fazer o perfil do Zina e, na semana em que saiu, três dias depois ele foi preso!
NF - Você já gostava de TV, sempre foi de ficar ligado em tudo?
RR - Sempre gostei de TV e sempre fui mais de TV aberta. Mas não tinha um conhecimento. Você vai conversando com as pessoas, entendendo de tempo real do Ibope, de vender pra anunciante, de qual Ibope que vale – você não sabe das coisas no começo. É bem complexo, tem várias pessoas com quem você tem que falar. Tem o aspecto comercial, de produção, uma infinidade de campos numa emissora.
NF - Antes da vaga da Ilustrada imaginava cobrir TV?
RR - Não, nunca. Mas estou gostando. E fazer a coluna foi incrível. Foi uma pressão, é difícil, é complicado quando não tem fonte ainda. Mas durante o trabalho nem dava muito tempo para pensar, tinha que fechar e fazer do melhor jeito.
NF - Sentiu outras dificuldades?
RR - A dificuldade para as notas era selecionar o que era mais interessante. Você não sabe o que o leitor quer, na verdade. Tem coisas que saltam aos olhos: número de Ibope, guerra de audiência, sempre é legal. O abre sempre é mais complicado.
NF - E como se virava para decidir?
RR - A preocupação era de ser exclusivo, não ter saído em lugar nenhum, que era o mais difícil, ainda mais com a internet. Tentava ser crítico. Não só dar que o programa foi líder, mas perguntar por que tal programa foi líder de audiência.
NF - O que você mais gostava de abordar?
RR - Temas mais de política, de comunicação social mesmo, não de programação.
NF - Quais as principais diferenças entre fazer uma coluna e fazer reportagem?
RR - Na coluna é muito claro que tem que ter notícia, mas você pode dar uma cutucada, pode ser crítico, pode brincar com os títulos, fazer duplo sentido, fazer umas graças que não vai poder fazer na reportagem. Mas sem esquecer que tem que ter conteúdo, tem que se sustentar mesmo sem a gracinha.
NF - E para apurar, tem diferença?
RR - Só acho que tem mais conversa. Quando você está apurando alguma coisa para reportagem, vai mais direto ao ponto, sabe o que está apurando. Na coluna você tem que conversar mais, ouvir mais, estar mais aberto a ouvir do que a ter perguntas. Quanto mais a pessoa te falar, mais chance de sair alguma coisa. Tem dia que você não precisa ligar para aquela pessoa, mas se ligar vai ouvir alguma coisa, pode te dar uma ideia. Mesmo que não me ajudasse a escrever, ia me ajudar a entender melhor. Na coluna você não sabe o que é sua matéria. Vai virar, dependendo do que você ler, do que você ouvir.
NF - Como essa experiência vai te ajudar em sua carreira?
RR - Ajudou muito. Lidar com pressão, lidar com interesses muito grandes, esse negócio de ouvir mais, de ter essa visão institucional também. Foi uma correria, mas aprendi a segurar o rojão. E ter calma também, porque não adiantava ficar desesperado. Tinha dia que não acontecia nada mesmo; tive que lidar com o tempo, gerenciá-lo.
NF - Como você avalia seu trabalho?
RR - Pelo pouco tempo que eu tinha de jornal, acho que fui bem. A Sylvia gostou, achou que eu segurei bem a barra. E era para eu ficar por dois dias e fiquei por quase cinco semanas.
O blog Toledol, que sempre indicamos por aqui, traz hoje o making of de uma análise sobre as pesquisas do CNT/Sensus, que José Roberto de Toledo fez no "Estado de S.Paulo".
Ele agora passa a colaborar para o jornal impresso, depois de dez anos na internet. E veremos com mais freqüência posts sobre eleições e pesquisas eleitorais em seu blog. Sempre úteis para este 2010 que se aproxima...
O @newsleader (ou Justin Kings) coletou 20 dicas para tornar as notícias mais originais e destacadas da média. Algumas:
Quais são as questões mais faladas por seus amigos e vizinhos? A vida cotidiana é grande fonte de histórias em potencial.
Visite fóruns online locais para descobrir sobre o que as pessoas estão debatendo ou encontrar contatos úteis.
Use o twitterfall.com – é um feed de tweets baseado em palavras-chave.
Ao ver ou ler outras histórias em outras mídias, procure pelas histórias não-contadas ou ângulos novos que merecem ser investigados.
Com que freqüência você convida seus ouvintes a contribuir com idéias para histórias? Repita o convite regularmente para garantir que o recado foi dado.
Credite os ouvintes no rádio quando suas histórias forem ao ar.
Não faça apenas as perguntas que te levarão aos fatos mais básicos. Procure mais a fundo, pergunte "por quê?" e "e se...?".
Estabeleça uma meta para os repórteres encontrarem uma certa quantidade de histórias originais por mês. Recompense aqueles que atingirem a meta.
Não puna os que não atingirem. Descubra que técnicas eles usaram (ou deixaram de usar) e treine-os.
Converse com as pessoas! Seja no trânsporte público ou no barbeiro, descubra o que interessa as elas.
Perceba que jornalismo original requer tempo. Você consegue tirar um repórter do dia para que ele trabalhe em projetos especiais?
Gente, um apagão em Ipanema fez o lançamento mudar para perto dali. Vai ser na Travessa do Shopping Leblon, na rua Afrânio de Melo Franco. Por favor, ajudem a divulgar!!
DANIEL BERGAMASCO JOEL SILVA ENVIADOS ESPECIAIS A AREIAS (SP)
A cena foi melhor vista dos bancos do asilo São Vicente de Paula, vizinho à praça central de Areias (SP), onde o ex-prefeito João Patinho (PV), ex-policial federal, é acusado de matar a professora Cristiane Guimarães, tentar matar seu sucessor, José Antonio Fernandes (PSDB), e ainda atingir um eletricista de raspão.
[a história toda está na Folha de hoje; assinante lê aqui]
Fazer um lide assim é um risco. Pode funcionar ou ficar horrível. A gente só descobre se arriscar.
Dando continuidade à nossa série sobre como entrar nos principais veículos de jornalismo do país, hoje nosso guia vale para o jornal Correio Braziliense, dos Diários Associados.
Para fazer estágio:
Você precisa estar cursando o 6º semestre de graduação em jornalismo.
As vagas surgem de acordo com as demandas e são divulgadas em anúncios no Correio Braziliense e em consultorias de RH.
Você deve enviar seu currículo para anuncio.df@diariosassociados.com.br, a qualquer época do ano. Eles possuem um banco de currículos permanente.
Seu currículo é analisado por uma instituição de RH (CIEE) e encaminhado para a Redação.
Se você tiver os requisitos desejados para a vaga aberta no momento, passa por testes de conhecimentos específicos, dinâmicas de grupo e entrevista com o RH e com o gestor da área.
Em alguns casos, funcionários podem indicar estagiários para uma vaga também.
O estagiário recebe uma bolsa, um auxílio para transporte e um tíquete-refeição.
Não há garantia de que seja contratado em seguida: depende de seu desempenho e da existência de vagas.
Para tentar vaga de frila:
Geralmente os estagiários são os primeiros aproveitados para as vagas de colaborador.
Nos demais casos, não há processo seletivo formal, os editores contratam diretamente os frilas que irão trabalhar em suas áreas.
Para tentar vaga de contratado:
É preciso ser formado em jornalismo.
O grupo abre, primeiro, seleções internas. Eles entendem que a busca por talentos internos (sejam estagiários ou efetivos de outros setores) é prioritária.
Em seguida, caso não tenham encontrado o perifl, abrem recrutamentos externos.
A mãe que esqueceu o bebê no carro cometeu um crime, de homicídio, mas de homicídio culposo (sem intenção).
E pode inclusive ser liberada da pena, pelo fato de já ser uma pena suficiente para ela conviver até o resto da vida com a responsabilidade pela morte de seu filho.
É o que se chama de perdão judicial, que cabe em casos bem específicos, como este.
(Afinal, quem nunca foi esquecido pelos pais? Eu já fui, e não acho que meu pai foi relapso ou queria me abandonar, por causa disso).
Essas notícias rendem não apenas boas reflexões jornalísticas, como a análise de Hélio Schwartsman hoje, mas boas lições de direito, sempre úteis aos jornalistas.
O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.
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